Um magnata no texas



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UM MAGNATA NO TEXAS

Família Fortune Texas: O Encontro nº11

Destinos nº35

Copyright: Crystal Green

Título original: "A Tycoon in Texas"

Publicado originalmente em 2005

Digitalização/ Revisão: m_nolasco73

Resumo: Cristina Mendoza vivia para o trabalho. Ela só não esperava que o novo emprego trouxesse um desafio perturbador para sua vida - seu chefe, Derek Rockwell causava-lhe arrepios de desejo. A paixão de Derek era por fazer dinheiro, não pelas mulheres. No entanto, a nova funcionária - linda e competente - era diferente de todas as que ele havia conhecido. Uma noite de paixão proibida seria o fim de uma boa relação de trabalho? Ou seria o primeiro passo para uma vida a dois?





Este livro faz parte de um projeto sem fins lucrativos.

Sua distribuição é livre e sua comercialização estritamente proibida.

Capítulo 1
Nada de se deixar levar pelas tentações da carne.

Christina Mendoza repetiu seu mantra enquanto passava a caneta sobre o caderno, com um olhar frio e profissional em Derek Rockwell, seu chefe; que só conhecia de vista, antes de ser convidada para ir ao escritório dele, naquele dia.

O silêncio imperava no ambiente, enquanto ele folheava o relatório de Christina, uma análise sobre Fortune-Rockwell, sua companhia. Ela reparou que o corte do cabelo de Derek, longo na parte de cima, mais curto nas pontas, tinha um estilo militar.

Conservador, exigente.

Hum. Ela não deveria estar tão interessada no cabelo do senhor Rockwell, pensou, desejando que ele acabasse logo com a tortura que estava fazendo com ela, com aquele joguinho de poder, sem dizer o quê afinal achava do relatório. Também não deveria ficar pensando em como o terno novo e bem passado dele acentuava seus ombros largos. Também não tinha que ficar reparando no maxilar bem definido, no seu nariz e queixo másculos. E naqueles olhos castanhos...

Muito bem. Era melhor admitir. Apesar do mantra, ela estava secando o homem com os olhos, tão intensamente como na primeira vez que o vira rapidamente, no primeiro dia de trabalho.

Principalmente a boca.

Enquanto ele estava ocupado lendo, ela aproveitou para apreciar o lábio inferior de Derek.

Fascinante.

Não dava para ele ser mais bonito. Tudo o que Christina não precisava era de um chefe muy guapo. Já havia aprendido que hormônios e relações de trabalho não combinavam.

Na verdade, havia aprendido muito bem. Além disso, ela e a irmã tinham um pacto: nenhuma das Mendoza, Christina, Glória ou Sierra, iria se envolver com alguém por um ano. Depois que a mãe chamou as filhas de volta a Red Rock, no mês passado, para que a família se reconciliasse, as irmãs acabaram se entendendo.

Durante a reunião, elas prometeram que a família estaria sempre em primeiro lugar, já que os homens haviam sido os responsáveis pela discórdia familiar.

E se alguma delas caísse em tentação antes que o ano terminasse... oh-oh. Seria uma tragédia, algo abominável.

A irmã mais nova, Glória, já havia fraquejado e quebrado a promessa. Tinha se apaixonado por Jack Fortune, o filho do chefão, Patrick Fortune.

Na verdade, Glória estava esperando um filho de Jack.

Algo tocou o coração pouco acostumado a grandes emoções. Aos trinta e dois anos, iria finalmente ser tia.

Tia Christina. Um bebezinho para ela pegar no colo e ninar. Ela se pegou sorrindo como uma adolescente romântica, mas logo ficou séria, antes que Derek Rockwell terminasse a leitura e a olhasse. Sem tirar os olhos dela, ele deixou as folhas sobre a mesa.

Christina não piscou nenhuma vez. Sem olhar para a folha de papel ela rascunhou: tentação = ruim.

- Muito perspicaz, senhorita Mendoza. - Ele falou em voz baixa e tranqüila, sendo óbvio que o sotaque não vinha de Nova York, onde ele havia trabalhado na sucursal do Fortune-Rockwell Investimentos, antes de ser chamado pelo ex-sócio para San Antonio.

Sim, Patrick Fortune contava com Rockwell para ajudar a renovar e pôr a empresa em San Antonio de pé novamente. Por essa mesma razão Christina havia sido contratada.

Se ela pelo menos conseguisse parar de babar em cima das anotações e se concentrasse.

- Obrigado, senhor Rockwell. - O tom era indiferente, criando uma fronteira bem definida entre ela e o chefe. Só porque ele havia pedido uma reunião em particular, não significava que os dois tinham que se tratar como coleguinhas de trabalho. Logo ela sairia e ele voltaria aos seus negócios como se ela nunca tivesse passado por lá. Aquilo deveria ser um alívio para ela, o fim do desconforto causado por tanto hormônio, tanta distração.

Christina ficou sem graça e se ajeitou na cadeira ao notar que Rockwell olhou-a lentamente de cima a baixo, começando pelos cabelos soltos, a saia cobrindo os joelhos e passando pelas pernas cruzadas dela. Christina sentiu sua pulsação palpitando com velocidade.

Voltou a pensar em Glória. Como ela estava feliz por ter se entendido com Jack. Como havia sido engraçado quando ela perdeu a aposta e teve que limpar as casas de Christina e Sierra vestida com um uniforme de empregada francesa.

Ai, o que a gente não faz por amor.

Christina devia estar trincando os dentes, um mau hábito que tinha, e fazendo alguma careta, pois Derek Rockwell estava prendendo um sorriso no canto da boca, relaxado na cadeira, enquanto o céu azul de março o emoldurava na janela por trás.

A mesa enorme de madeira era intimidadora. A decoração sóbria e os exóticos instrumentos musicais, como um bumbo africano e um alaúde asiático, eram mais para causar impacto do que para revelar sua personalidade. Com exceção de um porta-retrato sobre a mesa. Uma foto descolorida de uma mulher abraçada a dois cães malteses.

Sua mãe?

- Agora que você já está familiarizada com a empresa, vamos trabalhar bastante juntos daqui para frente - ele disse, virando a fotografia de costas para ela. - Desde que o Patrick a contratou para ser nossa analista financeira, ainda não tinha tido a chance de conversar com você, Christina. Para checar pessoalmente como andam as coisas. - Ele fez questão de dizer Patrick. Como se o fato dela ter sido contratada pelo homem mais velho não significasse nada.

- Senhor Rockwell, se não está satisfeito com meu trabalho, estou à disposição para falar sobre isso.

- Não, até agora estou satisfeito. E seu currículo é muito bom. Formada em economia pelo Texas A&M, boas referências. Exatamente o que precisamos para ajudar a Fortune-Rockwell a sair do vermelho. Só estou sendo cauteloso. Especialmente depois do que o último administrador fez com esta empresa.

- Então você não se incomoda com Patrick ter me trazido para cá? - Era melhor pôr tudo em pratos limpos.

Um sorriso largo surgiu nos lábios de Rockwell e o coração de Christina acelerou.

Quando ele se inclinou para frente, ela entendeu por que Patrick havia dito no dia anterior que ela começaria a trabalhar com seu "grande motivo de orgulho".

- Posso até estar um pouco desapontado porque Patrick a contratou sem me consultar, mas nada além disso. Geralmente gosto de conversar primeiro com a pessoa antes dela começar a trabalhar comigo, Christina.

Christina adivinhou o que Derek deveria estar pensando: que Patrick a havia contratado para fazer um favor à família Mendoza.

- Só para que não fique nenhuma dúvida - ela disse - não estou aqui por caridade. Eu merecia essa oportunidade.

Rockwell semicerrou os olhos, mas não falou nada.

Encorajada, Christina continuou!

- Patrick é um grande homem de negócios e por isso financiou a loja de jóias da Glória, Love Affair. Também por isso me contratou.

- Foi o que ouvi dizer. Patrick me contou algumas coisas sobre você e sua família. Confio inteiramente nele. Ele sabe julgar muito bem o caráter das pessoas.

Rockwell a encarava atentamente. Havia algo no olhar dele que Christina não conseguia identificar. Algo que a fez perder o fôlego. Algo que quase a fez amolecer.

- Então por que não confia na decisão do Patrick de me trazer para a empresa?

Ele sorriu novamente. O sorriso era meio paquera escancarada, meio de lobo em pele de carneiro.

- Tenho que confessar que se você conseguir me impressionar um terço do que impressionou o Patrick, vou ficar mais do que satisfeito.

Christina corou e olhou para suas anotações. Ficou acanhada. Nunca fora fácil para ela receber elogios.

- Mas é bom que saiba - completou Rockwell. - Não me impressiono facilmente.

- Então é melhor irmos ao que interessa. Patrick comentou que você queria saber mais sobre minhas propostas.

- Espere um pouco - ele afrouxou a gravata. - Já, já você vai ter a chance de me convencer. Gosto de criar um clima agradável com meus companheiros de trabalho antes de falar em números.

Clima agradável? Christina teve pensamentos nada apropriados para a ocasião.

Ele continuou, obviamente, sem desconfiar dos calores que a chica estava enfrentando.

- Você cresceu em San Antonio?

Será que ela conseguiria relaxar só um pouquinho? Dar algumas informações para o chefe não ia doer nada. Além disso, Patrick, que era amigo da família, poderia muito bem contar a Rockwell todas as fofocas dos Mendoza se quisesse.

Mesmo assim, ela continuava dura na cadeira.

- Minha família é de Red Rock. A casa dos meus pais fica bem próxima ao Rancho Duas Coroas, que é do irmão do Patrick, Ryan.

- Queria conhecer, um dia. Patrick me disse que você teve que largar seu emprego na Califórnia e voltar para cá. Deve ter sido difícil.

Bem, sobre isso ela não queria falar. De como, há anos, ela e Glória acabaram se apaixonando pelo mesmo sujeito, um colega de trabalho. De como uma irmã havia traído a outra. De como Sierra, a mascote da família, havia sofrido por causa de Glória e Christina, por causa das brigas mesquinhas entre as duas e de seus insultos.

A situação havia ficado tão insuportável que Christina teve que se mudar para Los Angeles, fugindo da família, cheia de vergonha e mágoa. Glória acabou se mudando para Denver.

Sierra permaneceu na casa dos pais, preocupada demais com os outros para conseguir cuidar da própria vida.

Mesmo depois de tanto tempo, a culpa ainda consumia Christina. Apenas um telefonema desesperado, mesmo que de mentira, da mãe conseguiu fazer com que ela voltasse para Red Rock.

Papa está com dores no peito, ela havia dito. Por favor: venha visitá-lo.

A mãe fez o mesmo com Glória. Somente depois que a matriarca da família trancou as três irmãs num quarto para resolverem suas diferenças foi que elas descobriram que a doença do pai havia sido uma farsa.

Ele apenas tinha tido uma crise de nervos.

Mas apesar de tudo, o coração de Christina nunca havia deixado Red Rock. Havia estado apenas esperando por uma boa desculpa para voltar.

Ele começou a rabiscar o caderninho que tinha nas mãos.

- Não foi nem um pouco difícil para mim ter que voltar.

O silêncio prolongado criou uma expectativa: ela continuaria a falar de Red Rock ou iria perguntar algo pessoal para ele também?

Como ela não disse nada, Derek pensou consigo mesmo que aquela era mesmo osso duro de roer. Já havia tido essa impressão na primeira vez que se cumprimentaram, no mês passado, antes dele ter se fechado para o trabalho, buscando esquecer certos eventos recentes.

De qualquer forma, mesmo que ela perguntasse, ele nunca contaria sobre suas desventuras pessoais. Contaria, sim, a história tão lugar-comum de sua vida: pai e mãe falecidos, filho de consideração de Patrick Fortune, que foi seu mentor e praticamente arrancou Derek da faculdade para o transformar num ultra-bem-sucedido empresário.

Pensando bem, com uma boa lábia, talvez Christina Mendoza não fosse tão difícil de conquistar quanto aparentava. Ele já tinha visto essa história antes.

Mas... não. Ela emanava aquela vibração de "fique longe de mim" e ele devia respeitar. Os negócios eram mais importantes que um simples fogo de palha. Além disso, estava difícil conseguir bons empregados, ultimamente, mais difícil ainda uma mulher para uma noite de sexo casual.

Ele tentou disfarçar um sorriso. Mulheres. Ele adorava as curvas do corpo feminino, a voz melosa, a delicadeza do movimento do sexo oposto.

E a senhorita Christina escondia tudo aquilo naquele terno sóbrio de linho marrom. As jóias de ouro discretas nas orelhas e pescoço, o grampo de marfim prendendo uma parte do cabelo castanho escuro. No entanto, o coque reservado revelava um pescoço gracioso e elegante.

Num instante de pura luxúria, Derek se viu sentindo a pulsação, a pele bronzeada de Christina, beijando o pescoço dela. Faria um rastro de beijos até o queixo, pelas bochechas delicadas até as pálpebras de seus olhos castanhos.

Em resposta, as longas e torneadas pernas de Christina se enrolariam pela cintura dele, e ela se deitaria na mesa de Derek, ele por cima, fazendo-a sentir seu sexo rijo sobre ela.

As calças de Derek, ficaram mais justas de repente, só de pensar no que não iria acontecer entre ele e sua funcionária. Ele mudou de posição, com a esperança de que logo sua fome passasse e ele conseguisse se concentrar no trabalho.

O movimento chamou a atenção de Christina, que estava relendo algumas anotações no caderninho. Parecia até que ela estava escrevendo uma teoria para se alcançar a paz no mundo, pelo modo como olhava para aquele caderninho, pensou ele.

Derek abriu a boca para iniciar um diálogo e tentar deixá-la, mais relaxada. Ou seria para relaxar a si mesmo?

Foi quando ela avistou Jack Fortune passando pela janela de vidro do escritório, na direção da porta de entrada. Era só o que faltava.

Alto e moreno, Jack falou assim que entrou:

- Ora, se não é o filho do Patrick! - Curiosamente, o pai de Jack era ruivo e ninguém da família entendia de onde vinha aquele cabelo negro de Jack.

- Espero ter chegado a tempo de ouvir a senhorita Mendoza revelar o grande plano para a Fortune-Rockwell - ele disse, parando em frente a Christina e estendendo a mão para cumprimentá-la.

Jack era quase um membro da família, afinal havia engravidado uma das irmãs Mendoza.

Por descuido.

- Parabéns por ter me dado uma sobrinha ou sobrinho.

- Obrigado. Acho que você também merece meus cumprimentos.

Christina sorriu:

- Por quê?

- Por ter conseguido que a Glória limpasse sua casa. Uma jogada de mestre.

- Bem, não foi tão incrível quanto os investimentos que você fez para a Fortune, a TX e a Limited. Estou curiosa para saber o que tem preparado para a Fortune-Rockwell.

Derek disfarçou o desconforto com uma máscara de indiferença. Não podia deixar que Jack percebesse a irritação que sentia por Patrick ter, recentemente, transferido todas as ações para o filho. Derek e Patrick sempre formaram um ótimo time. Então por que seu mentor havia praticamente se aposentado e dado a Jack o controle da empresa?

Era verdade que Derek e Jack também trabalhavam bem em equipe, mesmo existindo uma certa tensão entre eles. Mesmo assim, Derek sentia falta das conversas diárias que tinha com o pai de criação.

Jack se acomodou no sofá de couro do escritório e continuou falando com Christina.

- Nós temos a esperança de que as coisas vão melhorar com você por aqui, Christina. Você já deve estar sabendo do rombo que o último administrador de empresas deixou nesta companhia.

- Soube que ele recomendou uma dispensa maciça de empregados. Parece que a receita da companhia aumentou por um tempo, mas o tiro acabou saindo pela culatra.

- Bem informada, hein? - Comentou Jack.

Ei, Fortune-Rockwell era a menina dos olhos de Derek. Então, por que diabos era Jack quem monopolizava a conversa?

Derek se levantou e foi para a frente de Christina. Sentou-se sobre aborda da mesa e cruzou os braços.

- Mandamos um monte de gente embora e arranjamos dois novos chefes para ficar em cima dos empregados - disse. - O que piorou ainda mais nossa situação.

Eficientemente, Christina abriu sua pasta e retirou dois relatórios, entregando um para Derek e outro para Jack.

- Não se preocupe. Vocês me contrataram para aumentar a produtividade da empresa e é isso o que vou fazer. - Ela foi até o centro da sala, com as mãos na cintura. - Essas são algumas estatísticas e um estudo para vocês darem uma olhada, antes de tomarmos o primeiro passo.

Nossa, ela tinha umas belas pernocas.

Derek voltou à terra ao ouvir Jack abrindo o relatório. Mesmo assim, se demorou alguns segundos nas pernas de Christina.

O título da capa do relatório era: "Como mostrar aos empregados que eles são importantes: oferecendo oportunidades de crescimento pessoal para impulsionar a auto-estima".

Perfeito. Uma estratégia informal e sensível para um problema sério.

- Como vocês podem ver pelos gráficos, planilhas e tabelas, vários estudos apontam que quando os empregados percebem que a empresa se importa com eles, sentem vontade de produzir mais para ela. O sentimento de lealdade também aumenta. Muitos, até, têm gosto em ir trabalhar. Gostaria de examinar formas de conseguir que os empregados vistam a camisa da Fortune-Rockwell. Pode ser criando cursos de especialização, planos de carreira ou mesmo creches para as famílias.

Derek ia perguntar em quanto ela estimava o custo daquilo tudo, quando Jack falou.

- Aulas. Gostei da idéia. Os empregados perceberiam de imediato que estamos aqui para fazer mudanças positivas. E o melhor de tudo, o que eles aprenderem pode ser revertido numa melhora na qualidade do trabalho deles. Christina, se você se concentrar nesse aspecto primeiro, em quanto tempo pode ter uma apresentação pronta?

O quê? Derek lançou um olhar curioso para seu novo sócio. Sem mais perguntas? Sem estudar outras possibilidades?

- Uma semana - ela disse.

- Aulas - ele disse, querendo entender melhor como aquilo iria ajudar seus investimentos ficarem sólidos novamente.

- Sim, aulas. - A voz veio da entrada do escritório. - Boa idéia.

Todos olharam para Patrick Fortune, entrando na sala. O senhor cujos cabelos ruivos começavam a apresentar alguns fios brancos não parecia estar em seus setenta anos. O único sinal da idade avançada, além de algumas poucas rugas, eram os óculos sobre aqueles olhos de um azul brilhante.

Derek sorriu na mesma hora.

- Já era hora de você aparecer para trabalhar.

- Não consigo manter ele longe daqui por muito tempo - murmurou Jack com um tom de admiração.

Christina já havia retirado outro relatório da pasta e foi entregar para Patrick.

- Isto não é nenhuma novidade para você, Patrick. Já li a maioria dessas estatísticas para você na festa.

Então Patrick estava por dentro da história?

- Obrigado, querida - disse o magnata, pegando o relatório.

Christina deu um sorriso abobalhado. Derek achou bastante charmosa a mudança de personalidade dela, de uma guerreira dos negócios para uma mulher doce. Na verdade, bem charmosa.

Mas charmosa não era o melhor adjetivo para Christina Mendoza. Charmosa era para colegiais que nunca cresciam. Não, essa mulher era sensual, quente.

Patrick olhava para Derek como se estivesse lendo seus pensamentos safados. Conhecia bem o jeitão conquistador do filho de criação.

Derek consertou a gravata na mesma hora.

- A senhorita Mendoza planeja nos apresentar algumas estratégias definitivas na semana que vem.

- Semana que vem?

Patrick entrecruzou os dedos e ficou pensativo. Aquela postura geralmente tinha resultados surpreendentes. Idéias mirabolantes, propostas geniais.

- Pai - disse Jack -, essa história de aposentadoria está parecendo piada.

- Aposentadoria? - Derek riu. - Essa palavra não existe no dicionário dele, Jack.

Jack deu de ombros.

- Eu sei. Você gostaria que ele fosse seu sócio para sempre, mas...

- Mas tenho muita sorte de ter você como meu novo parceiro.

Derek relanceou para Christina e viu seu olhar curioso, de quem percebia uma tensão pairando no ar.

- Cavalheiros. - Patrick já estava acostumado com as pequenas desavenças eventuais entre os dois. - Vocês já devem ter percebido uma coisa.

Uma idéia brilhante estava por vir.

- Uma semana não é suficiente para que Christina tenha tempo de preparar uma apresentação vigorosa.

Ela levantou o dedo.

- Por mim não há problema. Eu consigo.

- Por que fazer você trabalhar dia e noite se pode fazer as coisas com calma? - Patrick se afastou lentamente da porta, na direção de Derek. - Será mais prudente, acredito, se você tiver ajuda de uma equipe de pessoas que conheçam cada nuance da filosofia da Fortune-Rockwell. Tenho alguns funcionários em mente que poderiam lhe ser bem úteis.

Quando Christina ia protestar, Derek interrompeu.

- É melhor não tentar abraçar o mundo. Ter o suporte de quem conhece bem a empresa seria muito melhor para você.

Patrick pôs a mão no ombro de seu protegido.

- Que bom que concorda comigo, Derek. Que tal se você e Christina trabalhassem juntos nisso? Você podia ficar responsável pela parte financeira da nossa campanha para melhorar a auto-estima dos nossos funcionários e ela com a parte da criação.

Droga, ele deveria ter previsto aquilo.

Mas, claro, estava ocupado demais olhando as pernas de Christina.

Ele não tinha tempo para fazer o trabalho dela também. Como escapar dessa?

Jack se levantou do sofá e deu uma risada.

- Vou esperar sua apresentação na semana que vem, então, Christina.

Então olhou rapidamente para Derek, com uma cara de quem estava se divertindo.

- E Derek.

Que ótimo, Derek pensou ao acenar com a cabeça.

Jack, obviamente, percebera que seu novo sócio teria dificuldades em aceitar as idéias de Christina. Acontecia freqüentemente quando os dois divergiam. Ao mesmo tempo os dois tentavam ser flexíveis para conseguirem trabalhar em harmonia.

Ele tentava negar, mas havia algo meio infantil em Derek que o fazia querer se mostrar para Patrick, para que sentisse orgulho do filho adotivo.

Ridículo. Um homem de trinta e cinco anos não precisava da aprovação do pai ou do irmão mais velho para se reafirmar.

A voz elevada de Patrick interrompeu as divagações de Derek.

- Vocês dois têm muito trabalho pela frente - disse Patrick, batendo as mãos e esfregando-as, em seguida. - É bom começarem logo. Christina, há algo que possa fazer para ajudar?

- Não, tenho tudo que preciso no meu escritório.

Christina foi pegar sua pasta e Patrick piscou para Derek. Então, se virou e saiu.

- Muito obrigado. - Derek murmurou para que só Patrick escutasse.

Sem olhar para trás, o sócio levantou a mão e saiu, deixando Derek e Christina a sós. O silêncio era o senhor do local.

Christina o olhava com uma expressão de prudência, enquanto trazia a mala para perto.

Ele sentiu uma pontada no coração, mas não sabia ao certo o que poderia ser.

De qualquer forma, não importava.

Tirando o terno, Derek sorriu para a nova parceira.

- Então, o que acha da gente começar analisando alguns números? - Perguntou, ainda maquinando se não conseguiria convencer Jack a tomar seu lugar.

Sem esperar que ela respondesse, ele se acomodou no lugar mais confortável do mundo.

Atrás da mesa de seu escritório.




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