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(1) * (...) Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou. * João, capítulo 18, versículo 17



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(1) * (...) Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou. * João, capítulo 18, versículo 17

Capítulo 6

Habilidade Essencial

(...) a caridade e a tolerância são o dever primário que a doutrina impõe a seus adeptos.”



O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 335

O exame meticuloso dos erros alheios, ao longo das vidas sucessivas, conferiu-nos ampla capacidade de analisar as imperfeições do próximo.

Hoje, graças a essa habilidade de avaliar a conduta alheia, somos exímios “juizes e psicanalistas”, dotados de vastas possibilidades de encontrar causas e razões para os desatinos que ocorrem fora da esfera do “eu”.

O que se torna lamentável é não utilizarmos tal recurso para reerguer e auxiliar no aprimoramento do próximo, sendo que, habitualmente, o usamos para destacar o “lado” ruim e amargo de tudo e de todos.

Deter-se nesses ângulos sombrios é atitude comum para a maioria dos homens nas experiências carnais. Espera-se, entretanto, de nós outros, os aprendizes espíritas, maior lucidez nas ações. Nosso desafio enquanto discípulos é saber manter-se afetivamente focado no “lado” bom, nas qualidades, nos instantes bem sucedidos de alguém, conquanto tenhamos vastas possibilidades de perceber-lhes as imperfeições e mazelas.

A essa qualidade chamamos indulgência.

É a habilidade que consignamos como essencial frente aos imperativos da convivência social, quando temos como meta primacial a própria paz e o progresso dos grupos sob nossa tutela, ou nos quais ofereçamos a cooperação.

Sempre encontraremos motivos para a ofensa, a recriminação, a transferência de culpas, para depreciar a movimentação alheia, para rebaixar o outro.

Compreender, estimular, perdoar, reconhecer os valores alheios, dividir responsabilidades, apoiar, orientar, ser afetuoso, tudo isso ébem mais trabalhoso.

Indulgência é habilidade que qualifica o homem com abundante inteligência emocional.

O coração focado no aspecto “sublime da vida” torna a alma generosa e atraente, cuja irradiação é de aceitação e acolhimento.

Jesus, como sempre, é o modelo. Em momento algum do seu ministério de Amor o percebemos em atitude de destaque ao mal; embora astuto e vigilante, sabia sempre onde ele se ocultava e procurava erradicá-lo sem que o evidenciasse.

Com a pecadora, lembra o “quem estiver isento de pecados atire a primeira pedra”.

Com o paralítico de Cafarnaum não pergunta como algemou-se ao leito e perdoa seus pecados.

Com Pedro antecipa sua negação em clima pacífico de alerta, sem menosprezá-lo, em pleno respeito a seus limites no campo da coragem.

Com Judas usa de Amor extremado sabendo o que ocorreria posteriormente, mas permanecendo em silêncio evita revelar o “mal” de que ele próprio seria “vítima”.

Com Maria de Magdala fá-la mensageira da ressurreição, inaugurando o tempo da misericórdia ante o esforço reeducativo, esquecendo o passado ignominioso.

Alertar e repreender são instrumentos corretivos necessários para não ensejar omissão e conivência. Entretanto, para quantos cultivam a habilidade essencial da indulgência, o ato de conclamar o outro à integridade é realizado sempre pelo diálogo franco, fraterno e elevado, sem as típicas “neuroses de melindre” nutridas por receios entre quem fala e quem ouve, fazendo dessas conversas educativas verdadeiros momentos de reconsideração e auto-exame para a transformação necessária a ser encetada.

Relações permeadas na indulgência são educativas, ressaltam e fixam valores e estimulam o auto-Amor, o auto-perdão.

Assumamos o compromisso renovador de descobrir em cada passo da existência as justificativas saudáveis do “agir humano”, buscando as razões profundas dos atos alheios, a fim de penetrarmos as furnas de suas lutas espirituais na condição de enfermeiro socorrista, disposto a atender, remediar e prevenir enfermidades com as quais, muita vez, nem mesmo seus portadores conseguem avaliá-las com a lucidez por nós desenvolvida nos séculos de vivência no hábito da formação de juízos éticos sobre o comportamento alheio.

O ser humano está doente na sua auto-estima e reforçar-lhe aspectos infelizes de sua ação é onerá-lo com mais sombras e dor.

Nos grupos de nossa ação estejamos atentos a semelhantes lances da escola dos relacionamentos.

O companheiro ofendido pela nossa atuação enérgica é, muita vez, alguém decepcionado com as próprias expectativas que nutria sobre nós. Auxiliemo-lo com cortesia e generosidade, no entanto, se ele recusa a oferta, sigamos adiante sem fazer achaques emocionais de pieguismo e arrependimento.

Se aqueloutro amigo de atividades espirituais apresenta-se sempre vacilante e descuidado com os compromissos assumidos, lembra que, em muitas ocasiões, ele não é mais que um aluno portador de ânimo débil, incapaz de superar velhos limites pessoais para denodar-­se como deveria. Aceita-lhe o tributo inconstante e vai-lhe demarcando referências corretivas, para que possa melhor aquilatar sobre as conseqüências de sua volubilidade no andamento das realizações às quais integra.

Nódoas e empeços de variados matizes comparecerão nos serviços do Senhor. Por esse motivo procuremos sempre o “caminho estreito” e, se nessa enfermaria das lides espiritistas esquecermos a nossa condição de doentes, subtrairemos de nós mesmos as chances de recuperação e melhora. Na própria enfermaria humana, quando os doentes percebem a extensão de seus dramas, unem-se solidariamente uns aos outros, cada qual oferecendo o que pode, e solidariedade é o nome da indulgência ativa e promotora de paz e apoio às relações.

Cultivemos, dia após dia, essa habilidade essencial e consagremos vida nova com mais abundância de bênçãos, desonerando o próprio psiquismo das enfermiças fixações negativistas que costumamos encontrar ao nosso redor.

Anotemos alguns prováveis resultados das fixações sombrias despejadas sobre o mundo e as pessoas:

- Açulamento de maus sentimentos.

- Climas inamistosos.

- Inviabilização para as mudanças necessárias.

Misericórdia, tolerância máxima, eis as medicações apropriadas de uns para com outros, assim como lembrou José na seguinte colocação:

“Sede indulgentes, meus amigos, porqüanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita” — O Evangelho Segundo o Espiritismo — capítulo 10 — ítem 16 — José, Espírito protetor (Bordéus, 1860.)



Capítulo 7

Condutores Afetuosos

Nos agregados pouco numerosos, todos se conhecem melhor, há mais segurança quanto à eficácia dos elementos que para eles entram. O silêncio e o recolhimento são mais fáceis e tudo se passa como em família. As grandes assembléias excluem a intimidade, pela variedade dos elementos de que se compõem; exigem sedes especiais, recursos pecuniários e um aparelho administrativo desnecessário nos pequenos grupos.”



O Livro dos Médiuns - capítulo 29 - ítem 335

Sorriso irradiante, cordialidade contínua, conhecimento haurido na vivência, conduta íntegra, afeição indiscriminada, eis algumas das marcas dos “dirigentes emocionais”.

Habituados a conduzirem-se pelo coração, são dotados de uma sabedoria espontânea adquirida na solução de suas problemáticas interiores; e porque convivem bem consigo, são afáveis e agradáveis no conviver com os outros.

Atos de equilíbrio, intuição e bom senso lhes são costumeiros, já que são portadores de harmonia e serenidade.

Condutores afetuosos são os que acolhem com cuidados especiais os seus tutelados e desvelam com carinho pelos deveres da tarefa.

Nos dias que passam, tornam-se como pólos atrativos de almas, graças à sede de atenção e ternura em que se encontram a grande maioria dos corações, sofridos e carcomidos em suas energias pelas provas dolorosas da reencarnação.

Como dispõem sempre de afeto cristão, fazem-se fonte de estímulo, esperança e diretriz no encaminhamento das soluções a quem recorrerem os que lhe partilham a convivência.

Apóiam, sem conivência.

Ajudam, sem paternalismo.

São afetuosos, sem pieguismo.

Ordenam com despretensão, dividindo responsabilidade.

Discordam, ampliando horizontes.

Promovem, confiando compromissos.

Coordenam com atitudes, além das palavras.

Pelas reações é que conhecemos o nível de afeto e inteligência emocional dos condutores em harmonia com Jesus.

Onde muitos enxergam problemas, eles percebem soluções.

Enquanto muitos desanimam, sua leitura é de que os obstáculos são sinais do caminho exato.

Se são criticados, asilam piedade no coração.

Quando vilipendiados, só se lembram da oração.

Condutores afetuosos são o esteio das sociedades espíritas fraternas. A eles compete a relevante tarefa de zelar pelo dever de toda instituição doutrinária no melhoramento moral-espiritual. Conduzindo as atividades para esse fim, certamente facultarão aos seus conduzidos um campo afetivo de largas proporções na execução das mais belas semeaduras nos terrenos da espiritualização do ser, e no desabrochar dos melhores sentimentos entre todos os que se entrelaçam no clima da lídima fraternidade.

Cuidando manter uma homogeneidade de visão quanto a esse precípuo compromisso de todo espírita, estabelecerão condições àuniformidade do afeto nas expressões da amizade, dos relacionamentos sólidos e do estímulo advindo dos exemplos salutares uns dos outros, entre seus membros, porque todos estarão matriculados nas disciplinas da renúncia, do trabalho, do respeito fraternal, da solidariedade, que são virtudes indutoras da auto-educação e do crescimento espiritual.

Vibrando em faixas de saúde afetiva, os componentes de seu grupo obterão melhores resultados no labor, mais motivação para os encontros diuturnos, e se formará uma rede de corações estendendo bênçãos de conforto e esclarecimento a tantos outros quantos possam beneficiar de semelhante banquete emocional.

Tomando seu grupamento como uma grande família, esmerará por lhes oportunizar as melhores condições de convivência pelo entendimento.

Adotando simplicidade administrativa e proximidade com grande “calor humano”, conseguirá tornar o centro espírita um educandário do afeto em direção aos rumos da ética de Jesus e Kardec, evitando que discórdias e desavenças venham a se tornar uma propaganda negativa para sua instituição. Para isso, ocupar-se-á em manter o “tamanho afetivo” de seu grupo, ou seja, ainda que ele cresça em número, deverá fazê-lo preservando, proporcionalmente, a mentalidade inicial de ser uma família e de se amarem sem exceções.

Allan Kardec, o condutor espírita exemplar, reunia em si a sobriedade intelectual e a generosidade, a sensatez e a ternura, o raciocínio vigilante e o acolhimento fraternal. Ele foi o primeiro dirigente espírita, e quem lhe empresta caracteres de um homem de ciência não imagina como era um coração rico de humor e de palavras espirituosas, com finas expressões de descontração.

Na Sociedade Parisiense era querido e respeitado, conquanto alvo de inveja e intrigas, face à conduta ilibada e à confiança irrestrita que lhe depositavam ante as cortesias e gestos amoráveis que externava.

Sempre acompanhado por Amelie, compunham um par de almas que plenificavam o ambiente em dúlcida paz.

O tratamento afetuoso era-lhe constante qualidade, e pelo Amor que nutria ao Espiritismo nascente não lhe era enfadonho repetir sua gratidão a Deus por ter-lhe descortinado os horizontes da vida espiritual que, para ele, era a fonte da alegria, do amor e da felicidade relativa que qualquer homem passaria a semear quando se tornasse um verdadeiro espírita.

Assim, o Codificador ajustava sua existência à finalidade primeira do Espiritismo, para a qual conduziu-se com rigor para consigo e amavelmente para com os outros, junto à Sociedade que fundou, buscando sempre priorizar no contato com o mundo dos Espíritos a essência moral dos intercâmbios, através de estudos metódicos e aplicados nos quais todos absorviam a essência do Espiritismo por um mundo melhor.

Capítulo 8

Rebeldia, Matriz de Distúrbios

Quem importa crer na existência dos Espíritos, se essa crença não faz que aquele que a tem se torne melhor mais benigno e indulgente para com os seus semelhantes, mais humilde paciente na adversidade? De que serve ao avarento ser espírita, se continua avarento; ao orgulhoso, se se conserva cheio de si; ao invejoso, se permanece dominado pela inveja?”



O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 350

A classificação internacional de doenças agrupa sob a designação de transtornos de humor variadas psicopatologias, cuja origem encontram-se nas estruturas afetivas do ser.

A forma como sentimos o mundo, as pessoas e os fatos que nos rodeiam é sintoma determinante de saúde ou distúrbios, sendo esses últimos diagnosticados desde as neuroses brandas até as psicoses severas, com expressiva incidência de distmias nas depressões crônicas.

Esse “sentir” ou “modo afetivo” de reagir à vida é ponto crucial da atividade mental, pois retrata a automatização de mecanismos e reflexos milenares, construídos nas vivências morais consolidadas nos porões da vida subconsciencial.

Facilmente percebe-se nesses quadros de transtornos do humor a presença da fragmentação da vida mental do doente com o mundo real, em razão da inadequação ou ainda da inaceitação das experiências a que se é colocado na vida carnal.

A insatisfação persistente acrescida da auto-imagem idealizada para o mundo pessoal, retrato de anseios reprimidos, desenham um perfil psíquico e emocional para a rebeldia — reação de inconformação com o que somos, como estamos e o que temos.

Tal inconformação estabelece um campo mental de ampliada suscetibilidade, muita auto-piedade, expressões comuns de “vítimas revoltadas” que criamos em nós pelo desgosto de viver e “ser”.

Rebeldia é matriz de vários distúrbios crônicos, é doença da alma, matriz do inconsciente profundo, emissora de irradiações tóxicas no adoecimento da mente.

Rebeldia com o corpo, vaidade revoltada.

Rebeldia na ofensa, mágoa fortalecida a caminho do ódio.

Rebeldia nos grupos, extrema dose de personalismo.

Rebeldia nas mudanças, prepotência em controlar a vida.

Rebeldia na vida material, ausência do reflexo da simplicidade no viver.

Rebeldia para estudar, orgulho do saber acumulado.

Rebeldia nas idéias, arrogância do desrespeito às opiniões alheias.

Rebeldia ante normas, sinal de que, quase sempre, nos são necessárias.

Rebeldia nas palavras, focos de calúnia e mentira.

Rebeldia, portanto, é a infecção do orgulho contaminando o cosmo individual.

O homem rebelde que desconhece os desdobramentos espirituais de sua atitude sofrerá com intensidade, sendo libertado pela consciência somente quando cumprir seu dever.

Sendo presunçosos e passíveis de crônico personalismo, os conhecedores das verdades espíritas, quando na rebeldia, solapam suas existências com terríveis conflitos de culpa e desajustes comportamentais que procuram mascarar com atitudes de puritanismo ou indiferença, O homem rebelde, quando bafejado pela luz da imortalidade, é “usurário do universo” assinando sua própria petição para as vielas expiatórias nos rumos da dor, estagnando no charco da revolta e da desobediência.

Com felicidade indaga o lúcido Allan Kardec na referência de apoio: Que adianta conhecer o Espiritismo e não se tornar melhor? Façamos continuamente essa auto-avaliação para jamais esquecermos que as linhas libertadoras do comportamento espírita vão bem além do dever, penetrando as esferas do amor incondicional e da humildade obediente aos desígnios do Pai.

Rebelar é lícito a todos nos rumos da vida, mas à luz da reencarnação não podemos jamais olvidar que fomos, no passado, os arquitetos das experiências atuais nas provas que precisamos.

Relembrando isso, ainda assim nos resta o “direito de discordar” de Deus.

Verificaremos, no entanto, a bem de nós próprios, que o dever de aceitar-Lhe os alvitres é fonte de paz e alívio nas dores de todo instante.


* * * *
Dirigente espírita,

Nos grupamentos de trabalho cristão a rebeldia manifesta-se como insubmissão e descomprometimento, espelhando o clamor interior de ausência de sinergia com as tarefas e com o comportamento da equipe, adicionada de um sentimento de inutilidade que se apossa do trabalhador em crise de permanente insatisfação.

Quando surja nos conjuntos de labores doutrinários, requisita a oração e a força do exemplo para, pouco a pouco, com a paciência indispensável sensibilizar o enfermo moral. Muita vez apresenta-se com tanta intensidade que não permite o auxílio, devido à deserção do cooperador.

Estejamos atentos a esses bombardeios de revolta que atingem o aprendiz invigilante.

Em algumas ocasiões emudece-o, levando-o a comportamentos que apelam para análises ponderadas no amparo, precedidas de elevadas doses de compreensão, indulgência e tempo para resgatar a harmonia.
* * * *
Amigo e amiga,

Interrompe os círculos de tuas provas agravadas pela obstinação em que te situas.

Quanto mais tempo levares para reagir, mais alto te será o preço do sacrifício.

Decide agora pela mudança já que tua revolta com as mudanças pouco acrescentaram a teu sossego e felicidade.

Apegos milenares e costumes que se perdem no tempo são renovados a custa de experiências opostas a teus sonhos de ventura.

Hoje, quando te rebelas com tuas provações, alegando cansaço e insatisfação, mais não fazes que repetir o velho hábito de desafiar as leis da vida em crise de rebeldia.

Não aceitas o presente, revoltas com o passado e reclamas antecipadamente do futuro, quando o problema está em ti, e somente de ti partirá a solução.

Aceitação e trabalho de transformação íntima são tuas receitas de profilaxia. Aplica-as o quanto antes e perceberás um refrigério no torvelinho mental a que te encontras.

A cada ato de inconformação estás enfermando tua alma, e de desgosto em desgosto causarás lesões significativas em tua estrutura afetiva, gerando danos imprevisíveis para o seu psiquismo.

Começa agora tua recuperação e ora a Deus pedindo forças, tenha a humildade para tal e pára de desafiar o Criador e Suas leis.

A tua harmonia afetiva e mental depende do quanto conseguires afinar tua realidade à Sábia e Misericordiosa Vontade do Pai e, para aprenderes a identificar a Vontade Divina, começa aceitando os imperativos das circunstâncias que te cercam, assumindo-os com coragem, responsabilidade e devoção, sem utilizar-se dos instrumentos da reclamação, da leviandade e da fuga.

Por fim lembra sempre que a maior lição a que te deves empenhar ante as lutas da rebeldia é aprender a gostar do que tem, do que és e do que fazes. Em resumidas palavras, descobre, o quanto antes, como amar a ti mesmo.



Capítulo 9

Cuidados de Amor

Tudo o que dissemos das reuniões em geral se aplica naturalmente às Sociedades regularmente constituídas, as quais, entretanto, têm que lutar com algumas dificuldades especiais oriundas dos próprios laços existentes entre os seus membros. Freqüentes sendo os pedidos, que se nos dirigem, de esclarecimentos sobre a maneira de se formarem as Sociedades, resumi-los-emos aqui nalgumas palavras.”



O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 334

Em momento de elevada sensibilidade, um coração querido na vida física dirigiu-nos sincero apelo a fim de que pudéssemos, quando possível, escrever algo sobre como ampliar as possibilidades do sentir.

Deixaremos, portanto, vinte recomendações sem quaisquer pretensões de esgotar o tema, vinte ítens que são fruto da observação e da vivência; todos, certamente, ampliam a sensibilidade e desenvolvem habilidades dos sentimentos, mas não podem ser considerados como regras ou um manual de viver. Chamemo-los de exercícios do coração na busca de educar a afabilidade, um treinamento para a ternura.

Jesus afiançou que onde está o vosso tesouro ali se encontra o coração, pois os cuidados de Amor são fonte de riqueza e sabedoria nos quais depositamos nosso afeto nas ações de nossa vida.

Cuidar é uma palavra que merece atenção especial de todos nós. Os cuidados com a vida, com o próximo, com a natureza e conosco próprio traduzem a atenção e o empenho para com as questões pertinentes ao coração e às responsabilidades de cooperadores na obra do universo.

Eis alguns cuidados que destacamos para nossa disciplina e aprendizagem do coração:

- SORRIR SEMPRE — Divina expressão de afeto.

- GOSTAR DE CONVIVER — aprender a compartilhar, vencer a auto-solidão.

- VALORIZAÇÃO DO BOM E DO BELO — sintonia com a “natureza Divina” do existir.

- VIGÍLIA EMOCIONAL- disciplina e “atenção plena” aos sentimentos.

- DISPONIBILIDADE — cultivar a prestabilidade que cativa, alivia e gera otimismo.

- HONRAR A CONFIANÇA — exercício de fidelidade e superação dos maus afetos.

- PERDOAR SEMPRE — perdão é higiene e saúde do coração.

- GOSTAR DO QUE FAZ — termômetro do quanto gostamos de nós.

- ORAR PELOS DESAFETOS — sinal evidente de melhora e dilatação da alteridade.

- ATENÇÃO AOS SINAIS DO HUMOR — o humor influencia decisivamente a vida afetiva.

- SOLUÇÃO DE CONFLITOS — viagem interior de autoconhecimento e busca de respostas.

- SABER DISCORDAR — prova significativa da inteligência interpessoal.

- CULTIVO DA SIMPLICIDADE — a simplicidade é sintoma de conexão com a essência da vida.

- TER CORAGEM PARA AMAR — amar tornou-se um ato de coragem ante a indiferença humana.

- CRIAR E RECRIAR LAÇOS — construir elos afetivos, revitalizar as alegrias, reinventar a rotina.

- SER ASSERTIVO — saber conviver bem com os sentimentos.

- TERNURA E CORDIALIDADE — cuidados essenciais de afeto para o dia a dia.

- CULTIVAR PERMANENTEMENTE O GOSTO POR CRIANÇAS — elas são a esperança e a pureza do Pai na Terra.

- SER ESPONTÂNEO — usando dos limites necessários pode-se brindar a auto-expansão.

- OLHAR A NATUREZA — os princípios universais estão contidos na vida natural.

A prática desses exercícios torna-se fonte inexaurível de afeto para quem os dinamiza em sua existência, porque são a exteriorização do amor.

Tais expedientes de amabilidade e ternura formam o piso para os relacionamentos edificantes, ricos na permuta dos cuidados de amor. Geram júbilo e motivação em cada dia que se renova em nossa existência na formação de laços superiores, refletindo de forma sadia em nossas vidas e, particularmente, nas lides doutrinárias, com ótimos resultados para o trabalho e o trabalhador.

Vivamo-los intensamente, e inevitavelmente estaremos naquela condição dos bem-aventurados os que têm puro o coração, pois que eles verão a Deus (1).
(1) Mateus, capítulo 5, versículo 8
Capítulo 10

Meditação Emocional

O silêncio e o recolhimento são mais fáceis e tudo se passa como em família”



O Livro dos Médiuns — capítulo 29 — ítem 335

Os estágios de consciência são degraus do autoconhecimento decorrentes da superação dos conflitos internos do ser.

Há pessoas evitando seus sentimentos por medo deles, desconhecendo-os, e isso não leva à educação. Outros existem que nem se dão conta de quais sejam suas emoções, e ainda há os que estão caminhando para utilizá-las em seu crescimento.

A meditação emocional é uma forma de lidarmos com a afetividade, estimulando-a sob a influência de visualizações mentais criativas, sadias e moralmente enobrecedoras. Por isso, inserimos abaixo pequenas frases indutivas que poderão servir de intróito para projetarmos a mente no dia-a-dia da faina doutrinária, e extrairmos os conteúdos de reavaliação e auto-exame, brindando-nos com pequenos lampejos no despertamento do afeto.

A continuidade do exercício será responsável pela otimização dos resultados, que poderão ser percebidos rapidamente, embora precisarão ser seguidos da vivência a fim de que sejam definitivamente consolidados nas profundezas das delicadas e sublimes “engrenagens da afetividade” no corpo mental.

Despertar afeto significa colocar o outro e nós mesmos na tela mental das reflexões, dilatando a empatia e procurando senti-lo, entendê-lo, perscrutar-lhe as ações, procedendo a uma avaliação dos relacionamentos, dos fatos rotineiros, dos cuidados, das ocorrências ditosas e das menos felizes, fazendo um apanhado das atitudes, elaborando mentalizações de conduta honesta e reta, sempre desculpando o outro e estudando a si mesmo, descobrindo as causas profundas das decisões e dos impulsos.

Em verdade, meditar não substitui a ação. A caridade é o maior exercício de Amor e despertamento da sensibilidade, conquanto tenhamos na meditação um instrumento que será absorvido com facilidade pelas pessoas habituadas à auto-avaliação ou que estejam predispostas a aprendê-la, fortalecendo o desejo e enrijecendo as disposições para conviver bem, sob o pálio do Amor incansável. Conviver bem é ter sabedoria para abordar o próximo tornando sóbria a relação, agradável, preenchedora, persistentemente, quantas vezes se fizerem necessárias. Além disso é significativa a utilização da empatia e da vigilância para saber revitalizar essa permuta, cativando-a sempre com os nutrientes atos de afeto altruísta.

Semelhante iniciativa demanda permanente postura de auto-avaliação, descobrindo, em nós, quais as causas reais para o que sentimos, pensamos e fazemos nos relacionamentos.

O estudo de nós próprios, seguido de ações renovadoras, será responsável pelo estabelecimento de elos mais duradouros e enriquecedores, mormente com aqueles os quais temos à conta de desafetos do cotidiano. Daí a importância da meditação sobre os episódios diários que nos cercam a convivência.

Escolha um momento mais disponível em que estejas mais relaxado e liberado das obrigações rotineiras, mais descansado fisicamente, ou então nos finais de noite, como preparo indispensável ao sono.

Faça uma prece a seu Espírito protetor e mantenha-se por um tempo pequeno apenas sentindo o clima da oração, assossegando a mente, relaxando as tensões físicas, formando o “piso mental” para a meditação.

Em seguida inicie a leitura das frases por nós sugeridas e detenha-se naquela que mais lhe desperte interesse, remetendo-se em seguida a uma meditação sobre suas vivências em grupo, seja na instituição doutrinária seja nos campos de ação de sua vida pessoal.

Especialmente procure voltar a meditação para os acontecimentos em que a consciência chamou-te à integridade do comportamento, e reflita nos “porquês” de tua conduta; analisa nas lembranças os móveis de tua ação, e agora repensa o agir, os novos contatos, projetando uma atitude feliz e equilibrada, conduzindo teus raciocínios para a medida corretiva; ora novamente suplicando a Deus as reservas de força que carecerás para encetar o novo comportamento; enleia-te na imagem mental do abraço fraternal com o outro, sempre perdoando-lhe as ações e descuidos.

Vai-te acostumando a essa auto-avaliação sempre e com o tempo a busca de ti mesmo passará a ser espontânea. Sentirás uma imperiosa necessidade de entenderes tuas decisões, tuas distrações, teus instantes gloriosos, tuas decepções, teus sucessos, tuas amarguras, tuas expectativas frustradas, penetrando na intimidade, na alma dos acontecimentos, extraindo dali o contingente da realidade “não visível”, “não palpável” ao homem fisiológico desatento dos deveres do auto-encontro.

Somente de posse de semelhante compreensão haurirás os recursos para burilar tuas manifestações interpessoais e empreender a afetividade sem se comprometer com a ingenuidade, com a lascividade, com as frustrações amorosas, com os traumas educacionais, com os conflitos do “existir” e do “ser”, permitindo que não te apegues em demasia, que sejas um convite sincero à amizade e que irradies a harmonia e a simpatia a quem te rodeia.

Desse auto-encontro sairás cada vez mais senhor de ti mesmo, pronto a conviver com mais proveito pelo bem alheio e teu próprio, utilizando com dinamismo e riqueza essa preciosa capacidade do afeto sem os desaires emocionais, fazendo dele uma fonte terapêutica e um caminho de plenitude em favor de tua felicidade, bem distante do pieguismo e do sentimentalismo infrutíferos.

Sem conheceres bem a ti mesmo, jamais te tornará apto a compreenderes a ação alheia.

Se não compreenderes o outro, perderás os frutos sazonados que a escola do relacionamento tem a oferecer-te.

Estando bem contigo, conseguirás ser a mão amiga, o coração acolhedor e a diretriz para quem partilha tua presença.

Jesus, o educador incomparável, estabeleceu o vós sois a luz do mundo como sendo delicioso convite para que nós, os seus aprendizes, sejamos constante estímulo aos viajantes dos grupamentos de nossa convivência, espargindo alegria, esperança, bondade e paz.





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