Universidade Mogi das Cruzes



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Universidade Mogi das Cruzes

Área de Ciências Humanas

Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo

Projeto Jornalismo Comunitário 2010



Ilha Marabá

Caio Bezerra – RGM 55360

Denis Nunes – RGM 53045

Guilherme Hirata – RGM 58736

Khaell Kersul – RGM 58058

Michelle Amaral da Silva – RGM 11102300460



Ilha Marabá
Este Relatório de Fundamentação Técnica é parte das atividades do Projeto Jornalismo Comunitário (Projeto Superação), Patamar Exercer, do Curso de Comunicação, Habilitação Jornalismo, da Universidade de Mogi das Cruzes, com o qual os alunos nele nominados buscam concluir o sexto período do curso.


1 . Tema
Para o Projeto Superação 2010, a nossa equipe escolheu como tema principal de estudo a Ilha Marabá. Com extensão de 13.410 m², pouco mais que um campo de futebol, está localizada às margens do rio Tietê, na região próxima ao bairro Mogilar, em Mogi das Cruzes.

A ilha faz parte das áreas de preservação ambiental de Mogi das Cruzes e é administrada pela prefeitura da cidade em parceria com a empresa Bio-Brás. Atualmente, está localizado na ilha o Núcleo de Educação Ambiental, onde são realizados trabalhos de conscientização sobre a preservação do meio ambiente.

O núcleo foi fundado no ano de 2004, na época o local ficava sob os cuidados apenas da administração municipal. Somente no ano de 2007, o local passou a ser administrado pela parceria entre Bio-Brás e a prefeitura. A vigência do contrato desta sociedade está firmada até o ano de 2012.

No Núcleo são realizadas palestras, debates, eventos de capacitação ambiental, oficinas de reciclagem e passeios monitorados pela ilha. Por dia útil, cerca de 80 pessoas, entre alunos e professores de escolas municipais, visitam o local.

A escolha do nosso tema foi baseada na necessidade de se falar sobre a preservação ambiental e as conseqüências que a ação do homem sobre o meio ambiente trarão a médio e longo prazo.

Entendemos que, como jornalistas, devemos abordar em nosso projeto acadêmico temas de relevância para a sociedade. Falar sobre o meio ambiente é de extrema importância, mas fazendo o resgate histórico da Ilha Marabá nos deparamos com a informação de que o local já abrigou um veículo de comunicação de relevância histórica para Mogi das Cruzes. Nela, foi fundada e funcionou durante alguns anos a primeira rádio mogiana, a Rádio Marabá.

Hoje, a ilha serve de instrumento para a promoção da educação ambiental. Mas se considerarmos este fato importante na história da cidade, a ilha serve também para o resgate e preservação da memória local. Desta forma, decidimos falar tanto do presente da ilha como de seu passado.

Iremos abordar em uma das etapas de nosso trabalho a história da Ilha Marabá, de modo a definir, dentro do contexto de nosso trabalho, o histórico do local que estudamos.

No entanto, não abordaremos somente o resgate da história da ilha, trataremos também, em outra etapa, sobre o seu futuro, quais projetos serão desenvolvidos e quais mudanças serão realizadas a médio e longo prazo.
Meio ambiente e jornalismo
Dentro da comunicação, falar sobre o meio ambiente ganha muita importância à medida que campanhas de conscientização e planejamento sócio-ambiental têm gerado bons resultados em termos de exercício da cidadania e sustentabilidade.

Segundo Juarez de Queiroz Campos, em seu livro “Ambientalismo e Educação Ambiental” (2004, p. 15), a desarmonia não está na natureza, mas em nossa sociedade, por isso a necessidade de se priorizar os trabalhos de conscientização sobre a importância da preservação ambiental, seja por métodos educativos ou através de relações político-econômicas e socioculturais, como a comunicação.

Assim, podemos dizer que é primordial que o homem obtenha um senso de consciência quanto à preservação do meio ambiente, pois o mundo está passando por mudanças e os diversos ecossistemas estão ameaçados devido à falta de planejamento e educação ambiental.

A preocupação com a conservação da natureza vem se acentuando nos dias atuais em função das atividades humanas, as quais têm ocasionado grandes problemas de degradação ambiental, a ponto de comprometer, caso não sejam tomadas medidas emergenciais, os recursos naturais, as condições de vida e, conseqüentemente, toda a vida futura no planeta.

O meio ambiente é fundamental para a vida dos seres humanos. Uma ação nociva a um determinado componente do meio ambiente não afeta somente ele, mas desencadeia um desequilíbrio em todos os ecossistemas. Por exemplo, a poluição da água causa danos à vegetação e aos animais que dela dependem, assim como ao homem.

Além das campanhas realizadas por órgãos oficiais e organizações não-governamentais, a imprensa é responsável por disseminar informações relativas à preservação da natureza, como também denunciar as ações de dano ao meio ambiente e noticiar projetos que trabalham pelo meio ambiente, como é o caso do Núcleo de Educação Ambiental da Ilha Marabá.

Existem os veículos de comunicação especializados em questões ambientais, sejam institucionais, que refletem as opiniões e informações de uma determinada organização, ou não-institucionais, que procuram diferentes ângulos da questão, como, por exemplo, os veículos da grande mídia que transmitem notícias relativas ao meio ambiente, mas sem aprofundamento da questão, com enfoques pontuais.

Buscamos criar produtos que contribuam para a difusão da importância da preservação ambiental, tomando como exemplo o trabalho desenvolvido no Núcleo de Educação Ambiental da Ilha Marabá, pois é um projeto de grande relevância nesta questão na região em que vivemos, o Alto Tietê.

Acreditamos que, com a sensibilização das camadas mais jovens da sociedade seja possível, desde cedo, contribuir para praticas sustentáveis, pois elas são simples e cabe a todos nós um papel importante nesse contexto em que se decide o futuro do nosso planeta.
Educação Ambiental
O trabalho do Núcleo vai além das atividades realizadas dentro dos limites da ilha. Com elas, busca-se capacitar os alunos para que realizem trabalhos de conscientização ambiental em suas respectivas comunidades.

O autor do livro “Ambientalismo e Educação Ambiental” (2004, p. 14) explica que:


“No movimento histórico, o problema ambiental aparece com a desordem da biosfera, conseqüência de longa e complexa cadeia de relação do mundo humano com o natural”.
Nesse sentido, Campos1 define que a educação ambiental é o porta-voz do meio ambiente. É através dela que se revelam os problemas e danos que a ação do homem causa à natureza. E é pela educação ambiental que são apresentadas formas para salvar a natureza, por meio de ações e práticas benéficas.

O Núcleo de Educação Ambiental utiliza as seguintes ferramentas para promover a consciência ambiental: o espaço aprendiz, onde são desenvolvidas atividades voltadas à solução do problema dos resíduos, como oficinas de reciclagem de papel, sabão e óleo; o espaço cultural, dedicado a exposições que variam a cada semestre; o Clube da Árvore, um projeto que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância das áreas verdes do município e sua manutenção; e uma programação de trilhas pela ilha, onde foram plantadas 200 árvores visando à restauração da vegetação originária, realizada a partir de um estudo florístico na área.

Além disso, o Núcleo conta com um centro de visitantes com diversos espaços disponíveis ao público com a função de conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação do meio ambiente e mudar certos hábitos do dia-a-dia. Nele, são realizados cursos de capacitação para jovens e adultos, que proporcionam oportunidade e subsídio técnico para que estes possam realizar ações e eventos sócio-ambientais em suas respectivas comunidades.

O Núcleo permite ao público ter contato com a flora e fauna da região através de passeios monitorados a um pequeno pedaço de Mata Atlântica bem no coração de Mogi das Cruzes e tem como objetivo maior apontar possibilidades de mudanças de hábitos e atitudes pessoais em favor da qualidade ambiental local e global, preservando assim a biodiversidade do planeta.


Meio Ambiente
Podemos citar alguns momentos que marcaram a luta pela preservação da natureza em todo o mundo. Um deles é o lançamento em 1962, nos Estados Unidos, do livro Silent Spring (Primavera Silenciosa), de autoria de Rachel Carson.

A obra causou grande impacto no meio científico e social ao dar o primeiro brado de alerta em relação ao uso indiscriminado de pesticidas que causavam graves danos ao meio ambiente. O livro teve repercussão mundial e contribuiu para que práticas de conservação ambiental fossem implantadas.

Outro momento importante, em um processo de evolução de idéias e comportamentos em relação ao meio ambiente, foi o surgimento da Declaração sobre o Ambiente Humano, que foi estabelecida na Conferência de Estocolmo em 1972, cujos princípios tinham o objetivo de servir de inspiração e orientação à humanidade para a preservação e melhoria do ambiente humano. A Declaração serviu de base para a realização, 20 anos depois, da Conferência do Rio de Janeiro, a Rio 92, e, mais recentemente, da Conferência de Joanesburgo, na África do Sul, a Rio +10. Esta última produziu dois documentos oficiais, adotados por representantes de 191 países, sendo eles: a Declaração Política e o Plano de Implementação.

A Declaração Política, intitulada “O Compromisso de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável”, possui 69 parágrafos divididos em seis partes. Nela são estabelecidas posições políticas, e não metas, que reafirmam princípios e acordos adotados na Estocolmo-72 e na Rio-92. Além disso, reconhece que os desequilíbrios e a má distribuição de renda, tanto entre países quanto dentro deles, estão no cerne do desenvolvimento insustentável. O texto admite ainda que os objetivos estabelecidos na Rio-92 não foram alcançados e conclama as Nações Unidas a instituir um mecanismo de acompanhamento das decisões tomadas na Cúpula de Joanesburgo.

Já o Plano de Implementação, que é o mais importante documento resultante da Cúpula, tem a meta de alcançar três objetivos: a erradicação da pobreza, a mudança nos padrões insustentáveis de produção e consumo e a proteção dos recursos naturais. No que se refere à pobreza, o documento reconhece que o combate a ela implica em ações multidimensionais, que englobem questões desde o acesso à energia, água e saneamento, até a distribuição eqüitativa dos benefícios derivados do uso da diversidade biológica.

Vimos assim que, das primeiras discussões sobre a preservação da natureza até hoje, ocorreu uma grande evolução da sociedade na forma de encarar os processos de desenvolvimento. Todavia, as mudanças nesta percepção ocorrem num ritmo muito mais lento do que seria o desejável para o não comprometimento dos nossos recursos naturais. Atualmente, o chamado desenvolvimento sustentável é o único capaz de propiciar condições de preservar os recursos naturais e de vida saudável para as gerações futuras.

Para que isto ocorra, a educação ambiental tem uma importância extraordinária, porque conscientiza e altera os padrões de comportamento do ser humano em relação à natureza.
A cidade de Mogi das Cruzes
A cidade de Mogi das Cruzes completou 450 anos de fundação no dia 1º de setembro de 2010. Foi fundada pelo bandeirante Braz Cubas, no ano de 1560. Naquela época, o Rio Tietê chamava-se Rio Anhembi. Foi por ele que o bandeirante chegou, à procura de ouro, e começou a formar o povoado.

Mogi das Cruzes está localizada na região leste da Grande São Paulo e é o principal pólo econômico e populacional da região do Alto Tietê, que conta com dez municípios. O primeiro caminho de acesso da cidade à São Paulo foi aberto por Gaspar Vaz, que chegou ao povoado em 17 de agosto de 1611. Mogi chamava-se Vila de Sant'Anna de Mogi Mirim.

O nome da cidade tem a seguinte origem: Mogi é uma alteração de Boigy que, por sua vez, vem de M'Boigy, o que significa "Rio das Cobras", denominação que os índios davam a um trecho do Tietê. Na língua indígena, Mirim quer dizer pequeno. Possivelmente, uma referência ao riacho Mogi Mirim. O termo “cruzes” acabou sendo acrescentado ao nome da vila pela população, devido ao costume de se marcar com uma cruz os pontos de localização importantes.

Hoje, a cidade tem uma extensão de 721 quilômetros quadrados (km²). A população, segundo a última atualização do IBGE, em julho de 2006, é de 372.419 habitantes.


Preservação Ambiental em Mogi das Cruzes
A Secretaria do Verde e Meio Ambiente de Mogi das Cruzes mantém sob preservação ambiental uma área de 47.227 hectares, o equivalente a 47 mil campos de futebol.

Além do Núcleo de Educação Ambiental, o município conta com outros dois importantes projetos de preservação da natureza: o Parque Municipal da Serra do Itapety e a Escola Ambiental, que é um projeto de referência nacional.

Mogi das Cruzes está inserida na segunda maior reserva de Mata Atlântica de São Paulo, ficando atrás somente da região do Vale do Ribeira, no sul do estado. O município tem mais de 65% de seu território localizado em áreas de preservação do meio ambiente.

O município mantém sob proteção ambiental algumas áreas de Mata Atlântica. São elas: a Estação Ecológica do Itapety; as áreas de mananciais; o Parque Estadual da Serra do Mar; o Parque Municipal do Itapety; a Serra do Mar; a Serra do Itapety; o Vale do Botujuru; e toda a várzea do Rio Tietê, incluindo a Ilha Marabá.


Rio Tietê
A Ilha Marabá está localizada no bairro Mogilar, em Mogi das Cruzes. Ela é cercada pelo rio Tietê, que corta todo o município. Tietê, de origem tupi, significa "rio verdadeiro" ou "águas verdadeiras".

O rio, que nasce na cidade de Salesópolis, na Serra do Mar a 840 metros de altitude, percorre todo o estado de São Paulo, de leste a oeste. Ao contrário da maioria dos rios que correm para o mar, o Tietê segue para o interior, atravessando a Região Metropolitana de São Paulo.

No total, o Tietê percorre 1.100 quilômetros até o município de Itapura, onde deságua no rio Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Em sua jornada banha 62 municípios ribeirinhos e seis sub-bacias hidrográficas, incluindo a região do Alto Tietê, que recebe este nome justamente porque é banhada pelo rio.

Fazem parte da região do Alto Tietê os municípios de Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.

A administração municipal de Mogi das Cruzes busca a preservação ambiental de toda a várzea do rio Tietê em seu território e a Ilha Marabá está incluída nesse contexto.
Mata Atlântica
Como dissemos anteriormente, Mogi das Cruzes está inserida na segunda maior reserva de Mata Atlântica de São Paulo. A vegetação originária da Ilha Marabá era a Mata Atlântica, mas com o abandono da área durante cerca de 40 anos e constantes depredações, ela foi perdida.

Na tentativa de recompor essa vegetação, o Núcleo de Educação Ambiental promoveu o plantio de mais de 200 árvores na reserva, visando a restauração da área.

É característica da Mata Atlântica uma vegetação exuberante, com acentuada presença de plantas que vivem com uma porção de sua parte vegetativa imersa em água. A fauna que nela vive é formada principalmente por anfíbios, mamíferos e aves das mais diversas espécies. O bioma é uma das áreas mais sujeitas a precipitação no Brasil. As chuvas são constantes, o que acarreta maior incidência de cheias no entorno do rio Tietê.

De forma ampla, a biodiversidade da Mata Atlântica é semelhante à biodiversidade da Amazônia. O bioma está dividido em diversos ecossistemas devido a variações de latitude e altitude.

O Núcleo de Educação Ambiental trabalha exatamente com o objetivo de informar a população do Alto Tietê da importância da preservação deste bioma tão importante para a biodiversidade brasileira e para o meio ambiente.
Resgate Histórico
Optamos por fazer o resgate da história da Ilha Marabá por entendermos que é importante contextualizar nossos leitores sobre o local que apresentamos nos produtos midiáticos que produzimos.

O escritor Eric Hobsbawm afirmou que “o passado é uma dimensão permanente da consciência humana, um componente inevitável das instituições, valores e outros padrões da sociedade humana”2.

Em outras palavras, a história é permanente e os fatos ocorridos no passado tem influência direta no que vivemos hoje. Hobsbawm diz:
[...] passado, presente e futuro constituem um continuum.

Todos os seres humanos e sociedades estão enraizados no

passado – o de suas famílias, comunidades, nações ou outros

grupos de referências, ou mesmo de memória pessoal – e

todos definem sua posição em relação a ele, positiva ou

negativamente.3

O autor explica que a maior parte da ação humana consciente, baseada em aprendizado, memória e experiência, constitui um vasto mecanismo para comparar constantemente passado, presente e futuro.

Desta forma, entendemos a necessidade de falarmos do passado da Ilha Marabá e a importância que ela teve para a comunicação em Mogi das Cruzes.

Por outro lado, falar deste passado é fundamental ao passo que recordamos que, desde a saída da torre de transmissão até a desapropriação da área para a construção do Núcleo, de 1962 até 2001, a ilha esteve abandonada.

Somente após a construção do Núcleo é que a administração municipal passou a cuidar da ilha, recuperando a flora e a fauna.

Quando abrigou os estúdios e a torre de transmissão da emissora, o local era cuidado pelos funcionários da rádio.
Rádio Marabá
A Rádio Marabá foi instalada na ilha por questões técnicas. Para que a transmissão da rádio fosse boa, era necessário que sua torre fosse instalada em um local úmido, o que facilita a propagação das ondas.

A indicação para que a emissora fosse instalada na ilha foi dos empresários da construção civil José Benedito Batalha e Carlos Honório, consultados pelos irmãos Gastão Salles e René Ventura Salles, que viriam a ser donos da rádio, e os futuros locutores Roberto Monteiro, Roberto da Silva e José Adelino do Prado, mais conhecido como J.A. do Prado.

A ilha foi alugada. Nela foi instalada uma torre de 55 metros, que tinha 120 radiais – fios de cobre que deveriam ser enterrados ao redor da antena. Foram construídas duas casas: uma abrigava equipamentos e a outra era a casa do gerente.

A Rádio Marabá foi fundada em 6 de abril de 1947. Para se chegar à ilha era necessário cruzar o rio a barco, até que foi construída uma ponte pênsil. As instalações da rádio e aqueles que nela trabalhavam sofriam constantemente com inundações. O rio Tietê transbordava freqüentemente, fato esse que fez com que, em 1948, o estúdio da emissora fosse transferido para o Cine Odeon, no centro de Mogi das Cruzes, e, posteriormente, em 1962, a torre foi instalada a 50 metros da ilha no continente.

Entre a época que abrigou a emissora de rádio e a inauguração do núcleo ambiental, a Ilha Marabá ficou abandonada.

A Rádio Marabá marcou época. Muitos nomes importantes na história do rádio regional e nacional iniciaram carreira na emissora, como Roberto da Silva, Roberto Monteiro, Armando Sérgio da Silva, Waldemar Scavone, Elvira Tomazulo, Trajano Reis, Edna Thereza, Antonio Alexandre, Maria Amélia, Turíbio Ruiz, José Simões, Nivaldo Marangoni e Oscavo Augusto Santos de Azevedo Marques.

A idéia de abrir uma emissora de rádio em Mogi das Cruzes foi de José Costa, dono do Serviço de Auto Falante Tupã, instalado na praça Oswaldo Cruz, e dono também do União Futebol Clube. Ele iniciou conversa com os irmãos Gastão Salles e Renê Ventura Salles, de São Paulo, a fim de se chegar ao entendimento sobre a instalação de uma rádio na cidade. Os irmãos Salles, juntamente com Roberto Monteiro, então funcionário da Rádio Record, de São Paulo, já articulavam negociações para conseguir uma concessão de rádio para Mogi. A concessão veio através do engenheiro Mateus Marcondes de Amaral, que possuía influência junto aos órgãos federais.

A emissora foi comandada pelos irmãos Salles até 1962, quando foi comprada por um grupo de mogianos, entre eles, Tirreno Da San Baggio, que depois acabou se tornando seu único dono. Tirreno mudou o nome da rádio para Rádio Diário de Mogi, pois já possuía o jornal Diário de Mogi.

Em 2000, ele teve que vender a rádio, por causa do projeto de uma TV para o Grupo Diário, a TV Diário. Os novos donos a família Abreu, que já possuíam a Rádio Tupi de São Paulo e mais 11 emissoras, decidiram mudar o nome para Rádio Iguatemi, dois anos depois mudaram para Rádio News e, desde 2004, a emissora retransmite a programação da Rádio Tupi de São Paulo, com o nome de Rádio Tupi.
Crescimento Profissional
Durante o desenvolvimento deste projeto pudemos vivenciar a prática da profissão que escolhemos. Assim, reconhecemos a importância deste para nosso crescimento acadêmico e profissional.

Executamos tarefas do dia-a-dia do jornalismo e nos deparamos com situações que nos serão comum no mercado de trabalho, entre dificuldades e avanços.

A teoria é muito importante, mas não é suficiente, é necessário ter a prática. Desta forma, este projeto é de grande relevância para nossa formação.

De acordo com o livro “Pedagogia Universitária e Aprendizagem”, para nosso crescimento enquanto profissionais é necessário que seja somada a prática social, pois qualquer trabalho que nos propusermos a realizar terá influência em nossa sociedade. As autoras dizem:


Uma teoria social de aprendizagem deve integrar os componentes necessários para caracterizar a participação social como um processo de aprender e conhecer4.
É justamente este o objetivo deste projeto, nosso desenvolvimento acadêmico e profissional, mas também social. Por isso, a exigência de que nosso tema tivesse relação com a realidade social da região do Alto Tietê.

A Ilha Marabá atende a essa exigência em alguns aspectos: faz parte da história da comunicação na região, ao passo que abrigou a primeira rádio mogiana; ficou abandonada por muito tempo e sofreu grande degradação, o que é comum em muitas outras áreas que deveriam ser preservadas; a partir dos anos 2000, foi restaurada e inclusa pela administração municipal no programa de preservação ambiental da Secretaria de Verde e Meio Ambiente; é administrada entre uma parceria público-privada, que é bastante utilizada por órgãos da administração pública; além disso, desde sua utilização para instalação da Rádio Marabá, as enchentes são um problema recorrente no local, ao passo que o Núcleo de Educação Ambiental está fechado desde julho para reforma devido às inundações que ocorreram no final de 2009 e início de 2010, e este problema é recorrente em toda a várzea do rio Tietê.

Desta forma, o objeto de estudo de nosso projeto acadêmico cumpre o papel do ensino através da teoria e da prática. Tivemos que efetuar uma pesquisa bastante ampla sobre os temas relacionados às questões pertinentes à Ilha Marabá. Buscamos fundamentação teórica para que a prática fosse bem sucedida.

Além disso, no projeto tivemos contato com três vertentes importantes do jornalismo: o jornalismo impresso, o telejornalismo e o jornalismo digital. Ambas experiências foram enriquecedoras.



2. Produtos
Reportagem para o meio TV
Em nossa reportagem de televisão decidimos abordar a questão histórica da ilha, ou seja, a Rádio Marabá. Nesse sentido, achamos importante falar da importância que a rádio teve para a comunicação em Mogi das Cruzes e como a ilha foi parte fundamental nesse processo.

Procuramos falar com pessoas que fizeram parte desta história. Que viveram naquele período e podem fazer o resgate histórico do que foi a primeira rádio de Mogi das Cruzes.

A escolha da ilha para abrigar a rádio foi o ponto inicial desta história, pois era o local mais apropriado para que o projeto da emissora vingasse. Se não fosse a ilha, talvez a chegada da primeira rádio mogiana pudesse tardar um pouco mais. Era 1947, a cidade já havia possuído alguns serviços de auto-falante em praças públicas, mas uma rádio requeria condições técnicas específicas para que a transmissão chegasse às casas de todos os moradores do município.

Estas condições eram encontradas na ilha, solo úmido para que os radiais da torre de transmissão fossem instalados e a propagação das ondas fosse perfeita. E, segundo relatos, a transmissão realmente era perfeita.

Houve, em 1979, uma tentativa de mudança da torre da rádio para outro local a pedido do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) do Ministério das Comunicações, por causa dos constantes alagamentos que ocorriam na região do rio Tietê. Antes, em 1962, a torre já havia sido tirada da ilha e fixada a 50 metros no continente. A tentativa de mudá-la de local, para o bairro de Botujuru, não funcionou. A rádio não era sintonizada em Mogi, mas ouvida em algumas cidades da região sul do país, como Florianópolis, Blumenau e Curitiba. O local era alto e seco, as ondas pegavam correntes marítimas de Bertioga e iam para muito longe. Com estudos de um engenheiro eletrônico para melhorar as instalações da emissora, dois meses depois a rádio retornou ao local anterior, próximo da ilha.

Os alagamentos no Tietê foram sempre um problema para aqueles que trabalharam na emissora. Por conta das dificuldades em se chegar às suas instalações, o estúdio da rádio permaneceu na ilha somente por pouco mais de um ano.

Em nossa reportagem procuramos dar enfoque à importância da Rádio Marabá, mas também às dificuldades enfrentadas por causa de sua localização na Ilha Marabá.

Muitos daqueles que tiveram papel importante na história da rádio e que participaram de seu início na ilha já morreram. Assim, tivemos dificuldade de encontrar quem pudesse contar esta história. Também não há muitos registros sobre a emissora em livros. O único livro que conta a história da rádio e daqueles que nela trabalharam é “Memória do Rádio em Mogi das Cruzes”, de autoria de Nivaldo Marangoni, que foi gerente da emissora e hoje é professor de Linguagem e Produção em TV (Telejornalismo) da Universidade Mogi das Cruzes. Foi Marangoni quem nos incentivou a produzir esta reportagem sobre a Rádio Marabá, justamente pela falta de registro que se tem sobre o tema.

Buscamos no arquivo da universidade algumas entrevistas feitas com ex-funcionários da rádio realizadas em 2000 por alunos do curso de jornalismo, porém não encontramos. As fitas onde foram gravadas estas entrevistas foram re-utilizadas. Recorremos então ao arquivo pessoal de Marangoni que, para a produção do livro, gravou as entrevistas que fez em vídeo.

De seu arquivo, utilizamos trechos de algumas entrevistas, como a de Roberto Monteiro, um dos primeiros locutores da rádio; a de Waldemar Scarone, que apresentava shows de calouros; a de Francisco Krusler, locutor de um programa alemão da Marabá; e do violista “Seu Julinho Barbeiro”, que tocava em eventos da emissora.

Entrevistamos quatro pessoas que participaram da história da Rádio Marabá: a senhora Helena Rodrigues Alves, esposa do ex-operador de mesa de som e cobrador, Pio Alves Rodrigues, suas filhas Edna Aparecida Rodrigues e Márcia Helena Rodrigues, e o dono do Grupo Diário, Tirreno Da San Biagio, que foi dono da Rádio Marabá.

Dona Helena e suas filha moraram na Ilha durante o período em que a torre de transmissão esteve instalada lá. Ela nos contou que seu esposo foi chamado para trabalhar na rádio logo que ela foi fundada. Antes, moravam na cidade de Canitar, perto de Ourinhos, no interior do estado de São Paulo. Vieram de trem e, no período em que moraram na ilha, nasceram suas filhas mais novas, Edna e Márcia. Helena e Pio tiveram cinco filhos, destes somente um não trabalhou na rádio.

Apesar de seu Pio ter sido chamado para trabalhar na rádio, toda a família acabou se envolvendo. A começar por Dona Helena, que se tornou uma espécie de zeladora da rádio. Ela ficava responsável por cuidar para que os transmissores da rádio estivessem sempre ligados. Quando os estúdios da emissora foram transferidos para o centro de Mogi, no Cine Odeon, seu Pio saía cedo de casa para operar a mesa de som e dona Helena ficava na ilha cuidando dos transmissores.

Seus filhos foram criados na ilha. E, no contexto da rádio, foram se envolvendo nos trabalhos. Márcia nos contou que começou a trabalhar na rádio quando tinha quatorze anos. Ela viu a necessidade de ingressar no mercado de trabalho e viu na emissora uma oportunidade. Trabalhou como discotecária. Com Edna, aconteceu diferente. Ela já trabalhava em outro local, mas foi chamada para auxiliar durante meio período como operadora de mesa de som, assim como seu pai. Ambas trabalharam por cerca de um ano na emissora, mas por terem vivido por muito tempo no ambiente da rádio, têm muitas experiências para contar. Em nossa reportagem, Edna auxiliou na concessão de informações que serviram de base para o desenvolvimento de nosso trabalho. Já Márcia e Helena nos prestaram depoimentos que pudemos utilizar durante a matéria.

Márcia fez um relato de como era seu trabalho na emissora e sobre a diferença técnica que se tem daquele tempo para hoje. Dona Helena, além de contar sua história, falou sobre a saudade que sente daquele período e sobre as muitas dificuldades enfrentadas por eles, como as constantes cheias do rio.

Fizemos uma entrevista longa com elas, abordando vários aspectos, para depois termos material para editarmos nossa reportagem.

Com Tirreno Da San Biagio, mais conhecido como Seu Tote, procuramos abordar a importância da rádio para a comunicação em Mogi das Cruzes. Ele, que foi dono da emissora entre 1962 e 2000 e a transformou na Rádio Diário de Mogi das Cruzes, disse que ela era motivo de orgulho para os mogianos. Ele contou que, a partir dela, muitos locutores locais puderam se projetar nacionalmente. Seu Tote também falou do heroísmo dos funcionários da emissora, que se arriscavam nos alagamentos do rio Tietê para chegarem aos transmissores, quando ainda estavam instalados na ilha.

Fomos recebidos por Tote na sede do Diário de Mogi. Tivemos um pouco de dificuldade em marcar a entrevista com ele, devido a seus compromissos. Mas conseguimos marcar uma tarde de conversa, que foi muito proveitosa.

No entanto, nossa maior dificuldade na produção da reportagem de televisão foi captar imagens da Ilha Marabá, que está com o acesso impedido por causa de uma reforma que está sendo feita desde julho no Núcleo de Educação Ambiental. Tentamos permissão para entrar na ilha por meio da empresa Bio-Bras, que administra o Núcleo, e pela Secretaria de Verde e Meio Ambiente, mas não obtivemos de nenhum dos lados.

Também solicitamos à TV Diário a concessão de imagens de arquivo da ilha, de matérias realizadas pela emissora no período em o Núcleo estava funcionando, mas não recebemos o retorno em tempo hábil.

Assim, tivemos que fazer a passagem – fala do repórter – da frente do Núcleo. E recorremos a outras imagens de apoio, como fotografias antigas de pessoas que trabalharam na rádio, também cedidas pelo professor Nivaldo Marangoni. Estas fotografias foram utilizadas para cobrir os offs da reportagem – falas do repórter sem que ele apareça.

Como falamos de resgate histórico, procuramos em nosso texto contar a história de modo a ser complementada pelos depoimentos daqueles que fizeram parte dela. Assim, tanto na passagem quanto nos offs, o repórter traz dados históricos da Rádio Marabá. E, nas falas de nossos entrevistados, têm-se os relatos das experiências vividas.


Desenvolvimento de blog para a Internet
Resolvemos fazer de nosso espaço na Internet um local de convergência. Nele, ao contrário da reportagem para TV, abordamos todos os aspectos da Ilha Marabá: seu passado, presente e futuro.

Seu tema central é a Ilha Marabá, tal como nosso projeto. Dessa forma, buscamos dar todas as informações a respeito da ilha.

A principal reportagem e suas retrancas dão um panorama do que é a Ilha Marabá e qual sua importância para a cidade de Mogi das Cruzes. Falam também do contexto em que está inserida atualmente, de preservação do meio ambiente.

Reservamos espaço também para contar a história da Rádio Marabá e disponibilizamos fotos da época em que funcionou a primeira rádio de Mogi das Cruzes.

No que tange ao futuro da ilha, disponibilizamos textos e links sobre projetos futuros, como o Parque Linear Várzeas do Tietê. Também abrimos caminho para outros sites que tratam da ilha, como o da Secretaria de Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de Mogi das Cruzes.

O diferencial da Internet é a linguagem e a estrutura dos textos, que são mais objetivos e curtos. J. B. Pinho, em seu livro “Jornalismo na Internet: Planejamento e Produção da Informação On-Line”, explica que o jornalismo digital diferencia-se do jornalismo praticado nos meios de comunicação tradicionais pela forma de tratamento dos dados e pelas relações que são articuladas com os usuários (Pinho, p.58).

O meio digital possibilita um retorno mais imediato dos leitores, para tanto, todos os nossos textos são abertos a comentários.

Utilizamos para a composição dos textos para Internet todo material colhido durante nossas pesquisas e entrevistas realizadas tanto para a TV como para o jornal-laboratório Página UM. Mas procuramos compor os textos de um modo específico, com a apropriação das ferramentas oferecidas pela Internet.

De acordo com Pinho, o jornalismo digital deve considerar e explorar a seu favor cada uma das características que diferenciam a rede mundial dos demais veículos. O autor afirma em seu livro:
Cada um dos aspectos críticos que diferenciam a rede mundial dessas mídias – não-linearidade, fisiologia, instantaneidade, dirigibilidade, qualificação, custos de produção e de veiculação, interatividade, pessoalidade, acessibilidade e receptor ativo – deve ser mais bem conhecido e corretamente considerado para o uso adequado da Internet como instrumento de informação5.
Nossa dificuldade, neste meio, foi a adaptação de um modelo de blog às nossas necessidades. Testamos dois tipos de blog até chegarmos ao cedido pelo site Webnode, que melhor se atendeu às nossas necessidades.

Primeiramente tentamos incluir conteúdo no blog do site Webly, porém a ferramenta de colagem de texto não funcionava. Desta forma, teríamos que digitar os textos diretamente no blog e, no caso de material pronto, teríamos que refazê-lo no blog, o que acarretaria em uma perda de tempo em termos de produção.

Também tentamos criar nosso ambiente on-line no site Wordpress. No entanto, este não possibilita a criação de páginas distintas dentro do blog que tenham material próprio. Tudo que é incluso aparece na home, como postagem.

Além disso, nas páginas internas os textos são únicos, sem separação de arquivo por matéria inclusa. Assim, avaliamos que não se encaixava em nosso projeto, porque necessitaríamos dessa distinção de postagens que apareceriam na home e de textos dentro de uma página secundária.

Já no site Webnode, encontramos um formato simples, fácil de ser utilizado e que atendia às nossas necessidades, como a criação de sub-menus e uma página de abertura sem ligação com o material interno das outras seções do blog.

Os três modelos de blog experimentados por nossa equipe são gratuitos. A única exigência para a inscrição de um blog neles é que seja endereçado com seu domínio. No caso do webnode, nosso blog ficou com o endereço da seguinte forma: ilhamaraba.webnode.com.br.




Reportagem Especial para o Jornal-Laboratório Página UM
No material relacionado à edição especial do jornal-laboratório da Universidade Mogi das Cruzes, Página UM, procuramos produzir uma reportagem que trouxesse um panorama geral do que é a Ilha Marabá.

A matéria principal tem o papel de falar da situação atual da ilha: a reforma do Núcleo de Educação Ambiental e o motivo desta reforma, as enchentes que ocorreram no final de 2009 e no início de 2010.

Entendemos que, dentro do proposto em nosso projeto, precisamos situar o leitor do jornal sobre o que acontece na ilha, nosso objeto de estudo. Além disso, temos que informá-lo sobre os trabalhos que são desenvolvidos no Núcleo de Educação Ambiental e sua importância para a conscientização sobre a preservação do meio ambiente na região.

O Núcleo está fechado desde agosto. Esta é a primeira reforma realizada no espaço desde sua inauguração, em 2004. De acordo com Nadja Soares de Moraes, presidente da Bio-Bras, empresa que administra o local em parceria com a prefeitura de Mogi, ainda não há previsão para o término da reforma e retorno das atividades.

Nadja nos concedeu entrevista por e-mail, porque está em viagem. Como o Núcleo está fechado, ela tem se dedicado a outros projetos da empresa.

Ela nos contou que, desde o início dos trabalhos na ilha, passaram pelo Núcleo mais de vinte mil pessoas, que participaram de diversas atividades e oficinas de conscientização sobre a importância da preservação ambiental.

Em funcionamento normal, o Núcleo recebe principalmente alunos e professores de escolas de ensino fundamental e médio. São recebidas em suas instalações cerca de 80 pessoas por dia.

Procuramos conversar sobre este aspecto da ilha com a secretária de Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de Mogi das Cruzes, Maria Inês Soares Costa Neves. Tivemos bastante dificuldade em conseguir um horário para conversar com ela, devido à agenda cheia de compromissos. Insistimos por semanas, tanto com a assessoria de imprensa como com a assistente da secretária.

Por fim, conseguimos marcar a entrevista com a secretária na prefeitura da cidade.

Durante a entrevista, abordamos a atual situação do ilha. Em reforma desde julho, o Núcleo está fechado. Em visita à frente do local, é visível que a área está sendo invadida por populares, devido a forte presença de lixo, madeira queimada, entre outros.

Procuramos sabre quando a reforma terminará e o que está sendo previsto para o futuro da ilha, como novas atividades.

Da mesma forma, discutimos o futuro do Núcleo Ambiental, já que o contrato com a Bio-Brás deve ser revisado até 2012, não estando certa a continuidade da parceria entre a prefeitura e a empresa.

Além disso, questionamos a secretária Maria Inês sobre a influência que a construção do Parque Várzeas do Rio Tietê terá sobre o Núcleo e a Ilha Marabá. Segundo ela, a ilha e o Núcleo serão integrados ao projeto do governo de São Paulo. A previsão para que a construção do Parque chegue à região é de 2014.

O problema mais grave, e que acarretou a necessidade da reforma, também abordamos na entrevista. Procuramos saber da secretária o que, além da reforma, está sendo feito para solucionar o problema das enchentes na área, que afetam, além do Núcleo, os moradores da região.

Apesar da demora em nos atender, a secretaria Maria Inês contribuiu de maneira significante com nosso trabalho. Sua entrevista, juntamente com a de Nadja Soares, serviram de base para a confecção da matéria principal de nossa página no jornal-laboratório.

A reportagem trata de apresentar as questões relacionadas à ilha e sua atual situação. Procuramos dar ao material produzido para o Página UM o perfil de reportagem especial. Assim, não utilizamos linguagem factual, mas demos um panorama sobre o tema e suas perspectivas a médio e longo prazo.

A secretária nos informou que a intenção da Secretaria de Verde e Meio Ambiente é fazer do Núcleo de Educação Ambiental uma extensão do programa Educação Ambiental, de responsabilidade da Secretaria de Educação. Desta forma, seria feita uma integração das duas secretarias na luta pela preservação do meio ambiente e a conscientização ambiental.

A Escola Ambiental foi criada em Mogi das Cruzes pela Lei Municipal nº 5889 de 12 de maio de 2006 que, na estrutura organizacional da Secretaria Municipal de Educação, compõe a Divisão de Educação Ambiental do Departamento Pedagógico. Sua finalidade é funcionar como um Centro de Pesquisa e Formação de Professores das redes municipal, estadual e particular, em parceria com Universidades, Instituições e ONGs, a fim de garantir e assegurar condições para que as escolas formulem projetos em Educação Ambiental que levem a ações concretas de preservação ambiental.

De um modo geral, o objetivo maior do programa é formar cidadãos conscientes da realidade, que tenham um senso crítico capaz de gerar uma reação de preocupação com o futuro de todos e uma mudança de comportamento.

Como o trabalho desenvolvido pelo Núcleo atende às características do programa Escola Ambiental, a Secretaria de Verde e Meio Ambiente pretende integrá-los.

Nas demais matérias de nossa página, escolhemos falar do passado e do futuro da ilha.

Entendemos que, como procuramos situar nosso leitor sobre o que é a Ilha Marabá, também não poderíamos deixar de contar, em uma matéria-retranca, o seu passado. Nosso objetivo com esta matéria foi contar a história da Ilha Marabá e o início de sua utilização, quando abrigou a primeira rádio de Mogi das Cruzes, a Rádio Marabá.

Acreditamos que é importante falar desse passado da ilha para mostrar que, além de servir para a conscientização da importância da preservação ambiental, também faz parte da história da cidade.

Para a composição desta matéria, entrevistamos Helena Rodrigues Alves, que trabalhou na rádio e morou por alguns anos na ilha, sua filha Márcia Helena Alves, que passou sua infância na ilha, e Tirreno Da San Baggio, que foi dono da Rádio Marabá.

Em outra matéria-retranca procuramos dar perspectivas quanto ao futuro da ilha. Falamos sobre o abandono até 2001, quando foi iniciado o processo de desapropriação da área e, em 2004, inaugurado o Núcleo de Educação Ambiental, para chamar a atenção sobre a importância de se acompanhar o processo de administração da ilha para que não volte a ficar abandonada.

Nesta matéria, mostramos que o futuro da ilha ainda não está definido: ela pode continuar sob administração da prefeitura em parceria com a empresa Bio-Brás, como pode passar a ser controlada pelo governo de São Paulo por conta do Parque Linear Várzeas do Tietê, que será construído em torno do rio desde Salesópolis até a barragem no bairro da Penha, em São Paulo.

Não adianta falar da situação atual e do passado da ilha somente. Temos que falar o que está previsto para acontecer com o local, que é de grande importância para a cidade. Também acreditamos que seja importante falar do Parque Linear Várzeas do Tietê, que acarretará transformações ao longo de toda a margem do rio Tietê em Mogi das Cruzes.

Nossas fontes para esta matéria foram novamente a Nadja, presidente da Bio-Bras, e a secretária de meio ambiente Maria Inês. Elas são atualmente as responsáveis pela ilha e, assim, mais indicadas para falar sobre o que pode acontecer com o espaço.

Tentamos contato com a Secretaria de Meio Ambiente do Governo de São Paulo, que é responsável pelo desenvolvimento do projeto do Parque Linear Várzeas do Tietê, porém não obtivemos retorno.

Para a realização da reportagem especial para o Página UM enfrentamos o mesmo problema que na produção da reportagem para o meio TV: a captação de imagens para ilustrar as matérias, devido ao fechamento da ilha para a reforma do Núcleo. Como mencionamos anteriormente, tentamos permissão para entrar na ilha por meio da empresa Bio-Bras, que administra o Núcleo, e pela Secretaria de Verde e Meio Ambiente, mas não obtivemos de nenhum dos lados.



Bibliografia
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CAMPOS, Juarez de Queiroz. Ambientalismo e educação ambiental. São Paulo: Editora Jotacê, 2004.

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ENGERS, Maria Emília Amaral e Marília Costa Morosini. Pedagogia Universitária e Aprendizagem. Volume 2. 1ª Edição.Rio Grande do Sul: EdiPUCRS, 2007.

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PRADO, Flávio. Ponto Eletrônico. São Paulo. Editora Publisher Brasil, 1996.



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PRODUTOS

1 Campos, Juarez de Queiroz. AMBIENTALISMO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL. São Paulo, SP. Editora Jotacê, 2004.


2 HOBSBAWM, Eric.Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

3 HOBSBAWM, op. cit.

4ENGERS, Maria Emília Amaral e Marília Costa Morosini. Pedagogia Universitária e Aprendizagem. Volume 2. 1ª Edição.Rio Grande do Sul: EdiPUCRS, 2007.

5 PINHO, J. B. Jornalismo na Internet: planejamento e produção da informação on-line. 2ª ed. São Paulo. Summus Editorial, 2003.




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