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Glicosídeos Cianogenéticos



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Glicosídeos Cianogenéticos


Por hidrólise, liberam ácido cianídrico ou prússico. O ácido cianídrico liberado no estômago pela ação do suco gástrico bloqueia a citocromooxidase, produzindo a morte por anóxia. Exemplo deste glicosídeo é a linimarina presente na parte mais externa da mandioca (Manihot esculenta Grantz). Daí a necessidade de se retirar as cascas da raiz, antes de usá-la. As raízes da mandioca são moídas na presença de calor, antes de serem ingeridas, pela facilidade com que o ácido cianídrico é inativado, quando submetido ao calor.

As raízes também podem ser escaldadas e a água resultante da primeira fervura deve ser jogada fora. A maioria dos mamíferos tem sistemas enzimáticos que inativam o ácido cianídrico, o que faz com que seja necessário uma grande ingestão para haver a intoxicação.




Mucilagens


Quimicamente as mucilagens são complexos polímeros de polissacarídeos ácidos ou neutros, com elevado peso molecular. Todas as plantas as produzem e são metabolizadas para o crescimento e a reprodução ou armazenadas como reservas nutritivas.

Estes carboidratos têm, ainda, as seguintes funções na planta: retenção de água no parênquima de plantas suculentas; lubrificação para o crescimento dos ápices radiculares; adesão para dispersar alguns tipos de sementes e captura de insetos por plantas carnívoros, regulação do processo germinativo de sementes e, possivelmente, proteção contra herbívoros.

As mucilagens podem ser encontradas em sementes, caules, folhas e raízes. A secreção de mucilagem pode ocorrer em diversas estruturas das células. As mucilagens têm a propriedade de, em solução aquosa, produzir massa plástica ou viscosa, responsável pelo efeito laxativo, pois a água é retida no intestino, evitando o endurecimento do seu conteúdo. Age também como lubrificante e, ao mesmo tempo, aumenta o volume no interior do intestino, estimulando seus movimentos peristálticos.

Todas as mucilagens atuam sobre as mucosas. As mucilagens formam um filme viscoso que cobre as paredes dos órgãos do canal alimentar, contribuindo para reduzir a irritação por ácidos e sais sobre áreas inflamadas ou doentes, propriedade essa com importante função nos casos de diarréias, especialmente aquelas causadas por certas bactérias ou substâncias irritantes.

Também são muito eficientes nos casos de tosses ocasionadas pela irritação das mucosas do aparelho respiratório, contribuindo ainda para aumentar a secreção de muco. Exemplo desta atividade se encontra na hortelã da folha grossa (Plectrantus amboinicus Lour.). Plantas ricas em mucilagens são muito utilizadas em compressas quentes, em razão da sua capacidade de reter calor e da grande quantidade de água, o que permite a penetração gradativa do calor nos tecidos. São também vulnerárias e hemostáticas, daí a utilização em ferimentos na pele e nas úlceras gástricas.

Em pequenas doses, as mucilagens reduzem os movimentos peristálticos e têm ação antidiarréica, em doses maiores ocorre o inverso. Quando submetidas à fervura prolongada, as mucilagens são degradadas em açúcares, reduzindo ou eliminando sua atividade terapêutica. Têm ação antitussígena e laxante, diminuem a acidez do estômago e produzem sensação de plenitude.



Óleos Essenciais


São substâncias orgânicas voláteis, muito conhecidas pelo cheiro que caracteriza certas plantas, como o mentol, nas hortelãs, o cheiro de eucalipto dado pelo eucaliptol, etc. o aroma das plantas que contêm óleos essenciais é fruto da combinação de suas diversas frações.

As resinas diferem dos óleos por conter substâncias tanto voláteis quanto não-voláteis, de alto peso molecular. As resinas resultam da oxidação e polimerização dos óleos essenciais e são escassamente hidrossolúveis.

Podem estar em um só órgão vegetal ou em toda a planta, onde atuam atraindo insetos polinizadores ou afastando insetos nocivos, regulando a transpiração e intervindo com hormônios na polinização. São produzidas por diversas estruturas celulares.

O grande número e a diversidade de substâncias incluídas neste grupo de princípios ativos é que determinam a ampla variedade de ações farmacológicas. As propriedades dos óleos são variadas: antivirótico, antiespasmódico, analgésico, bactericida, cicatrizante, expectorante, relaxante, vermífugo, etc. O mentol da hortelã (Mentha piperita) tem ação expectorante e anti-séptica; o timol e o carvacrol encontrados na hortelã da folha grossa (Plectrantus amboinicus Lour) e no alecrim-pimenta (Lippia sidoides) são anti-sépticos; o eugenol do cravo-da-índia (Eugenia coryophyllata Thamb) é um anestésico local e analgésico; e o ascaridol, presente na erva-de-santa maria (Chenopodium ambrosioides), é vermífugo.

Em alguns casos, os óleos essenciais podem até aumentar a produção de glóbulos brancos. Certos óleos essenciais atuam aumentando as secreções do aparelho digestivo, o que justifica a utilização como digestivos. Outros são expectorantes, por estimular a secreção dos brônquios, como o eucaliptol. Substâncias como eucaliptol e mentol, eliminadas pelas vias pulmonares e urinárias, são tidas como anti-sépticos dos respectivos aparelhos. Em geral, altas doses de óleos essenciais podem provocar nefrites e hematúrias.

São facilmente transportados pelo organismo, podendo atravessar a placenta, além de chegar ao leite materno. Recomenda-se que as plantas que os contém recebam especial atenção na colheita, secagem e, principalmente, na armazenagem, que deve ser feita em recipientes bem fechados, para evitar maiores perdas. Alguns óleos essenciais podem ser empregados no controle de doenças e pragas de plantas medicinais, dada a ação bactericida, bacteriostática, fungicida e inseticida de algumas substâncias.



Substâncias Amargas


Constituem um grupo de compostos sem semelhança química entre si, tendo em comum apenas o sabor amargo e a atividade terapêutica. Pertencem a diversos grupos químicos. De modo geral, os compostos amargos estimulam o funcionamento das glândulas, produzindo vários efeitos, como o aumento da secreção de sucos digestivos, aguçando o apetite (aperiente). A atividade do fígado pode ser especialmente estimulada, aumentando a produção e o fluxo da bílis (Plectrantus barbatus).

O efeito destes compostos é bem variável, pois, em alguns casos, se ingeridos antes das refeições, em pequenas quantidades, são fortes aperientes, mas se a dose aumenta ocorre redução do apetite, enquanto uma dose um pouco maior restabelece o apetite perdido. Alguns compostos apresentam ainda atividades diuréticas, antibióticas, antifúngicas e antitumorais. No algodoeiro (Gossypium hirsutum), há um princípio amargo com atividade contraceptiva masculina, pois reduz a quantidade de esperma. Alguns exemplos característicos destes compostos são: a absintina na losna (Artemísia absinthium), a cnicina no cardo-santo (Cnicus benedictus), a cinarina na alcachofra (Cynara scolymus).






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