Tema: as cotas nas instituiçÕes de ensino superior em caruaru-pe



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AS COTAS NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR EM CARUARU-PE: PERCEPÇÃO DE PROFESSORES E ALUNOS DO ENSINO MÉDIO.
DANÚBYA RAPHAELLY MARIA DE BRITO¹; ANNE CAROLLINE PROCÓPIO SOARES²; EUDA CLÉLIA TORRES COSTA (Orientadora do Projeto de Iniciação Cientifica do Ensino Médio)³; IUNALY FELIX DE OLIVEIRA (Co-orientadora)4.

¹ Colégio Diocesano de Caruaru. (dany_brito@hotmail.com)

² Colégio Diocesano de Caruaru.

³ Colégio Diocesano de Caruaru.



4Universidade Federal de Pernambuco – UFPE / Centro Acadêmico do Agreste – CAA.

RESUMO: O trabalho apresenta a percepção de alunos e professores do ensino médio sobre o sistema de cotas para negros, bem como a posição de quatro representantes de instituições de ensino superior de Caruaru-PE acerca do tema em questão, tendo como objetivos verificar se as instituições de ensino superior adotam esse sistema e mapear a posição de estudantes e professores do ensino médio. Optamos pela abordagem qualitativa de pesquisa baseadas em GONÇALVES (2001). Para coleta de dados, utilizamos como instrumentos conversas informais, levantamento de estudos sobre o tema e aplicação de questionários. Numa breve observação dos dados coletados, verificamos que os alunos do Ensino Médio (incluindo brancos e negros) são contra o sistema, eles acreditam que isso irá alimentar a discriminação na sociedade; já em relação aos professores, parte deles vê o sistema de cotas com dois lados: um positivo e o outro negativo, embora outra parte dos professores afirme ser contra. Por fim, nas quatro instituições de ensino superior estudadas, vimos que nenhuma adota o sistema.

PALAVRAS-CHAVE: Cotas, Negros, Ensino superior.

INTRODUÇÃO: O sistema de cotas para negros na universidade é um tema polêmico que divide posições. Na sociedade, estima-se que a maioria da população pobre é negra, tornando difícil o ingresso desses estudantes nas instituições de ensino superior, tendo em vista as difíceis condições econômicas, sociais e culturais vividas por esta população. Diante desse quadro, ficou estabelecido o sistema de cotas para negros, que destina um percentual das vagas para esses estudantes. Algumas pessoas acreditam que não se pode vencer o preconceito distinguindo a cor branca da cor negra, pois assim estará alimentando uma discriminação por ambas as partes. Sendo assim, buscaremos, no decorrer de nossa pesquisa, apresentar a posição de estudantes e professores do Ensino Médio sobre esse sistema e relatar se as instituições de ensino superior da cidade de Caruaru-Pe adotam esta prática, procurando respostas para o seguinte problema: o sistema de cotas para negros na universidade - qual a percepção de representantes das instituições de ensino superior, dos professores e dos alunos do ensino médio no município de Caruaru-Pe? Objetivamos com o desenvolvimento de nosso trabalho verificar se as instituições de ensino superior, adotam o sistema, como ele se desenvolve e qual a percepção de professores e alunos do Ensino Médio de uma escola privada sobra a temática “cotas para negros”.

MATERIAL E MÉTODOS: Para a construção desse trabalho, optamos por uma abordagem qualitativa de pesquisa, pois, segundo GONSALVES (2001) esse tipo de pesquisa “preocupa-se com a compreensão, com a interpretação do fenômeno, considerando o significado que os outros dão às práticas” (p.68). Para a coleta de dados utilizamos como instrumentos conversas informais, levantamento de estudos teóricos sobre o tema e aplicações de questionários. Para preservar a identidade dos sujeitos pesquisados atribuiremos para os alunos: A1, A2, A3, A4, A5, para os professores: P1, P2, P3, P4, P5 e para representantes de ensino superior: IES1, IES2, IES3, IES4. Buscando respostas para nosso problema, analisaremos as posições de representantes de quatro instituições de ensino superior de Caruaru-Pe, bem como de cinco professores do ensino médio e também cinco estudantes, totalizando 14 sujeitos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Tomamos como referência uma amostragem de 14 sujeitos da pesquisa, sendo 05 alunos do Ensino Médio de uma escola de rede particular, 05 professores do Ensino Médio e 04 representantes das instituições de Ensino Superior (sendo 02 públicas e 02 privadas). Ao fazermos considerações parciais dos dados coletados, visto que a pesquisa não se encontra concluída, tivemos o seguinte resultado: 100% das instituições de Ensino Superior não utilizam o sistema de cotas para negros, uma delas (privada) utiliza o PROUNI (Programa do Governo Federal criado para que alunos de escola pública tenham acesso à bolsa de estudo no Ensino Superior Privado). Segundo o representante da IES 2, “Utilizamos o PROUNI, o aluno sendo selecionado pelo MEC, não importa se ele é negro, pobre ou índio”. ( IES – 2,maio, 2008). As duas instituições públicas afirmaram adotar critérios próprios para a disponibilidade das vagas, conforme identificamos nas palavras do representante da IES 4: “A Universidade pública têm critérios próprios. Adotamos 20% para a entrada de alunos de escolas públicas para o vestibular” ( IES – 4, maio, 2008). Em outra instituição privada (IES – 1, maio, 2008), não se adota nenhum sistema de cotas, nem o PROUNI, mas afirma o representante: “Tem um número grande de projetos sociais adotados pelos bolsistas e é opcional adotar ou não o PROUNI”. (IES – 1, maio, 2008). No que diz respeito ao conhecimento sobre a legislação que regulamenta as cotas para negros, 100% das instituições mostraram não conhecer, embora uma delas afirme que sim e cita o PROUNI-MEC como exemplo disso. Em relação à posição dos 05 professores do Ensino Médio de uma escola privada da cidade de Caruaru-Pe, apresentada nas respostas concedidas ao questionário (ver grelhas de análise em anexo), verificamos que 02 deles são contra o sistema de cotas de cotas para negros. O professor P3 afirma que: “Essa não é uma política racional no Brasil” (P3, junho, 2008). Em concordância com as palavras do P3, MARTINS (2008), explicita que:
A proposição do regime de cotas é apenas uma indicação dos sintomas de nossas enfermidades sociais. Mas dificilmente será o remédio, enquanto a máquina da poderosa exclusão continuar funcionando e a sociedade e o Estado se mostrarem tão pouco criativos no diagnóstico e na solução. (MARTINS, 2008).
O sistema de cotas para negros nesse sentido não estaria contribuindo para minimizar a questão da exclusão e do preconceito em relação a essa população. Identificamos numa análise parcial dos dados que 100% dos professores pesquisados acreditam que o sistema de cotas alimenta o preconceito em relação aos negros na sociedade. Fazendo referência à terceira questão, em que os professores iriam demonstrar seu conhecimento sobre alguma Lei que regulamenta esse sistema, apenas 1 cita a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96) como fundamento para o sistema em questão. Quanto aos questionários para 5 estudantes do Ensino Médio de uma escola privada da cidade de Caruaru – Pe, verificamos que 4 deles afirmam que: o sistema de cotas para negros facilita a entrada nas universidades. Apenas 1 explica que esse sistema admite que para 100 alunos que entrem na universidade, 30 sejam da cor negra.

Ao serem questionados sobre se o sistema de cotas alimenta o preconceito na sociedade, a maioria dos nosso sujeito afirmou que sim. Destacamos a resposta de A1:


Alimenta, é uma questão de não se sentir capaz de entrar numa faculdade, como os outros. Se tivesse de haver, deveria ser para escolas públicas, pois cor não determina inteligência. (A1, junho, 2008).
De acordo com as palavras de A1, fica claro que, ao adotar esse sistema, reduz-se a capacidade cognitiva de uma pessoa à coloração de sua pele, como se os negros não tivessem inteligência como os brancos.

Um outro estudante chama a atenção para a questão dos direitos humanos ao relatar que esse sistema de cotas viola o direito que é assegurado pela Constituição Federal: “Sou contra, pois vivemos em uma sociedade que defende os direitos iguais para todos”(A3, junho, 2008). Em referência à Constituição, o artigo 5º prevê que:


Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. ( Brasil, 2003).

.

Entendemos que, diante de uma sociedade que propõe um tratamento igualitário para todos os sujeitos que dela participam, a criação desse sistema vai contra os princípios descritos na Lei Magna do país.



CONCLUSÃO: Com base nos dados coletados e nas análises até então realizadas, visto que a pesquisa ainda não se encontra concluída, apresentaremos nosso parecer inicial do tema tratado em nosso trabalho. Constatamos que as quatro instituições de ensino superior, contempladas em nosso trabalho não adotam o sistema de cotas para negros, mas duas delas utilizam o programa do Governo Federal PROUNI e também promovem projetos sociais para disponibilizar bolsas de estudos para estudantes carentes. Com relação aos alunos, todos explicitaram serem contra esse sistema e afirmam que isso só faz aumentar o preconceito em relação aos negros na nossa sociedade. Quanto aos professores do Ensino Médio, verificamos que suas posições são semelhantes às dos alunos. Eles atentam também para a questão da igualdade entre as pessoas, pois, segundo eles, com esse sistema esse direito estaria sendo violado. Entendemos que os direitos devem ser iguais para todos os alunos, pois a cor da pele não é um determinante da capacidade intelectual de ninguém, salientamos também que projetos que promovam o ingresso de estudantes de escolas públicas no ensino superior são necessários para que haja igualdade de oportunidades em relação aos alunos de escolas particulares. Acreditamos que o nosso trabalho venha a instigar os estudantes e profissionais do Ensino Médio, bem como os representantes de instituições de ensino superior, para a questão do sistema de cotas para negros. Esperamos que, com o nosso trabalho, outros estudantes possam se interessar por esse tema tão polêmico que merece uma revisão nos conceitos de igualdade de oportunidades.

AGRADECIMENTOS: Profª Maria Aleir R. Galvão ( idealizadora do Projeto de Iniciação Científica no Ensino Médio); Profª Maria Joselma do N. Franco ( Assessora); Euda Clélia T. Costa ( orientadora).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Constituição da república federativa do Brasil/ editado por Antônio de Paulo-13ª ed. - Rio de Janeiro: DP & A,2003.
GONSALVES, Elisa Pereira. Tipos de pesquisa segundo a natureza dos dados. IN: GONSALVES, Elisa Pereira. Iniciação à pesquisa científica. Campinas, SP: Editora Alínea, 2001.
MARTINS, José de Souza. Cota para negros na universidade. Acesso em: 21 mai. 2008. Disponível em
Anexo I
QUESTIONÁRIO PARA REPESENTANTES DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

1°-A referida instituição adota o sistema de cotas para negros? A partir de que ano?


2°-Que critérios são utilizados?
3°-Todas as pessoas da instituição foram a favor ou teve algum questionamento?
4°-Atualmente quantos alunos foram contemplados nessa instituição?

Anexo II
QUESTIONÁRIO PARA OS PROFESSORES DE ENSINO MÉDIO DE UMA ESCOLA PRIVADA

1°-Como você avalia o sistema de cotas para negros?


2°-Em sua opinião, esse sistema minimiza ou alimenta o preconceito em relação aos negros na sociedade?

Anexo III
QUESTIONÁRIO COM ALUNOS DE ENSINO MÉDIO DE UMA ESCOLA PRIVADA

1°-O que você sabe sobre o sistema de cotas?


2°-Em sua opinião esse sistema minimiza ou alimenta o preconceito em relação aos negros na sociedade?
3°-Qual sua opinião sobre o sistema é a favor ou contra? Justifique.

ANEXO IV
GRELHA DE ANÁLISE – I: QUESTIONÁRIO DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DE CARUARU – PE.


QUESTÕES→

INSTITUIÇÕES↓

1-A referida instituição adota o sistema de cotas para negros? A partir de que ano?


2-Que critérios são utilizados?


3-Todas as pessoas da instituição foram a favor ou teve algum questionamento?


4-Atualmente quantos alunos foram contemplados nessa instituição?



IES – 1


Não. Adota o PROUNI. Tem projetos sociais realizados pelos bolsistas.

Não adota esse sistema.

Não

Nenhum, porque não adota.

IES – 2


Não. O aluno sendo selecionado pelo MEC, não importa se ele é negro, pobre ou índio. E temos o PROUNI desde 2005.


As instituições em geral têm critérios próprios para adotar esse sistema.


Não há restrição sobre o sistema adotado pelo MEC no PROUNI.


Não. O número que existe é do PROUNI que envolve negros, índios e pobres.


IES – 3


Não. Adotamos critérios próprios. 20% para a entrada de alunos de escolas públicas.

Ele vem do MEC.

Não.

Não.

IES – 4


Não. Temos critérios próprios, 20% da nota de entrada para alunos da escola pública.

Não adota esse sistema.

Não.

Não.


Anexo V
GRELHA DE ANÁLISE – II: QUESTIONÁRIO PARA OS PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO DE UMA ESCOLA PRIVADA

QUESTÕES→

SUJEITOS↓

1- Como você avalia o sistema de cotas para negros?


2- Em sua opinião, esse sistema minimiza ou alimenta o preconceito em relação aos negros na sociedade?


P1


Não deveria existir, pois os direitos são iguais.


Alimenta.




P2

Errado e certo ao mesmo tempo, pois é uma forma de diminuir a concorrência e pro outro lado é uma forma de discriminação.

Alimenta, principalmente os necessitados.



P3

Que essa não é uma política racional no Brasil, por isso sou contra.

Alimenta.



P4

Tem o lado positivo e o negativo; o positivo é que facilita a vida dos negros e o negativo é que irá haver discriminação.

Alimenta, pois há discriminação.


P5


Parcialmente a favor, pois é uma forma de acordar o Brasil de que não há negros nas universidades, mas é uma forma equivocada de fazer isso.


A forma ainda precisa ser melhorada.




Anexo VI
GRELHA DE ANÁLISE –III: QUESTIONÁRIO COM ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DE UMA ESCOLA PRIVADA

QUESTÕES→

SUJEITOS↓

1- O que você sabe sobre o sistema de cotas?


2- Em sua opinião esse sistema minimiza ou alimenta o preconceito em relação aos negros na sociedade?


3- Qual sua opinião sobre esse sistema? É a favor ou contra?

Justifique.

A 1



Que esse sistema dá 20% aos negros ou descendentes a mais na prova do vestibular para entrar na faculdade.



Alimenta, é uma questão de não se sentir capaz de entrar numa faculdade como os outros. Se tivesse de haver, deveria ser para escolas públicas, pois cor não determina inteligência.


Contra, porque a cor não

determina inteligência.

A 2



Ele foi criado para facilitar a entrada de negros na universidade.


Alimenta a discriminação.


Contra, porque pode aprovar pessoas com notas inferiores

por causa da cor.

A 3



O sistema que dá direitos às pessoas que concluírem o Ensino Médio e têm a cor negra.


Alimenta, pois com o sistema de cotas para negros já é uma forma de preconceito para com eles mesmos.


Contra, pois vivemos em uma sociedade que defende os direitos iguais para todos.




A 4



(em branco) Facilita a entrada de negros na universidade.



Alimenta. É como se não houvesse igualdade entre brancos e negros.


Contra, porque também tem preconceito com os brancos e os direitos têm de ser iguais.


A 5



Há necessidade de ter 30% de pessoas negras na universidade


Alimenta de certa forma. É uma forma de demonstrar indiretamente que o negro não tem a mesma capacidade de entrar na faculdade como o branco.



Contra, porque se já existe muita disputa para o negro conseguir



um lugar na sociedade, agora com esse sistema piora.

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