Tópicos da palestra “meditaçÃO – um caminho para o autodesenvolvimento”



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TÓPICOS DETALHADOS DA PALESTRA
“MEDITAÇÃO ANTROPOSÓFICA – UM CAMINHO PARA O AUTODESENVOLVIMENTO”


Valdemar e Sonia Setzer

Santos, SP, 25/10/09; esta versão: 22/10/09



Parte I: A existência do mundo espiritual

1.O que é Antroposofia?

1.1Caminho espiritualista para o desenvolvimento pessoal, da comunidade e da humanidade.

1.2Ela parte de uma visão de mundo espiritualista-científica, isto é, uma visão que admite, por hipótese, e não crença, a existência de processos não físicos nos seres vivos e no universo.

1.2.1Hipóteses devem estar sempre sujeitas a comprovação e devem ser expressas conceitualmente; crenças não estão sujeitas a isso e baseiam-se em sentimentos.

2.Uma hipótese deve basear-se em evidências. Quais são as evidências para a existência de processos não físicos?

2.1Exteriormente ao ser humano: origem e limites do universo; a incapacidade de a ciência esclarecer o que é a matéria e os processos vivos, inclusive a evolução.

2.2Evidências interiores: a liberdade do pensamento (exercício com as lâmpadas colocadas horizontalmente com soquetes opostos); a individualidade das sensações e dos sentimentos; pensar, sentir e querer como processos ocultos (ninguém consegue provar que os exercita); intuição; destino (ex: certos incidentes ou acidentes que ocorreram quando se fez uma ação nunca antes feita).

2.2.1Da matéria não pode advir liberdade; ela segue inexoravelmente as leis físicas.

2.2.2A liberdade no pensamento mostra que o ser humano pode ter livre arbítrio.

2.2.3Com isso ele pode ter responsabilidade, dignidade, e exercer amor altruísta. Da matéria nada disso pode advir.

2.3No entanto, a “queda” do ser humano na matéria levou ao materialismo (negação de quaisquer processos que não sejam físicos – visão de mundo da ciência corrente).

2.3.1Sem cair no materialismo o ser humano não pode elevar-se em liberdade para o espírito – não teria escolha entre ser materialista ou espiritualista: a questão existencial fundamental hoje em dia.

2.4Uma forte evidência da existência de processos não físicos interiores seria a observação pessoal e direta desses processos. Essa é uma das intenções da meditação antroposófica.

2.5Para entender o processo da meditação, é preciso compreender como é a constituição suprasensorial do ser humano.


Parte II – A constituição humana

(Ver o artigo “Uma introdução antroposófica à constituição humana”)


3.Cadáver

3.1Imobilidade, rigidez, frio.

3.2Substâncias que compuseram o corpo passam a obedecer às leis físico-químicas = desintegração.

3.3CORPO FÍSICO

4.Adulto jovem dormindo profundamente

4.1Tem vida; quase não se movimenta; funções vitais preservadas

4.2Situação extrema: estado vegetativo

4.3CORPO FÍSICO + CORPO ETÉRICO (não físico)

5.Criança pequena, antes dos 3 anos, desperta

5.1Movimentos próprios; manifestação de sentimentos; consciência bastante embotada, mais voltada ao seu corpo.

5.2 CORPO FÍSICO + CORPO ETÉRICO + CORPO ASTRAL (não físico)

6.Adulto desperto

6.1Postura ereta; falar; pensar

6.2Consciência ampla, de si e do mundo

6.3 CORPO FÍSICO + CORPO ETÉRICO + CORPO ASTRAL + EU (espiritual)

7.Corpo físico / reino mineral

7.1Formado de substâncias nos 3 estados de agregação (o mais característico é o estado sólido)

7.2Tudo é ponderável; apresenta rigidez; forma determinada pela substância em questão (geométrica: cristais, amorfa, etc.); imutabilidade, “eternidade”; aumenta de tamanho por deposição (exterior);

7.3Existência no espaço

8.Corpo etérico / reino vegetal

8.1Aspectos ponderáveis e imponderáveis (geotropismo / heliotropismo; peso / leveza)

8.2Incorpora água

8.3Forma orgânica, maleável

8.4Ciclo vital (vida!)

8.5Fluxo de seiva; metabolismo; troca gasosa.

8.6Totalmente dependente do meio (até dos astros)

8.7Forma estruturas uma após a outra (ritmo: repetição no espaço)

8.8Memória genética, hábitos

8.9Existência no tempo

9.Corpo astral / reino animal

9.1Interioriza o ar; formação de órgãos ocos

9.2Isola-se do mundo: vida interior

9.3Impulsos interiores (procura de alimento, abrigo, parceiro sexual, etc)

9.4Instinto: sabedoria incorporada

9.5Respiração ativa; movimento próprio (geralmente horizontal em relação à terra)

9.6Sono/vigília; contração/expansão; simpatia/antipatia

9.7Ritmo no tempo

9.8Consciência embotada; sensações e sentimentos

9.9Lembrança por estímulos

10.Eu / reino humano

10.1Interioriza o calor; postura ereta; falar; pensar

10.2Auto consciência; inteligência criativa; livre arbítrio; memória por consulta;

10.3Biografia individual

11.Sempre que se acrescenta mais um membro constituinte, este influencia os previamente existentes modificando-os um pouco.

12.Com esses conceitos, podem-se compreender vários fenômenos do ser humano, como o sono, sonho e morte

Parte III – Sono, sonho e morte

13.Ser humano alterna entre dois estados de consciência: vigília e sono

13.1Na vigília estão presentes os corpos físico, etérico, astral e o Eu.

13.2No sono o corpo astral (CA: sentimentos, sensações, movimento próprio) e o Eu (auto consciência, etc.) separam-se dos corpos físico e etérico, que permanecem deitados no leito (estado vegetativo)

13.2.1No sono o corpo astral (sentimentos, sensações, movimento próprio) e o Eu (auto consciência, etc.) separam-se dos corpos físico e etérico, que permanecem deitados no leito.

13.2.2Não há lembrança das vivências que o CA e o Eu tem durante o sono profundo, pois a sede da memória (segundo Steiner), encontra-se no CE, e este ficou na cama.

13.3Nos momentos de entrada e saída do corpo astral e Eu em relação aos corpos físico e etérico ocorrem os sonhos.

13.3.1A lembrança dos sonhos é possível pois, quando ocorrem (principalmente ao acordar), já existe novamente uma certa ligação do CA com o CE

13.3.2Ao acordar, interpretam-se as sensações físicas (p. ex. calor dos cobertores) ou espirituais com imagens da memória física.

13.4Sonhos são sempre imagéticos

14.Na morte ocorre a separação dos corpos etérico, astral e do Eu do corpo físico, que é deixado para trás, como cadáver.

14.1Um iniciado pode pesquisar e descrever o que sucede com os corpos etéricos, astral e o Eu após a morte:

14.1.1Depois de 3 dias o corpo etérico também é deixado para trás, dissolvendo-se no mundo etérico;

14.1.2Durante um tempo que corresponde aproximadamente a 1/3 da vida da pessoa o corpo astral e Eu ainda permanecem unidos, passando por vivências reveladas por Steiner (entre outros);

14.1.3Em seguida também o corpo astral é deixado para trás e se dissolve no mundo astral;

14.1.4O Eu faz uma longa trajetória no mundo espiritual, até voltar a encarnar-se (normalmente centenas de anos).

14.1.5Para tanto, reveste-se de um corpo astral na esfera astral, depois de um corpo etérico no mundo etérico e finalmente escolhe um corpo físico humano para uma nova existência terrestre.


Parte IV – A iniciação antiga

15.A humanidade nem sempre foi como somos hoje; passou por um longo caminho evolutivo, assim como uma criança também percorre uma longa evolução até se tornar adulta.

15.1Vamos considerar a evolução da humanidade após a catástrofe atlântica

16.Quanto ao contato com o mundo espiritual pode-se dividir esse período em 3 fases, sendo a central o Kali-Yuga, quando o mundo espiritual esteve fechado para a maioria das pessoas:

16.1A) antes do Kali-Yuga (anterior a ca. 3.100 a.C.)

16.2B) durante o Kali-Yuga (ca. 3100 a.C. a 1899 d.C.)

16.3C) depois do Kali-Yuga (a partir de 1899)

17.A1) Nos primórdios a humanidade ainda vivia com sua consciência mais voltada ao mundo de sua origem espiritual, considerando o mundo físico terreno uma ilusão, maia

17.1Ela não tinha capacidade para expressar as vivências em conceitos.

17.2Não tinha liberdade nem autoconsciência.

17.3Conservava uma recordação viva do estado clarividente de seus ancestrais atlantes, que lhes permitia ter experiências do mundo espiritual

17.4Este era vivenciado muito mais intensamente que o mundo do entorno físico

17.5Segundo Steiner, a evolução principal nesse período ocorreu na antiga Índia, onde as pessoas, por assim dizer, ‘respiravam’ a espiritualidade

17.5.1Os grandes guias espirituais dessa época foram os 7 sábios Rishis

17.5.2Era a época da cultura dos caçadores e coletores

18.A2) Na etapa seguinte, já houve um interesse maior pela terra. O grande iniciado e guia da humanidade Zaratustra, na antiga Pérsia, ensinou a humanidade a cultivar plantas (início da agricultura) e a domesticar os animais (pecuária)

18.1Esse envolvimento com o elemento terrestre mostra a atenção dada ao lado material, denso

18.2Algumas pessoas deste povo ainda possuíam resquícios da antiga clarividência

18.3Zaratustra também era o guia espiritual, e dizia a seus discípulos que além da ‘aura solar’, Ahura Mazdao ou Ormuzd, o Princípio da Luz, que vinha se aproximando da Terra, havia o Princípio das Trevas, também chamado Árimã.

18.4Essa humanidade, ainda pré-histórica, começava a ‘viver em dois mundos’, o material e espiritual

18.5Chega um momento em que há a capacidade de exprimir as vivências supra-sensoriais por meio de imagens

18.5.1Trata-se dos mitos, imagens e parábolas bíblicas, velhos livros como os Vedas, Baghavad Gita, epopéia de Gilgamesh, etc. que foram registrados muito depois (em épocas históricas).

18.5.2Hoje em dia podem-se compreender essas imagens por meio do intelecto.

19.B1) Quando começou a época histórica, cerca de 3.000 a.C., teve início a Idade das Trevas, o Kali-Yuga, quando o acesso ao mundo espiritual somente é possível aos iniciados, os guias da humanidade da época (Hermes, Moisés, etc.).

19.1Foi então que surgiram as religiões, para religarem o ser humano ao mundo espiritual.

19.2B1.1) No período de florescimento das culturas egípcia, babilônica e caldaica, as iniciações ocorriam nos Centros ou Escolas de Mistérios; mais conhecidos são os Mistérios egípcios e os celtas (no Ocidente)

19.2.1O sistema político no Oriente Médio era a teocracia

19.2.2O dirigente político, militar e espiritual do povo (no Egito o Faraó) era um iniciado, considerado o representante de Deus na Terra

19.2.3O processo de iniciação acontecia; em locais isolados, com preparação rigorosa do neófito; realizada pelo hierofante.

19.2.4No Egito, o hierofante (ou grupo de hierofantes) fazia o neófito, quando este era considerado apto, deitar-se numa espécie de sarcófago, onde era colocado artificialmente num sono mais profundo que o sono profundo habitual

19.2.5Esse sono tinha duração de 3 dias, depois dos quais o neófito era despertado novamente; a partir de então ele era um iniciado

19.2.6Ele tinha lembrança das vivências tidas no mundo espiritual, certeza da existência do mundo espiritual, e era uma pessoa transformada

19.2.7No sono habitual o desprendimento é do corpo astral e do Eu, sendo que os corpos físico e etérico permanecem no leito

19.2.8No ‘sono iniciático’ os hierofantes liberavam também parte do corpo etérico (onde fica a memória) do iniciando; por isso ele podia lembrar-se de suas vivências enquanto ‘fora’ de seu corpo

19.2.9Podia acontecer de o desprendimento do corpo etérico ser exagerado, o que causava a morte do iniciando

19.2.10 Ainda hoje, em vivências de quase morte, pode haver uma soltura do corpo etérico: a visão do panorama da vida (percepção direta da memória, que está no corpo etérico).

19.3Havia vários graus de iniciação, e a cada vez eram necessários um novo preparo e um novo sono iniciático

19.3.1O conhecimento obtido não podia ser revelado, sob pena de morte

19.4B1.2) Entre os celtas a iniciação era diferente

19.4.1Os iniciados eram os druidas; havia intensa relação com a natureza; fizeram as grandes construções megalíticas que eram, ao mesmo tempo, templos e observatórios astronômicos

19.4.2A iniciação ocorria na penumbra (na sombra projetada pelas grandes pedras, ou na falta das mesmas, pelos troncos das árvores)

19.4.3Pode-se considerar esta a iniciação pela vontade (processo ainda bastante inconsciente), que ainda perdura

20.B2) Numa etapa seguinte, principalmente na Grécia Antiga, a humanidade estava totalmente inserida no ambiente terrestre, os deuses eram representados com feições e qualidades humanas, embora imortais;

20.1Pois perdeu-se todo contato direto com o mundo espiritual

20.2Observa-se grande desenvolvimento do pensar (filosofia)

20.3Depois de intensa purificação do corpo astral também nestes Centros de Mistérios o iniciando era levado ao sono letárgico (muito semelhante ao período anterior)

20.3.1O lema desses Centros de Mistérios era: “Conhece-te a ti mesmo”, o que indica uma participação do pensar.

20.3.2Também aqui a revelação do conhecimento obtido (similar ao que hoje qualquer criança aprende na escola) era passível de morte (traição dos Mistérios)

20.4Nos oráculos gregos não ocorria uma iniciação:

20.4.1A pitonisa entrava num estado do tipo mediúnico (semiconsciência), bem distinto do sono iniciático.

20.5A Bíblia relata sob forma de imagens uma dessas iniciações na história de Jonas.

20.6Pouco antes do advento do Cristo surgiram várias seitas batistas, onde se encontra uma mescla do conhecimento oriental, persa e posteriormente grego (místico / mítico) com o judaísmo (abstração do Deus único).

20.6.1Em seus rituais o iniciando era mergulhado em água até ocorrer o desprendimento parcial do corpo etérico (quase morte), quando ele então tinha a vivência do mundo espiritual

20.6.2O Novo Testamento descreve um destes rituais: o batismo de Jesus de Nazaré por João Batista

20.7B2.1) Paralelamente, na Índia Buda pregava que era preciso dominar os desejos do corpo, o que remete à esfera do sentir; introduz a noção de compaixão.

20.8B2.2) De maneira absolutamente oculta, desenvolveu-se no norte da Europa mais uma corrente de Mistérios, que estava em compasso de espera, até poder manifestar-se nos séculos IV, V: essa espera fortaleceu muito a vontade dos povos germânicos (bárbaros).

20.8.1Steiner refere, porém, que as iniciações pré-cristãs eram, de maneira geral, iniciações pela vontade.

21.Em seu livro Alte Mysterien und soziale Evolution, B. Livegoed descreve 4 correntes de Mistérios mais importantes:

21.1Norte povos germânicos Mistérios do Eu (da vontade)

21.2Sul egípcios Mistérios do corpo físico (matéria, morte: Livros dos Mortos)

21.3Ocidente celtas Mistérios do corpo etérico (natureza, vida)

21.4Oriente persas Mistérios do corpo astral (pensar e sentir, “Ex oriente lux”)

22.Na transição do helenismo para o Império Romano ocorreu a última iniciação do tipo praticado nos Centros de Mistérios, mas desta vez de forma pública: a Ressurreição de Lázaro, por Jesus Cristo

23.A primeira nova iniciação foi a de São Paulo diante das portas de Damasco

23.1Ele vivenciou o Cristo não no plano físico (pois o Cristo já havia sido crucificado), mas teve a experiência do Cristo no plano etérico

24.A partir de então fez-se necessário um novo caminho de iniciação

25.B3) Na Idade Média os místicos cristãos passaram por uma iniciação pelos sentimentos.

25.1Após a purificação de sua alma por meio da oração e outras maneiras, o místico tentava sentir profundamente os sete passos da Paixão.

25.21) Lava-pés; 2) Flagelação; 3) Coroação com espinhos; 4) Crucificação; 5) Morte mística e Descida ao inferno; 6) Sepultamento e Ressurreição; 7) Ascensão.

25.3A queda cada vez maior na matéria não permitia mais o tipo de iniciação antiga. Ela seria perigosa, pois o corpo etérico havia penetrado demasiado no organismo físico; uma soltura dele poderia levar à morte.

26.C) Com a queda na matéria o ser humano desenvolve percepção sensorial e capacidade intelectual cada vez mais aguçadas.

27.Steiner começou a atuar logo depois do final do Kali-Yuga, trazendo a Antroposofia.

27.1Nela se dá o encontro das 4 correntes de Mistérios anteriores, formando-se a cruz dos Novos Mistérios, onde a iniciação se faz pelos pensamentos

28.Os três tipos de iniciação





INICIAÇÃO PAGÃ

(pré-cristãos)
vontade


INICIAÇÃO CRISTÃ

(Idade Média)
sentimento


INICIAÇÃO MODERNA

(pós Kali-Yuga, séc. XX)
pensamento


1. Abstenção

1. Lavapés

1. Estudo da Ciência Espiritual (Antroposofia)
(consciência de vigília, racional)

2. Observância de rituais; autodomínio

2. Flagelação

2. Aquisição do conhecimento imaginativo
(consciência imaginativa)

3. Postura corporal correta

3. Coroação com espinhos

3. Leitura da escrita oculta
(consciência inspirativa)

4. Respiração correta

4. Carregar a cruz e Crucificação

4. Integração no mundo espiritual
(consciência intuitiva)

5. Representações mentais desvinculadas do mundo exterior

5. Morte mística e Descida ao inferno

5. Conhecimento das relações entre microcosmo e macrocosmo

6. Domínio sobre as representações mentais

6. Ressurreição

6. Identificação com o macrocosmo

7. União com o mundo espiritual

7. Ascensão

7. Vivência global das experiências anteriores


Parte V: a iniciação moderna

29.Iniciação moderna é feita pela meditação.

29.1Assim como nos mistérios antigos havia um preparo, o mesmo ocorre com a iniciação moderna.

29.2Sem esse preparo pode haver todo tipo de enganos e perigos.

29.2.1Por exemplo não se distinguir o que é vivência de sua própria constituição supra-sensível ou o que é um fenômeno espiritual exterior.

29.2.2Alguns perigos: exacerbação do egoísmo, da soberba, isolamento social, ilusões, etc.

29.3Maneira de evitar enganos: estudar o que foi transmitido por grandes iniciados, como Steiner

29.4Esse deve ser o primeiro passo na iniciação!

30.Para evitar os enganos e perigos, deve haver, além do conhecimento prévio, um aperfeiçoamento moral.

30.1O livro de Steiner O Conhecimento dos Mundos Superiores trata principalmente de aperfeiçoamento de atitudes e tem poucos temas de meditação.

30.2Exemplos: 1. Devoção para com a verdade e o conhecimento; 2. Rica vida interior; 3. Prazer como meio de enobrecer-se para o espírito; a privação do prazer só é de valia se o corpo não sofrer; 4. Jamais interferir no livre arbítrio do outro; 5. Sempre respeitar o outro; 6. Criar momentos de calma; 7. Manter calma em situações difíceis da vida; 8. Não irritar-se, inclusive com ofensas; 9. Ter paciência (a impaciência é paralisante do progresso espiritual). 10. Encarar objetivamente as próprias preocupações e atos como se fosse de outra pessoa; 11. Discernir entre o essencial e o supérfluo; 12. Não formular sentimentos e pensamentos impróprios; 13. Deixar para trás todos os preconceitos; 14. Ter imparcialidade; 15. Ouvir pessoas sem formular julgamento intelectual nem sentimento de agrado ou desagrado; 16. Procurar ter pensamentos claros e calmos; 17. Refrear julgamentos até ter dados precisos; 18. Ter coragem e suplantar o medo e o desânimo; 19. Não exercer ações por vaidade, ambição e ganância; 20. Ações devem ser executadas por amor à ação e não pelo êxito; satisfazer-se com as ações em si; 21. Não perder-se em si próprio; 22. Não ficar inativo; 23. Satisfação com o menor passo dado; 24. Veracidade e sinceridade perante si próprio; 25. Reconhecer os próprios erros; 26. Não ter curiosidade desnecessária; 27. Não desejar nada que não seja baseado em conhecimento; 28. Ter alegria e dedicação ao que se aprende; 29. Combater fraqueza de espírito, superstição; 30. Não descriminar pessoas por raça, classe, etnia, religião, ser tolerante; 31. Só falar o que foi purificado pelo pensamento; 32. Contribuir para o outro encontrar o caminho certo a partir de si próprio; 33. Desenvolver brandura em oposição à aspereza; 34. Ficar atento às sutilezas da vida anímica circundante, mantendo silêncio nas próprias emoções; 35. Não atrair algo dos mundos superiores; 36. Fazer de vez em quando da calma, dignidade e encanto da natureza o próprio meio ambiente; 37. Zelar pela saúde corpórea e anímica; 38. Não cair na inclinação ao fantástico; 39. Não cair na excitação, no nervosismo, na exaltação e no fanatismo; 40. Evitar no julgar e no sentir tudo o que é exagerado e unilateral; 41. Sentir-se co-responsável por tudo o que acontece; 42. Sentimento de gratidão por tudo; 43. Reprimir crítica supérflua; 44. Compreender a vida incessantemente; 45. Ter amor aos seres humanos e a todos os seres; 46. Só destruir se a partir da destruição brotar vida nova; 47. Procurar e reconhecer o mal, e como transformá-lo em bem; 48. Desenvolver capacidade de devoção; 49. Estabelecer objetivos de acordo com grandes deveres humanos; 50. Realizar deveres não por imposição, mas por amor; 51. Desempenhar cada vez melhor as obrigações; 52. Educar a perseverança; 53. Tentar combater antipatia a alguma coisa, conhecendo-a melhor; 54. Manter equilíbrio entre sensorialidade e espiritualidade; 55. Paixões devem ser purificadas a ponto de estarem voltadas sempre para o que é correto, sem necessidade de serem refreadas; 56. Discernir mentalmente entre verdade e aparência, entre verdade e opinião; 57. Aperfeiçoar-se continuamente – não é egoísmo!

30.3Caminho óctuplo do Buda: 1. Representações mentais corretas, que reflitam o mundo exterior (pensamento correto); 2. Só agir refletida e fundamentadamente, não fazer coisas à toa (julgamento correto); 3. Só falar o que tem sentido (palavra correta); 4. Ponderar os efeitos de cada ação antes de fazê-la, levando em conta o próximo, o meio ambiente, a essência externa (ação correta) 5. Viver harmoniosamente, de conformidade com a natureza e com o espírito, não se precipitar e nem ser inerte, cuidar da saúde e hábitos (vida correta); 6. Não fazer nada que esteja além dos limites da próprias forças (aspiração correta); 7. Aprender o mais possível com a vida (aprendizado correto); 8. Autoanalisar-se quanto aos próprios princípios e defeitos, conhecimentos, deveres, ideais, objetivos, etc.; sempre se pode fazer algo melhor, principalmente pelas outras pessoas (autocontemplação correta).

30.4Essas práticas devem tornar-se um hábito (esforço para praticá-las significa que ainda não foram incorporadas).

30.5Esse aperfeiçoamento é do Corpo Astral e principalmente moral. R. Steiner (O Conhecimento dos Mundos Superiores, p. 48): no caminho do conhecimento espiritual, é necessário dar 3 passos no desenvolvimento moral para cada passo no conhecimento.

30.6Sem aperfeiçoamento moral, não se obtém um conhecimento verdadeiro do mundo espiritual. Contraste com o conhecimento físico, que não faz isso; ex: escolaridade. Contraexemplo: Harry Potter.

30.7Exemplo de imagem desse aperfeiçoamento e da iniciação: a lenda de Parsifal (ver o livro de Sonia Setzer, Parsifal – Um precursor do ser humano moderno).

30.8Purificação antiga (preparo para a iniciação) era um desprendimento total do mundo material.

30.9Hoje: é o mundo material que nos permite desenvolver a liberdade e o exercício do amor altruísta.

30.9.1O desenvolvimento do amor altruísta é a missão atual do ser humano. Para isso é necessário adquirir conhecimento, pois sem ele não se pode agir livremente

30.9.2 Amor por todas as coisas: “Algo que não amo, não se me pode revelar” (R.Steiner, em O Conhecimento dos Mundos Superiores, cap. “Condições...”)

30.9.3A missão do ser humano não é adquirir conhecimento do mundo físico, pois com ele pode-se destruir a natureza, fabricar bombas para destruir os seres humanos, etc.

31.Objetivos de se fazer meditação

31.1Aperfeiçoamento da individualidade para melhor ajudar o mundo e as outras pessoas.

31.1.1Não pode haver dependência de outras pessoas (gurus).

31.1.2A meditação deve ser feita individualmente; meditação em grupo criaria dependências entre os membros do grupo (limitaria a liberdade individual); além disso, cada um progride individualmente.

31.2Desenvolver os órgãos de percepção supra-sensível (chacras – ver Steiner, O Conhecimento dos Mundos Superiores).

31.2.1Para confirmar o que os grandes iniciados transmitiram, e assim adquirir confiança em suas transmissões

31.2.2Fazer as próprias pesquisas.

32.Meditação é o caminho adequado ao ser humano moderno:

32.1A meditação significa um fortalecimento do Eu superior, dominando cada vez mais os corpos inferiores.

32.2O pensamento é um ato espiritual (por isso percebe-se com ele o mundo dos conceitos ou das “idéias platônicas”).

32.2.1Não se diz “O cérebro pensa por mim” e sim “Eu penso”.

32.3Na meditação, a finalidade é que pensamento se desligue do mundo físico, desenvolvendo-se um pensar puro, que se torna um órgão de percepção do mundo espiritual.

32.3.1Quando se faz matemática, exercita-se um pensar puro. Exs: circunferência perfeita (nunca foi vista); a essência do número 2, independente de sua representação como símbolo. Objetividade desses pensamentos.

32.3.2Esse pensar puro é a porta moderna para o mundo espiritual.

33.Exercícios preparatórios e colaterais

33.1Concentração do pensamento.

33.1.1Sem uma capacidade de concentração, ao se penetrar no mundo espiritual o pensamento será esfacelado, sendo atraído pelas vivências. Ao contrário, o mundo físico impõe um pensamento lógico resultante da observação sensorial; por exemplo, 2 corpos sólidos não ocupam o mesmo espaço; existem algumas causas e efeitos claros, etc.

33.1.2Exercícios de concentração. Contagem regressiva (visualizar mostrador e “falar” interiormente os números); concentrar sobre algum objeto; retrospectiva reversa (ajuda a uma observação objetiva de si próprio).

33.1.3Calma interior (sensação especial).

33.1.4Posição física: cômoda, mas não deitada (posição ereta, pelo menos da cabeça, exige atuação do Eu para não adormecer).

33.1.5Não utilizar música ou incenso: são muletas que atrapalham o esforço, que deve ser totalmente interior e pessoal. O esforço é o que é importante!

33.1.6É útil concentrar em alguma percepção sensorial, como o canto dos pássaros, latido dos cachorros. Tentar sentir o que o animal sente.

33.2Domínio da vontade (querer-se o que se determina conscientemente; desejo vem do inconsciente).

33.2.1Determinar uma ação não necessária e realizá-la. Exemplo. Mudar hábitos; ação irrelevante em hora determinada).

33.3Não se deixar levar pelos sentimentos: serenidade.

33.3.1Esses 3 exercícios são essenciais, pois uma das consequências da meditação é a separação do pensar, sentir e querer, que normalmente andam sempre juntos. É preciso fortalecer os 3 senão haverá uma cisão na personalidade e outros problemas.

33.4Positividade.

33.4.1Exemplo: nós no cruzeiro do Costa Mágica (achávamos tudo uma maravilha); havia pessoas que achavam tudo ruim.

33.5Imparcialidade (eliminar os preconceitos).

33.6Harmonização dos exercícios anteriores.

34.Meditação: concentração mental sobre um tema não físico.

34.1Exemplos de meditações em palavras.

34.1.1Motivo dado por Steiner (em GA 245)

In den reinen Strahlen des Lichtes
Erglänzt die Gottheit der Welt.


In den reinen Liebe zu allen Wesen
Erstrahlt die Gottheit meiner Seele.

Ich ruhe in der Gottheit der Welt;

Ich werde mich selbst finden
In der Gottheit der Welt

Nos puros raios da luz
Brilha a divindade do mundo


No puro amor para com todos os seres Irradia a divindade de minha alma

Eu repouso na divindade do mundo;



Eu vou encontrar-me a mim próprio
Na divindade do mundo

34.1.1“A Sabedoria vive na luz”

34.1.2Início do evangelho de João: “No princípio era o verbo / e o verbo estava com Deus / e um Deus era o verbo”.

34.2Exs. de meditação por símbolos imagéticos:

34.2.1Meditação da rosa-cruz (penúltimo capítulo de A Ciência Oculta, p. 224 da 4ª ed.)

34.2.2Meditação da semente (O Conhecimento dos Mundos Superiores, 4ª ed. p. 44).

34.3Depois de se concentrar algum tempo sobre um tema espiritual, produzir um vazio no pensamento, permanecendo consciente, observando o próprio pensamento; concentração nos processos, e não nas imagens.

35.Indícios de que a meditação está funcionando

35.1Sonhos mais conscientes ou, ao acordar, lembranças conscientes.

35.2Intuições sobre os temas de meditação.

35.3Percepção do pensamento puro: o próprio corpo parece exterior, e o cosmos o interior.

36.Os graus de consciência

36.1Consciência normal (por meio do corpo físico).

36.2Consciência imaginativa (ver A Ciência Oculta, cap. “O conhecimento dos mundos superiores).

36.2.1Alma desliga-se do corpo como no sono, mas sem perder a consciência.

36.2.2Mundo espiritual percebido como sensações: calor ou frio, sons, palavras, efeitos luminosos coloridos. Diferente das sensações do mundo físico; ex. calor proveniente de um processo anímico (temos algo disso em “pessoa calorosa”)

36.2.3No mundo físico: nascimento e morte; no imaginativo: sempre transformação, mobilidade.

36.2.4Pode-se perceber os estados imediatamente subseqüentes à morte.

36.2.5Não pode servir como base para conhecimento, pois não é suficiente; não é possível interpretar as percepções.

36.3Consciência inspirativa

36.3.1Percebem-se as qualidades intrínsecas dos seres que se transformam.

36.3.2É como se fosse uma leitura de uma escrita oculta; os seres são os caracteres; por meio da inspiração se relacionam esses caracteres formando “palavras” e “frases”; no imaginativo: escrita sem compreensão, como em língua desconhecida.

36.3.3Na imaginativa, pode-se perceber como na morte os membros não físicos se desprendem do corpo físico, mas só com o inspirativo pode-se compreender a relação entre o que ocorre depois da morte com o que houve durante a vida.

36.3.4Só com a inspirativa pode-se seguir mais uma parte do percurso de um ser humano entre a morte e um novo nascimento.

36.3.5Note-se a atitude necessária de busca por compreensão, e não ficar apenas nas percepções.

36.4Consciência intuitiva.

36.4.1Conhecimento do íntimo dos seres espirituais; tornar-se uno com cada um deles. (No conhecimento normal conhece-se o exterior das coisas.)

36.4.2Interação com eles.

36.4.3Eles é que revelam os segredos do mundo espiritual: dádiva que não pode ser obtida “à força”.

36.4.4Permite seguir o percurso todo de um ser humano após a morte.

36.4.5Portanto, o autoconhecimento completo.

37.Razões para se meditar

37.1É o único ato realmente livre do ser humano.

37.1.1Ex. de ir de uma esquina ao lado oposto do quarteirão; 2 caminhos possíveis; um pode ser escolhido livremente, mas ter chegado à esquina não foi provavelmente um ato livre; somos em geral levados pelas circunstâncias, pelos usos e costumes e pela memória.

37.1.2É importante ter a vivência do livre arbítrio, pois isso traz a certeza de que não somos apenas matéria.

37.1.3Quantos atos livres executamos cada dia? Em geral, raríssimos.

37.2A razão mais importante de se meditar é conseguir obter uma percepção do mundo espiritual, e assim confiar nas transmissões dos grandes iniciados.

37.3O primeiro passo deve ser o estudo das transmissões dos grandes iniciados.

37.3.1Steiner: é muito mais importante compreender o mundo espiritual do que observá-lo. Ver o seu artigo “Vidência visionária e o conhecimento”.

37.4A segunda razão deveria ser a de se conseguir um aperfeiçoamento pessoal, para poder melhor ajudar as outras pessoas, a humanidade e a natureza.

37.5A meditação antroposófica não promete paz e felicidade. Pelo contrário, o caminho que se começa a trilhar com a meditação é o difícil e penoso caminho de se conhecer e melhorar a si próprio e ao mundo, de se conscientizar dos males que o afligem e de ter impulsos e energia para agir a fim de minorá-los.


Referências

Ver vários artigos sobre meditação no site da Sociedade Antroposófica no Brasil, www.sab.org.br, seção Antroposofia, subseção Artigos e textos.

Lanz, R. Noções Básicas de Antroposofia. São Paulo, Ed. Antroposófica, 8ª. ed. 2007. Disponível na íntegra em www.sab.org.br/edit/nocoes

Setzer, V.W. Uma introdução antroposófica à constituição humana. Disponível em www.sab.org.br/antrop/const1.htm.

Setzer, V.W. Ciência, religião e espiritualidade. Disponível em www.ime.usp.br/~vwsetzer/ciencia-religiao-espiritualidade.html

Setzer, S. Parsifal – Um precursor do ser humano moderno. São Paulo: Ed. Antroposófica, 2008. Ver detalhes sobre o livro em www.ime.usp.br/~vwsetzer

Steiner, R. A Ciência Oculta – Esboço de uma cosmovisão supra-sensorial. Trad. R. Lanz e J. Cardoso São Paulo: Ed. Antroposófica, 6ª ed. 2006.

Steiner, R. A vidência visionária e o conhecimento. In Die tieferen Geheimnisse des Menscheitswerdens im Lichte der Evangelien [Os segredos mais profundos do devir humano à luz dos evangelhos], GA (obra completa) 117, palestra de 13/11/1919, trad. Valdemar e Sonia Setzer. Disponível em http://www.sab.org.br/antrop/GA117-131109.htm.

Steiner, R. O Conhecimento dos Mundos Superiores – A iniciação. Trad. E. Reimann e S.G. Correa. São Paulo: Editora Antroposófica, 7ª ed. 2008.

Steiner, R. Os Exercícios Complementares: seis passos para a autoeducaçao. Textos selecionados e organizados por A. Baydur. Trad. R. Rickli. Apostila. São Paulo: Sociedade Antroposófica no Brasil, 2008.








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