Terra a-dourada Brasil


O Despertar da Visão Interior



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O Despertar da Visão Interior

‰ capitulo 15 ‰

Prática noturna 3 - Os porquês e comos da técnica

15.I Preparação


Seja bem rígido com detalhes do tipo tirar sapatos, deitar em uma posição adequada, e assim por diante. Eles fazem uma diferença significante na profundidade da experiência alcançada. Se um ou dois dos participantes não seguirem estes procedimentos preparatórios e permanecerem na superfície durante a sessão, é o suficiente para perturbar as vibrações de todo o grupo e impedir que os outros tenham acesso à experiência.

15.2 Fase I: Exalando


Exalar é a última coisa que um ser humano faz neste planeta.

Consequentemente, o uso do verbo “expirar” significa ao mesmo tempo morrer e exalar.

Da mesma maneira que uma tensão fantástica é associada com a primeira inalação de um recém-nascido, um liberação fantástica acontece quando as pessoas que estão morrendo dão sua última exalação.

A arte de levar o ar para fora é uma busca por essa exalação final. Faça isto como se você estivesse em seu leito de morte, com a sensação de missão cumprida.

Você pode aprender a usar a exalação como um vetor que leva tensões e energias negativas para fora de seu corpo. A prática de suspirar pode ser bastante terapêutica.

15.3 Fase IIa: Circulação das partes do corpo


Praticar a consciência das diferentes partes do corpo não deve ser considerada como uma mera técnica de relaxamento, mas como uma ferramenta principal no caminho da alquimia interior. Conectar sua consciência às partes do corpo, faz com que seu estado de consciência seja imerso dentro da camada física, e uma transformação profunda começa a acontecer. Conforme você se torna mais relaxado e aberto, sua consciência alcança uma camada no físico mais profunda do que se você estivesse passando pelas partes do corpo com a consciência habitual do dia.

Quanto mais você “se torna um” com as partes do corpo, mais profunda sua consciência será instilada na camada física. Sintonize em uma parte do corpo e deixe suas qualidades ficarem vivas em você, como descrito no Capítulo XI. A sensação que vem de se sintonizar em uma parte do corpo é a de conhecer através de um processo de identificação: você “se torna” aquela parte do corpo. Um dos segredos das transformação físicas está em alcançar esta unidade metafísica, muito além de uma mera consciência mental da parte do corpo.

É comum, ao passar pelas partes do corpo com o estado de visão, receber visões inesperadas de ossos, articulações e órgãos.

Por exemplo, foque nas cavidades de uma junta. Onde dois ossos se encontram, há um espaço preenchido com um líquido particular, chamado fluido sinovial. (Interessante o fato de que o termo sinovia foi introduzido por Paracelsus.) Quando você se sintoniza na cavidade sinovial, você tem um sensação de espaço. Em alemão e francês, “cavidade sinovial” é chamada de “espaço sinovial”. A clarividência revela como o corpo se conecta com o espaço astral universal através deste “espaço de articulação”, o que sugere um novo e interessante modo de olhar para as patologias nas juntas.

Uma variação poderosa desta fase é somar à ela um momento de consciência no ponto central e neutro que divide cada par de partes do corpo. Por exemplo: o olho esquerdo... o olho direito... a área no meio dos dois olhos...

Ou: o joelho esquerdo... o joelho direito... a área no meio dos dois joelhos...

Os lados esquerdo e direito do corpo encarnam polaridades opostas de energia, assim como noite e dia, masculino e feminino, yin e yang, representam pares de polaridades opostas.

Ao circular sua consciência de acordo com a sequência da fase IIa, primeiro você entra em contato com a polaridade esquerda de uma parte do corpo, depois com a direita. No ponto do meio, você conecta com o espaço onde as polaridades se tornam neutras: é o “ponto de Tao”, nem yang nem yin, ou yin e yang ao mesmo tempo. Veja se consegue sentir por si mesmo.

Outro modo interessante de circular pelo corpo é escutando o som interno em cada uma de suas partes.

Por que começamos com o lado esquerdo em cada parte do corpo? É interessante notar que soldados fazem o mesmo quando marcham: “esquerda, direita, esquerda, direita...” Em Hatha-ioga a prática chamada nadi-shodhana (respiração alternada), na qual se inspira por um narina enquanto se bloqueia a outra com os dedos, sempre se começa com uma inalação pela narina esquerda. Temos vários exemplos de que ao lidar com energia, o lado esquerdo é ativado antes do direito.

Além disto, quando se está envolvido em atividades espirituais, como lançar moedas para sondar o I-Ching, tradicionalmente se usa a mão esquerda (a mão do coração). O mesmo se aplica ao cortar as cartas do Tarô. Uma conexão pode ser estabelecida com o fato de que o lado esquerdo do corpo está relacionado ao hemisfério direito do cérebro, mais intuitivo que analítico, logo, mais inclinado à espiritualidade. Na Hatha-ioga, a circulação principal de energia no lado esquerdo do corpo é ida, a nadi lunar que cria uma internalização das energias e uma abertura nos espaços internos. Rudolf Steiner previu que no futuro distante da humanidade, a mão esquerda se tornará predominante a tal ponto que a mão direita se atrofiará.1

15.4 fase 2Ib: Consciência e estado de visão dos órgãos


Conforme sua clarividência aumenta, terá visões fascinantes de seu órgãos ao praticar esta fase, acompanhadas por uma compreensão intuitiva profunda das funções que exercem. Além de seu valor de cura, este processo conduz a um conhecimento diferente dos órgãos. Você fará muitas descobertas inesperadas que lançarão uma luz realmente diferente em certos fatos comuns da anatomia, fisiologia e patologia. O caminho dos videntes é cheio de surpresas.

Quanto mais você percebe seus órgãos internos através da clarividência, mais você poderá percebê-los dentro de outras pessoas - uma grande ajuda para diagnose! Um fato essencial sobre a percepção é que, em geral, sempre que algo é visto ou sentido dentro de você, também pode ser visto ou sentido em qualquer outra pessoa. “Dentro” ou “fora” não faz muita diferença em termos de habilidades clarividentes.

Por que usamos esta sequência particular dos órgãos? A tradição hermética (=alquímica) estabelece correspondências entre o órgãos de nosso corpo e os planetas do sistema solar. O homem é o microcosmo, o universo é o macrocosmo. Cada órgão encarna no corpo todos os símbolos e funções de seu planeta correspondente. A seqüência dos órgãos, como indicada na fase IIb, segue a seqüência tradicional das esferas planetárias: Saturno ( baço ), Júpiter ( fígado ), Marte ( bexiga ), Sol ( coração ), Vênus ( rins ), Mercúrio ( pulmões ), Lua ( útero ).

Uma fase mais avançada consiste em ser capaz de perceber as forças planetárias atrás dos órgãos físicos, transformando esta técnica em uma meditação astrológica dentro de seu próprio corpo. Para se tornar astrólogo ou alquimista, as energias planetárias deveriam ser compreendidas intuitivamente e deveriam ser sentidas dentro de você, não só entendidas intelectualmente.

Pessoas interessadas pelo conhecimento das estrelas e suas correspondências com o microcosmo humano podem se inspirar somando outra fase à prática noturna, que consiste em circular ao redor das áreas do corpo e seguir a correspondência tradicional com as constelações: Aries - cabeça; Touro - garganta e pescoço; Gêmeos - ombros e omoplata; Cancer - peito, seios; Leão - coração; Virgem - intestinos; Libra - rins; Escorpião - órgãos sexuais; Sagitário - coxas; Capricórnio - joelhos; Aquário - tornozelos; Peixes - pés. Diga mentalmente o nome da constelação ainda estando ciente da área do corpo correspondente.

15.5 fase 3: Consciência da respiração e contagem regressiva


Esta é a parte onde todo mundo dorme. Até mesmo quem sofre da pior insônia parece se desmoronar no meio desta fase! Mas dormir não é necessariamente errado.

Vamos voltar para um importante ponto da teoria. Um dos propósitos da prática noturna é te permitir explorar essa espaço divisório entre dormir e acordar, tão delicado quanto a lâmina de uma gilete vista de lado.

lâmina de gilete

estado adormecido estado desperto

Se você permanece completamente desperto ao longo da prática, significa que você nunca cruza esse umbral e perde-se o objetivo do exercício. Por outro lado, se você dorme logo de imediato e continua roncando até o fim, a prática também não será muito enriquecedora.

O problema é que assim que você alcança o limite entre acordar e dormir, você perde sua consciência. Você está familiarizado com o estado desperto e o dormente, mas o espaço que separa os dois é desconhecido à você. Cada vez que você se aproxima, você o perde, sendo imediatamente tragado pelo estado dormente.

Por isso esta parte da técnica será muito mais poderosa se você usar um cassete, ou tiver alguém lendo ou te falando as instruções. Se você dorme, imediatamente a voz te chama de volta: “Permaneça atento em sua contagem regressiva”. Alguns minutos depois você dorme novamente, e a voz te traz novamente ao estado desperto. Dessa forma, você continua oscilando ao redor da “lâmina do gilete”, o que é um excelente modo de ficar mais familiarizado com esse estado. Gradualmente, você aprende a reter mais consciência enquanto estiver nessa extremidade.

Com prática, prática e prática, você experimentará, com consciência, estar adormecido e desperto ao mesmo tempo. Quando você se estabilizar nessa extremidade por mais de alguns segundos, sua consciência se torna super-consciência, e você entra em contato com o mistério do umbral. Esta também é a fase que lhe dará a capacidade de uma rápida e incomum recuperação, e te fará um mestre do sono, do tipo Napoleônico.

Desta discussão, podemos tirar as seguintes conclusões práticas:

Não inclua a fase III se você estiver praticando sozinho, sem um amigo que lhe dê as instruções ou um cassete, e se você estiver praticando na cama, logo antes de ir dormir, especialmente se você tende a dormir cada vez que passa pela contagem regressiva.

Inclua a fase 3 se:

- se você tem dificuldade de dormir

- se você está praticando durante o dia para se recuperar de uma fadiga. Neste caso, o cochilo intermitente que vem com a contagem regressiva é um dos melhores modos de se revigorar.

- se sua consciência estiver mais consolidada e se estiver começando a se aproximar da “lâmina do gilete”, sem ser projetado no sono

- se a prática noturna te for administrada por um amigo. Nesse caso, pode ser interessante gastar mais tempo na fase III e ficar oscilando o maior tempo possível na extremidade, como discutido acima. Você pode então gastar uns bons 15 ou 20 minutos na fase de contagem regressiva.

15.6 fase 3c: Vibração no nariz ao inalar


Se praticado regularmente, este exercício aumentará, e muito, sua sensibilidade para cheiros. Além disso, você melhorará significativamente sua capacidade para pegar a energia do ar. Conforme você se especializa nesta parte, ficará óbvio que um estrondo acontece entre a vibração do ar e a membrana dentro de seu nariz, cada vez que você puxa o ar. Focalize sua atenção neste estrondo, esteja mais ciente dele cada vez que puxa o ar, e uma clara sensação de vibração se desenvolverá em seu nariz. Um despertar inesperado acontecerá em suas narinas.

É quase como se você estivesse “bebendo” o ar. Isto nutre e fortalece toda a faringe, e tem um efeito direto de excitação no terceiro olho. Lembre-se que seu terceiro olho não é uma mancha em algum lugar na testa, mas um túnel que vai do espaço entre as sobrancelhas até a parte de trás da cabeça. Os nervos olfativos, depois de passarem pela mucosa nasal, se agrupam e passam pela lâmina crivada do osso etmóide, que forma a parte superior do esqueleto do nariz, aproximadamente uma polegada bem atrás da área entre as sobrancelhas - daí o direto efeito que causa no olho o despertar da sensação de cheiro.

Para ter uma noção exata da conexão entre o terceiro olho e o ato de cheirar, sintonize no olho de um cachorro. O terceiro olho deste animal é completamente “olfativo”. Você pode ver claramente como o olho se estende penetrando em suas narinas. Além de seus efeitos locais, este exercício é, em geral, um estimulante poderoso da vitalidade, devido tanto à entrada extra de energia quanto à excitação do reflexo de vários órgãos do corpo pela mucosa das narinas. A capacidade para receber uma energia mais vibrante persistirá durante o dia, e você desenvolverá uma prodigiosa sensibilidade a cheiros. Seu nariz se tornará uma fonte constante de maravilhas.

Na Kundalini-ioga a sensação de cheiro é relacionada a muladhara, o chakra raiz, localizado no períneo, na base da espinha. No muladhara repousa o mais primitivo, ancorado e físico nível da vitalidade corporal. Considera-se que qualquer despertar forte da sensação de cheiro ativa uma reação em muladhara, ativando, assim, as funções do chakra. Isto pode ser usado no tratamento de pacientes deprimidos que perderam a motivação no plano físico, e que não querem nem viver nem morrer. (Pense também no cheiro dos produtos usados para trazer as pessoas de volta à consciência quando desmaiam.)

O cheiro é a mais primitiva das sensações físicas. Por exemplo, o lóbulo olfativo ou rinencéfalo, que lida com as percepções olfativas, é uma das partes mais antigas do cérebro segundo a filogenia. A técnica acima mencionada para estimular o “poder do nariz” pode dar resultados poderosos e inesperados, re-despertando a força de vida nas pessoas deprimidas ou em pacientes que sofrem de doenças fatais.

Muitos desses “viciados” em vitaminas iriam se surpreender ao perceber quão maior se torna a vitalidade após educarem seus narizes. O nariz é o principal órgão de recepção do etérico (força vital) presente no ar. Não só durante a prática noturna, mas também durante suas atividades diárias, você pode trabalhar uma captação cada vez maior de energia do ar.


Dicas


  • A prática regular do neti (veja Capítulo 16) será de grande ajuda para desenvolver a sensibilidade de suas narinas e construir seu “poder de nariz”.

  • Enquanto pratica esta fase IIIc, e a prática noturna em geral, você terá que ter muito cuidado com cheiros. O quarto não deveria ser sufocante, e é sempre preferível manter uma janela aberta. Não deve haver nenhum cheiro de tabaco, incenso ou perfumes fortes. A razão é que eles aumentam sua sensibilidade de tal forma que podem se tornar realmente um incômodo, podendo danificar sua sensação olfativa sutil e sua capacidade até mesmo para receber energia do ar.

15.7 fase 4


Separando imagens do fato de ver, ou do “estado de visão”, a pessoa pode se tornar clarividente. O mesmo princípio pode ser aplicado ao desenvolvimento de outras sensações sutis, como é o caso de discernir o “estado de audição” dos sons, o “estado olfativo” dos cheiros, e assim por diante.

Esta fase também é um método poderoso para interiorizar as sensações, separar as sensações astrais das físicas, e deixar o corpo astral em um estado que permita a máxima ajuda de seres espirituais mais elevados durante a noite.


15.8 fase 5: Recordando as imagens do dia


Este exercício é considerado essencial por várias escolas ocidentais de esoterismo, e você o encontrará freqüentemente mencionado na literatura esotérica.

Ele trabalha em vários níveis e tem mais de um propósito. Vamos tentar entender um ou dois deles.

Uma observação comum entre as pessoas que voltaram de uma experiência de quase morte é que elas testemunharam o quadro completo de suas vidas, desdobrado diante delas como se fosse um filme. Além deste fato famoso, ocultistas descrevem o ciclo de reencarnação como duas fases revezadas: uma vida na Terra durante a qual são executadas ações, e então a jornada por planos não-físicos, que é seguida por outra vida de encarnação em Terra, e assim por diante.

O que acontece durante a jornada entre a morte e o renascimento? Entre outras coisas, há o trabalho de integrar o que foi alcançado na Terra. É como uma maturação das experiências físicas pelas quais a alma passou, e uma incorporação lenta da quintessência das mesmas.

Um ponto crucial é que a alma viajante se defronta com a impossibilidade de mudar qualquer coisa feita durante a encarnação na Terra. A alma pode trabalhar a digestão das ações que foram executadas, e pode tentar preparar sua próxima encarnação da melhor forma possível. Mas, se ações deploráveis foram executadas e oportunidades foram perdidas, é simplesmente fora de questão mudar qualquer ação passada. Isto pode ser um drama terrível para a alma viajante.

Este fato espiritual também pode ser achado na tradição hindu. Textos Sanskritos descrevem como a alma individual, contanto que não esteja encarnada, até mesmo enquanto está dentro do útero da mãe, ainda está cheia de boas resoluções: “Eu serei um grande adorador de Shiva, eu dedicarei minha vida à prática da ioga...”

Mas assim que o indivíduo é pego no vórtice da vida, ele ou ela se esquece imediatamente de todas as boas intenções e começam a se comportar de acordo com as motivações do eu inferior. Então, assim que a alma deixa o corpo na hora da morte, percebe dolorosamente que foram perdidas muitas oportunidades. E o ciclo se repete mais uma vez. Algum progresso pode ser feito, mas freqüentemente não é nada comparado ao que poderia ter sido alcançado se a recordação do propósito tivesse sido mantido.

Este exercício no qual o dia é visto do fim para o começo, visa criar todas as noites um equivalente dessa fase de contemplação das ações que a pessoa cometeu, o que normalmente só acontece depois da morte. Ao invés de esperar até que você morra, seu processo de maturação pode começar aqui e agora, acelerando assim o curso de evolução.

Note que seria bem impróprio passar por uma revisão mental e tentar julgar o valor moral de nossas ações com um diálogo interno do tipo: “Eu deveria ter feito isto, eu não deveria ter feito aquilo...” O exercício trabalha em um nível muito mais profundo. Não é através de um diálogo mental, mas por uma profunda abertura da alma que o processo de maturação será iniciado. A consciência superficial de uma avaliação moral seria completamente inadequada para desencadear o resultado esperado.

Depois da morte, a visão retrospectiva das circunstâncias da vida não acontece apenas durante os primeiros três dias e meio, mas se repete em diferentes fases da jornada, de diferentes formas. Se você tem pacientemente observado o panorama de seu dia, todas as noites antes de ir dormir, muito tempo e energia serão economizados depois. Não que haja qualquer urgência depois da morte, mas se você já tiver feito este trabalho, sua energia estará disponível para executar algumas outras tarefas importantes, o que torna a transição mais frutífera.

No que se refere à técnica de revisar as imagens do dia, você pode escolher entre duas opções. A primeira possibilidade é revisar as cenas mais marcantes do dia, começe com as da noite, e termine com as da manhã. O segundo e mais acurado modo de praticar é ver seu dia precisamente como um filme que vai para trás. Assim, se, por exemplo, você dirigiu, você vê o carro se movendo de frente para trás. Se você caminhou, você se vê caminhando para trás. Você vê o alimento que comeu saindo de sua boca, e assim por diante. Isto pode parecer difícil no começo, mas com alguma prática você pode alcançar uma fase onde todas as imagens se desdobram sem esforço, e o dia todo é coberto em 4 ou 5 minutos. É uma dessas coisas que você não pode de fato “fazer”, mas tem que permitir que aconteça.

Uma pergunta feita freqüente é quão detalhada a revisão do dia deve ser, e quanto dos detalhes minuciosos e das circunstâncias triviais deveriam ser incorporados. Parece razoável completar a técnica entre 5 e 10 minutos. Quanto mais eficiente você se tornar, mais detalhes poderá incluir neste espaço de tempo.


15.9 fase 6: imagens espontâneas


Assim que imagens começam a fluir livremente em sua consciência, você sabe que chegou a um estado de sono psíquico. Você integrou a precisão das imagens do estado de sonho com a consciência consciente do estado desperto. Este é um estado no qual você se recupera rapidamente da fadiga.

Ainda praticando, você notará que a revisão dos fatos marcantes do dia (fase V) é uma transição lenta que conduz à fase de imagens espontâneas.

Uma vez que você tenha alcançado um certo domínio desta sexta fase, tudo o que você tem a fazer é ficar no espaço (o mesmo espaço púrpura citado em todas as outras práticas deste livro) e deixar as imagens virem à você.

Para ir mais adiante, cada vez que uma imagem surgir à sua frente, tente ficar ciente do estado de visão e de sua própria presença no coração. O que isto quer dizer em termos do trabalho de clarividência do qual falamos até agora?

Significa aplicar o triplo processo de visão partindo do estado de sonho ao invés do estado desperto. Significa estender sua varinha mágica para as experiências da noite, ao invés de só usá-la durante o dia. Isto conduzirá a visões magníficas e percepções inesperadas.

15.10 Experiências durante a prática noturna

Tensão


Pode acontecer da tensão aumentar até o ponto em que você tem que virar para o lado e terminar a prática. Normalmente, assim que não está mais deitado de costas e abandona a prática durante aquela noite, a tensão cessa e você pode dormir.

Esta experiência, que é semelhante à formação da tensão que pode acontecer durante meditação, (veja seção X.11) é devido a bloqueios ativos e emocionais. Não se force a ficar de costas a qualquer custo, isso pode transformar a prática em uma provação. A verdadeira saída está em outro nível: explore o bloqueio através de técnicas apropriadas, como a regressão de ISIS.

Há outra razão que pode causar ou exagerar a tensão muscular durante a prática noturna: vibração mantida no olho. Lembre-se disso: durante a prática noturna não deve haver nenhuma vibração no olho nem fricção na garganta, como discutido no Capítulo 13. Cada vez que você sente tensão durante sua prática noturna, certifique-se de que nenhuma consciência em particular está no olho. Focar no coração pode ajudar.

Caindo no sono toda vez


Não se desespere - você não é o único. Pelo menos você achou a resposta definitiva para a insônia. Aqui estão algumas sugestões para melhorar a situação:

  • Pratique no chão, não na cama.

  • Se você sempre dorme no mesmo ponto da técnica, pule essa fase durante algum tempo e vá direto para a próxima fase. Isto ajuda a quebrar o que pode se tornar um hábito ruim. Retorne à prática depois de alguns dias ou semanas.

  • Use cassetes de prática noturna.

  • Pratique durante o dia, além de sua sessão noturna. Isto aumentará sua capacidade de permanecer consciente enquanto estiver no umbral entre estar desperto e adormecido.

  • Providencie um despertador suave e programe-o para despertar a cada cinco minutos durante sua prática noturna.

  • Contemplação das estrelas: Pratique olhar para as estrelas todas as noites, durante alguns minutos ou mais, antes de ir para cama. Esteja totalmente em seu olho enquanto as contempla. “Beba” a luz das estrelas, absorva a energia delas. Isto terá uma forte influência na qualidade de sua consciência, não só durante a prática noturna mas ao longo da noite.

Basicamente, se você acha difícil se manter vigilante durante o sono, isso é devido à fraqueza de seu corpo astral, e à uma falta de pontes entre as camadas astral e física. Então, antes de começar sua jornada noturna, será de grande ajuda se saturar sua consciência com uma energia astral extremamente acentuada e refinada: a das estrelas.

De vez em quando, durante a prática noturna, e principalmente quando sentir que vai perder a consciência, não vacile em chamar a energia das estrelas para salvá-lo. Pode ajudar recordar as imagens das constelações que você estava olhando antes de ir para cama. Se abasteça da energia delas.

Para concluir esta seção: sua capacidade para reter um estado consciente durante o sono depende do quanto seus corpos sutis já foram construídos. É necessário todo o processo de alquimia interior, e não apenas a prática noturna, para alcançar estágios mais elevados de sono psíquico. É sábio aceitar que levará algum tempo e prática antes que você possa se lembrar de todas as jornadas da noite ao acordar pela manhã.

15.11 Pegando as duas extremidades da noite


O trabalho de sono psíquico não acontece apenas no início, mas também ao término da noite. O objetivo da prática noturna é manter a consciência desperta em seu sono. O propósito do “trabalho matutino” é lembrar o máximo possível de seus sonhos e jornadas astrais durante o dia.

Aqui estão algumas sugestões de trabalho nesta direção:


15.12 Compartilhando a manhã


Se você dorme no mesmo quarto com um cônjuge ou amigo, contem um para o outro o que aconteceu durante a noite assim que vocês acordarem. Façam isso o mais cedo possível, enquanto ainda estiverem na cama, a recordação será mais fácil. Você verá que tende a se lembrar de muito mais quando sabe que irá compartilhar sistematicamente essas experiências pela de manhã. Seu subconsciente se motivará a reter mais memória das experiências da noite.

Se houver crianças ao seu redor, consiga que elas lhe contem seus sonhos assim que lhes der bom-dia.


15.13 Use um símbolo como ponte


Durante sua prática noturna à noite, antes de dormir, tenha em mente uma forte resolução de que a primeira coisa que você fará quando recuperar a consciência pela manhã será tentar se lembrar do que aconteceu à noite. Um bom método é escolher um símbolo (como uma estrela, um pentagrama, ou qualquer coisa que julgar apropriado) e tente, a qualquer custo, manter-se consciente deste símbolo no exato momento em que estiver caindo no sono e assim que acordar.1 Tão logo você recupere sua primeira linha de consciência pela manhã, lembre-se do símbolo. Isto cria uma ponte entre os dois momentos.

15.14 Continue recordando seus sonhos através da zona amortizadora


O limite entre estar adormecido e acordado é mais como um espaço que uma linha.

De manhã, vamos dizer que primeiro você recupera sua consciência em A. Você p ode não se dar conta disto, mas terá que cruzar todo o espaço entre A e B antes que esteja completamente desperto. Acontece automática e inconscientemente. A maioria das pessoas nunca nota isto.

Agora, suponha que você se lembre de um sonho ou uma jornada astral em A. Até que você alcance B, é muito provável que já tenha esquecido novamente. Dessa forma, para trazer as recordações ao estado desperto, você tem que recordá-las algumas vezes conforme cruza a zona de amortização entre um estado e outro. Você terá que se lembrar primeiro em A, depois em A1, em A2, em A3, e finalmente em B.

Lembre-se de seus sonhos imediatamente, assim que recuperar um pouco de sua consciência desperta, caso contrário você chegará em A3 ou até mesmo em B sem nem se dar conta desse movimento, e quando for ver, já será tarde demais, e já terá se esquecido de tudo.

Pelas mesmas razões, permaneça extremamente imóvel na cama assim que recuperar a consciência. Mudando de posição, você acelera a transição de A para B. Assim que recuperar o fio da meada de sua percepção consciente pela manhã, não se mova e tente se lembrar de qualquer coisa que puder.

15.15 Use a memória do terceiro olho


Aqui vai uma maneira de evitar os aborrecimentos das recomendações anteriores e ainda se lembrar de tudo que é importante.

Conforme você desenvolve seus corpos sutis, perceberá que começa a ter acesso a uma nova forma de memória: a do olho. Várias coisas que foram completamente esquecidas por sua mente consciente podem ser imediatamente recordadas quando você vai buscá-las na memória de seu olho.

Isto nos leva a separar dois tipos de memória: a da mente, e a do olho. De maneira bem interessante, elas não registram as mesmas coisas. Por exemplo, a memória do olho se lembra de auras. Se você viu uma aura dez anos atrás, você pode recordá-la imediatamente, apenas se sintonizando na memória do olho. Esta memória é muito mais fidedigna que a mental. Talvez por não depender das células cerebrais, a memória do olho nunca se esquece de coisa alguma; e ao contrário da memória da mente, a memória do olho não requer nenhum esforço, as coisas voltam automaticamente à você.

No que se refere às noites, a mente tende a se lembrar de sonhos, enquanto o olho se lembra de viagens astrais e experiências de estados de consciência.

Dessa forma, a memória do olho é a verdadeira solução ao problema comum da “amnésia matutina”.

Infelizmente, não há nenhuma fórmula simples que possa ser aplicada para desenvolver esse acesso à memória do olho. Ela vem como resultado de todo o processo de alquimia interior. Mas o ponto é: esta memória do olho já está presente em muitas pessoas. O problema é que elas apenas não pensam em usufruir disto. Quando elas têm que se lembrar de algo, procuram em suas mentes, e nem mesmo pensam em tentar se lembrar através do olho.

Assim, todas as manhãs entre em seu olho e tente se lembrar de lá. É como fazer uma leitura áurica de sua noite. Se você vive com outra pessoa, descobrirá que uma vez que pode se lembrar de suas experiências noturnas através de seu olho, também pode ver o que aconteceu à ela naquela noite. Como discutido anteriormente, as percepções do terceiro olho não são limitadas aos limites de sua pele.

15.16 Se você nunca se lembra de nada

Espere por suas próximas férias e então, durante cinco noites consecutivas ou mais, acorde depois de cada sonho e anote tudo que puder lembrar. Tenha sempre um caderno de anotações, uma caneta e uma lanterna ao lado da cama. Para algumas pessoas, é suficiente ter a forte resolução, antes de dormir, de acordar depois de cada sonho. Se este não é o seu caso, então coloque um despertador para tocar de hora em hora.


Se você tiver que passar uma noite em uma cabina de trem, ou em qualquer situação onde irá cochilar ao invés de dormir, não perca a chance de anotar todos os seus sonhos, um depois do outro.

15.17 Variação para acupunturistas


Médicos de acupuntura, shiatsu e outras áreas da medicina oriental acharão valioso incorporar uma fase de consciência dos meridianos, entre a fase II (circulação pelas partes do corpo e órgãos) e a fase III (consciência da respiração).

Esta fase adicional nos meridianos é semelhante ao trabalho de liberação de energia (Capítulos IV e VI), mas sem esfregar nada, uma vez que o corpo fica completamente imóvel do início ao fim da prática noturna. Se o tempo for limitado, então só faça uma vez a circulação da fase II.

Em cada meridiano, primeiro tente sentir a vibração ou formigamento, que não é nada diferente da percepção do Qi ou energia etérica. Tente perceber o fluxo da vibração no meridiano (ele nem sempre flui na direção indicada pelos livros chineses!). Então, tente ativar o fluxo, movendo conscientemente a energia ao longo da linha do meridiano, de acordo com a técnica das “pequenas mãos” descrita na seção IV.10.

No que se refere à sucessão dos meridianos, siga a ordem tradicional da circulação de energia: Pulmão, Cólon, Estômago, Baço, Coração, Intestino delgado, Bexiga, Rim, ???, Bexiga, Fígado. Termine com o Concepção, Governador e em última instância a chaminé central de Chong Mai, o equivalente ao Indiano sushumna, o canal central no meio do corpo, que é desenvolvido na Kundalini-ioga e na Kriya-ioga. Como os caminhos anatômicos dos meridianos são descritos em todos os livros de acupuntura, os leitores interessados podem ir buscar tal informação na literatura em questão.





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