Uma compreensão psicanalítica acerca das relações extraconjugais homossexuais1



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Uma compreensão psicanalítica acerca das relações extraconjugais homossexuais1


Michele Melo Reghelin e Silvia Pereira da Cruz Benetti

RESUMO


O presente artigo busca uma maior compreensão dos processos psíquicos associados a relacionamentos amorosos nos quais ocorrem episódios de infidelidade. Assim, com base na teoria psicanalítica, pretendeu-se identificar as características dos padrões de interação amorosos atuais e passados, bem como as escolhas objetais associadas às vivências das relações parentais, em dois casos de mulheres envolvidas em relações extraconjugais em relacionamentos homossexuais. Os casos foram analisados através do instrumento Teste das Relações Objetais (Phillipson, 2008) e de sessões de psicoterapia breve de orientação psicanalítica. Foi possível identificar nesses casos que as manifestações de infidelidade crônica constituem um sintoma relativo a questões pré-edípicas referentes à tentativa de evitar o aprofundamento do vínculo amoroso, associado à experiência assustadora de perda dos objetos parentais. Espera-se, com este trabalho, colaborar para o aprimoramento teórico conceitual das questões amorosas, bem como para o trabalho clínico em psicoterapias psicanalíticas.
Palavras-chave: Infidelidade. Estudo de caso. Teste das Relações Objetais. Escolha objetal. Psicanálise.
ABSTRACT

This article provides an in-depth comprehension of the psychological mechanisms involved on a loving-unfaithful couple relationship. Based on psychoanalytical theory, the author identifies the patterns of past and current loving relationships, as well as the object choices based on the parenting relationship template. Two case studies of women engaged in homosexual extramarital relationships were analyzed through Object Relations Test (Phillipson, 2008) and through psychoanalytical short term psychotherapy sessions. The study findings identified that long term infidelity is a symptom related to pre-oedipal implications to the avoidance of deepening the romantic relationship and to the frightening experience of losing parental objects. This article aims at improving the theoretical framework to study loving relationships, as well as the clinical practice of psychoanalytical psychotherapy.


Keywords: infidelity. Case study. Object Relations Test. Objectchoice. Psychoanalysis.

Na psicanálise, originalmente, ao tratar sobre o tema da infidelidade adulta, Freud (1910/1996) destacou a natureza edípica dos conflitos e das escolhas objetais implicados nos relacionamentos amorosos, especialmente o elemento edípico da triangulação, afirmando que a criança, face à relação parental, pode sentir-se excluída. Na psicanálise contemporânea (Josephs, 2006; Costa, 2007), compreendem-se os triângulos amorosos como possuindo raízes no complexo de Édipo, referindo-se ao primeiro modelo de relacionamento amoroso, quando a criança sente-se excluída da relação íntima que os pais mantêm. Conforme Costa (2007), é nesta etapa que surge, pela primeira vez, o ciúme – este que possui relações estreitas com a melhor ou pior elaboração do complexo edípico infantil que determinará a segurança interna do indivíduo. Entretanto, outros autores (Mitchell, 2000) ampliaram a compreensão dos relacionamentos de pessoas infiéis destacando os elementos narcísicos presentes nos conflitos

Em geral, os trabalhos sobre infidelidade investigam vínculos amorosos heterossexuais, com ênfase na traição por parte do sexo masculino. Segundo Josephs e Shimberg (2010), existem algumas características peculiares ao homem e à mulher nas situações de infidelidade. O homem tende a ter breves experiências sexuais, e tem mais desejo por diferentes formas de relação sexual, enquanto a mulher se envolve mais romanticamente com o parceiro. No entanto, para os autores, não há tanta diferença no comportamento romântico de homens e mulheres quando se trata do mesmo estilo de personalidade. Exemplo disso são as pessoas com a personalidade evitativa e/ou narcísica, que tendem a ter mais atitudes permissivas no sexo, incluindo a relação sexual fora do relacionamento. Apesar das diferenças existentes entre homens e mulheres no que tange ao desejo erótico e ao amor sensual, pontua Kernberg (1995), ambos apresentam experiências em comum que se originam na situação edípica, que é um organizador fundamental para cada um individualmente, como para as áreas nas quais o casal interage.

Considerando que os arranjos conjugais não se constituem somente pelos vínculos heterossexuais este artigo discute a questão da infidelidade no caso específico de duas mulheres com relacionamentos extraconjugais homossexuais. Inicialmente, será apresentada a compreensão de autores psicanalíticos contemporâneos sobre a infidelidade conjugal sob o vértice da perspectiva teórica das relações objetais, destacando-se principalmente os aspectos narcísicos e edípicos envolvidos no processo de escolha de objeto.


ESCOLHA OBJETAL, COMPLEXO DE ÉDIPO E NARCISISMO


Segundo Vieira (2009), a teoria proposta por Freud no que tange ao estudo da homossexualidade é contraditória, ainda que ofereça grande contribuição ao problematizar que a heterossexualidade vai além dos imperativos biológicos. Stubrin (1998) também afirma que Freud não consegue abarcar toda a explicação da homossexualidade através do complexo de Édipo e da angústia de castração. Nesse sentido, Ceccarelli (2008) afirma que não há um consenso na psicanálise sobre o significado da homossexualidade, pois há dificuldade em determinar o processo de escolha de objeto homo ou heterossexual, além de não existir um Édipo correto que determine a homossexualidade ou a heterossexualidade.

Tradicionalmente, Freud (1910/1996), referindo-se aos homossexuais como “invertidos”, definiu que se deve buscar compreender tais sujeitos através da sua atitude emocional e não de seu comportamento real. Diante disso, Freud (1905/1996) deixou claro que a homossexualidade se trata de uma orientação sexual tão legítima quanto à heterossexualidade. Assim, McDougall (1997) considera que devemos falar em homossexualidades no plural, por haver variações no ato, no objeto e na estrutura da personalidade, tanto como nos heterossexuais.

Logo, refere Ceccarelli (2008), a expressão da sexualidade não define o sujeito e, portanto, não existe um sujeito heterossexual, homossexual ou bissexual e sim, moções pulsionais e movimentos identificatórios que se manifestam nas escolhas objetais. Desta maneira, a infidelidade pode acometer qualquer género, configuração vincular ou orientação sexual. Nesse sentido, nada informa sobre a saúde psíquica do sujeito, pois, antes de ser homossexual, trata-se de um sujeito com angústias, medos e neuroses (Ceccarelli, 2008). Afinal os conflitos psíquicos se organizam por outros motivos (Stubrin, 1998).

Dessa forma, a escolha objetal e a capacidade de intimidade são processos psíquicos fundamentais para o estabelecimento de relações amorosas na vida adulta. Fundamentalmente, concebe-se a escolha objetal como resultando de um processo maturativo psíquico no qual, após o complexo de Édipo, tanto o menino quanto a menina estabelecem identificações que servirão de base para vínculos futuros. Em torno dos cinco anos de idade, a criança descobre seu primeiro objeto de amor em um dos pais e os seus instintos sexuais se reúnem nesse objeto (Freud, 1921/1996). Posteriormente, a repressão constitui-se, inibindo os instintos sexuais e tornando-os inconscientes. Há renúncia dos objetos sexuais infantis, acarretando modificações na relação com os pais e tornando afetuosas as emoções que se estabelecem.

Apesar de esse processo resultar na renúncia dos objetos de amor primitivos, há diferenças em relação ao desenvolvimento no menino e na menina. No primeiro caso, ao explicar o complexo de Édipo masculino, Freud (1910/1996) refere que o menino fantasia que todos possuem um pênis como ele, inclusive sua mãe. Ao deparar-se com a diferença e constatar que as meninas não o têm, sofre uma falta intolerável e conclui que elas o têm de forma pequenina. Somente mais tarde percebe que isso não é possível, passando a achar que ele fora cortado, ficando apenas uma ferida. Neste momento, inicia-se o medo de ser castrado, o que desperta grande interesse pelo pênis. Será preciso que o menino abra mão do objeto de amor (mãe) para se identificar com o pai (Freud 1931/1996) e assim instaurar o superego.

A menina, por sua vez, acredita que em uma época anterior teve um pênis e considera normal que o perca na idade adulta (Freud, 1924/1996). Porém, ao descobrir que é castrada, a menina inicia o Édipo. Rejeitando a mãe e assustada por sentir-se inferior aos meninos, abandona sua masculinidade e sua sexualidade em geral. Se o pai permanece como objeto de amor, abre-se o caminho para o feminino no Édipo (Freud 1931/1996). Isso significa assumir o lugar da mãe e adotar uma atitude feminina para com o pai, ocasião em que a renúncia ao pénis implica uma compensação: de que terá um bebé do pai. Entretanto, como isso não acontece, o Édipo termina (Freud, 1924/1996). Assim, a dissolução do Édipo acontece pela impossibilidade de ficar com o objeto amado (Freud, 1924/1996).

Em A Sexualidade Feminina, Freud (1931/1996) aponta que é preciso trocar o objeto original mãe – figura que a alimentou e cuidou – por alguém que se assemelhe ou que dela derive, ou seja, o pai. Consequentemente, deve haver uma mudança do sexo do objeto, caracterizando o primeiro amor da menina como um amor homossexual pela mãe. Portanto, devido ao fato de a menina possuir órgãos genitais castrados, ela deve lutar para atingir a feminilidade. Se a inveja pelo pénis for excessiva, a menina, em sua fantasia, terá um pénis através de qualidades masculinas que o substituirão (Stoller, 1993). Ao recusar ser castrada, pode adotar a posição de que realmente possui um pénis, comportando-se como um homem (Freud, 1925/1996) e, caso resolva afirmar sua masculinidade e tenha como objetivo a busca de um pénis bem como a fantasia de ser homem, pode acabar por fazer uma escolha objetal homossexual (Freud, 1931/1996). Além disto, poderá aceitar sua castração e se tornar masoquista, ou ainda equivaler o clitóris ao pénis, negando o útero e sua capacidade reprodutiva. Ao contrário, se ela superar a inveja e a fixação no clítoris como substituto do pénis, estará rumo à feminilidade, desistindo da mãe e voltando ao pai como um novo objeto de amor (Stoller, 1993).

Portanto, enquanto no menino o complexo de Édipo é destruído pelo complexo de castração, na menina trata-se de uma formação secundária, na qual a castração é responsável por inaugurar o complexo de Édipo, já que inibe e limita a masculinidade, incentivando a feminilidade (Freud, 1925/1996). Em suma, a posição de resolução normal do conflito edípico ocorre quando a criança se identifica principalmente com o bem sucedido objeto parental rival, podendo crescer e ter uma relação monogâmica satisfatória com alguém que sirva como um substituto simbólico do pai desejado.

Posteriormente, na adolescência, é preciso abandonar os objetos edípicos para poder realizar uma escolha objetal. Para isso, a menina renuncia ao amor pela mãe, indo em busca de um objeto masculino. Por já ter renunciado a seu primeiro objeto, a mulher torna-se mais capaz de se comprometer com um homem que estabeleça um relacionamento genital e paternal. No entanto, para o menino, essa escolha é mais difícil; afinal, ele precisa permanecer com o primeiro objeto amado (a mãe), ao passo que a menina troca de objeto. Como consequência, o homem busca, durante a sua vida, a mãe ideal, ficando mais propenso a ter seus medos e conflitos pré-genitais e genitais reativados nos relacionamentos, o que talvez o faça evitar um relacionamento mais profundo (Altman, 1977).

Todavia, a resolução edípica não se restringe à maneira como a criança irá se identificar com um dos papéis parentais. Complementar a esses aspectos, as experiências durante a fase edípica se refletirão na forma como cada um lidará com a questão da rivalidade e da triangulação frente aos objetos de amor que, na vida adulta, poderão se manifestar nas questões do ciúme patológico (Mitchell, 2000), como também na infidelidade sexual nos relacionamentos (Hunyady, Josephs & Jost, 2008).

Diante disso, Hunyady, Josephs e Jost (2008) descrevem os homens e as pessoas com características mais narcísicas como sendo mais permissivos em relação à infidelidade sexual devido às diferentes formas de resolução dos conflitos e sentimentos associados às precoces experiências de trauma da traição na fase edípica. No caso de experiências nas quais a mãe foi frustrante e rejeitadora, e a criança vingativa, invejosa e ressentida, ocorre uma identificação projetiva. Assim, frente aos sentimentos de dor e raiva, eles defendem-se através da desidentificação com a vítima da traição, identificando-se com o papel mais poderoso de perpetrador (Hunyady, Josephs & Jost, 2008). Nesse papel, tais sujeitos não conseguem estabelecer a idealização necessária por um objeto, ficando limitados a uma idealização parcial dos aspectos físicos do corpo, do poder, da riqueza ou da fama, que se tornam características a serem apreciadas ou incorporadas como parte do self (Kernberg, 1995). Deste modo, há dificuldade para investir profundamente em um objeto de amor, prevalecendo um sentimento fugaz pela realização de uma conquista.

Ainda que a infidelidade seja compreendida como um sintoma que evita um vínculo profundo e intimidade como forma de proteção do eu frente ao sofrimento, Mitchell (2000) considera que a infidelidade crônica está relacionada com as relações pré-edípicas e, portanto, com as primeiras relações mãe-bebê. Nesse sentido, a autora atribui às vivências pré-edípicas um papel determinante face às relações amorosas. Neste caso, os indivíduos infiéis crônicos não internalizaram um objeto materno suficientemente bom, e sim um objeto ausente ou indisponível, ou seja, um objeto perdido. Ao se apaixonarem, escolhem objetos que de alguma forma são inacessíveis, já que isso garante o impedimento da intimidade. Ao contrário, na experiência de se vincular de forma profunda, há perigo do reconhecimento desta relação com a experiência assustadora do objeto primitivo perdido.

Nestas situações narcísicas, predominam as questões de medo de fusão com o objeto amado e também o medo de separação deste. Ser fiel ou infiel causa sofrimento por operar no sentido de garantir a segurança e a estabilidade emocional, afirma Costa (2007). Assim, enquanto o fiel pode esconder o medo de ficar sozinho, ocultar a incapacidade de auto-realização ou a sua dificuldade para romper uma relação simbiótica, o infiel pode temer fusionar-se com o parceiro e permanecer definitivamente preso nesse relacionamento, além de temer ser traído e abandonado (Costa, 2007).

No entanto, lembra Kernberg (1995), as triangulações podem destruir um casal ou reforçar sua intimidade e estabilidade. Sobretudo, em comum, essas relações extraconjugais envolvem formações de compromisso que abarcam conflitos edípicos não resolvidos, fazendo com que as representações de objeto se sobreponham ao objeto amado. Desta maneira, a agressão existente nesses conflitos não consegue ser expressa, e o casal acaba por não ter um relacionamento profundo e íntimo.



MÉTODO


Entendendo que a pesquisa qualitativa é capaz de capturar significados e sentidos através da escuta, da observação e da interpretação (Turato, 2000), especificamente, tomamos como referência o estudo de caso clínico com base na teoria, método e compreensão psicanalíticos consistindo, assim, em uma pesquisa psicanalítica.

A partir disso, foram elaboradas interpretações que, juntamente com o referencial estudado, sustentaram o desenvolvimento compreensivo da questão investigada. Aspectos transferenciais e contratransferenciais ocorridos nos atendimentos foram considerados neste trabalho, para embasar principalmente a compreensão das ansiedades e dos conflitos existentes ao longo do desenvolvimento libidinal, os vínculos construídos e suas representações objetais internalizadas, ainda que, em termos de processo terapêutico, outras questões pudessem ser consideradas e discutidas.

Por tratar-se de uma pesquisa psicanalítica, na qual o método foi o uso da sessão psicoterapêutica, ressalta-se, também, o caráter interventivo desse processo (Ramires & Benetti, 2008).

PROCEDIMENTOS


Após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e da autorização dos sujeitos, através da assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, iniciou-se a pesquisa. Nesse sentido, foram resguardados os aspectos éticos, bem como não houve ónus financeiro para participar do estudo. Os casos de duas mulheres (32 anos e 54 anos) foram encaminhados à psicoterapeuta para avaliação psicológica por apresentarem dificuldades conjugais associadas à infidelidade. Neste trabalho, foi considerada infidelidade o fato de o sujeito romper um pacto2 e ter no mínimo uma relação sexual com um indivíduo que não o cônjuge, independentemente deste acontecimento ter sido revelado ou não.

As participantes foram atendidas no modelo de psicoterapia breve de orientação psicanalítica. Ao todo, foram realizadas 16 sessões, com frequência semanal, sendo que as três primeiras consistiram em entrevistas de avaliação psicológica e da aplicação do Teste das Relações Objetais (TRO) de Phillipson (2008). Por fim, foi garantida a continuidade do tratamento, caso fosse necessário.

Os estudos de caso foram realizados com base no material das sessões de psicoterapia breve de orientação psicanalítica e da aplicação de um instrumento projetivo, o TRO (Phillipson, 2008). Tal teste visa investigar a qualidade do vínculo emocional com os objetos, bem como suas vicissitudes, analisar os recursos egóicos perante situações de separação do objeto de dependência (Silva et al., 2004), além de avaliar os mecanismos de defesa utilizados pelo indivíduo, os medos e os sentimentos existentes (Alcântara, Grassano, Rossini & Reimão, 2007). Ainda, trata-se de um teste projetivo que se alicerça na ideia de que, a partir de um estímulo, o sujeito reporta-se a experiências de vida, assim como suas fantasias.

Já a psicoterapia breve de orientação psicanalítica (Braier, 2008) é uma psicoterapia de objetivos limitados, interpretativa e de insight, que conta com o uso de interpretações que conduzem ao conflito central do tratamento. Assim, o trabalho alcança o objetivo de promover ações que permitam desenvolver a subjetividade, respeitando a singularidade do sujeito e propiciando um crescimento mental (Eizirik, 2001).



ANÁLISE DOS DADOS


Durante o tratamento, as sessões foram relatadas pela pesquisadora logo após seu término, sob a forma de associação livre. Foi realizada a compreensão dinâmica dos indivíduos a partir da análise dos relatos das entrevistas e sessões de psicoterapia, do padrão transferencial estabelecido, além das respostas às lâminas do TRO de Phillipson (2008). Para tal, foram considerados os seguintes eixos de análise: a história familiar do sujeito, as características de vida do indivíduo e o contexto social no qual se encontra inserido, a concepção de fidelidade/infidelidade, os vínculos estabelecidos ao longo da vida (relacionamento com os pais/filhos, vida escolar e profissional, vínculos familiares, amizades), as escolhas de objeto, as funções de ego e os mecanismos de defesa utilizados. Por fim, a partir da integração das informações obtidas, através do cruzamento de dados dos casos pesquisados (Yin, 2005), realizou-se a discussão clínica sob o enfoque psicanalítico.

CASO I – LÍRIO


Lírio é uma mulher de 32 anos, vaidosa e esforçada, com nível de Ensino Médio. Reside com a companheira – que é mais velha – desde os seus 15 anos de idade. Lírio teve um filho, há nove anos, cuja paternidade é de um amigo que concordou em engravidá-la. É uma mãe zelosa, dedicada, mas às vezes invasiva, por exagerar nos cuidados com o filho.

Os avós maternos de Lírio foram os responsáveis por seu crescimento, pois sua mãe vivia trabalhando e o pai a abandonara. Seu avô, que ficou cego aos 18 anos de idade devido a um acidente que sofreu, faleceu quando Lírio tinha 14 anos. Nessa ocasião, sua avó – a qual considera sua mãe por sempre lhe ter dado carinho – ficou deprimida e se desfez da casa onde moravam. Lírio, sentindo-se sozinha e abandonada pela avó que não tinha mais condições de cuidá-la, pediu auxílio à mãe biológica, que morava com o novo esposo. Contudo, esta lhe fechou o portão da casa, literalmente. Lírio acabou envolvendo-se com uma mulher mais velha que lhe ofereceu, em um primeiro momento, proteção e, posteriormente, a maltratou. Lírio, então, fugiu e voltou a morar com a avó até casar.

Reencontrou seu pai quando adulta, mas ele faleceu logo em seguida. Além disso, a avó de Lírio estava muito doente e veio a falecer durante a psicoterapia. Atualmente, Lírio relaciona-se cordialmente com a mãe biológica. Ela refere sentir a companheira como a mãe que não teve.

Lírio buscou atendimento logo após uma cirurgia de retirada do útero, para “descobrir o que eu busco, não sei o que eu busco”. Conta que nunca foi fiel: “sou infiel desde sempre”. Porém, relata que sua companheira a traiu no 14º ano de casamento, o que foi “terrível” para ela, nunca conseguindo perdoar. Ainda assim, Lírio acredita que pode trair: “dói pra quem apanha, mas não pra quem bate” (ri). Antigamente, sentia culpa por trair; hoje não mais. Durante um ano, ficou separada de sua companheira, período em que, Lírio ficou com algumas mulheres, apaixonando-se por uma em especial. Reataram quando a sua companheira pediu que retomassem a relação.

A escolha homossexual foi uma opção constante em sua vida afetiva desde a adolescência. Lírio define-se como homossexual, expressando que não sente atração física por homens. Até então, seus relacionamentos extraconjugais eram breves e não evoluíam para um namoro. Quando as amantes diziam estar apaixonadas, sentia nojo e terminava o relacionamento. Ela refere desejar buscar alguém, “talvez aquela paixão” que não sente mais.
DISCUSSÃO CLÍNICA

No decorrer do processo terapêutico, era clara a dificuldade de Lírio em conseguir vincular-se às pessoas. Algumas vezes, durante a madrugada, escrevia emails para a terapeuta, mencionando seu sofrimento, mas ao término das 16 sessões, Lírio estava à vontade e mais engajada no processo terapêutico. Era notável seu esforço para manter as sessões de psicoterapia. Falar sobre sua relação com a mãe biológica durante a adolescência era particularmente doloroso. De fato, o fator que contribuiu para alavancar o trabalho terapêutico foi a perda de sua avó materna. Como consequência, defesas que estavam sendo utilizadas por ela, tais como a negação e a repressão, “falharam”, vindo à tona a raiva pela mãe biológica por essa não ter exercido a função materna. Acrescenta-se a isso o fato de que a doença da avó demandou cuidados tanto de Lírio como de sua mãe biológica, fazendo com que tivessem que conviver diretamente, revivendo conflitos referentes a abandonos sofridos na infância e adolescência.

Na primeira entrevista, conta: “não sou fiel, nunca fui fiel, desde que me conheço por gente não sou fiel...”. No entanto, o que chamava sua atenção é que antigamente sentia culpa por trair e atualmente não. Ao mesmo tempo em que se anuncia como infiel, Lírio também refere, que a maior dor que sentiu foi descobrir-se traída. E agrega que, ao mesmo tempo, acredita que a infidelidade não existe, pois, para ela, “ninguém é de ninguém”.

Observa-se a falha na repressão, fazendo com que, neste momento, procurasse atendimento psicoterapêutico para uma situação que era constante em sua vida. Vê-se ainda, que seu pensamento é contraditório, denotando ao mesmo tempo a presença da repressão e da transgressão, manifestando indícios de elementos perversos em sua personalidade. Nesse sentido, a traição também é percebida em relação a si mesma. Refere trair-se por não conseguir realizar o que almeja para a sua vida: “esse ano quero mudar a minha vida, quero ter muito dinheiro, fazer o que quero e gosto, pensar em mim, deixar de fazer tudo certinho, parar de me trair, de deixar para amanhã o que devo fazer! Acho que sou traída por mim”, diz. Paralelo a isso, Lírio percebe o mundo e os seus relacionamentos de forma ambivalente. Ora acredita e deseja uma união estável e tranquila, ora desconfia que isso possa realmente ocorrer, já que espera e projeta no outro a sua própria felicidade. Caso haja uma dificuldade, recorre a outro objeto de amor repetindo a história de sua adolescência, que quando abandonada pela mãe, foi morar com uma mulher mais velha que acabou maltratando-a.

Na avaliação do TRO (Phillipson, 2008), a análise das características das relações objetais indicou a presença de intensos sentimentos depressivos associados ao abandono e à necessidade de cuidado pelos avós. Estes são percebidos como figuras presentes, porém não há uma vivência interna de calor e afeto com este cuidado. Ao contrário, a paciente percebe-se sozinha em família e com dúvidas quanto à capacidade de cuidado. Lírio utiliza-se de defesas como a negação, projeção, identificação e racionalização, sendo a necessidade de reparação uma defesa constante. Também, o medo de ser abandonada, a morte e, consequentemente, os sentimentos de desamparo são predominantes. Diante disso, o desejo de cuidado e acolhimento prevalece.

Assim, é possível compreender que o enfrentamento da perda real da avó traz à tona sentimentos primitivos de abandono, raiva e ódio dirigidos à mãe biológica. Esta, por sua vez, não fez a função materna, abandonando a filha aos cuidados da avó e de outros. Lírio precisa desenvolver recursos internos de ego que a façam superar tais falhas no relacionamento e, para isso, utiliza-se das defesas primitivas que originam sentimentos paranóides. Sempre muito desconfiada, protege-se do mundo e das relações nas quais tenha que se envolver de forma mais íntima e profunda. No entanto, esforça-se para manter vínculos profissionais, familiares, sociais e conjugais. A projeção é usada, ora com a função de depositar no outro suas próprias dificuldades, ora como identificação projetiva, quando se espelha em outros para atingir seus ideais. Esta situação pode ser exemplificada através da relação que estabelecia com o avô, quando observava que ele, mesmo cego, era capaz de exercer atividades, servindo como fonte de inspiração para que ela nunca desistisse de suas aspirações.

É possível referir que Lírio envolveu-se com uma mulher logo após a morte do avô, momento em que tanto a avó como a mãe não puderam cuidá-la. Lírio encontrou em uma estranha, em um primeiro momento, o acolhimento e um olhar e um cuidado materno. Diante disso, a infidelidade configura-se como uma defesa frente ao temor de ser traída e abandonada, repetindo a primeira relação infantil (Costa, 2007).

Apaixonar-se implica a reconfirmação das boas relações com os objetos internalizados do passado. Deixando para trás os objetos reais da infância, Lírio não consegue elaborar o processo de luto relacionado ao crescimento e à independentização, quando o indivíduo torna-se capaz de receber e dar (Kernberg, 1995). Assim, é difícil constituir um relacionamento amoroso estável, baseado na capacidade de identificação, resultando em ternura, preocupação e empatia com o objeto de amor. Lírio esforça-se para manter o casamento e, principalmente, o lar que construiu, já que lhe oferece o amparo que lhe faltou na infância por parte de seus pais biológicos. No entanto, trai a companheira e a culpa por isso, preferindo projetar suas angústias e responsabilidades pelos conflitos da relação a ter que pensar sobre isso de forma madura. É possível, assim, supor que, se a companheira faz a função materna como ela refere, e a agressão que deveria ser destinada à sua mãe biológica, na verdade, está deslocada para a companheira.

Conforme Costa (2007), a traição pode servir para evitar o estabelecimento de um vínculo fusional com o parceiro e, por conseguinte, para evitar correr o risco de acabar preso definitivamente neste relacionamento. Lírio teme a proximidade talvez para evitar a fusão que imagina poder acontecer quando se relaciona com alguém. Assim, vincular-se com alguém de forma profunda e íntima, bem como vincular-se na terapia, pode, em sua fantasia, transmitir a idéia de perda de identidade. Como consequência, insere um terceiro nos relacionamentos, como uma amante ou um computador, deixando as relações se tornarem fugazes, além de provocar angústia, ciúmes e desconfiança na outra, sentimentos esses que experenciava em sua infância em relação aos seus pais. Neste sentido, as traições de Lírio têm o objetivo de atacar e, ao mesmo tempo, evitar o vínculo que pode se tornar danoso. Portanto, como resultado da falta de intimidade, ela e sua companheira deixam suas fronteiras abertas, permitindo a entrada de outra pessoa, situação predominante nos conflitos pré-genitais (Kernberg, 1995).

Em relação ao relacionamento homossexual, cabe lembrar que o primeiro objeto de amor é a mãe e, assim, para a menina, é um amor homossexual (Stoller, 1993). Dessa forma, é preciso que primeiramente o amor predomine sobre o ódio, para que na mãe possa ser projetado o ideal da menina, ocorrendo assim à identificação (Costa, 2007). A partir disso, a menina cria uma imagem de si, podendo, então, competir com a mãe para conseguir o amor do pai. Se ocorrerem frustrações precoces na fase pré-edípica, o desenvolvimento do Édipo inicial fica estagnado, não havendo a troca de objeto que permitirá à menina relacionamentos heterossexuais. Mediante o ódio dessas frustrações, a menina afasta-se da mãe por ser sentir ameaçada, projetando o seu ideal em uma figura substituta, idealizada. A mãe permanece, então, como objeto de desejo, pois não é possível realizar a troca de objeto.


CASO II – AZALEA


Azalea é uma mulher de 54 anos, dona de casa e estudante. Está casada há 24 anos com um homem com o qual tem uma filha de 21 anos. Busca tratamento por tê-lo traído e não saber se deseja continuar casada, além de sentir-se confusa: “não sei mais quem sou”.

Em relação à infância, Azalea conta que, quando nasceu seu irmão, ela sentiu-se preterida. Nunca ganhou presentes e elogios, além de apanhar seguidamente da mãe. Algumas vezes, tentava agir e se vestir como os irmãos para agradá-la. Apesar disso, sempre cuidou da mãe, criando certa dependência. Por sua vez, seu pai sempre a tratou bem, mimando-a com carinhos e presentes; era a “filhinha do papai”.

Durante sua adolescência, o pai gastava dinheiro com outras mulheres, desaparecendo por dias. Consequentemente, sua mãe se deprimia, e Azalea restringia sua vida aos cuidados com ela. Conta que também se sentia traída pelo pai, tendo em vista que, ao magoar a mãe, ela acabava sofrendo junto.

Aos 19 anos, casou com um homem mais velho que a “cuidava como um pai”. Na época, havia tido uma decepção amorosa com seu ex-namorado que a traíra e também seus pais estavam se separando. Ainda que não fosse feliz, permanecia casada para agradar a mãe, separando-se somente quando seu marido foi preso. Desta união, Azalea tem uma filha de 31 anos.

Muito triste, voltou a morar com a mãe, mas a convivência era ruim. Teve forte depressão e necessitou fazer um tratamento psiquiátrico, pois desejava morrer, chegando a tomar algumas medicações por conta própria. Após melhorar, reencontrou um conhecido, hoje seu atual marido. Azalea, nesta ocasião, contrariou a proibição da mãe de que não namoraria alguém sendo recém separada, e foi morar com este homem.

Os primeiros anos de casamento foram difíceis por ele ser ciumento e traí-la. Tentou separar-se dele, mas a mãe a recriminava, afirmando que era melhor ter alguém do que ficar sozinha. Após esse período de turbulências, tornaram-se ótimos companheiros, ficando íntimos e felizes.

Há um ano, seu pai faleceu de infarto. Azalea entrou em um estado de profunda tristeza, desânimo e dor, não conseguindo enterrar o pai. Refere que, após sua morte, foi até a casa dele e encontrou suas roupas. Vestiu algumas e, a partir daí, percebe que passou a adotar um comportamento masculino a ponto de as pessoas comentarem o quanto ela está parecida com o pai agora, pois antes era parecida com a mãe.

Alguns meses após a perda do pai, Azalea envolveu-se com uma mulher, casada e mãe de um adolescente. Azalea nunca havia traído e agora traía o esposo, sentindo-se muito mal e angustiada com isso: “eu não queria trair. Parece que estou vivendo uma vida dupla”. Azalea tentou ir embora com a companheira que, por temer abandonar o filho, não aceitou, frustrando-a a ponto de ela querer novamente morrer.


DISCUSSÃO CLÍNICA

Já na primeira entrevista, Azalea, referindo-se ao seu casamento, afirma que não ama mais o marido há 10 anos, pois os defeitos apareceram, e ela começou a perder a admiração: “o véu caiu. Sabe aquela coisa que diz que, quando se ama, não se vê os defeitos? Eu era assim. Depois, comecei a ver e perdi a admiração, porque ele era um homem que eu admirava muito”. Também fala da culpa que sentia inicialmente, por ter traído, e afirma: “se meu pai fosse vivo, jamais teria coragem de fazer o que eu fiz. Sabe como é, a menina do pai, aquelas coisas. Eu era a menina do pai”. Além disso, considera uma atitude desleal.

Ao mesmo tempo, Azalea refere o quanto tem medo de deixar o marido e ele rejeitá-la, o que se revelava na psicoterapia através da dificuldade que ela tinha de poder discordar da psicoterapeuta com medo de assim perder o seu amor. Segundo Mitchell (2000), tais pacientes têm dificuldade de formar vínculo com o psicanalista, porque consideram que esta relação poderá ser perigosa, tendo em vista que irá recapitular o trauma original, que consiste em um mórbido vínculo com o objeto perdido da infância.

Com a morte do pai, Azalea perde a referência paterna e masculina, pois o pai está fusionado com ela, ou seja, uma parte de si estava projetada nele, ficando assim sem bases constitutivas para suportar a sua identidade. Isso remete à ideia de que não há um objeto internalizado que lhe garanta o amparo necessário (Mitchell, 2000). Deste modo, há um fragmento psicótico da personalidade, pois ela faz uma cisão da personalidade ao se identificar com o objeto perdido, o pai morto, adotando a identidade dele como forma de conservá-lo vivo. “Parece que estou vivendo uma coisa dupla... estou confusa, não sei mais quem sou”. Recorde-se aqui que, nas situações de extrema frustração, Azalea tem desejos de morrer, indicando o vazio e a falta de objetos internos disponíveis que garantam vínculos afetivos estáveis e seguros (Mitchell, 2000).

Assim, o comportamento infiel que Azalea adota configura-se por uma questão traumática, por identificar-se com o objeto morto e fazer uma defesa maníaca. O pai morreu, mas vive dentro dela simbolicamente. Afinal, sendo ele, se consola de sua morte. “A sombra do objeto caiu sobre o ego” (Freud, 1917/1996, p. 254). Em casos de melancolia, sublinha Freud (1917/1996), há uma identificação do ego, de onde a libido foi retirada junto com o objeto abandonado, fazendo com que a perda objetal se transforme em uma perda do ego. Há uma luta entre o amor e o ódio pelo objeto amado e perdido, há uma busca por separar a libido do objeto e, ao mesmo tempo, defender a posição da libido contra o assédio. Na melancolia, indica Freud (1917/1996), a catexia objetal é substituída pela identificação, e a pessoa ou se recrimina pela morte dos pais ou se pune de forma histérica, adotando os mesmos estados de doença que tiveram.

Analisando os dados obtidos no TRO (Phillipson, 2008), evidencia-se a tristeza que Azalea sente por ter se separado de seu pai. Já na infância, tais sentimentos surgiram quando este saiu de casa, fazendo-a sentir-se rejeitada e abandonada, provocando-lhe o temor à separação e a consequente perda do objeto de amor, sendo isso reconfirmado com a morte dele. A partir daí, Azalea não consegue fazer o luto pela morte do pai, sofrendo intensamente de modo a guardar o objeto morto dentro de si. Fica clara então, a necessidade que ela tem de estabelecer vínculos de união que possam servir como esforços reparatórios para a sua dor, podendo assim viver sem sentir-se vazia.

Na tentativa de sobreviver à dor, conforme o resultado do TRO (Phillipson, 2008), Azalea utiliza-se muito do mecanismo de defesa projeção para lidar com seus conflitos, além do pensamento mágico como forma de reencontrar o pai, situação que pode ser vista no fato de ela procurar a religião como meio de preservá-lo da morte, da própria dor e do sentimento de impotência. Diante disso, não consegue enterrar o pai dentro dela, permanecendo presa ao passado e perdida quanto a sua identidade, dificultando a construção de vínculos reais significativos que lhe propiciem amparo e acolhimento. Pode-se inferir que o abandono do pai foi a maior traição que poderia ter sofrido.

Por estar identificada com o pai, quando ele morre, Azalea passa a vestir-se com suas roupas, além de adotar um comportamento masculino, ficando indefinida com sua escolha objetal. No entanto, Azalea sempre apresentou dificuldades em relação à sua identidade de género. Já na infância, não gostava de se vestir com roupas de menina. Por vezes, tinha atitudes mais rudes, masculinas. De fato, se pensarmos que Azalea tinha dificuldades de relacionamento com a mãe, quando esta não pode oferecer-se como espelho às demandas da filha, acolher e servir como modelo de mulher, é possível pensar que a busca pelo mundo feminino estava relacionada à busca da construção de sua própria identidade pessoal.

Segundo McDougall (1997), devido à atração erótica pelo pai, a menina tem que introjetar aspectos da imagem da mãe. O objeto materno é adorado, desejado e temido, mas são os aspectos da imagem da mãe que farão construir uma identificação pelo resto da vida. A menina procura separar-se da mãe para construir sua própria identidade e, ao mesmo tempo, precisa tê-la como sua guia.

Todavia, as palavras da mãe sempre tiveram muito peso na hora de Azalea tomar decisões. Esta sempre procurou agir de forma a agradar ou agredir a mãe, como uma tentativa de se separar e, nesse sentido, foi sempre dependente da mãe. Azalea sentiu prazer ao contar para a mãe que tinha uma relação fora do casamento e, ainda por cima, com uma mulher. Foi uma forma de desafiá-la, e talvez uma maneira de vingar-se do passado, quando teve que abrir mão de vivenciar a adolescência para cuidar da mãe deprimida. Porém, ainda necessitou da autorização da mãe para viver esse suposto amor. Esta lhe pediu um tempo para assimilar tudo e lhe garantiu que não deixaria de amá-la por causa disso, surpreendendo Azalea. Nesse sentido, Azalea não foi punida por seu ato contraventor, aumentando o seu sentimento de culpa em relação ao marido e ao pai morto.

Mulheres que escolheram o marido conforme o modelo do pai ou que o colocaram no lugar do pai repetem os relacionamentos ruins que tiveram com suas mães (Freud, 1931/1996). Azalea teve dois casamentos com homens mais velhos que prometeram protegê-la, cuidá-la e tirá-la de casa, ocupando o lugar de seu pai. Constrói, assim, seu casamento sobre a antiga relação que tinha com a mãe, que a hostilizava em detrimento do pai. Desse modo, transfere da mãe para o pai as ligações objetais afetivas reprimidas (Freud, 1931/1996).

Cabe mencionar ainda que Azálea sempre sentiu muito ciúmes em relação aos irmãos, pois sua mãe sempre os protegia e dizia que seu irmão mais velho era inteligente. Confessa que sentia certo alívio e prazer quando o pai os agredia fisicamente; afinal, ela nunca apanhou do pai por ser a filha menina. Para Freud (1919/1996), a infidelidade na menina ocorre com a entrada de uma nova criança no vínculo, além de indicar que houve uma relação sexual entre os pais, da qual ela foi excluída. Isso lhe causa uma imensa ferida narcísica, cujas fantasias de vingança são transformadas em fantasias masoquistas de ser espancada, devido à culpa que sente por desejar agredir os pais.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em suma, os dois casos investigados neste trabalho constituíram-se de situações de infidelidade de mulheres, que foram perpassadas por questões de escolha objetal homossexual.

Observando-se, a história de vida dessas mulheres, verifica-se que em comum as duas tiveram relações maternas insatisfatórias, sendo os objetos parentais percebidos como indisponíveis, tanto para o cuidado e a segurança, como para modelo identificatório. Além disso, a relação conjugal parental era conflituosa, o que também deve ter influenciado as escolhas amorosas adultas.

Ambas sentem-se perdidas e expressam o desejo de encontrar uma paixão que as façam se sentirem vivas. No entanto, ainda que tenham sofrido carências afetivas significativas ao longo do desenvolvimento infantil, esforçam-se pra não repetir o vínculo que tiveram com suas mães, sendo boas cuidadoras. É importante referir que as duas participantes formaram vínculos conjugais duradouros após sofrerem maus tratos em relacionamentos anteriores. Ainda, observa-se que as duas buscaram atendimento psicoterapêutico após perdas significativas em suas vidas, Lírio com a eminência da morte da avó materna, e Azalea, com o falecimento do pai.

No caso de Lírio, identificamos uma mulher com uma relação conjugal homossexual consolidada e com um filho oriundo de uma relação escolhida pelo casal para que pudessem exercer a maternidade. Ocorreram vivências precoces de abandono materno, bem como ausência paterna. Tanto a figura materna como a paterna, que deveriam ser seus modelos identificatórios, foram internalizadas como objetos abandonantes, incapazes de exercer a proteção e o cuidado. A avaliação projetiva também confirma as vivências depressivas e os sentimentos de abandono decorrentes, experiências que tornaram a experiência de vinculação com o outro como situações ambivalentes, ao mesmo tempo temerosas, mas também altamente desejadas.

Com relação aos aspectos interrelacionais, a preocupação evidente de Lírio é com o vínculo romântico e a dúvida na manutenção destas relações amorosas face ao temor de traição. Entretanto, a traição é um conflito ambíguo, pois ela não se percebe somente como vítima, mas, também, como agressora em relação ao objeto de amor. Lírio frustra-se rapidamente com o objeto de amor caso ele não realize seus desejos imediatos, o que remete à fase inicial mais primitiva do ser humano. Além disso, o temor de ser invadida – e, assim, fusionar-se com objeto gerando a perda da sua identidade – faz com que evite ter uma relação mais íntima. Por consequência, desqualifica o objeto de amor, sendo-lhe infiel e, portanto, incapaz de estabelecer uma relação de forma mais íntima.

Assim, podemos dizer que Lírio não pode realizar essa troca de objeto de desejo porque sua mãe ficou internalizada de forma ausente, não podendo servir como um modelo de identificação que servisse como o ideal de mulher para Lírio. Por conseguinte, Lírio faz uma escolha objetal homossexual. Ademais, estar com uma companheira é uma forma de tentar dar a outra mulher o que ela ansiava receber de sua mãe quando era criança, permanecendo, assim, em uma posição de dependência do amor materno e identificada com um objeto ausente.

Já no caso de Azalea, ainda que não tenha sido concretamente abandonada pela mãe, houve conflitos graves em seu desenvolvimento. Seu pai costumava aventurar-se sexualmente fora de casa, e ela se sentia obrigada a ficar ao lado da mãe, cuidando-a em um período que necessitava ser cuidada. Assim, com a morte do pai, Azalea cinde a personalidade ao se identificar com o objeto morto e adotar o seu comportamento. É provável que Azalea se sentisse desamparada por não possuir recursos internos de ego capazes de ajudá-la a lidar com perdas. Coincidentemente, os resultados do TRO (2008) apontam que, através dos mecanismos de defesa da projeção e do uso do pensamento mágico, Azalea faz esforços reparatórios para enfrentar a dor da perda do pai, de forma a preservá-lo da morte, dificultando que consiga lidar efetivamente com vínculos da realidade.

Em ambos casos fica evidente a ausência da figura paterna, além de a mãe ter sido um objeto indisponível, confirmando a teoria de Mitchell (2000) de que a não internalização de um objeto materno que garanta o amparo necessário termina por desenvolver sujeitos com grande dificuldade de intimidade. Conforme Kernberg (1995), a mulher que não teve um relacionamento satisfatório com sua mãe – esta que não pode tolerar a sexualidade da filha pequena, bem como o desenvolvimento da sensualidade corporal da menina e, posteriormente, do amor pelo pai – traz uma ideia inconsciente de que a mãe é hostil e rejeitadora, que resulta em uma culpa inconsciente pela intimidade sexual e de comprometimento com um homem, e gera ambivalências das relações pré-edípicas e edípicas.

Diante disso, a mudança de objeto de amor da mãe pelo pai pode ficar distorcida, desenvolvendo um relacionamento sado-masoquista com um homem. Se ela se torna narcísica, pode passar a desvalorizar o parceiro e distanciar-se emocionalmente, além de também poder ser promíscua. Caso o pai seja sádico, rejeitador ou sedutor, poderá agravar esta situação. Assim, no caso de Lírio, apesar de ter tido um relacionamento pacífico com o pai, ela não o sentia como tal, configurando-se, assim, um modelo parental rejeitador. Já na situação de Azalea, isso não se configurou de forma diferente; afinal, o pai a abandonou diversas vezes, na medida em que se separava da mãe para viver outros romances.

Assim, a função especular materna – pela qual, através do olhar e do cuidado, é conferido ao sujeito o grau de existência, para que ele possa se identificar – não pode ser vivenciada pelas participantes, gerando-lhes sentimentos contraditórios de amor e ódio. Sendo assim, manter relações extraconjugais é uma forma de menosprezar o objeto primário, reduzindo sua importância e tornando-o menos poderoso, refere Mitchell (2000).

Cabe destacar que as triangulações podem destruir um casal ou reforçar sua intimidade e estabilidade (Kernberg, 1995). As situações apresentadas parecem permitir a estabilidade de conflitos edípicos não resolvidos, por envolverem formações de compromisso, fazendo com que as representações de objeto sobreponham-se ao objeto amado. Desta maneira, a agresssividade existente nesses conflitos não consegue ser expressa, e o casal acaba por não ter um relacionamento profundo e íntimo (Kernberg, 1995).

Vimos que, teoricamente, duas posições foram identificadas acerca da infidelidade. Para Mitchell (2000), as infidelidades mais leves associam-se com a fase edípica, enquanto as infidelidades crônicas remetem à fase pré-edípica, quando a criança tem que se vincular e imergir na relação para, posteriormente, se separar e individualizar-se. No entanto, justamente pelo fato de a criança não ter uma relação materna satisfatória, na qual pode se sentir amada e segura, não é possível construir a intimidade necessária para estabelecer vínculos devido ao medo de perdê-los.

Concordamos com a posição de Mitchell (2000). Porém, pensamos que tal contribuição pode ser complementada à ideia de Hunyady, Josephs e Jost (2008), de que a cena primária evoca um tipo de insegurança do vínculo. Assim, frente ao trauma da traição edípica, a criança irá se identificar com um dos papéis do triângulo amoroso edípico, o qual predominará e se refletirá em seus relacionamentos amorosos posteriores. Uma das possibilidades é de que, na fase edípica, a criança se identifique com a posição de injuriada, sentindo-se excluída, seduzida e traída (Freud, 1910/1996), ou identifique-se com o objeto parental desejado, mas infiel, ou – finalmente – o bem sucedido rival que mantém posse sobre o companheiro (a). É nesta última posição que Freud (1923/1996) considera possível uma solução identificatória, quando a criança se coloca como o rival vitorioso, esperando crescer e estabelecer igualmente uma relação amorosa no futuro. Pode-se, então, tecer a ideia de que se aproximar da monogamia é uma forma de restaurar uma ligação segura com a base familiar quando se precisa explorar o mundo de oportunidades sexuais fora da base nuclear (Shaver & Mikulincer, 2005).

Portanto, o trauma e as situações de traição são parte de um processo psicológico amplo (Hunyady, Josephs & Jost, 2008). Conforme Kernberg (1995), quando o indivíduo faz uma parceria com o outro e passam a ser um casal, é possível preencher lacunas profundas inconscientes de identificação amorosa com os genitores. Então, o desejo de reparar as relações dominantes do passado e a tentação de repeti-las podem ser reencenados através da identificação projetiva, pela qual se induz o outro a ser o objeto edípico/pré-edípico. Nesse sentido, os infiéis encenam e reencenam um script pré-determinado (Mitchell, 2000), pois a entrada do terceiro é uma forma de reencenar a própria cena edípica (Kernberg, 1995).

Com relação ao trabalho psicoterapêutico, cabe ao terapeuta ajudar o paciente a elaborar o luto pelo objeto primitivo perdido, através da criação de um espaço psíquico que possa ser preenchido com verdadeiras relações, ocupando, assim, o vazio existente (Mitchell, 2000). Desta forma, se a infidelidade crónica é resultado de uma dificuldade de estabelecer vínculos – constituindo, portanto, um sintoma – não é necessário construir uma característica nosológica, tendo em vista que os arranjos conjugais são pautados, também, por questões culturais e sociais. Todavia, o pulsional nunca é totalmente dominado pelo social; logo, o mal estar na cultura impõe renúncias que possibilitam a instauração do simbólico (Moscona, 2007).

Além disso, a clínica contemporânea necessita aprofundar a compreensão da dinâmica das relações afetivas de casais homossexuais e de suas vicissitudes. Afinal, a forma como se vive a sexualidade é parte da identidade subjetiva, mas o que somos vai além da prática sexual (Ceccarelli, 2008). Portanto, a infidelidade refere-se a uma experiência que independe de gênero e acomete qualquer configuração conjugal, podendo se constituir como uma problemática clínica também nos casais homossexuais.

Dessa forma, no presente estudo, foi possível identificar que as questões relativas à infidelidade estão correlacionadas com as representações de objeto internalizadas, que podem estar ligadas às questões edípicas como tradicionalmente vem sendo estudado por autores psicanalíticos. Ainda, podem se referir às demandas narcísicas do desenvolvimento, relacionadas às experiências primárias de contato com os objetos parentais. Assim, os relacionamentos amorosos configuram-se pela reedição das relações infantis com os objetos parentais e suas representações, seja por revivências edípicas, nas quais é preciso haver o triunfo sobre o objeto ao qual se vincula, ou pré-edípicas, como forma de resgatar o objeto primitivo perdido. Sobretudo, “as inúmeras peculiaridades da vida amorosa dos seres humanos, bem como o caráter compulsivo do próprio enamoramento, só se tornam inteligíveis numa referência retrospectiva à infância e como efeitos residuais dela” (Freud, 1905/1996, p. 216. Nota de rodapé acrescentada em 1915).


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1 Trabalho publicado na Revista Portuguesa de Psicanálise (2013). Órgão Oficial da Sociedade Portuguesa de Psicanálise. 33 (1), 103-125.

2 Segundo Colaiacovo, Foks, Prátula e Cababié (2007), a fidelidade consiste em um acordo entre o casal, no qual há pactos implícitos e explícitos de exclusividade sexual ou não. Está relacionado ao projeto de manter o relacionamento, sendo sustentado pelo amor, ternura, respeito e atração erótica.

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