Um magnata no texas



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Capítulo 4
À meia-noite, Derek sentiu que ainda havia mil coisas para eles fazerem, apesar dele e Christina já estarem trabalhando havia horas, sem parar.

Sábado, geralmente, era um dia em que havia empregados entrando e saindo da empresa, mas ninguém era louco de ficar até tão tarde no trabalho. Logo, a pouca luz do ambiente e o barulho dos teclados dos computadores de Christina e Derek apenas intensificavam o que não havia sido dito entre os dois.

Ele a olhou por cima da folha que estava relendo e seus olhos encontraram os dela. Pelas veias do corpo de Derek apenas corria desejo. Ela estava sentada numa cadeira lendo um catálogo de uma universidade. Movia levemente os lábios enquanto examinava o texto, como se estivesse lendo em voz baixa. Era um sinal claro de que estava realmente cansada.

Os cabelos estavam presos, como sempre, mas ela havia feito um coque, preso com um palito de madeira. Também tinha tirado as sandálias fazia tempo, um gesto informal que fez Derek a imaginá-la no quarto dele. descalça, usando uma das camisas velhas que ele usava para dormir, com os cabelos desalinhados.

Tomado pela imagem, ele se ajeitou na cadeira e tentou esconder o sorriso malicioso estampado no rosto.

- A faculdade de Pecos tem um bom programa - ela disse, ainda analisando o catálogo.

- É perto daqui também. - Ele completou.

Era parte da grande idéia de Derek: oferecer financiamento para cursos em faculdades para os funcionários, que futuramente acarretariam aumento de salários.

Mais cedo, quando Derek e Christina chegaram a Fortune-Rockwell, em carros separados, ele tentou fazê-la esquecer o ato explosivo dele, do tipo "eu sou o patrão e você a empregada", explicando para ela as vantagens da proposta dele. Por sorte, ela comprou a idéia na mesma hora, pondo a mão na massa e se esquecendo de que havia sido literalmente carregada até ali.

Mas ele não costumava reagir tão impulsivamente quando recebia um não. Provavelmente, porque não estava acostumado.

- Então, o que você acha? - Ele perguntou. - O diretor da faculdade estaria disposto a conversar um pouco com agente a essa hora? Valeria à pena explicar a ele sobre a idéia.

Christina apenas lançou-lhe um olhar meio divertido.

- Não é todo mundo que está à sua disposição 24 horas por dia. Você tem que aprender a respeitar alguns limites, Rockwell. É bom que saiba que eu cedi só desta vez.

- Talvez consiga falar com ele amanhã de manhã para conversar sobre alguns detalhes. Acha que deveríamos chama Twyla, Jonathan e Seth para dar uma ajuda amanhã?

- As pessoas precisam descansar, Rockwell. Amanhã é domingo! - Ela pôs o catálogo de lado. - A gente pode se virar sozinho. Isso se você conseguir não se comportar como o imperador do reino.

Com essa, ela havia pego pesado.

Ao se espreguiçar, os seios pequenos e firmes de Christina pressionaram a camiseta. Ele podia quase senti-los, os bicos rijos contra as palmas das mãos.

Podia imaginar suas mãos percorrendo a curva das costas, da cintura de Christina, inclinando-a gentilmente, até que o corpo dela estivesse na posição perfeita para receber o dele, pele com pele, carne com carne, à luz do luar.

Droga. A agonia de possuí-la, com ela a poucos passos de distância, aumentava com a certeza de que não a teria nunca.

- Muito bem - ela disse, terminando de se esticar e esfregando os olhos. - Os slides estão todos feitos. Mas pelo visto, ainda precisamos conversar com o diretor da faculdade de Pecos, antes de seguir adiante. Será que agente deve procurar outras faculdades, caso a Pecos não concorde em fazer uma parceria?

Hora de voltar a pôr a cabeça para funcionar, não?

- É uma boa idéia.

No entanto, ambos ficaram onde estavam, exaustos.

- A gente podia dar uma pausa - ele disse.

- Tem muita coisa para fazer.

- É verdade.

Ainda assim, nenhum dos dois se moveu.

Ele ficou olhando fixamente para o laptop de Christina sobre a almofada do sofá. A proteção de tela, uma foto de um sorvete gigante com as cores do arco-íris, o deixou hipnotizado.

Começou a comparar: Christina, sorvete...

Com certeza, os dois deviam ser muito gostosos.

- Nossa, Sierra ligou três vezes para o meu celular. - Christina riu, interrompendo as divagações culinárias de Derek.

Ela sempre deixava o celular no modo silencioso durante as sessões de trabalho e estava inspecionando as chamadas.

- Com certeza ela deve estar querendo saber se escapei ilesa do seu charme traiçoeiro.

- Por quê? Ela não confia em mim?

- Rockwell, você me laçou!

Ele passou a mão pelo cabelo.

- Não posso dizer que já tinha feito isso antes para trazer um funcionário para o trabalho. Mas foi uma estratégia bastante eficaz.

- Você tem sorte porque tenho senso de humor.

- Eu sei. Desculpe, Christina. Eu exagerei.

Ela hesitou.

- Desculpas aceitas, Rockwell.

Ela continuava chamando-o pelo sobrenome. De alguma forma, ele havia tido as esperanças de que, depois de longas horas trabalhando juntos, a relação ficaria menos formal.

Mas ele desistiu.

- É melhor você ligar para Sierra, para dizer que seu chefe está tratando-a muito bem.

- Está se referindo a esta tortura por privação de sono? - Christina desligou o celular e o guardou na bolsa. - É o que você chama de tratar muito bem?

Derek se recostou na cadeira, pensando em como gostaria de tratar Christina.

Luz de velas.

Lençóis macios.

Beijos ardentes.

- Além disso - ela continuou, ignorante do súbito aumento de parte do corpo de Derek. - Liguei para casa quando cheguei. A Glória atendeu e disse que não se preocupassem.

- Não se preocupassem? - Ele perguntou, com cara de vítima. - Comigo? A família não poderia querer mais para a filhinha!

Christina ergueu as sobrancelhas.

- Você se acha, não é?

Derek deu de ombros

- Não sou um crápula?

- Patrick parece bastante orgulhoso dos seus instintos ferinos e da sua reputação de garanhão.

Ela só podia estar falando dos instintos para os negócios, porque Derek não poderia dizer o mesmo quando o assunto era mulher. Tudo bem que ele não era o típico homem de uma mulher só, mas quando estava com alguém costumava ser fiel. Pena que as relações não durassem muito tempo.

- Patrick me ajudou a ser o que sou hoje. Acho que sou uma versão mais jovem dele.

Com a diferença de que Patrick era completamente apaixonado pela esposa, Lacey.

O olhar de Christina suavizou-se e Derek ficou com o coração pequeno, entorpecido pela necessidade de merecer um olhar de admiração como o que Christina lhe deu.

- Você e Patrick têm um vínculo muito forte, dá para perceber. É por isso que...

- O quê? - Será que ela queria perguntar sobre a tensão que existia entre ele e Jack?

- Nada.

Ela se levantou da cadeira, desviando o olhar dele.

- É por causa do Patrick que eu e Jack temos uma rivalidade? - finalizou Derek.

- Estou cansada e falei sem pensar. Não precisa me responder isso.

Christina foi até a mesa dele, graciosamente, com aquelas pernas longas e bronzeadas de fora e tocou na foto da mãe de Derek com os cachorros. Ele se segurou para não pegar o porta-retrato e virá-lo para baixo.

Talvez porque fosse tarde da noite, Derek se sentiu encorajado a contar a ela um pouco de sua vida. Mas por quê? Derek nunca falava de sua família para ninguém, com exceção de Patrick.

Por isso ele não acreditou quando deixou escapar de sua boca as palavras.

- Era uma criança sem nenhum propósito.

Ele não contaria tudo a ela, no entanto. De como sua rebeldia era fruto das regras severas impostas pelo "Senhor".

Ele continuou.

- Mesmo assim, logo que pude entrei para os Fuzileiros Navais. Assim que saí da escola.

Christina se apoiou na mesa de Derek e cruzou as pernas. Ela estava bem perto e Derek pôde ver bem as unhas pintadas do pé dela.

Vermelhas. Então era essa a cor que ela escondia por de baixo da roupa profissional e sóbria de todos os dias.

- Bem que desconfiei. Desde o primeiro dia, percebi algo no corte do seu cabelo e no modo de você se comportar e se vestir. Meio austero, militar.

Derek sentiu uma ponta de irritação. Era assim que ela o via? Um espelho do "Senhor"?

- Você tem uma presença naturalmente imponente.

Então ela olhou para baixo e Derek percebeu que ela havia se arrependido de ter dado tantas opiniões a respeito dele.

Envolto por suas memórias, Derek tocou a camisa de Christina, pedindo atenção. Ela se assustou, mas não se afastou.

- Não parece que a amedronto muito. - Ele disse.

Ela não respondeu ao comentário. Em vez disso, se virou para ele e voltou ao assunto.

- E como foi que saiu da Marinha e terminou na Fortune-Rockwell?

Ele soltou a camisa de Christina.

- Passei pouco tempo nos Marines...

Quando se olhava no espelho com o uniforme, via a figura repressora do pai. Largou o serviço militar assim que pôde.

- Na escola, gostava de matemática e era aquele da turma sempre bolando planos para ficar rico. Então ficou claro para mim que Negócios era minha área. Foi aí que acabei conseguindo um MBA na universidade de Columbia, em Nova York.

- Nada mau.

O comentário dela o fez ficar animado.

- Foi aí que conheci Patrick num jantar. Nossas idéias eram muito parecidas e nos identificamos de cara. Em pouco tempo já estava trabalhando para ele no Banco Fortune. Não demorou muito para a gente fundar o Fortune-Rockwell.

E a partir dali, ele se tornou o figurão de Nova York. Eventos de caridade, concertos, óperas, festas mil... ele ia a todas, aparecendo nas revistas de fofocas, em cada foto com uma bela mulher diferente nos braços.

Para onde havia ido aquele sujeito

- Você tem sorte - ela disse - de ter encontrado alguém como Patrick. Nossa família sente a mesma coisa.

- Ele é inigualável.

A conversa cessou e ele ficou pensando em algo para dizer. Tinha medo que ela logo dissesse, "muito bem, chega por hoje, vou embora".

Mas ela o surpreendeu ao dar uma risada. Estava olhando, com aqueles olhos sempre tão penetrantes, para o colarinho desatado de Derek.

- É seu... - Ela fez um gesto com a mão.

Ele olhou para baixo e viu que seu colarinho estava novamente amassado. De manhã estava perfeito, mas durante o dia algo acontecia e o tecido amarrotava, apesar de seus esforços.

Quando ele voltou a olhar para ela, Christina também o encarava. Os dois tiveram seus corações acelerados.

Ela foi até ele. Com cuidado, esticou a gola fazendo-a voltar para o lugar.

- Seu colarinho me distraiu - ela disse com uma voz rouca e trêmula, diferente do tom profissional e controlado que a administradora de empresas Christina Mendoza costumava ter.

Mas agora, ela era apenas uma mulher.

E ele, um homem.

Sós num sábado à noite.

Ele nem respirou por medo de recordá-la de que ela permanecia com os dedos acariciando o colarinho dele. O calor da pele dela tão perto do pescoço o virou pelo avesso, expondo uma faceta que ele sempre tentava manter bem escondida.

Será que ela via o desejo incontido nos olhos dele? A curiosidade assustadora de saber como seria ficar com uma mulher tão encantadora?

Talvez ela tivesse visto, porque antes que seu coração voltasse a bater, ela se afastou, se levantou e foi para o computador.

Droga, por que não fez nada para impedi-la?

Pelo comportamento de Christina, não teria sido difícil. Poderia ter tirado aquela camisa e o short em dois tempos.

Poderia ter beijado todo o corpo dela.

O que havia de tão diferente naquela mulher que não o fez tirar proveito da situação?

Ela o deixava sem norte, por alguma razão. Ele não estava acostumado a toques que não fossem puramente carnais.

A gestos afetuosos

Quando ela se sentou no sofá, voltou toda a sua atenção para a tela do computador. Derek não fez nenhuma piada para não deixá-la ainda mais sem graça.

Se havia pelo menos uma coisa que ele já havia aprendido sobre Christina era que ela ficava extremamente nervosa com elogios e situações de intimidade no trabalho.

Determinado a apagar suas emoções, ele começou a teclar no computador, mas não adiantou nada. O alívio veio apenas quando o celular dele tocou.

No entanto, quando verificou o número no identificador de chamadas, ele soltou um palavrão. Ela era a última pessoa com quem ele queria falar naquele momento. Mas pelo menos serviu para tirar-lhe Christina da cabeça, pensou.
Não se esqueça da aposta, de Glória com aquele uniforme ridículo à francesa...

Christina precisava se convencer de que devia ficar ali, enraizada àquele sofá. Faria qualquer coisa para não cair na tentação de voltar até Rockwell, jogá-lo no tapete e atacá-lo, como uma verdadeira ninfomaníaca.

Quando o telefone tocou, foi como se seus sentidos a tivessem esbofeteado, trazendo-a de volta de algum lugar longínquo.

Agora, estava tentando voltar ao normal.

Paz, calma, respiração de yoga.

Finalmente, em seu estado normal, deu-se conta de como havia sido idiota. Como pôde tocar o colarinho dele, daquele jeito?

Tudo bem que não o havia lambido como se ele fosse um pirulito, mas mesmo assim, havia sido muito óbvia.

Nunca mais, pensou. Bastava lembrar de William Dugan.

Na verdade, talvez fosse melhor ir para casa. O tempo havia voado e Christina não havia parado para pensar que essa reunião a sós com o chefe, até altas horas, não pegava bem.

Esperaria que ele falasse ao telefone e se despediria. Levaria algum trabalho para terminar em casa até o dia seguinte, quando houvesse luz e outros funcionários na empresa.

Mesmo sendo cautelosa, Christina tinha medo de ter que enfrentar novamente rumores e insinuações maldosas que pudessem sujar sua reputação profissional.

Sentado atrás da mesa, Rockwell soltou um palavrão e ela voltou sua atenção para ele.

Ele estava olhando para o celular, com o cenho franzido de decepção. Ela ia perguntar quem era e por que ele estava com aquela cara feia, mas voltou atrás. Já havia ido longe demais naquela noite.

Deviam ter sido a falta de sono e o estresse que a fizeram perder o bom senso, pensou.

Aliviada por ter arranjado uma desculpa para justificar seu comportamento, Christina entrou numa página de busca da internet para investigar outras faculdades. Porém, sua cabeça continuava voando.

Apenas pousara em terra quando Derek atendeu ao celular.

- Oi.

Ele ficou calado enquanto a pessoa do outro lado falava. Christina tentou não ficar bisbilhotando a conversa, mas percebeu que ele estava indiferente e frio.



Será que era apenas coisa da sua cabeça ou as íris de Derek realmente mudavam de cor quando ele ficava nervoso ou com raiva?

- Chantelle, a gente já conversou sobre isso.



Chantelle. O nome mais parecia o de um perfume caríssimo que as madames da alta sociedade usavam para tomar o chá das cinco.

Rockwell se levantou e foi para uma sala anexa ao escritório.

- Sei disso. Mas agora estou trabalhando em San Antonio e não tenho idéia de quando vou voltar.

Ah, agora sim Christina compreendia o que estava acontecendo. Chantelle era a namorada de Nova York. Talvez nem isso mais ela fosse.

De qualquer forma, ela ainda estava bastante envolvida com ele pra estar ligando àquela hora da noite.

Quando ele fechou a porta, ela ainda pôde ouvi-lo dizer.

- Não, não estou com ninguém aqui.

Christina ficou decepcionada. Ela era ninguém, então.

Não conseguia mais ouvir a conversa com a porta fechada. Então, Christina resolveu tomar vergonha e começar a procurar algumas faculdades na internet.

Mas a tela do computador estava toda turva. Ela não conseguia manter os olhos abertos. Mesmo tentando evitar, acabou caindo no sono. Chegou até a sonhar. Com beijos apaixonados, carícias proibidas, gemidos insaciáveis.

Sonhou com Derek.

A sala anexa tinha um anuário com gravatas e ternos, equipamentos de ginástica e um banheiro com ducha. Derek estava apoiado à pia de mármore, com os braços cruzados.

- Eu sinto tanto a sua falta - ela disse numa voz rouca de fumante inveterada.

Ele havia saído com ela apenas uma vez antes de se mudar para San Antonio. Na verdade, a transferência de Derek ofereceu uma boa desculpa para que ele desse adeus sem grandes dificuldades para a ruiva light. Até porque, apesar de ter sido apenas uma noite, a mulher mostrou-se uma possessiva de primeira. Ligava com freqüência havia mais de um mês. Como finalmente andava carente pelo jejum, acabava dando trela para ela, mesmo que fosse apenas por telefone.

Mas agora, ele via que era a hora certa de pôr um fim àquela brincadeira.

- Não vou voltar a Nova York por um bom tempo - ele disse, tentando introduzir o assunto gradualmente.

Não queria ser curto e grosso e dizer: Não quero nada com você. É isso.

- Talvez - ela disse provocadora - a gente pudesse passar o tempo se curtindo agora, por telefone mesmo.

Sexo por telefone? Christina estava na sala ao lado. A idéia de Chantelle estava definitivamente descartada.

- Chantelle, estou trabalhando. Tem uma apresentação que preciso terminar para segunda-feira.

- O que você está vestindo?

Sua mente o transportou para a cama, com a ruiva deitada sobre ele, duas taças de champanhe borbulhando na mesinha-de-cabeceira ao lado, o corpo cheio de curvas generosas, coberto por nada mais que um ursinho rosa.

Pela reputação dela, ele não esperava que Chantelle fosse tão pegajosa, mas esse era o risco que corria por bancar o playboy, pensou. Às vezes, as mulheres mudavam de idéia com respeito às suas próprias regras.

- Obrigado, Chantelle, mas... - Para aliviar o peso na consciência, ele tinha que pôr um fim àquelas ligações tarde da noite. - Estou saindo com uma pessoa.

Houve silêncio do outro lado da linha.

Derek começou a andar pela sala.

- A gente já tinha conversado que nossa noite seria apenas diversão.

- Quem é ela?

Pronto. E agora?

- Você não conhece. Ela é uma colega de trabalho e...

- Continue.

Derek sorriu ao pensar na mulher que estava no sofá da sala ao lado.

- Sou louco por ela.

- Por enquanto, né?

Chantelle o estava desafiando, provavelmente curiosa para saber por que diabos ele havia mudado de idéia de uma hora para a outra e decidido se envolver por alguém.

- É verdade - ele disse, lembrando-se que nunca havia tido uma relação séria. - Por enquanto.

- Então não tem problema, posso pegar um avião até aí e...

- Chantelle - ele suspirou. - Não existe nada entre a gente. Você é uma mulher muito bonita que tem muito para oferecer a um homem disposto a sossegar. Mas não é o meu caso. Não sou seu tipo.

- Só queria...

- Desculpe-me.

Num som de fúria, ela desligou na cara dele.

Ao voltar para o escritório, desligou o celular. Estava exausto. Sentia-se desgostoso consigo mesmo pela primeira vez desde que havia começado a sair com alguém.

O que havia acontecido com o lado divertido dos velhos tempos? Quando dormia com uma mulher, faziam amor a noite inteira e o dia seguinte era apenas uma lembrança gostosa e uma despedida sem culpas.

Ele entrou na sala, pronto e determinado a se enfiar no trabalho. Foi quando a viu.

Christina estava em posição fetal no sofá, com as mãos sob a cabeça, enquanto dormia.

Naquele instante, o coração de Derek derreteu.

Sem fazer barulho ele se inclinou para perto dela, sentindo a serenidade com que ela dormia. Não havia estresse, nem ansiedade.

Os lábios dela estavam relaxados, os cílios escuros tocando as bochechas rosadas.

Sem conseguir se controlar, Derek acariciou o rosto dela. Estranhas sensações o deixaram arrepiado.

Queria ficar ali ao lado dela a noite toda, olhando-a, sentindo o contentamento que experimentava naquele momento. Mas o que aconteceria se ela acordasse e o flagrasse ali, tão próximo?

As conseqüências não seriam nada positivas para a relação de trabalho dos dois, com certeza.

Como se tivesse levado um murro, ele voltou à realidade, levantou-se e foi até a sala anexa para pegar um travesseiro e um cobertor que usava nas muitas vezes que acabava dormindo no escritório.

Com todo o cuidado, ele acomodou o travesseiro sob a cabeça dela e quase congelou quando a ouviu gemer e se moveu. Quando ela mudou de posição, sua boca tocou o braço de Derek. O contato causou um solavanco nele.

A pulsação dele acelerou. Ele se concentrou em cobri-la com o cobertor com a outra mão. Então, sem querer se mover, sentou-se, sentindo a respiração quente acariciar a pele.

Os minutos se passaram, tempo suficiente para que a culpa o perseguisse, convencendo-o a retirar o braço de baixo da cabeça de Christina.

Então, forçando-se a atuar como o chefe que era, voltou para sua cadeira e fechou os olhos.




Capítulo 5
Christina acordou com o aroma de café fresco e raios de luz do sol que invadiam a sala através da persiana do escritório.

Escritório?

Desorientada, ela tomou fôlego e se sentou para olhar ao redor.

Alguns vasos de planta. Instrumentos musicais de diferentes países. Uma escrivaninha maciça. Uma cadeira do chefe.

Com Sierra sentada nela.

O quê? Christina fechou os olhos e abriu-os novamente.



- Buenos dias - disse a irmã mais nova, com um vestido branco florido e os cachos presos para cima.

- A última vez que a vi - disse Christina - você não era um tubarão dos negócios chamado Rockwell. Onde ele está?

- Ele já tinha ido embora quando cheguei. Fiquei com pena de acordar você, então esperei um pouco, mas não muito. - Sierra saiu da cadeira e pôs de lado um dos catálogos que estava lendo para passar o tempo. - Mana, você não retornou minhas ligações, ontem.

- Eu ia ligar, mas acabei pegando no sono. - Um pouco mais desperta, Christina já podia formular algumas perguntas. - Não que não esteja feliz de ver você, mas o que está fazendo aqui?

- Glória disse que você estava sozinha com o Derek e ninguém respondia na sua casa. Então pensei em dar uma passadinha aqui, só para verificar. E aqui estou eu!

Ela foi até à mesa, onde havia dois copos e uma caixa engordurada.

Christina começou a salivar e se deu conta de que seu estômago estava roncando. Sua fome a fez esquecer sua irritação pela irmã ter ido até lá espioná-la.

Era típico da hermanita se preocupar demais com o problema dos outros. Encontrá-la ali, mal amanhecia, não era uma surpresa tão grande assim.

Anos atrás, quando Christina e Glória estavam brigando, Sierra costumava ter esse mesmo tipo de atitude, acordando cedo e esperando que elas acordassem. Não apenas porque se preocupava com as irmãs, mas também porque sofria de insônia.

Pobre Sierra.

Christina foi direto para a comida ver o que havia dentro daquela caixa.

- Como conseguiu passar pela segurança?

- Patrick me arranjou um crachá.

- Muito prestativo, esse Patrick. - Ela levantou a tampa de um dos copos de plástico e o cheiro delicioso de café fresco invadiu suas narinas. Mas Christina não bebia essas coisas. Pelo menos, não em público. Não era saudável. E ela era uma pessoa saudável, certo?

- Trouxe chá verde para você - disse Sierra. - Mas pensei que o Derek fosse gostar de um café fresquinho.

A irmã foi até a mesa e começou a retirar as guloseimas de dentro da caixa: rosquinha com açúcar em cima, bomba de chocolate, ovos mexidos com bacon.

Se Christina não tivesse tomado cuidado, teria babado em cima da roupa. Mas conseguia evitar a tentação. Todos os tipos, se fosse necessário.

Ela pegou uma rosca sem açúcar no topo. Mais nutritivo.

Sempre poderia comer a bomba de chocolate depois, sozinha, quando ninguém estivesse vendo. Comer bobagem era mais gostoso em segredo.

Christina tirou o material que tinha em cima do sofá e o pôs no chão para que Sierra se sentasse. A irmã tinha um prato cheio de guloseimas.

- Tem muito ainda para o Derek - disse Sierra, e pela forma como prendia os lábios, Christina podia adivinhar que ela estava cheia de perguntas para fazer, na ponta da língua.

- Caí no sono sem querer - disse, pondo o saquinho de chá na água quente. - Não aconteceu nada, Sierra. Sabe muito bem o que acho de brincadeira no trabalho.

- Mesmo depois dele ter levado você laçada lá de casa?

- Tudo bem, ele usou um método bastante extremo para me trazer até aqui. Mas foi por motivos puramente profissionais.

- É que achei estranho você ter passado a noite aqui... principalmente depois do que aconteceu, a queixa por assédio sexual contra o Dugan...

- Posso garantir que não foi a noite dos meus sonhos. Nenhum dos dois viu o tempo passar. Eu estava de saída. É verdade.

- Também não precisa ficar se desculpando. Você está exausta e tem todas as razões para estar.

Christina sabia disso, mas não queria ficar paranóica com as relações no trabalho. Não queria ficar uma chata anti-social e isolada. Tratar todo homem como se fosse um tarado em potencial só fazia piorar as coisas, havia aprendido com o tempo.

No entanto, tinha que continuar se preocupando com sua reputação profissional.

- Sei que não foi um incidente feliz - disse. - Mas não vai acontecer de novo.

Ela comeu a rosquinha, pondo um ponto final num tema que preferia esquecer.

Sierra tomou um gole de café, fez uma careta e disse com carinho:

- Sei disso, mas, ao contrário da Glória, não quero que você seja a próxima vítima da nossa aposta.

Ainda mastigando o bolinho, Christina olhou Sierra com uma cara de interrogação.

- Sim, senhora. Glória cismou que está rolando um clima entre você e seu chefe e já está até bolando um castigo para você.

- Vindo da Glória, deve ser algo horrível.

- Acho que vai ser num lugar público, um mico bem grande, já que ela ainda está toda moída de ter faxinado as nossas casas.

- Então vou garantir que não caia em tentação até o fim do ano - disse Christina, tomando um gole do chá.

Apesar de ter soado indiferente, Christina estava preocupada. Já que ganhar a aposta estava começando aparecer difícil de se conseguir.

Um ano inteiro sem sair com um homem.

Até então, não havia sido algo difícil de imaginar.

- É assim que se fala. - Sierra levantou a mão. - Nós duas não vamos desistir, mesmo que a Glória já tenha vacilado. Bata aqui.

Christina deu um tapinha na mão da irmã e as duas riram, sabendo que qualquer um acharia ridícula uma aposta como aquela.

Mas para elas, aquilo era muito importante. Desistir de homens, nem que fosse por algum tempo, seria algo positivo em suas vidas.

Elas comeram e mudaram de assunto, falando sobre o churrasco, da alegria de serem tias, dos amigos de Sierra, e de sua frustração com um, em particular: Alex Calloway, que parecia só saber magoá-la.

Christina sabia que Sierra escondia algo, mas como irmã mais velha mantinha os olhos abertos, monitorando-a como Sierra gostava de fazer com as pessoas de quem gostava.

Estavam à vontade, conversando, quando Rockwell entrou no escritório, um Rockwell totalmente diferente do que ela estava acostuma a ver.

Vestia tênis de ginástica, calça de moletom e uma camiseta azul molhada de suor que marcava os músculos bem definidos do peito. O suor cobria os braços fortes e bronzeados, o rosto e o cabelo.

A determinação de Christina em evitar a tentação desapareceu como num passe de mágica.

- Bom dia - ele disse, dando aquele sorriso irresistível que tinha. - Achei que fosse encontrar Christina ainda dormindo. Fiz de tudo para não fazer muito barulho quando saí.

Então ele voltou o sorriso especialmente para ela. Christina engoliu o resto da rosquinha com dificuldade.

Caramba.

O que ele tinha que fazia com que Christina baixasse a guarda e sentisse vontade de se jogar nos braços dele?

Enquanto ele cumprimentava Sierra, Christina se deu conta de que o cabelo estava todo despenteado e a pouca maquiagem que havia posto já devia ter saído. Ela tentou esconder o rosto, apoiando a cabeça na almofada do sofá.

- A gente deixou bastante comida para você. Deve estar com fome depois do exercício. Estava correndo? Christina também adorava correr.

- Estava na academia da empresa. Só usei um equipamento que simula canoagem. Christina, a gente podia expandir o lugar e pôr mais equipamentos para os funcionários, o que acha?

Ela apenas mexeu a cabeça afirmativamente, tentando esconder a cara de sono.

- Canoagem? - Sierra perguntou. - Se você gosta de remar, San Antonio é o lugar perfeito para você. Sabia que a gente tem uma competição de canoagem todo o ano, em maio? Você pode participar!

- Já participei - Rockwell foi andando até a sala anexa. - Foi a primeira coisa que fiz quando me mudei para cá. Remo todos os dias de manhã, mesmo que seja na máquina. Sou um viciado.

- Que nem a Christina. - Sierra deu um tapinha na perna da irmã. - Viu, você não é a única obcecada por exercícios.

Christina se levantou do sofá. Nem um batom, uma sombra. Um desastre.

- Por falar nisso - ela se levantou e foi ao outro lado da sala pegar seus pertences. - Preciso ir para casa fazer um pouco de ginástica.

- Bem, eu vou tomar um banho, me atirar no banquete que a Sierra trouxe e depois voltar ao trabalho. Você volta aqui hoje?

Na verdade, ela tinha parado na parte do "vou tomar um banho".

Rockwell, sem roupa, com a água escorrendo por sua pele, seus músculos, deixando-o ainda mais escorregadio e perigoso.

Ela voltou a pergunta. Será que deveria se arriscar a trabalhar com ele sozinha novamente? Especialmente com tantos pensamentos impróprios passando pela cabeça?

- Já estamos com quase tudo pronto.

- Quem sabe agente não podia mudar de cenário. Ir para outro lugar? Pode ser no meu escritório. - Assim, teria mais controle sobre a situação.

Ao contrário do escritório isolado de Rockwell, o dela ficava no meio do andar, sua janela dava para um saguão cercado por outras salas.

- Sem problemas.

De repente, ela se sentiu uma idiota por estar sendo tão precavida.

- Então, a gente se encontra lá às onze.

Era tempo suficiente para que ela fosse dar uma corrida, fizesse um pouco de yoga, tomasse um banho e desse um pulo na missa.

- Quero voltar para casa o mais cedo possível - ela acrescentou. - Assim, posso descansar um pouco para a apresentação de amanhã.

- Por mim está ótimo.

Sem olhar para ele, Christina saiu do escritório. Sierra foi atrás depois de se despedir de Rockwell.

- Por que tanta pressa? - A irmã perguntou depois que entraram no elevador.

- Quero começar logo, tem muita coisa para fazer.

Era um bom argumento.

Até porque não podia contar a verdade: que o que precisava mesmo era tomar um bom banho frio. Porque ela ganharia a aposta de qualquer jeito.


A tarde estava linda e o sol já ia embora, deixando um céu crepuscular de tirar o fôlego. O escritório de Christina estava banhado pelas luzes alaranjadas do sol.

As cores se misturaram nos cabelos de Christina, Derek reparou, olhando-a da poltrona onde estava sentado. O sombreado nos cachos presos para cima faziam-nos parecer gotas de chuva.

Quando ele era criança, tinha visto algo similar, quando o pai havia sido transferido para a Coréia do Sul. Uma noite, o "Senhor" havia lhe dado uma bronca por ter encontrado uma gota de molho de tomate no prato que Derek havia lavado. Derek saiu correndo na chuva, procurando o lugar mais escuro e escondido que pudesse haver na base militar. Ficou olhando as gotas que caíam, brilhando e desaparecendo logo que tocavam o chão.

Pena que o "Senhor" não pudesse desaparecer da mesma forma, pensou à época.

Mas como era muito pequeno para se virar sozinho, teve que voltar para casa. Sempre voltara - até que fosse legalmente independente para servir nos Fuzileiros.

Que ótima idéia havia sido, não? Como seu pai era do exército, sabia que irritaria o velho. "Senhor" desprezava os Marines e para Derek havia sido um grande prazer causar tamanho desgosto ao pai. Até o dia que percebeu que havia se tornado igual ao velho.

Até aquele momento, havia feito de tudo para ter uma identidade própria, começando a trabalhar com Patrick, provando para si mesmo que não vivia o jeito rígido e controlado de "Senhor", saindo com uma mulher atrás da outra.

Derek bloqueou a imagem do pai, mergulhando no trabalho novamente, apagando o passado com um monte de números e cálculos.

E, logo, ele e Christina estavam prontos para revisar a apresentação que iriam fazer no dia seguinte.

Foram para a sala de conferência ao terminarem e Christina se sentou ao lado da tela, enquanto fingia ser a platéia. Ele quase não falaria nada no dia, pois preferia deixar que a funcionária tomasse as rédeas da apresentação, enquanto os dois responderiam as possíveis perguntas.

Ela abriu o PowerPoint e os dois pegaram caneta e papel para fazer anotações e ajustes, caso fosse necessário.

Para uma mulher que havia se apresentado como fria e tímida, Christina parecia estar confortavelmente no comando da situação. Mesmo vestindo um short rosa cáqui e uma blusa azul, ainda assim Christina Mendoza era uma profissional erudita.

No entanto, havia algo mais também. Tinha uma classe que a maioria das mulheres não tinha.

Derek não conseguia tirar os olhos dela.

A apresentação não tinha nenhuma falha e, pelo brilho do olhar de Christina, ela sabia muito bem disso.

- E então? - Ela disse.

- Fiz algumas observações. Quero que você dê uma olhada.

Ela o olhou desconfiada.

- O que foi que saiu errado?

Havia um tom insolente e petulante que não combinava com a personalidade reservada dela.

Ele entregou-lhe o papel com as anotações.

Ela tomou a folha, pronta para contestar que não havia nada para ser mudado na apresentação. Porém, relaxou ao ler o que estava escrito no papel: "Você é incrível".

Um sorriso brotou dos lábios de Christina, iluminando seu rosto e deixando Derek quente por dentro. Então, ela pousou as mãos na cabeça.

- Que bom!

Derek riu, apreciando aquela reação despojada. Ela o surpreendia mais a cada dia e se mostrava mais imprescindível e intocável.

- Ai, que bom, que bom! - Ela deu uma leve sacudida na cintura, como se fosse começar a dançar.

- O que é isso? - Ele perguntou.

- Salsa. Para comemorar o fim dessa apresentação.

Bem, ele poderia se acostumar rapidamente a assistir àquela dança, com o umbigo dela mexendo para trás e para frente, num ritmo macio, enquanto ela ouvia a música em sua cabeça.

- Não é maravilhoso? - Ela perguntou.

- Ah, é.

Ela parou de dançar em seguida e corou.

- Não estou falando disso, Rockwell. Quis dizer que é maravilhoso saber que tanto esforço vai trazer muitos frutos em breve.

Que se danassem os lucros. Ele só queria ver a cara do Jack.

Droga, por que se comportava como um garoto bobo que só queria implicar com o irmão?

Porque seria maravilhoso ver que o irmão teria que reconhecer como ele era bom no que fazia.

Christina permanecia agitada, feliz pela missão cumprida.

Derek se levantou.

- Você está praticamente bêbada de felicidade.

- Quando fui para casa malhar, senti uma disposição incrível e sei que você também sentiu, depois de remar. As endorfinas vêm com tudo. Eu adoro.

Ele foi para mais perto dela e o coração dele acelerou, como quando estava fazendo exercício. Mas era diferente, com exceção de que também viciava.

Era medo e ansiedade envoltos um no outro.

Uma sede insaciável por um copo de água gelada ao alcance da mão.

Christina tocou os cabelos. Por um segundo, Derek achou que ela fosse soltar os cachos. Mas, em vez disto, ela penas ajustou um dos grampos que prendiam seus cachos.

- Desculpe pelo comportamento idiota - ela disse ainda com brilho nos olhos. - Mas estava precisando relaxar. Acho que algumas horas de sono vão ajudar ainda mais. Eu me sinto como se ainda estivesse na faculdade, estudando como uma louca para terminar a tempo. Ou depois de terminar o período de provas...

Ou, pensou ele, quando se está sexualmente frustrado por não poder ter o que se deseja e então sair pulando seria o único jeito de aliviar a tensão.

Era assim que ele se sentia.

- Se não fosse uma idéia absurda - ela disse, movimentando a cintura novamente. - Daria umas aulas de salsa para você.

- Tem razão. Dançar e se divertir no escritório é definitivamente inapropriado.

- Não foi isso que quis dizer.

Haviam voltado à condição de empregada e chefe, novamente.

Mas já haviam feito algum progresso no campo pessoal, apesar dele saber que não deveria querer isso, por várias razões, além da necessidade de manter as mãos bem longe da subordinada.

Ele lembrou de como a mãe tinha ficado arrasada, esperando o marido voltar das missões nos confins do mundo.

Compromisso sério era uma droga. E Christina Mendoza não era o tipo de mulher que aceitaria um envolvimento afetivo se não fosse sério.

E Derek não era um negociador astuto o suficiente para evitar as conseqüências de um envolvimento com ela.

- Antes de você se empolgar demais - ele disse, virando a folha do papel - é melhor ler a segunda página.

Christina acabou com sua festinha particular, sem entender bem o que ele queria dizer e tornou a pegar o papel.

Ele havia feito duas observações: a velocidade da passagem dos slides e um número errado do orçamento que o diretor da faculdade de Pecos havia dado.

- E a outra página também - acrescentou ele.

Quando ela olhou a última página, seu sorriso voltou. Ela viu que as correções que teria que fazer eram insignificantes. Estava escrito: "você vai arrasar".

- Você me assustou! - Ela saltou e o pegou pela camisa, num ato impensado de exaltação.

Nas alturas, Christina não estava ciente do que fazia. Estava fora de controle, pela alegria do êxito. Apenas sabia que estava feliz. Sentia como se pudesse fazer qualquer coisa! E podia, preparando e terminando uma apresentação impecável em tempo recorde.

Os olhos escuros de Derek se arregalaram e ela chegou a sentir um pouco mais de poder com a cara de surpresa dele. O perfume que ele tinha, com cheiro de colônia cara e gostosa, atiçou os hormônios de Christina.

Antes que pudesse dizer a si mesma que parasse, estava impetuosamente apertando Derek contra si, tascando-lhe um beijo na boca.

A primeira reação de Derek foi de susto e ele ficou imóvel. Mas por dentro, algo escondido e indomável naquele beijo era desafiador e estimulante.

Era óbvio que ela podia controlar um homem com facilidade. Deixá-lo de joelhos.

Christina aumentou a intensidade do beijo, desejando descobrir o que ele tinha a oferecer.

Então, quando ela estava quase perdendo a confiança, a paciência, Derek reagiu, retribuindo o beijo insistente. Ele a pegou com uma das mãos no rosto para que ela ficasse mais perto ainda. Com a outra mão agarrou a camisa de Christina, nas costas, como se sua vida dependesse dela.

Em estado de êxtase, ela gemeu, excitando-o ao agarrar os cabelos dele, explorando-o com voracidade.

Ao sentir os seios dela contra o peito, Derek sentiu sua respiração falhar e o desejo tomar seu corpo por inteiro.

A cabeça era pura confusão e o desejo, incontido.

A mulher de gelo estava beijando sua boca.

Como isso podia estar acontecendo?

Não havia tempo para pensar. Quem se importava, afinal? Ela estava excitada e não ia ser ele quem iria acabar com a festa.

Mas como podia explicar a necessidade de tomá-la nos braços e abraçá-la forte, para que ela nunca mais fosse embora? Porque sabia que ela iria embora, e essa constatação era dolorosa, queimava de desejo por possuí-la.

No entanto, não era assim que ele agia. Não costumava ficar com algo depois que o conquistava. Por essa razão, aceitou o desafio de sair de Nova York e se mudar para San Antonio. Já estava criando raízes demais, vínculos que o prendiam a um estilo de vida com o qual estava se acostumando.

E abraçar Christina e envolvê-la como queria era arriscado demais, íntimo demais.

Forçando o abdômen, Derek esperou mais um instante para desfrutar o perfume delicado dos cabelos e a pele suave de Christina, sua boca quente.

Num ato que parecia arrependimento ele parou de beijá-la.

- Este foi um momento de pura insanidade - ele disse, tentando tornar a situação menos tensa.

Obviamente desapontada, Christina ficou completamente ruborizada e se afastou. Ela cruzou os braços, olhando para todos os lados, como se estivesse tremendo de frio, do lado de fora de uma casa de onde houvesse sido expulsa.

- Uau - ela tentou ensaiar uma risada. - Você tem razão. Acho que é a falta de sono.

Aliviado ao perceber que ela não fez uma tempestade num copo d' água, Derek concordou.

- Muito café também.

- Ou chá.

Os dois concordaram, pensativos, incapazes de se moverem e encarar a verdade.

- Bem - ele pôs as mãos nos bolsos da calça. - A gente devia descansar um pouco para amanhã. Nosso grande dia. Vamos?

- Definitivamente.

Ela foi saindo as sala devagar e ele permaneceu na cadeira, querendo que ela deixasse o prédio antes.

Então, ela se virou e a boca se abriu como se fosse dizer algo.

- Ele congelou, com medo de que ela fosse lembrar o que havia acontecido. Tinha medo do que ira responder.

Ela deve ter lido seus pensamentos, sentido seu medo.

- Boa noite, Rockwell.

- Boa noite.

Ela fez uma pausa, suspirou e o deixou ali sentado, revivendo aquele beijo repetidas vezes, como uma vitrola arranhada.

Até que o lugar ficou totalmente escuro.

O sensor de luz, claramente, tinha detectado que não havia sinal de vida no local.




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