Teoria psicossexual de freud



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[teORIA PSICOSSEXUAL DE FREUD.]

Ano lectivo 2012




INTRODUÇÃO

Sigismund Schlomo Freud (1856-1939) e mais conhecido como Sigmund Freud , foi um médico neurologista austríaco e judeu, fundador da psicanálise. Freud nasceu em Freiberg, na época pertencente ao Império Austríaco; actualmente a região é denominada Příbor , na República Tcheca.

Considera que o desenvolvimento afectivo decorre ao longo de diversos estádios psicossexuais cuja vivencia deixa marcas na personalidade do individuo.

Teoria psicossexual de Freud

Pode definir-se como um conjunto de transformações que ocorrem ao nível físico e psicológico, desde o nascimento até à morte dos indivíduos, apesar de ser durante a infância e a adolescência que ocorrem grandes transformações.

Freud é o grande teorizador do desenvolvimento do homem, considerado sob o ponto de vista afectivo. Tal como Piaget na perspectiva cognitiva, também Freud considera que a compreensão do comportamento requer uma analise dos fenómenos psíquicos, isto é, um estudo da dinâmica dos acontecimentos da mente. Porem, enquanto a perspectiva cognitiva encara as pessoas como processadoras racionais de informação, a perspectiva psicodinâmica, pelo contrario, procura evidenciar aspectos em que a racionalidade humana falha: enfatiza as motivações inconscientes e o papel desempenhado pelas vivencias emocionais infantis na estruturação da personalidade do adulto.

Segundo Freud, o nosso aparelho psíquico, ou estrutura da personalidade, é formado por três componentes ou sistemas motivacionais, também designados por instancias do eu ou instancias de personalidade: id, ego e superego.



ID

Também chamado infraeu ou infraego, é constituído por todos os impulsos biológicos, como a fome, sede e sexo, que exigem satisfação imediata. É o fundamento da sobrevivência individual e da espécie.



SUPEREGO

Também chamado de supereu, é constituído pelo conjunto de regras e proibições impostas primeiramente pelos pais e depois pela sociedade em geral e que forma interiorizados pelo individuo. É o fundamento da moral.



EGO

Também chamado eu, é o elemento decisor dos conflitos travados entre o id e o superego. Constitui o fundamento racional da personalidade humana.

Estas três instancias, na opinião freudiana, estabelecem entre si uma relação dinâmica, muitas vezes conflitual, de que resulta a conduta das pessoas. O comportamento de umas pessoas compreender-se-á pela supremacia do id , enquanto o de outras se entende pela predominância do superego.

Geralmente, o id é o primeiro elemento. Nasce com a criança, constituindo o único sistema de motivações do bebé nos primeiros meses de vida. Isto significa que a energia psíquica deriva apenas de tendências instintivas de natureza biológica que visam a satisfação imediata na busca exclusiva do prazer.

A vida em sociedade seria impossível se as pessoas orientassem os seus actos para o prazer conferido pela satisfação rápida dos seus desejos. A busca narcísica e egocêntrica do prazer levaria a constantes frustrações e conflitos dado que, no mundo real, não existem condições que permitam que o objectivo necessário à libertação da energia pulsional seja encontrado, ou esteja disponível sempre que o individuo o procura .

Segundo a teoria psicanalítica, começa a surgir, relativamente cedo, uma outra instancia: o ego. Este desenvolve-se à medida que a criança vai experienciando e se vai apercebendo de privações e recusas do mundo exterio.

O ego tem por função orientar as pulsões de acordo com as exigências da realidade, de modo a tornar possível a adaptação do individuo ao mundo externo, ficando apto e enfrentar situações geradoras de ansiedade. No seu papel de arbitro na luta entre pulsões inatas e o meio, o ego conta com a ajuda de um conjunto de mecanismos de defesa que se vão progressivamente formando e que exercem um controlo inconsciente sobre as pulsões que ameaçam o equilíbrio psíquico do individuo, canalizando-as para formas indirectas e substitutivas da obtenção do prazer.

Se considerássemos a criança apenas em termos de id e de ego, poderíamos dizer que ela seria perfeitamente amoral. O desenvolvimento do sentido de moralidade sé é possível, na perspectiva freudiana, quando se forma uma outra instancia do aparelho psíquico: o superego.

A sua origem radica na relação da criança com os pais. Estes são fonte de exigências, sanções, interdições e ameaças que pesam sobre a criança. Este controlo imposto a partir do exterior tende, pouco a pouco, a ser interiorizado e, por volta dos sete ano, o superego é já uma instancia interna que, segundo Freud, actua de modo automático e espontâneo. Norteado por princípios morais, poder-se-á dizer que o superego representa um conjunto de valores nucleares como: honestidade, sentido de dever, obrigações, sentido de responsabilidade e outros.

A constituição e a manifestação do superego não eliminam a actuação do id, que se mantém activo ao longo da vida. Toda a teoria freudiana se desenvolve à roda do conceito de energia psicossexual ou libido, cuja proveniência são as pulsões biológicas e instintivas do id.

Freud acredita que o desejo ou busca do prazer psicossexual surge no individuo antes da puberdade, logo a partir do nascimento.

Usa o termo prazer psicossexual num sentido muito amplo, que inclui as sensações agradáveis resultantes da estimulação de diversa áreas do corpo e considera que a energia psicossexual ou libido deriva de processos metabólicos. Os órgãos envolvidos na digestão e procriação, fundamentais para a sobrevivência do individuo e da espécie, são zonas erógenas, isto é, fontes instintivas de prazer sexual.



ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL

No seu desenvolvimento, a criança atravessa uma serie de fases ou estádios, cada um dos quais se associa a sensações de prazer ligadas a uma zona erógenas especifica. O controlo destas sensações origina conflitos cuja resolução influencia a formação da personalidade adulta. Para alcançar a maturidade psicológica, o individuo tem de resolver positivamente os conflitos próprios de cada etapa.

As pessoas que experienciam excesso de frustração ou satisfação dos sentimentos sexuais de cada período poderão permanecer psicologicamente presas a esse estádio, fenómeno que Freud designa por fixação.

ESTÁDIO ORAL

( Do nascimento aos 12/18 meses)


Neste período, a boca é a principal fonte de prazer. Esta não se presta apenas à satisfação das necessidades alimentares do bebé, como também se constitui como zona erógena, ou seja, como fonte de prazer sensual . por isso, nesta fase, trate-se ou não de alimento, tudo o que a criança consegue agarrar é levado à boca. O seio materno, é fonte de grande satisfação que lhe permite estabelecer uma relação afectiva de proximidade com a mãe, cuja natureza marca o modo como futuramente se relacionará com o mundo.

No inicio deste estádio, a criança vive num estado de indiferenciação eu - mundo com o qual contacta fundamentalmente através da boca. Por isso, durante alguns meses limita-se passivamente mamar no seio, na chupeta ou no biberão. Posteriormente , ela própria procura agarrar qualquer objecto, chegando a morde-lo, de acordo com o desenvolvimento de uma ora mais agressiva, para a qual contribui o aparecimento da dentiçã.

A fixação neste estádio conduz, segundo Freud, à tendência exagerada para comportamentos de gratificação oral, como, por exemplo, comer, beber, beijar e fumar.

É na fase oral que se começa a estruturar a personalidade, desenvolve-se determinadas características com dimensões bipolares, dependendo do excesso de satisfação ou do excesso de desprazer: optimismo; admiração-inveja; credulidade-desconfiança.



ESTÁDIO ANAL

(Dos 12/18 meses aos 3 anos)


Após a digestão dos alimentos, estes vão-se acumulando na área rectal, ate que a pressão nos músculos do esfíncter anal provoca a descarga reflexa. Esta descarga alivia a tensão, pelo que se torna agradável.

É, normalmente durante o segundo ano de vida que as crianças começam a desenvolver o controlo muscular ligado à defecação; é também por esta altura que os pais se preocupam com a criação de hábitos de higiene. Se a exigência dos pais é demasiado rígida, a criança tanto pode tender a reter as fezes como a libertá-las nos momentos mais inoportunos. Quer reter, quer expulsar as fezes se torna fonte de prazer, pelo que a região anal é a zona erógena desta fase.

Segundo Freud, a educação do asseio demasiado restritiva ou demasiado tolerante pode determinar dosi tipos de personalidade adulta:

No retentivo-anal, verificam-se características como avareza, obstinação, meticulosidade, ordem compulsiva.

No expulsivo-anal verifica-se a tolerância, a submissão, generosidade excessiva e desordem.

ESTÁDIO FÁLICO

(Dos 3 anos 5/6 anos)


É durante este período que rapazes e raparigas descobrem que o corpo do homem e da mulher são diferentes e começam explorar o seu próprio corpo, apercebendo-se que a relação entre as pessoas envolve elementos de natureza sexual.

O objecto da libido é nesta fase, constituindo pelos órgãos genitais, pelo que a criança obtêm prazer ao tocar-lhes . se os pais ensinam os filhos que isso é vergonhoso, os rapazes podem contrair o medo da castração e as raparigas a “inveja do pénis”. Rapazes ou raparigas podem apresentar, futuramente, dificuldades de relacionamento sexual.

É nesta fase que as crianças vivem a primeira experiencia de amor heteros-sexual. O rapaz alimenta uma atracão especial pela mãe, ao mesmo tempo que desenvolve uma agressão competitiva em relação ao pai. A rapariga sente-se atraída pelo pai, vendo a mãe como um obstáculo à realização dos seus desejos. Estas vivencias forma designadas, no caso do rapaz, por “complexo de Édipo”, e, no da rapariga, por “complexo de Electra”, inspirando-se em personagens da tragédia grega.

O que aqui nos parece negativo e de certo modo chocante é pelo contrário, positivo e basilar para a estruturação da personalidade. É que a atracão pelo progenitor do sexo oposto e o sentimento de rivalidade para com o outro fazem com que surja no rapaz o desejo de imitar o pai, de ser como ele, para conquistar a mãe. Por sua vez, a rapariga identifica-se com a mãe, querendo parecer-se com ela para seduzir o pai. Num e noutro caso, as crianças estão a constituir o conceito de masculinidade e feminilidade pela interiorização da atitudes, valores, regras morais do progenitor do mesmo sexo, ao mesmo tempo que desenvolvem o sentimento de si próprios como seres sexuais masculinos ou femininos.

Quando os complexos de Édipo ou de Electra não são bem resolvidos, quer porque as fantasias sexuais infantis soa satisfeitas quer por defeito, quer por excesso, pode ocorrer uma fixação nesta fase da qual resultam dimensões bipolares de personalidade: orgulho, humildade, sedução – retraimento, promiscuidade – castidade.

ESTÁDIO DE LATÊNCIA

(Dos 5/6 anos aos 12/13 anos)


Após a vivencia da situação edipiana, a criança entra numa fase em que os desejos sexuais estão praticamente ausentes. Segundo Freud, o apaziguamento das pulsões sexuais é devido à amnésia infantil , processo pelo qual a criança “esquece”, reprime no inconsciente as experiencias fortes do estádio fálico.

A criança canaliza a energia psíquica para actividades de outro tipo. A curiosidade sexual cede lugar à curiosidade intelectual que a entrada na escola ajuda a desenvolver. O conhecimento do mundo físico e social amplia-se , afastando-se dos limites do mundo familiar carregado de afectividade. A convivência com professores, colegas, ou outras pessoas, e a participação no grupo exigem a adopção de condutas reguladas por normas bem diferentes das que regiam o grupo familiar.

A exploração, a descoberta, a procura e a invenção ocupam a criança num sem-número de actividades de acordo com os seus gostos ou metas a atingir.

Durante este período de acalmia sexual, a criança assume atitudes, manifesta sentimentos e desenvolve actuações de modo a cumprir o que se espera dela. Deseja obter sucesso na escola ou noutras actividades, procurando tornar-se uma espécie de “criança-modelo” bem comportada, e apreciada pelos pais, professores e amigos.

De acordo com a teoria freudiana, o aparelho psíquico, constitui pelas três instancias – id, ego e superego-, está completamente organizado nesta fase, pelzo que a estrutura da personalidade se encontra praticamente formada. No estádio seguinte, o desenvolvimento psicossexual esta terminado.

ESTÁDIO GENITAL

(Depois da puberdade)


Ao período de uma sexualidade latente sucede-se um estádio em que a sexualidade desperta de novo e com grande intensidade. Isso deve-se ao fenómeno de maturação orgânica e os impulsos desencadeados pela consequente produção de hormonas sexuais.
Para Freud, este estádio é uma repetição dos precedentes, pelo que se reactivam os conflitos vividos na infância. O complexo de Édipo é revivido pelo o adolescente de uma forma muito especial. O amor vivido no período fálico em relação ao progenitor do sexo oposto é agora canalizado para uma atracão hetorossexual por pessoas alheias ao universo familiar. A satisfação dos impulsos da libido é agora procurada pela pratica de actividades sexuais de natureza genital.

Os jovens, rapaz e raparigas que atingem este estádio após terem resolvido os conflitos inerentes às fases anteriores, estão preparados, a partir de agora. Não só para o exercício de actos ligados à reprodução, como também para assumir as responsabilidades da idade adulta.

Segundo Freud, não há fixação neste período, dado ser a ultima etapa do desenvolvimento psicossexual.



CRÍTICAS AO DESENVOLVIMENTO PSICOSEXUAL


  • Afirmação de Freud sobre a existência de uma sexualidade infantil e, implicitamente, a expansão que se fez na noção de sexualidade.



  • que Freud "neurotizou" a sexualidade ao relacioná-la com conceitos como incesto, pervesão e transtornos mentais.



  • o padrão de desenvolvimento proposto por Freud não é universal nem necessário no desenvolvimento da saúde mental, qualificando-o de etnocêntrico por omitir determinantes sócio-culturais.



  • Uma das mais severas críticas sofridas pelo método psicanalítico foi feita pelo filósofo da ciência Karl Popper. Segundo ele, a psicanálise é pseudociência, pois uma teoria seria científica apenas se pudesse ser falseável pelos fatos, citando o exemplo do "Complexo de Édipo".

  • Para ele, Freud afirmava que esse complexo era universal, mas com que base de dados chegou a essa conclusão : Na época da formulação da psicanálise, a sua "amostra" era bastante limitada; parte dela vinha de sua experiência subjectiva (a sua "auto-analíse“) e da sua prática clínica, feita na maioria das vezes com pacientes burgueses de uma Áustria vitoriana.

Ou seja: uma amostra retirada de contextos bem específicos e que não podem fundamentar a universalidade pretendida pelo autor.

Embora as características de cada uma destas fases estejam amplamente difundidas nos meios de comunicação, de tal forma que os pais possam reconhecer as manifestações desta sexualidade em seus filhos, persiste ainda muito equívocos na forma como eles lidam com esta questão. É comum encontrarmos pais que se espantam ao se defrontarem com seus filhos a masturbarem-se, ou que explicam com meias verdades as clássicas perguntas infantis sobre a origem dos bebés. A sexualidade na criança nasce masculina - feminina, macho ou fêmea, futuramente que será homem ou mulher. Entram factores culturais para modelar. Durante a infância ocorre desenvolvimento de jogos corporais onde as crianças vão se descobrindo e amadurecendo.



CONCLUSÃO

Com este trabalho podemos chegar a conclusão, de como reprimir a sexualidade da criança é reprimir seu corpo, que se constitui na base real do seu próprio ser, sua relação consigo mesma e sua personalidade. Porque afinal, não existe uma separação entre sexualidade infantil e sexualidade adulta. Existe sim uma ligação única e uma continuidade entre elas, ou seja, são inseparáveis e consequentes.

Muitos dos problemas psicopatológicos da idade adulta de que trata a Psicanálise têm as suas raízes, as suas causas, nas primeiras fases ou estádios do desenvolvimento.

  Para que possamos orientar e ajudar nossos filhos, alunos e a nós mesmos a lidar com a própria sexualidade é imprescindível compreender como apontou Freud as fases do desenvolvimento psicossexual.



BIBLIOGRAFIA

Teoria Psicossexual de Freud

Memoria e as suas operações

Psicologia do desenvolvimento



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