Universidade federal da paraíBA


CUIDADOS PARA O BOM USO DAS PLANTAS MEDICINAIS



Baixar 329.2 Kb.
Página2/13
Encontro02.07.2019
Tamanho329.2 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   13

CUIDADOS PARA O BOM USO DAS PLANTAS MEDICINAIS



01ª - Saber identificar: Muito cuidado quando se indica uma planta ou quando se pega uma receita num livro onde não há o desenho da planta ou seu nome em latim. Isto porque o nome popular varia de uma região para outra.

Dê preferência a plantas frescas escolhidas corretamente de locais de cultivo do próprio usuário. Plantas secas somente devem ser usadas quando adquiridas de fonte responsável e segura.



02ª - Saber a parte da planta a ser utilizada: É preciso conhecer a planta e saber quais as partes que são utilizadas: raiz, entrecasca, folhas, planta inteira, frutos e sementes.

03ª - Saber da toxicidade da planta: Há muitas plantas que são tóxicas e muitas outras podem sê-lo, dependendo de quem a toma, do quanto se toma, e como se toma. As crianças e os idosos se intoxicam com mais facilidade. Por isso, deve-se ter muito mais cuidado com a dose. Evitar tomar chás durante a gravidez. Muitas plantas têm efeito abortivo e teratogênicos (má formação da criança), como quebra-pedra (Phylanthus niruri L.), capim santo (Cymbopogon citratus DC Stapf). Deve-se evitar o uso freqüente de chá pelas crianças que estejam em aleitamento materno, porque elas podem querer trocar o leite pelo chá.

Existem plantas que, mesmo em pequenas quantidades, são potencialmente venenosas como a espirradeira (Nerium oleander L.) e comigo-ninguém-pode (Diffenbachia picta Schot). É aconselhado conhecer bem as plantas tóxicas.



04ª - Saber onde coletar: Não colete as plantas medicinais nas beiras de rios, córregos poluídos, esgotos, nem das margens das estradas porque geralmente estão contaminadas por fumaça de carros, pesticidas, etc. Hoje em dia, o melhor é desenvolver horta comunitária de plantas medicinais e aí cultivar as plantas básicas de cada área, segundo a pesquisa de dados (etnobotânica) realizada previamente.

05ª - Saber como coletar: Quando for coletar folhas de uma planta, não retire todas as folhas de um galho. É através delas que as plantas absorvem os raios solares. Despreze as folhas velhas e que estejam furadas de insetos, mofadas ou com outras contaminações. As cascas devem ser retiradas em pequenos pedaços, apenas de um dos lados da planta, pois ao se circundar o caule pode-se causar a sua morte.

06ª - Saber quando coletar: As melhores horas para efetuar a coleta são as da manhã, logo após a total secagem do orvalho e as horas do fim da tarde, em dias ensolarados. Para as plantas aromáticas recomenda-se a colheita do final da tarde, especialmente nas dias muito quentes, para se evitar a evaporação de substâncias facilmente voláteis sob a ação do sol. Há diferença na época de colheita de uma espécie para outra; o ideal seria um calendário de coleta de plantas que indicasse a estação propícia, como ocorre com as verduras. Para muitas plantas, o momento propício para coletar folhas é quando começam a apontar os órgãos reprodutores, como os que formarão brotos e flores.

07ª - Saber como secar e conservar: Flores e folhas devem ser colocadas à sombra para secar em local ventilado, limpo e em camadas finas, para evitar que somente as de cima fiquem secas. Três a cinco dias são suficientes. Outro método é pendurar os galhos de flores e folhas em um varal, até que sequem. As cascas devem ser raspadas ligeiramente e lavadas com água corrente para retirar a superfície impregnada de poeira, lodo ou insetos e depois devem ser colocadas ao sol para secar.

Raízes devem ser lavadas e colocadas para secar. No caso de raízes e cascas muito grossas, sugere-se cortá-las em pedaços pequenos e finos, após a lavagem e colocá-las para secar. Sementes devem ser colhidas de frutos maduros e sadios, limpos por peneiração ou lavagem e secas ao sol. São as partes vegetais que apresentam maior durabilidade.

Quando não se dispõe de condições naturais de calor e vento, a secagem pode ser feita em estufa, em temperatura não superior a 40º C. Após secas, as partes das plantas deverão ser reduzidas a pequenos pedaços, com exceção das sementes, e guardadas num vidro limpo, seco, com tampa e ao abrigo da luz do sol. Deve-se colar no frasco, uma etiqueta com o nome da planta e data da coleta. É aconselhável observar sempre a existência de mofo, contaminação por insetos, entre outros, o que as tornará impróprias para o consumo. Sugere-se que o estoque seja renovado a cada três ou seis meses.

08ª - Saber como preparar: Existem diferentes métodos de preparar os remédios à base de plantas medicinais. Por exemplo: infusão, decocção, maceração, etc. Evite o uso de vasilhas de ferro, alumínio, cobre ou plástico; dê preferência às vasilhas de vidro (que possa ser levada ao fogo), porcelana ou barro. É importante também saber a quantidade da planta a usar no preparo. Depois de preparados, os medicamentos devem ser bem guardados.

09ª - Saber como usar: Esteja atento quando for usar as plantas. Observe se a indicação é para uso interno (ingestão), ou externo (uso local). Muitas plantas, como o confrei (Symphytum officinale L.), não devem ser ingeridas, mas somente usadas em aplicações como cicatrizante. Não se deve misturar muitas plantas num mesmo medicamento, nem tomar vários deles ao mesmo tempo.

10ª - Saber quanto usar: É importante saber quanto se deve tomar de um medicamento à base de plantas. Não se pode abusar da dosagem. O dito popular "que pancada grande é que mata cobra", não deve ser seguido, pois as plantas têm efeitos adversos se forem usadas em altas concentrações ou por muito tempo. Em doenças crônicas que necessitam de um tratamento continuado, é importante o acompanhamento médico e laboratorial. Nestes casos, não se deve usar uma mesma planta por muito tempo.

FORMAS DE PREPARAÇÃO E USO DAS PLANTAS MEDICINAIS

A eficácia dos medicamentos à base de plantas medicinais depende de vários fatores, como a forma como são preparados e são usados. A sua preparação e uso podem ser feitos de acordo com as técnicas farmacêuticas ou utilizando técnicas mais simples, que são as preparações caseiras.



As formas de preparação simples são:

CHÁ – O chá pode ser preparado como decocto, infuso ou macerado.

  1. Decocto - O decocto é uma preparação em que os princípios ativos das plantas são extraídos em água potável levada à fervura. Ele é utilizado para raízes, caules, cascas e sementes. A parte da planta a ser utilizada deve ser bem lavada e bem cortada e deixada em fervura baixa pelo tempo de até de 15 minutos. As plantas que têm princípios ativos que se evaporam, não devem ser usadas para se fazer decocção. Para as plantas que têm muito tanino, o tempo de fervura deve ser menor.

  2. Infuso – O infuso é uma preparação que extrai os princípios ativos das plantas, através da colocação de água fervente sobre as partes das plantas lavadas, cortadas e colocadas num recipiente. Após a colocação da água, tampa-se o recipiente e deixa-se em repouso por 15 minutos. O infuso é utilizado para folhas, flores e frutos.

  3. Macerado – O macerado é preparado colocando as partes das plantas bem lavadas e bem cortadas em um recipiente com água potável, à temperatura ambiente, por um período de 24 a 48 horas, dependendo da consistência das partes da planta utilizada.

Para a preparação dos chás, utiliza-se de um a cinco gramas da parte da planta para cada 100 ml de água. Após a preparação, o chá deve ser filtrado (coado) e colocado num recipiente bem limpo e consumido em até 24 horas.

Os chás usados para o tratamento de resfriado, gripe, bronquite e febre devem ser adoçados e tomados ainda quente. Os chás usados para os males do aparelho digestivo devem ser tomados frios ou gelados, sem açúcar.

A posologia do chá é de uma xícara, três vezes ao dia para adultos. Crianças maiores de 5 anos devem tomar metade de uma xícara, três vezes ao dia e crianças menores de 5 anos deve ter uma posologia individualizada.

O chá é a forma mais comum de uso das plantas medicinais pela facilidade de se fazer, porém tem o inconveniente de não se prestar à conservação por muito tempo e de ser difícil a quantificação da matéria prima vegetal a ser usada.



Xarope Composto O xarope composto, feito segundo as normas farmacêuticas, é preparado colocando-se 10ml da tintura ou da alcoolatura e xarope simples na quantidade suficiente para (qsp) completar 100 ml de xarope composto.

Na preparação do xarope simples, coloca-se 85 g de açúcar para 45 ml de água destilada e leva-se a mistura ao fogo brando até atingir o ponto. Tem-se o xarope simples. Ele é filtrado e esfriado. Nesta proporção, devemos ter 100 ml. Se não tiver, completa-se com água até atingir este volume. Ao xarope composto, adiciona-se o conservante químico (Nipagin), na concentração de 0,02% p/v. Tem-se o xarope a 10%, que deve ser acondicionado em embalagem adequada.



Lambedor ou xarope caseiro é preparado utilizando-se 45 ml do decocto, infuso ou macerado para 85 g de açúcar, ou, para facilitar, o dobro de gramas de açúcar para o volume do chá. Exemplo: para 50ml do chá, usa-se 100 gramas de açúcar. Esta mistura deve ser levada ao fogo brando até a formação do melado. Quando estiver frio, o lambedor deve ser coado, completado o volume, se necessário, colocado num recipiente limpo e guardado adequadamente.

Esta forma é mais apropriada para se fazer xarope a partir do decocto. Ao se fazer o chá para ser transformado em lambedor, deve-se utilizar uma quantidade de matéria prima vegetal dez vezes maior do que quando se vai fazer o chá para ser tomado como tal. Isto ocorre porque a quantidade de xarope que se toma é bem menor do que a quantidade de chá. Desta forma, mantém-se a equivalência de princípios ativos, nas duas preparações.

Uma outra forma caseira de se fazer o lambedor é dispor as folhas das plantas em camadas, cada uma dela coberta com um pouco de açúcar e levar ao fogo brando. Após certo tempo, a água contida nas folhas se mistura com o açúcar, formando o melado ao mesmo tempo em que se extrai o princípio ativo. Ao final, filtra-se e guarda-se em recipiente adequado.

A posologia dos xaropes é de uma colher de sopa, três vezes ao dia, para adultos. Crianças maiores de 05 anos devem tomar metade da dose e menores de 02 anos devem ter a posologia individualizada.



Tintura – Na preparação da tintura, usam-se partes secas das plantas, bem cortadas e machucadas, que são colocadas no álcool. Neste caso, utiliza-se álcool a 70%. Na preparação de 1 litro de tintura, são usados 200 g da planta e álcool suficiente para cobrir as partes da planta, deixando-as em maceração por um período de 5 a 10 dias. Após este período, filtra-se, completa-se, com álcool, o volume para 1 litro e guarda-se em um recipiente limpo e ao abrigo da luz.

Alcoolatura – Na preparação da alcoolatura, usam-se partes verdes das plantas, bem cortadas ou passadas no liquidificador e álcool a 95º. Para se preparar 1 litro de alcoolatura, são usados 500 g da planta e álcool suficiente para cobrir as partes da planta, deixando-as em maceração pelo período de 5 a 10 dias. Após este período, o macerado é filtrado (coado) e completa-se, com álcool, o volume para 1 litro. Guarda-se em um recipiente limpo e ao abrigo da luz.

Esta é forma de se preparar tintura e alcoolatura segundo as normas farmacêuticas. No meio popular, é comum adicionar água ao álcool ao se preparar tintura e alcoolatura. Isto não é aconselhável, pois compromete a capacidade de extração e conservação.

A posologia das tinturas e alcoolaturas é de 30 gotas, três vezes ao dia, que devem ser tomadas adicionadas a um pouco de água. Crianças maiores de cinco anos devem tomar metade da dose e menores de dois anos devem ter a posologia individualizada.

Pomada – A pomada pode ser preparada usando-se 70% de vaselina, 30% de lanolina. A lanolina e a vaselina devem ser fundidas em fogo brando e quando a mistura estiver fria, tem-se a pomada simples. É aconselhável deixá-la em repouso por um dia.

Para cada 100 g de pomada simples, colocam-se 05 ml de tintura ou alcoolatura e mexe-se bem para ficar bem homogênea a mistura. Esta é a maneira de se preparar uma pomada segundo as técnicas farmacêuticas. No meio popular, há diversas “receitas” de pomadas utilizando a cera de abelha e a parafina.



Sabão Líquido – O sabão líquido é preparado colocando 200g de sabão de coco cortado em pequenos pedaços em água suficiente para dissolvê-lo. Coloca-se em fogo brando, até a dissolução do sabão e sua homogeneização. Após isto, deixa-se em repouso.

Da parte da planta a ser utilizada, normalmente, folhas, flores, frutos e galhos novos, utilizam-se 200 gramas e água suficiente para se fazer a liquefação no liquidificador. Filtra-se e adiciona-se ao sabão líquido, completando com água para 1 litro ou volume aproximado, dependendo da consistência que se quer para o sabão. O uso é feito três ou quatro vezes ao dia, durante o banho, deixando o corpo ensaboado por cerca de 20 minutos.



Uma outra variante do sabão líquido e aquela em que no sabão dissolvido se coloca a tintura e/ou alcoolatura da(s) planta (as).

Sabonete – Na preparação do sabonete, usa-se base glicerinada e tintura ou alcoolatura da planta. Para cada 100 gramas de base glicerinada, são necessários de 5 a 10 ml da tintura ou da alcoolatura. Primeiro se coloca a base glicerina no fogo para fundir. Quando isto ocorrer, deixa-se esfriar um pouco e adiciona-se a alcoolatura ou a tintura. Mexe-se bem a mistura e a coloca na forma para esfriar, de onde é retirado o sabonete quanto este estiver bem sólido.

- Para se preparar o pó, deve-se secar bem a parte da planta a ser usada e triturá-la ou esmagá-la. Depois, o pó é peneirado e guardado em recipiente limpo e adequado.

Suco - O suco é preparado espremendo-se ou triturando-se as folhas da planta em um liquidificador, com posterior filtração. O suco deve ser feito no momento em que vai ser usado.

Sumo – Para se obter o sumo, soca-se a planta em um pilão ou em um pano até sair o máximo do sumo. Se a planta tiver pouca água pode-se acrescentar um pouco de água e deixar de molho uma hora e depois espremer ou socar novamente. Por fim, filtra-se o líquido que sair.

Salada - Algumas plantas medicinais podem ser usadas sob a forma de saladas. Para fazê-las, basta cortar as plantas em pequenos pedaços que devem ser consumidos imediatamente.

Emplasto - Para se fazer o emplasto, soca-se a planta fresca até se transformar em pasta que é colocada diretamente na parte afetada, podendo-se cobri-la com um pano.

Cataplasma - Para se fazer a cataplasma procede-se da mesma maneira que se faz para se preparar o emplasto, mas, à pasta, adiciona-se alguma massa, como farinha, para dar maior consistência.

Ungüento - Para se fazer o ungüento, usa-se 100 g de gordura vegetal e 05 a 10 ml de tintura ou alcoolatura da planta a ser utilizada. Leva-se a gordura vegetal ao fogo, até fundi-la. Deixa-se esfriar um pouco e adiciona-se lentamente a tintura ou a alcoolatura, mexendo-se bem a mistura para se fazer a homogeneização. Ai invés da tintura ou alcoolatura, pode-se usar o sumo da planta, extraído por esmagamento das folhas e caules (quando fino e suculento).

Linimento - Para se fazer o linimento, utiliza-se o sumo das folhas da planta, misturado com um pouco de óleo. É utilizado para se fazer massagem na área afetada.

Compressa – Para se fazer a compressa, prepara-se o decocto ou o infuso da planta a 5% e nele embebe-se um pano limpo que é aplicado na área doente.

Banho – Fazer o decocto ou infuso da planta a 5% e depois de filtrado, colocá-lo na água do banho. Este deve ser tomado lentamente.



1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   13


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal