Universidade federal da grande dourados



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1.4. HISTÓRICO DO CURSO


A primeira ação a favor da criação de um curso de formação superior específica para professores indígenas Guarani e Kaiowá emergiu em 2002 da iniciativa do Movimento de Professores Guarani e Kaiowá, instituição indígena que encaminha questões de educação escolar indígena; da primeira turma do Curso Normal em Nível Médio “Formação de Professores Guarani e Kaiowá – Ára Verá” (espaço/tempo iluminado), realizado pela SED/MS e das comunidades desta etnia. Muitos profissionais da área da Educação do Estado/MS, Universidades (UFMS, UCDB, UEMS, UFRR, UFMT), Secretarias Municipais de Educação do Estado, FUNAI, MEC e políticos locais, juntamente com os professores Guarani e Kaiowá, participaram da elaboração da proposta e dos entendimentos para a criação do “Curso de Licenciatura Indígena”.

Inúmeras reuniões de estudo, seminários e discussões foram realizadas ao longo deste tempo, articulando professores e lideranças indígenas com profissionais da área da educação e do indigenismo, para elaborar uma proposta que fosse coletiva, democrática e consistente, que correspondesse às expectativas do Movimento dos Professores Guarani e Kaiowá e às necessidades de suas comunidades.

Houve tentativas de iniciar o curso na UEMS, que embora tenha aberto suas portas não foi possível realizar nesta instituição. Em finais de 2005, quando de sua instalação a UFGD recebeu do Movimento dos Professores Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul e dos demais parceiros, a minuta do projeto pedagógico do curso. Graças ao empenho especial do Prof. Ms. Renato Nogueira (in memoriam), do Prof. Dr. Damião Duque de Farias (atual Reitor da UFGD), do Prof. Dr. Antonio Jacob Brand (Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Indígenas - NEPPI/UCDB), da Profª Dra. Adir Casaro Nascimento (atual Coordenadora do Mestrado em Educação da UCDB), da Profª. Ms. Veronice L. Rossato (profª. do Ára Verá/SED), da Profª Anari Nantes (Diretora da Escola Indígena de Caarapó) e dos professores indígenas da Comissão de Professores Guarani e Kaiowá (especialmente Anastácio Peralta, Edna de Souza, Eliel Benites, João Benites, Ládio Veron, Maria de Lourdes Cáceres Nelson, Otoniel Ricardo, Rosenildo Barbosa, Teodora de Souza, Valdelice Veron e Zélia Benites), a UFGD acatou a proposta e aceitou a missão de instalar o curso em suas dependências, em parceria com a UCDB, FUNAI), SEMEDs do cone sul do Estado e da SED/MS. Um ano depois, em outubro de 2006, o curso já estava em sua primeira etapa de aulas.

As organizações guarani e kaiowá, juntamente com estas instituições, vêm orientando o perfil do curso e construindo um diálogo de respeito na definição de novos conhecimentos e de novas áreas de estudo. A proposta está de acordo com o ordenamento jurídico, conforme descrito na fundamentação legal e no anexo 14.6.



2. IDENTIFICAÇÃO DO CURSO

2.1 NOME DO CURSO

Curso de Licenciatura Indígena


2.2 GRAU ACADÊMICO CONFERIDO

O Curso oferece Licenciatura Plena em Educação Intercultural, com habilitações em quatro áreas de conhecimento: Ciências Sociais, ou Linguagens, ou Matemática ou em Ciências da Natureza. Assim, os alunos terão sua certificação e diplomação, de acordo com a terminalidade escolhida. Cada formação será assim denominada:

  • Licenciado em Educação Intercultural com habilitação em Ciências Sociais;


  • Licenciado em Educação Intercultural com habilitação em Linguagens;

  • Licenciado em Educação Intercultural com habilitação em Matemática; e
  • Licenciado em Educação Intercultural com habilitação em Ciências da Natureza.

2.3 MODALIDADE DE ENSINO


O Curso de Licenciatura Indígena tem a modalidade “parcelada” ou de “alternância3”. A pedagogia de alternância foi desenvolvida por pesquisadores internacionais de renome com o objetivo de colocar em prática uma nova teoria sobre a educação popular. Esta modalidade de ensino não era com o intuito de formar alunos como nas escolas urbanas comuns, mas, sim, fazer com que os filhos de lavradores e até mesmo os próprios lavradores desenvolvessem uma forma mais digna e lucrativa para a vida no campo.

Ao voltar-se para a realidade do contexto indígena, o Curso está composto por dois Blocos: Bloco I também denominado Núcleo Comum [de um ano e meio] com um currículo único para todos os acadêmicos e Bloco II também denominado Núcleo Específico [de dois anos e meio] organizado em quatro grandes áreas de formação especializada: Educação Intercultural e Ciências Sociais; Educação Intercultural e Linguagens; Educação Intercultural e Matemática; Educação Intercultural e Ciências da Natureza.

Estas áreas específicas de formação são articuladas por atividades e conteúdos comuns, principalmente no âmbito da pedagogia, da gestão escolar, da conjuntura contemporânea, da antropologia e dos projetos (detalhamento do funcionamento dos núcleos no item 7).

O curso é realizado em dois tempos: Tempo Universidade (TU) e Tempo Intermediário (TI):



a) TEMPO UNIVERSIDADE (TU). São etapas de estudo de caráter intensivo, presencial e coletivo do Curso, durante os quais são trabalhados os componentes curriculares com a presença e a coordenação dos docentes do curso. Quatro vezes por ano os acadêmicos são agrupados em locais que ofereçam condições infra-estruturais de alojamento e aulas, preferencialmente nos campus da UFGD. Este Tempo Universidade está constituída por três etapas:
a1) TU-Campus UFGD. São as etapas presenciais longas, que acontecem principalmente durante férias e o recesso escolar (janeiro/fevereiro e julho) das escolas localizadas nas comunidades Guarani e Kaiowá. Duas noites por semana são reservadas para encontros de decisões políticas, reflexões, apresentações culturais, dentre outros, organizados pelos cursistas.

a2) TU-Pólo. São as etapas presenciais curtas, intensivas e coletivas, que ocorrem no intervalo entre as etapas longas. Os Pólos relativos ao Bloco I são realizados reunindo todos os estudantes do Bloco I, em um movimento interdisciplinar. Os Pólos relativos ao Bloco II, preferencialmente, são realizados em comum, reunindo todos os estudantes das áreas de formação específica, para a articulação dos conteúdos de várias áreas do conhecimento, num movimento interdisciplinar.



a3) TU-Comunidade. São as etapas presenciais que ocorrem no interior de cada aldeia, envolvendo docente e cursista, denominada “Atividades Acompanhadas I e II”. Este período de aula é mais individualizado, quando o aluno tira suas dúvidas, aprofunda conteúdos, analisa situações particulares, planeja e revisa atividades acompanhadas, em alguns períodos, por um docente. É também nestas ocasiões que o professor entra em contato com a comunidade, suas lideranças e com a escola onde os cursistas são professores ou gestores orientando as tarefas, o TCC e o Estágio Curricular Supervisionado. No BLOCO I o TU-Comunidade corresponde ao Componente Curricular/Módulo “Atividades Acompanhadas” com 210h/r; no BLOCO II corresponde à carga horária prática de cada Componente Curricular/Módulo com 350h/r para cada habitlitação.
b) TEMPO INTERMEDIÁRIO (TI). São etapas que ocorrem quando o estudante está em sua aldeia, sem a presença do docente, denominado “Estudos Individuais”. São intermediárias porque ocorre entre as etapas presenciais intensivas, longas e curtas, e a etapa comunidade, ocasião em que desenvolve atividades planejadas durante as etapas do TU. É principalmente durante as etapas intermediárias que acontecem algumas das Atividades Complementares, o Estágio Supervisionado, a concretização das avaliações/tarefas, estudos individualizados e pesquisas de campo com seu próprio povo.
Estes dois Tempos, TU e TI, são de fundamental importância para garantir o êxito do Curso, uma vez que neste momento acontece a articulação de um currículo de formação em serviço voltado para a realidade indígena.
2.4 REGIME DE MATRÍCULA
A Matrícula no Curso será no Bloco I e no Bloco II, ou seja, serão duas matrículas durante o Curso. O aluno retido seja em dependência (DP) ou reprovado (RP) em um dos Blocos [por faltas, por não entrega das tarefas e outras avaliações] será matriculado novamente no componente curricular devido.

No caso do Bloco I, constituído por 05 componentes/módulos (1. Fundamentos da Educação, 2. História e Antropologia, 3. Línguas Portuguesa e Guarani, 4. Realidade Global e Regional e 5. Matemática como Linguagem), o aluno deverá ficar em dependência (DP) apenas no componente que não alcançar êxito escolar. O aluno em dependência (DP) no Bloco I pode seguir adiante, mas carregará uma “dependência” (DP) em qualquer dos seus componentes. O aluno pode carregar até, no máximo 03 (três) DP.

No caso do Bloco II, que é especifico o aluno em dependência deve refazer sua matrícula também no componente curricular devido.




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