Utilização de diferentes fontes de cálcio na alimentação de leitões na fase inicial



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Utilização de diferentes fontes de cálcio na alimentação de leitões na fase inicial
Ana Paula Gazola (PIBIC/Fundação Araucária/UNIOESTE), Ana Lúcia Almeida Santana,  Jansller Luiz Genova, Eliseu C Cristofori, Paulo Levi de Oliveira Carvalho (Orientador), e-mail: paulolevi@yahoo.com.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Agrárias/Marechal Cândido Rondon-PR
Grande área e área: Ciências Agrárias - Zootecnia
Palavras-chave: farinha de ossos calcinada, farinha de ostra, fosfato monobicálcico
Resumo

O objetivo com o estudo foi avaliar o desempenho de leitões na fase inicial alimentados com diferentes fontes de cálcio. Foram utilizados 160 leitões (80 machos inteiros e 80 fêmeas), com peso médio inicial de 14,52 ± 1,99 kg e final de 26,95 ± 3,46 kg, distribuídos em delineamento em blocos casualizados, em arranjo fatorial 2 x 4, sendo oito tratamentos, com oito repetições e cinco animais por unidade experimental. Os animais foram alojados em baias de creche suspensas, providas de comedouros semiautomáticos e bebedouros niple. As fontes de cálcio avaliadas foram: calcário calcítico, fosfato monobicálcico, farinha de ossos calcinada e farinha de ostras. O ganho de peso diário (GDP), consumo diário de ração (CDR), conversão alimentar (CA) foram avaliados com parâmetros de desempenho e os resultados obtidos foram submetidos a análise de variância e teste de Tukey (P≤0,05). Os resultados obtidos mostram que não houve interação entre os fatores (P>0,05), entretanto houve influência do fator sexo para a conversão alimentar (P=0,02), sendo que os machos apresentaram melhor CA (1,533 ± 0,201) em relação as fêmeas (1,671 ± 0,135). Os resultados sugerem que o uso das diferentes fontes de cálcio não interferem no desempenho de leitões na fase inicial.


Introdução

Os minerais constituem parte importante do organismo animal, representando de 2,8 a 3,2% do peso vivo de suínos. O cálcio é o mineral mais abundante no corpo e o esqueleto é o seu maior reservatório, onde 99% do cálcio é encontrado. Apresenta uma série de funções, principalmente na formação e na manutenção da integridade da estrutura óssea, no processo de secreção de hormônios, na coagulação sanguínea, na transmissão dos impulsos nervosos e na contração muscular (Suttle, 2010).

Segundo Bertechini (2012), a falta ou o excesso de cálcio na dieta trazem prejuízos nutricionais. Existe um limite, abaixo do qual, o organismo não consegue a manutenção da concentração de cálcio ionizado no sangue (calcemia) necessário às funções vitais, afetando o desempenho. Constantemente tem se buscado a quantidade e a forma ideal de suplementação mineral, uma vez que a sua deficiência pode causar prejuízos na produção.

De acordo com Maiorka & Macari (2002), os minerais não são sintetizados pelo organismo, havendo assim a necessidade de inclui-los na dieta. As fontes de cálcio empregadas nas dietas de monogástricos normalmente exibem baixo custo e toxicidade, o que acaba resultando em altos níveis nas rações. Considerando que as reservas de minerais são finitas, é necessário ponderar que o uso excessivo deles nas dietas causa altos níveis de excreção e consequentemente à contaminação ambiental.

Tendo em vista a importância do cálcio, bem como os poucos estudos voltados para suínos, percebe-se a necessidade de avanços nas pesquisas, especialmente sobre as fontes. Dentre as mais utilizadas na alimentação de suínos estão às inorgânicas, calcário calcítico e os fosfatos, e as fontes de origem animal, farinha de carne e ossos, farinha de vísceras de aves, farinha de peixe, farinha de ossos calcinada e farinha de ostras, como bons fornecedores de cálcio.

Neste contexto, o objetivo com o trabalho foi avaliar o desempenho de leitões na fase inicial alimentados com diferentes fontes de cálcio.



Materiais e Métodos

O projeto foi realizado no Setor de Suinocultura da Fazenda Experimental Prof. Antônio Carlos dos Santos Pessoa (Linha Guará) da Unioeste, no município de Marechal Candido Rondon/PR. Foram utilizados 160 animais mestiços (80 machos inteiros e 80 fêmeas), com peso médio inicial de 14,52 ± 1,99 kg, distribuídos em delineamento em blocos casualizados, em arranjo fatorial 2 x 4 (dois sexos e quatro fontes de cálcio), sendo oito tratamentos, com oito repetições e cinco animais por unidade experimental.

No início do período experimental, os animais foram identificados com brincos numerados sequencialmente e alojados em galpão da creche constituído de 16 baias, dispostas em duas fileiras, divididas por um corredor central. As baias são do tipo “suspensas”, com piso de plástico ripado, com comedouros semiautomáticos frontais e bebedouro tipo “chupetas” na parte posterior, sendo que a água e a ração foram fornecidos à vontade durante o período experimental.

As rações à base de milho e farelo de soja foram formuladas para atender ao recomendado por Rostagno et. al. (2011), para suínos na fase inicial, exceto a exigência de cálcio, pois nesse caso as fontes foram inclusas para atender a 0,65% da exigência (fase inicial). Os tratamentos eram compostos por quatro fontes de cálcio (calcário calcítico, fosfato monobicálcico, farinha de ossos calcinada e farinha de ostras).



Os animais eram pesados no início e no final do experimento, bem como o consumo total de ração registrado, para calcular o consumo diário de ração (CDR), ganho diário de peso (GDP) e a conversão alimentar (CA) de cada unidade experimental. Utilizou-se um datalloger (24 mensurações/dia) para a mensuração da temperatura ambiente (TºC) e umidade relativa do ar de todo o período experimental. Os dados foram submetidos à análise de variância e ao apresentar diferença, as médias foram comparadas pelo Teste de Tukey (0,05%), sendo o peso inicial utilizado como covariável.
Resultados e Discussão
Durante o período experimental a temperatura média do ambiente foi de 26,22 ± 1,93ºC e a umidade relativa do ar média de 75,00 ± 8,53%, desta forma durante toda pesquisa, os leitões foram mantidos dentro da zona de conforto térmico de 28 a 30ºC (Sarubbi et al., 2010). Os resultados obtidos (Tabela 1) mostram que não houve interação (P>0,05) entre sexo e as fontes de cálcio para nenhuma das variáveis estudadas.
Tabela 1. Desempenho de leitões de leitões na fase inicial alimentados com diferentes fontes de cálcio.

Fonte de cálcio

PF (kg)

GDP (kg)

CDR (kg)

CA (kg/kg)

Calcário calcítico

26,57±3,40

0,59±0,09

0,94±0,11

1,59±0,09

Fosfato monobicálcico

27,10±3,32

0,61±0,09

0,98±0,08

1,61±0,13

Farinha de ossos

27,31±3,67

0,60± 0,10

0,98±0,09

1,64±0,13

Farinha de ostras

25,49±3,54

0,58±0,09

0,91±0,15

1,57±0,28

Média

26,95±3,46

0,59±0,09

0,97±0,10

1,60±0,16

P valor

0,804

0,923

0,326

0,714

Sexo













Macho

26,89±3,74

0,60±0,09

0,92±0,11a

1,544±0,20a

Fêmea

26,84±3,17

0,59±0,10

0,98±0,10b

1,660±0,13b

P valor

0,937

0,895

0,078

0,022

Fonte x Sexo

0,718

0,996

0,612

0,581

Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem entre si pelo teste Tukey a 5%. PF = Peso Final; GDP = ganho de peso diário; CDR = consumo diário de ração, CA = conversão alimentar
Em geral, as fontes de cálcio não influenciaram no desempenho dos animais (P>0,05). Entretanto, para a variável sexo, houve diferença significativa para CA, sendo que os machos apresentaram melhor resultado (1,533 ± 0,20) em relação às fêmeas (1,671 ± 0,13). Trabalho semelhante foi realizado por Oliveira et al. (2012), os quais avaliaram o desempenho de leitões na fase inicial e obtiveram CA de 1,58kg/kg.

Na alimentação de suínos, as opções para suplementação de cálcio são restritas a utilização de fontes inorgânicas, como calcário e os fosfatos bicálcico, monobicálcico e monocálcico, por outro lado alternativas podem ser utilizadas devido aos resultados positivos obtidos em pesquisas. Além disso, há necessidade de obtenção de diferentes fontes de cálcio, uma vez que ingredientes vegetais possuem baixos teores disponíveis deste elemento, enquanto que os de origem animal apresentam concentrações razoáveis.


Conclusões
A utilização de diferentes fontes de cálcio na alimentação de leitões na fase inicial não interferem no desempenho dos animais.
Referências

Bertechini, A.G. Nutrição de monogástricos. Lavras: Editora UFLA, 2013. 373p



Fávero, J.A. Sistemas de produção. Embrapa Suínos e Aves. Versão eletrônica, n. 2, 2003. Disponível em: .
Maiorka, A.; Macari, M. Absorção de minerais. In: Macari, M.; Furlan, R.L.; Gonzales, E. Fisiologia Aviária Aplicada a Frangos de Corte. 2. ed. Jaboticabal: Funep/Unesp, p. 167-173, 2002.
Oliveira, E.L. de; Ludke, M.C.M.; Ludke, J.V.; Bertol, T.M.; Guidoni, A.L.; Salvagni, G. Desempenho de leitões na fase de creche alimentados com rações contendo proteína concentrada de soja. Acta Scientiarum. Animal Sciences. v. 34, n. 2, p. 131-136, 2012.
Rostagno, H.S.; Albino, L.F.T.; Donzele, J.L. et al. Tabelas brasileiras para aves e suínos. ED. Rostagno, H. S. Viçosa: UFV, 186p., 2011.
Sarubbi, J.; Rossi, L. A.; Moura, D. J. de; Oliveira, R. A. de; David, E. Utilização de energia elétrica em diferentes sistemas de aquecimento para leitões desmamados. Revista de Engenharia Agrícola, v.30, p.1003-1011, 2010.
Suttle, N.F. Mineral nutrition of livestock. Cambridge: CABI, 2010. 587.




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