Um magnata no texas



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Capítulo 2
Bem cedo, na manhã seguinte, depois de ter feito algumas modificações a pedido de Christina, Derek cumprimentou sua secretária, Dora. Ela parecia estar mais introspectiva do que o normal.

- O que a está incomodando? - Ele perguntou ao entrar na sala de espera. A carinha triste dela causou pena em Derek. - Está gripada? Ou é por que o Tom Cruise vai se casar novamente? - ele apontou para uma das fotografias do astro de cinema que decoravam a mesa de Dora. De alguma forma, ela conseguia manter a ordem e deixar a mesa com um aspecto profissional. Talvez por isso ele nunca tivesse pedido que ela tirasse as fotos.

Além disso, os empregados andavam muito insatisfeitos com a empresa e não havia por que tornar o clima ainda mais tenso.

Dora suspirou.

- Na verdade, estamos todos um pouco desapontados com a chegada da nova administradora.

- Christina Mendoza? - Mas seria possível? Mal havia chegado e ela já estava causando problemas?

- É, estamos imaginando o que ela tem debaixo da manga. Mais demissões? - Dora olhou para o chefe tentando conseguir captar alguma informação que Derek pudesse deixar escapar. Não era segredo que os dois estavam trabalhando juntos.

Não tão juntos quanto gostaria a libido de Derek, mas isso era outra história.

- Não vai ter mais nenhuma demissão - ele respondeu, lembrando-se de que tinha que preparar um informe para os empregados esclarecendo que ninguém seria mandado embora. - Já estamos trabalhando no limite mínimo. Não tem com que se preocupar, Dora.

- Ai, graças a Deus. Achei que aquela pilha de papéis que ela deixou na sua mesa significava más notícias.

Ao chegar no escritório, encontrou a tal pilha de papéis que Dora havia mencionado. Catálogos sobre aulas de costura, cursos de preparação profissional, ciclos de literatura.

Enquanto esperava por Christina, limpou sua mesa e se acomodou na cadeira, ciente de que teria um longo dia pela frente.

Se estivesse em Nova York, estaria numa limusine às seis da tarde, às sete, em algum evento e antes das dez na cama de alguma mulher. Mas em San Antonio, Derek não estava encontrando tempo para a vida social. Teria que começar a pensar numa solução para o problema. Antes, no entanto, precisava botar a empresa em ordem novamente.

Dez minutos depois, Christina chegou, com mais relatórios debaixo do braço e vestindo um terno bege bem comportado. O grampo turquesa que prendia parte do cabelo talvez fosse o único item mais ousado do guarda-roupa dela.

Mesmo assim, ele conseguia ver a beleza estonteante que se escondia por detrás de tanta sobriedade.

- Pode sentar, Christina. - Ele tentou disfarçar o desejo que sentia naquele instante.

- Obrigada. - Ela foi se sentar na cadeira em frente à mesa de Derek, mas no lugar estava o monte de catálogos que havia deixado lá. Mais parecia o Monte Everest.

- Por acaso é uma indireta?

- Gosto de você. Pega as coisas rapidamente.

- Pego mesmo. De qualquer forma, senhor Rockwell, sublinhei os cursos que achei mais interessantes.

- Não tenho tempo para ficar folheando catálogos.

Ela o encarou por alguns segundos antes de balançar a cabeça.

- Reparei desde o início que você não está envolvido nisso. Não está convencido de que minhas idéias são boas. Você só pensa em números e é assim que trabalha. Foi assim que acumulou sua fortuna.

- Mais uma vez, você fez bem seu trabalho de casa.

- Os informes anuais me foram bastante úteis. Mas nesta sucursal, você está lidando com pessoas, não com números. E estas pessoas, queira ou não, afetam o resultado dos seus tão preciosos números.

Sim, ele já sabia. E Patrick já havia conversado isso com ele mais de uma vez, mas ele era teimoso demais para admitir.

Ela deu um passo à frente, oferecendo um relatório.

- Aqui. Fiz um resumo. Hoje quero fazer um levantamento com os funcionários para saber quais são as maiores necessidades deles.

Ele pôs o relatório sobre a mesa.

- Você, por acaso, dormiu esta noite?

- Eu... - Ela engoliu em seco. - Preferi ficar acordada para adiantar o trabalho.

Ela não abria nenhum espaço para que ele se aproximasse. Não entendia como conseguia se sentir tão atraído por uma mulher que não lhe dava a mínima. Além disso, ela não fazia o tipo dele. Normalmente, Derek gostava da companhia do que Patrick gostava de chamar de mulheres light.

- Que nem cerveja sem álcool - costumava dizer o patriarca.

- Insípida e insossa.

Derek costumava ignorar os comentários do sócio, apesar de saber quão verdadeiros e constrangedores eram. Entretanto, não estava interessado em nenhuma relação séria mesmo.

Sem envolvimento, sem problemas. Era sua filosofia.

Derek se levantou, foi até a cadeira onde estavam os papéis e os retirou para que ela pudesse se sentar. Quando Christina se sentou, uma doce e erótica fragrância perpassou o nariz dele.

Ele logo começou a fantasiar e se viu provando do cheiro penetrante da pele dela, deixando que o perfume o penetrasse.

Mas Derek não queria esse tipo de romance. Sempre se assegurava de que nenhuma mulher conseguisse se tornar muito íntima.

- Sr. Rockwell?

Ele olhou subitamente para Christina, que o estudava com curiosidade. Por favor, não me pergunte se está tudo bem, pensou ele.

- Podemos começar?

Derek se virou para olhar a dona da voz, uma loura mignon, numa sainha mínima vermelha e uma blusinha sem manga branca.

Christina também se voltou para ela e a minissaia a fez erguer as sobrancelhas.

- Olá - disse a garota, estendendo a mão para ele. - Sou Twyla, faço parte da equipe.

- Você? - Perguntou Christina.

Derek cumprimentou a jovem rapidamente. Seu radar masculino por mulheres light já havia sido acionado.

Tentou se concentrar na roupa de vovó que Christina usava. Mesmo assim os olhos de Christina, brilhantes e inteligentes continuavam mais interessantes que a pouca roupa da recém-chegada.

Twyla foi logo cumprimentando Christina também. Derek pôs a cabeça no lugar e se dirigiu até o sofá.

- Há quanto tempo trabalha para a Fortune-Rockwell?

- Ah, já tem alguns anos, assim que saí da faculdade. Jack Fortune foi quem me designou para fazer parte da equipe.

- Muito bem. - Derek disfarçou o trincar dos dentes. Então Patrick havia enviado uma espiã, pensou. - Também pedi mais dois funcionários para fazer parte do grupo. Vamos esperar por eles antes de começarmos a reunião.

- Opa. - Twyla deixou cair a caneta no chão. Ao se agachar para pegá-la, revelou um bom pedaço de carne bem na direção dele, levantando a cabeça para ver se Derek estava olhando.

Por favor, ele era homem. Um homem que passava parte do tempo trancado dentro de um escritório. Claro que estava olhando.

Porém Derek não saía com funcionárias. Sabia que era a situação perfeita para metê-lo em apuros.

Além disso, quando se virou para Christina, percebeu como andava sem nenhum interesse pelas marcas light.

Apenas desejou que ela não o estivesse olhando como se ele fosse um ser repulsivo e imoral.
Quando o cair da noite começou a escurecer o escritório de Christina, ela ouviu Twyla bocejando da poltrona que Christina levava consigo para todos os empregos desde que se formara na faculdade de Administração de Empresas.

Todos os móveis dela tinham algum valor sentimental e eram antigos. Gostava do trabalho da arte popular mexicana que retratava as várias fases do sol; esculturas de bronze, cestas com pétalas de flores aromáticas. Passava tanto tempo no local de trabalho que gostava de decorá-los para que ficassem aconchegantes como sua própria casa.

- Vou ficar mais um tempo aqui, Twyla, mas por que não continua o trabalho amanhã?

A garota se levantou na mesma hora.

- Tem certeza? Posso ficar mais, se quiser.

- Não, obrigada, você já ajudou bastante. - Surpreendentemente, era verdade. No início teve suas dúvidas quanto à competência da menina, mas Twyla acabou se mostrando uma funcionária dedicada. - É sério, pode ir.

- Está bem. Vemo-nos amanhã, então.

E em menos de um minuto ela já tinha sumido da sala, deixando Christina com uma lista interminável de tarefas.

Mas ela não se incomodava. O trabalho era sua vida.

E ajudava a não pensar no silêncio do apartamento que havia recentemente comprado para morar. No som da goteira na bica da cozinha que algum dia deveria ser consertada. Nas canções de salsa que tocava para fazer companhia.

Contanto que não fizesse nenhuma besteira na Fortune-Rockwell, haveria trabalho suficiente para mantê-la ocupada e satisfeita. Com toda a sinceridade, não agüentaria outro episódio igual ao que havia vivenciado, anos antes, na Macrizon: a decepção de ver o chefe se voltando contra ela. O choque de descobrir que os colegas de trabalho também lhe haviam virado as costas.

Chefes, pensou. Estava tentando, veementemente, manter-se na linha com respeito a Derek. Era verdade que o havia flagrado secando-a com os olhos, mais de uma vez. No entanto, era um comportamento previsível de homens com poder. Na Macrizon, seu superior, William Dugan, havia dedicado a ela mais atenção do que o normal.

E por isso, deu no que deu, pensou. Havia se metido numa roubada.

Teve que fugir de casa, com o rabo entre as pernas para a Califórnia, abandonando a família, seus amigos verdadeiros.

Bem, não iria acontecer ali. Muito menos com Rockwell. Mesmo sentindo uma vontade incontrolável de subir em cima dele, sempre que estavam sozinhos.

- Como consegue funcionar, sem pregar o olho?

Ela olhou para a porta e encontrou Derek do lado de fora.

Com as mangas dobradas e os músculos do braço à mostra, a gravata desatada e a camisa meio desabotoada, ele, ainda assim, parecia bem-disposto. Sereno e equilibrado.

Curiosamente, no entanto, ao vê-lo com a mão segurando a maçaneta da porta, Christina teve a impressão de que ali estava um homem calmamente tentando evitar que um prédio desabasse ao seu redor.

Aquela imagem fez com que ela se identificasse um pouco com ele, fez com que ele ficasse um pouco mais humano e menos perigoso.

Ela girou a cabeça para tentar relaxar o pescoço, então se esticou, tentando disfarçar o quanto ele mexia com ela.

- Devo ser uma daquelas pessoas abençoadas. Três horas de sono são suficientes para minha sobrevivência.

Ele avançou poucos passos para dentro da sala.

- Não sei, mas acho que a cama é responsável por alguns dos momentos mais preciosos da vida.

A resposta ficou entalada na garganta de Christina.

- Desculpe - ele riu. - Não foi minha intenção deixar você sem graça.

Ela gostaria de dizer a ele que, se fosse há alguns anos, ela não teria ficado nem um pouco sem graça. Que bastou uma única experiência desagradável para que mudasse completamente.

- Vai ficar aqui muito tempo? - Ele perguntou.

- Deixa eu pensar - Ela suspirou e olhou para o relógio sobre a mesa. - Mais uma eternidade.

Sorrindo, e que sorriso letal ele tinha, ele apontou para a porta.

- Por que a gente não dá um pulo no café da esquina e arranja alguma coisa para comer? Não há nenhuma segunda intenção no convite. Estou com fome, só isso. E tenho certeza de que você também está.

Ela pensou em todos os problemas que teve na Macrizon. A tragédia teve início no dia em que ela aceitou, inocentemente, tomar um drinque com William Dugan, num jantar de negócios. Quando ele a convidou para uma viagem de negócios ela caiu como um patinho. Foi aí que ele mostrou suas verdadeiras intenções, quando chegaram no hotel e só havia um quarto reservado para os dois.

Com apenas uma cama, de casal.

A voz de Derek a interrompeu.

- O lugar tem uns pratos italianos muito gostosos. Gosta de comida italiana?

Ai, se gostava. Na verdade, gostava de comida e pronto. O estômago havia roncado, pelo menos, vinte e duas vezes na última meia hora...

- Rapidinho? Assim, podemos repassar algumas idéias? - Ela cedeu.

- A gente vai estar de volta num piscar de olhos. Sei muito bem o quanto você é apegada à cadeira do seu escritório.

- Muito engraçado - ela sorria mesmo assim.

Minutos depois, eles estavam descendo no elevador. A tensão no pequeno espaço era evidente.

A lanchonete era bastante iluminada, com toldos amarelos e um pequeno jardim cheio de samambaias. A brisa fresca da noite estava agradável para comer ao ar livre.

Até que não era tão comprometedor aquele jantar, pensou ela, enquanto adicionava azeite e vinagre à salada que havia acabado de chegar pelas mãos do garçom. Contemplava sua salada verde, desejando algo mais engordativo, enquanto Derek se esbaldava na lasanha. Ela não pôde deixar de salivar.

Que delícia. Camadas de mozzarela, com molho branco. Se ela tivesse pedido aquilo, ficaria correndo durante horas, madrugada adentro, só para queimar as calorias do jantar.

- Quer um pouco? - Derek reparou no olhar guloso de Christina sobre sua lasanha e achou graça.

- Não, não, obrigada - ela respondeu, levando uma folha de alface à boca.

- Lasanha era tudo que precisava. - Ele continuou a devorar a comida. - Desde que me mudei para cá tenho comido aqui todos os dias. Geralmente, peço para levarem lá na empresa.

Será que ele era a versão masculina de Christina? Um viciado em trabalho?

Tento manter uma dieta balanceada - ela disse. - Mas, eu...

Era melhor se calar. Ele não precisava saber que na calada da noite ela acabava assaltando a geladeira, comendo pipoca, batatas fritas e barras de chocolate.

- Você não come nenhuma besteirinha? Nenhuma porcaria fast-food? - Ele perguntou, tomando um gole de água. - Com o corpo que tem, pode se dar ao luxo de fugir da dieta de vez em quando.

Ela voltou a ruborizar como um tomate.

- Eu gosto de saladas. É verdade. Também costumo comer. E sou viciada em yoga.

E também por qualquer coisa coberta de chocolate.

- Dá para perceber. - Ele ergueu as mãos. - Não falo isso para elogiar, fique tranqüila, sei que não gosta dessas coisas.

Ela parou com o garfo à meio caminho da boca. Claro que gostava de elogios, principalmente vindo de Rockwell.

Ela não gostava de gostar daquilo.

O rubor nas bochechas de Christina se intensificou. Droga.

- É que... Não... não o conheço direito. E não gosto de misturar trabalho com lazer.

- Boa filosofia.

- Hum. - Essa foi a melhor resposta que conseguiu dar. Estava ocupada demais tentando fingir que a salada era lasanha para pensar em algo melhor para dizer.

- Mas essa teoria pode acabar causando uma certa solidão.

De repente ela parou de sentir o gosto da comida.

Nenhum dos dois se moveu durante alguns segundos e então ambos voltaram a comer quase ao mesmo tempo. Depois do comentário de Derek, os dois apenas pararam para fazer alguns comentários sobre a Fortune-Rockwell.

Quando terminaram de comer, Christina estava mais relaxada. Sempre demorava um pouco até que entrasse em sintonia com o novo parceiro de trabalho, pensou.

Quando cruzaram a rua, ela respirou fundo o ar fresco da noite. Ela parou de andar e ele fez o mesmo.

- Estava precisando disso, Rockwell - ela disse sorrindo. - Obrigada por ter me arrastado até aqui.

Cautelosamente, ele se aproximou mais dela.

- Foi um prazer ajudar.

Nossa, ela não conseguia nem engolir direito.

Será que ele estava mesmo tirando todas suas forças? Bastava ele chegar perto dela para que Christina se sentisse fraca?

Ela focou na primeira coisa que chamou sua atenção: um pequeno amassado no colarinho dele.

Curioso, pensou meio tonta. Ele não era tão impecável e certinho, afinal de contas.

- Você está... - ela recobrou suas energias e apontou para o colarinho dele. - Com o colarinho amassado.

Ele olhou para baixo e, ao ver o amassado, tentou ajeitá-lo. Então, como se ela não tivesse dito nada, ele continuou andando.

- Vamos lá, senhorita Mendoza, temos muito trabalho a fazer.

Claro, pensou, certa de que só o trabalho resolveria sua inquietação.


Patrick Fortune havia tentado parecer descontraído quando passou pela lanchonete pela terceira vez. A cada passo que dava, sussurrava algo no celular.

- Eles ainda estão conversando - ele disse, como se estivesse cochichando com o celular.

Lacey, sua amada esposa, costumava dizer que ele conseguiria pôr abaixo um edifício com sua voz enérgica e forte. Por isso devia estar sendo um sacrifício para ele manter aquele tom de voz.

Do outro lado da linha, Maria Mendoza falou.

- O que eles estão fazendo agora?

Patrick foi até a esquina do estabelecimento, num local de onde Derek e Christina não pudessem vê-lo.

- Ainda conversando. Mas também estão comendo. Tinha esperanças de que os dois ficariam tão entusiasmados com a conversa que a comida iria esfriar.

A mãe de Christina e a prima, Rosita Perez, tomavam chá e tricotavam na cozinha. As duas podiam escutar Patrick pelo viva-voz.

Rosita deu um palpite.

- Foi difícil, no início, com a Glória e o Jack, também. Não podemos esquecer como os dois foram difíceis de dobrar.

- Quem pode esquecer? - Maria disse. - Não é nada fácil bancar o cupido.

Patrick havia voltado para frente da lanchonete, olhando por entre as samambaias do jardim o casal, que continuava a apenas pôr comida na boca.

A nova missão, agora, era Derek & Christina.

Um homem que não sabia bem sobre o amor, na opinião de Patrick, precisava aprender a desfrutar a vida de verdade.

Nada melhor que uma mulher extremamente inteligente, com muita força de vontade e um coração inocente para resolver o problema.

Os dois haviam sido feitos um para o outro e logo iriam descobrir.

- Tinha quase certeza que o Derek seria mais rápido no gatilho. Vocês tinham que ver o jeito como ele olhava para a Christina, ontem.

Rosita falou:

- Deve ser culpa da Christina. Se não fosse por causa daquela aposta boba que as meninas fizeram a coisa seria muito mais fácil. Pobre menina, pensa demais. Ela não tem muita sorte com homem.

- Que lástima - Maria suspirou. - Que pena que ela ainda não tenha conseguido encontrar a felicidade como a Glória. Tadinha da minha Sierra, também. Só queria que todas as minhas filhas fossem felizes.

- Elas serão - respondeu Patrick, com 100% de certeza em suas palavras. - Já fiz tantos arranjos nesta minha longa vida, que posso fechar um negócio durante o sono. Estou apostando todas as minhas fichas neste também.

- Aleluia - as duas mulheres falaram ao mesmo tempo.

Patrick pôde ouvir o marido de Maria, José, murmurar:

- Vocês são todos loucos.

- Você não tem um restaurante para tomar conta, não? - Maria o repreendeu e então falou a Patrick: - Ele acha que me meto demais na vida das meninas.

Rosita argumentou em defesa da prima.

- De jeito nenhum. Uma mãe nunca pensa nos filhos em excesso.

Patrick sentia-se satisfeito de ajudar os filhos da família Mendoza. De que adiantava ter tanto dinheiro se não pudesse ser útil para os outros?

- Não se preocupe, Maria - ele disse. - Essa minha semi-aposentadoria tem sido uma mão na roda. Tem me dado bastante tempo livre.

- Deu o abençoe, Patrick.

O som das duas mulheres mandando beijos pelo telefone chegou ao celular de Patrick. Era gostoso ter seus esforços reconhecidos.

- Agora - ele disse. - Temos que admitir que só os dois terem saído para comer juntos já é um progresso e tanto, não? E, depois que fiz com que Derek começasse a trabalhar com a Christina, acho que a tendência é que as coisas evoluam rapidamente.

- Quanto otimismo - comentou Maria.

- Não podemos perder as esperanças, nunca. - Naquele instante, ele ouviu o som de pessoas saindo do café e olhou, meio escondido. - Agora precisamos bolar um novo encontro para os dois.

- Um churrasco! - Maria ficou exultante.

- Quando?

- No fim de semana.

- Eu chamo o Derek.

- Eu me viro para que as meninas venham.

Patrick mordeu os lábios ao ver Christina e Derek saindo para a rua. Ele se escondeu entre as plantas, torcendo para que não fosse visto.

Eles não o viram. Mas pararam alguns metros depois.

- Faço um relatório de tudo depois. - Patrick sussurrou e desligou o telefone.

Quando olhou na direção dos dois, viu que seu protegido rodeava Christina.

Assim é que se fala, garoto. Se existe alguém que mereça que você use seu de garanhão para ser conquistada, é a Christina.

Contanto que Derek a tratasse bem. Patrick estaria perto para assegurar que isso aconteceria.

Depois do que viu, o velho cupido foi andando pela rua, sentindo-se vitorioso, aplaudindo o progresso das negociações.

Capítulo 3
Enquanto Christina tomava um gole de merlot na taça de vinho, o sol bronzeava seu corpo. Estava deitada numa cadeira reclinável, na varanda da casa dos Mendoza. Curtia um dos muitos churrascos que a família costumava fazer, dos quais havia sentido tanta falta.

Algumas crianças da vizinhança corriam pelo gramado, brincando de pega-pega. O aroma de carne temperada na grelha, uma especialidade de José Mendoza, inebriava o ambiente. Em seu restaurante, Red, esse prato era a especialidade do negócio. As deliciosas margaritas eram a outra atração do Red.

Uma das crianças, Sancho, de cinco anos, que morava na esquina, se jogou na grama e antes que Christina tivesse tempo de se levantar para apanhá-lo outro convidado o fez.

Ryan Fortune, forte e queimado de anos de trabalho no campo, pulou da cadeira onde estava. Estava sentado numa mesa com guarda-sol com sua esposa Lily, Patrick e sua mulher, Jack Fortune, Rosita e o marido, Ruben Perez. Todos riam de alguma piada que haviam contado.

As pessoas nas outras três mesas aplaudiram o esforço de Ryan em resgatar o menino do chão, quando ele levantou-o e tentou persuadir o menino a não chorar.

Por que ela não estava rindo e se divertindo com o resto, em vez de estar ali sozinha?

Olhando para o tom vermelho escuro do vinho, Christina sabia a razão. Estava obcecada demais com o trabalho, mesmo depois de uma semana mal dormida, varando a noite discutindo e bolando idéias.

Apesar de Christina e Derek terem ido à lanchonete naquela noite, haviam estado muito ocupados para comer juntos novamente. Além disso, estavam cercados de mais três pessoas todo o tempo, o que evitava qualquer chance de haver um intervalo ou conversas mais pessoais. Todos haviam trabalhado como loucos nos últimos dias para terminar a apresentação no prazo estipulado.

A próxima segunda-feira.

Por sorte, eles estavam preparados. Christina havia avisado a Rockwell uma hora antes, quando ele ligou pedindo que ela passasse no escritório.

- Alguma coisa errada? - Ela perguntou ao telefone - Achei que já tivéssemos deixado tudo pronto.

- Nem tudo. Tive uma idéia que preciso discutir com você. Conforme for, vou precisar de sua ajuda para fazer as modificações necessárias na apresentação.

Apesar de perfeccionista como era, de não gostar de adiar nada, não iria deixar de desfrutar da companhia de sua família, num domingo de sol, para fazer algo que poderia esperar. - Você de repente ficou muito interessado nessa história de aulas, não é?

Ele não respondeu.

Ela sorriu.

- Posso passar aí depois do churrasco na casa dos meus pais.

Ele protestou, mas ela permaneceu irredutível. Desligou o telefone, sentindo-se vitoriosa, como se estivesse aos poucos conseguindo dobrá-lo.

Infelizmente, ele ligou para a residência dos Mendoza e para o celular de Jack, mas ela se recusou a atendê-lo. Ele podia ter a ajuda dela mais tarde ou nada feito. A família devia estar na frente de tudo: trabalho, ela mesma... homens.

Rockwell.

Droga, aquela atração crescia dentro de Christina a cada dia.

Ela não conseguia deixar de reparar nos detalhes: como as cadeiras dos dois, sutilmente, iam se aproximando uma da outra durante as reuniões; como o vinco no colarinho de Derek parecia nunca ter saído; como Twyla passava a maior parte do tempo examinando Derek, talvez tanto quanto a própria Christina.

Não que ela devesse se preocupar com isso. Se Twyla ficasse com ele seria um alívio para Christina.

A verdade era que Christina estava caidinha por Derek. Não sentia essa química, esse calor repentino com um homem há... bem, há anos.

Ao ouvir uma voz animada vindo da mesa de Ryan, viu que ele tinha Sancho no colo. O menino ria de orelha a orelha, apesar do tombo que havia acabado de levar.

- Como sempre, você pensa demais - Maria Mendoza disse, ao pôr a mão no ombro de Christina.

- Mama, estou exausta, mereço um desconto. Na verdade, deixei de ir para o escritório para ficar aqui com vocês. - Christina se levantou. - Quer que a ajude a servir alguma coisa?

- Glória e Sierra estão cuidando de tudo, na cozinha. Você, descanse.

Uma brisa fresca moveu o cabelo preto com poucos frios brancos de Maria. Ela vestia um vestido de verão, que lhe destacava as curvas generosas. Como as filhas, sua pele era de um tom moreno viçoso.

Christina sorriu, feliz por ter voltado para casa e por ter a companhia de uma mãe tão bela, por dentro e por fora. Ela começou a andar na direção da cozinha e ouviu a voz da mãe.

- Christina Maria Mendoza, a senhorita volte aqui!

Quando a mãe a chamava pelo nome completo, isso queria dizer problema.

Como uma boa menina obediente, ela voltou, segurando o riso.

Maria pegou a filha pelas mãos e olhou para a prima que se aproximava.

- Você ainda não contou para mim e Rosita sobre as novidades. O trabalho.

- Ah, tudo igual. Sem grandes novidades.

Rosita, gordinha, cheia de simpatia, tinha o cabelo mais bacana, de um preto intenso, com uma mecha branca no lado, lembrava uma fada-madrinha dos contos para crianças. Só faltava a varinha de condão.

Mama pegou a mão da prima também.

- Conte para a Rosita sobre a Fortune-Rockwell.

- Conte, quero saber tudo. Como é o escritório? Como são as pessoas com quem você trabalha?

Rockwell. Christina voltou a sentir um calor subindo pelo corpo; algo corriqueiro, sempre que pensava no chefe.

- O pessoal é legal - ela respondeu, levantando os ombros. - bando de nerds que fica mexendo em papéis e com a cara grudada no computador até ficar vesgo.

- O Jack a está tratando bem? - A mãe perguntou.

- Muito bem.

- E seu outro chefe? - Perguntou Rosita. - Não consigo me lembrar do nome dele...

- Rockhard - respondeu a mãe com convicção.

Christina não conseguia parar de rir.

- O quê? Não é esse o nome dele?

- Rockwell - ela respondeu. - Derek Rockwell.

Rosita balançou a cabeça afirmativamente.

- É ele mesmo. Convidamos o moço para o churrasco, mas ele acabou não vindo.

Maria começou a acenar para Patrick Fortune que estava próximo.

- Patrick, não é verdade? Que seu sócio é bom demais para nos fazer companhia?

Os dois se abraçaram e trocaram dois beijinhos.

- Pelo contrário - ele respondeu com um ar de decepcionado por seu protegido não ter arranjado tempo para o churrasco. - Ele disse que está atolado de trabalho. Está na empresa agora.

Patrick pegou Christina pelo braço, que se sentiu culpada por estar se divertindo enquanto Derek trabalhava.

Patrick olhou para ela, estudando-a.

- Você parece cansada. Derek me disse que você não tem dormido nada.

A mãe e Rosita olhavam atentas.

- Mas ele também me disse que vocês jantaram juntos, uma noite - Patrick continuou, trocando olhares sugestivos com Maria e Rosita.

Quando Christina começava a suspeitar daquelas perguntas e observações sobre "Rockhard", seu irmão Jorge surgiu da porta dos fundos e foi para a varanda.

Todas as mulheres presentes, casadas ou não, pararam o que estavam fazendo para pôr os olhos sobre ele.

Jorge era pura perdição. Metido a valentão, com cabelos brilhantes e longos, presos num rabo de cavalo, ele era uma tentação para as mulheres.

- Vim aqui para resgatá-la, Christina. - Ele a abraçou e a girou na direção da cozinha. - Sierra me recrutou para essa missão embaraçosa.

- Desculpe - ela disse, dando um sorriso maroto e doce para o trio do barulho. - Mas tenham pena de mim. Os três se juntando para fazer um inquérito da minha vida pessoal.

Rosita deu tchauzinho para os dois irmãos, porém, Maria e Patrick ficaram pensativos.

- Eles a encurralaram. - Jorge cochichou no ouvido da irmã.

Quando os dois entraram na atmosfera de diferentes aromas, arroz fresquinho, feijão frito e legumes temperados, Christina disse:

- Gracias, Jorge. Eles estão com alguma coisa escondida nas mangas. - Devem estar querendo saber da minha rotina para me arranjarem um encontro desastroso com alguém que nem conheço. Sei lá.

- Estou tendo o mesmo mau pressentimento. Acho que eles vão fazer o mesmo comigo depois de você. Mama e Rosita não conseguem ficar sem se intrometer na vida dos outros. Duas desocupadas.

Os sons de futuras e talheres e panelas e o burburinho animado deram as boas-vindas para os dois. Como o resto da morada, aquele cômodo tinha toques do velho México: objetos antigos campestres, como chapéus e laço de vaqueiro pendurados na parede, o chão de ladrilhos pintados a mão. Utensílios de cobre pendurados em ganchos no teto. Tudo criava um ambiente acolhedor.

- Aqui está ela - Jorge disse. - Sã e salva.

- Que bom - Sierra exclamou. A irmã mais nova olhou com carinho para Christina. Seus longos cabelos castanhos e encaracolados estavam presos num rabo-de-cavalo.

- Agente estava achando que você tinha sido abduzida.

Glória, a miss da família, com seus longos cabelos castanhos impecáveis, retirou a taça de vinho da mão de Christina e a colocou sobre a bancada. Pegou uma faca e deu à irmã para que ela começasse a fatiar a pimenta malagueta e disse:

- Bom trabalho, Jorge.

- Estou dispensado? - Ele se apoiou na bancada.

- Está - disseram as três ao mesmo tempo.

Elas sabiam que ele não gostava de fofoquinha de mulher mesmo. Então, por que não dar a ele uma boa desculpa para sair?

- Mal-agradecidas. - Ele pegou uma gorda fatia de queijo e deu uma mordida. Pensando em ir para o lugar que todo o homem como ele deveria ir quando davam eventos na casa.

O estábulo? A sala de TV? O abismo mais próximo? Quando ia saindo, Christina pegou um pano de prato e bateu na bunda do irmão.

- Então a gente estava certa? - Glória perguntou, concentrando-se na panela de feijão. - Por acaso, a mamãe está aprontando alguma?

- Algo parecido com o que ela fez quando trancou a gente no quarto até a gente fazer as pazes? - perguntou Sierra, enquanto cortava os morangos.

- Tem algo estranho no ar - disse Christina. - Mas ainda não consegui descobrir o que é.

As duas irmãs concordaram com a cabeça. Enquanto elas não olhavam, Christina pegou sorrateiramente um pedaço de queijo cheddar, como Jorge.

Teria que fazer abdominais à noite.

Ela mal havia acabado de engolir o queijo, quando Sierra a olhou.

- Mama também tem me lançado uns olhares de cupido desde que eu e Chad terminamos.

- Eu avisei - Glória disse. - Pare de pensar nesse inútil. Ele só lhe fez mal.

- Eu sei. - Sierra ergueu os ombros delicados, cobertos por uma leve blusa de algodão rosa. - Mas não consigo evitar. Talvez o Chad tenha sido minha última chance e nunca mais vou encontrar alguém igual.

Christina entendia perfeitamente como a irmã se sentia. Apesar de só ter tido dois namorados notáveis na vida, cada vez que terminava um namoro, parecia que o mundo ia acabar.

Ela não era do tipo que gostava de ficar consolando os outros, mas agora que havia percebido que a família era sua jóia mais preciosa, Christina não hesitou em ir até Sierra e abraçá-la. A jovem apoiou a cabeça no ombro da irmã, lembrando-a de que era a mais velha dos irmãos e que tinha uma grande responsabilidade nas costas.

- Quando este ano terminar - ela disse, recordando a aposta, enquanto acariciava os cabelos revoltos e encaracolados de Sierra. - Você vai encontrar alguém que saiba valorizá-la. Tenho certeza que seu príncipe encantado está mais perto do que você pensa.

- Tomara. - Sierra deu uma fungada, imediatamente se recompôs. - Na verdade, não. Não vou me desesperar que nem a Glória fez com o Jack.

Christina abraçou a irmã com mais força.

Glória se juntou às duas, balançando-as.

- Muito bem vocês duas, basta. Posso até ter pagado o mico da minha vida, limpando fantasiada a casa de vocês. Mas Christina está certa de uma coisa. Quando você pára de procurar, aí mesmo é que aparece o amor.

O sorriso charmoso de Rockwell perpassou a mente de Christina.

Ai, por favor.

Sierra enxugou os olhos na camisa verde de Christina.

- Você tinha parado de procurar, Glória? - Sierra perguntou. - Quando encontrou Jack?

- Com certeza - a mais bela das Mendoza ficou ainda mais bonita ao acariciar a barriga, onde uma vida crescia. - Na época tinha perdido todas as esperanças. Mas agora, não consigo entender como pude me sentir assim.

- Tem alguém especial esperando você, Sierra. - Christina insistiu. - Espere um pouco e você vai ver.

- Você também - Sierra disse, com seus olhos inocentes brilhando.

- Cinco anos me parece tempo demais para um intervalo entre namorados. - Glória respondeu descrente.

Houve um silêncio e Christina sabia no que as irmãs estavam pensando. Macrizon. Rebecca Waters.

Quando Christina e Glória trabalhavam na mesma empresa, haviam feito amizade com uma das colegas do trabalho. Rebecca só pensava em se divertir e levava as meninas para a balada quase toda noite. As três iam dormir de madrugada e algumas vezes haviam chegado ao trabalho de ressaca. Apesar de Christina nunca ter tido o hábito de beber e de na maioria das vezes ser quem dirigia na volta, havia percebido que seu desempenho no trabalho tinha caído e acabou se afastando de Rebecca.

Foi quando a amiga se vingou.

- Não se preocupe, ninguém mais vai se meter entre a gente - disse Glória delicadamente.

- Eu sei - respondeu Christina, impressionada com a sensibilidade da irmã, terminando de cortar as pimentas.

Glória foi até ela.

- Mana?

Christina estava tão acostumada a viver fechada em sua concha intransponível que teve dificuldade de olhar para a irmã. Mesmo assim o fez.

Glória segurou sua mão.

- Você sabe que a Rebecca estava mentindo sobre o Carson.

Carson Fuller. Um homem que Christina havia começado a namorar depois que se afastou de Rebecca. Um homem bom, que dava valor à inteligência de Christina e a achava linda e atraente. Christina havia se apaixonado.

Na época, Glória continuava indo para as festas com Rebecca, completamente perdida. Christina fez de tudo para convencer a irmã a se afastar da colega de trabalho. Quando Rebecca descobriu que ela estava tentando lhe "roubar" Glória, começou a pôr uma irmã contra a outra.

- No fundo, no fundo - disse Christina - sabia que ela estava mentindo quando insinuou que você e Carson estavam a fim um do outro. Mas havia uma pequena parte de mim que ficava martelando minha cabeça, dizendo que podia ser verdade.

- Teria sido tão bom se você tivesse acreditado em mim.

Com certeza, pensou Christina. Porque assim não teriam perdido tanto tempo longe uma da outra.

- Você e eu estávamos longe de conseguir ter uma conversa racional, na época. - Christina lembrou que a coisa havia ido de mal a pior. Glória olhou para o chão, envergonhada, e depois para a irmã.

- Nunca vou me perdoar por não ter defendido você do William Dugan.

O estômago de Christina embrulhou. Foi o período mais difícil de sua vida, quando terminou com Carson por acreditar que ele estava interessado em Glória; quando teve que se defender das investidas de William Dugan.

Ela havia demorado um tempo até tomar coragem e dar queixa na polícia contra Dugan por assédio sexual. Mas Rebecca tinha começado a espalhar pela empresa que Christina tinha provocado ele e, para piorar, ela tinha encontrado dificuldades para incriminar Dugan devido à reputação dele, muito mais poderosa que as acusações de Christina. No entanto, o mais duro para ela foi quando Glória se recusou a acreditar nela e ainda disse que tudo havia sido fruto da imaginação de Christina.

Logo que as acusações contra o chefe foram retiradas, Christina se mudou para Los Angeles, arrasada e magoada.

- Acho - disse Christina - que estamos além disso tudo. Por isso estamos aqui. Para dar a volta por cima, né?

- É. - As duas se abraçaram.

Christina estava tão mergulhada naquela atmosfera com as irmãs que nem ouviu quando a porta dos fundos se abriu e se fechou. Estava lutando para que as lágrimas de alegria por aquele momento não caíssem, quando uma voz a aturdiu.

- Christina.

Lá estava Derek Rockwell, em frente a ela. Foi como se um choque a tivesse eletrificado. Não conseguia emitir uma palavra. Quando trocaram olhares, ela sentiu como se o coração fosse lhe saltar pela boca.

No entanto, as irmãs não estavam nem um pouco atônitas.

- Quem é você? - Glória perguntou.

- Que pergunta indiscreta, Glória! - disse Sierra.

Ele também estava paralisado e, por um segundo, Christina suspeitou que ele estava tão nervoso quanto ela por vê-la.

- Desculpem - ele disse, finalmente, virando-se para as irmãs de Christina. - Sei que foi rude da minha parte, mas...

Ele pegou Christina pela mão e a puxou para fora da casa.

- Christina? - Glória a chamou.

- Só um minuto. - Christina se soltou de Rockwell. - Esse é o meu chefe. Evidentemente, eu devia estar trabalhando a essa hora.

Rockwell olhou para as duas e sorriu. Imediatamente ambas sorriram de volta, mais tranqüilas.

Que puxa-sacos!

- Derek Rockwell - ele disse antes de ir cumprimentá-las. - Mais uma vez, me desculpem.

Quando ele se virou novamente para Christina, as irmãs, na mesma hora, fizeram o sinal positivo com os polegares. Constrangedor.

- Você finalmente decidiu se juntar à plebe e se divertir um pouco? - Ela perguntou.

- Não exatamente. - Ele tentou arrastá-la para fora novamente, mas ela não arredou o pé de onde estava.

Percebendo que ela não ia se deixar levar tão facilmente, Derek parou. Mas permaneceu com a mão no cotovelo de Christina.

Os dedos dele tocando a pele dela causaram uma sensação eletrizante em Christina. Ela se perguntou se ele também não teria sentido alguma coisa.

Derek não queria parar de tocá-la. Era a primeira vez que via Christina exibindo os braços e ombros. Tudo bem que ela estava vestindo uma camiseta sem graça, um short e um chinelo, mas mesmo assim ele pôde ver suas curvas bem-feitas. As linhas harmoniosas da cintura de Christina, de sua barriga, dos seus seios.

O desejo o consumiu e Derek largou o braço de Christina, por precaução.

- Por que veio, então? - Ela perguntou.

Porque ele só vivia para o trabalho?

- Você não atendeu minhas ligações.

- E você não entendeu o recado?

Opa, ela pegou pesado.

- Gosto que meus empregados estejam sempre à disposição - ele disse - e não gosto de ser ignorado.

- Então é bom você arranjar um harém.

No fundo da cozinha ouviu-se o som de pratos se tocando na pia. Sierra e Glória saíram de fininho com alguns pratos nas mãos.

Depois que elas já haviam saído, Derek sorriu para Christina. O sorriso Rockwell havia tirado ele de apuros com mulheres em várias situações. Bem poderia funcionar ali também.

- E como você sabe se já não tenho um harém?

- Duvido muito. Agora, pode sair.

E o sorriso? Ela não tinha reparado no sorriso?

- Já que você não pôde ir ao escritório, trouxe o escritório para você. O material está no meu carro.

- Você veio até aqui, dirigindo quarenta quilômetros desde San Antonio, para estragar o meu dia? Já não tinha dito que iria passar no trabalho à noite?

- É que estou inspirado agora.

- Pois eu não estou. Estou curtindo a minha família e ninguém tem o direito de perturbar este momento.

Derek não conhecia bem essa história de curtir a família, não conseguia entender. Com exceção de Patrick, claro, mas era diferente. Não costumavam fazer churrascos juntos.

- Não posso fazer isso sem você - ele disse, ignorando o que ela havia dito.

Christina fechou os olhos e parecia que ia explodir de raiva. No entanto, falou calmamente.

- Você precisa mesmo aprender logo a mexer no PowerPoint, Rockwell.

Bem, pelo menos não tinha dito senhor Rockwell.

- Vamos - ele disse. - Eu conto minhas idéias e você pode fazer uns slides bacanas para a apresentação.

Quando ela abriu os olhos, o coração de Derek parou. Nossa, como ficava extremamente linda zangada. Os olhos castanhos ficavam dourados, lívidos, de emoção.

- Não vou sair daqui - ela disse.

Derek não queria contar, mas realmente achava que sua idéia iria arrasar na apresentação. E isso era muito importante, principalmente, porque Jack estaria lá.

Levado pela ânsia de aparecer bem, a todo o custo, ele reagiu sem pensar.

Quando entrou na cozinha, viu urna corda de vaqueiro pendurada na parede, como decoração. Mas ela teria outra função. Ele tirou o objeto da parede e o inspecionou.

- O que está fazendo, Rockwell?

- Você vem por bem? - Ele começou a girar acorda.

- Você não se atreveria.

Como resposta, ele enlaçou Christina na mesma hora. Não foi forte o suficiente para machucar, mas apertou os braços dela.

- Muito engraçado. Agora, tire isto de cima de mim.

Ele continuou puxando-a com a corda.

- Preciso de você, Christina.

- Você já disso isso. Será que não sabe aceitar um não como resposta?

- Não vou aceitar nenhuma desculpa.

Quando ele a foi empurrando para a sala, deu de cara com Patrick, que obviamente havia sido intimado pelas irmãs de Christina.

- Estou sendo seqüestrada.

- Já era hora - respondeu Patrick sorrindo.

Christina ficou boquiaberta e Derek disse na mesma hora:

- Nem mais um comentário, está bem?

- Você é quem manda.

Patrick foi andando na direção do jardim dos fundos.

- Se você ficar aqui com a gente, não vou abrir a boca.

- Não vai dar. Muito trabalho para fazer. Foi por isso que me trouxe para San Antonio, esqueceu?

- Rockwell, seu sócio e a esposa estão pedindo a sua presença. Também faz parte dos negócios socializar, às vezes.

Ela teve uma ponta de esperança, mas ele não estava disposto a ceder. Não sossegaria enquanto não fizesse a apresentação de slides que tinha em mente. Se ficasse ali, não iria conseguir relaxar.

Trabalho era seu único calmante.

Só de olhar para Derek, Patrick se deu conta. Haviam trabalhado muitos anos juntos e se entendiam sem palavras.

- Você precisa diminuir o ritmo, Derek.

- Você me conhece bem demais para me dizer isso.

Christina estava tentando se desvencilhar do laço. Num instante de pena, Derek quase a ajudou. Mas ele a queria com ela. Precisava de sua ajuda, droga.

Eles se olharam e Christina parou. Balançando a cabeça, parecia finalmente apreender a necessidade urgente dele de triunfar.

- Ai - disse. - Eu vou para o maldito escritório com você. Você acabou me deixando paranóica que a apresentação não tenha ficado boa o suficiente!

Ele a soltou, mais constrangido do que qualquer outra coisa. O que será que havia dado nele?

Patrick ainda encarava Derek, com um sorriso safado no canto da boca. Por que aquele olhar tão suspeito?

- Não abusem da hora, crianças - disse antes de desaparecer pela porta dos fundos.

Tanto Derek quanto Christina seguiram Patrick com o olhar, em silêncio, depois que a porta se fechou.

- Bem... - ela disse enquanto ia rumo à saída.

- Pode ficar aqui, se quiser.

Christina olhou para a porta por onde havia entrado Patrick, depois para o chão, como se tivesse se dado conta de como aquilo era importante para ele.

- Agora, estou tão nervosa quanto você com essa apresentação. Não tem mais clima para eu continuar aqui. Encontro você no escritório.

- Christina?

Ela parou, mas não olhou para trás.

- Obrigado pela... - O quê? Consideração?

Ela abriu a porta e disse:

- Eu entendo, pode acreditar.






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