Universidade federal da paraíBA



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Parte tóxica: Látex das folhas
COMIGO-NINGUÉM-PODE

Nome Científico: Dieffenbachia picta Schott

Família: Araceae

Nome popular: Comigo-ninguém-pode.

Sintomas de Intoxicação: quando ingerida ou mastigada provoca irritação acentuada da mucosa da boca e da faringe, com edema de lábios, língua, gengivas. Dor em queimação e salivação intensa, tornando difícil a fala e a deglutição. Algumas vezes observam-se, também, sinais de esofagite, com ardor, além de vômitos e cólicas abdominais.

Tratamento: em casa, pode ser administrado leite ou clara de ovo e levar o paciente imediatamente para o hospital mais próximo.

Partes tóxicas: Toda a planta, particularmente folhas e caules.
ESPIRRADEIRA

Nome Científico: Nerium oleander L.

Família: Apocynaceae

Nome popular: Espirradeira.

Sintomas da Intoxicação: inicia-se com distúrbios gastrintestinais (náuseas, vômitos, cólicas abdominais e evacuações diarréicas muco-sanguinolentas) Em seguida, aparecem distúrbios cardíacos e neurológicos (sonolência, tontura, distúrbios visuais e coma).

Tratamento: Exige terapêutica de urgência. Levar o paciente imediatamente para o hospital mais próximo. A conduta terapêutica nos cardíacos depende dos traçados eletrocardiográficos. A lavagem deverá ser feita cuidadosamente. Os distúrbios digestivos devem ser tratados sintomaticamente.

Partes tóxicas: Toda a planta.
MAMONA

Nome Científico: Ricinus communis L

Família: Euphorbiaceae

Nomes populares: Mamona, carrapateiro.

Sintomas da intoxicação: Intensa irritação das mucosas, com destruição das células epiteliais, náuseas, vômitos intensos, cólicas abdominais e diarréia sanguinolenta. Seguem-se graves distúrbios hidro-eletrolíticos, estados hipotensivos, choque e insuficiência renal aguda. O principal responsável pela ação tóxica e o alcalóide ricina que se encontra na polpa da semente.

Tratamento: as medidas mais importantes são aquelas provocadoras de vômitos e lavagem gástrica.

Parte tóxica: Sementes.

URTIGA BRANCA

Nome Científico: Urtiga urens L.

Família: Urticaceae.

Nome popular: Urtiga branca

Sintomas de Intoxicação: lesões cutâneas e mucosas aparecem rapidamente após contato com o vegetal. Caracteristicamente as lesões são limitadas apenas às áreas expostas e são do tipo urticante e vesicante, com eritemas, bolhas e vesículas muito pruriginosas ou dolorosas.

Tratamento: o tratamento é apenas sintomático com aplicação de soluções anti-sépticas e protetoras, além da administração de anti-histamínicos por via oral, para alívio do prurido e analgésicos, quando necessário.

Partes tóxicas: Pêlos presentes nas folhas.
MANDIOCA BRAV A

Nome científico: Manihot utillissima Pohl.

Família: Euphorbiaceae

Nome popular: Mandioca-brava

Constituintes químicos: Sintomas de intoxicação: inicia-se com distúrbios gastrintestinais, como náuseas, vômitos e cólicas abdominais, seguindo-se dor de cabeça, tontura, distúrbios respiratórios e convulsões. As convulsões costumam preceder o óbito.

Tratamento: as medidas devem ser tomadas imediatamente. Além de medidas provocadoras de vômitos e lavagem gástrica, que devem ser realizados com cautela, principalmente se o paciente estiver apresentando graves distúrbios neurológicos. Levar o paciente imediatamente para o hospital mais próximo.

Partes tóxicas: Todas as partes. No entanto, o principio tóxico está mais concentrado na entrecasca da raiz e no látex leitoso. O principio tóxico é um glicosídeo, que por hidrólise, libera ácido cianídrico (HCN).
SAIA BRANCA

Nome Científico: Datura Stramoniun.

Família: Solaneceae

Nomes populares: Trombeta, dama-da-noite.

Sintomas da intoxicação: os casos leves de intoxicação caracterizam-se por náuseas, vômitos, dificuldades visuais e secura da boca. Nos casos mais graves, os sintomas sãoos seguintes: visão borrada, fotofobia com dilatação da pupila, secura das mucosas, febre, hiperemia cutânea, palpitações, alucinações, desorientação, distúrbios respiratórios, convulsões e coma.

Tratamento: se o tratamento for rápido e com êxito em 12 a 48 h começam a desaparecer os sintomas agudos, persistindo o efeito midriático (dilatação da pupila), que pode durar algumas semanas. As medidas de emergência são: administração de carvão ativado, provocação de vômitos e levar o paciente imediatamente para o hospital mais próximo.

Partes tóxicas: Todas as partes da planta.

Observação: Para se evitar as intoxicações por plantas, é necessário tomar medidas preventivas, como: divulgar o mais possível e por todos os meios de comunicação as espécies tóxicas mais comuns; recomendar a necessidade de orientação médica ao se utilizar algum preparado vegetal para fins medicinais; educar a população sobre a inconveniência de ingerir ou manusear qualquer espécie vegetal desconhecida; se informar sobre a toxicidade das plantas existentes em seus arredores e lembrar que não existem regras práticas ou testes seguros para distinguir plantas comestíveis das venenosas.

Se a intoxicação ocorrer em nosso estado, ligar imediatamente para o CEATOX (Centro de Informações Toxicológico) que tem plantão permanente, localizado no Hospital Universitário Lauro Wanderley, para receber orientações, pelo telefone 3216-7007.


PRESCRIÇÃO MÉDICA DE FITOTERÁPICOS
A prescrição médica de fitoterápicos é feita para curar ou amenizar doenças ou sintomas. Na biomedicina, a prescrição é baseada em um diagnóstico nosológico (por ex. bronquite) ou em um diagnóstico sintomatológico (tosse).

Na Fitoterapia, boa parte dos conhecimentos sobre o uso medicinal das plantas provém de observações empíricas, repassadas oralmente, ao longo dos anos. Como decorrência disto, a maioria das prescrições médicas de fitoterápicos e feita de forma “oral” ou com receitas com denominações de uso popular e omissão da nomenclatura científica.

Na atualidade, as pesquisas científicas têm contribuído para a comprovação do grande potencial terapêutico das plantas medicinais. Uma vez aprovado pela comunidade científica, o fitoterápico passa a ter indicação e prescrição com as mesmas características dos demais medicamentos. O exemplo disso está no grande número de fitoterápico usados na medicina ortomolecular, como a Gingko biloba

As plantas medicinais, com maior ou menor intensidade, integram todos os sistemas terapêuticos. Ora utilizando-se seu potencial energético, no caso da Homeopatia e na Medicina Tradicional Chinesa; ora como complementar de nutrientes, como vitaminas e sais minerais, no caso da dietoterapia; ora como antioxidante, no caso da Medicina Ortomolecular, ora através de seus princípios ativos como antimicrobiano, antiinflamatório, antiespasmódico, etc, na Fitoterapia e na Alopatia.

Ao se prescrever fitoterápicos, devemos nos basear principalmente na comprovação científica de sua eficácia, sua segurança e sua efetividade. Isto é feito baseado em teste pré-clínicos, que são feitos para a observação da toxicidade aguda, subaguda e crônica; avaliação da teratogenicidade e comprovação da ação farmacológica e em testes clínicos, quando se observa, no homem, a sua ação benéfica e a ausência de toxidade.

Na prática, grande parte das plantas e dos fitoterápicos não consegue esta comprovação de forma plena, correlacionando os dados pré-clínicos e dados clínicos. Diversos fatores, como a diversidade das plantas medicinais, a falta de recursos financeiros nas regiões onde elas são usadas e o desinteresse da indústria farmacêutica, explicam este fato.

Na ausência da comprovação científica, podemos usar os conhecimentos populares. Aqui é importante investigar se a indicação da plantas é algo antigo e que se mantém ao longo do tempo, se ela é usada com esta indicação em muitos lugares e por muitas pessoas e se os relatos de seu uso corroboram a sua eficácia e sua segurança.
A PRESCRIÇÃO PROPRIAMENTE DITA
1.- Nomenclatura científica: deverá contar o gênero, a espécie e a família que pertence a planta. Ex. Lippia alba N.E. Brown. Família: Verbanaceae

2.- Nome popular: deverá ser escrito ao lado do nome científico, de forma clara., o nome popular da planta prescrita, na região. Ex: Lippia alba N.E. Brown (Erva cidreira)

3.- Modo de usar: explicitar a via de uso e a posologia. Aqui, é importante a conversão das medidas padrão para as medidas caseiras. Ex: 150ml = 1 copo vidro comum (americano); 150ml = 1 xícara chá (grande); 50ml = 1 xícara café (pequena); 15ml = 1 colher sopa; 10ml = 1 colher sobremesa; 5ml = 1 colher chá; 2,5ml = 1 colher café.

Devem-se observar situações especiais, descrevendo-as com clareza. Nos casos de uso externo, deixar explicito em que parte do corpo deverá ser aplicado o medicamento.



3.1 - Uso interno: para chás, sucos, sumos xaropes, tinturas, alcoolaturas.

3.2- Uso externo: para as compressas, cataplasma, emplastros, ungüentos, pomadas.

4.- Modo de preparar: deverá ser feita uma descrição detalhada quando se prescrever fitoterápicos para serem feitos em casa.

5- Relação com os hábitos: nos casos em que a administração dos fitoterápicos exija condições apropriadas que a sua não observância possa implicar em reações adversas, deverá constar na prescrição orientações esclarecedores. Ex: - Não tomar banho de assento com estômago cheio, não fazer inalação em lugar ventilado, não aplicar compressa quente em ambiente com corrente de ar.
OUTRAS CONSIDERAÇÕES

Deverão, ainda, ser do conhecimento do terapeuta os seguintes aspectos:



1.- Efeitos adversos

No meio popular acredita-se que, como a planta é natural, se bem não fizer mal não fará. Isto não é verdadeiro. Sabe-se que muitas plantas possuem substâncias de grande toxicidade para o homem e que podem causar a morte, como a estricnina, encontrada na planta Strychnos nux vomica.

Os conhecimentos populares, transmitidos oralmente, necessitam ter comprovação científica que valide a eficácia das plantas e sua segurança. A junção destes dois tipos de conhecimentos promove o progresso no campo da Fitoterapia.
2.- Interações

As interações de fitoterápicos com medicamentos sintéticos ou homeopáticos poderão resultar em potencialização de uma determinada ação ou anular o efeito da outra.

Ex.: - plantas ricas em cânfora atuam como antídotos para a ação do medicamento homeopático.

- aspirina tomada com chá de sabugueiro leva a uma potencialização da ação antitérmica, podendo provocar hipotermia grave, sobretudo em crianças abaixo de 1 ano de idade.

Plantas ricas em cumarina podem potencializar a atividade antiagregante plaquetária de alguns medicamentos alopáticos.
3.- Contra indicações

3.1. Crianças com até 1 ano de idade: Salvo aquelas plantas reconhecidamente sem efeitos tóxicos e adversos, os fitoterápicos não devem ser usados em crianças com esta idade.

3.2 - Idosos: excluir plantas de ação reconhecidamente hepatotóxicas, nefrotóxicas e hemorrágicas (cumarínicos).

3.3 - Gestantes: Este grupo deve ser objeto de cuidados especiais. Os taninos são abortivos, e a maioria das plantas os contém. As plantas com intenso sabor amargo, como as que contêm quinonas, são abortivas, em sua maioria.

3.4 - Outros grupos a considerar: Nutrizes, diabéticos, portadores de insuficiência renal ou cardíaca.
BIBLIOGRAFIA

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CARRICONDE, C. Introdução ao Uso de Fitoterápicos nas Patologias de APS. Olinda: Centro Nordestino de Medicina Popular, 2002.

GULBERT, B; FERREIRA, J.L. P; ALVES, L. F; Monografias de plantas medicinais brasileiras e aclimatadas. Curitiba: Abifito, 2005.

LEITE, J. P. V. Fitoterapia: bases científicas e tecnológicas. São Paulo: Atheneu, 2009.

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MILLS, S. KERRY, B. Principles and Practice of Phytoteraphy: Modern Herbal Medicine. London: Churchil Livingtone, 2000.

NEWALL, C.A, ANDERSON, L.A, PHILLIPSON, J.D. Plantas Medicinais: guia para profissional de saúde. São Paulo: Premier, 2002. Tradução de Mirtes Frange de Oliveira Pinheiro.

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SILVA, R. C. Plantas Medicinais na Saúde Bucal. Vitória: Rozeli Coelho Silva, 2002.



SCHULZ, V., HANSEL, R.; TYLER, V. E. Fitoterapia Racional: um guia de Fitoterapia para as ciências da saúde. Manole. São Paulo, 2002. Tradução de Glenda M. de Sousa.
Contato com a disciplina: 3216 7575 (NEPHF)

Com Climério: 8801 0711. E-mail: climerioaf@bol.com.br


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