Um ensino de arte e cultura, conceitos e


AVALIAÇÃO DA PRÁTICA DO ARTE NA INFÂNCIA



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AVALIAÇÃO DA PRÁTICA DO ARTE NA INFÂNCIA.

  1. O CRITÉRIO DESTA AVALIAÇÃO


Esta avaliação toma por base, a história e os registros da prática do projeto, depoimentos e avaliações pedagógicas, minha experiência no projeto e os referenciais teóricos discutidos nesta monografia. Arte na Infância não é um Projeto Pedagógico Escolar, trata-se de um Projeto Cultural e como tal será avaliado quanto à sua prática de ensino de arte para a criança no ambiente escolar, objetivando a inserção cultural desta criança.
    1. O QUE É E COMO ATUA O PROJETO


Na condição de projeto cultural com incentivo público, Arte na Infância se realizou independente dos limites físicos e formais do ensino escolar. Orientou-se por políticas públicas de cultura que acolhem saberes e práticas formais e/ou informais, que acolhem mestres acadêmicos, mestres populares, historiadores e griots. Com esta autonomia interage com as diferentes realidades em cada contexto sociocultural em que se realiza.

Com a convicção de que a criança é capaz de se expressar artisticamente e, objetivando sua inserção cultural, o projeto Arte na Infância, nos seus limites, primou pela qualidade e excelência, fatores estes que resultaram, para os participantes e os visitantes nas exposições, em significativas experiências estéticas, sentimentos de auto-realização e felicidade. Ao ser realizado no ambiente escolar, propício às relações sociais, culturais e educativas, o projeto se beneficiou dos fatores favoráveis à aprendizagem, expressão e comunicação artística. Ao atender a 30.000 crianças em Palestras, a 5.000 crianças em Oficinas em 77 escolas públicas nas camadas sociais menos favorecidas, em grandes centros urbanos, cidades interioranas e comunidades rurais; Arte na Infância contribuiu para a política de descentralização cultural.


    1. CONTEÚDOS DA OFICINA/CURSO


Os conteúdos, os materiais didáticos e as práticas artísticas foram influenciados por meu perfil “artista-professor” com formação em Arquitetura e conhecimentos em Arte e Computação Gráfica. A documentação e registro da prática do projeto contribuíram para permanentes reflexões, avaliações que resultaram como uma significativa pesquisa empírica.

Utilizando termos e classificações usuais na literatura pesquisada, podemos dizer que o projeto combinou conhecimentos modernistas e pós-modernistas ou contemporâneos. Em relação aos conteúdos teóricos de caráter modernista que abordam os aspectos formais da imagem, o projeto conseguiu transmitir estas noções e a aprendizagem se deu de forma prazerosa e satisfatória como evidenciam as obras e os depoimentos registrados.

O projeto denominou como “Alfabetização Gráfico-Plástica”, a conquista deste nível básico de conhecimentos sobre os aspectos formais da imagem artística, que possibilita à criança iniciar-se como leitora e autora capaz de construir um discurso próprio e significativo através da imagem.

Por sua vez, os conteúdos que envolveram linguagens contemporâneas na forma de interferências, performances com elementos da terra, land-art e temáticas ambientais se revelaram como práticas acessíveis, interativas, motivadoras de reflexões e expressões artísticas individuais e coletivas, como práticas formadoras do sentido de pertencimento ao território e que culminaram em contentamento. Desta maneira híbrida, modernista e contemporânea, através de linguagens artísticas, o projeto vivenciou o exercício das diversidades.

Entendemos que após esta alfabetização básica, faz-se necessária a aprendizagem de conteúdos em estágios mais avançados, para que as pessoas, indiferente da faixa etária, se tornem capazes de ler, interpretar e criar utilizando os recursos da linguagem visual que permeia toda a comunicação através da imagem.

    1. ABORDAGEM CRN - CONTEXTO REALÍSTICO NECESSÁRIO


Em sua prática, Arte na Infância combinou estrategicamente uma variedade de recursos, atividades artísticas e ações culturais. As pessoas, ao agirem motivadas e assistidas por estes recursos, de fato conformaram um ambiente educativo ao qual o projeto denominou “Contexto Realístico Necessário”. Ambiente didático entendido como “Contexto” por tratar-se de um evento localizado no espaço-tempo e constituído por pessoas, recursos, objetivos e metas; entendido como “Realístico” por tratar-se de uma realidade promovida pelo projeto, em que são formulados desafios, demandas e realizações que envolvem críticas, manifestações de afeto e de reconhecimento. Situações estas, semelhantes àquelas que, na vida real, motivam o artista para a realização da sua arte; e, finalmente qualificado como “Necessário” porque este “Contexto Realístico” se configura como a razão de ser, como o motivo que mobiliza a criança para o trabalho e a consumação da sua expressão artística. Algo necessário ao fazer artístico. Motivada a criança participa ativamente, se expressa e com prazer, mostra e comunica suas realizações.

De fato o “Contexto Realístico Necessário” contribuiu para o ensino, pois possibilitou à criança e demais participantes do projeto a vivência de uma dada realidade artística. A didática se serviu desta realidade contextualizada que foi, em muitos aspectos, análoga aos contextos vivenciados pelos artistas. Então, ensinar é achegar o educando a uma dada realidade.


    1. O PROJETO NA CONQUISTA DE ESPAÇOS PARA A CRIANÇA


Já em sua primeira edição em 1999, o Projeto Arte na Infância, conquistou o Palácio das Artes, o mais nobre espaço cultural de Belo Horizonte. Com notável felicidade as crianças se apropriaram deste espaço, mais que visitantes foram efetivas expositoras. Neste evento, além da exposição, o Projeto realizou o Seminário “Educação, Produção e Publicação Artística da Criança” com a participação de expoentes profissionais da educação e da cultura em Belo Horizonte. Assim, o projeto conquistou também espaços na mídia: Rádio, Jornal e TV, deram voz àquelas crianças. A partir deste evento o Palácio das Artes, através do Departamento de Extensão Cultural, tornou-se parceiro do projeto em sete edições. Aproveitando oportunidades no meio acadêmico, o Projeto Arte na Infância apresentou aulas/painel e realizou exposições de obras das crianças no PREPES/PUC em 1999, na mostra “Arte e Criatividade na Encruzilhada do Milênio” - PUC Minas em 2002 e, para os alunos do Curso de Licenciatura em Artes da Escola Guignard. Estas conquistas evidenciam que a atual ausência da criança nos espaços culturais, não tem motivo na criança, mas na falta de iniciativas dos adultos, professores e escolas.

No evento “Patachou Dia Das Mães-2002”, a arte da criança alcançou considerável destaque em Belo Horizonte. Foi plotada, exposta nas vitrines e na “Celma Albuquerque Galeria de Arte”. e utilizada como estampa em na grife Patachou. Hoje verifico que estas inserções culturais se assemelham aquelas praticadas pelas escolas em Reggio Emília na Itália, onde as crianças participam ativamente da vida cultural ao expor seus trabalhos nas vitrines do comércio e espaços culturais.





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