Universidade federal da paraíBA



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Quinonas


São produtos da oxidação dos fenóis. São encontradas em bactérias, fungos, líquenes, gimnospermos e angiospermas e até mesmo em alguns animais, como em alguns artrópodes e em ouriços-do-mar. São conhecidos mais de 1.500 tipos. As mais importantes são as naftoquinonas e as antraquinonas.

Têm ação purgativa, pois estimulam os movimentos peristálticos dos intestinos após 8-12 horas de sua ingestão. Sua ação purgativa se deve, também, ao fato de diminuir a absorção de água pelas vilosidades intestinais, levando ao amolecimento das fezes. Não se deve utilizar plantas que as contenham, por via oral, pois têm ação nefrotóxica, levando à retenção de líquidos.

O uso continuado de laxantes à base de quinonas pode acarretar processos inflamatórios e degenerativos e redução severa do peristaltismo e mesmo atonia do intestino, bem como a perda de eletrólitos. A mais comum das antraquinonas é a aloína, presente na babosa (Aloe Vera). O lapachol, do ipê roxo (Tabebuia avelanedae), é um exemplo de naftoquinona. Além da ação laxante, as quinonas têm ação antibacteriana, antifúngica e antitumoral.

Cumarinas


Trata-se de um heterosídio que apresenta diversas formas básicas: como a hidroxicumarina, a furanocumarina, a piranocumarina e os dicumaróis. Podem ocorrer em folhas, frutos, sementes e raízes. As cumarinas podem apresentar odor que caracteriza uma planta, como ocorre com o chachambá (Justicia pectoralis). Um dos metabólitos das cumarinas, obtido por fermentação é o dicumarol, um poderoso anticoagulante, por bloquear a ação da vitamina K, sendo usado na alopatia como base para medicamentos contra a trombose, em pequena dosagem, e como veneno para ratos, em grandes doses. Daí porque as plantas ricas em cumarinas devem ser secadas com cuidado.

As cumarinas têm ainda ação antimicrobiana e desde tempos remotos são usadas no tratamento de doenças de pele como psoríase, vitiligo, leucoderma, micoses, dermatites e eczemas. Algumas cumarinas, principalmente as furanocumarinas (presentes em folhas de figueira, por exemplo), podem sensibilizar a pele sob ação dos raios ultravioleta, provocando fitofotodermatite (bolhas, hiperpigmentação, eritema e vesícula). Outras, em função desta propriedade, são utilizadas no tratamento do vitiligo, por estimularem a pigmentação da pele. Estão mais presentes nas angiospermas.



Saponinas


Também são heterosídios. Sua característica marcante é a de formar espuma quando colocadas em água. São utilizadas para a síntese de cortisona (antiinflamatório) e de hormônios sexuais. A dioscina, extraída de uma espécie de inhame (cará), por hidrólise, libera a diosgenina que é a matéria prima utilizada na síntese de hormônios esteroidais. O organismo pode empregá-las como precursores de outras substâncias úteis.

Alta concentração de saponinas na corrente sangüínea pode ser perigosa, pois pode provocar hemólise, devido à desorganização das membranas das hemácias. Felizmente, sua absorção pelo trato gastrintestinal é reduzida, diminuindo o risco de intoxicação, quando utilizadas por via oral.

No intestino, atuam facilitando a absorção de algumas substâncias, alguns medicamentos ou alimentos, por aumentarem a permeabilidade das membranas. É o caso do aumento da absorção de cálcio e silício.

São laxativas suaves, diuréticas, digestivas, antiinflamatórias e expectorantes. Têm ação irritativa para as mucosas do aparelho digestório, provocando vômito, cólicas e diarréias. O fato de as saponinas auxiliarem na absorção de certos medicamentos faz com que as plantas que as contêm possam ser utilizadas em combinações com outras, nos chás. Um exemplo da presença de saponinas é no juazeiro (Zizyphus joazeiro Mart) e na beterraba ( ), cujo suco é expectorante. A fervura prolongada pode diminuir ou destruir a eficácia das saponinas e de outros heterosídios.



Flavonóides


São heterosídios com 15 carbonos. O termo flavonóide deriva do latim flavus, que significa amarelo, em virtude da cor que conferem às flores. Podem ser coloridos ou incolores. Os flavonóides concentram-se mais na parte aérea das plantas, ocorrendo em menor proporção nas raízes e nos rizomas.

São metabólitos secundários muito difundidos no reino vegetal. Sua função biológica na plantas está relacionada com a atração de insetos polinizadores e proteção contra os nocivos, reação contra infecções virais e fúngicas, colaboração com hormônios no processo de crescimento, inibição de ações enzimáticas e participação dos sistemas redox das células. Medicinalmente, fortalecem os capilares, como a rutina, presente na arruda (Ruta graveolens L.) e a hesperidina presente na casca da laranja. São antiescleróticos e antiedematosos (rutina e oxietilrutina), dilatadores das coronárias (proantocianidinas), espasmolíticos e anti-hepatotóxicos (silimarina), coleréticos, diuréticos, antimicrobianos e antiinflamatórios (artemetina).

A grande vantagem dos flavonóides ou bioflavonóides (produzidos por plantas) é a sua baixíssima toxicidade. São essenciais para a completa absorção de vitamina C, ocorrendo normalmente onde quer que haja esta vitamina. Uma alimentação balanceada fornece a quantidade necessária de flavonóides.


Glicosídeos Cardioativos


Exclusivos das angiospermas onde estão presentes em alguns gêneros e famílias. São substâncias cuja absorção pelo organismo se dá de forma cumulativa, podendo causar intoxicações crônicas. O seu uso no tratamento de doenças cardíacas é restrito à droga extraída e purificada sob recomendação médica, uma vez que não se pode ter um controle adequado da quantidade dessas substâncias ingeridas sob a forma de chás ou outras.

A digitoxina, presente na dedaleira (Digitalis lanata e Digitalis purpurea) é o glicosídio mais importante desse grupo. Uma dose de cerca de 10 mg pode ser letal para uma pessoa com peso de 70 kg. Porém, em pequena quantidade aumenta a capacidade de contração do coração. Embora este efeito tenha sido descrito por Whitering apenas em 1775, o uso da digitalis purpurea como cardiotônica remota ao século XII e continua sendo a principal fonte dos glicosídeos cardioativos.

Estimulam a contratilidade cardíaca e a diurese. Regulam a condução elétrica e têm efeito bradicardizante.




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