Um magnata no texas



Baixar 0.83 Mb.
Página5/8
Encontro02.07.2019
Tamanho0.83 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8

Capítulo 8
Derek tentou parecer o menos afetado possível. Retirou os sapatos e a carregou no colo até o quarto para lá passarem o resto da noite.

Christina havia apenas proporcionado momentos de paixão, apenas isso, pensou. Com sorte, quando os primeiros raios de sol aparecessem, ela estaria fora do seu sistema nervoso, fora de seu universo fora de sua cabeça. Aquela experiência poderia até se mostrar vantajosa, pois, quem sabe, a tensão diminuiria entre os dois, acabando com as suposições do tipo "e se... como seria...", finalmente, deixando que o trabalho voltasse a o foco principal.

Era o que pensava, enquanto, uma vez mais, olhava Christina dormir.

Como naquela noite, no sofá do escritório, ela dormia como um anjo sem asas.

Mais cedo, ela havia acendido o abajur da mesinha de cabeceira a pedido dele, possibilitando que ele apreciasse cada milímetro do corpo maravilhoso de Christina, enquanto faziam amor pela segunda vez. Dessa vez, com os cabelos dela espalhados pelo travesseiro enquadrando o rosto suave, ele mal podia acreditar que esse anjo era a mulher com quem havia feito amor havia uma hora atrás.

Era impressionante como ela combinava com ele na cama, como tinha a mesma paixão no ato de amor.

Na sua experiência de macho mulherengo, havia aprendido que as mais recatadas e tímidas eram as que se revelavam como as mais ardentes amantes na hora do sexo.

Mas nenhuma se comparava a Christina.

A forma como ela chamava seu nome... como mordera seu ombro durante os espasmos do clímax...

- Será que vamos conseguir nos comportar amanhã? - Ele murmurou, contornando o nariz delicado dela com o dedo.

A única resposta foi um suspiro profundo de fêmea saciada.

A verdade era que estar na cama de uma mulher era uma experiência nova para Derek. Pena ele não ter explicado sobre como costumava "namorar". Quando prometeu que ficaria até o sol raiar, não estava pensando com a cabeça.

Ao mesmo tempo, não sentia vontade de ir embora.

Para ser sincero, poderia ficar ali sentado, ouvindo o sono de Christina até a manhã seguinte.

Havia algo sublime e íntimo naquele ato, como se estivesse acordado para protegê-la.

O guardião do descanso da princesa, pensou.

Dominado, ele se curvou e lhe deu um beijo de esquimó, esfregando seu nariz no dela.

Ei. Um momento.

Derek se conteve. Estava indo longe demais.

Com uma sensação de fracasso, virou-se para o outro lado da cama. Foi um ato impensado, não era o que pretendia fazer.

Especialmente, porque aquilo era algo que "Senhor" teria feito, quando a mãe ainda era viva. Quando ela estava enferma, na cama de um hospital, e ele voltou de algum lugar longínquo, de um país pobre esquecido pelo resto do mundo, onde servia.

Na verdade, "Senhor" chegou a dar um beijo de esquimó na mãe de Derek, que tinha os braços cobertos de tubos e agulhas. Arqueando-se sobre o corpo dormente da esposa, esfregando seu nariz com carinho sobre o dela. Ao mesmo tempo, uma lágrima escorria sobre o rosto do salafrário, caindo na face pálida da moribunda.

- Por favor, não morra - dizia o velho homem, num tom de voz suave, destoante do que costumava ser, rude e seco. - Fique.

Obviamente não sabia que Derek estava acordado, pois quando percebeu que o filho estava prestando atenção, ficou irritadíssimo. "Senhor" tinha mania de descontar suas frustrações em alguém e Derek acabava sendo a maior e mais freqüente vítima.

Droga. Queria tirar da cabeça aquelas lembranças que o mortificavam tanto. Será que não tinha um cigarro ou algo parecido que o ajudasse a aliviar a dor?

De que adiantava, se ele não fumava? Mas talvez pudesse se habituar a fumar para momentos como aquele.

Perdido, remexeu-se na cama, pensando se não seria rude da parte dele sair sorrateiramente sem avisar.

Ela se esticou e espreguiçou

- Hora de trabalhar?

A voz era tão fraca e lenta, que ele mal a escutou. Ela parecia um gato acabando de acordar, empapuçado de leite quente e sardinha.

Ali estava a grande chance. Podia agradecer pela noite incrível, explicar sua filosofia de não se envolver, e depois encher a bola dela para que não tivesse nenhuma mágoa, se sentisse usada ou coisa parecida.

No entanto, nunca havia estado com alguém como Christina. Ela não era light. Não era alguém que podia descartar ou manipular com facilidade.

- Ainda tem muito tempo até lá. - Ele respondeu, desejando tanto tocá-la com intensidade, porém sem coragem. - Volte a dormir.

Covarde.

- Quer alguma coisa para comer? - Christina falou sonolenta, segurando o lençol na altura do peito, o cabelo uma nuvem castanho escura de seda.

- Só se tiver batatas chips - ele disse, brincando. Sabia muito bem que a senhorita saúde nunca teria algo tão pouco saudável em casa.

Ela o olhou com uma cara de criança que havia feito coisa errada.

Rindo, Derek disse.

- Está brincando? Como você pode ter essa porcaria dentro de casa, Christina?

- Não disse que tinha.

- Nem precisava. - Ele se sentia confortável ao lado dela, ao contrário do que pensava que aconteceria. - Seja sincera.

Ela se sentou na cabeceira da cama e tampou o rosto com as mãos.

- Tenho alguns biscoitos, mas muito pouco...

- É mesmo? Então se eu for até a cozinha e abrir seus armários... - Ele fez um movimento, fingindo que ia se levantar e ela o segurou pelo braço.

- Tudo bem, você me pegou. Sou uma boca nervosa. Assaltante de geladeira noturna.

- Você quase me enganou. - Ele relaxou e se deitou de lado sustentando a cabeça com o cotovelo.

Ei, ele não deveria estar indo embora? Não era isso que sua consciência dizia para ele fazer? Agora mesmo dizia "vá, vá".

Mas ele não se movia. Pelo menos não do jeito como deveria.

Em vez disso, levantou o lençol para alcançar o que estava dentro. Ela riu.

- O que está fazendo?

- Aproveitando cada minuto. - Até que aquele momento mágico chegasse ao fim.

Ele enfiou a mão por um espaço onde ela não podia segurá-lo, agarrou os joelhos dela e Christina deu um pulo.

- Derek!

- Calma - ele disse com um sorriso safado.

- Estou calma. - Ela ria nervosamente. Será que sentia cócegas?

Como será que seriam as coisas no trabalho no dia seguinte? Era melhor nem pensar sobre isso.

Ele começou a apalpar a coxa dela.

- Não precisa ficar nervosa, não vou machucar.

- Você? Derek Rockwell? - Ela cedeu e o deixou fazer o que quisesse. Apenas arqueou as sobrancelhas, demonstrando desconfiança. - Acho que a idéia que tem de você mesmo é bem diferente das outras pessoas.

- Então me diga. O que o resto do mundo pensa a meu respeito?

A mão de Derek foi subindo pela perna dela e os músculos de Christina foram relaxando.

- Sobre você? Bem, com absoluta certeza, só posso falar por mim.

- Pode começar.

Ele começou a massagear a coxa dela e Christina fechou os olhos, perdida na delícia do movimento da mão de Derek. A pele rosada dela o fascinava. Sentia-se tão bem em fazê-la se sentir bem.

- Do que já ouvi falar sobre você e do pouco que já vi - ela disse. - Você é um homem de negócios surpreendente. Tem um tino e um instinto que barram qualquer um. Uma cabeça incrível para os números. E calcula não apenas números, mas tudo, para conseguir o que quer.

Aquela descrição soava mais parecida a alguém que conhecia... frio, pragmático, exigente.

- É assim que me mostro para o mundo exterior? - Ele perguntou de um jeito que parecesse indiferente.

- Não gostou da descrição? Tem gente que trabalha a vida toda para ter um negócio com a reputação da Fortune-Rockwell.

Tinha passado tanto tempo tentando ser diferente do pai para acabar se metamorfoseando no próprio?

Não, "Senhor" nunca havia se entregado a um momento de puro prazer, a algumas horas de ócio que fossem. Nem com mulheres, nem com ele mesmo. Não era um homem que se arriscasse.

Derek era bem diferente. Era dono de seu destino.

Tirando a mão da coxa de Christina, ele falou:

- Não estou querendo saber apenas das minhas características profissionais.

Sua voz saiu falha. Que ótimo. Por que não mostrava logo todas suas fraquezas para ela de uma vez?

Christina olhou bem para ele, com compaixão e compreensão. Ela chegou bem perto dele, colando seu rosto no de Derek, enquanto apoiava o cotovelo no colchão e a cabeça na palma da mão.

- Quer saber a verdade? - Ela perguntou.

- Claro que quero.

- Fora do trabalho, você é um cara fantástico.

Derek tentou calar as vozes das outras mulheres que não se cansavam de elogiá-lo. De alguma forma, havia aprendido como falar manso e sensualmente com uma mulher, fazer o joguinho da sedução, tocá-la nos lugares certos e deixá-la feliz e satisfeita.

Mas era tudo superficial, porque nunca teve nenhuma idéia de como era amar alguém de verdade.

E começou a pensar em como Christina merecia muito mais que isso. Alguém melhor que ele.

Vacilante, ela acariciou o peito de Derek com as pontas dos dedos, brincando com alguns pêlos.

- Você não precisa responder se não quiser, mas... - ela fez uma pausa, então sorriu. - É que estou curiosa, pois não estou acostumada com estrelas do mundo dos negócios. Um executivo magnata como você tem tempo para namorar?

Havia chegado a hora da conversa do travesseiro. Será que ela estava tentando sondar até onde aquela noite iria? Se iria se estender pelo dia-a-dia dos dois?

Como havia falhado em estabelecer as regras e impor as barreiras com ela, anteriormente, agora era a hora certa para pôr tudo em pratos limpos.

- Não, não tenho tempo para namorar.

- Eu também não. Vivo dizendo que estou apaixonada pela minha carreira. Só penso nisso. - Ela forçou uma risada. - Ter sucesso no trabalho com certeza torna tudo mais difícil na vida afetiva, não é? O outro fica sempre em segundo plano.

- Tem razão. - Ela parecia estar poupando Derek de dar todas as desculpas cabíveis de por que aquela noite terminaria ali, ao amanhecer.

Ao mesmo tempo em que sentiu alívio, uma pontada de arrependimento também o acometeu.

- Então - ela perguntou

- Já teve tempo na sua agenda lotada para se apaixonar?

Agora era a hora de jogar curto e grosso.

- Para você ter uma idéia nunca disse a uma mulher "eu te amo".

Ele falou de um jeito que não soasse muito rude, mas que ao mesmo tempo não restasse dúvida de que era uma advertência.

Os olhos de Christina não escondiam o assombro. Algo triste para alguém da idade dele.

- Nunca? - Perguntou ela, como se querendo dar uma chance para que Derek refizesse sua resposta.

- Nunca. Não sou bom para relações, sei lá, não dou muita sorte.

- Ai - ela tirou a mão do peito de Derek e a apoiou no colchão.

Ela já sentia falta do contato.

Depois de uma pausa, pareceu que a ficha havia caído para Christina.

Quando Christina deu de ombros, numa atitude de resignação, Derek perdeu todas as esperanças a idéia passageira de que Christina seria a mulher com o poder de mudá-lo e domá-lo.

- Na verdade, também não tenho sorte no amor - ela disse. - Quer dizer, acho que sempre me dediquei demais aos relacionamentos que tive. Acabava afastando os caras, para a infelicidade da mama.

Derek desejou que ainda tivesse a mãe para lhe dar conselhos sobre sua falta de amor na vida.

- Você está querendo dizer que não tem um monte de homens batendo na sua porta, caindo a seus pés?

Ela pareceu surpresa.

- Claro que não.

Será que ela não sabia que era uma mulher de parar o trânsito? Ou Christina Mendoza era uma mulher que não conseguia valorizar suas qualidades?

Algo impensável.

Ele queria dizer a Christina que qualquer homem seria um afortunado se pudesse ter o amor dela. E que ela deveria ter mais consciência sobre seu poder de sedução e encantamento.

Mas não poderia ousar dizer algo assim, não quando não pensava em seguir adiante naquela história com ela.

- Ei. - Ele passou o polegar no queixo dela. - Eu me sinto um homem de muita sorte de estar com você hoje à noite.

Era o melhor que poderia fazer sem soar falso.

- Obrigada - ela disse, com um rosto mais iluminado. - Poderia viver recebendo elogios seus. - Christina continuou. - Melhor do que ser chamada de "fria" ou "bicho do mato".

Derek franziu a testa.

- Alguém já disse isso para você?

- Meu primeiro namorado de verdade. Eu amadureci tarde. Sempre fui mais boba que as meninas da minha idade. Preferia ficar com meus livros do que com garotos. Então, minha vida social só começou depois que fui para a faculdade.

- Não é motivo para se preocupar. Conheci um cara nos fuzileiros que era igual a você na adolescência. E olha que ele era homem, a pressão é muito maior. Na escola, ele fez uma promessa que a mulher com quem fizesse amor pela primeira vez seria a escolhida para se casar. Claro que mudou de idéia com o tempo, principalmente depois que entrou para a faculdade. Mas você não é a única, Christina.

- Que bom ouvir isso. - Ela se achegou para mais perto dele, enfiando uma perna entre as dele. - Na verdade, meu comportamento incomum nunca me incomodou. Como a mama sempre disse, era independente demais para me preocupar. - E tímida demais também. Além disso, gostava muito mais de tirar boas notas e participar de competições acadêmicas do que ficar indo às festinhas.

Derek esfregou os dedos pelo braço dela, observando os pêlos se arrepiarem com o toque.

- E quando foi que essa fase acabou?

- No segundo ano da faculdade. Minha primeira paixão.

- De adolescente? - Ele torcia para que ela tivesse algumas histórias para contar.

Ao contrário dele. Derek tinha passado os anos mais doces da juventude da mesma forma que na vida adulta. Relacionamentos fugidios e insípidos. A realidade era que Derek havia passado por tantas bases militares em tão pouco tempo que nunca tivera tempo de aprofundar nada com ninguém.

- Bem, não posso dizer que minha história de amor teve um final feliz - ela disse. - Meu namorado se cansou de mim e de minhas ambições em menos de dois meses. Foi então que ele me disse que eu era... - Ela tocou o ombro de Derek enquanto pronunciava as palavras. - Fria demais e que só ligava para o meu trabalho.

Ele não se atreveu a dizer que havia tido a mesma impressão até recentemente.

- Depois disso - ela continuou, num tom impertinente. - Entrei de vez no mundo de Christina, que estava todo voltado para subir as escadas do sucesso e ser a melhor.

- E você fez um trabalho e tanto.

Ela não respondeu, apenas mordeu de leve os lábios de Derek.

Para conseguir a atenção dela, ele retirou o lençol, deixando os seios dela à mostra. Foi como um murro no estômago de Derek.

Curiosamente, um soco gostoso.

- Ele foi seu único namorado? - Ele perguntou. - Em toda a sua vida?

- Não - ela respondeu tirando o lençol até abaixo da cintura, meio indecisa se deveria ou não tocar naquele assunto espinhoso. - Tive mais um. Mas também não terminou nada bem. Muitos mal-entendidos. Achei que ele estivesse mais interessado na minha irmã Glória do que em mim.

- Só se ele fosse um otário. - A voz de Derek era pura luxúria, enquanto passava a vista sobre o corpo de Christina. A cintura pequena, a barriga lisinha, as cadeiras torneadas e graciosas, as pernas sem fim de corredora.

Ele também devia ser um otário, pensou.

Provavelmente ela conseguiu ler os pensamentos impróprios de Derek, até porque seu corpo o denunciava, pois Christina se ocultou casualmente com as mãos. Quando falou, sua voz não era de infelicidade, apenas de resignação.

- Bem, aprendi muito com esses otários, Derek. Quando era mais jovem, tinha tantos ideais e sonhos, coisas que aprendi com minha família, com minha comunidade... Então fiquei mais velha e aprendi que essa história de ficar esperando pelo grande amor não faz muito sentido. Hoje em dia, já não espero muito dos homens.

Ele desviou o olhar, evitando-a. Sentia-se um imbecil por querer fazer amor com ela outra vez depois da confissão tão franca que havia acabado de escutar.

- Tenho que contar um segredo - ela acrescentou rindo. - Fiz uma aposta com minhas irmãs. Nenhuma de nós pode namorar ninguém durante um ano. Quer dizer, podia. Achei que não ia ser nenhum sacrifício.

Ele pôde detectar a dúvida nas palavras dela: será que ela havia perdido a aposta deitando-se com ele?

Enquanto ele pensava na resposta, Christina suspirou e descansou seu corpo sobre o dele.

- Mas é claro que isto não conta - ela disse. - Eu e você juntos por apenas uma noite. Vou agradecer imensamente se você não contar o que aconteceu a ninguém.

Sim, ele estava aliviado, mas não pôde evitar um sentimento de frustração. Então ela nunca tinha esperado mais dele, pensou Derek. Uma noite de sexo casual, nada mais. Christina era obcecada por seu trabalho assim como Derek. Aquele encontro amoroso não era nada além do que parecia ser.

- Você me prometeu o nascer do sol. - Ele sussurrou e pressionou os lábios no pescoço, beijando-o de cima para baixo.

Os dois se amaram até o primeiro raio de sol penetrar o quarto de Christina. Com a certeza de que seria a última vez. E por isso mesmo com toda a intensidade e paixão do mundo.


Quando acordou com o barulho da campainha, Christina estava sozinha.

Grogue pela noite mal dormida, ela praticamente se arrastou para fora da cama, resmungando pelas dores em determinados músculos que não havia usado durante anos.

Pestanejou algumas vezes até conseguir ver a hora no relógio da cabeceira. Droga, já tinha passado meia hora do horário de entrada na empresa. Olhou a cama completamente desordenada. As marcas da presença de Derek ainda estavam lá.

Será que ele ainda estava no apartamento? A campainha tocou mais duas vezes. Seria Derek?

Christina sorriu. Ela pôs o roupão de algodão branco e saiu pela porta.

A maratona sexual deve tê-lo deixado faminto, pensou. Ela também estava morrendo de fome. Quem sabe ele tinha resolvido fazer uma surpresa para ela? Preparado café, tortillas de milho com manteiga da padaria de baixo?

E ela que havia pensado que o tinha amedrontado quando ele lhe perguntou sobre os ex-namorados. Ela apenas quis dar um tom leve à sua história amorosa. Quis deixar Derek confortável, já que ele parecia pouco familiarizado com aquele tipo de assunto.

Ao mesmo tempo quis testá-lo, concluiu. Sondar a reação de Derek a respeito das relações amorosas. E quem sabe, identificar algum entusiasmo da parte dele, algum sinal de que talvez algo mais sério pudesse existir entre os dois.

Porém, logo começou a pensar que havia sido um erro tê-lo levado para dentro de sua casa. E principalmente ter contado sobre a aposta com as irmãs.

Ela esperava que, pelo menos, aquilo tivesse deixado Derek mais relaxado. De alguma forma, ajudou, pois pouco depois os dois fizeram amor como se nada mais importasse, como se não existissem problemas no mundo.

No final das contas, uma parte dela estava feliz porque ele havia demonstrado uma atração fulminante por ela. Logo, o fato de que Derek havia rejeitado seu beijo na noite anterior, não significava que ele não a desejasse ou que ela não era atraente.

O corpo de Derek havia dito como ela era linda.

No entanto, um outro lado de Christina se perguntava por que ela não era boa o suficiente para que ele a quisesse por mais de uma noite.

A campainha tocou mais três vezes consecutivas.

Talvez fosse ele pedindo para voltar.

Tentando não se mostrar muito animada, Christina abriu a porta, deixando a luz da manhã entrar.

E lá estava a mãe com uma amiga, Edith.

- Oiii - ela disse, abraçando a filha e arrastando Edith para dentro do apartamento. - A gente estava tomando café na La Tapatia, aqui na esquina. Aí viemos fazer uma visitinha antes de você ir para o trabalho.

Que maravilha, era só o que faltava, pensou Christina.

Pelo menos, Derek não estava lá. Teria sido um completo pesadelo, sem falar que sua aposta com as irmãs estaria completamente arruinada, já que a mãe não tinha o hábito de guardar segredos. Mas ela e Derek não estavam namorando. Ou ele não teria desaparecido daquela forma.

- Convidei Maria para comer comigo hoje de manhã - disse Edith, como se a desculpa tivesse sido previamente arquitetada.

Edith era uma mulher meio nervosa, bem magra, de cabelos pretos. Trabalhava na Fortune-Rockwell e era secretária de um dos corretores de seguro. Havia um mês, Patrick tinha sugerido que Judith fosse visitar a loja de Maria, em Red Rock, ao perceber que a funcionária era uma artesã também e adorava crochê. As duas ficaram muito amigas rapidamente e tomavam café da manhã uma vez por semana em algum lugar de San Antonio.

Nunca tinham passado na casa de Christina, até aquele dia.

- Bem-vinda, Edith. - Christina não queria ser rude apesar de seu óbvio descontentamento pela visita. - Querem beber alguma coisa?

Teria que ficar até tarde no trabalho para compensar as horas perdidas.

- Não, já comemos e bebemos muito no café - mama disse - Só queria que a Edith conhecesse seu apartamento.

Mama então começou o tour pela casa, guiando Edith e apontando alguns objetos de decoração de Christina. As porcelanas mexicanas, as estátuas de madeira de santos e as pinturas e esculturas com temas de sol.

Christina apenas olhava e esperava, muito desconfiada da visita inesperada.

Suas maiores apreensões vieram depois que a excursão pela casa terminou, após cinco minutos.

- Você se divertiu bastante a noite passada, hein? - mama falou. - Como foi que terminou tudo depois do jantar, mi hija?

- O que você quer dizer com essa pergunta, mama? - Christina arregalou os olhos, ainda mais constrangida pela presença de Edith.

- Você e o Derek foram os últimos a sair do restaurante. Fizeram alguma coisa depois?

Até Edith parecia interessada no assunto. Mas claro que estava. Apesar da cara de amável e inocente, era a maior fofoqueira da Fortune-Rockwell. Por sorte, Christina havia conseguido evitar o papo ardiloso da secretária até então.

- O quê? - Christina disse admirada. - Dois adultos não podem ficar numa calçada juntos à noite?

- Você não gosta dele? Pois eu gosto. E acho um bom partido para minha filha, que pensa demais, em excesso. Um homem ativo e decisivo é do que você precisa para sair da concha.

- Talvez seu julgamento tenha sido afetado pelo álcool? - Christina perguntou.

- Que jeito de falar com sua mama. – A mãe ajeitou o cabelo escuro com pequenas mechas grisalhas numa postura orgulhosa. - Além disso, sei muito bem beber.

Edith se meteu na conversa.

- Derek faz sucesso com as mulheres. Não estou nem um pouco surpresa de você gostar dele, Christina.

- É verdade. Patrick comentou comigo das festas e da vida noturna do rapaz em Nova York. Mas isso é passado. Ele é muy guapo, não, Christina?

A conversa com Derek na noite passada sobre nunca se apaixonar voltou para perseguir Christina e enchê-la ainda mais de dúvidas.

- Ele é um mulherengo, é verdade. - Acrescentou Edith. - Mas é cativante e extremamente charmoso. Não dá para não o adorar. Tem um sorriso que hipnotiza. Ah, as mulheres da administração vivem falando do bumbum lindo que ele tem.

- Quantas dessas mulheres ele já namorou? - Mama perguntou.

Que bom que a mãe perguntou, pois Christina também queria saber.

- Não, ele não sai com ninguém do trabalho. Pelo menos, não que eu saiba. Se ele faz isso, faz escondido de todos.

Christina sentiu a saliva descer com dificuldade pela garganta. Então ela era um segredo para ser guardado na lembrança de Derek?

Ela sentiu o coração diminuir. Tinha feito uma burrada, não tinha? Onde estava com a cabeça quando transou com o chefe num momento de puro devaneio e tesão?

Será que não tinha aprendido com as experiências do passado que sexo e trabalho não podiam se misturar?

O que faria se tudo começasse a dar errado no escritório?

Burra, burra, burra.

- Vocês me dão licença - ela disse para a mãe e para Edith. - Preciso me arrumar para ir trabalhar. E, pela última vez, não estou interessada em Derek Rockwell. Vocês entenderam?

A mãe deu um suspiro de resignação.

- Já estamos indo embora.

Ela abraçou a filha com força, enfatizando que a família sempre estaria lá para ela.

Mesmo que os negócios fossem mal.

Depois que Edith se despediu, Christina correu para o chuveiro e tomou um banho rápido.

Foi quando sua mente começou a voar.

Ele é um mulherengo, um sorriso encantador.

E ele não estava na cama de manhã para lhe dar bom-dia.



Dios, talvez Derek Rockwell estivesse agora mesmo rindo na sua mesa, se gabando por ter conquistado a rainha de gelo da empresa.

Ela havia se arriscado ao se envolver com um homem que não lhe prometeu nada e continuava sem prometer. Toda a culpa agora pesava sobre seus ombros e Christina sentiu muita raiva.

Raiva de si mesma por ter perdido o controle.

Nunca mais. De agora em diante teria apenas uma relação profissional com Derek. Mesmo que ele dissesse palavras sedutoras, mesmo que ela não conseguisse esquecer como os beijos dele a deixavam em fogo, frágil, mostrando suas fraquezas, seu lado passional. E tudo em apenas uma noite.

Ela tinha que recuperar o controle da situação.

Quando saiu do apartamento, Christina só pensava nisso, e sua determinação de resgatar sua auto-estima foi crescendo quanto mais se aproximava do trabalho.

De jeito nenhum iria permitir estragar novamente sua vida por causa de um chefe.

Uma vez já havia sido o bastante.






Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande