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Taninos


São substâncias químicas complexas, polifenólicas ligadas a outros compostos aromáticos, que se distribuem em todas as partes da planta para protegê-la contra herbívoros, inibir a germinação de sementes e a ação de bactérias fixadoras de nitrogênio, etc. Sua presença nas plantas é facilmente percebida pela adstringência ao mastigar uma parte que o contém, como, por exemplo, uma goiaba verde. Estão mais concentrados nas raízes e cascas e em menor quantidade nas folhas e nos frutos.

Têm a propriedade de precipitar proteínas, sendo responsável pelo curtimento de couros e peles. Em grandes doses, podem irritar as mucosas. Em doses pequenas, podem torná-las impermeáveis, pois precipitam pequenas quantidades de proteínas, o que pode prevenir a penetração de agentes nocivos em mucosas danificadas, facilitando, por exemplo, a cicatrização em queimaduras, o que também explica a propriedade antidiarréica. Assim, os taninos contribuem para formar uma camada protetora sobre a pele e as mucosas. Provocam a contração de vasos capilares, estancando as hemorragias. Os taninos podem reagir com o ar e se tornarem inativos, podendo também ser destruídos por fervura prolongada da água.

Têm ação anti-séptica, anti-hemorrágico, cicatrizante e antidiarréico. Para a ação anti-séptica dos taninos há três hipóteses; os taninos inibem as enzimas de bactérias e/ou reagem com os substratos destas enzimas; os taninos agem sobre as membranas dos microorganismos, modificando o seu metabolismo; eles reagem com os íons metálicos diminuindo a sua disponibilidade para o metabolismo destes microorganismos.

MANUSEIO DAS PLANTAS MEDICINAIS: NOCÕES BÁSICAS DE CULTIVO, COLETA, SECAGEM E ARMAZENAMENTO.

O cultivo

O correto cultivo das plantas medicinais tem importância fundamental para melhorar a produção e a qualidade da matéria-prima vegetal garantindo a sua qualidade fitoquímica e farmacológica.

No nordeste brasileiro, encontramos uma grande diversidade de ecossistemas ricos em plantas medicinais, mas eles estão bastante devastados, sendo que muitas espécies, como o Ipê roxo (Tabebuia avellanedae), estão ameaçadas de extinção. Por outro lado, a coleta extrativista, além de levar as espécies medicinais à sua extinção, não garante a homogeneidade fitoquímica do material colhido, comparando-se com as plantas cultivadas dentro de condições agrícolas adequadas.

Antes de cultivarmos qualquer espécie medicinal, devemos ter certeza da sua identificação, para não cometermos engano e cultivarmos a planta errada. Para isto, devemos procurar pessoas que tenham conhecimento sobre o assunto.

O cultivo de plantas medicinais necessita de vários cuidados para se garantir a qualidade da matéria prima.O local de cultivo deve ser próximo a uma fonte de água como: córrego, poço, torneira. Deve estar protegido de ventos fortes, receber a luz do sol durante todo o dia, dependendo da espécie a ser cultivada, e se localizar longe de locais contaminados como fossa, criação de animais, lixo, curso de água contaminada, beiras de estradas, etc.

Escolhido o local, é necessário que se faça a limpeza do terreno, retirando todo o mato, pedras, tocos e vidros. Os canteiros devem ser adubados com compostos orgânicos, tais como plantas, folhas, papéis, estercos e outros, bem decompostos, que pode ser preparado em área adjacente. O esterco (de boi, galinha, porco), deve está bem curtido. O estrume ainda fresco acaba se decompondo no solo e com isso rouba nitrogênio, que deveria alimentar somente as plantas. O estrume fresco aumenta a temperatura do solo, podendo sufocar as raízes das mudas. Além disto, substâncias contidas na urina dos animais enfraquecem as plantas, deixando-as amareladas.

O terreno do canteiro deve ser revolvido (revirado), usando uma enxada, ou um instrumento equivalente, numa profundidade de 30 centímetros. O tamanho aconselhável do canteiro é de 1 metro de largura, 20 a 30 centímetros de altura e comprimento em torno de 5 metros. Estas medidas podem ser alteradas em função do tamanho do terreno, do tipo e da quantidade de plantas a cultivar.

A largura de 1 metro facilita o trabalho, pois de qualquer um dos dois lados alcança-se, com as mãos, as mudas localizadas mais ao centro. O comprimento de 5 metros torna mais fácil o trabalho em toda a volta do canteiro. A altura (de 20 a 30 centímetros) evita o alagamento e as medidas redondas facilitam o cálculo da quantidade de adubo e sementes a colocar por metro quadrado. O espaçamento entre os canteiros deve ser de 30 a 40 centímetros, para facilitar a locomoção entre eles. A superfície do canteiro deve ser nivelada.

Quando possível, deve-se fazer a análise do solo e sua correção, quando necessário.

É importante dispor o canteiro, em seu comprimento, no sentido norte-sul. Assim, o canteiro receberá igual quantidade de insolação em toda a sua área. As bordas do canteiro devem ficar em declive para que a água escorra facilmente. Assim, o canteiro nunca fica encharcado, o que prejudicaria a produção. O excesso de umidade leva ao apodrecimento das raízes e ao aparecimento de fungos, que adoram ambientes úmidos e quentes.

Os sulcos são pequenas valas, que deverão ser feitas no sentido comprido do canteiro. Os espaçamentos entre os sulcos e a sua profundidade deverão estar de acordo com o indicado para cada planta medicinal.

Além dos canteiros, que são mais usados para se cultivar plantas pequenas, podem-se usar as covas, quando se tratar de plantas de maior porte. Estas devem ser preparadas com antecedência mínima de 18 dias antes do plantio e seu espaçamento será de acordo com a planta medicinal a ser plantada. Elas devem ter 30 x 30 cm de boca e 30 cm de profundidade, em média.

Deve-se abrir a cova tendo-se o cuidado de separar a terra de cima, que é mais ou menos a metade da profundidade da cova, da terra de baixo. A terra de cima, que é fértil, pode ser misturada ao adubo orgânico e recolocada na cova, deixando-a num nível inferior ao do solo, enquanto a terra de baixo deve ser colocada ao redor, de forma circular para se evitar a inundação.

A terra do canteiro, das covas ou das sementeiras não pode ser muito argilosa. O solo excessivamente argiloso, muito grudado, retém umidade demais em razão da dificuldade da água em ultrapassar os poros da terra. O excesso de umidade não só favorece o aparecimento de doenças, como também pode asfixiar as raízes das mudas.

O solo argiloso demais pode rachar durante uma seca e romper as raízes. Para torná-lo menos argiloso, deve-se acrescentar areia até o ponto certo, até ficar areno-argiloso. Com isso, haverá melhor aproveitamento da água de irrigação, que se infiltra com maior facilidade. Prestar atenção também para que a terra fique bem fininha, sem torrões.

O solo arenoso demais (muito solto, esfarelando) também é prejudicial. A água escoa com muita facilidade, sem que as raízes das mudas tenham tempo de absorvê-las. Isso deixa a planta com sede, alterando a assimilação de nutrientes, pois a água é o agente que os dissolve, tornando-os assimiláveis pelas raízes.

Nem todas as plantas podem ser plantadas diretamente nos canteiros. Neste caso, usamos as sementeiras que são locais onde se formam as mudinhas que depois serão transplantadas para o lugar definitivo. Pode-se adotar como sementeira: caixotes de madeira, bacias furadas, saquinhos plásticos, canteiros pequenos, ou fazê-las em alvenaria. Os caixotes devem ter alguns furos no fundo para escoar a água.

A terra da sementeira deve ser solta, limpa, bem adubada e mantida constantemente úmida porque vai servir de leito para a germinação das sementes.

Fazer a semeadura, no mínimo, uma semana após o preparo do leito da sementeira. A semeadura pode ser a lanço ou em linha.

A lanço, espalha-se a semente sobre a sementeira, com cuidado para que a distribuição seja uniforme. Em linha, os sulcos devem ter 01 cm de profundidade (aproximadamente 01 dedo), distantes 10 cm (aproximadamente meio palmo) um do outro. Feita a semeadura, as sementes devem ser cobertas, peneirando uma camada fina de terra (do próprio leito) sobre as sementes. Deve-se cobrir a sementeira com capim ou palha. Molhar com regador, pela manhã e à tardinha.

Logo que as sementes germinarem, retira-se a palha ou o capim e constrói-se um jirau com 02 palmos de altura que deve ser coberto com capim, palha ou folha para evitar que a ação direta do sol queime as mudinhas. Aos poucos, retirar a cobertura do jirau, quando as folhas começarem a nascer, para acostumá-las ao sol. Após alguns dias, a cobertura poderá ser retirada.

Quando as mudas tiverem no mínimo 05 folhas ou 20 centímetros de altura, elas deverão ser transplantadas para o local definitivo, os canteiros ou as covas. No lugar definitivo, as plantas devem se regadas com uma quantidade de água adequada. Pouca água dificulta o crescimento das plantas e a dissolução dos nutrientes do solo. Muita água acarreta o carregamento destes nutrientes, o apodrecimento das raízes e a proliferação de organismos nocivos às plantas.

A rega deve ser feita preferentemente pela manhã e à tardinha. Para poupar água, principalmente onde esta é escassa, pode-se utilizar a irrigação por gotejamento, usando-se garrafas plásticas com um pequeno furo na tampa, colocando-se a garrafa em posição invertida.

A limpeza do terreno deve ser constante e se for feita com enxada, ou instrumento similar, deve-se ter cuidado para não estragar as raízes. É importante se retirar das plantas folhas e galhos secos ou doentes, com um objeto com gume afiado, como facas ou tesouras.

O mato retirado na limpeza no terreno, após bem seco, deve ser colocado em torno do tronco da planta para conservar a umidade da terra, fornecer nutrientes à planta e para proporcionar o desenvolvimento da micro-fauna, que decompõe o material orgânico e faz buracos na terra, melhorando a sua aeração.

Para a produção adequada de princípios ativos, dever haver uma variedade de plantas num mesmo canteiro, forçando a competição biológica.

O controle de pragas pode ser feito pelo correto manejo do cultivo, pelo plantio dentro do canteiro e em torno dele de plantas que afugentam os insetos, normalmente plantas com odores fortes, como o Capim Santo (Cibopogum citratus), o Alecrim Pimenta (Lipia sidoides), a Arruda (Ruta graveolens), e pela utilização de defensivos feitos com plantas como o fumo.
A coleta

Na coleta, precisamos prestar atenção a diversos fatores que interferem na maior ou menor quantidade de princípios ativos, como o estágio de desenvolvimento da planta, o órgão da planta, a época do ano e a hora do dia.

Quanto às partes da planta, as recomendações gerais para sua coleta são as seguintes: cascas e entrecascas devem ser colhidas quando a planta já tiver botado flores. As flores, quando do início da floração. Frutos e sementes devem ser colhidos maduros. Quanto às raízes, elas devem ser colhidas quando a planta estiver adulta e os talos e as folhas, antes da planta botar as flores. Contudo, o ideal seria que cada planta tivesse estudos conclusivos sobre a melhor época de coleta.

Para que se obter matéria-prima de boa qualidade, alguns cuidados devem ser observados.



Quanto à sanidade da planta e sua qualidade fitoquímica: não colher plantas velhas ou doentes, comidas por insetos ou com ovos destes. Não coletar plantas em lugares contaminados. Colher a planta bem madura e bem viva. Em se tratando da coleta de partes específicas, saber a idade e a época adequadas para a sua coleta.

Quanto ao momento adequado: não colher as plantas em dias de chuva, úmidas de orvalho ou sob o sol forte. Coletar preferentemente de manhã, cedo ou à tardinha.

Quanto à preservação das espécies: não retirar todas as folhas de um galho. No caso de cascas, recomenda-se retirar pequenos pedaços apenas de um dos lados da planta de cada vez. Se retirar grandes pedaços, circundando o tronco, poderá provocar a morte da planta. Quando a coleta de plantas ocorrer em local público ou de forma extrativista, deixar sempre algumas plantas de cada espécie, para que possam crescer e multiplicar.

Quanto à acomodação das plantas coletadas: para a coleta, usar cestos ou caixas de papelão, tomando o cuidado para não amontoar as plantas ou amassá-las e levar as plantas coletadas o mais rápido possível para a secagem, sem deixar que “esquentem ou escureçam”.
A secagem

Em sua maioria, as plantas medicinais são comercializadas na forma dessecada, tornando o processo de secagem fundamental para a qualidade da matéria prima vegetal.

A secagem é importante para impedir que o material se estrague, pois a redução do teor de água dificulta a ação das enzimas que inativam os princípios ativos e a proliferação dos microorganismos.

A secagem, em virtude da evaporação da água contida nas células e nos tecidos das plantas, reduz o peso do material. Por essa razão, ela promove aumento percentual de princípios ativos em relação ao peso do material. Quando uma planta é seca, suas folhas perdem de 20 a 75% de seu peso. As cascas perdem de 45 a 65%. As raízes perdem de 25 a 80% e as flores, em geral, perdem entre 15 a 80 %.

A secagem pode ser conduzida em condições ambientais (secagem natural) ou com o uso de estufa ou secadores, etc. (secagem artificial).

A secagem natural é um processo lento. Este processo, de uso doméstico, é recomendado para regiões que apresentam condições climáticas favoráveis, como: boa ventilação, baixa umidade relativa do ar e altas temperaturas.

Cuidados importantes na secagem natural:

Quanto ao momento de iniciá-la: a secagem deve ser iniciada imediatamente após a coleta, pois quando as plantas são coletadas sua enzimas entram em ação e modificam as moléculas dos princípios ativos, podendo torná-las inativas. Daí a necessidade da estabilização dos princípios ativos

Quanto à limpeza das partes da planta: as raízes, as cascas e as folhas devem ser lavadas. Porém se nelas houver óleos essenciais, a lavagem deve ser leve. O ideal é lavar a planta um ou dois dias antes de coletá-la. As flores não devem ser lavadas.

Quanto ao local de secagem: este deve ser limpo, sem contaminação de poeira, insetos e animais, com boa ventilação.

Quanto à exposição ao sol: em geral, as plantas devem ser secas à sombra. No caso das cascas e raízes que foram lavadas e que absorveram água, elas podem ficar um pouco ao sol.

Quanto ao manuseio durante a secagem: as plantas devem ser secas separadamente e identificadas; em vasilhames que permitam uma boa aeração; cortadas em pequenos pedaços; dispostas em camadas finas, que devem ser revolvidas freqüentemente para acelerar a secagem.

Em pequenas oficinas de produção de fitoterápicos, a secagem natural é feita em uma sala específica, onde as diversas partes das plantas são colocadas em bandejas de telas de arame colocadas em gaiolas de telas com furos menores para se evitar que os insetos pousem na planta. Sobre as bandejas, coloca-se luz incandescente para aumentar a temperatura e diminuir a umidade.

A secagem artificial pode ser feita por diversos métodos. Falaremos aqui apenas da secagem pelo ar quente. A secagem pelo ar quente é o processo mais corretamente utilizado para a secagem de corpos sólidos, desde que estes sejam resistentes ao calor.

Os aparelhos geralmente utilizados são as estufas de circulação de ar. A temperatura utilizada varia de 35 – 45ºC. Temperaturas acima de 45ºC danificam os órgãos vegetais e seu conteúdo, pois proporcionam cozimento das plantas e não uma secagem, apesar de inativarem maior quantidades de enzimas.

O tempo de secagem, natural ou artificial, varia de acordo com cada planta e com a parte da planta, pela maior ou menor quantidade de água no seu interior.


O armazenamento

O armazenamento ou guarda das plantas medicinais deve ser feito corretamente. Do contrário, elas podem se estragar ou alterar os seus princípios ativos. A planta só deve ser guardada após estar bem seca para que não proliferem os fungos (mofos) e outros microorganismos.

Neste momento, é necessário verificar todo o material a ser guardado, descartando-se o que estiver estragado ou que não parecer está em boas condições. Para serem guardadas, as plantas devem ser reduzidas a pedaços menores para melhor acomodação no vasilhame, que deve está bem limpo. As plantas devem ser guardadas, preferentemente, em vidros e em lugares frescos e ventilados, sem receber a luz do sol diretamente.

Não se deve guardar mais de uma planta em um só vasilhame, mesmo por curtos períodos de tempo. No vasilhame em que se guarda a planta deve-se escrever o nome da planta, a parte da planta e a data do armazenamento.

O tempo de validade da planta depende da boa coleta, e da adequada secagem e armazenamento, variando de seis meses a um ano. Porém, havendo possibilidade, deve-se sempre renovar o estoque de plantas.

PLANTAS MEDICINAIS COM PROPRIEDADES ANTIMICROBIANAS




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