A filosofia da psicopatologia e o dilema diagnóstico na psiquiatria



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS - UFSCar

CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA E METODOLOGIA DAS CIÊNCIAS



METAPSICOPATOLOGIA DA PSIQUIATRIA: Uma Reflexão sobre o Dualismo Espistemológico da Psiquiatria Clínica entre a Organogênese e a Psicogênese dos Transtornos Mentais



José Roberto Barcos Martinez

São Carlos

2006

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS - UFSCar

CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA E METODOLOGIA DAS CIÊNCIAS


METAPSICOPATOLOGIA DA PSIQUIATRIA: Uma Reflexão sobre o Dualismo Espistemológico da Psiquiatria Clínica entre a Organogênese e a Psicogênese dos Transtornos Mentais


José Roberto Barcos Martinez

Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Filosofia e Metodologia das Ciências, do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, como parte dos requisitos para a obtenção do Título de Doutor em Filosofia.


Orientador: Dr. Richard Theisen Simanke


São Carlos

2006

00000 Martinez, José Roberto

Metapsicopatologia da Psiquiatria: Uma Reflexão sobre o Dualismo Espistemológico da Psiquiatria Clínica entre a Organogênese e a Psicogênese dos Transtornos Mentais / José Roberto Barcos Martinez – São Carlos: UFSCar, 2006.

445 p.


Tese de Doutorado – Universidade Federal de São Carlos, 2006.
1. Psiquiatria. 2. Metapsicopatologia. 3. Psicopatologia.

4. Etiologia. 5. Etiopatogenia. 6. Psicodinamismo.

7. Organodinamismo. 8. Psicorganodinamismo.

9. Psicogênese. 10. Organogênese. 11. Psicorganogênese. 12. Ontogênese. 13. Epistemologia da Psiquiatria.

14. Método construtivo-sintético. 15. Nosografia.

16. Hereditariedade. 17. Método fenomeno-estrutural.

18. Nosologia.
CDD 150

150.195




José Roberto Martinez

METAPSICOPATOLOGIA DA PSIQUIATRIA: Uma Reflexão sobre o Dualismo Espistemológico da Psiquiatria Clínica entre a Organogênese e a Psicogênese dos Transtornos Mentais


Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Filosofia e Metodologia das Ciências, do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, como parte dos requisitos para a obtenção do Título de Doutor em Filosofia.

Banca Examinadora

­­­­__________________________________

Dr. Richard Theisen Simanke

UFSCar

__________________________________

Dr. Cláudio Eduardo Müller Banzato

UNICAMP

__________________________________

Dra. Débora Cristina Morato Pinto

UFSCar

__________________________________

Dr. Maria Cândida Soares Del Masso

UNESP - Marília

__________________________________

Dr. Walter José Martins Migliorini

UNESP - Araraquara

Dedico este trabalho a Natália e Tamara

AGRADECIMENTOS

Aos colegas da equipe técnica e à diretoria do Hospital Espírita de Marília.

Aos meus mestres da Unesp de Marília e da Ufscar.

Ao meu orientador Richard Theisen Simanke.

Aos amigos de todas as horas.

“O preço pago por desprezar a Filosofia consiste em cometer erros filosóficos.”

John Roger Searle

(The Mistery of Consciousness, 1997)

“Ter representações e todavia não ser delas consciente. Como, com efeito, poderíamos saber que as temos se não somos conscientes delas? ... Entretanto, podemos ser imediatamente conscientes de ter uma representação mesmo quando não somos imediatamente conscientes dela.”

Immanuel Kant

(Antropologia do ponto de vista pragmático, 1798)

RESUMO

A presente tese de doutorado pretende analisar os principais conceitos de doença mental e a problemática relação entre o organicismo e o psicodinamismo ao longo da história das idéias psicopatológicas que vieram constituir a psiquiatria clínica científica, a partir de Philippe Pinel, no início do século XIX, até o caos da pretensa ateoricidade descritiva da nosografia oficial do final do século XX e início do século XXI (C.I.D.-10). O conflito epistemológico entre as doutrinas psicogênicas e organogênicas resultou em várias tentativas frustradas de solução. Dentre as mais promissoras propostas do século XX, destacam-se as da psicopatologia hermenêutico-sintética de Carl Gustav Jung (1875-1961) e da psicopatologia fenomeno-estrutural de Eugène Minkowski (1885-1972). Os conceitos fundamentais desses autores guardam uma semelhança essencial, apesar de pertencerem a escolas de pensamento diferentes; todavia, suas teorizações caminham paralelamente no sentido de uma formulação psicopatológica “psicorganodinâmica” muito parecida em seus princípios mais essenciais. A solução antimecanicista, anti-atomicista e anti-reducionista, de ambos, lembram à psiquiatria biológica atual que a tão desejada e necessária teoria psiquiátrica consensual não prescindirá de uma “Metapsicopatologia” da psiquiatria que considere a complexidade biopsicossocial irredutível do ser humano normal ou patológico. E, tampouco a psiquiatria chegará a uma formulação nosográfica satisfatória enquanto não desvendar os mistérios da etiologia complexa dos transtornos mentais.


Palavras-chave: 1. Psiquiatria 2. Metapsicopatologia 3. Psicopatologia 4. Etiologia

5. Etiopatogenia 6. Psicodinamismo 7. Organodinamismo 8. Psicorganodinamismo

9. Psicogênese 10. Organogênese 11. Psicorganogênese 12. Ontogênese 13. Epistemologia da Psiquiatria 14. Método construtivo-sintético 15. Nosografia 16. Hereditariedade

17. Método fenomeno-estrutural 18. Nosologia.


ABSTRACT


This doctoral thesis intends to analyze the main concepts of mental disease and the problematic relation between the organicism and the psychodinamism throughout the history of the psychopathologic ideas that came to constitute the scientific clinical psychiatry, from Philippe Pinel, in the beginning of XIX century, until the chaos of the no theoretical pretense descriptive of the official nosography of the end of XX century and beginning of XXI century (I.C.D.-10). The epistemologic conflict between the psychogenic and organogenic doctrines had resulted in many frustrated attempts of solution. The hermeneutic-synthetic psychopathology of Carl Gustav the Jung (1875-1961) and the phenomenon-structural psychopathology of Eugène Minkowski (1885-1972) stand out among the most promising proposals of XX century. The basic concepts of these authors keep an essential similarity, besides belonging to schools have different thoughts. However, their theorization go in parallel thinking about a psychopathologic formularization “psychorganodinamic” that is similar in its most essential principles. The antimechanist solution, anti-atomicist and anti-reductionist, of both, remind the current biological psychiatry that the desired and necessary consensual psychiatric theory will not do without a “Metapsychopatology” of the psychiatry that consider the irreducible biopsychosocial complexity of the normal or pathological human being. And, neither psychiatry will gain a satisfactory nosographic formularization while they don’t reveal the mysteries of the complex etiology of mental disorders.


Key words: 1. Psychiatry 2. Metapsychopathology 3. Psychopathology 4. Etiology

5. Etiopathogeny 6. Psychodynamic 7. Organodynamic concept 8. Psychorganodynamic

9. Psychogenesis 10. Organogenesis 11. Psychorganogenesis 12. Ontogenesis

13. Epistemology of Psychiatry 14. Constructive-synthetic method 15. Nosography

16. Hereditary succession 17. Phenomenostructural method 18. Nosology.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CID 10: Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10

CP: Bergson, H. “O Cérebro e o Pensamento: uma ilusão filosófica” (L’Énergie Spirituelle)

DI: Jung, C.G. “A Dinâmica do Inconsciente” (Die Dinamik der Unbewussten)

EE: Jung, C.G. “Estudos Experimentais” (Experimentelle Untersuchungen)

EPA: Jung, C.G. “Estudos sobre Psicologia Analítica” (Zwei Schriften über Analytische Psychologie)

FC: Bercherie, P. “Os Fundamentos da Clínica: história e estrutura do saber psiquiátrico” (Les Fondements de la Clinique)

FP: Jung, C.G. “Freud e a Psicanálise”

HP: Mueller, “História da Psicologia”

LE: Pessotti, I. “A Loucura e as Épocas”

MG: Brandão, J.S. “Mitologia Grega”

MM: Bergson, H. “Matéria e Memória: Ensaio sobre a Relação do Corpo com o Espírito” (Matière et Mémoire)

NP: Canguilhem, G. “O Normal e o Patológico” (Le Normal e le Patologique)

PDM: Jung, C.G. “Psicogênese das Doenças Mentais” (Psychogenese der Geisteskrankheiten)

RM: Minkowski, E. “Além do Racionalismo Mórbido” (Au-delà du Rationalisme Morbide)

SM: Pessotti, I. “O Século dos Manicômios”

TP: Minkowski, E. “Tratado de Psicopatologia” (Traité de Psychopathologie)

TPC: Lantéri-Laura, G. “Principais Teorias na Psiquiatria Contemporânea”

TV: Minkowski, E. “O Tempo Vivido” (le Temps Vecú)

VC: Minkowski, E. “Para uma Cosmologia” (Vers une Cosmologie)

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 10


1 PANORAMA GERAL DA EVOLUÇÃO DOS CONCEITOS PSIQUIÁTRICOS 14

1.1 A PSIQUIATRIA NA ANTIGÜIDADE CLÁSSICA 14

1.2 O PERÍODO PRÉ-CLÁSSICO DA PSIQUIATRIA CIENTÍFICA 22

1.3 O TRATADO PSIQUIÁTRICO DE PINEL 29

1.4 O ORGANICISMO APÓS PINEL 45

1.5 OS FUNDAMENTOS DA NOSOLOGIA CLÁSSICA 55

1.6 A CLÍNICA PSIQUIÁTRICA NO PERÍODO CLÁSSICO 61

1.7 O ORGANICISMO REALISTA 75

1.8 A PSIQUIATRIA MODERNA E A ERA PSICODINÂMICA 88

1.9 O ORGANICISMO MODERNO E A FENOMENOLOGIA 101

1.10 A PSICOPATOLOGIA PSICANALÍTICA 119

1.11 AS TEORIAS PSIQUIÁTRICAS CONTEMPORÂNEAS 134

2 A CONCEITOGRAFIA PSICOGENÉTICA JUNGUIANA 153

2.1 PSICOPATOLOGIA CONSTRUTIVO-SINTÉTICA 153

2.1.1 A TEORIA DOS COMPLEXOS 153

2.1.2 O COMPLEXO CAUSAL E OS EFEITOS PSÍQUICOS 170

2.2 PSICOPATOLOGIA DA HISTERIA E DA ESQUIZOFRENIA 175

2.2.1 HISTERIA E ESQUIZOFRENIA 175

2.2.2 AS ANORMALIDADES DE CARÁTER NA HISTERIA E NA ESQUIZOFRENIA 180

2.2.3 OS DISTÚRBIOS INTELECTUAIS NA HISTERIA E NA ESQUIZOFRENIA 183

2.2.4 DELÍRIOS E ALUCINAÇÕES NA HISTERIA E NA ESQUIZOFRENIA 185

2.3 A ESQUIZOFRENIA 192

2.3.1 OS COMPLEXOS NA ESQUIZOFRENIA 192

2.3.2 O CONTEÚDO DA PSICOSE NA ESQUIZOFRENIA 197

2.4 OS CONFLITOS INCONSCIENTES 208

2.4.1 O CONFLITO PSICOGÊNICO E AS REAÇÕES DEFENSIVAS DA PSIQUE 208

2.4.2 O INCONSCIENTE NA PSICOPATOLOGIA JUNGUIANA 214

2.5 A PSICOGÊNESE DAS PSICOSES 219

2.5.1 O PROBLEMA DA PSICOGÊNESE NAS DOENÇAS MENTAIS 220

2.5.2 DOENÇA MENTAL E PSIQUE 228

2.5.3 A PSICOGÊNESE DA ESQUIZOFRENIA 231

2.5.4 O FUTURO DA PSICOPATOLOGIA DA ESQUIZOFRENIA 243

3 CONCEITOGRAFIA DA PSICOPATOLOGIA MINKOWSKIANA: A SÍNTESE PSICORGANOGENÉTICA 258

3.1 OS FUNDAMENTOS DA PSICOPATOLOGIA FENOMENO-ESTRUTURAL 258

3.2 PSICOLOGIA E PSICOPATOLOGIA 275

3.3 O FENÔMENO DA LOUCURA 283

3.4 SINTOMAS, SÍNDROMES E DOENÇAS MENTAIS 287

3.5 DEGENERAÇÃO, DEMÊNCIA E PSICOSE 296

3.6 A TIPOLOGIA CONSTITUCIONAL 306

3.7 CONSTITUIÇÃO E CONFLITO 316

3.8 A BIPOLARIDADE CONSTITUCIONAL NA NOSOGRAFIA 326

3.9 A TRANSMISSÃO HEREDITÁRIA DO CARÁTER NA EPILEPSIA 332

3.10 A PSICOPATOLOGIA DA VIVÊNCIA DO TEMPO 340

3.11 ORGANICISMO E ORGANODINAMISMO FENOMENO-ESTRUTURAL 348

3.12 O TEMPO VIVIDO NO RETARDO MENTAL 363

3.13 O TEMPO VIVIDO NA SENILIDADE E NA DEMÊNCIA SENIL 365

3.14 AFETIVIDADE E EXPRESSÃO 369

3.15 ANÁLISE FENOMENO-ESTRUTURAL E PSICANÁLISE 381

3.16 A CRÍTICA FENOMENOLÓGICA ESTRUTURAL À PSICANÁLISE 387

3.17 O PROBLEMA FUNDAMENTAL DA HEREDITARIEDADE 399



CONCLUSÃO 412

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 425

ANEXO A 431

ANEXO B 433
INTRODUÇÃO

O debate epistêmico em torno da falta de uma adequada formulação de uma teoria da clínica dos transtornos mentais, com conseqüências imediatas sobre a construção de um sistema de classificação que atenda às necessidades práticas na condução do processo diagnóstico, prognóstico e terapêutico, tem esbarrado no milenar e dilemático problema da origem e constituição do ser humano enlouquecido. As concepções sobre a ontogênese da loucura têm oscilado pendularmente ao longo da história da filosofia e da ciência entre dois pólos epistemológicos distintos: organogênese e psicogênese. Mesmo que os nomes da loucura tenham mudado constantemente, numa profusão de termos nem sempre úteis às necessidades pragmáticas da clínica, uma certa evolução foi ocorrendo num movimento em espiral ascendente que, ao mesmo tempo, associava-se a um movimento pendular, ora materialista, ora espiritualista, embora sempre de natureza metafísica.

A presente tese sobre a conflituosa e problemática relação entre as teorias da organogênese e da psicogênese das doenças mentais se pautará pela análise dos conceitos mais diretamente envolvidos na temática proposta, a ontogênese dos transtornos mentais, a fim de tentar aclará-los no âmbito da obra psiquiátrica de dois autores da primeira metade do século XX, Carl Gustav Jung (1875-1961) e Eugène Minkowski (1885-1972), os quais muito influenciaram a psiquiatria organodinâmica da segunda metade do século XX. O motivo da escolha destes autores se deu devido às suas importantes contribuições na construção da terceira alternativa da psiquiatria clínica: o organodinamismo. Acontece que ambos os autores e protagonistas do cenário em que se desenrolarão as nossas perquirições epistemológicas viveram num especial e fecundo período de maturação da psicopatologia e da psiquiatria clínica, o período moderno da revolução psicodinâmica e da reação organodinâmica. Neste momento em que a ciência da mente vislumbrava grandes realizações no âmbito das investigações neurocientíficas e psicodinâmicas, nascia a psicanálise freudiana com as suas propostas no sentido de desvendar os mistérios do psiquismo humano e esclarecer a dinâmica dos mecanismos, ou dinamismos, da natureza somática e psíquica da doença mental. Embora vários e importantes investigadores da mente tenham proposto sua própria terceira via consensual da natureza psicorgânica da mente normal e patológica, com o objetivo de resolver a tradicional dicotomia entre os vários organicismos e os diversos psicologismos, escolhemos as teses de Jung e de Minkowski em função de alguns pontos teóricos convergentes, embora com terminologia própria à filiação doutrinária de cada um, no que tange à ontogênese da loucura. Tentaremos propor, ao final do nosso percurso analítico-epistemológico que muitas idéias e até mesmo alguns conceitos centrais na obra ambos os autores, apresentam similaridades e aproximações interessantes e até surpreendentes na medida em que, em princípio, eles se colocam filiados a duas correntes distintas em psicopatologia: a psicologia analítica (Jung) e a fenomenologia existencial (Minkowski).

Ante o exposto, iniciaremos o nosso percurso conceitual com um vislumbre panorâmico e introdutório (capítulo 1) acerca da conceitografia psicopatológica desde a era clássica da antiga Grécia, quando nasce o organicismo hipocrático, passando pelos mais importantes representantes da história da loucura nos períodos pré-científico, científico pré-clássico, clássico propriamente dito, moderno e contemporâneo. Tentaremos enfatizar nesta primeira parte da nossa apresentação conceitográfica as bases essenciais tanto do organicismo quanto do psicodinamismo, os quais irão se estruturar a partir da revolução nosográfica, metodológica e terapêutica de Philippe Pinel (1745-1826) e dos precursores da psicanálise e da psicopatologia dinâmica, a exemplo de Jules Cotard (1824-1887), dentre tantos outros.

A segunda parte (capítulo 2) será uma análise da psicopatologia analítica de Carl Gustav Jung na sua primeira fase psiquiátrica hospitalar, como colaborador de Eugen Bleuler na Universidade de Zurique. Escolhemos como foco privilegiado de estudo a questão da psicogênese da Histeria e da Esquizofrenia na obra junguiana intitulada “Psicogênese das Doenças Mentais”, de 1907, e os conceitos centrais de sua psicopatologia que concernem à causa primária das neuroses e das psicoses. Analisaremos os conceitos junguianos que enfocam mais diretamente a questão do dilemático problema da etiopatogênese das doenças mentais para correlacioná-los com a conceitografia essencial das propostas fenomenológicas da psicopatologia fenomeno-estrutural de Eugène Minkowski.

Abordaremos as investigações experimentais do método de associação de palavras-estímulo com os doentes mentais de Jung na clínica psiquiátrica do Hospital Burghölzli da Universidade de Zurique (Suíça), sob a direção de Eugen Bleuler, entre 1902 e 1906. Acompanharemos a tentativa junguiana de superar a unilateralidade do princípio de causalidade e o reducionismo causalista das correntes teóricas tradicionais, e sua proposta de superação a partir do princípio de condicionalismo multicausal e da teoria dos complexos do inconsciente coletivo no âmbito da teoria da transmissão hereditária de predisposições psíquicas e orgânicas. Abordaremos a importância das pesquisas sobre a constituição psicológica e a transmissão hereditária na determinação da doença mental, a partir da idéia de que os processos psíquicos se apóiam na repetição de padrões de conduta e de funções herdadas juntamente com a herança organocerebral. Com o objetivo de analisar a origem essencial da doença mental procuraremos contrapor as concepções junguianas, sobre a possível transmissão hereditária da vida psíquica inconsciente através dos traços de personalidade, com as concepções fenomeno-estruturais da psicopatologia de Minkowski.

Na terceira parte (capítulo 3) examinaremos as possíveis soluções do problema nosográfico da psicopatologia através da conceitografia de Eugène Minkowski e sua tentativa de solucionar o problemático conflito epistemológico entre a somatogênese e a psicogênese das doenças mentais, sobretudo no plano da hereditariedade e da teoria da transmissão psicogenética das disposições caracteriais. Tomaremos como obra de referência preferencial de nosso percurso teórico, na extensa bibliografia psicopatológica minkowskiana, o seu “Tratado de Psicopatologia” de 1966.

Ao final, tentaremos aproximar Jung e Minkowski nas questões essenciais do sempre atual problema da origem, constituição e manifestação das doenças mentais, tomando com foco fundamental de discussão a questão dos fatores geradores essenciais da doença mental, o causalismo organicista, o condicionalismo do método prospectivo-sintético junguiano e a intuição penetrativa do método fenomeno-estrutural minkowskiano, na tentativa de compreender em que medida ambos os autores, partindo de escolas de pensamento distintas, conseguiram, ou não, dar conta de apontar a via mediana de solução do conflito epistemológico entre a organogênese e a psicogênese das doenças mentais, deixando traçado à psiquiatria do futuro o caminho que ela deverá percorrer se quiser livrar-se da esterilidade teórica e da ilusão reducionista em que se encontra em pleno século XXI.





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