Wanderley s


(1) Mateus, capítulo 24, versículo 12



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(1) Mateus, capítulo 24, versículo 12

(2) Mateus, capítulo 6, versículo 19

(3) João, capítulo 13, versículo 35

Capítulo 30

Educandário do Amor

Para o objetivo providencial, portanto, é que devem tender todas as Sociedades espíritas sérias, grupando todos os que se achem animados dos mesmos sentimentos. Então, haverá união entre elas, simpatia, fraternidade, em vez de vão e pueril antagonismo, nascido do amor-próprio, mais de palavras do que de fatos; então, elas serão fortes e poderosas, porque assentarão em inabalável alicerce: o bem para todos; então, serão respeitadas e imporão silêncio à zombaria tola, porque falarão em nome da moral evangélica, que todos respeitam.”



O Livro dos Médiuns – capítulo 29 - ítem 350

Os exercícios de caridade promovidos pelos nossos núcleos espíritas são ocupações de relevância em um mundo como a Terra.

Pessoas que até ontem se importavam somente consigo mesmas, em atitudes de egoísmo e desonestidade, muita vez, encontram nos serviços da benemerência e da caridade o conforto que suas almas perderam há séculos. Ensaiam e treinam, através dos atos de solidariedade e doação, os novos sentimentos que, no futuro, passarão a integrar melhores roteiros de sua caminhada espiritual. Por isso, quaisquer programas de apoio e sustentação, assistência e amparo são nobres iniciativas que a casa espírita pode erguer a bem, sobretudo, de quem tomará sobre si a oportunidade de cooperar.

Nesse sentido, o centro espírita, em suas feições de hospital da alma e oficina de trabalho, na missão de auxiliar e amparar, é das mais enobrecedoras instituições do orbe.

Contudo, após mais de um século de Espiritismo, é chegado o instante azado para aprimorarmos as concepções acerca do papel do centro espírita para quantos lhe comungam a rotina, dilatando sua finalidade e situando-o como educandário do Amor, cujo objetivo precípuo seja a formação do homem de bem.

Conquanto as respeitáveis conquistas efetuadas pelas nossas organizações, ninguém tem dúvidas do quanto ainda temos por melhorá­las no que tange às suas possibilidades na esfera da educação e da instrução, promovendo seus trabalhadores, pelo buril da renovação, à condição de “reciclagem moral” no seu caráter e no desenvolvimento de seus potenciais afetivos.

As últimas descobertas científicas, fruto de pesquisas sérias nas áreas psicológicas e neurológicas, apontam para o “analfabetismo emocional” da humanidade, reformulando o paradigma do sucesso e da inteligência humana, deslocando-o do raciocínio para a emoção.

Psicólogos eminentes destacam a necessidade de uma educação voltada para a “inteligência emocional” consentaneamente à instrução intelectiva ou cognitiva, demonstrando, por estudos, que criaturas as quais administram melhor seus sentimentos têm maiores probabilidades de sucesso e equilíbrio nos trâmites da vida.

Perfeitamente afinada com a propositura educacional do Espiritismo, essas “revelações” incentivam que o centro espírita seja um ambiente que alfabetize a razão e igualmente o coração.

Nenhuma instituição humana está tão aparelhada de teoria para atender as necessidades humanas quanto o centro espírita que se rege pelos lídimos postulados da Codificação Kardequiana e o Evangelho de Jesus.

Fazer melhor aplicação desses recursos, principalmente para os que lhe fruem os deveres, dia-a-dia, constitui o desafio para o momento nessa tarefa de promover as atividades doutrinárias ao patamar de programas de educação e elevação do amor humano.

Basta rápido olhar e perceberemos os irmãos de ideal sofrendo a “síndrome de ser amado” em pleno trabalho de amor ao próximo.

Busca-se o bem e ajuda-se o necessitado em ações de renúncia e esforço, deslocando-se quilômetros para beneficiar assistidos, todavia, nem sempre se é caridoso e afetuoso com aqueles que estão próximos e partilham conosco as alegrias do trabalho cristão, deixando uma vasta lacuna nas relações entre os co-idealistas.

As relações superficiais têm como principal reflexo a “solidão em grupo”. Constatamos inúmeros casos dessa ordem em nossa Seara. Essa solidão injustificável é semelhante ao viajante no deserto que, tendo sede, encontra um oásis; no entanto, opta pela inércia e esconde-se, apesar de sua necessidade, temendo bebericar uma água envenenada ou ser surpreendido com a presença de assaltantes naquele lugar.

O centro espírita, esse oásis de luz espiritual, quase sempre, tem sido “lugar de temores”, de “esconderijos emocionais”. O próprio orgulho, nosso velho inimigo, tem provocado esse afastamento quando elabora auto-imagens de perfectibilidade e perfeccionismo nos seareiros. Com esse conceito de si, temem por se expor moralmente, escondendo-se em “carapaças” de falso equilíbrio para que os outros não lhe conheçam as limitações interiores. Sendo assim agem como bons espíritas para os outros, deixando-se à míngua. “Amam” o próximo e desamam a si próprios.

O tempo converte essa situação em inevitável hipocrisia e/ou puritanismo, minando as resistências morais e levando seus portadores à obsessão sutil e infelicitadora, que faz suas vítimas crerem que algumas “concessões” da conduta podem ser compensadas com os serviços no bem. A partir de então são criados complexos mecanismos na desestruturação lenta e gradativa da vida íntima. Nesse emaranhado mental perde-se a noção do verossímil e vive-se uma realidade sob a tutela de forças sombrias.

Somente o diálogo franco seguido da firme disposição de mudar pode alterar os rumos de tais quadros.

Nesse comenos chamamos a atenção de grande parte de nossos dirigentes espíritas que têm ouvido e amparado muitos corações, não possuindo, por sua vez, quem lhes possa orientar ou avaliar seus esforços. Sozinhos, sentindo-se na obrigação de darem o melhor de si, terminam por chafurdar-se em posturas de aparente vitalidade moral; entretanto, seu mundo interior, freqüentemente, deambula para as fronteiras com o colapso da sua saúde mental e afetiva.

Embora destaquemos a feição de escola de Espiritismo em nossos celeiros doutrinários, chega o momento de promovê-los a essa condição de cátedra para educação do afeto cristão, uma “escola do Espírito”, sem o que o conhecimento tornar-se-á diretriz para os raciocínios, deixando o coração desprovido do alimento das emoções nobres, compartilhadas por uma convivência educativa e geradora de estímulo para os ideais de progresso.

A convivência espírita, que deveria ser mais plena e rica de amor, nem sempre tem correspondido às esperanças de muitos corações generosos e sinceros, dispostos a trocas enriquecedoras nos campos do coração que, por desídia e descuido, terminam por arrefecer seu afeto criando para si aquele calabouço desprezível das relações superficiais.

Nossas ambiências apelam para a necessidade imperiosa de um intercâmbio saudável através de abundante afeto cristão, por mais alegria, com a necessária disciplina, por mais sorrisos e instantes de descontração com a precisa integridade e pela coragem de amar como, se deve em substituição ao nosso “amar como se quer”, que, em verdade, é o doentio “querer ser amado”.

Fechar o coração aos ditames do amor é oportunizar riscos reais e perdas possíveis.

Amemos com o Evangelho.

Amemos com o Espiritismo.

Nada deve nos deter nessa marcha.

Promovamos nossas Casas à condição de educandários de amor, exemplificando aos nossos companheiros de jornada que o conhecimento espírita na prática é o Amor em dinamismo.

Nossas lideranças estejam conscientes de suas responsabilidades e tonifiquem a crença no Amor em atos de lisura moral e amizade cristalina, que sirvam de referências saudáveis aos que chegam ávidos de atenção e amor.

Sejamos afetuosos uns com os outros e não tenhamos receio de demonstrar por palavras e atitudes as expressões superiores do que sentimos, ainda que não sejamos prontamente entendidos ou mesmo correspondidos.

Se nos perguntarem se o afeto tem limites, responderemos dizendo que o limite do afeto é o dever e a integridade moral que são suas bases, pois, passando disso, não é afeto e sim desejo, e nossos desejos nem sempre são afinados com os propósitos maiores que só o Amor verdadeiro pode lhes conferir.

Se não tentarmos, jamais aprenderemos.

Se não começarmos, jamais saberemos como fazer.

Não tenhamos medo de amar e a vida nos responderá com lições preciosas no nosso reencaminhamento para aplicar a força do Amor no bem de todos.

Jesus, o Emissário Divino, estabeleceu para os seus discípulos o Amor como sendo a religião cósmica que deveriam seguir, e até hoje ecoa altissonante em nossas vidas os seus dizeres inesquecíveis que nos convocam a uma vida plena de afeto:

“Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”(1)


(1) João, capítulo 13, versículo 35

Apêndice 1

Campanha pelo Amor

“Em Laços de Afeto damos nossa contribuição despretensiosa pela instauração de uma campanha pela humanização nas instituições terrenas. Dirigimos nossas reflexões ao centro espírita, conquanto a família e a escola, as empresas e órgãos públicos, e ainda quaisquer ambientes onde os relacionamentos encontrem-se voltados a um objetivo comum são como “terra fértil”, que guarda projetos de ascensão e paz a serem direcionados para o amor uns com os outros, no engrandecimento da evolução espiritual da individualidade. Por divisa tomamos a frase lapidar de Jesus para ser o archote desssa campanha que urge: Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (1)”

A vitória sobre o maior inimigo do homem, o egoísmo, solicita a renovação dos modelos institucionais e a transformação do comportamento na aquisição de novos valores que o capacitem para longa batalha interior. Recriar as relações e repensar a sistematização das nossas organizações espíritas são investimentos sólidos, que atendem ao programa inspirado sob a tutela do incansável Bezerra de Menezes, no atendimento às “novas determinações” do Espírito Verdade, a fim de construirmos, no futuro, um movimento espírita plenamente identificado com a mensagem de Amor trazida por Jesus à humanidade há dois milênios, e atualizada pelo trabalho nobre de Allan Kardec.

Esperançosa em ter colaborado, mesmo que palidamente, com esse objetivo de instaurar um novo tempo para nossas agremiações, muito nos alentará saber que nossas palavras, pelo menos, serviram para deixar claro que a grande causa de nossas vidas é o amor uns pelos outros, acima de quaisquer postulados de caráter doutrinário ou religioso, conforme já fora asseverado pelo Pastor de nossas vidas:

Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.
Ermance Dufalx
(1) João, capítulo 13, versículo 35

Apêndice 2

Programa de Bezerra de Menezes pelos Valores Humanos no Centro Espírita

“A melhor campanha para a instauração de um novo tempo na Seara passa pela necessidade de melhoria das condições do centro espírita, que é a célula operadora do objetivo do Espiritismo. Lá sim se concretizam não sóo conhecimento e o trabalho, mas a absorção das verdades no campo individual consentidas em colóquios íntimos e permanentes, que reproduzem os momentos de Jesus com seu colégio apostólico.

Por isso, temos que promover as Casas, de posto de socorro e alívio a núcleo de renovação social e humana, através do incentivo ao desenvolvimento de valores éticos e nobres capazes de gerar a transformação.

Para isso só há um caminho: a educação.

O núcleo espiritista deve sair do patamar de templo de crenças e assumir sua feição de escola capacitadora de virtudes e formação do homem de bem, independentemente de fazer ou não com que seus transeuntes se tornem espíritas e assumam designação religiosa formal.

Elaboremos um programa educacional centrado em valores humanos para dirigentes, trabalhadores, médiuns, pais, mães, jovens, velhos, e o apliquemos consentaneamente com as bases da Doutrina.

Saber viver e conviver serão as metas primaciais desse programa no desenvolvimento de habilidades e competências do espírito.

O que faremos para aprender a arte de amar? Como aprender a aprender? Como desenvolver afeto em grupo? Como “devolver visão a cegos, curar coxos e estropiados, limpar leprosos, expulsar demônios”?

Muitos adeptos conhecem a profundidade dos mecanismos desencarnatórios à luz dos princípios espíritas, entretanto, temos constatado quantos chegam por aqui em deploráveis condições por não se imunizarem contra os padrões morais infelizes e degeneradores.

A melhoria das possibilidades do centro espírita indiscutivelmente facilitará novos tempos para o pensamento espírita, haja vista que estaremos ali preparando o novo contingente de servidores da causa dentro de uma visão harmonizada com as implicações da hora presente. Dessa forma, estaremos retirando a Casa da feição de uma “ilha paradisíaca de espiritualidade”, projetando-a ao meio social e adestrando seus participes a superarem sua condição sem estabelecer uma realidade fictícia e onerosa, insufladora de conflitos e de medidas impositivas, longe das reais possibilidades de transformação que a criatura pode e precisa efetivar em si mesma.”


Cícero Pereira (1)

(1) Trecho extraído da mensagem “Atitude de Amor” inserida na obra “Seara Bendita’ psicografada por Maria José da Costa Soares de Oliveira e Wanderley Soares de Oliveira — Diversos Espíritos - Editora INEDE.
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