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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

INSTITUTO DE ARTES E DESIGN

ESPECIALIZAÇÃO EM MODA, CULTURA DE MODA E ARTE

Fabiano Eloy Atílio Batista

A INTERFERÊNCIA CINEMATOGRÁFICA SOBRE A SOCIEDADE:

moda e seu processo identitário

Juiz de Fora

2014

Fabiano Eloy Atílio Batista

A INTERFERÊNCIA CINEMATOGRÁFICA SOBRE A SOCIEDADE:

moda e seu processo identitário

Monografia apresentada ao Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Moda, Cultura de Moda e Arte.


Orientador: Prof. Dr. Afonso Celso Carvalho Rodrigues

Juiz de Fora

2014



Fabiano Eloy Atílio Batista


A INTERFERÊNCIA CINEMATOGRÁFICA SOBRE A SOCIEDADE: moda e seu processo identitário

Monografia apresentada ao Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora como requisito parcial para aobtenção do título de Especialista em Moda, Cultura de Moda e Arte.



BANCA EXAMINADORA

Afonso Celso Carvalho Rodrigues – UFJF (Orientador)


Luiz Fernando Ribeiro – UFJF (Convidado)
Javer W. Volpini – UFJF (Convidado)

Examinado em: 27/07/2014.

“Abriram-se, então, os olhos de ambos;

e percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si.”

Do Gênese, 3:7.


AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus pelas oportunidades que me foram dadas na vida, principalmente por ter conhecido pessoas e lugares maravilhosos, mas também por ter vivido fases de turbulências, que serviram de matéria-primapara este aprendizado. Não posso deixar de agradecer aos meus pais Antônio Eloy Batista (em memória) e Maria Auxiliadora Atílio Batista, sem os quais não estaria aqui, e em especial a minha mãe por ter me fornecido condições para me tornar o profissional, o homem e a pessoa que sou, pelos inúmeros puxões de orelha, que sempre me soaram como incentivo, as conversas que sempre tivemos de apoio e cumplicidade, e que sempre me ajudou no que era necessário sem medir esforços. Que me ensinou que mesmo perdendo qualquer guerra devo sempre levantar a minha cabeça e esboçar um lindo sorriso no rosto, pois sempre haverá um novo dia e uma nova chance, que tudo sempre dependerá de mim e do meu esforço.

Aos meus irmãos Fernando Atílio Batista (em memória) e Fabrício dos Anjos Atílio Batista, que sempre me ensinaram diversas coisas e me apoiaram em todos os caminhos que sempre busquei trilhar.

Aos meus amigos, que não citarei nomes de todos para não cometer a injustiça de esquecer-me de alguns, que me forneceram boas conversar e distrações nesse momento de tanta “tensão”.

Ao meu orientador Afonso Rodrigues, pela paciência e confiança em mim depositado e por tudo que me ajudou para conclusão desse trabalho.

A todos só posso dizer: Muito obrigado!




RESUMO

O presente trabalho sugere presumíveis relações existentes entre a moda e o cinema na sociedade e os aspectos culturais decorrentes de ambos, assim como a identificação do impacto que eles desempenham na formação de identidade e do costume de vida dos indivíduos.O recorte estudado envolve desde definições preliminares para abordagem dos temas a fim de se ter um referencial para estudo e expõe um ponderamento de filmes e produções de moda que envolve a união desses dois setores – moda e cinema- como geradores de produtos e consumo. Também será abordada a influência exercida por ambos no processo de identificação do individuo e por fim o consumo gerado por essa parceria no setor de moda.



Palavras-chave: Moda. Cinema. Sociedade. Identidade. Consumo.
ABSTRACT

The present work suggests presumed relationship between fashion and cinema in society and cultural issues arising from both, as well as identifying the impact they play in identity formation and custom of life of individuals. The study involves clipping from preliminary definitions for discussion of issues in order to have a reference for study and exposes a Weighting film and fashion productions involving the union of these two sectors - fashion and movie - as generators of products and consumption. And it also addressed the influence exerted by both the identification of the individual process and finally consumption generated by this partnership in the fashion industry.


Keywords: Fashion. Film. Society. Identity. Consumption.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01:

Audrey Hepburn – Filme Bonequinha de Luxo .................................

26

Figura 02:

Rita Hayworth – Filme Gilda ..............................................................

27

Figura 03:

Marilyn Monroe – Filme O Pecado mora ao lado ..............................

27

Figura 04:

Marlon Brando – Filme Um bonde chamado desejo .........................

28

Figura 05:

James Dean – Filme Juventude Transviada .....................................

29

Figura 06:

Olivia Newton John e Fergie .............................................................

29

Figura 07:

Cartaz do filme Alice no País das Maravilhas....................................

33

Figura 08:

Produtos inspirados no filme Alice no País das Maravilhas, diversas marcas ................................................................................

34


Figura 09:

Perfume: Naughty Alice – Vivienne Westwood ..………………….....

34

Figura 10:

Campanha conto de fadas Christian Louboutin – Alice nos País das Maravilhas .........................................................................................

35


Figura 11:

Jóias da marca Swarovski inspiradas no filme Alice no País das Maravilhas .........................................................................................

35


Figura 12:

Desfile Versace e Cartaz de divulgação filme Alice no País das Maravilhas.....

36

Figura 13:

Desfile Verão Versace, Verão 2010 ..................................................

36

Figura 14:

Desfile Ralph Lauren e figurino do filme Minha Bela Dama ..............

37

Figura 15:

Desfile da Ralph Lauren – Comemoração 40 anos da griffe ............

37

Figura 16:

Desfile Rodart e Cartaz de divulgação do filme Cinzas no Paraíso ..

38

Figura 17:

Desfile Rodart, Outono/Inverno 2012 ................................................

38

Figura 18:

Cartaz do filme Cisne Negro .............................................................

39

Figura 19:

Desfile da Chanel -Verão 2011/12 ....................................................

39

Figura 20:

Desfile Chloé Semana de Moda Paris / 7 Março 2011 .....................

40

Figura 21:

Desfile Maria Bonita Extra Fashion Rio .............................................

40

Figura 22:

Desfile Reinaldo Lourenço e cena do filme Gata em teto de zinco quente ................................................................................................

41


Figura 23:

Desfile Reinaldo Lourenço Verão 2012 .............................................

41

Figura 24:

Cenas do FilmeThey Shoot Horses, Don't They? …..........................

42

Figura 25:

Cena da corrida do filme They Shoot Horses, Don'tThey? ...............

42

Figura 26:

Desfile Primavera/Verão 2004 – Alexander Mcquen ........................

43

Figura 27:

Desfile Primavera/Verão 2004 – Alexander Mcquen ........................

43

Figura 28:

Cartaz do filme Maria Antonieta ........................................................

44

Figura 29:

Comparação entre filme e inspiração das ruas .................................

44

Figura 30:

Drew Barrymore/Harley Quinn ………………………..........................

45

SUMÁRIO



1

INTRODUÇÃO .............................................................................................

10

2

MODA, IDENTIDADE E CONSUMO: COMPREENSÃO E ABORDAGEM DA TEMÁTICA ............................................................................................

13


3

CINEMA.........................................................................................................

18

3.1

BREVE HISTÓRICO .....................................................................................

19

3.2

AS “ESTRELAS” DO CIMENA: MODELO DE VALORES E PADRÃO DE ESTÉTICA ....................................................................................................

20


3.3

A MODA NO CINEMA ..................................................................................

21

3.4

OS FIGURINOS ÍCONES .............................................................................

23

3.5

DESIGNERS DE MODA QUE CRIARAM FIGURINOS PARA FILMES .......

27

4

TENDÊNCIAS DE MODA LANÇADA PELO CINEMA ................................

30

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................

45

REFERÊNCIAS .....................................................................................................

46


1 INTRODUÇÃO
A moda é cada vez mais competitiva, é um segmento do mercado onde a concorrência é acirrada, sempre é necessário inovações. As marcas precisam estar constantemente em busca das novidades que as coloquem sempre à frente da concorrência e acompanhando as tendências e as necessidades de consumo do setor.

O cinema é um meio de disseminação e atinge uma grande massa da sociedade, ele se mostra mais presente no cotidiano dos indivíduos. Desde os primeiros longas-metragens, percebe-se uma grande influência de atrizes e atores – ou estrelas – sobre o público. Com a massificação do cinema e sua maior visibilidade e acessibilidade (DVD, BlueRay, entre outros), os criadores de moda perceberam que este era um forte aliado ao consumo.

Impulsionado pela mudança, a moda está sempre em busca da novidade e da descartabilidade. O novo é sempre necessário. Os criadores de moda perceberam que o cinema chamava _e chama _ a atenção do público de certa forma, que por sua vez, passam a desejar roupas e objetos do universo das tramas. Dessa maneira, podemos levantar algumas questões que são pertinentes tais como: Qual a intervenção exercida pelo cinema sobre a sociedade em relação ao âmbito do consumo de produtos de moda e qual a relevância deste para o processo de identidade de indivíduos?

O estudo propõe presumíveis relações existentes entre a moda e o cinema na sociedade e os aspectos culturais daí decorrentes, assim como a identificação do impacto que ambos desempenham na formação dos costumes e estilos de vida desta sociedade.

Deste modo, o objetivo principal do trabalho é refletir acerca da influência que o cinema passa para a moda e a moda passa para ele, e também a aliança formada por ambos, e por fim demonstrar como os dois – moda e cinema - formam perfeitos aliados como produtos de consumo e como formadores de identidades de grandes grupos da sociedade.

A moda é sem dúvida um dos acontecimentos sociais e culturais que influencia e movimenta um significante grupo de pessoas. Hoje, a sociedade se emoldura nos trâmites da pós-modernidade e convida as pessoas a viverem a experiência da individualização, do ser diferente. Dessa forma, a busca pela identidade, a descoberta e a apresentação de si estão emaranhadas à moda em um jogo de construção imagética. Com o grande consumismo característico do século XXI e o fácil acesso às mídias audiovisuais que, com seus recursos manipulam facilmente a massa populacional e têm uma grande força de influenciar a mente dos consumidores; pois a mídia exerce um poder ideológico extremamente grande - o simples fato de mostrar uma pessoa de boa aparência já é o suficiente para fazer com que uma pessoa adquira um produto - pois o consumo é de certa forma inevitável.

A aparência é o anseio de mostrar-se parecido a um modelo desejável, um simples parecer, é, sobretudo, de manifestar-se diante do outro. A imagem que o individuo tem de si mesmo é motivadora do consumo. O comportamento de consumo pode ser apontado pelo envolvimento do individuo em torno da adoção de produtos como símbolos capazes de expressar autoconceitos, ou seja, o simples fato de usar algo que outras pessoas estão usando faz com que se sinta melhor ou se pareça melhor diante da sociedade e consigo mesmo.

A mídia como um todo, em especial o cinema, exerce uma influência decisiva, no poder de consumo já que o seu universo é repleto de significações, na maioria das vezes trabalhada para vender algo a alguém, mesmo que indiretamente tendo assim uma significante interferência na vida das pessoas com a finalidade de satisfazer suas necessidades e desejos.

A pesquisa a ser apresentada, quanto aos objetivos a que se propõe, será do tipo descritivo sobre a interferência cinematográfica sobre a sociedade.

Será também, quanto aos procedimentos, do tipo bibliográfico a fim de possibilitar a consulta e analise da pesquisa. Para definirmos alguns conceitos sobre o tema abordado usaremos como referência autores como: Daniela Calanca; Gilles Lipovestsky; Edgar Morin; Georg Simmel; entre outros autores. E, além disso, serão consultadas bibliografias virtuais.

No decorrer do projeto serão expostos conceitos para definições preliminares para uma breve abordagem sobre o tema, os mecanismos que os envolvem desde o seu surgimento e um pouco dos seus históricos. Serão abordadas as estrelas como difusoras da moda e o marketing feito em torno delas, a relação entre moda e cinema e a relevância entre ambos para sociedade. Também serão pontuados os figurinos que marcaram o cinema durante uma geração e que até os tempos de hoje são sinônimos de marco no âmbito da moda, e também os designs de moda que criaram figurinos para diversos filmes e o consumo gerado por esta relação.

Será também apresentado como a relação moda e cinema renderam diversos produtos e produções de desfiles no âmbito da moda. Serão ponderados alguns filmes que tiveram uma grande influência sobre parte da sociedade; e que de alguma forma fizeram despertar um desejo da sociedade em se possuir os produtos que eram expostos nos longas, fazendo assim com que os criadores de moda vissem um mercado favorável para criação é venda de produtos inspirados nessas mídias uma vez que essa parceria sempre foi de grande valia.



2 MODA, IDENTIDADE E CONSUMO: COMPREENSÃO E ABORDAGEM DA TEMÁTICA
As roupas sempre tiveram uma função, elas acompanham o ser humano desde os tempos primórdios. Tendo seu reconhecimento como moda a partir do século XV, onde se começou a “disputa” pela individualização no modo de se apresentar.
Inicialmente na história do vestuário não se falava em moda, pois vestir-se envolvia uma posição inicial estabelecida pela civilização, em que a indumentária era utilizada por pudor, para proteger ou adornar corpos. Mesmo assim, já apresentava alguns códigos e símbolos que conferiam status e identificavam costumes pertencentes à determinada cultura. (VIANA E MUNIZ, 2012, p.169).

A palavra Moda incide do latim modus, cujo significado é modo. Moda, segundo PALOMINO (2002), “é muito mais do que roupa, é um sistema que integra o simples uso das roupas do dia-a-dia a um contexto maior, político, social, sociológico.”

De acordo com o dicionário Aurélio:
Moda – Sf. 1.Uso, habito ou estilo geralmente aceito, variável no tempo e resultante de determinado gosto, meio social, região, etc. 2. Uso passageiro que regula a forma de vestir etc. 3. Arte e técnica do vestuário. 4. Maneira, modo. 5. Bras. Modinha (FERREIRA, 2001, p 466).
Da moda diz SIMMEL :
Ela é imitação de um modelo dado e satisfaz assim a necessidade de apoio social, conduz o indivíduo ao trilho que todos percorrem, fornece um universal, que faz do comportamento de cada indivíduo um simples exemplo. E satisfaz igualmente a necessidade de distinção, a tendência para a diferenciação, para mudar e se separar. E este último aspecto consegue-o, por um lado, pela mudança dos conteúdos, que marca individualmente a moda de hoje em face da de ontem e da de amanhã, consegue-o ainda de modo mais enérgico, já que as modas são sempre modas de classe, porque as modas da classe superior se distinguem das da inferior e são abandonadas no instante em que esta última delas se começa a apropriar. Por isso, a moda nada mais é do que uma forma particular entre muitas formas de vida, graças à qual a tendência para a igualização social se une à tendência para a diferença e a diversidade individuais num agir unitário. (SIMMEL, 2008, p.13).

A moda é maneira como nos posicionamos e passamos nossas informações para outros grupos.


[...] moda e vestuário constituem sistemas de significados nos quais se

constrói e se comunica uma ordem social. Podem operar de diversas

maneiras, mas se assemelham no fato de serem umas das maneiras pelas

quais aquela ordem social é vivenciada, compreendida e passada adiante.

Podem ser considerados como um dos meios pelos quais os grupos sociais comunicam sua identidade como grupos sociais a outros grupos sociais. São formas pelas quais esses grupos comunicam suas posições em relação àqueles grupos sociais. (BERNARD, 2003, p. 109).

Segundo o dicionário Aurélio identidade é: “S.f.1. Qualidade de idêntico. 2. Os caracteres próprios e exclusivos duma pessoa: nome, idade, estado, profissão, sexo, etc.” (FERREIRA,2001,p.371).

Para SOLOMON (2002) “identidade pode ser entendida como a relação entre múltiplos eus, sendo o ‘eu ideal’ a concepção da pessoa sobre como ela gostaria de ser, e o “eu real” a avaliação realista das qualidades possuídas ou não.”

CASTELLS (1999) define como: “Processo de construção de significados com base em um atributo cultural, ou ainda um conjunto de atributos culturais inter-relacionados o(s) qual(is) prevalece(m) sobre outras fontes de significados.”

A moda revela a maneira como as pessoas se comportam e o modo como elas se apresentam na sociedade, podendo definir sua inclusão ou exclusão no contexto social. Ela tem uma característica natural de classificar, de selecionar e de diferenciar pessoas.

Com a finalidade de se diferenciar e se distinguir diante de um todo, temos a necessidade de importar signos e repassá-los para sociedade e o fazemos na forma como nos vestimos.


Todos nós manifestamos uma visão de mundo e, na maior parte do tempo não nos damos conta dos signos que vamos emitindo. A roupa que já nos socorreu em meio a intempéries, já nos cobriu as „vergonhas‟, descolou dessa funcionalidade básica e complexificou seu discurso: ela nos exibe como, de fato, nos constituímos ou de como desejaríamos nos constituir. (PRECIOSA, 2005, p. 29/30).
Segundo FAUSTO e ROSANE (2012) “a moda como linguagem da idéia de que o corpo fala através da roupa, dá um depoimento pessoal, em que são apresentados seus desejos, anseios e até mesmo frustrações.”

Diante desses ponderamentos verificamos a importância da moda para o processo de aceitação do individuo na sociedade e a forma como o mesmo se apresenta aos grupos sociais o qual eles pertencem ou querem pertencer e os significados que eles transmitem entre si. Embora esses significados podem ser ou não verdadeiros, uma vez que o modo como nos vestimos não revela de fato quem somos de verdade, e sim, nos fornece uma primeira impressão.


Embora as roupas não forneçam mais indicações tão claras da identidade de quem as usa, ainda tiramos conclusões sobre os outros com base nelas. Se vemos uma pessoa com traje completamente sadomasoquista, supomos que ela tem preferências sexuais que se situam nesta área. E se vemos um homem que parece ter saído de uma gravura de Tom of Finland, vamos supor que ele é gay. Se vemos um líder político de uniforme militar, deduziríamos que dirige um grupo ou Estado extremamente militarizado. Estas são roupas com altos valores simbólicos, mas o quando fica ainda mais complexo porque a moda de massa absorveu elementos do vestuário fetichista e gay, e essas roupas passaram a ser usadas por pessoas cuja identidade não corresponde de maneira alguma à origem delas. (SVENDSEN apud VIANA E MUNIZ, 2012, p.171).
Diante disto fica claro que definir pessoas somente pela sua roupa torna-se cada vez mais complexo. Pois podemos importar signos vindos de diversas outras culturas e assim expressarmos esta cultura, mesmo sem sermos pertencedores dela. Para se sentirem inseridos na sociedade, grande parte dos indivíduos busca artimanhas a fim de se enquadrar e ser aceito nos grupos sociais.
Os sujeitos desempenham papéis em busca de aceitação dentro de um determinado grupo e, paradoxalmente, individualização em relação uns aos outros, aderindo ao consumo de produtos simbólicos e de moda para autoafirmar-se. (VIANA E MUNIZ, 2012, p.171).
Com a “busca” pela identidade ideal, é gerado um forte consumismo, que movimenta todos os setores da economia. Essa busca incessante que nos faz sermos impulsionados pelo consumo, pois somos seres voláteis com nossas idéias de vida e passamos por fases que, de acordo com elas, nos fazem querer se inserir em determinados grupos até que nos encontramos com nossa forma ideal e aceitável que queremos nos apresentar diante da sociedade.

A decisão de comprar determinado bem ou serviço e filtrada pelo estilo de vida de cada individuo de acordo com sua identidade para sua expressão individual ou dentro de um determinado grupo a qual ele pertence.

O consumo traz anseios na vida dos indivíduos, motivações para o seu crescimento, conquistar novas posições na sociedade, ele é o estímulo para o trabalho. O consumo é considerado a “mola propulsora” para o avanço, progresso cultural e melhoria de qualidade de vida da sociedade. Para além das questões básicas de sobrevivência, consumimos para nós reforçamos como cidadãos perante a sociedade, para reafirmar nossa identidade como indivíduos, conquistar status e estabelecer possíveis relações com outros grupos ou pessoas.

Pode ser entendido como consumo segundo o dicionário Aurélio:


Comsumo – Sm.1.Ato ou efeito de consumir, gastar. 2. Uso de mercadorias e serviços para satisfação de necessidades e desejos humanos. 3.Eng. Eléter. Energia consumida durante um intervalo de tempo.(FERREIRA, 2001, p 179).
Tendo como foco principal o consumo para atender a satisfação das necessidades dos indivíduos existentes na sociedade capitalista que na visão de Jacob Gorender é entendida e se apresenta da seguinte forma: 
A sociedade capitalista se apresenta como sociedade do espetáculo, tal qual definiu Debord. Importa mais do que tudo a imagem, a aparência, a exibição. A ostentação do consumo vale mais que o próprio consumo. O reino do capital fictício atinge o máximo de amplitude ao exigir que a vida se torne ficção de vida. A alienação do ser toma o lugar do próprio ser. A aparência se impõe por cima da existência. Parecer é mais importante do que ser. (GORENDER, 1999,p.125). 
O consumo está presente na relação estabelecida entre a aparência e a realidade podendo ser resumida como materialismo, consumimos para nos apresentar na sociedade mesmo sem a necessidade do que está sendo consumido, o consumo esta inserido ao lúdico, temos um estímulo de consumir como enfatiza Paul Poiret:
Eu sei que vocês me consideram um rei da Moda. É assim que me nomeiam os jornais e é como tal que sou recebido em todos os lugares, rodeado de honrarias e festa por um grande número de pessoas [...] É preciso, entretanto, que eu os esclareça sobre a qualidade do rei da Moda. Nós não somos estes déspotas caprichosos que ao levantar pela manhã decidem promover uma mudança nos hábitos, de suprimir as golas ou de introduzir mangas bufantes. Nós não somos árbitros nem ditadores. Convém muito mais ver em nós os servidores cegos da mulher que é sempre prisioneira de mudança e de novidade. Nosso papel e nosso dever consistem, então, em adivinhar o momento em que ela estará cansada do que ela porta, para lhe propor qualquer coisa outra que estará de acordo com seus desejos e necessidades. Munido com um par de antenas, e não de um chicote, apresento-me diante de vocês e não é como um mestre que vos falo, mas sim como escravo, desejo adivinhar seus pensamentos secretos. (POIRET apud CIDREIRA, 2005, p. 72).




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