Trabalho: 134: a intervenção psicopedagógica num grupo de graduandos: o aluno uma oportunidade de aprendizagem para quem ensina



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


A Intervenção Psicopedagógica num Grupo de Graduandos: o Aluno - Oportunidade de Aprendizagem para Quem Ensina.
Área Temática de Educação
Resumo

Este trabalho tem como objetivo descrever/analisar a proposta psicopedagógica de formação de alfabetizadores, intervindo junto aos graduandos que atuam em sala de aula, desafiando-os para uma reflexão da prática pedagógica de alfabetização, possibilitando a construção de novos procedimentos. Em reuniões pedagógicas semanais de análise/reflexão da prática pedagógica, de grupo de estudo, de palestras e oficinas, os graduandos tecem conhecimentos relativos à atividade de ensinar. A metodologia utilizada é a intervenção. Essa é realizada com a interferência sobre o processo de aprendizagem do graduando. O procedimento adotado interfere no processo com o objetivo de compreendê-lo e introduzir novos elementos para que ele reflita e quebre um padrão anterior de relacionamento com o ensinar. O graduando ao teorizar sua prática cotidiana toma consciência da necessidade de uma postura mais ativa, de se atualizar em leituras especializadas e do valor de compartilhar suas experiências com o colega. Os resultados deste projeto indicam um elevado índice de aprovação nos concursos públicos e nos cursos de pós-graduação que nossos graduandos se inscrevem, após o término do estágio. A prática pedagógica, os encontros semanais com a equipe pedagógica e os grupos de estudo contribuem para a formação da identidade profissional do graduando.


Autoras

Anna Helena Moussatché, Coordenadora do PROALFA, Doutora em Educação/USP.

Marlene Dias Pereira Pinto, Psicopedagoga do PROALFA, Mestre em Educação/UERJ.
Instituição

Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ


Palavras-chave: graduando; aprendizagem; intervenção.
Introdução e objetivo

São muitas as possibilidades de serem desenvolvidas ações no espaço universitário, principalmente quando se tratam de projetos de pesquisa que são as molas mestras da produção do conhecimento.O mesmo se dá com o ensino universitário, sem o qual o conhecimento sofreria uma grande dispersão.

Durante muitos anos a Educação vem tentando resolver grandes problemas, como o fracasso escolar nas séries iniciais, ou melhor, dizendo, questões do ensino da leitura e da escrita, mais conhecida como Alfabetização.Em termos de pesquisas produzidas e livros publicados, já poderíamos construir uma outra Biblioteca Nacional, sem falar nos sem números de universidades que formam professores, através de seu ensino.Indaga-se, então: Bastaria ensinar as pesquisas para que o grave problema acima citado fosse resolvido?

Acreditamos que não.

A partir desta negativa, o conceito de extensão aparece como uma possibilidade de intermediação entre as funções citadas, ao mesmo tempo em que se mostra como uma ação de contato a partir de problemas reais com possibilidades de soluções imediatas e prazerosas. Quanto tempo se faz necessário para que uma idéia (ou ideal) se concretize num espaço instituído? Como transformar a alfabetização numa ação coletiva de Letras, Pedagogia, Matemática e demais, sem estar na escola regular? Como denunciar um problema coletivo, se todos pensam estar com ele resolvido?

Este tem sido o desafio do PROALFA nos seus cinco anos de embrião e oito anos de extensão.

O PROALFA – Programa de Alfabetização, Documentação e Informação é um Programa de extensão em alfabetização da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ligado administrativamente ao Centro de Educação e Humanidades. A equipe é formada por dois docentes, uma psicopedagoga, um servidor administrativo e dezesseis graduandos/bolsistas de diferentes áreas: Pedagogia, Letras, Matemática, Comunicação Social e Biblioteconomia. Os graduandos permanecem no Programa por um período de até três anos e ao término desse período, algumas vezes, como voluntários. O Programa é constituído de vários projetos:

Projeto I: Classes de Alfabetização e Letramento para jovens, adultos e idosos. Esse projeto atualmente possui noventa alunos distribuídos em quatro classes, com faixa etária entre 35 a 90 anos.

Projeto II: Apoio Pedagógico à Enfermaria do Hospital Universitário Pedro Ernesto. Atendendo em média 15 crianças por mês.

Projeto III: Acervo Especializado em Alfabetização “Emília Ferreiro”. Com mais de 2000 exemplares de livros, teses, monografias, revistas especializadas etc.

Projeto IV: Ciclos de Estudo em Alfabetização. Os ciclos acontecem uma vez por mês, tendo como palestrantes especialistas da UERJ e de outras instituições. Os participantes são alunos da própria universidade e de outras instituições e, profissionais interessados no tema.

Projeto V: Alfabetização de Jovens de Classes Populares. Em parceria com a I Vara da Infância e Juventude.

Os graduandos em seu estágio de dois anos recebem uma formação similar a uma especialização e, vão descobrindo valores e formando conceitos até então não pensados. O graduando de Pedagogia descobre a importância do planejamento, do registro de suas ações, do significado das relações intergeracionais, do respeito ao conhecimento trazido pelo aluno sem a preocupação de dar-lhe uma nota, do significado do erro como parte do processo de aprender, a interagir interdisciplinarmente, com outras formações como Letras e Matemática, criticando ou recebendo críticas que lhe couberem em seu trabalho. O bolsista de Letras sofre um impacto ao ter que alfabetizar e letrar adultos e idosos, pois em sua graduação os preparam para trabalhar com a 5º série em diante. Ensinar a ler e escrever a adultos até de 90 anos que estão numa espera silenciosa e, por vezes com sentimento de vergonha, é um resgate oferecer-lhes oportunidade de retornar aos bancos escolares. Em relação ao graduando de Matemática, o impacto está em ensinar matemática para alunos que fazem contas de cabeça, é ter que conviver com as áreas humanas e dar-lhes o mesmo valor que creditam à matemática.

O PROALFA nasce da conscientização do potencial universitário e de suas responsabilidades diante do compromisso social de um problema não apenas brasileiro, mas Latino-Americano e seu objetivo é constituir um espaço acadêmico-extensionista-educativo comprometido com o aprofundamento de reflexões, discussões, pesquisas e práticas em alfabetização e letramento com o intuito de colaborar com a ressignificação dos usos escolares e sociais da leitura e da escrita.

Este trabalho tem como objetivo descrever e analisar a proposta psicopedagógica de formação de alfabetizadores do PROALFA, que visa intervir junto aos graduandos que atuam em sala de aula, desafiando-os para uma reflexão da prática pedagógica de alfabetização, possibilitando a construção de novos procedimentos.

As questões relativas à alfabetização no Brasil vêm sendo permanentemente discutidas, uma vez que o analfabetismo é uma constatação nas estatísticas de nosso país. Apesar de muitos serem os fatores que contribuem para essa situação, partimos da hipótese de que não há uma proposta pedagógica de alfabetização de qualidade, se aos professores não é dada a oportunidade de pensar sobre o processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita.

Assim, considerando a formação do professor, um caminho para a melhoria do quadro de analfabetismo, o PROALFA tem desenvolvido, desde 1996, um espaço de construção de conhecimento e prática para o universitário comprometido com o processo ensino-aprendizagem do ler e escrever.

A formação do professor é uma questão bastante relevante e desafiadora quando se pensa numa escola de qualidade e na democratização do ensino. Os cursos de graduação, geralmente, encontram-se distanciados da realidade da sala de aula, pouco contribuindo para a discussão e reflexão das práticas sociais de educar do cotidiano.

Ensinar a ler e escrever requer uma formação especializada e atualizada em alfabetização, assim o PROALFA tem como objetivo investir na formação dos graduandos oferecendo um espaço de prática de alfabetização e, ao mesmo tempo, acompanhando o processo de aprendizagem do mesmo utilizando-se da reflexão sobre a prática, mediatizada por uma psicopedagoga, por colegas de trabalho e por textos teóricos produzidos por outros educadores. Parte-se do princípio que o graduando tendo como objeto de estudo a prática de sala de aula, analisando e refletindo em equipe as situações vivenciadas construirá o seu saber pedagógico de forma mais sólida e coerente com sua escolha teórica.

O PROALFA tem como objetivo instrumentalizar o graduando para uma prática pedagógica reflexiva em alfabetização e letramento proporcionando a compreensão do processo de construção do conhecimento do aluno como oportunidade de aprendizagem. Partindo do estudo e a análise do próprio ato de ensinar do graduando, as intervenções são realizadas de forma a obter-se uma participação crítica e ativa do graduando, aperfeiçoando e melhorando a prática de alfabetização em sala de aula.


Metodologia

Os graduandos, ao serem selecionados pelo Programa, das áreas de Língua Portuguesa, Pedagogia e Matemática passam a atuar como professores alfabetizadores de alunos adultos e idosos em sala de aula da própria universidade após uma capacitação inicial. Os graduandos ao assumirem uma turma de alfabetização passam a ter como objeto de conhecimento sua própria aula e o aluno, então, a ser um meio dele aprender. Além da prática de sala de aula, o graduando é assessorado semanalmente com observações das aulas, reuniões pedagógicas para acompanhamento, análise e discussão do trabalho, reuniões de estudo e de planejamento.

Como funciona?

Em reuniões pedagógicas semanais de análise e reflexão da prática pedagógica, de grupo de estudo, de palestras e oficinas sobre alfabetização e questões sobre o ensino e aprendizagem, os graduandos vão tecendo conhecimentos relativos à atividade de ensinar.

Semanalmente, durante um período de quatro horas, a equipe, composta por uma psicopedagoga e graduandos, reúne-se para análise, discussão e avaliação da prática pedagógica desenvolvida, tomando-a como objeto de reflexão para compreensão do processo ensino-aprendizagem. Nesse encontro, as aulas são descritas e analisadas, possibilitando assim, uma reflexão sobre o processo de ensinar desenvolvido pelo graduando. Ao ensinar o graduando apropria-se das necessidades pedagógicas postas pela realidade e refletindo sobre os procedimentos utilizados, junto com o psicopedagogo e outros graduandos, ele vai repensando sua prática pedagógica e construindo novas estratégias de ensino.

Refletindo sobre o que faz e registrando suas escolhas, o processo utilizado e os resultados o graduando vai construindo novas práticas e elevando a qualidade das mesmas.

A metodologia psicopedagógica utilizada é a intervenção. Essa é realizada com a interferência sobre o processo de aprendizagem do graduando, que pode estar apresentando problemas. Na intervenção, o procedimento adotado interfere no processo com o objetivo de compreendê-lo e introduzir novos elementos para que ele reflita e quebre um padrão anterior de relacionamento com o ensinar. Uma pergunta, uma fala, uma interpretação do que se está ouvindo, são exemplos de intervenções, cujo objetivo é possibilitar ao graduando a percepção de como está ensinando, dessa forma ele toma consciência de suas possibilidades como agente e receptor das atividades pedagógicas desenvolvidas em sala de aula.

O graduando traz idéias e conceitos internalizados sobre o ensinar e aprender, que foram construídos ao longo de sua trajetória escolar. Num processo de reflexão sobre sua prática – mediatizada pelos seus colegas, pela psicopedagoga e pelos textos teóricos estudados, em reunião pedagógica o graduando vai construindo sua identidade de futuro professor.

Destaco, a seguir, três reuniões pedagógicas ocorridas em anos diferentes para uma reflexão também, do processo de desenvolvimento da reunião.

18º Reunião pedagógica/2002

Data: 08/07/02

Hora: 14:00 às 18:00h

Objetivo: Analisar e refletir sobre as situações pedagógicas vivenciadas em sala de aula.

Desenvolvimento:

1º Momento: Roda de conversa

14:00 às 14:45h

Leitura compartilhada

Roda de conversa

2º Momento: Análise e reflexão das atividades pedagógicas desenvolvidas

14:45h às 16:00 h – Turmas UnATI II, M II e HUPE

Intervalo: 16:00 às 16:30h / Lanche organizado por Josiane e Sheila

16:30 h às 17:30 h - Turmas UnATI I, M I

3º Momento: Normativa

17:30 às 18:00 h

O passeio à ilha de Paquetá – dia 11/07 às 9:30 h ( planejamento, organização, roteiro) Período de recesso – 15/07 até 04/08

Dia 05/08 às 14:00 h – AVALIAÇÃO – obrigatória a presença de todos

Devolução da ficha de avaliação – Bárbara, Roberto e Joana;

Entrega da ficha de chamada de maio – Antonio, Roberto, Joana e Fabiana;

Entrega do planejamento do 2ºbi – Fabiana e Joana.

Devolução do diário da UnATI – Antonio

Entrega da ficha de chamada de junho – todos

Avaliação escrita:

“Formar o professor não é apenas qualificá-lo em uma área específica, capacitá-lo teórica e metodologicamente para ensinar determinado conteúdo, mas é também formá-lo para enfrentar e construir a ação educativa escolar em sua totalidade” (Marli André, 2001)

Com base no trecho acima, quais as reais contribuições do PROALFA para a sua formação de professor, neste semestre?

30º Reunião pedagógica

Data: 20 /10/03

Hora: 14:00 h

Objetivo: Ler, pensar e discutir, em dupla, relacionando com a prática de sala de aula.

Na prática pedagógica, vocês estão percebendo que o idoso demora para ler, para escrever, para andar e, muitas vezes para compreender o que se fala. Essa lentidão se explica pela diminuição da visão, da audição, da memória da atenção etc. A pessoa mais velha precisa se adaptar as constantes transformações que a idade traz. Manter-se em constante atividade física, social e intelectual, interagindo com o outro da mesma idade ou de idade diferente , traz benefícios e melhoria na qualidade de vida do idoso. O PROALFA busca melhorar essa qualidade de vida tendo como elementos mediadores a leitura e a escrita.

Segundo Baltes (1994) a inteligência não é uma categoria singular e única. Ele adota uma dupla categorização dos processos de inteligência: inteligência fluida e inteligência cristalizada. A inteligência fluida é de natureza biológico-genética e compreende a velocidade e a precisão da informação sensorial, visual e motora, memória e os processos de discriminação, comparação e categorização. A inteligência cristalizada tem a ver com os conteúdos dos processos mentais, reflete as informações e conhecimentos adquiridos ao longo da vida pelo indivíduo em função do seu contexto sócio-cultural. Nas suas pesquisas o autor constata que a inteligência fluida declina com a idade e a inteligência cristalizada aumenta com o passar dos anos. Uma categoria influencia a outra, assim a inteligência cristalizada pode compensar as perdas biológicas (visão, audição, memória etc).

Spigner-Littles e Anderson (1999) afirmam que as pessoas mais velhas são mais bem dispostas e motivadas para aprender e, aprendem melhor, se a metodologia de ensino considera suas experiências de vida relevantes, estimulando a discussão e debate entre os membros de grupo, respeitando-os e dividindo responsabilidades em sala de aula.

Desenvolvimento:

I - Após a leitura do texto acima, analise com seu colega, uma atividade pedagógica desenvolvida que não tenha levado em consideração o que os teóricos acima dizem. Relate as dificuldades encontradas.

II – Planeje com o colega uma atividade que leve em consideração o que os autores falam.

Intervalo para o lanche 15:30 às 16:00h

III - Normativa

Centro Cultural Pedro II – oficina.

Próximo grupo de estudo

Fichas de chamada do mês de setembro.

Relatório do Módulo II – dia 15/10.

Avaliação: Cite uma contribuição da reunião de hoje.

9º Reunião pedagógica

Data:07/06/04

Hora: 14:00 às 18:00h

Objetivos: Analisar, em dupla, as situações de ensino e de aprendizagem desenvolvidas, formulando por escrito uma questão crítica que ajude o seu colega a pensar sobre o trabalho realizado.

Planejar as situações pedagógicas da semana.

Desenvolvimento:

1º Momento: 14:00 às 14:45 h

Leitura compartilhada

Normativa: O grupo de estudo; a visita à Estação de tratamento do Guandu.

2º Momento: 14:45 às 16:00h.

Proposta: (30’)

- Em dupla, fazer o relato reflexivo sobre as atividades pedagógicas desenvolvidas. Os dois devem relatar.

– O ouvinte deve analisar as atividades, identificar as concepções de ensino, de aprendizagem e de alfabetização que existem por trás das experiências relatadas e formular por escrito uma questão crítica.

Apresentação: (45’)

A dupla apresenta a análise dos trabalhos e a questão formulada.

Lanche - 16:00 às 16:30h
3º Momento: 16:30h às 18:00 h

O planejamento da semana.

Avaliação: Continue o texto abaixo:

“Analisar as aulas, em dupla, tem contribuído para que eu ...”

“A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer.” Paulo Freire

Analisando as pautas das três reuniões pedagógicas podemos observar que, se mantém a estrutura da reunião. O enquadre é sempre o mesmo ( o dia, o horário, o local, e a estrutura da reunião: apresentação do objetivo, o desenvolvimento em seus três momentos e a avaliação). A reunião inicia-se com a explicitação do objetivo e, em seguida é realizada a leitura compartilhada trazida pela psicopedagoga ou por um graduando, seguida de comentários/novidades da semana que passou e da que se inicia.

No primeiro momento da reunião, em 2002, os relatos eram feitos individualmente, por turma, para toda equipe e, todos ouviam e colaboravam com novas sugestões e/ou soluções. O graduando relatava as atividades pedagógicas desenvolvidas, os procedimentos utilizados e apresentava os resultados dos alunos para serem vistos e comentados pela equipe.

Esse mesmo momento, nas reuniões de 2003 e 2004 já se apresenta diferente. Em 2003, a apresentação dos relatos já acontece em dupla. Depois das atividades discutidas e analisadas com o colega e as soluções apresentadas, a dupla apresentava para a equipe.Em 2004, a dupla formada por sorteio, tem 30’ para analisar, refletir e identificar as concepções de ensino, aprendizagem e alfabetização utilizadas pelo colega e formular uma pergunta interventiva que faça seu colega pensar sobre o que fez. Depois, a dupla apresenta para a equipe, em 15’, as conclusões das discussões, a pergunta e a reflexão.

O momento de planejamento está presente nas duas últimas pautas, com tempo reservado. A normativa se apresenta nas duas primeiras pautas (2002 e 2003), na de 2004, com ênfase menor ela é apresentada no primeiro momento.

A avaliação é uma constante em todas as pautas, como um momento de avaliação da reunião como colaboradora na formação do graduando.

Nos grupos de estudo, semanais, articulando a prática pedagógica a teoria, o graduando complementa sua formação, com sua participação, uma vez por semana, nos grupos de estudo realizados com materiais teóricos pertinentes ao trabalho desenvolvido, reelaboração de conhecimentos que embasem a prática do graduando. Nesse bimestre, é motivo de estudo e discussão o livro “O construtivismo na sala de aula”, de César Coll e outros, da editora Ática. Ainda, somando experiências teóricas e compartilhando práticas, mensalmente, o PROALFA convida um palestrante que pode ser um professor da própria UERJ ou de uma outra renomada universidade para realizar uma palestra e/ou oficina sobre alfabetização. Nesse ano, as formadoras de professores alfabetizadores do MEC compartilharão com nossa equipe seus conhecimentos sobre ensino, aprendizagem e alfabetização.

As reuniões psicopedagógicas semanais, pautadas na reflexão teórica da prática concreta de sala de aula, possibilitam o estudo e a elaboração de teorias, a discussão sobre as dificuldades cotidianas e a construção coletiva de um planejamento adequado e criativo, com situações de aprendizagem desafiadoras que levem o aluno a avançar e desenvolver.

Dando continuidade à formação do graduando são realizadas observações do desempenho em sala de aula, seguida de orientação se necessário.

Entendendo o graduando como um ser cognoscente em processo de formação, o PROALFA proporciona atividades que levem esse graduando reelaborar seus saberes iniciais em confronto com suas práticas. Nesse confronto e num processo coletivo de troca de experiências o graduando vai se auto-formando e escolhendo seu referencial teórico. .

Ao longo do trabalho – a prática de sala de aula, os encontros pedagógicos semanais com a equipe e os grupos de estudo contribuem de forma concreta para a formação de da identidade profissional do graduando consciente de seu papel enquanto educador.

O trabalho de refletir e refazer a ação pedagógica conduz o graduando a uma redefinição de sua prática educativa. Ele vai se transformando internamente e se tornando um elemento facilitador da aprendizagem do aluno, sem exigir mais do que este pode dar e sabendo lidar com as questões de limite, poder e autoridade.

A prática das aulas acontece na própria universidade, três vezes por semana, com uma carga horária de nove horas. Cada turma, composta de alunos adultos e idosos, tem um graduando responsável para o acompanhamento e sistematização dos conhecimentos que vão sendo adquiridos nas Oficinas de Leitura, Produção de Textos, Matemática e nas visitas pedagógicas à centros culturais e históricos, programados de acordo com o planejamento do projeto que estiver sendo realizado. O graduando, a partir de sua prática real de ensinar, vai tomando consciência do significado dos conhecimentos específicos de sua área, para o aluno e para a sociedade, por que e como ensiná-los. Ou seja, o futuro professor refletindo criticamente sobre o seu próprio fazer vai construindo teoria a partir da sua prática docente. Nossa proposta metodológica parte da prática, recorre à teoria e volta para a prática.
Resultados e discussão

Constatamos, que o trabalho de intervenção psicopedagógica desenvolvido, a partir das reuniões pedagógicas semanais de estudo e reflexão, tem êxito no trabalho de formação pedagógica dos alfabetizadores. Durante o tempo que o graduando permanece conosco podemos observar as mudanças que vão se concretizando e tornando realidade, tais como: uma maior preocupação com os aspectos relacionados aos procedimentos utilizados, uma maior preocupação com o processo de desenvolvimento do aluno, com as intervenções que podem ser realizadas em sala de aula para que o aluno avance – quando e como? Nossa prática tem demonstrado que o graduando assume o compromisso com a transformação do cotidiano da sala de aula, de forma positiva. Enfim, o graduando ao teorizar sua prática cotidiana vai tomando consciência da necessidade de uma postura mais ativa, de se atualizar em leituras especializadas e do valor de compartilhar suas experiências com o colega. Os resultados deste projeto indicam um elevado índice de aprovação nos concursos públicos e nos cursos de pós-graduação que nossos graduandos se inscrevem, após o término do estágio.

O PROALFA vem, desta forma, atingindo dois importantes objetivos: primeiro, formando alfabetizadores conscientes de sua prática pedagógica e seguros de sua abordagem teórica e em segundo lugar, preparando-os através dos estudos, das palestras, das leituras sugeridas e oficinas realizadas para o acesso às escolas públicas e/ou privadas. Dessa maneira, fica caracterizado o sucesso do Programa. Em média, capacitamos dez graduandos por ano,, o que poderia parecer um número irrisório, mas este é um número possível de bolsistas. No entanto, buscamos a qualidade e não a quantidade e acreditamos que nossos graduandos nas escolas e nos contatos com outros educadores, com certeza, através do exemplo e de suas falas seguras, multiplicarão esse número.
Conclusões

O projeto de formação de alfabetizadores pelo PROALFA significa um caminho profícuo na prática educativa do futuro professor. Ao longo do trabalho – a prática de sala de aula, os encontros pedagógicos semanais com a equipe pedagógica e os grupos de estudo vão contribuindo para a formação da identidade profissional do graduando consciente de seu papel enquanto educador.

O trabalho de refletir e refazer não só a ação pedagógica, mas, também, o próprio processo de conhecimento, conduz o graduando a uma definição de sua prática e abordagem teórica.

O uso do relato crítico-reflexivo das práticas pelo graduando vai construindo e reconstruindo sua prática de alfabetizar. Ele constrói e fundamenta o seu saber pedagógico articulando suas experiências anteriores, sua prática e o saber específico de sua área.

Nesse sentido, estamos colaborando para a valorização do trabalho docente e acreditando que o professor com uma boa formação possa superar a questão do fracasso escolar.
Referências bibliográficas

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CARDOSO, Beatriz & TEBEROSKY, Ana. Reflexões sobre o ensino da leitura e da escrita. Campinas, São Paulo: Editora da Unicamp, 1989.

FERREIRO Emília e TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.

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PIMENTA, Selma Garrido. Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortez, 2000.

TEBEROSKY, Ana. Psicopedagogia da linguagem escrita. Campinas, São Paulo: Editora da Unicamp, 1989.



VYGOTSKY, Lev Semenovictch. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

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