Um caso de justiça



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Um caso de justiça.

Os marítimos são tratados como cidadãos de segunda classe por funcionários de muitos portos. A eles são negados os direitos humanos que são concedidos às pessoas de terra fora das zonas fortificadas em que se tornaram os portos. Eles são, em suma, tratados sem nenhum respeito, apesar do trabalho absolutamente essencial que fazem.

Por que diabos alguém iria querer se tornar um Comandante para ser tratado assim? Para que ser um marítimo, membro de uma sociedade tão desrespeitada? Estas são perguntas que a sociedade deve melhor responder – e rápido”.
Apesar das diretrizes internacionais sobre o tratamento aos marítimos no caso de acidentes, os Comandantes continuam a ser prejudicados pelas autoridades.

Ele é o guia, o incentivador de produção, o homem que resolve e corrige problemas difíceis. Sua postura e competência irão afetar a eficiência do navio e torná-lo um lugar agradável para o trabalho da tripulação. Suas decisões podem significar a diferença entre a vida e a morte para todos a bordo. Sua perícia, julgamento e experiência podem transformar um desastre comercial em um sucesso ou vice versa.

Suas responsabilidades legais remontam à idade média, apesar de suas habilidades técnicas serem do século 21. Ele é a pessoa para onde convergem os e-mails enviados pelos escritórios dos fretadores, por funcionários incompetentes que, precisando aprender sobre fuso horário, exigem respostas imediatas para perguntas tolas.

Ele é a pessoa alvo para todas as autoridades de terra, que, assim que o navio atraca, lhe dirigem as mais diversas perguntas, lhe entregam uma infinidade de papeis para assinar e, em alguns portos do mundo, exigem o indefectível cartão de cigarros, garrafa de uísque, ou um punhado de dólares para lubrificar o sistema, assegurar a cooperação ou evitar a prisão.

Ele é quem comanda e quem tem o poder, mas em muitas jurisdições, ele é também o sujeito da ação criminal após um acidente.

Em julho de 2006, após algumas longas discussões, e na sequência de alguns casos especialmente desagradáveis em que Comandantes envolvidos em acidentes foram perseguidos e processados pelas autoridades nos chamados países civilizados, houve algum tempo de espera para a ação.

A Organização Marítima Internacional e a Organização Internacional do Trabalho produziram suas “Diretrizes sobre o Tratamento Justo dos Marítimos em Caso de Acidente Marítimo”. Eram apenas diretrizes não obrigatórias, mas foram melhores do que nada, produzidas para fazer alguma coisa para intervir nos cada vez mais desagradáveis processos judiciais onde os marítimos (e principalmente os Comandantes) eram rotineiramente presos e detidos por longos períodos após os acidentes ou incidentes operacionais.

Não há nada particularmente novo sobre o mau tratamento dado pelas autoridades aos Comandantes. Considerando que em alguns países esclarecidos, o Comandante que perdeu um navio pode ser tratado com humanidade, ou submetido apenas a sanções profissionais, em outros a força total do direito penal desce sobre sua cabeça.

No caso em que vidas sejam perdidas, muitos países quase automaticamente pedem a prisão do Comandante, independentemente de culpa, em razão de dar uma resposta à sociedade que exige tal punição. É consequência do trabalho, goste-se ou não. Eu nunca esqueço um admirado Comandante me dizendo, com toda a seriedade, que se ele alguma vez perdesse um navio, teria certeza que afundaria com ele.

As diretrizes da IMO/ILO vieram depois de uma longa lista de acidentes marítimos que serviram para ilustrar as injustiças que eram muitas vezes perpetradas contra Comandantes que, na verdade, tiveram pouca responsabilidade pelo acidente ou que não estavam diretamente envolvidos.

Cada caso é único. Em alguns casos os Comandantes cometeram erros, como naqueles em que suas decisões levaram a uma colisão ou encalhe. Muitas vezes havia prático a bordo ou os acidentes foram causados por falhas estruturais ou mecânicas dos navios. Eles foram presos em incidentes de poluição quando seus tripulantes cometeram erros ou quando deliberadamente contornaram acidentes marítimos de diversas formas.

As sanções penais não estão mais restritas a países de tradição não liberal, mas estão se espalhando ao redor do mundo, como uma demanda por responsabilizar e culpar por eventos imprevistos, transmitida como um virus contagioso.

Os Comandantes e outros oficiais estão recebendo sanções penais com longos períodos de reclusão e sentenças de prisão severa após o processo, o que demonstra o zelo das autoridades para proteger o meio ambiente. Isto pode ser uma observação cínica, mas como em cada dez processos, nove Comandantes são estrangeiros, não haverá provavelmente nenhuma repercussão de apoio ao seu caso.

Outra causa de preocupação é que o processo criminal contra os oficiais dos navios irá, em muitos países, ocorrer como a única “investigação” sobre o incidente. Isto é muito insatisfatório, desprezando as últimas recomendações contidas no Código de Normas Internacionais e Práticas Recomendadas para a Segurança da Investigação de um Acidente ou Incidente Marítimo, que salienta que o principal requisito para qualquer investigação é descobrir a cadeia de acontecimentos que levaram ao acidente e, através da publicação desta informação, evitar repetições.

Foi a proliferação de sanções criminais em caso de acidentes marítimos que pressionou entidades como a Federação Internacional das Associações de Capitães e um sem número de sindicatos marítimos a produzir diretrizes para tratamento justo da IMO/ILO.

Veio a seguir um período prolongado de detenção de Comandantes em casos como o incidente do “Nissos Amorgos” em um encalhe no Canal de Maracaibo que causou poluição, quando qualquer profissional, com um mínimo de bom senso, não teria posto em dúvida a responsabilidade do Comandante.

Houve o caso quase político do “Tasman Spirit” que encalhou e partiu nas proximidades do Porto de Karachi, com a detenção de dois oficiais por alguns meses. Um caso especialmente infeliz envolveu oficiais russos do navio tanque “Vigo” que foi acusado de ter abalroado um barco de pesca dos EUA e, da mesma forma, foram impedidos de deixar o Canadá por muitos meses.

Houve o escândalo do “Erika” e seu Comandante que só foi libertado de uma prisão francesa após a intervenção de alto nível do Capelão da Missão para os Marítimos em Dunquerque. E houve o longo calvário do Capitão Mangouras do “Prestige”, um senhor idoso, cujas tentativas de salvar seu navio foram frustradas pela obstinação das autoridades espanholas.

Houve também um forte sentimento de injustiça sobre a maneira de como os Comandantes estavam sendo processados e perseguidos em casos alegados de poluição acidental. Houve a precipitação na acusação de um acidente ao largo da costa francesa, por exemplo, onde a prova de que um navio estava poluindo parecia depender inteiramente de duvidosas fotografias aéreas.

Estes casos, ouvidos antes por magistrados cuja competência e julgamento em matérias marítimas eram muito limitadas, conseguiram considerável notoriedade, com multas enormes cobradas e reputações arruinadas por força dos registros criminais. Era como se o Comandante tivesse sido inteiramente responsável por provocar pessoalmente a poluição, versão escandalosamente injusta. Em um dos casos o armador demonstrou que o navio foi envolvido por forte vento que o obrigou a andar perpendicularmente ao sentido do rumo. Isso não produziu nenhum efeito sobre os magistrados.

Existe alguma sensação de que as orientações da IMO/ILO estejam tendo algum efeito sobre a incidência de extremo tratamento injusto dos marítimos?

Há uma série de casos recentes e atuais que parecem sugerir que as orientações não estão sendo empregadas no tratamento dos marítimos de forma justa.

O caso do Comandante do “Zim Mexico III” aparenta ser particularmente rigoroso. Ele foi detido em Móbile e posteriormente condenado e sentenciado, após seu navio, com prático a bordo, ter batido em um guindaste de container em que um engenheiro estava trabalhando sem permissão. O Comandante foi acusado de homicídio com base no antiquado Seaman’s Manslaughter Act (homicídio involuntário) que deveria ser redundante, mas que não lhe proporcionou nenhuma proteção.

Muita coisa foi escrita neste jornal e em outros países sobre a terrível situação do Comandante, Imediato e Contramestre do “Coral Sea”, que definharam numa prisão de segurança máxima grega, após ter sido descoberta uma quantidade de drogas em uma das mais de 100.000 caixas de bananas descarregadas no Porto de Patras. O Comandante foi posteriormente condenado a 14 anos de prisão enquanto o Imediato (cuja saúde está em ruínas) e o Contramestre foram absolvidos.

Enquanto a justiça grega parece considerar adequado deter e prender tripulantes de um navio encontrado com drogas, o julgamento do Comandante, de 59 anos de idade, tem sido descrito como uma vergonha, pois sua posição a bordo pode ter sido a única razão para sua condenação, na ausência de qualquer evidência significativa.

O perito judicial Edgar Gold, que tem se destacado neste caso específico, em seus escritos recentes, sugeriu que as orientações da IMO/ILO devem ser ampliadas a partir de sua definição atual de um “acidente marítimo” a levar em conta o caso de um Comandante preso em tal situação que teve arruinada sua longa carreira como o Comandante do “Coral Sea”.

O caso do “Cosco Busan”, que resultou no impedimento de seis dos tripulantes do conteneiro em deixarem os EU por oito meses, é mais um exemplo ilustrativo da maneira como as orientações foram ignoradas.

Talvez o mais famoso de todos os casos seja a completamente injustificada detenção do Comandante e do Imediato do VLCC “Hebei Spirit” que foram declarados isentos de qualquer culpa após o navio, que se encontrava fundeado, ter sido atingido por uma cábrea flutuante, mas impedidos de deixar a Coréia e reassumir suas funções, recurso pendente a audiência na suprema corte que pode levar anos.

Parece que são precisamente estes tipos de caso, aos quais as orientações se destinam, que são tão evidentemente ignorados, apesar dos protestos internacionais e dos apelos diplomáticos.

O medo de que a liberação de testemunhas signifique que elas vão sair da jurisdição e nunca mais voltar, é normalmente citado nestes casos como um pretexto para a sua detenção. O fato de que a expectativa entre os marinheiros estrangeiros por um tratamento justo não ser nem um pouco otimista, deveria ser talvez creditado como favorável. Eles não estão errados em suas crenças.

No entanto, se os estados de bandeira quiserem cooperar, os arranjos para repatriação dos marítimos em casos pendentes no tribunal, podem ser feitos. O sistema atual, em que os marítimos são reféns virtuais, não pode ser mantido.

É possível dar mais consistência às orientações para que os governos e os órgãos judiciais as levem mais a sério? É importante que haja alguma ação, porque a injustiça de muitos desses casos está produzindo um efeito corrosivo em toda a indústria naval.

Os marítimos acreditam que, na melhor das hipóteses, eles vão estar nas mãos de uma “justiça de segunda classe” se eles se envolverem em qualquer tipo de acidente ou incidente. Não há qualquer tipo de evidência que desmotive esta suposição. Eles não estão de todo isolados da vida em terra, conhecem estas injustiças e não têm confiança em qualquer forma de tratamento justo.

Os marítimos são tratados como cidadãos de segunda classe por funcionários de muitos portos. A eles são negados os direitos humanos que são concedidos às pessoas de terra fora das zonas fortificadas em que se tornaram os portos. Eles são, em suma, tratados sem nenhum respeito, apesar do trabalho absolutamente essencial que fazem.

Por que diabos alguém iria querer se tornar um Comandante para ser tratado assim? Pra que ser um marítimo, membro de uma sociedade tão desrespeitada? Estas são perguntas que a sociedade deve melhor responder – e rápido.

Fonte: Lloyd’s List – Original em inglês – Tradução livre



Mostrar a bandeira

Comte. Ernani A. M. Ribeiro – CLC



ernani-ribeiro1@hotmail.com
Antes da Segunda Guerra Mundial e durante alguns anos depois dela, eram vistos por todos os portos do mundo navios de todas as nacionalidades desfraldando orgulhosamente a bandeira de seus países. Ingleses, holandeses, franceses, noruegueses, suecos, gregos, americanos e russos eram os principais. Os navios holandeses tinham fama de mais bem tratados. Nossos navios também eram vistos nos portos do norte da Europa, Mediterrâneo e América do Norte, igualmente ostentando nosso pavilhão. Não havia a concorrência predatória de hoje, quando a maioria dos navios hasteia bandeiras de conveniência para gozar de privilégios e isenções.

Esta pequena crônica não pretende ser técnica nem muito menos definitiva. Longe disso, pois o autor não tem maiores conhecimentos sobre as circunstâncias que fizeram aquelas nações adotarem bandeiras de conveniência, mas é evidente que o fazem para fugirem das taxas e demais encargos que as nações cobram aos seus navios. É vergonhoso e mesmo desrespeitoso, no meu entender, que barcas que fazem a travessia Rio – Niterói, por exemplo, ostentem bandeira do Panamá.

Mas é certo que, com a dita concorrência predatória, pagamos pesado tributo com a decadência e mesmo extinção de nossas companhias de navegação, notadamente o Lloyd Brasileiro. No auge da grande atividade de nossas companhias, transportávamos em torno de 40% de toda carga na exportação e importação. Hoje, no máximo 4%. Havia déficit? Sim, esporadicamente. Não era desejável, mas mesmo assim, no cômputo geral, o país ganhava, pois movimentava riquezas e criava empregos.

Não se trata de apologia ao estatismo, porém, certo grau de incentivo governamental deveria ser concedido a futuros empreendedores para que voltemos a concorrer com as grandes empresas estrangeiras, criando empregos e poupando despesas com fretes.

O Lloyd Brasileiro foi o instrumento usado pelo governo para expandir nossas fronteiras comerciais. Foram inauguradas linhas para costa leste e oeste da África, costa leste e oeste dos Estados Unidos e Canadá, Golfo Pérsico, Extremo Oriente, Austrália e Báltico, a maioria das vezes com prejuízo calculado.

Um exemplo singelo: muitas vezes navios do Lloyd foram carregar paus de jangada (no tempo em que se faziam jangadas com seis paus) nas ilhas do baixo Amazonas. Os navios encostavam-se à barranca onde estavam os troncos flutuando. Quando eram içados para bordo vinham pingando lama, sujavam os porões e geravam despesa na sua limpeza. O frete era baixíssimo, mas, ao chegarem a Fortaleza, os paus importados pelos armadores de jangadas eram entregues aos carpinteiros para a construção e, por último, aos pescadores. Desta forma, ganhavam os armadores das jangadas, os carpinteiros que as construíam, os embarcadores, os pescadores, os peixeiros e por último os consumidores do pescado, alvo principal do ciclo comercial. Pergunta-se: que armador particular aceitaria carregar pau de jangada? O subsídio era aceitável.

Voltando ao orgulho da bandeira própria: havia um restaurante na margem direita do rio Elba, perto de Hamburgo, que quando um navio por ele passava, os proprietários mandavam içar a bandeira do navio e tocar o respectivo hino nacional. Era emocionante para quem se encontrava a bordo longe de seu país. Era um verdadeiro culto à bandeira, o orgulho de ostentá-la.

Será que voltaremos àqueles tempos? Inshallah!


As 20 maiores bandeiras de transporte.docx

Cartões de identificação biométrica para marítimos.

Comte. Luiz Augusto C. Ventura - CLC



venturalac@yahoo.com.br
A paranoia americana com relação ao 11 de setembro continua rendendo frutos. Além de imporem procedimento padrão de segurança em aeroportos de todo o mundo e praticamente obrigarem a adoção do Código ISPS em quase todos os portos marítimos do planeta, numa impressionante demonstração de força impositiva à vontade deles (se não implantar não comercializa conosco nem com ninguém), promovem agora a identificação global dos marítimos.

A sistemática do Código ISPS não só restringe a circulação nas áreas portuárias como, em algumas circunstâncias, impede até marítimos de baixarem terra.

Para se resguardarem ainda mais (no entendimento deles) resolveram agora pressionar politicamente a Organização Internacional do Trabalho – OIT, para acelerar a implementação de um sistema de identificação biométrica dos marítimos, emperrada há sete anos com a adesão de apenas 18 nações na ratificação da Convenção conhecida como ILO 185.

O elevado custo da implementação do sistema de identificação para países de pouca tradição marítima foi um dos principais obstáculos até o momento.

Esta sistemática poderá teoricamente beneficiar os marítimos que, enquanto isso, continuam a ser prejudicados. Uma das principais vantagens do documento de identificação seria, por exemplo, a não necessidade de vistos nos consulados no país de escala.

As coisas agora parecem caminhar para uma solução após a reunião de armadores, sindicatos e governos que examinaram a questão da não adesão de muitas nações.

Um dos consensos obtidos é adotar os procedimentos e equipamentos estabelecidos pela Organização de Aviação Civil Internacional às tripulações aéreas. Essas propostas incluem o uso voluntário de um microchip a ser incluído no documento de identificação tornando-os parecidos com os e-passaportes que se tornaram comuns a partir de 2003.

Acredita-se que o sistema trará importantes benefícios para a segurança nacional e internacional, mas também irá defender os direitos fundamentais dos marítimos que têm sido prejudicados nos últimos anos.





O mar como túmulo.

CFM Marcus Vinicius de L. Arantes – OSM.



mv.arantes@hotmail.com
Tive um grande amigo no Rio de Janeiro. Abel Anesi Fernandes era o seu nome. Estudamos juntos no Curso Tamandaré e entramos juntos para a Escola de Marinha Mercante. Bom e leal companheiro, o Abel era dessas pessoas afáveis e de fácil relacionamento. Frequentava sua casa. Sua mãe, D. Aurora, já viúva, gostava de mim como um filho. Tornei-me também amigo de seu irmão José e de sua irmã Maria.

Na Escola continuamos companheiros. Inúmeras “viradas de noite” estudando para provas parciais e as incursões por Penha e Olaria, imediações da EMMRJ, de onde era a maioria de nossas namoradas. Lembro-me de duas irmãs que conhecemos numa festa junina do IAPI da Penha. Começamos a namorá-las e saíamos os quatro nos fins de semana para as opções que tínhamos na época naquela região – um baile no GREIP ou no Social Ramos Clube ou para uma sessão de cinemas nos “poeiras” das cercanias: São Pedro, Leopoldina e Rosário dentre eles. Um dia ele me disse que ia terminar com a namorada. Quando perguntei o motivo, ele me confidenciou: “Cara, nunca te falei isso, mas naquele dia que as conhecemos eu havia gostado era da que ficou com você”. Em solidariedade a ele também acabei com a minha, não sem antes fazer um alerta: “Então vou terminar com a minha também, mas vê se não vai ficar paquerando ela agora”. O acordo foi cumprido.

Não nos formamos juntos. Ele ficou reprovado um ano e formou-se uma turma depois de mim. Como oficiais, nunca fomos companheiros de bordo. Tanto ele como eu estivemos em períodos distintos no Lloyd Brasileiro e na Frota Nacional de Petroleiros. Nos encontrávamos à vezes em Santos, para onde todos nós convergíamos. Santos era o porto de convergência de todos aqueles que labutam no mar. Era a oportunidade de encontrar os colegas, colocar o “papo em dia”, trocar um abraço amigo, tomar juntos um chope no Bar Atlântico no Gonzaga e terminar a noite nas boates da “Boca” – American Star Bar, El Morocco, Golden Key, Casablanca e outras.

De uma das últimas vezes que nos encontramos em Santos, senti o amigo diferente. Nada nele lembrava o alegre Abel. Convidei-o para um chope no Atlântico. Ao nos sentarmos, quis saber o que estava havendo com ele. Falou-me de problemas existenciais, destilava amargura. Tentei tranquilizá-lo lembrando a ele que este mal aflige a todos nós que vivemos no mar, longe das famílias, enfrentando toda a sorte de agruras inerentes a esta atividade. No momento recordei-me das palavras que o nosso mestre Walfrido nos disse no último dia de aula no terceiro ano, tão oportunas naquele momento:



Vocês estão prestes a se tornarem oficiais e vão para o mar. É uma bela carreira, mas quero que saibam que é uma vida dura. Vocês muitas vezes vão se sentir solitários e vai doer a saudade de casa, mas exerçam suas funções com dignidade e nunca deixem de estudar. Os homens são medidos por sua dignidade e pelos seus conhecimentos”.

Naquele dia despedi-me do amigo apostando na sua “volta por cima” posto que eu também por várias vezes senti-me da mesma forma e me recuperava sempre.

Não o vi mais depois disso. Estava ele nesta ocasião no “Júlio Régis” do Lloyd. Soube algum tempo depois que se transferira para a Fronape e embarcara no “Presidente Epitácio Pessoa”. Não tardou muito para eu receber a triste notícia – Abel pusera fim a sua vida com um tiro no peito a bordo do “Epitácio” durante uma travessia para a Nigéria. Para sepultar o corpo, o navio arribou na Ilha de Ascensão. Entretanto, as autoridades locais recusaram o sepultamento alegando ter sido um suicídio. A alternativa foi a realização do Funeral Marítimo – o corpo é lançado ao mar deslizando por uma prancha. Há uma cerimônia prevista para estes casos e foi o que fizeram com meu velho amigo. Seu corpo jaz nas profundezas do oceano em algum ponto entre o Brasil e a África.

Doeu ver D. Aurora chorar a morte do filho. Estive junto dela durante esta agonia. Entre lágrimas, dizia doer-lhe mais não poder ter visto seu corpo e sepultá-lo nos moldes cristãos. Continuei ligado a ela até seu falecimento aos 84 anos há uns três anos. Confidenciou-me certa vez, logo após um Dia de Finados, que depois da costumeira visita ao túmulo do marido para colocar flores, ela ia até o mar onde atirava também uma flor em memória do filho.


Histórias do Mar

Recorde, divirta-se, coopere e conte também sua história.




Lloyd Guatemala” ou “Lloyd Guatemanga”

CFM Edson Martins Areias – OSM.

areias.edson@gmail.com
 

Algumas vezes nosso colega Marcus Vinícius Arantes, oficial de máquinas-engenheiro e talentoso escritor, brinda-nos com menções ao saudoso bomba. Eu mesmo já o fiz, com menos engenho e arte - e lá se vão décadas - em meu livro, “Mar, meu chão”. Marcus Vinícius me antecedeu no Lloyd Guatemala de onde levou e  marcou sua passagem como jovem oficial de máquinas.

Aquela série de navios foi um divisor de águas na nossa Marinha Mercante. Construídos em 1947 nos Estados Unidos (apenas quatro deles o foram no Canadá), incorporaram a mais avançada tecnologia da época, sendo, por tal, chamados “bombas”, eis que sua complexidade evocava aos marinheiros da época a lembrança de uma bomba atômica. Alie-se a isto o potencial de dano das caldeiras de alta pressão a gerar vapor superaquecido e o avançado grau de automação incorporado no controles das caldeiras e turbinas. 

Ocorre que um navio não é só o corpo físico: sente-se que o navio carrega um quê de  espírito e isto notei, de pronto, ao embarcar no Lloyd Guatemala como praticante-aluno de máquinas, no inverno de 1968, proveniente do Rosa da Fonseca, luxuoso navio de passageiros. Os oficiais do Rosa me haviam prevenido de que eu iria “ver o que era bom” no Guatemala e nos demais cargueiros. Diziam que lá não mais haveria mulheres finas e belas desfilando de biquíni na piscina; que eu não dançaria mais na boate com aquelas flores perfumadas da sociedade brasileira; tudo seria solidão e rudeza - sentenciavam eles. 

O pessoal do Sindicato me alertou para que eu tivesse cuidado, pois  o Chefe de Máquinas e o Comandante do Guatemala eram rigorosíssimos e não vacilavam em prejudicar os jovens oficiais. E lá fui eu embarcar quando o Guatemala estava apagado e silencioso, ao largo da Baía de Guanabara, em reparo de uma caldeira cuja avaria ceifara a carreira do jovem oficial de serviço levando-o às barras do Tribunal Marítimo.

Realmente o Chefe e o Comandante eram extremamente rigorosos. O Comandante, Eivinde Borges da Silva, era chamado Eivinde Cinco Dias (porque, dizia-se, aplicava multas com desconto de cinco dias de soldada a torto e a direito) ou Eivinde Manga Rosa, por ser bem branco, de  faces róseas. 

O Chefe de Máquinas era o Ruben Brandt da Rosa, o Touro Sentado, um alemão enorme, alto e forte, que rosnava para quem não conhecia. Isto mesmo: sua voz era nasalada e não falava senão o absolutamente necessário, principalmente com desconhecidos. O Sub-Chefe de Máquinas era o inteligente Antônio Carlos Muniz (EMM 52-54), que logo após foi designado para chefiar o N/M Guanabara; o Terceiro Maquinista era meu veterano de Escola, Crispim Fernandes (63-65). 

Fixos no navio, como cavernas, o Comandante e o Chefe, com doze anos no costado e um eletricista, baixinho e careca, o Eugênio, com dez anos de Guatemala. Este, diziam e eu mesmo constatei, quando saía a terra a beber, começava a dizer que o Guatemala era seu bem querer; nele comprara sua casa, nele se casara, nele se tornara pai, nele construíra sua vida; chorava, lágrimas a lhe rolar pelas faces, de maneira emocionada mas viril. 

Chefe e Comandante eram homens sisudos e calados, mas demonstravam, sem intimidades aparentes, grande confiança e lealdade mútuas. Era uma época de grande divisão hierárquica a bordo: os paioleiros de máquinas e de convés eram, na prática, os chefes da guarnição de baixo. O Sub-Chefe de Máquinas era, efetivamente, o executivo do Departamento de Máquinas; nenhum carvoeiro, foguista ou cabo-foguista ousava se dirigir ao Sub-Chefe sem passar pelo cabo-paioleiro; nenhum oficial ia ao Chefe sem se reportar ao Subchefe. No convés havia uma estrutura semelhante, mutatis mutandi. 

Certo dia, atracados em Ploce, antiga Iugoslávia, o cabo-paioleiro de máquinas, um ex-combatente que usava óculos e um quepe de couro, falava sozinho e batia seguidas e compulsivas continências a qualquer oficial que passasse, quantas vezes passasse, dirigiu-se à “salinha dos maquinistas” – os refeitórios e salas de lazer eram separados para oficiais de máquinas e convés, mas o pessoal cuidava de deixar a porta de intercomunicação aberta – e, depois de prestar mais duas continências loucas, de pé, junto à porta, dirigiu-se à mesa reservada ao chefe e sub-chefe (eles tinham uma mesa de dois, reservada exclusivamente a eles) e pediu para transmitir uma “emergência”. O Sub-Chefe o levou para um canto para tomar conhecimento da tal “emergência”. Ao voltar, o Sub-Chefe comunicou ao Chefe Touro Sentado que a guarnição reclamava de uma “margarina estragada” que embarcara em Marselha, França. O Chefe disse ao Sub Chefe que iria inspecionar a tal manteiga e me convocou a acompanhá-lo até o refeitório da guarnição, quiçá para me dar mais uma lição de como se portar a  bordo. E lá fui eu, seguindo as pegadas daquele homenzarrão que bufava e rosnava a caminho dos “canelas de vidro”, como os próprios subalternos se designavam à época. 

 - Onde está a margarina estragada? - indagou Ruben Brandt com voz firme. 

Ato contínuo sacou uma faca, espetou-a  na tal margarina, provou-a e convocou-me a fazer o mesmo. Daí, com aquela delicadeza alemã bradou: 

- Isto é manteiga holandesa da melhor qualidade: poucos ricos do Brasil têm acesso a um produto desta qualidade. Estragado é o paladar de vocês que não sabem o que é bom. O Capitão deveria mandar servir sebo derretido para vocês. Aprendam a comer, aprendam o que é bom  e parem de reclamar por ignorância. 

Realmente o Chefe tinha razão: nem no  navio de passageiros, Rosa da Fonseca,  se comia tão bem como no Lloyd Guatemanga, o navio do Comandante Eivinde Manga Rosa. Crispim, com quem eu dava serviço no segundo quarto - 8 às 12h – e, por tal, almoçávamos na segunda mesa, várias vezes  exclamara: “Pratica, isto é filé mignon. Que qualidade de rancho!”

 

O Guatemala era um navio de ordem e disciplina extremas. Mas também de respeito às pessoas.



O espírito do Lloyd Guatemala foi determinante para minha realização como homem e profissional. Logo ao embarcar de Praticante, reli, no portaló, a mesma placa que figurava, em Português e Inglês, em todos os navios da série americana:

“Nosso objetivo é construir, agora e sempre, os melhores navios que o mundo conheceu.- Ingalls Shipbuiding, Pascagoula, Mississipi.” 

Em que pese a excelência daqueles inolvidáveis navios, não menos  marcante era o caráter dos principais do Guatemala, o Comandante Eivinde e o Chefe Ruben Brandt, de quem jamais esquecerei, sempre que mencionar os grandes líderes na Marinha Mercante.



Assine nosso Rol de Equipagem
Torne-se sócio do Centro dos Capitães e embarque conosco.

Você será mais um a manter nossa estabilidade e nossa condição de navegabilidade.

Será mais um que, sem ganhar nada por isso, e sem a cultura do “o que eu vou ganhar com isso”, terá na consciência o indelével prazer de estar contribuindo para manter flutuando nosso navio carregado de orgulho e vontade de ajudar sem interesse.

Você poderá fazer isso virtualmente visitando nosso site: www.centrodoscapitaes.org.br

Ou comparecendo à nossa sede à Av. Rio Branco 45 sl/507 – Centro – Rio/RJ

 

O Lloyd Brasileiro e a fortuna do mar. (*)

O cargueiro “Aiuruoca”, do Lloyd Brasileiro, é o décimo navio perdido por fortuna do mar no período de 1941 a 1945 a ser narrado nesta série.
EPISÓDIO NR. 9
COLISÃO E NAUFRÁGIO DO N/M “AIURUOCA”

O “Aiuruoca” era um cargueiro do Lloyd Brasileiro de 11350 Tpb e 150 metros de comprimento, construído em Bremen, Alemanha, em 1912. Era empregado na linha Recife x Nova Iorque fazendo normalmente escala em Fortaleza e Trinidad.

Em sua última viagem (no. 14), com 6.262 toneladas de carga a bordo, no dia 10 de junho de 1945, por volta das 2200 horas, demandando o porto de Nova Iorque, a 14 milhas a sudeste do farol de Ambrose, em virtude de densa neblina, abalroou com o petroleiro norueguês de armação americana “General Fleischer”, vindo a sossobrar verticalmente em uma profundidade de 50 metros.

O “Aiuruoca” era movido a carvão e a capacidade de suas carvoeiras era de 3.819 toneladas e desenvolvia uma velocidade máxima de dez nós para um consumo diário (navegando) de 54 toneladas. O Comandante, CLC José Martins de Oliveira tinha como chefes de sessão o Imediato Manoel Duarte, Chefe de Máquinas Aníbal Laudelino Borges e Comissário Alfredo Mendes. A guarnição militar (cinco homens) era comandada pelo 2º. Sargento Art. Anísio Cândido de Araujo.

Dos 69 tripulantes um pereceu no acidente: o Enfermeiro Maurício Elert.
(*) Baseado em documentação original do acervo do CLC George Maier cedido ao Centro dos Capitães da Marinha Mercante.






Onda atinge petroleiro e mata dois no Atlântico.

O Capitão e o Chefe de Máquinas de um petroleiro que partiu de Tallinn, na Estônia, para Houston, no Texas, morreram e o Imediato ficou ferido, quando uma grande onda atingiu o navio ao nordeste das Bermudas, disse uma autoridade da companhia.


O petroleiro “Aegean Angel” enfrentou condições climáticas adversas e o Capitão, o Chefe de Máquinas, o Imediato e outros tripulantes foram para a proa para conferir os danos, informou um porta voz da Administração de Navios Arcadia de Atenas / Grécia.

Fonte: O Dia / Redação.


Comandante de porta-aviões americano perde cargo.
O Comandante do porta-aviões americano “Enterprise”, Capitão Owen Honors, foi destituído do cargo por ter apresentado um programa de vídeo interno do navio, por ele elaborado, recheado de piadas homofóbicas.

Segundo informou o Almirante John Harvey, em comunicado divulgado de Norfolk, porto de origem do porta aviões, sua profunda falta de julgamento e profissionalismo enquanto servia como oficial executivo do “Enterprise” é um alerta para o seu caráter e mina sua credibilidade”.

O Capitão Honors, até 2007, quando ainda era Imediato do navio, apresentou o programa “XO Movie Night” transmitido no circuito interno de televisão do navio. Os esquetes difundidos mostravam pilotos mulheres tomando banho juntas ou ainda cenas de simulação de masturbação. O Capitão, apresentador da emissão, divulgava ainda grosserias e piadas sexistas e homofóbicas.

Em um dos programas, transmitidos uma vez por semana para divertir uma equipe de 6.000 tripulantes homens e mulheres, o Capitão, ex-piloto de caça F-14, zombava de oficiais da superfície chamando-os de “bichas”.

A Marinha ordenou uma investigação, a fim de entender por que nenhuma medida foi tomada desde 2007.

Esta polêmica ocorre algumas semanas após o voto histórico de uma lei abolindo o tabu homossexual no exército e permitindo aos militares, gays e lésbicas, servir abertamente sem medo de serem demitidos.

Fonte: Terra / Redação


Passageiro larga ferro de navio em movimento.

O navio de passageiros MS “Ryndam” com capacidade para 1260 passageiros, ao navegar no Golfo do México, com destino a Tampa na Flórida, teve seu ferro largado por um passageiro de 44 anos, Rick Ehlert, totalmente embriagado.

O passageiro foi identificado pelo circuito interno de câmeras do navio e foi preso por ameaçar a segurança da embarcação. De acordo com o FBI o passageiro foi liberado sob fiança de US$ 15 mil. Se for condenado Ehlert, que viajava com a namorada, pode ter que pagar uma multa de US$ 250 mil e ser preso por até 20 anos.

O passageiro, além de admitir que estava bêbado, informou que o sistema de fundeio do navio era similar ao do seu barco, daí não ter tido dificuldades em largá-lo.

O navio não sofreu avarias e continuou sua viagem até a Flórida.

Fonte: Estadão / Redação
Pirataria: diminui incidência de ataques

Os ataques de piratas somalianos a embarcações transitando águas perigosas tiveram menos sucesso no ano anterior, em comparação a 2009. Em 2010, 11,6% das tentativas resultaram em sequestros bem-sucedidos, ante uma taxa de sucesso de 12,1% em 2009.

O índice de ataques piratas aumentou 8,4%, passando de 406 incidentes registrados há dois anos para 440 no exercício anterior, segundo relatório preliminar do International Maritime Bureau Piracy Reporting Centre. Anteriormente, a EUNAVFOR (European Union Navigation Force Somalia) anunciou que sua iniciativa de patrulha seria estendida até dezembro de 2012.

As recomendações para impedir a pirataria continuam sendo prevenção e defesa. Entre as práticas sugeridas pela entidade para tripulações sob ataque, está o citadel defense - onde os membros da tripulação se trancam na sala as máquinas e cortam a energia dos motores. Em outubro de 2010, a tripulação do Beluga Fortune empregou esta estratégia para rechaçar os planos dos piratas até que a guarda costeira chegasse.

Atualmente, os piratas somalianos detêm 26 navios e 617 reféns. A questão da pirataria continua a preocupar os players ligados ao setor marítimo. De acordo com pesquisas da Actuarial Profession, cada ataque às embarcações gera um custo nominal de aproximadamente US$ 9 milhões.

Fonte: Guia Marítimo News












Eike Batista anuncia maior estaleiro das Américas.

O estaleiro será instalado no Complexo Industrial do Superporto do Açu, que está sendo construído em São João da Barra no Rio de Janeiro. A escolha do local levou em conta uma série de vantagens competitivas atestadas com estudos operacionais e técnicos que levaram o grupo OSX a descartar a construção do empreendimento em Biguaçu, em Santa Catarina.

O cais do estaleiro terá 2.400 metros, 70% maior do que o previsto para o projeto de Biguaçu. Terá capacidade de expansão para até 3.525 metros e possui a mesma capacidade produtiva originalmente prevista no plano de negócios da OSX.

Entre as outras vantagens, está o maior espectro de serviços que poderão ser prestados, incluindo reparos, além da instalação ficar entre as principais bacias petrolíferas do País!

Os estudos de impacto ambiental estão em estágio avançado de análise técnica pelos órgãos responsáveis e vão gerar 3.500 postos de trabalho na fase de construção e outros 10 mil, quando o estaleiro entrar em operação.

Fonte: Super Porto do Açu


Itajaí movimenta o maior navio de sua história

O Porto de Itajaí recebeu no mês de dezembro de 2010 o maior navio de sua história. O conteneiro “Cathrine Rickmers”, da Hamburg Süd, com 286,26 metros de comprimento e bandeira liberiana, atracou no dia 22 por volta das 10:30h, para descarregar 1200 TEUs.

Diretor técnico do porto informa que Itajaí pode atracar navios de até 290 metros de comprimento.

Navio eólico pela primeira vez no Brasil.
O cargueiro E-Ship 1, da fabricante de turbinas eólicas Enercon GmbH, chega ao Brasil pela primeira vez para operar no Porto do Pecém (CE). O navio mede 130,4 metros de comprimento e pesa 12.800 toneladas. Trata-se da única embarcação do mundo movida por fonte híbrida: a força dos ventos (captada por meio de quatro potentes torres de 27 metros de altura por 4 de diâmetro) e propulsão diesel-elétrica.

O E-Ship 1 iniciou sua viagem partindo do Porto de Emden, na Alemanha. Nesta primeira vinda ao Brasil, traz componentes para turbinas eólicas que são produzidas pela sua subsidiaria Wobben Windpower, com unidades instaladas em Sorocaba (SP) e Pecém. No retorno exportará os produtos de fabricação da Wobben como pás para aerogeradores.

O navio faz uso do chamado "Efeito Magnus" para propulsão. Quatro rotores cilíndricos combinados com motores elétricos que giram, associados ao efeito do vento e criam uma força que impulsiona o navio.

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A COLUNA DO LEITOR



Dois domingos”: um problema de fuso.
Na Revista Eletrônica no. 77 de 15/11/2010, nosso colaborador OSM Evandro Felisberto nos brindou com uma interessante História do Mar baseada em um fenômeno relativamente comum para o navegador de longo curso em que dois dias se repetem. No caso da História do Evandro os dias eram dois domingos, título do artigo. Nosso articulista narrava que, como a passagem da Linha Internacional de Data seria num domingo, este dia seria repetido no seguinte.

Levando em conta que nem todos os nossos leitores são familiarizados com o assunto de fuso horário, resolvi acrescentar, por minha conta, como redator e CLC, a explicação de que, como o navio navegava de oeste para leste, esse fenômeno aconteceria quando fosse cruzada a LID. Melhor não ter dito nada, pois acabei falando besteira. Na verdade esse fato acontece quando se navega de leste para oeste, como era o caso do navio do Evandro que havia deixado um porto oriental (Taiwan) e seguia para um ocidental (Oregon-EU), em viagem de circunavegação. Navegando-se em sentido contrário (de oeste para leste) passa-se de um dia para o seguinte.

O interessante é que a gafe só foi percebida pelo Comte. Álvaro, presidente do CCMM, e contestada por um colega, o CLC Dilermando que me telefonou informando que relevava o engano por ter sido o artigo escrito por um OSM. Acho que muitos outros também devem ter percebido e não protestaram pelo mesmo motivo. Ou não?

De qualquer maneira, minha explicação aos leitores e desculpas ao Evandro.


Luiz A. C. Ventura - Redator


Comte. Hildelene recebe título de Cidadã Fluminense

A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, através da resolução 1174 de 2010, concedeu o título de Cidadã do Estado do Rio de Janeiro à nossa colega e associada, CCB Hildelene Lobato Bahia, primeira mulher Comandante da Marinha Mercante Brasileira.

O projeto foi do Deputado Armando José e a entrega do título deu-se no auditório da Transpetro no dia 16/12/2010 em cerimônia presidida pelo seu presidente Sérgio Machado, com o Deputado fazendo a entrega do diploma.

O Presidente da Transpetro, o Presidente do CCMM, CLC Álvaro José de Almeida Júnior e o Presidente do Sindmar, Severino Almeida, destacaram a merecida distinção à nossa primeira Comandante associada ao Centro dos Capitães.
CCMM: Confraternização de final de ano

Um número expressivo de associados, convidados e familiares, estiveram reunidos no Hotel Guanabara Palace no último dia 15 de dezembro de 2010 em confraternização pela passagem de ano. Em seu pronunciamento o Presidente do CCMM, CLC Álvaro José de Almeida Junior enfatizou o destaque dado pela IMO ao ano de 2010, considerado como o “Ano Marítimo Internacional”, citando as palavras do Secretário Geral dessa organização que, para destacar a importância da atividade, afirmou: “se todos os navios que navegam pelos mares parassem, a metade do mundo morreria de fome e a outra metade morreria de frio”.

Para enaltecer a iniciativa da IMO o CCMM recebeu várias autoridades navais que exerceram o cargo de Chefes da Delegação Brasileira na IMO. Estiveram presentes os Almirantes de Esquadra Mauro César Ribeiro e Sérgio Gitirana Florêncio Chagas Teles, Ex-ministros da Marinha, bem como os Almirantes-de-Esquadra Miguel Ângelo Davena e Carlos Augusto Vasconcelos Saraiva Ribeiro, ex-membros destacados do Almirantado.

Em sua mensagem de final de ano o Comte. Álvaro citou Carlos Drummond de Andrade:

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que deu nome de ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

E aí entra o milagre da renovação. Tudo começa outra vez, com outro número, outra vontade de recomeçar, acreditando que daqui para diante vai ser diferente”.

E concluiu:



Que no ano vindouro a fraternidade e a solidariedade sejam virtudes presentes em nosso cotidiano: não permitamos que alguém venha até nós e vá embora sem se sentir um pouco mais feliz.

A todos um Natal compartilhado e um ano de renovadas esperanças. Não há limite para o sonho, basta acreditar.

Na foto: a ex-oficial da Marinha Mercante e atual Tenente da MB, Vitória Régia, recebe do Diretor de Comunicação Social, CLC Ventura, o quadro sorteado no evento.



Bom marinheiro…

Good Seamanship is to



Bom marinheiro é aquele que:
TAKE PRIDE IN YOUR SHIP

TEM ORGULHO DO SEU NAVIO
TRAIN AND IMPROVE FROM LESSONS LEARNED

TRANSMITE E APRIMORA AS LIÇÕES APRENDIDAS
KEEP YOUR SHIP CLEAN AND TIDY

MANTÉM O SEU NAVIO LIMPO E ARRUMADO
KNOW THE CONDITION OF YOUR EQUIPMENT

CONHECE A SITUAÇÃO DOS SEUS EQUIPAMENTOS
MONITOR YOUR VESSEL'S MOVEMENTS WHEN AT ANCHOR

MONITORA OS MOVIMENTOS DO SEU NAVIO QUANDO FUNDEADO
PLAN YOUR ARRIVAL AND BERTHING

PLANEJA SUA CHEGADA E ATRACAÇÃO
MONITOR THE STRAIN ON YOUR MOORING LINES

MONITORA A TENSÃO DOS CABOS DE AMARRAÇÃO
SHARE KNOWLEDGE WITH THE LESS EXPERIENCED

COMPARTILHA SEUS CONHECIMENTOS COM OS MENOS EXPERIENTES
KNOW YOUR VESSEL'S LIMITATIONS

CONHECE AS LIMITAÇÕES DO SEU NAVIO
CALL THE MASTER WHEN IN DOUBT

CHAMA O COMANDANTE EM CASO DE DÚVIDA
EXERCISE PROPER CARGO CARE

TEM OS DEVIDOS CUIDADOS COM A CARGA
BE AWARE OF YOUR PILOT'S INTENTIONS

ESTÁ CONSCIENTE DAS INTENÇÕES DO SEU PRÁTICO
Extraído do calendário de 2010 do P&I Gard – Tradução livre.

Colaboração do CLC Jonathas C.T. Neto


Visite o site do CCMM

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BRINDES




Não há pior cunha que a do mesmo pau.

Provérbio Português



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HISTÓRIA DA MARINHA MERCANTE” - Volumes I e II - Alberto Pereira de Aquino

MAR DE MEMÓRIAS” - Wesley O. Collyer



LEI DOS PORTOS” - Wesley O. Collyer

EMPURRANDO ÁGUA” - Antonio Haylton Figueiredo



MEMÓRIAS DE UM PELEGO” - Rômulo Augustus Pereira de Souza

O COMANDANTE BAHIA” - Carlos Nardin Lima









Marriage is the only adventure open to the cowardly.”

Voltaire
O casamento é a única aventura aberta aos covardes.”


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ASSISTÊNCIA MÉDICA

O CCMM possui seguro “Plano Empresa” com a Golden Cross. Este tipo de contrato, por suas próprias características, apresenta custos mais atrativos.

OBS: O plano só inclui até 65 anos de idade.
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Temos convênio com dois colegas advogados que poderão prestar assistência aos nossos associados mediante remuneração com considerável desconto.

CLC Paulo Sérgio Rocha de Lima e CLC Carlos Alberto G. Cardoso
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Editor responsável pela “Revista Eletrônica”

CLC Luiz Augusto Cardoso Ventura



venturalac@yahoo.com.br
CENTRO DOS CAPITÃES DA MARINHA MERCANTE

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