Universidade do estado do rio de janeiro


 NÃO É CLUBE DE FUTEBOL!



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 NÃO É CLUBE DE FUTEBOL!


Flora Moana Mascelani Van de Beuque

 OFICINAS DE CRIATIVIDADE COMO POSSIBILIDADE DE UM ABANDONO CONSENTIDO AO SISTEMÁTICO

Ângela Nobre de Andrade; Christina Menna Barreto Cupertino

 JUVENTUDE TECNOLÓGICA: O PAPEL DAS NOVAS MÍDIAS NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO SOCIAL DA PESSOA ENTRE OS JOVENS

André Luiz Correia Lourenço

 DO DÉFICIT À DIFERENÇA: MODOS DE PESQUISAR O CONHECER ENTRE DEFICIENTES VISUAIS

Márcia Moraes; Aline Alves de Lima; Ana Gabriela Rebelo dos Santos; Carolina Cardoso Manso; Luciana de Oliveira Pires Franco

20 - Educação

O historiador do presente é necessariamente mais atento ao fato e sua experiência pode ser útil a todos os historiadores, aos quais ele lembra o peso da contingência na história” (René Remond).
Coordenador: Roberto de Souza

Local: sala 10100-F


 PARTICIPAÇÃO SOCIAL NA EDUCAÇÃO: RECONSTITUIÇÃO HISTÓRICA DA LUTA PELA SAÚDE

Fabiana Castelo Valadares; Marisa Lopes da Rocha

 JOVENS ORIUNDOS DE PRÉ-VESTIBULARES COMUNITÁRIOS NA PUC-RIO: “EXPERIÊNCIAS” E “TÁTICAS” NO CONVÍVIO COM A ALTERIDADE

Luciana Ferreira Barcellos; Solange Jobim e Souza

 ESCOLA DA PONTE: GÊNESE HISTÓRICO-SOCIAL DE UMA INICIATIVA AUTOGESTIONÁRIA EM PLENA ATIVIDADE

Luiz Antonio Saléh Amado

A ALIANÇA MÉDICO-PEDAGÓGICA: UMA GENEALOGIA DO PROCESSO EXCLUSÃO/DEMANDA

Ana Carolina Teixeira Coutinho; Lília Ferreira Lobo; Luana Almeida de Moraes; Luciana Lemos; Paula de Melo Ribeiro; Silvia Cavalcante; Valéria Rodrigues da Conceição

17:00 horas – Pausa do café
17:30 horas - Mesa redonda – “Psicologias outras?”

José Adailson Medeiros (UFPE/FACHO)

Walter Mello (Universidade Federal de São João del Rey)

Coordenação: Marisa Todescan Baptista (Unimarco)

Local: Auditório 93
19:30-21:00 – Cursos (aula 2)
“Ditadura e Alteridade” - Luís Reznik (UERJ)

Local: sala 10092-F


“Ditadura militar e modos de subjetivação”- Equipe Clínica do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ

Local: sala 10093-F



RESUMOS

A . CONFERÊNCIAS

O LABORATÓRIO DE PSICOLOGIA DO PEDAGOGIUM: CRIAÇÃO E PRODUÇÃO
Mitsuko Antunes

PUC-SP
Pretende-se abordar as condições que deram base para a criação do Laboratório, partindo dos motivos que levam Manoel Bomfim a Paris, com a finalidade de aprofundar seus estudos em Psicologia, suas atividades e o planejamento de implantação do que viria a ser o primeiro laboratório de Psicologia no Brasil, instalado no Pedagogium, entidade que refletia muitas idéias e projetos para a educação no país, dentre as quais a necessidade de se concretizar uma pedagogia científica. Dando seqüência, pretende-se discutir a concepção teórico-metodológica de Bomfim, que se expressa, paradoxalmente, na crítica à pesquisa de laboratório, com base em ampla fundamentação teórica e na discussão dos resultados de pesquisas realizadas justamente no laboratório por ele criado e dirigido. Assim, espera-se trazer à discussão a produção de Manoel Bomfim em Psicologia, que demonstra como este respondeu ao seu próprio tempo, com respostas que refletiam o estado do conhecimento na época, mas que também elaborou críticas e formulou proposições que só mais tarde seriam incorporadas mais amplamente pela Psicologia.

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CIENCIA Y MARGINACIÓN EN PSICOLOGÍA: UN ESBOZO HISTÓRICO DE LA PARAPSICOLOGÍA
Annette Mulberger

Universidade Autônoma de Barcelona



A menudo el pensamiento heterodoxo ha orientado el devenir histórico en el mundo occidental, conformando uno de los dinamismos más creativos de nuestra sociedad. Sin embargo para la ciencia institucionalizada la difusión de estas corrientes representaron en muchas ocasiones un reto e incluso una amenaza. Así ocurrió con las doctrinas espiritistas y ocultistas que se propagaron en Europa en el siglo XIX. Intentando unir las fuerzas progresistas, buscaron un aliado en la ciencia positiva. A finales del siglo XIX el espiritismo llegó a tener tal relevancia social que los científicos se vieron obligados a tomar partido en el asunto de la presunta veracidad de sus fenómenos. Cuando, a raíz de ello, se perfila entre el espiritismo, mesmerismo y las ciencias académicas el ámbito de la metapsíquica o parapsicología, les tocó de forma muy directa a los psicólogos el definir su postura respecto a la relación entre este nuevo campo y la psicología científica. En mi ponencia explicaré como aparece la parapsicología y cuál fue su desarrollo histórico, teniendo en cuenta sobre todo la evolución histórica de la parapsicología en Europa. El estudio de esta historia desvela los mecanismos de defensa y marginación en la política académica y muestra como el trazado de límites y el transcurso de debates científicos afecta a la propia definición de la psicología como ciencia positiva. Para ello será necesario recordar la actividad de la Sociedad para la Investigación Psíquica (Society for Psychical Research) que había sido fundada en Londres en 1882. Bajo la presidencia de Sidgwick se constituyeron varios comités de investigación que estudiaron fenómenos paranormales como la telepatía, la clarividencia y la premonición. Entre otras cosas se intentó comprobar la efectividad de varillas adivinatorias, la existencia de apariciones extrañas y se buscaba emanaciones físicas como la 'fuerza ódica'. Aunque esta Sociedad siguió siendo la sociedad parapsicológica más respectada hasta 1930, pronto aparecieron otros centros similares. Uno de ellos, y en clara conexión con la institución londinense, fue la Sociedad para la Investigación Psíquica americana en Nueva York a la que después siguió la Sociedad para la Investigación Psíquica de Boston. En Europa encontramos como institución importante el Instituto Metapsíquico Internacional ('Institute Métapsychique Internacional') de Paris que Meyer había fundado en 1919 y que fue dirigido por Richet. Conviene recordar, sin embargo, que al lado de estas actividades institucionalizadas se llevaron a cabo múltiples iniciativas aisladas, más o menos serias para tal de progresar en el estudio de los mediums y sus supuestas capacidades extraordinarias. Un ejemplo muy conocido serían las observaciones llevadas a cabo en Alemania por Schrenck-Notzing. La expansión institucional junto a las iniciativas individuales muestran el interés que despertó el proyecto parapsicológico a principios del siglo XX que se había propuesto valientemente el examinar sin prejuicio y con espíritu científico la existencia y el funcionamiento de aquellas facultades humanas que parecen inexplicables bajo las hipótesis científicas generalmente aceptadas. Aunque en un principio estas iniciativas encontraron su ubicación en el marco de la nueva psicología científica, tal y como muestran los primeros congresos internacionales de psicología, su presencia en seguida generará debate y censura por parte de los psicólogos. Se consigue desterrar a la parapsicología de los órganos de expresión fundamentales de la psicología experimental pero no se consigue, por ello, acabar con estas líneas de investigación. A pesar del intento de establecer fronteras, hubo reiterados puntos de contactos entre parapsicología y psicología. Por un lado, a lo largo de la historia, encontramos psicólogos como William James e, incluso, psicólogos experimentales como William Mac Dougall, que simpatizaron y colaboraron en el campo de la parapsicología. Por otro lado, tenemos a científicos procedentes de las ciencias naturales como Charles Richet, quién, debido a su interés por el estudio de lo paranormal, empezó a interesarse por la psicología. Finalmente en los años treinta la parapsicología tomó una nueva dirección bajo el liderazgo de Rhine, intentando realizar su sueño de llegar a constituir una ciencia experimental.

B . MESAS REDONDAS:





  1. HISTÓRIA DA PSICOLOGIA: O MESMO E O OUTRO



A CONTRIBUIÇÃO DA MEDICINA E DA EDUCAÇÃO PARA A CONSTITUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO BRASIL
Mitsuko Antunes

PUC-SP
Pretende-se apresentar a tese de que as idéias psicológicas foram produzidas no interior de muitas áreas de conhecimento, como filosofia, teologia, medicina, educação e pedagogia; entretanto, a partir da virada do século XIX para o século XX, a educação e a pedagogia tornaram-se, paulatinamente, as principais bases sobre as quais se deu o processo de autonomização da psicologia no Brasil. Os interesses econômicos, a disputa pela recomposição do poder político e as idéias liberais, expressas no projeto de modernização do país, exigiam mudanças amplas, dentre as quais a expansão do processo de escolarização e sua articulação com idéias modernizantes, condição esta que trouxe as idéias escolanovistas de maneira mais sistematizada e articulada com as reformas necessárias para o ensino no país. Nessa realidade, a psicologia encontrou um terreno fértil para seu desenvolvimento, constituindo-se como a mais importante área de conhecimento para a construção de uma pedagogia científica. Nesse quadro, ao lado do desenvolvimento no interior da medicina, a psicologia ganha expressão para ser reconhecida como área específica de conhecimento, fazendo-se presente no ensino e, deste, na produção de obras, pesquisa e atuação prática. Esse processo se consolida no período posterior, principalmente após os anos 1930, quando a psicologia se faz largamente presente na educação e, daí, para outros campos de atuação, como o trabalho e a clínica, que se constituem a partir de demandas ou proposições oriundas da educação em sua articulação com o conhecimento psicológico.

CIÊNCIA MÉDICO-PSIQUIÁTRICA, PSICOLOGIA E PSICANÁLISE: A VIDA PSÍQUICA SEGUNDO HENRIQUE ROXO
Ana Teresa A. Venâncio

Doutora em antropologia social/UFRJ e pesquisadora visitante da Casa de Oswaldo Cruz – CNPq/Fiocruz
Esse trabalho visa analisar o sentido concedido à idéia de psiquismo nos trabalhos do médico-psiquiatra Henrique de Brito Belford Roxo (1877-1969). Partindo de sua tese de doutoramento em medicina intitulada Duração dos atos psíquicos elementares nos alienados, defendida em 1900 sob orientação de Teixeira Brandão, buscamos apresentar resultados preliminares de pesquisa sobre o modo como a vida psíquica aparece retratada nos escrito de Henrique Roxo nas primeiras décadas do século XX. Para tanto estaremos considerando a articulação que esse autor estabeleceu entre o projeto mais amplo de constituição de uma ciência médico-psiquiátrica fundada no paradigma físico-orgânico e a proposição de teorias a respeito da vida psíquica – esse outro lado da corporalidade – então considerada em seus aspectos normais e patológicos. Essa articulação parece ter sido ancorada em duas fortes inspirações. Em primeiro lugar, destaca-se o conhecimento médico-psiquiátrico da época, do qual o personagem em questão era proeminente representante, participando dos fóruns de discussão e das sociedades científicas existentes à época, mas também atuando na esfera assistencial propriamente dita como diretor do Pavilhão de Observações do Hospital Nacional de Alienados. Essa atuação assumiria ainda outras conotações quando, em 1938, H. Roxo se torna o primeiro diretor do recém criado Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil, capitaneando assim a autonomização da ciência psiquiátrica no espaço universitário, em detrimento da vinculação estreita entre ciência e política assistencial até então vigente. Ainda que a ciência médico-psiquiátrica desenvolvida ao longo da extensa vida profissional desse psiquiatra tenha sido articulada à propagação de métodos terapêuticos muito variados – as aplicações de insulina, a malarioterapia, o choque por cardiazol, mas também o uso dos extratos de plantas medicinais brasileiras – nas primeiras décadas do século XX, Henrique Roxo concentrou-se em compreender e prescrever o modo combinado em que estigmas físicos e psíquicos retratariam as degenerações dos alienados. Com base no ponto de vista médico-psiquiátrico buscava a explicitação de correspondências entre as dimensões físico-orgânica e moral-psicológica dos indivíduos. Em segundo lugar cabe ressaltar a inspiração explícita em alguns dos preceitos psicanalíticos cunhados por Freud nos quais Roxo se inspirou para a defesa do chamado “exame psicoscópico”. Estabelecendo uma analogia com o método da microscopia, tratava-se aqui do uso de um conjunto de técnicas de observação do psiquismo, como modo sistemático de se conhecer o lado oculto do humano não revelado ou ignorado pelo sujeito. Portanto, os trabalhos de Henrique Roxo nos revelam que, num momento em que o campo da psicologia não havia se tornado autônomo como conhecimento especializado, foi pelas vias do conhecimento médico-psiquiátrico e da influência dos preceitos psicanalíticos que o psiquismo tomou forma como objeto de estudo e como justificativa para a compreensão de comportamentos patológicos do humano.

A CONTRIBUIÇÃO DE MÉDICOS E PEDAGOGOS PARA A CONSTITUIÇÃO DA PSICOLOGIA NO BRASIL


Nádia Maria Dourado Rocha

Faculdade Ruy Barbosa

Salvador – Bahia
A história da Psicologia no Brasil ainda é um campo fértil para estudos. Dentre os trabalhos para melhor conhecimento deste campo encontra-se o Dicionário da Psicologia no Brasil – Pioneiros, obra de iniciativa do Conselho Federal de Psicologia, realizado em parceria com integrantes do GT-História da Psicologia da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia – ANPEPP, sob coordenação da Profa. Dra. Regina Helena de Souza Campos, publicado em 2001. O objetivo deste trabalho .foi identificar personagens que de alguma forma, contribuíram para a constituição e ou consolidação do nosso campo de pesquisa e atuação. No referido Dicionário foram identificados, a partir do século XVI, 197 personagens, oriundos de dezenove paises, dos quais 141 são brasileiros, natos ou naturalizados. Quanto à formação, foram identificadas dezenove cursos universitários, dos quais os mais freqüentes foram Medicina (48) e Pedagogia (23). Considerando o ano de nascimento, os médicos estão presentes desde o século XVIII. Foram naturais de 13 Estados brasileiros sendo os mais freqüentes Rio de Janeiro e São Paulo, cada um com 21 personagens, vindo, em seqüência, MG com 13 e Bahia com oito. Com relação ao grupo dos médicos interessados em questões psicológicas, pode ser verificado que: 1) trabalhavam em oito Estados da Federação (BA, MA, MG, PE, RJ, RN, RS e SP) sendo que 47% trabalhavam no Rio de Janeiro; 2) o grupo produziu 154 livros, a maioria delas publicadas no século XX (57%). Dentre estas então Investigações de Psicologia, da autoria de Eduardo Ferreira França (1809-1857), professor da Faculdade de Medicina da Bahia, até o momento o mais antigo das três Américas, A alma e o cérebro, publicada em 1876, cujo autor é Domingos José Gonçalves de Magalhães, - Visconde de Araguaia (1811-1882); Noções de psychologia (1916), Pensar e dizer: estudo do symbolo no pensamento e na linguagem (1923) e O methodo dos testes (1926) escritos por Manoel Bomfim (1868-1932); Sexualidade e psiconeuroses, por Antônio Austregésilo (1876-1961); Os supranormais (1930), A psicoterapia e suas modalidades (1929) e Aspectos da psicologia infantil (1952) por Maurício de Medeiros, (1885 - 1966); Psicologia social (1935) de Carlos Briquet, (1887 - 1953); A psicologia profunda ou psicanálise e Psicanálise de uma civilização, por Júlio Porto-Carrero, (1887-1937); Noções de Psicologia aplicadas à Educação (1953) e Notas de Psicologia (1959) ambas por Iago Pimentel (1890-1962); Introdução à psicologia social (1936) e A criança problema (1939) por Artur Ramos (1903-1949). Além de obras teóricas, foi deste grupo que surgiu os primeiros laboratórios de Psicologia no Brasil, ambos no Rio de Janeiro, o primeiro fundado por Manoel Bomfim, cujo centenário ora comemoramos e o segundo por Maurício de Medeiros . Vários deles estiveram envolvidos em criações de cursos de Psicologia, bem como ocupando cátedras desta matéria em todo o pais. Também fundaram associações e periódicos. Envolveram-se em campanhas pela melhoria do atendimento a presos e alienados. Quanto aos educadores, foram oriundos, e trabalhavam de seis Estados, sendo SP, com 12 personagens o de maior freqüência. Seguidos por MG e RJ, ambos com três. A sua decana entre os de formação em educação é Ofélia Boisson Cardoso (1894-1994). As suas publicações foram, principalmente em periódicos técnico-científicos. Deste grupo foram escolhidas três personagens para tratar com maior detalhe: Carolina Martuschelli Bori (1924-2004), Madre Cristina (1916-1997) e Matilde Neder (1923- ). Carolina Bori como era conhecida, professora da USP, participou da criação do seu curso de graduação e pós graduação em Psicologia; da criação da UnB, tendo coordenado o Instituto de Psicologia e criado o Laboratório de Psicologia Experimental; participou da fundação da Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto, atual Sociedade Brasileira de Psicologia bem como da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia – ANPEPP, das quais foi a primeira presidente; envolveu-se, ativamente, na regulamentação da profissão de psicólogo; orientou inúmeros trabalhos de pós-graduação. Madre Cristina, por sua vez criou, em 1953 o primeiro curso de Psicologia Clínica em nosso país, dando oportunidade a que os alunos conhecessem diferentes perspectivas teóricas; Criou um espaço para discutir e favorecer encaminhamentos para crianças excepcionais, filhos de pessoas que posteriormente fundaram associações como a Associação de Pais e Amigos do Excepcional; participou também da luta pela regulamentação da nossa profissão. Matilde Neder, ao começar a acompanhar crianças submetidas a cirurgias de colunas e os familiares, estava dando início ao campo da Psicologia hospitalar no Brasil; é também pioneira no procedimento de terapia breve; criou a Revista Brasileira de Psicologia Hospitalar, da qual, por sete anos, exerceu a presidência do Conselho Diretor e Editorial; exerceu destacado papel na criação do programa de pós graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP. Concluindo, gostaríamos de afirmar que pessoas oriundas destes dois cursos de graduação – Medicina e Pedagogia, cada um do seu modo, seja teórica, seja na sua prática, contribuíram para o desenho atual que a Psicologia alcançou no nosso Brasil. A todas elas hipotecamos o nosso reconhecimento.



  1. A PSICOLOGIA E SEUS “OUTROS”


A HIGIENE MENTAL E AS CERTEZAS CIENTIFICAS

Maria Lucia Boarini



Universidade Estadual de Maringá
Talvez pelo não compromisso com as certezas, a literatura-arte historicamente vem comprovando sua resistência ao rigor do tempo transcorrido. Exemplo emblemático é o conto intitulado O alienista de autoria de Machado de Assis (1839-1908). Nesta obra o autor satiriza as peripécias cientificas do alienista Simão Bacamarte que na busca de explicação para a patologia cerebral vai produzindo certezas que vão se metamorfoseando e ao final e ao cabo conclui com uma grande interrogação, sem nenhuma certeza. Na vida real e após quase um século da publicação desta ficção continuamos sem a “teoria perfeita” sobre o transtorno mental ou a “patologia cerebral” como denominava o velho Dr. Bacamarte. A inexistência de uma explicação abrangente já apontada pelo conto machadiano é sustentada pela Organização Mundial da Saúde (2001, p.36) quando afirma que no campo da doença mental “ainda há muito que aprender”. É necessário adiantar que não vamos aqui fazer incursões no terreno de analises literárias até porque nosso conhecimento neste campo não ultrapassa os limites do intuitivo. Recorremos a estas pontuações apenas para estimular o debate sobre algumas das idéias que não resistiram ao rigor do tempo, mas foram defendidas (ou ainda são?) como certezas cientificas por importantes intelectuais de uma determinada época. Como ilustração, lembramos o movimento de higiene mental que teve sua oficialização e seu auge, no Brasil, nas décadas de 20 e 30 do século XX. Este movimento social, embora não popular reunia importantes intelectuais da época, em sua maioria médicos. Tais profissionais estavam “preocupados com a obra da mentalidade dos continentes” propunha-se a “realizar através das Ligas de Hygiene Mental, a mais bela obra de profilaxia, procurando conservar ao homem suas qualidades superiores de espírito e de coração” assim afirmava Gustavo Riedel, presidente da Liga Brasileira de Hygiene Mental no 1° Congresso Internacional de Hygiene Mental, em 1930. Reforçando esta idéia J. P. Fontenelle, importante membro desta agremiação, em artigo intitulado Hygiene mental e educação publicado em 1925 nos Archivos Brasileiro de Hygiene Mental apresenta as duas faces da higiene mental: “uma, tendo em vista o trabalho defensivo contra as causas de degeneração psíquica, é a profilaxia mental; outra, procurando preparar o equilíbrio de adaptação entre a mentalidade individual e o meio físico e social, é a higiene mental propriamente dita”. Assim em busca de um suposto ideal de normalidade foram vários os setores da sociedade que receberam a atenção dos higienistas e raros, talvez, aqueles que não sofreram rebatimentos do seu ideário. Da educação escolar, por exemplo, nada escapou. Tudo foi esquadrinhado, quantificado e classificado desde o ambiente físico até o nível intelectual dos alunos. Estavam convencidos de que estas medidas de inspiração cientifica abrigavam a solução para as complexas mazelas sociais que se avolumavam dia a dia em algumas importantes cidades brasileiras que se urbanizavam a olho nu. Entretanto com o beneficio do tempo passado, e detendo-nos, por ora, apenas na questão da metrificação intelectual dos alunos para distribuí-los em classes homogêneas, não é possível afirmar que a partir daí tenha ocorrido avanços na qualidade do ensino. Todavia promoveu uma espécie de saneamento social e na seqüência um contingente de desviantes que naquele padrão não se enquadrava. Interessante notar que em sua obra Cemitério dos vivos (uma parte publicada em 1921) Lima Barreto(1881-1922) chamava a atenção para a impropriedade de se adotar métodos da ciência natural para responder questões da ciência humana: “As maravilhas que a ciência tem conseguido realizar, por intermédio das artes técnicas, no campo da mecânica e da indústria, têm dado aos homens uma crença de que é possível realizá-las iguais nos outros departamentos da atividade intelectual...”. Enfim, o que estes ilustres personagens cientistas, ou não, nos legaram como lição é que as duvidas, as inquietações, os interesses sociais de cada época e as mazelas sociais daí decorrentes são expressões das contradições vividas pelo homem na luta pela produção da vida. Contradições estas difíceis de explicar ou de aplacar com provisórias certezas cientificas.

A EMERGÊNCIA DA SUBJETIVIDADE NO DISCURSO CRIMINOLÓGICO DA FACULDADE DE DIREITO DA UFMG (1892-1962)
Érika Lourenço

FAE/UFMG (doutoranda); UNIPAC.
Pesquisas sobre a história da psicologia revelam que sua configuração como ciência no Brasil se deu a partir de diferentes áreas de saber, dentre as quais, a educação, a medicina e o direito. Os profissionais e pesquisadores dessas áreas, a partir da segunda metade do século XIX, passaram a adotar conceitos, teorias e métodos que estavam sendo propostos para a investigação e compreensão científica do psiquismo humano na Europa. Com isto, não só transformaram seus próprios campos de saber, como também contribuíram para a produção, a divulgação e a aceitação de um saber psicológico de cunho científico no país. Será discutida aqui a participação da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG no processo de constituição da psicologia como ciência no estado de Minas Gerais. O ponto de partida para essa discussão será a evolução dos discursos sobre a subjetividade humana que aparecem nas temáticas dos cursos da Faculdade. A Faculdade foi fundada em 1892 e dois anos depois, começou a publicar sua revista: a Revista da Faculdade de Direito de Minas Gerais, principal fonte das informações aqui discutidas. Assim como as revistas editadas por outras faculdades de direito criadas no Brasil no século XIX, a Revista da Faculdade de Direito de Minas Gerais tinha o objetivo de divulgar assuntos científicos que estivessem relacionados com as disciplinas do curso e ainda pretendia contribuir “para o progresso dos estudos jurídicos no Brasil”. Uma vez que os professores do curso foram os autores da maioria dos artigos publicados na Revista, pode-se considerar que a mesma expressava o pensamento vigente no curso e no discurso da faculdade. Embora a Revista tenha sido publicada com intermitências no período investigado, algumas de suas características podem ser identificadas: apresenta artigos sobre as diferentes áreas do direito, sem privilegiar nenhuma delas em porcentagem de artigos publicados; demonstra o objetivo claro dos fundadores e dirigentes da faculdade de formar uma “inteligentsia” apta assumir cargos de comando no governo do país; mostra a participação ativa dos membros do corpo docente na vida política do estado e do país, assim como as diferentes contribuições dos mesmos para o debate sobre a legislação nacional e a necessidade de sua reformulação nos períodos de transição de sistema de governo. Dentre os artigos publicados até a década de 1960, aqueles que versavam sobre direito criminal e, sobretudo sobre criminologia, evidenciaram a presença de um discurso sobre a subjetividade humana no âmbito da Faculdade de Direito da UFMG, discurso este que sofreu grandes alterações ao longo do período investigado. Esses artigos assumiram diferentes formatos, como críticas a aspectos da legislação vigente, exposição de aspectos da legislação de diferentes países acerca de temas considerados polêmicos e apresentação de sugestões diretas de mudança de aspectos específicos da legislação nacional. Uma análise do conteúdo desses artigos aponta que o cerne das considerações sobre a subjetividade humana na Faculdade de Direito está na busca da compreensão do comportamento do criminoso. Verifica-se assim, a adoção, pelos professores/autores dos artigos, de um discurso que pode ser visto como cada vez mais “psicologizante”, à medida que transitam de uma visão criminológica fundamentada nas teorias da escola italiana, adotada no final do século XIX e primeiros anos do século XX, para uma visão de base psicanalítica, difundida a partir da década de 1930. A trajetória desse pensamento criminológico culmina, no período investigado, com a adoção da psicotécnica e a proposta de realização de medidas psicológicas, para fins de comparação, de traços de personalidade de sujeitos que estavam presos e haviam sido condenados por praticar diferentes tipos de crime. Tendo o objetivo inicial de investigar as possíveis contribuições da Faculdade de Direito para a construção e divulgação de um saber psicológico científico em Minas Gerais, encerra-se este trabalho com a proposta de reflexão sobre as contribuições desse mesmo saber para a construção do lugar social que o “louco-criminoso” passou a ocupar ao longo do século XX.





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