Trabalho: 48: Plantas Medicinais e Tóxicas no Estado do Rio de Janeiro: Integrando a Universidade e a Comunidade



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


Plantas Medicinais e Tóxicas no Estado do Rio de Janeiro: Integrando a Universidade e a Comunidade

Área Temática de Educação

Resumo


O uso de plantas medicinais continua sendo o principal recurso terapêutico na busca de alívio de sintomatologia dolorosa ou desagradável para a maioria da população. O trabalho desenvolvido na FFP-UERJ visa o levantamento das espécies medicinais e tóxicas utilizadas no Estado do Rio de Janeiro e a propagação das plantas para distribuição à comunidade com orientação específica sobre o uso. Este levantamento é realizado através da aplicação de questionários, entrevistas, observação e anotação das plantas comercializadas em lojas, feiras, nas ruas por ambulantes e outros locais. Para o plantio são selecionadas espécies indicadas pela comunidade, com comprovada eficácia terapêutica e sem toxicidade. A propagação vegetal é realizada na estufa no Campus da FFP-UERJ por sementes, estacas ou divisão de touceiras de várias plantas, entre elas: “alfavaca”, “arnica-brasileira”, “babosa”, “bálsamo”, “boldinho”, “capim-limão”, “dipirona”, “erva-cidreira”, “falso-boldo”, “guaco”, “sabugueiro” e “terramicina”, e as mudas são distribuídas à comunidade. Desde 2002 a equipe integrante deste projeto e alunos do Curso de Ciências Biológicas da FFP têm proferido palestras em escolas, hospitais e outros locais nos municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Niterói e Rio de Janeiro para orientar, incentivar e auxiliar na criação de hortas com plantas medicinais e no reconhecimento de plantas tóxicas.
Autores

Maria Cristina Ferreira dos Santos, professora

Marcelo Guerra Santos, professor

Gabriella Silva de Almeida, bolsista de Extensão

Érica Farias Laranjeira, bolsista de Extensão

Ramon Brum de Moraes e Silva, bolsista de Extensão


Instituição

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ


Palavras-chave: plantas medicinais; educação; saúde da comunidade

Introdução e objetivo


O uso de plantas medicinais pela população mundial é significativo: dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 80% da população mundial fez uso de algum tipo de erva na busca de alívio de alguma sintomatologia dolorosa ou desagradável e deste total pelo menos 30% se deu por indicação médica. A utilização de plantas medicinais é prática tradicional existente entre os povos de todo o mundo e incentivada pela OMS (Martins et al., 2000). Dados recentes mostram também que 80% da população mundial vivem nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos e que apenas 20% da população mundial, que habita os países desenvolvidos, é responsável pelo consumo de 85% dos medicamentos industrializados comercializados. No Brasil 20% da população consome 63% dos medicamentos disponíveis e o restante usa produtos de origem natural, principalmente plantas medicinais, como única fonte de recurso terapêutico (Di Stasi, 1995). Prance (1987) relata que em todas as 14 tribos diferentes da Amazônia brasileira e peruana que visitou foi verificado o emprego de medicamentos preparados com plantas.

O cultivo de plantas medicinais para uso comunitário necessita de cuidados especiais, pois as mudas devem ter eficácia e segurança terapêuticas garantidas e cuidado agronômico permanente, sem uso de agrotóxicos (Matos, 2002). As plantas podem ser propagadas pelas formas sexuada ou assexuada. Na propagação sexuada o plantio ocorre através de sementes e apresenta algumas desvantagens para a produção de plantas de uso medicinal, tais como: variação no conteúdo e quantidade de princípios ativos; plantas originárias de outros países podem não produzir flores e/ou sementes nas condições brasileiras e desconhecimento do mecanismo de quebra da dormência em algumas espécies. Esta forma de propagação permite a produção de um grande número de mudas em curto intervalo de tempo, porém não garante que as mudas produzidas apresentem os princípios ativos nas mesmas concentrações da planta matriz. Já a propagação assexuada ocorre através de órgãos vegetativos da planta e inclui várias formas de propagação, entre elas estaquia, rizoma, bulbo, separação de rebentos e divisão de touceiras. Esta forma é a mais utilizada, pois mantém as características do vegetal selecionado para uso medicinal. Em relação ao cultivo de plantas medicinais Furlan (1996) alerta que esta é uma das etapas que mais pode interferir na produção de um fitoterápico, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo.

O uso de plantas medicinais é prática tão antiga como a própria história do homem, que também nos mostra a ocorrência de efeitos indesejados. O número de vegetais superiores é estimado em mais de 250 mil espécies e muitas dessas produzem substâncias capazes de exercer ação tóxica sobre organismos vivos. No entanto, a margem de certeza sobre a toxicidade de uma planta é limitada por uma série de fatores, tais como parte da planta ingerida, condições ambientais, certas variedades ou cultivares, entre outros. Em nosso meio encontram-se muitas plantas potencialmente tóxicas e que freqüentemente não são reconhecidas como tal, podendo causar problemas por ingestão ou até simples contato. Entre as plantas de importância toxicológica podemos citar: “cambará” (Lantana camara L.) e “oficial-de-sala” (Asclepias curassavica L.) (Schenkel et al, 1999). A identificação de espécies tóxicas e de uso restrito é importante na orientação sobre o uso das plantas pela população e na prevenção de intoxicações por plantas, assim como a divulgação da forma adequada de emprego das mesmas. Di Stasi (1996) afirma que o mais importante é que a ciência se desenvolva motivada a solucionar problemas para que o mundo seja mais humano, são, feliz e eqüitativo. Desta forma os cientistas devem ser cidadãos preocupados com o bem-estar da sociedade e a ciência deve significar ajuda ao desenvolvimento do homem. O uso racional das plantas medicinais e a prevenção de intoxicações através da identificação de plantas potencialmente tóxicas é uma das preocupações da equipe que integra este projeto no sentido de contribuir para o bem-estar e saúde da comunidade.

O Projeto foi proposto pela necessidade de repassar à comunidade o conhecimento científico e ao mesmo tempo trazer o conhecimento popular para a comunidade acadêmica, promovendo a interação entre estas duas visões do mundo que contribuem para o conhecimento da humanidade. Está intimamente relacionado à pesquisa, uma vez que membros da equipe trabalham com levantamentos da flora em diversas áreas do Estado do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo o Projeto de Extensão retorna dados para a pesquisa, através do levantamento das plantas utilizadas pela população, e respectivas formas de uso, indicações terapêuticas e partes usadas. Entre os objetivos do projeto estão: identificar as principais plantas nativas e exóticas usadas como medicinais, com respectivas formas de uso e indicações terapêuticas no Estado do Rio de Janeiro; identificar as plantas já reconhecidas na literatura científica como tóxicas e aquelas para as quais estudos químicos e/ou biológicos sugiram algum indício ou probabilidade de efeito adverso; preparar material informativo de divulgação das instruções necessárias ao cultivo e emprego adequado das espécies; selecionar plantas medicinais de uso regulamentado que apresentem baixa toxicidade e eficácia terapêutica; cultivar estas plantas para distribuição de mudas à comunidade com o respectivo material informativo; incentivar nas escolas a criação de hortas com plantas medicinais e o reconhecimento das plantas tóxicas; promover a prática extensionista junto aos alunos do Curso de Ciências Biológicas da FFP através do levantamento e análise de dados, preparo de hortas e palestras junto às escolas e comunidade.



Metodologia


Este projeto iniciou-se em 2002 e está cadastrado no Departamento de Extensão da Subreitoria de Extensão da UERJ com o número P596. O levantamento de dados na comunidade inclui a gravação e anotação de entrevistas semi-estruturadas e baseadas em questionários com ervateiros, raizeiros e indivíduos da comunidade que façam uso regular das plantas medicinais, coleta de material botânico para posterior identificação (BEGOSSI, 1998), além da observação e anotação das plantas nos locais de cultivo e venda. Estas plantas são identificadas através de chaves analíticas, consultas aos especialistas das famílias e visitas aos Herbários. Para o conhecimento dos nomes populares das espécies identificadas é realizada a consulta às referências bibliográficas e anotações das entrevistas. O levantamento bibliográfico também é realizado para informações sobre as indicações terapêuticas e formas de preparo das ervas. A partir das informações coletadas é feita a seleção das espécies para cultivo e preparado o material informativo para a divulgação dos usos das plantas.

A produção de mudas de plantas medicinais foi realizada a partir de matrizes aclimatadas na estufa e áreas adjacentes no Campus da Faculdade de Formação de Professores (FFP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), situado no bairro do Paraíso, São Gonçalo, Rio de Janeiro, no período de março a julho de 2003. As plantas foram cultivadas em solo com adubo orgânico e pH corrigido e a irrigação foi realizada através de micro-aspersão por 20 a 40 minutos duas vezes ao dia. A propagação foi realizada através de sementes, estaquia de galho, estaquia de rizoma, rebentos ou mudas e divisão de touceiras, seguindo-se as recomendações de Correa Júnior (1991), Furlan (1996) e Martins et al. (2000). Para a identificação das espécies cultivadas, realizada por comparação, e denominação popular foi utilizada a bibliografia específica: Lorenzi & Matos (2002) e Martins et al (2000), entre outros. As mudas obtidas estão sendo distribuídas à comunidade de São Gonçalo, Niterói, Itaboraí, Rio de Janeiro e outros municípios com material informativo sobre cada espécie.

O Projeto envolve atualmente alunos das disciplinas Botânica II e Botânica IV, obrigatórias do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da FFP, em São Gonçalo, e 3 bolsistas de Extensão. Os alunos da Botânica II (Fisiologia Vegetal) realizam experimentos relacionados às condições necessárias à germinação das sementes de algumas espécies de plantas medicinais, que depois são transplantadas e cultivadas em solo. Os alunos inscritos na disciplina Botânica IV (Organografia e Taxonomia Vegetal) elaboram mini-projetos de extensão relacionados a plantas medicinais e com outros potenciais econômicos, desenvolvendo-os nas escolas ou na comunidade em geral. Eles apresentam inicialmente um pré-projeto com a introdução e metodologia prevista para ser usada durante o desenvolvimento do mini-projeto, que é analisado e discutido com o grupo, sendo apresentadas sugestões com o intuito de correção e orientação do trabalho discente. Os próprios alunos escolhem o local e as atividades a serem realizadas. Para isto são supervisionados pela equipe do Projeto “Plantas Medicinais e Tóxicas no Rio de Janeiro”, incluindo a participação nas ações, plantio e doação de mudas e revisão de literatura especializada.
Resultados e discussão

Foram levantados no bairro de Alcântara, na cidade de São Gonçalo, 15 locais de venda de plantas medicinais secas, incluindo bancas de jornal, lojas de venda de plantas, flores, produtos naturais ou artigos diversos e vendedores ambulantes, e 81 plantas medicinais comercializadas com nomes populares diferentes (Tabela 1). Mais da metade das amostras não apresentavam os nomes científicos ou apresentavam denominações erradas nas embalagens contendo os produtos. Neste bairro é freqüente a comercialização dos vegetais apenas com o nome popular, o que pode causar uso inadequado e graves riscos à saúde, estando a comunidade sem orientação específica quanto à presença de substâncias tóxicas em plantas medicinais e suas conseqüências. Outro fato relevante é que algumas plantas comercializadas, como o “abajeru”, a “cainca”, a “catuaba” e o “pinhão-roxo”, ainda não têm eficácia terapêutica comprovada, sendo utilizadas com base apenas nas informações disponíveis na medicina popular (Lorenzi & Matos, 2002) ou ainda sem qualquer outra referência na bibliografia consultada. A partir destes resultados e de informações obtidas em entrevistas e questionários aplicados à comunidade em geral verificou-se que o preparo de material informativo, a produção de mudas de eficácia terapêutica comprovada e com a correta identificação botânica e a divulgação das informações relativas ao uso das plantas medicinais deveriam ser priorizados entre as atividades a serem desenvolvidas.

Tabela 1. Listagem das plantas medicinais comercializadas no bairro de Alcântara, São Gonçalo, Rio de Janeiro, com as respectivas partes indicadas para uso de acordo com as informações contidas nas embalagens.


Nome científico

Nome popular

Parte indicada

para uso


Achyrocline satureioides (Lam.) DC.

“macela”

Flores

Adianthum capillus-veneris L.

“avenca-cabelo-de-vênus”

Folhas

Aesculues hippocastranum L.

“castanha-da-índia”

Frutos

Ageratum conyzoides L.


“erva-de-são-joão”, “mentrasto”

Planta inteira

Anacardium occidentale L.

“cajueiro”

Casca do tronco

Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan

“angico”

Caule

Anchietea salutaris

“cipó-suma”, “suma-roxa”

Cipó

Anemopaegma arvense (Vell.)Stellf.

“catuaba”

Caule

Argemone mexicana L.

“cardo-santo”

Flores e frutos

Artemisia absinthium L.

“artemísia”

Folhas, galho

Averrhoa carambola L.

“carambola”

Folhas

Bambusa vulgaris

“bambu”

Folhas

Bidens pilosa L.

“picão-preto”

Folhas

Boerhavia diffusa L.

“pega-pinto”, “erva-tostão”

Folhas, galho

Camellia sinensis (L.) Kuntze

“banchá”

Planta inteira, raiz

Carica papaya L.

“mamão-macho”

Flores

Casearia sylvestris Sw.

“erva-lagarto”

Folhas

Cecropia pachystachya Trécul

“embaúba”

Folhas

Celosia argentea L.

“crista-de-galo”

Flores

Centella asiatica ( L.) Urban

“centela”

Folhas

Chrysobalanus icaco L.

“abajeru”

Folhas

Chiococca alba (L.) Hitchc.

“cainca”, “curatombo”

Galho

Cinnamomum zeylanicum Breyn.

“canela”

Casca do caule

Cissampelos pareira L.

“abutua”

Caule

Citrus aurantium L.

“laranjeira-da-terra”

Folhas
Cocculus filipéndula L.

“cóculos”

Raiz

Cola nitida Ventent

“noz-de-cola”

Sementes

Cordia verbenacea DC.


“erva-baleeira”

Flores, frutos, galhos

Costus spicatus (Jacq.) Sw

“cana-do-brejo”

Folhas, galhos

Citrus limon (L.) Burm. f.

“limoeiro”

Folhas

Echinodorus grandiflorus Mitch

“chapéu-de-couro”

Folhas

Eleusine indica (L.) Gaertn.


“capim-pé-de-galinha”

-


Erythroxylum vacciniifolium Mart.

“catuaba”

Caule

Eucalyptus globulus Labill.

“eucalipto”

Folhas

Foeniculum vulgare Mill.

“funcho”

Frutos

Geissospermum leavis Miers

“pau-pereira”

Caule

Gossypium herbaceum L.

“algodoeiro”

Toda planta

Himatanthus lancifolius (Muell. Arg.) Woodson

“agoniada”

Caule

Hymenaea courbaril L.

“jatobá”

Caule

Jatropha curcas L.

“pinhão-roxo”

Folhas e galhos

Lantana camara L.

“cambará”

Folha e galhos

Lavandula sp.

“alfazema”

Flores

Leonotis nepetaefolia (L.) R. Br.

“cordão-de-frade”

Talo, folha e flores
Leonurus cardiaca

“agripalma”

Frutos, folhas e galhos

Leonorus sibiricus L.

“erva-macaé”

Planta inteira

Lepidium sp.

“erva-de-santa-maria”

Caule e galhos

Luehea grandiflora Mart. et Zucc.

“açoita-cavalo”

Caule

Luffa operculata (L.) Cogn.

“buchinha-do-norte

Frutos

Malva sylvestris L.

“malva”

Folhas

Mangifera indica

“mangueira rosa”

Folhas

Maytenus aquifolium Mart.

“espinheira-santa”

Folhas

Medicago sativa L.

“alfafa”

Planta inteira

Mikania glomerata Spreng.

“guaco”

Folhas

Mikania hirsutissima DC.

“cipó-cabeludo”

Parte aérea

Momordica charantia L.

“melão-de-são-caetano”

Planta inteira

Morus nigra L.

“amora”

Folhas

Myrcia sphaerocarpa DC.

“pedra-ume”

Folhas

Myristica oleifera (Schott) A. C. Sm.

“bicuíba”

Frutos

Ocimum basilicum L.

“alfavaca”

Folhas, galho

Origanum vulgare L.

“manjerona”

Planta

Parietaria officinalis

“parietária”

Folhas

Passiflora alata Dryand.

“maracujá-doce”

Folhas

Paullinia cupana Kunth

“guaraná”

Frutos

Persea americana Mill.

“abacate”

Folha

Peumus boldus Molina

“boldo-do-chile”

Folhas

Phyllanthus niruri L.

“quebra-pedra”

Folhas, galho

Petiveria alliacea L.

“guiné-pipi”

-

Pimpinella anisum L.

“erva-doce”

Frutos e sementes

Piper aduncum L.

“aperta-ruão”

Folhas

Poligonum punctatum Elliot

“erva-de-bicho”

Folha e galho

Pouteria caimito(Ruiz & Pav.)Radlk.

“abiu-roxo”

Folhas

Psidium guajava L.


“goiabeira”

Brotos e folhas

Punica granatum L.

“romã”

Casca do fruto

Quassia amara L.

“pau-amargo”

Lenho

Rhammus purshiana DC.

“cáscara sagrada”

-

Ricinus communis L.

“mamona”

Folhas

Rollinia mucosa (Jacq.) Baill.

“fruta-de-conde”

Folhas

Rosmarinus officinalis L.

“alecrim”

Folha e galho

Rudgea viburnoides Benth.

“congonha-de-bugre”

Folhas

Sambucus nigra L.

“sabugueiro”

Flor, casca e folhas

Schinus molle L.

“aroeira”

Periderme
Schinus terebinthifolia Raddi

“aroeira”

Casca

Senna occidentalis (L.) Link

“mangerioba”, “fedegoso”

Folhas
Sida cordifolia

“malva branca”

Folhas, galho

Solanum americanum Mill.

“erva-moura”

Galhos

Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl

“gervão”

Folhas, galhos

Struthantus marginatus Blume

“erva-passarinho”

Folhas

Syzygium cumini (L.) Skeels

“jamelão”

Folhas

Tynnanthus fasciculatus

“cipó-cravo”

Cipó
Uncaria tomentosa (Willd.) DC.

“unha-de-gato”

Periderme

Verbena odorata

“gervão-roxo”

Folhas
Vernonia polyanthes Less.

“assa-peixe”

Folhas

Vernonia condensata Baker

“boldo-da-terra”

Folhas

Ziziphus joazeiro Mart.

“juá”

Casca de lenho

Os alunos da disciplina Botânica II coletam amostras de solo e estudam as condições de desenvolvimento e propagação das plantas e os alunos na disciplina Botânica IV são incentivados a desenvolver mini-projetos com a comunidade relacionados a plantas medicinais e de outras utilidades. Várias escolas localizadas nos municípios de São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro recebem estes licenciandos para o desenvolvimento de atividades, entre as quais palestras sobre o uso de plantas medicinais e os riscos de intoxicações com plantas tóxicas e a criação de hortas de plantas medicinais. São oferecidas palestras sobre plantas medicinais e tóxicas nas escolas, creches, asilos e hospitais principalmente dos municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Niterói e Rio de Janeiro. Os alunos da disciplina Botânica IV consideraram a experiência valiosa em suas vidas acadêmicas e para vários deles a realização do mini-projeto foi muito gratificante. Eles consideram imprescindível o auxílio dos professores na orientação, elaboração e apresentação dos trabalhos. Também relataram que as diretoras das escolas solicitaram aos alunos que as atividades fossem ampliadas para todas as turmas.



O cultivo está sendo realizado na estufa na entrada do Campus da FFP e, a partir destes indivíduos, são propagadas as mudas para distribuição à comunidade, sempre com as informações sobre a indicação de uso de cada espécie. Na estufa estão sendo produzidas mudas de 27 espécies medicinais: Plectranthus barbatus Andrews (boldo-brasileiro), Plectranthus neochilus Schlechter (boldinho), Vernonia condensata Baker (alumã), Cymbopogon citratus (DC) Stapf. (capim-limão), Plantago major L. (tanchagem), Euphorbia tirucalli L. (aveloz), Passiflora edulis Sims (maracujá), Schinus terebinthifolius Raddi (aroeira) e outras (Tabela 2). Estas mudas são distribuídas pela equipe do projeto e alunos da FFP e nas escolas e comunidade em geral.
Tabela 2. Espécies cultivadas na estufa da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, Rio de Janeiro.

Nome científico


Nome popular

Forma de propagação

Aloe vera (L.) Burm. f.

“babosa”

Rebento

Alpinia speciosa Schum.

“colônia”

Rebento

Alternanthera brasiliana (L). O. Kuntze

“terramicina”

Estaquia de galho

Bixa orellana L.

“urucum”

Semente

Costus spiralis (Jacq.) Roscoe

“cana-do-brejo”

Rebento

Cotyledon orbiculata L.

“bálsamo”

Estaquia de galho

Cymbopogon citratus (DC) Stapf.

“capim-limão”

Divisão de touceira

Foeniculum vulgare Hill

“erva-doce”

Semente

Lavandula angustifólia Mill.

“lavanda”

Semente

Lippia alba (Mill.) N.E.Br.

“erva-cidreira”

Estaquia de galho

Mentha arvensis L.

“menta”

Estaquia de rizoma

Mentha pulegium L.

“poejo”

Estaquia de rizoma

Mentha sp.

“hortelã”

Estaquia de rizoma

Mikania glomerata Spreng.

“guaco”

Estaquia de galho

Ocimum basilicum L.

“manjericão”

Semente

Ocimum gratissimum L.

“alfavaca”

Semente

Oreganum vulgare L.

“orégano”

Semente

Pfaffia glomerata (Spreng.) Pedersen

“novalgina”

Estaquia de galho

Plectranthus barbatus Andrews

“falso boldo”

Estaquia de galho

Plectranthus neochilus Schlechter

“boldinho”

Estaquia de galho

Plantago major L.

“tanchagem”

Semente

Ruta graveolens L.

“arruda”

Semente

Sambucus australis Cham. & Schltdl.

“sabugueiro”

Estaquia de galho

Schinus terebinthifolius Raddi

“aroeira”

Semente

Solidago chilensis Meyen

“arnica-brasileira”

Rebento

Thymus vulgaris L.

“tomilho”

Semente

Vernonia condensata Baker

“boldo”

Estaquia de galho

Conclusões


O emprego de plantas medicinais na recuperação da saúde tem evoluído desde as formas mais simples de tratamento local até as formas tecnologicamente sofisticadas de produção industrial. Entretanto ainda é freqüente a comercialização de plantas medicinais sem a correta determinação botânica ou sem a eficácia terapêutica comprovada, além dos casos em que as plantas são tóxicas ou não existem quaisquer relatos de seus efeitos. O uso destas plantas pode causar graves riscos à saúde, quando os usuários não têm acesso à orientação específica quanto à presença de substâncias tóxicas, partes usadas, modo de preparo, dosagem, eficácia terapêutica e conseqüências de seu uso incorreto. Este projeto contribui para a educação e saúde da comunidade com a orientação específica sobre estes itens, assim como com informações sobre o cultivo e a distribuição de mudas.

Referências bibliográficas


BEGOSSI, A. Etnobotânica em Comunidades Caiçaras. In: FONSECA, V. S. et al (Org.). Etnobotânica: Bases para a conservação. Rio de Janeiro: Editora Universidade Rural, 1998. p. 108-120

CORREA JÚNIOR, C. et al. Cultivo de plantas medicinais, condimentares e aromáticas. Paraná: Emater-Paraná, 1991, 151 p.

DI STASI, L. C. Arte, Ciência e Magia. In: DI STASI, L.C. (Org.). Plantas medicinais: arte e ciência. Um guia de estudo interdisciplinar. São Paulo: Editora UNESP, 1996. p. 15-21

FURLAN, M.R. Aspectos agronômicos em plantas medicinais. In: DI STASI, L.C. (org.). Plantas medicinais: arte e ciência. Um guia de estudo interdisciplinar. São Paulo: Editora UNESP, 1996. p. 157-167

LORENZI, H.; MATTOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Nova Odessa: Editora Plantarum, 2002. 550 p.

MARTINS, E. R., et al. Plantas Medicinais. Viçosa: Editora UFV, 2000. 220p.

MATOS, F. J. A. Farmácias Vivas: sistema de utilização de plantas medicinais projetado para pequenas comunidades. 4 ed. Fortaleza: Editora UFC, 2002. 267 p.

PRANCE, G. T. Etnobotânica de Algumas Tribos Amazônicas. In: Ribeiro, D. (Ed.). Suma etnológica brasileira. Rio de Janeiro: Vozes-FINEP, 1987. V. 1, p. 119-133



SCHENKEL, E. P. et al. Plantas tóxicas. In: Simões, C. M. O. et al (Org,). Farmacognosia: da planta ao medicamento. Porto Alegre/ Florianópolis: Editora da Universidade/UFRGS /Editora da UFSC, 1999. p. 755-788

Apoio: DEPEXT/SR-3/UERJ
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