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(1) Lucas, capítulo 22, versículo 26



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(1) Lucas, capítulo 22, versículo 26

(2) O Livro dos Médiuns — capítulo 30

Capítulo 15

Espíritas no Além

Se a evocação dos homens ilustres, dos Espíritos superiores, é eminentemente proveitosa, pelos ensinamentos que eles nos dão, a dos Espíritos vulgares não o é menos, embora esses Espíritos sejam incapazes de resolver as questões de grande alcance.”

Essa é, pois, uma mina inexaurível de observações, mesmo quando o experimentador se limite a evocar aqueles cuja vida humana apresente alguma particularidade, com relação ao gênero de morte que teve, à idade, às boas e más qualidades, à posição feliz ou desgraçada que lhes coube na Terra, aos hábitos, ao estado mental, etc.”

O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 344

Mais uma vez a sabedoria do senhor Allan Kardec fica exposta na referência supracitada.

Ninguém como ele aprendeu tanto com as comunicações dos Espíritos “vulgares” - como nomina-lhes. Sua atividade nesse sentido foi exaustiva. E o ilustre Compêndio-Luz “O Céu e o Inferno”, de sua autoria, na 2ª parte, é uma excelente coletânea de exemplos classificados com esmero pelo Codificador, atestando-nos o quanto podemos aprender com essas comunicações.

Seguindo-lhes os sábios passos, transmitiremos aos amigos uma experiência nessa linha de aprendizagem.

Em tarefas desenvolvidas na erraticidade, cooperamos no ajustamento e adaptação de recém-desencarnados ao nosso plano de vida. Quando em estágios avançados de recuperação, prestes a retomarem contato com os ambientes terrenos em excursões educativas, aplicamos diversas técnicas de preparo e sensibilização; entre elas, o aprendiz disserta, em uma missiva com apontamentos elevados, a sua experiência desencarnatória.

Selecionamos entre as muitas missivas, e com a autorização do missivista, um drama comum a boa parte das desencarnações de espíritas. Objetivamos assim que a vivência desse coração querido, nos lances da vida afetiva, seja útil às reflexões de vós outros que se encontram na carne investidos das responsabilidades com o Consolador.

Segue, resumidamente, a missiva.
* * * *
“Meu drama não escapa dos resultados infelizes que nós, os espíritas, na maioria dos casos, colhemos além-túmulo quando empanturramos o cérebro com informações doutrinárias, sem digerí-­las saudavelmente na vivência diuturna. Acumular conhecimento sem renovar o coração é o mesmo que nos mantermos desavisadamente àbeira de enorme precipício que, ao menor descuido, arremessa-nos aos despenhadeiros da “morte física e espiritual.”

“Somente aqui percebi com clareza que o pensamento iluminado é roteiro de paz, mas o sentimento, em verdade, é o “espelho” da consciência na busca dessa mesma paz que, no meu caso, ficou soterrada sob o monturo da distração e do interesse pessoal.”

“A razão esclarecida, quando se dissocia do afeto elevado, éparceira da ilusão, adquirindo séculos de dor e enganos que, depois de muito sofrimento, servirão como buril do coração na conquista dos sentimentos nobres. Contudo, Deus não nos criou esse doloroso caminho. Nós o escolhemos...

“Minha primeira grande decepção no além foi o encontro que tive com algumas companhias, que cumprimentaram-me com leviana intimidade e termos chulos. Ao esboçar mentalmente a indagação sobre quem seriam, não careci da resposta, porque ressumava na minha mente lembranças estranhas de lugares e ações entre nós... Percebi então que eram velhas companhias de minhas antigas condutas, com as quais seria deseducação e desentendimento querer me livrar.”

“A Misericórdia Divina, porém, é generosa sem ser conivente, e graças a alguns benefícios que espalhei abnegadamente, tive um estágio curto em tais companhias e ambientes repugnantes nos círculos próximos à Terra.”

“Minha falência tem sido a de inúmeros companheiros de ideal.”

“Como disse, cérebro iluminado não garante nobreza de afeto, e foi em razão de descuidos do sentimento que lavrei minha desdita.”

“Os primeiros cinco anos de vida espírita, iniciada em plena juventude aos vinte anos, foram estacas balizadoras. Trabalho, estudo e melhora moral. Chegou, no entanto, a hora do testemunho. Depois da faculdade, surgiu incomparável chance profissional. Não a perderia jamais. Dediquei-me de tal forma ao mister que abandonei a escola do centro espírita. Cada dia mais tornava-se imperativo desdobrar-me aos negócios.”

“Justificava com a necessidade de descanso, e ademais pensava:

isso passa rápido e logo terei vida farta, podendo dedicar-me ao Espiritismo.”

“Aos trinta e cinco anos já era um homem cansado, sem ideal, nem mesmo os materiais, já que comprovei na afanosa carreira que a justiça social é inimiga do sucesso dos honestos. Cedi então aos alvitres da falcatrua elegante e “justificável”. Afinal, “não haveria outro jeito.” Comecei a ter lucros. Às vezes tinha sentimentos de desconforto, mas aprendi a “enganar” a consciência.”

“Aos quarenta a idéia de formar família atordoou-me; nunca fui dado a aventuras afetivas, pensava em filhos. Minha cabeça não permitia o tempo para os anelos do amor. O sexo não me atormentava.”

“Aos quarenta e sete anos, com uma vida estressada, fumando e ingerindo alcoólicos, regularmente, adquiri uma úlcera duodenal que consumia minhas forças essenciais. Numa das internações hospitalares, meditava sobre minha juventude e tive a impressão nítida da presença espiritual de minha mãezinha querida; adormeci e tive sonhos inesquecíveis, nos quais ela chamava-me para a lucidez. Tudo em vão; saindo do hospital, deliberei por um negócio engenhoso. Foi meu último passo na vida física, porque os resultados foram desastrosos, levando-me a incontida frustração e cruel desânimo. Peregrinei nos centros espíritas novamente, entretanto, a despeito de saber de tudo aquilo que ouvia, nada sentia no coração sofrido e enregelado que me motivasse a alguma mudança.”

“Descuidado e imprevidente, desencarnei em lamentável acidente automobilístico.”

“Somente depois de muitas etapas superadas na auto-recuperação é que posso concluir com acerto sobre o drama que me abateu: priorizar e comprometer-se com as questões espirituais é assunto do coração, é questão do sentimento. E se o sentimento é o “espelho” da consciência, devemos refletir a “Imagem Divina”, a bem de nós mesmos.”

“Distraído que fui, pago o preço do descompromisso..

“Hoje tenho para mim uma outra escala de aferïção sobre quem são os verdadeiros espíritas. Eu, que entusiasmei-me em excesso com escritores renomados, médiuns ilustres e “bibliotecas ambulantes de Espiritismo” em que muitos se tornavam, acredito agora que espírita com Jesus, no rumo da sua paz, é aquele que em qualquer tempo, nos reveses ou na calmaria, mantém o ideal de melhoria acima de quaisquer circunstâncias, jamais abandonando ou protelando as tarefas, renunciando sempre que possível a gostos e projetos pessoais, deixando-se levar com muito equilíbrio pelos ditames do coração, que são direções seguras da consciência, encaminhando-nos para a lídima felicidade.”
* * * *
Amigo de jornada,

Eis a nossa grande empreitada nos estágios espirituais em que nos encontramos: alfabetizar o coração nas trilhas do bem definitivo, efetivar a aprendizagem da religião cósmica do Amor, plenificar a existência renovando o modo de sentir.

Indagamos oportunamente o sábio Bezerra de Menezes sobre qual seria o maior drama vivido pelos espíritas ao deixar a vida corporal, e dele recebemos a seguinte gema de sabedoria:

“Filha, os dramas espirituais são resultados da semeadura terrena, obrigando o lavrador da vida a colher os frutos do que plantou, conforme a lei dos méritos. Assim sendo, o maior drama daqueles que se internam na “Enfermaria do Espiritismo” não está na infeliz colheita de sofrimento aqui na vida extrafísica, mas sim no dia a dia da experiência terrena quando recusam-se, na condição de doentes, a ingerir o remédio da renovação interior. Conscientes do que existe para além da morte, deveriam submeter-se a urgente metamorfose afetiva, acionando os recursos da educação com vontade firme e muita oração. O esclarecimento, mesmo constituindo luz e lenitivo, por si só, não basta ao sublime tentame.”

“Os dramas do além são conseqüências. O verdadeiro drama está em conhecer e nada fazer para melhorar-se.

- E arrematou o venerável apóstolo do bem:

“Parece um contra-senso! Enquanto o homem comum colhe amargos frutos na vida espiritual pelo desconhecimento, os espíritas, quase sem exceções, experimentam sofrida amargura por muito conhecer!...”

Perante a missiva exposta e as palavras do “médico dos pobres”, erguemos em alta voz a campanha pela humanização nos centros espíritas, convocando os co-idealistas, como lema de suas ações, a inspirada proposta do Espírito Verdade:

“Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. - O Espírito de Verdade. (Paris, 1860.)”(1)

Certamente não será sem razões que nesse apelo o amor é o primeiro ensinamento...


(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo — capítulo 6

Capítulo 16

Sob a Luz do Amor

Os grupos que se ocupam exclusivamente com as manifestações inteligentes e os que se entregam ao estudo das manifestações físicas têm cada um a sua missão. Nem ums, nem outros se achariam possuídos do verdadeiro espírito do Espiritismo, desde que não se olhassem com bons olhos; e aquele que atirasse pedras em outro provaria, por esse simples fato, a má influência que o domina. Todos devem concorrer; ainda que por vias diferentes, para o objetivo comum, que é a pesquisa e a propaganda da verdade. Os antagonismos, que não são mais do que efeito de orgulho superexcitado, fornecendo armas aos detratores, só poderão prejudicar a causa, que uns e outros pretendem defender.”



O Livro dos Médiuns – capítulo 29 - ítem 348

Interessante analisar, daqui para o mundo físico, a influência marcante de velhas ilusões que carreamos para os ofícios de reeducação na sementeira espiritista.

Quando aqui aportamos temos melhor dimensionada as percepções que nos permitem lançar um novo olhar sobre os esforços gerais no bem, fazendo-nos concluir que trabalho algum é dispensável, e todos, conquanto suas deficiências, concorrem para o progresso da causa.

No entanto, em regressando ao corpo físico, invadidos pelas milenares miragens do orgulho, costumamos entender nossa tarefa como a melhor e essencial, nossos conceitos como sendo a mais valiosa expressão da verdade e a nossa participação como admirável missão que nos eleva acima dos demais.

A despeito de erguermos juntos o estandarte da caridade, vezes sem conta abandonamos o imperativo de aplicá-la também nas nossas relações com quantos nos partilham o clima das atividades doutrinárias.

Retifiquemos essa miopia da visão espiritual.

Passemos a compor o escasso grupo daqueles que incentivam e sabem respeitar os esforços alheios, sejam quais forem.

Disciplinemos a tendência de excluir, e quando destacarmos falhas recolhamo-nos na ação indulgente ou mesmo ao silêncio e oração.

Valorizemos nossa atuação sem desprezar a de outrem.

Cerremos esforços na direção que melhor atenda as nossas crenças sem alimentar o anseio de ser seguido. Recordemos que ninguém está obrigado a tal mister, da mesma forma que não temos a implicação de seguir ninguém.

Façamos isso em favor de nossa paz e da ordem geral nos nossos campos de trabalho redentor.

Lembremos velho rifão das esferas extrafísicas que diz “nenhum caminho para o bem é dispensável, mas nenhum de nós é insubstituível nos serviços de Deus”, remetendo-nos a concluir que, se toda tarefa é valorosa, certamente nenhuma depende de nós...

Em verdade, habitualmente, o excessivo valor que conferimos às realizações com as quais cooperamos é o mesmo que emprestamos à nossa personalidade sob as lentes da vaidade...

Em razão disso, anotemos duas metáforas oportunas.

O movimento espírita pode ser comparado a estimável universidade do Espírito; as instituições são as áreas específicas de aperfeiçoamento e cada tarefa pode ser entendida como uma classe que reúne um certo número de aprendizes. Nesse concerto de educação e melhoria, todos temos o valor pessoal e intransferível no aproveitamento das lições na construção de nosso saber eterno.

Noutra imagem podemos conceber a Seara como um incomparável hospital da alma; cada grupamento assemelha-se a uma especialidade de recuperação e cada atividade a uma enfermaria de convalescença. Nesse ambiente de tratamento e prevenção, todos temos nossas doenças a cuidar com medicações individuais na busca de nossa alta.

Aprendizes e enfermos, eis o que “estamos”!

Portanto, ante os assaltos ilusórios do personalismo no que tange a comparações e julgamentos, fiquemos com o Codificador que acentua: vias diferentes, objetivos comuns, para a propagação da verdade, conforme a nossa referência supra destacada.


* * * *
Amigo do coração,

Estejas convicto de que, apesar de tuas reservas com os deveres alheios no bem, Deus conta com eles.

Envolve-te na psicosfera do Amor, se desejares entender os planos do Pai para com aqueles aos quais ainda não consegues devotar apreço, entendimento e admiração incondicionais.

É natural que enxergues elitismo nos que estudam com afinco, já que por agora não despertastes ainda tanto quanto deveria para a importância do conhecimento na felicidade dos homens.

Compreensível que não entendas os eloqüentes do verbo libertador, já que ainda não te sensibilizastes o bastante para o benefício de impor disciplina a teu próprio linguajar diário.

Honesta de tua parte a preocupação com o excesso institucional, sabendo que teu incômodo é sinal do aprendizado que tens urgência em aquilatar para que não cometas a mesma distração.

Aceitável que destaques personalismo naqueles que cumprem a rotina das honrarias e cargos, uma vez que não dominastes por enquanto tuas manifestações de vaidade em pequenos lances da existência.

Sincero de tua parte supores que o farnel distribuído é fonte de preguiça, considerando que ainda não amealhastes suficiente experiência da doação de si mesmo junto aos deveres materiais no lar e na profissão.

Justo tua inconformação com a coleta de recursos para eventos de confraternização e estudo, uma vez que ainda não arregimentaste melhores concepções sobre a urgência da união entre grupos de interesse comum.

Razoável cobres da conduta do próximo aquilo que ainda não conseguiste implementar na tua própria vivência, e que julgues os denodos de Amor dos outros conforme seus limites de atuação.

Contudo, se queres amealhar paz e sabedoria para tua vida, sobrepõe-te a todas essas questiúnculas da existência, que são sombras do egoísmo, e envolve-te no afeto cristão, sendo cortês, generoso e terno com tudo e com todos, educando-te no amor indistinto e incondicional perante as diferenças e os diferentes que te circundam a experiência carnal.

Vai, experimenta e verás!

Verás o que acontece quando optares pelo Divino sentimento ao encontro de teus irmãos, sob a luz do amor.

Capítulo 17

Severa Inimiga

Graças a surdos manejos que passam despercebidos, espalham a dúvida, a desconfiança e a desafeição; sob a aparência de interesse hipócrita pela causa, tudo criticam, formam conciliábulos e corrilhos que presto rompem a harmonia do conjunto; é o que querem. Em se tratando de gente dessa espécie, apelar para os sentimentos de caridade e fraternidade é falar a surdos voluntários, porqüanto o objetivo de tais criaturas é precisamente aniquilar esses sentimentos, que constituem os maiores obstáculos opostos a seus manejos. Semelhante estado de coisas, desagradável em todas as Sociedades, ainda mais o é nas associações espíritas, porque, se não ocasiona um rompimento gera uma preocupação incompatível com o recolhimento e a atenção.”



O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 336

Sua ação assemelha-se a chamas ardentes no coração.

Crepita somente onde existe o combustível do interesse pessoal.

Resulta da extrema necessidade de projeção e aprovação social.

Traveste-se de animosidade crônica quando não consegue empanar o brilho alheio.

Carcome no ódio as almas indispostas a se moralizarem.

Graças a seus complexos manejos, inclina o homem a destacar os aspectos sombrios dos esforços do próximo, reduzindo-os em favor da exaltação egoísta. Não conseguindo domínio sobre as reações emocionais infelicitadoras de que o acometem, camufla a sua desafeição com a indiferença e o descaso.

Apaga do dicionário da cordialidade as palavras de incentivo e elogio, admiração e alegria com os sucessos de outrem.

Adora plágios de idéias que lhe rendam a sensação de originalidade e inteligência.

Causadora de dissidência por não estimular uma convivência valorativa das habilidades e ações dos que compartilham responsabilidades na faina espiritual.

Astuta fantasia do orgulho, domina o coração em razão da escassa auto-estima.

Ônus afetivo que carreamos contra nós próprios ao longo de milênios!

Referimo-nos à inveja, severa inimiga de nossa paz interior.

A inveja é das mais cruéis imperfeições morais, porque é filha queridíssima do orgulho, e sendo assim, é dos sentimentos que a criatura menos confessa a si mesmo. Pergunte a um grupamento das fileiras do Consolador quem padece de tal doença e, certamente, as justificativas de escape surgirão prestes a abonar as atitudes, fugindo cada qual de reconhecer que padece de inveja.

De fato, é a imperfeição que menos admitimos em nós, e que, no entanto, pela sua forma “engenhosa” de ser, impede seu reconhecimento.

Os limites entre a inveja e a necessidade de progresso, o desejo de lograr metas que outros venceram, é muito sutil e demanda auto-conhecimento.

Bom será para nós, os seareiros do último momento, que estudemo-la com a profundidade que se faz credora, a fim de aquilatarmos sua presença danosa nos celeiros de Amor do Espiritismo.

É necessário muita acuidade e espírito de fraternidade para constatar sua ação sutil e nociva em atos e pensamentos, palavras e decisões, sentimentos e procedimento.

Nossa atenção, entretanto, volta-se para uma de suas facetas mais pertinentes à faina doutrinária, ou seja, a animosidade crônica.

Conceituemo-la como sendo contumaz e crescente indisposição afetiva. Uma indesejável, inoportuna e “estranha” rivalidade com alguém.

Surge em razão de pequenos acidentes do relacionamento ou mesmo inesperadamente, sem nenhuma razão aparente.

Persegue seu portador com incômodos e indefiníveis sentimentos ante a presença daqueles que lhe são alvo de sua indisposição, chegando, muita vez, a constrangê-los ou confundi-los. Os invejosos deixam sempre as sensação de que estão escondendo-se perante os invejados...

Tipifica-se como um fechamento intencional do afeto, “coagulando” as emoções na “frieza disfarçada”.

Se não houver nobreza moral e alguns cuidados, tomará o rumo da aversão e da malquerença.

Se forem, os invejosos, de temperamento discreto, guardarão variados estados de ânimo sob intensa pressão íntima seguida de mal-estar. Se extrovertidos, despencarão pela maledicência como extravasamento enfermiço.

Analisando suas causas mais comuns, constatamos que a inveja promove a inaceitação da felicidade, do êxito alheio e de perfis psicológicos que não coadunem com os quesitos pessoais do invejoso, ou então ela, a inveja, apenas deflagra elos mal vividos de outras existências corporais, retomando um ciclo de vinditas afetivas.

Crônica doença do afeto, essa animosidade pertinaz só será vencida à custa de muita “oração e jejum”, pautando-se nos relacionamentos com muita maleabilidade, superando o caráter rígido, disciplinando-se a hábitos de cordialidade e toques de ternura no despertamento de bons sentimentos, vigiando as expressões do humor e do Amor até mesmo quando estiverem restritas ao campo dos pensamentos. Em verdade, o que precisa o invejoso é ouvir o coração clamando pela ação de paz e incentivo aos bons passos de quantos não suportam acompanhar as vitórias. Ouvir e agir no bem, eis o desafio!

Tão graves são os ardis da severa inimiga que o invejoso, quando acolhido com entusiasmo e cordialidade de quem é alvo de seus sentimentos, sente-se humilhado, disfarçando-se com atos de desdém.

Os invejosos são, sobretudo, “sutis detetives” da conduta alheia.

Chegará o momento em que reconhecerão o mal que causam a si próprios no ato de adular a severa inimiga, que se esconde traiçoeira nos bastidores de suas movimentações infelizes.


* * * *
Amigo do coração,

O Codificador relaciona em nosso ítem de apoio a questão dos inimigos confessos do Espiritismo no seu tempo, cuja freqüência às sessões hebdomadárias tinha como principal objetivo retardar a marcha do Espiritismo. Hoje, esses inimigos, não estão mais contra a Doutrina, mas podemos encontrá-los em velada oposição aos profitentes da causa, com os quais sentem ciumeiras e despeitos infantis.

Convém-nos relembrar a advertência oportuna exarada nos primeiros momentos do Espiritismo: “Se os inimigos externos nada podem contra o Espiritismo, o mesmo não se dá com os de dentro. Refiro-me aos que são mais Espíritas de nome que de fato, sem falar dos que do Espiritismo apenas têm a máscara”. (1)

Nesse tema, alertamos aos servidores devotados e animosos para precaverem-se contra esse capítulo especialíssimo da convivência doutrinária. Evitem prezar em excesso essas artimanhas e caprichos do comportamento invejoso, quando o destino de tais investidas forem a ti endereçadas. Considerar em demasia esse gênero de conduta infeliz é atrair para si mesmo o halo vibratório emanante de tais corações. Mesmo quando tenhas sido o motivador da invigilância dos que te cercam, ora por eles e demonstra humildade sem subserviência.

Intencional ou não, a ação invejosa desses adversários gratuitos dos obreiros dispostos ao bem culminam em lamentáveis processos de leviandade verbal.

Difamação e maledicência são-lhe os açoites da palavra, provocando deserções e dissidências.

Como acentua o lúcido Kardec, agem através de “surdos manejos, que passam despercebidos”, e no campo do afeto “espalham a dúvida, a desconfiança e a desafeição”. São instrumentos da cizânia. Sentindo-se inferiorizados face às comparações que estabelecem com os bem-sucedidos, destacam os aspectos menos úteis da ação alheia...

Nas lides do centro doutrinário, a inveja, em vários casos, é sintoma de apego e apropriação de espaços de trabalho, seja nos cargos ou em atividades com as quais o carinho e a devoção do trabalhador abrilhantaram os deveres naquela oportunidade, seja na disputa mental que o invejoso trava entre si e aquele que concebe como oponente, em razão da desenvolta atuação de seu imaginário adversário.

Percebe-se ainda a presença da inveja nos lidadores despeitados através do desvalor com que tratam o empenho do outro. Verificando um evento ou iniciativa, procuram atenuar a grandeza do êxito de grupos ou pessoas destacando facilidades e comodidades para tal tentame, ou ainda assinalando, sob sua perspectiva, os “lados ruins” de tais empreendimentos.

Na verdade, o incômodo do invejoso com o progresso dos outros lhe é algo muito doloroso.

Nessa posição desditosa, sempre empenhado em olhar para fora de si, estabelecendo comparações e debochando das vitórias alheias, o invejoso impede a si mesmo de perceber seus valores pessoais, sua possibilidade de agir, de vencer, embaçando sua visão espiritual para entender o papel glorioso a ele reservado na obra do Pai.

Certamente, sua crise moral é de inaceitação e rebeldia. Querendo ter ou ser o que os outros são ou têm, termina cada vez mais infelicitado e descontente, com isso dando uma escandalosa prova de desamor a si mesmo.

As criaturas que se amam ou estão aprendendo a se amar compreendem que o “ser’ tem seu destino, sua rota, sua missão, e que ninguém, ninguém mesmo, possui nem mais nem menos do que aquilo que merece ou precisa para cumprir seu caminho divino.

Porém, quando a alma entende as “ordens naturais da vida”, assimila sua parte individual na Obra excelsa de Deus, compenetrando-­se do espírito de “cidadão do universo” e realizando a ventura de atuar pela edificação a que foi convocado, em paz e júbilos infindáveis.

Entendamos assim que admirar, elogiar, compartilhar e incentivar as vitórias dos co-idealistas é a formação do hábito da solidariedade relacional no coração e exercício afetivo preventivo contra a inveja.

Adeqüemo-nos a esse comportamento feliz como quem estende as mãos uns aos outros em forte corrente do bem, auxiliando-nos mutuamente, fortalecendo os valores individuais e as benesses das tarefas, sem fixar-nos nas deficiências do trabalho ou do trabalhador.

Resumamos então em pequeno roteiro os passos no combate à nossa severa inimiga, quando ela se manifeste:

- Admitir sua existência no coração é o primeiro passo.

- Conhecer suas formas de manifestação.

- Estudar suas razões através de uma viagem interior.

- Adquirir o controle sobre as suas reações emocionais.

- Saber conviver harmoniosamente com ela, transformando-a para o bem.

- Empenhar-se na renovação da convivência construtiva com quem é alvo de suas investidas.




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