Wanderley s


(1) Revista Espírita — novembro de 1861 — página 359 — Edicel — Allan Kardec



Baixar 0.61 Mb.
Página7/10
Encontro11.06.2018
Tamanho0.61 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10

(1) Revista Espírita — novembro de 1861 — página 359 — Edicel — Allan Kardec

Capítulo 18

Flexibilidade nos Julgamentos

Já vimos de quanta importância é a uniformidade de sentimentos, para a obtenção de bons resultados.”



O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 335

Assunto grave e oportuno nas questões da vida interpessoal são as sentenças irredutíveis que costumamos lavrar relativamente aos outros no campo dos julgamentos.

Ainda não desenvolvemos suficiente capacidade para analisar o “outro”, entendido aqui como sendo “o diferente de nós”, de maneira alteritária, isenta das lentes morais que classificam as diferenças como imperfeições e limitações.

Em razão disso, e também por conveniência, basta uma só atitude infeliz de nosso próximo, pela nossa ótica, para decretarmos veredictos éticos, que serão rigorosos adjetivos identificadores da personalidade daquilo que o “outro” é, em nossa concepção.

Um homem não pode ser julgado apenas por uma atitude, por uma faceta de seu temperamento. Ter-se-ia que melhor aquilatar suas razões, seus sentidos pessoais, sua integralidade espiritual para então fazermos melhor avaliação sobre os porquês de suas ações e de seu proceder.

A precipitação e a parcialidade nesse capítulo das relações têm ensejado um “imaginário”, inverossímil — fantasias calcadas em expectativas relativamente àqueles com os quais convivemos.

A influência dos papéis sociais, as tendências do homem integral, a questão da educação infantil, o momento psicológico da criatura, a interferência de desencarnados, os interesses pessoais são apenas alguns dos muitos fatores que devem ser arrolados na “arte de julgar”.

Conveniências, nas quais nos encontramos amordaçados moralmente no atendimento a caprichos ou conceitos pessoais, rezam que decretemos juízos definitivos e imutáveis sobre as pessoas. Uma leve flatulência e já nos sentimos à vontade para expedir juízos. E se a pessoa em questão é alguém que não atende as nossas exigências de entendimento e afinidade, possivelmente daqui a um século ainda sustentaremos as mesmas recriminações, guardando, por conveniência, as mesmas idéias sobre nosso “réu’. Nesse caso, nosso orgulho rebaixa o “outro” ao patamar das próprias lutas pessoais, e a inveja provoca uma miopia impedindo-nos de enxergar as qualidades nele existentes.

Difícil tema dos relacionamentos, porque além de convivermos com aquilo que os outros pensam que somos, ainda temos que separar aquilo que pensamos que somos, daquilo que realmente somos, deixando claro que nem mesmo nós próprios, em muitos lances, sabemos avaliar com a precisão necessária as causas de nossas ações.

Como então apressar em lavrar acusações sobre o próximo se nem a nós mesmos conhecemos com exatidão?

Devido a esse hábito enfermiço, podemos registrar algumas conseqüências previsíveis na vida inter-relacional, quais sejam:

- Contínua indisposição de conviver com as “pessoas-alvo” de nossos veredictos depreciativos.

- Incômodos emocionais variados, quando na presença da criatura julgada por nós.

- Tendência à maledicência na manutenção dos decretos por nós lavrados.

Carecemos analisar quais as causas desse automatismo milenar, se desejamos superá-lo o quanto antes. Em alguns casos, o complexo de inferioridade faz-se presente levando-nos a reduzir o conceito de valor do “outro”, porque assim fruímos a sensação de que somos melhores aquilatados. Outras vezes, deparamo-nos com uma situação de “projeção de auto-repulsão”, recriminando no “outro” o que não aceitamos em nós.

Sem a reencarnação não poderíamos investigar esse episódio comportamental com a merecida sabedoria, analisando a influência de imperfeições que determinaram fracassos conscienciais em vidas anteriores e custaram muita amargura e dor na erraticidade. Planejando o recomeço na carne, priorizamos intensa vigilância sobre esses antigos desvarios morais, nutrindo propósitos renovadores. Retomando a oportunidade na Terra, embalados por esses sonhos de libertação e conscientização, tenderemos a ser severos com tudo que orbita em torno dos traços de caráter que desejamos vencer. Lamentavelmente tal severidade transferimos também ao nosso próximo, e chegamos mesmo a imputá-la, em alguns casos, como pertinente somente a ele, relegando mais uma vez os deveres corretivos em nós mesmos nas áreas de fragilidade.

Em verdade são variadas as causas dessa rigidez nos juízos implacáveis.

O importante é que tenhamos maleabilidade sempre na nossa vida interpessoal.

Cada homem tem seus motivos para ser como é ou fazer o que faz, ainda que palmilhando pela perversidade...

Busquemos assim a conquista da compreensão em favor da alteridade. Alteridade essa que não nos eximirá de ajuizar e pensar, mas que nos conduzirá a uma postura de predisposição ao convívio fraternal nas bases da tolerância, do perdão e do entendimento, quanto possível.

Evidentemente, não somos obrigados a ser coniventes com as atitudes do próximo, no entanto, os desafios da convivência apelam para a utilização de relativização nas análises imputadas aos corações de nossa faina diária.

Aprofundemos constantemente o entendimento sobre os motivos que levam o homem a fazer suas escolhas e a tomar suas decisões.

Elastecer a sensibilidade afetiva para galgar essa compreensão da realidade subliminar de cada criatura, penetrar na alma de cada ser, extrair a essência: sem tal exercício, ficaremos na superficialidade estabelecendo juízos parciais e sem conhecer as raízes das ações humanas, aprisionados a versões unilaterais que podem trazer-nos decepções ao longo da vida ou mesmo na Imortalidade!

Prudente será, portanto, que apliquemos sempre a severidade conosco próprios, procurando tirar o véu do personalismo e realizando o auto-encontro com a verdade sobre nós próprios.

Ainda assim será imprescindível a flexibilidade, o auto-perdão, a complacência para com nossas deficiências, porque quando tomamos, também para conosco, a decisão dos juízos imperdoáveis, caminhamos para o outro extremo da questão, alimentando o desamor e a culpa contra a conquista da felicidade pessoal.

Ninguém é no todo exatamente aquilo que dele pensamos ou sentimos.

Perceberemos em cada ser aquilo que constitui, em verdade, o “material da vida” que edificamos em favor do nosso progresso pessoal.

Relações mudam, quando mudamos o foco que temos sobre aqueles de nossa convivência.

Quando mantemos um foco único sobre alguém, devemos nos perguntar: Por que estamos deliberando fixar a mente nesse padrão?

Certamente perceberemos, com tempo e serenidade, a que motivos estamos atendendo; aliás esses são quesitos imprescindíveis para julgamentos mais realistas e proveitosos.

Essa descoberta será de grande valor para nós, por se tratar do divino movimento interior do autoconhecimento, lançando sondas nas regiões incognoscíveis do mundo íntimo em busca do aperfeiçoamento que nos tornará maleáveis e plenos de alteridade com o “outro” diferente, aprendendo a amar sua diferença e com ela sempre acrescer algo no auxílio e construção de uma relação pacífica e promissora.
* * * *
Amigos,

Julgamentos definitivos excluem as possibilidades da fraternidade.

As pessoas mudam a cada dia, e nem sempre se conservam as mesmas, o que se lhes seria um direito caso isso fosse possível.

Nos ambientes espiritistas os julgamentos morais tornaram-se triviais. Em razão dos conteúdos do conhecimento com o qual laboramos, muito facilmente percebe-se as conclusões do tipo: “é personalismo”, “é vaidade”, “é invigilância”; tais peças da “inquisição ética” infelizmente são utilizadas como processo de exclusão institucional ou mesmo relacional. A elevadíssima expectativa que nutrimos uns para com os outros, entre espíritas, chega às raias da insensatez. Devemos sempre esperar muito de nós mesmos, e ter sempre acendrada misericórdia para com o outro.

Tal expectativa chega ao ponto de presenciarmos, inclusive, os julgamentos sobre o estado espiritual postmortem daqueles com quem convivemos ou que foram expoentes de nossas lides. Sobre os quais, comumente, imputa-se excessivo rigor acerca de como se encontram na vida dos Espíritos, face a alguns deslizes cometidos por tais corações quando na experiência carnal. Sejam graves ou não esses desatinos do comportamento alheio, é preciso destacar que o critério de maior influência na erraticidade ainda é e sempre será a consciência, acrescido da interferência protetora e educativa dos avalistas das reencarnações.

Em conhecendo a “ficha espiritual dos milênios” de seus tutelados, têm eles plena e competente capacidade para ajuizar sobre os destinos futuros. E não esqueçamos que, como “instrumentos da misericórdia”, tais tutores do bem só ajuízam sobre a recém-finda vivência de seu tutelado considerando o somatório de suas existências, sem jamais se fixarem nas infelizes decisões que tenha tomado ao longo de apenas uma etapa.

Para nós que temos acompanhado inúmeros processos de avaliação nessa perspectiva, aqui na vida espiritual, podemos vos afiançar que a carga de expectativa que os irmãos de ideal no plano físico colocam nos julgamentos uns sobre os outros, via de regra, não corresponde ao beneplácito com o qual é tratado cada desencarne de espíritas.

A elevada carga de expectativas que têm os companheiros destitui o sábio recurso da sensatez e da indulgência. Enquanto na vida espiritual aqueles que para os homens deveriam ser recebidos com honras quase sempre se encontram na perturbação, aqueloutros, que supondes na infelicidade em razão de suas invigilâncias, comumente, contam com o crédito do serviço no bem que realizaram, na amenização de suas faltas, e na garantia de um amparo que os permita experimentar, tão somente, a controlável amargura que terão de suportar pelo bem que podiam fazer e não fizeram...

Essa é uma empreitada decisiva do orgulho que ainda nos mantém reféns ante os novos ideais que esposamos.

Não conseguindo os vôos de amor no campo do afeto que nos possibilitaria a tolerância e a afeição incondicionais, vivemos atrelados aos pesados fardos impostos pelas relações fatigantes uns com os outros, incomodados com a ação alheia, estabelecendo cobranças que supomos justas, sobrecarregando o próprio psiquismo com agastamentos a título de “defesa doutrinária” ou de correção de fatores históricos mal talhados, sob a ótica de nossas avaliações. Enquanto mantivermos essas sentenças imutáveis penetraremos cada dia mais as sombras de nós mesmos, revivendo velhos quadros da perseguição doentia por “amor a Deus”!

Quem cultiva a autenticidade e guarda a consciência tranqüila na vivência dos ideais que esposa deve sempre recorrer ao diálogo, ao perdão, ao estudo atento dos fatos, objetivando fazer melhores juízos de tudo e todos, buscando penetrar na essência das experiências da convivência e, sobretudo, sempre advogando o bem e a concordância no trabalho digno e renovador, evitando as ciladas do orgulho humano a nos conduzir ao império do autoritarismo e da tirania.

Jesus poderia ter estabelecido a Verdade para Pilatos, mas não o fez. Decretaria Ele na ocasião algo que competia ao governador descobrir por si mesmo. Certamente o Mestre sabia que pouco adiantaria julgar Pilatos em sentença recriminativa de qualquer natureza moral, porque ele não aceitaria e tudo permaneceria do mesmo modo.

Abstendo-se de ajuizar com o séquito romano, Jesus ensina-nos a evitar a promoção de vínculos sutis e desgastantes, que sempre passam a existir quando decidimos, com nossa suposta autoridade, sentenciar com maus sentimentos a vida além da nossa, roubando a própria paz interior.

Razão pela qual, com o brilhantismo de sempre, Allan Kardec destacou, conforme nossa referência em estudo: “Já vimos de quanta importância é a uniformidade de sentimentos, para a obtenção de bons resultados.



Capítulo 19

Nos Leitos da Caridade

Como a caridade é o mais forte antídoto desse veneno, o sentimento da caridade é o que eles mais procuram abafar. Não se deve, portanto, esperar que o mal se haja tornado incurável, para remediá-lo; não se deve, se quer esperar que os primeiros sintomas se manifestem; o de que se deve cuidar; acima de tudo, é de preveni-lo.”



O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 340

Uma sutilidade da convivência humana tem se tornado muito habitual: a falta de gratificação nos relacionamentos.

O efeito imediato dessa indesejável situação é a ausência de motivos para recriar os encontros, já desgastados, com aqueles que compartilhamos os deveres na órbita doutrinária, levando-nos a acalentar o distanciamento proposital, escolhido.

No educandário das provas sociais, onde crescemos à custa do trabalho-obrigação, é compreensível que tal quadro se desenvolva. Não podemos afirmar o mesmo quando se trata dos encontros e desencontros nas frentes de crescimento com Jesus.

Simpatia, antipatia, admiração e aversão nessa perspectiva são fatores reeducacionais de aprendizagem dos quais jamais devemos desertar, a pretexto de estabelecer somente relações felizes e que sejam agradáveis.

Quando nominamos o centro espírita como educandário do afeto é porque nele percebemos a imensa clareira de oportunidades para a aquisição dos valores morais e emocionais, que somente serão hauridos na vida relacional ajustada a uma proposta de transformação pelas vias da educação.

Uma das causas dessa desistência de conviver podemos encontrar na sobrecarga que muitas vezes costumamos colocar sobre os irmãos de ideal, em razão das elevadas expectativas que nutrimos sobre seu proceder, aguardando deles finuras e gentilezas constantes como atestado de autenticidade espírita. Com isso esquecemos das nossas limitações e carências, passando a cobrar dos outros o que ainda não temos condições de realizar. É salutar aguardar o melhor dos amigos, contudo, evitemos a rigidez ante suas escorregadelas, porque senão estaremos, em verdade, acariciando a intransigência disfarçada em decepção. Elevadas expectativas devemos tê-las para conosco mesmo, embora ainda assim tenhamos de usar de paciência e autoperdão constantes.

Temos muitas barreiras de comunicação nas relações, e isso tem impingido uma carga por demais pesada no favorecimento do entendimento e da afetividade.

O tempero do afeto, contudo, facultaria o encanto e o bem-estar à convivência, estimulando a continuidade de elos imprescindíveis para a elaboração de projetos e labores de fundamental significado nas leiras do serviço espiritual.

Ações intransigentes, se dotadas de afeto, tornar-se-iam determinação construtiva.

Palavras enérgicas, embaladas na ternura da voz, seriam alertas promissores.

Normas rígidas, se externadas com carinho, concitariam à reflexão.

Vigiemos, portanto esse distanciamento por opção e transformemos nossas relações.

Reflitamos um pouco mais: deslocamos quilômetros para servir em caridade àqueles penalizados na pobreza, nos cárceres, nos hospitais, nas creches ou nas sombras da obsessão, todavia, quase sempre, descuidamos daquele coração que está ao nosso lado nas tarefas junto à agremiação doutrinária, com o qual nem sempre nutrimos as melhores expressões de afinidade e simpatia.

Estejamos assim mais atentos aos leitos de dor e penúria que se encontram, também, no âmbito de nossas próprias relações doutrinárias, acrescendo-lhes amor e amparo, proximidade e afeição.

Afeto no ato de ouvir é a caridade da atenção. Quantos se sentem menosprezados e submissos aos leitos da escassa auto-estima, clamando por um minuto de prestígio?

Afeto na atitude de valorizar o esforço alheio é a caridade do incentivo. Quantos se encontram desanimados e estirados aos leitos do descomprometimento por faltarem-lhe apreço a sua colaboração?

Afeto na saudação é a caridade da cordialidade. Quantos são aqueles que ante um gesto de bondade decidem levantar-se do leito da aversão?

Afeto na prontidão é a caridade da cooperação. Milhares de criaturas, sob a influência contagiante da atitude da disponibilidade alheia, libertam-se dos leitos da preguiça seguindo-lhes os exemplos.

Afeto na delegação é a caridade da confiança. Será que imaginamos quantos são os corações sensíveis e bem intencionados que se entregam aos leitos da desistência simplesmente por não serem convocados a realizar?

Afeto na disciplina, caridade da tolerância. A ausência de ternura na aplicação de regras tombam muitos nos leitos da insatisfação e da inveja.

Afeto na palavra, caridade da brandura. A rigidez do verbo tem agredido a muitos que se aterram propositadamente aos leitos da suscetibilidade.

Afeto na tolerância, caridade da indulgência. E quantos são os que padecem o arrefecimento do ideal em razão de serem entregues aos leitos da recriminação, ante suas intenções e projetos de ousadia nas mudanças?

Atenção, incentivo, cordialidade, cooperação, confiança, tolerância, brandura e indulgência são as “caridades de casa”, pródigas fontes formadoras do espírito familiar que deve enlaçar os grupamentos erguidos em nome de Jesus e Kardec.

Caridade no grupo é obtenção de paz, alívio de culpas, restauração do afeto pela compensação em dar, exercícios de Amor pela didática da solidariedade, revitalização energética, recomposição consciencial, desarticulação dos reflexos da educação infantil, desvinculação obsessiva, lenitivo, conforto e alívio para caminhar.

Estudemos mais sobre a caridade relacional e compreendamos melhor os benefícios da vivência do afeto em favor de nosso futuro espiritual, porque então descobriremos, pelo estudo e pela vivência, que amar é vigoroso preventivo que elimina grande parte de nossas dores provacionais na escola da convivência.



Capítulo 20

Plenitude na Gratidão

Que importa crer na existência dos Espíritos, se essa crença não faz que aquele que a tem se torne melhor?”



O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 350

Deus é Amor e compaixão plena.

A vida é a expansão das benesses Divinas que nos fazem “credores universais” em busca de quitação dos saldos de misericórdia por Ele espargidas.

O matemático Frei Luca Pacioli estabeleceu em 1494 os princípios fundamentais da contabilidade humana, consignando que aquilo que se recebe é débito, enquanto a quitação é crédito e desobrigação.

Semelhante princípio nos balanços da economia empresarial reflete a Lei Universal do Amor.

Quanto mais se dá, mais se tem; quanto mais se exige, mais se priva.

Dar é crédito, receber é débito.

Só temos aquilo que damos, e o Amor tem esse “milagre”: quanto mais se dá, mais se tem.

De posse dessa perspectiva, listemos algumas de nossas contas, a fim de verificarmos se temos os saldos que costumamos esbanjar ante as exigências de todo dia.

Renascer no corpo físico, dívida com o recomeço e a esperança.

Acolhimento dos pais, dívida com a gratidão e a prole.

Escola para instruir, dívida com o saber.

Mestras desveladas, dívida com a generosidade.

Arrimo dos amigos, dívida com a cooperação e o estímulo.

Benfeitores inesquecíveis, dívida com o amparo.

Profissão para exercer, dívida com a sociedade.

Orientação espiritual, dívida com o Espiritismo.

Natureza exuberante, dívida com o planeta.

Alimento nutriente, dívida com o agricultor.

Tecnologia facilitadora, dívida com os inventores.

Medicação refazente, dívida com os cientistas.

Diversão e lazer, dívida com o tempo.

Cultura a disposição, dívida com o livro.

Empregados dedicados, dívida com a obediência.

Patrões solidários, dívida com o apoio.

A roupa que vestimos, o conforto dos lares, os recursos amoedados, a saúde e a prosperidade, conquanto sejam recursos amealhados na faina diuturna do progresso pessoal, só se tornaram possíveis porque, antecedendo às vitórias de cada dia, foram alvo de uma previsão na erraticidade, com endosso de avalistas dispostos a tutelar nossos planos reencarnatórios, contemplando-nos com condições mínimas para lograr o sucesso em várias situações da existência. Dessa forma, os recursos mínimos para empreender vitórias maiores constituem dívidas com os “ativos da vida”, ante a Contabilidade Divina.

Somente o egoísmo humano, travestido em usura e insensibilidade, pode levar o raciocínio a encharcar-se de materialismo na supervalorização da movimentação pessoal, a ponto de colocarmo­-nos como centro exclusivo dos nossos êxitos, sem contabilizar a extensão de amparo da Divina Providência.

A vida é um processo de permutas contínuas e o que foge de respirar nessa lei padece as injunções da própria lei, decretando que até aquilo que parece termos pode nos ser tirado. (1)

Essa a razão pela qual apontamos a ingratidão como sendo um dos maiores corrosivos da sensibilidade e do Amor. Ela “apaga” da memória os benefícios do ontem e antecipa obstáculos em relação ao amanhã.

Ser grato é ser melhor e crescer; é ter na lembrança os benfeitores de ontem, é aprender a fixar-se nas circunstâncias felizes da existência, é devolver à vida os créditos que nos beneficiaram, é aprender a superar queixas e desgostos com a reencarnação dilatando o espírito de desprendimento e aceitação, sem deixar de buscar o progresso.

Dar é ter. Reter é emissão magnética de atração dos reflexos do medo, da insegurança e da cobiça com os quais insculpimos nossa derrota a longo prazo, projetando a nossa volta os efeitos infelizes que espelham tal estado íntimo.

Dessa forma, o materialista vê no outro o reflexo da competição e o categoriza como concorrente. O medroso vê no próximo o reflexo de seu temor e nomeia-o como inimigo, O inseguro expande sua emoção e vê-se no outro, classificando-o dilapidador.

Estejamos atentos a essa lição de afeto de todo instante, a fim de aprendermos a sublime lição da gratidão, mantendo-nos em constante estado de satisfação e alegria com as experiências da vida.

Pessoas gratas atraem bênçãos, vibram saúde, são dotadas de otimismo, entendem a dor, alimentam-se de altruísmo, são fortes ante as lutas, adoram gente e sentem-se bem ao lado de todos.

Os gratos ocupam-se em doar-se sem se consumirem em ansiedades e aflições sobre como vão lucrar vantagens.

Corações agradecidos sentem-se gratificados, embora nem sempre se verifique o inverso.

Os gratos sabem perdoar com mais facilidade, desculpar instantaneamente e prosseguir sem fixações em fatos desagradáveis.

Agradeçamos com sentida oração a Jesus e a Kardec as felizes ensanchas de refestelarmo-nos nas ambiências espíritas, mesmo com os agastamentos nos grupamentos, mesmo com as incongruências que observamos.

O Amor é a mais profunda e gratificante experiência da jornada evolutiva do Espírito.

Amando, credenciamos à vida os recursos para nossa felicidade. Exigindo o Amor, debitamos o tributo da paz em nossa conta pessoal.

Procura vivenciar o afeto enobrecedor entre irmãos de ideal, dá de ti mesmo, seja o provedor afetivo de teu grupo.

Aprende a amar, incondicionalmente, e perceberás como é mais preenchedor que ser amado.

O habitual é que todos esperem ser amados. Seja você aquele que realiza o gesto incomum e irradie os nobres sentimentos do

Cristão, mesmo que deles careça. A vida, evidentemente, te responderá.


* * * *
Senhor, receba nossa gratidão pela extensão de tua bondade.

Mesmo esquecidos de teu amor nas variadas formas de auxílio com que nos abençoas, agradecemos agora com sentida oração a oportunidade da existência.

Gratos pelo lar e pela Terra que nos acolhe, gratos pela saúde e o corpo que nos ofertaste, gratos pelo luminoso caminho espírita, receba nossos sentimentos de louvor.

Sabendo, porém, O Pai, do quanto somos distraídos e inconseqüentes em esbanjar qualidades e recursos que ainda não nos pertencem, suplicamos o teu acréscimo de Misericórdia em favor de nossa fragilidade nos dias vindouros.

Ajuda-nos a honrar com atos o reconhecimento dessa hora, mantendo-nos na plenitude da gratidão, irradiando a constante alegria de viver e de “ser” ante os labirintos das provações.

Obrigada Senhor!




1   2   3   4   5   6   7   8   9   10


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal