Um ensino de arte e cultura, conceitos e


ESTRATÉGIAS E MÉTODOS DO PROJETO ARTE NA INFÂNCIA



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ESTRATÉGIAS E MÉTODOS DO PROJETO ARTE NA INFÂNCIA

  1. Adequação do conhecimento ao estágio atual dos participantes


Denominamos como “Alfabetização Gráfico-Plástica” a conquista de conhecimentos básicos sobre os aspectos formais e simbólicos na imagem artística, que possibilitam à criança ser leitora e autora, capaz de realizar um discurso próprio e significativo através da imagem. Esta alfabetização se viabiliza, tomando-se como referência as experiências físicas, intelectuais e afetivas vivenciadas no passado e registradas na memória. Este nível de alfabetização se torna fundamentalmente necessário, sobretudo quando o educando é a criança na escola pública, em geral carente de recursos e de oportunidades de formação artística. (Anexo I – p. 54).

Então, alfabetizar é conceder ao outro o status de autor. É conceder palavra e língua. Imbricar discurso-entendimento. Estar, não mais, só.

Assim é que, ao priorizar a “Alfabetização Gráfico-Plástica” como conhecimento básico e sendo as oficinas na forma de cursos de curta duração, o projeto opta por não abordar nestas oficinas, os conteúdos oficiais e específicos referentes à História da Arte.

      1. Abordagem e Conteúdos


Elegemos para o projeto, alguns princípios e conhecimentos modernos, como a Teoria da Cor, a Teoria da Gestalt, a escola Bauhaus, percepção visual, composição da imagem, conhecimentos e valores contemporâneos como performances, temáticas sociais e ambientais, arte ecológica, land-art, valorização da cultura local e ainda, os conhecimentos empíricos oriundos da minha prática artística, das visitas a museus, bienais, galerias e atelier de artistas e estudos autodidatas sobre arte. São referenciais teóricos de caráter erudito, valores da cultura local, práticas que valorizam os aspectos cognitivos, e promoção dos objetivos socioculturais.

As aulas são dinâmicas e se iniciam com uma apresentação de conceitos seguidos da prática artística. O atendimento aos alunos se dá individual e/ou coletivamente. No final da aula, os conceitos recém aplicados são revisados e refletimos sobre o processo e os produtos resultantes.


        1. Conhecer o grupo, apropriar dos equipamentos e espaço


- Interação interpessoal entre os membros do grupo, recém formado, que irá compartilhar saberes e experiências durante a oficina/curso.

- Apropriar-se do novo território da sala-oficina, ser acolhido pelo projeto e ter sua imagem inserida nos equipamentos digitais.

-Contato com os equipamentos digitais instalados na oficina, pelo projeto.

-Apreciação dos desenhos selecionados e agora digitalizados, das fotos dos participantes na palestra, satisfazer as curiosidades.

-Perceber o “desenho” como rastros dos movimentos corporais, registrados no papel e outros suportes.

- Através de “desenhos” gestuais, realizar exercícios físicos envolvendo o controle motor e rítmico. Objetiva perder o medo da folha branca, brincar, descontrair sem cobrança, iniciar as relações entre os participantes, professor e monitores. Tomar posse da sala-oficina como seu novo território.


        1. Práticas e princípios modernistas


Percepções visuais dos elementos gráfico-plásticos:

Teoria ilustrada através de imagens preparadas e desenhos ao vivo.

Elementos formais na imagem artística:

Ponto – percebido centros, foco, densidade,

Linhas – evocam sensações de movimentos, dinâmicas, temperamentos.

Texturas, ritmos e percepção de peso e profundidade.

Cores - evoca sensações de temperatura, temperamento, peso, distância.

Relações cromáticas entre as cores análogas, opostas e saturação cromática.

Espaço pictórico - suporte, espaço real e espaço virtual como indutor da percepção de peso, tempo e equilíbrio.

Espaços e movimentos indutores da percepção de forças físicas.

Composição da imagem bidimensional.

Gramática e Discurso visual,

Temas, símbolos e significados nos contextos culturais,

Noções sobre recursos de edição da imagem digital.

Noções de navegação e publicação de arte na internet.

        1. Práticas artísticas pós-modernistas ou contemporâneas


Arte e temáticas ambientais, abordagem crítica e afetiva.

Utilização de elementos da terra em arte - Land art

Interferências e performances artísticas.

Trabalhos com autoria individual e coletiva,

Inventário e utilização de valores da cultural local (onde se realiza a oficina)

Envolvimento da família e da comunidade conformando uma ação social, educativa e cultural.

Apreciação crítica e interpretação da obra de arte da criança no seu contexto social e cultural.

Apreciação crítica da produção artística e cultural na cultura do outro.


      1. Didática motivadora / Cognição


O projeto mobiliza a capacidade cognitiva no que tange ao pensamento, sentimento e vontade. Para motivar os alunos, pais e professores, estes são convidados para assistirem à Palestra de Abertura e apreciarem a Exposição de obras de arte realizadas por crianças em oficinas anteriores. Na palestra informamos sobre o projeto “Arte na Infância”, seus métodos, etapas e atividades, tais como desenhar, conhecer arte, usar computador, ser filmado, fazer e visitar exposições. Provocamos questões sobre arte, seus processos e funções. Fazemos pensar, pedimos respostas, acolhemos novos conceitos e idéias, identificamos problemas, evidenciamos direitos, questionamos valores e refletimos sobre a cultura local e global.

Os visitantes se deleitam na Exposição que tem como principal função promover a credibilidade das crianças, desafiar, indagar, evidenciar competências e possibilidades. Ao serem assim tocados, o adulto, e a criança pensam com lógica e esperança, algo como: “se outras crianças fizeram estas coisas expressivas então eu também consigo, eu também vou desenhar e vou aparecer nas fotos, no vídeo, na TV...”. Agora esta criança sonha, corre, convida os colegas, se enche de vontades e se empenha para realizar seus desejos. Sensibilizada tem entusiasmo e se mobiliza para os trabalhos. Neste cenário, professores e pais decidem apoiar o Projeto, (Anexo I – p. 55).


      1. Contexto Realístico Necessário - CRN


Arte na Infância desafia, provoca e motiva a participação e criatividade de crianças, jovens, professores, famílias e comunidade, combinando estrategicamente uma variedade de recursos e ações sociais, culturais e educativas em: palestras, oficinas, exposições, reportagens, website; materiais de desenho, de pintura, recursos digitais como computador, scanner, impressora, filmadora, projetor, máquina fotográfica, recursos de comunicação como internet, jornal e TV.

Uma vez motivada a criança participa ativamente, se expressa e deseja mostrar suas realizações artísticas. Desenha, ouve música, mostra seu desenho, expõe seus desenhos no mural que vai sendo formado durante a oficina, expõe fotos na escola, ouve comentários e elogios; ela se vê fotografada sozinha, em grupo, com os professores e com a família quando estes visitam e/ou participam da oficina.

Para a criança, expor seu trabalho em espaços culturais privilegiados, convidar e levar seus familiares e amigos para verem o seu trabalho, dar entrevista, aparecer no jornal e na TV, formar uma caravana e viajar com os colegas para ver seu trabalho exposto em outras cidades, fazer novos amigos..., são realizações altamente significativas. Estas ações repercutem, resultam em satisfação pessoal, no conhecimento de novos valores, resultam também em registros fotográficos, vídeos, depoimentos, acervo cultural, abraços, pipocas e celebração. Os participantes manifestam grande prazer neste fazer artístico. Crianças e jovens assim motivados e envolvidos nas atividades, se expressam, questionam, compreendem, contextualizam seus próprios valores e assim, ao se conhecerem, podem reconhecer os outros e suas culturas.

Para os participantes do projeto, esta realidade promovida configura uma razão de ser, o contexto motivador da participação e expressão artística. A esta situação didática o projeto denomina “Contexto Realístico Necessário”.


      1. Organização da Oficina/Curso


A equipe do projeto é composta por um artista-professor de arte, assistido por dois monitores em oficina, que auxiliam nas práticas e nos registros por foto e vídeo.

O projeto convida para a Oficina, os professores da Escola e os encoraja a participar das práticas artísticas, da produção de registros, críticas, relatórios, avaliações pedagógicas. O projeto os incentiva a formular propostas para a replicação desta experiência na vida escolar. Depoimentos espontâneos são colhidos durante a oficina e exposições.

A teoria e a prática criativa norteiam os trabalhos. Às aulas teóricas seguem-se práticas, onde o fazer decorre da motivação, percepção, conhecimentos pessoais e trocas compartilhadas entre colegas. Estes trabalhos são mediados pelo artista-professor e monitores, que de forma dinâmica orientam o grupo como um todo e atendem cada aluno individualmente. Ao final de cada aula, o aluno-autor e o grupo questionam, analisam e criticam os processos e as obras resultantes

Algumas destas obras tornam-se referência de valor, são prestigiadas e vão para um mural que é construído durante o curso, que toma como referência a pr´pria obra da criança em seu contexto, para informar e educar no ambiente da oficina. Programada para crianças de 6 a 14 anos, construiremos primeiro as bases através de uma Alfabetização Gráfico-Plástica.


      1. Instalação física da oficina


Durante uma semana, a escola beneficiária, disponibiliza uma sala com mesas, cadeiras e iluminação, para a realização da oficina/curso. O projeto acolhe os participantes: crianças, professores atualizando e a visita participativa de familiares e membros da comunidade.
      1. Carga horária do aluno e do Projeto


No projeto Arte na Infância a oficina/curso é constituída por aulas teórico-práticas com duração de 1h30min, durante os cinco dias consecutivos de uma semana e carga horária de 7h30min por aluno. Esta duração parece ser ideal para a prática artística, possibilita ao aluno acompanhar as atividades de sua classe regular e levar suas tarefas escolares para casa. Participam 64 alunos distribuídos em 4 turmas de 16, em 4 turnos diários, sendo 2 turnos pela manhã e 2 turnos à tarde. Os 16 alunos em sala de oficina são geralmente organizados em 2 fileiras de carteiras, posicionadas frente a frente, possibilitando a visibilidade do professor no quadro e computadores.
      1. Material didático


Utilizamos técnicas tradicionais associadas a recursos digitais para realizar o ensino/aprendizagem conforme já definimos como Alfabetização Gráfico-Plástica.

Lâminas impressas, imagens em computador e imagens e objetos locais, servem para exemplificar a aplicação dos conhecimentos.

Lâminas referentes à teoria das cores, misturas e relações cromáticas, percepções induzidas pela cor como sensações de temperatura, peso e distância.

Lâminas referentes às percepções induzidas pelo espaço pictórico (suporte), que conformam o espaço real, espaço virtual, peso e tempo.

Obras de arte produzidas durante a própria oficina, são avaliadas entre os participantes, apontadas como referência e compõem um mural didático no ambiente da oficina.

Imagens no computador e projetadas em data show.

Material de desenho: Lápis preto, Lápis de cor, pastel oleoso, papel.

Material de land art: material da terra disponíveis no local e o próprio local (site specífic).

Equipamentos para edição gráfica digital. Computador, scanner, impressora, câmera fotográfica, filmadora e projetor (data-show).

Equipamento de Som – microfone e caixas – para palestra, aula e música ambiental.



Internet com acesso disponível no local ou por navegação em website ou páginas salvas no computador em oficina.



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