Tema 3 – Desenvolvimento Sexual



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Módulo III
Desenvolvimento Afectivo e Social

Tema 3 – Desenvolvimento Sexual

Graças a Freud, pode-se considerar a sexualidade infantil como 1factor fundamental no desenvolvimento geral da criança e na estrutura do EU.



Características da Sexualidade da Criança

- Quando a criança nasce, os órgãos genitais já estão muito desenvolvidos e, durante as 1.as semanas, as glândulas sexuais funcionarão c/ intensidade. Mais tarde, os órgãos deixarão de crescer, pelo que aos 5anos serão bastante pequenos proporcionalm/ ao resto do corpo. Não voltarão a desenvolver-se outra vez até aos 12/ 13anos; o desenvolvimento parará quando o crescimento da criança culminar;

- A criança durante toda a sua infância, possui zonas erógenas; estas não se encontram só nos órgãos sexuais: mudarão de localização segundo a idade e desenvolvimento da criança (boca, ânus, etc.);

- A criança terá sensações de prazer em diferentes actos habituais e normais por ela, por ex., ao mamar, defecar ou ser acariciada pelos pais.
A sexualidade na criança é totalm/ distinta da do adulto, algumas das características que a diferenciam são:


  • O tamanho e a forma dos órgãos sexuais;

  • Falta de capacidade reprodutora nas crianças;

  • Diferente concentração hormonal no sangue (menor nas crianças);

  • O objecto de prazer da criança é o seu próprio corpo (prazer auto-erótico);

  • Na criança, a sexualidade tem apenas 1objectivo de prazer em si, nunca pode chegar ao coito;

  • A identidade sexual não está consolidada na criança (nem cognitivam/ nem a nível comportamental);

  • O motivo que leva a criança à actividade sexual é a curiosidade e a imitação, muito diferente do motivo que a provoca no adulto;

  • O acto sexual e a paixão não estão ainda bem definidos na infância.



Aquisição e Desenvolvimento da Identidade Sexual

- A criança elaborará a consciência de si própria como um ser único e distinto dos outros, ao mesmo tempo que elabora a sua identidade sexual (consciência do sexo a que pertence). Isto acontece através da identificação c/ os adultos do mesmo sexo que ela. No seu desenvolvimento as crianças vão adquirindo algumas regras ou comportamentos característicos do mesmo sexo, que, por sua vez, dependerão do contexto cultural.

O menino aprenderá a comportar-se como um homem e a menina como 1mulher: é o que chamamos de papel de género.




Fases do Desenvolvimento
Período pré-natal e recém-nascido

Os pais dão-lhe um nome, roupa, adornos para o quarto, brinquedos próprios de um determinado sexo. Os processos biofisiológicos de diferenciação sexual mais importantes acontecerão no período pré-natal.

- Durante o 1.º ano ou ano e meio:

Aprendem essas atribuições.
- Aos 2 ou 3anos:

Vêem-se como meninos ou meninas e associam estes géneros a objectos, roupas ou actividades.

Vêem como mais adequado por eles ou elas o que a sociedade lhes ensinou, o que é próprio de um sexo ou de outro.
- Dos 3 aos 6anos:

Associam o sexo às características ou aspecto externo, mais do que aos órgãos genitais.


- A partir dos 6anos até à puberdade:

Já são conscientes da identidade sexual e sabem que a sexualidade depende de aspectos biológicos. Distinguem entre identidade sexual (menino (a), homem/ mulher) e papel do género (comportamentos que, segundo à sociedade, são próprios de 1 sexo ou de outro).


Aprendizagem da identidade e papel sexual

- Através da observação de diferentes modelos do seu meio ambiente ou meio social a criança levará a cabo a aprendizagem da identidade sexual e do papel de género. Irá adquirindo estes modelos e diferenciando-os pouco a pouco através dos modelos dos adultos.

- Os adultos deverão contribuir para q a criança adquira 1papel de género, no qual, dentro das diferenças sexuais se incuta a igualdade entre os sexos, i.e., não há 1sexo superior ou inferior ao outro.
Na identidade ou papel sexual podem influir diferentes modelos:
- Modelos Reais:

As pessoas com quem tem contacto directo habitual ou frequente (pais, irmãos, educadores, etc.) influem na maior parte das suas aprendizagens por observação/ imitação.



- Modelos Intermediários:

Através dos brinquedos, da roupa, etc., chega às crianças informação sobre o papel que devem assumir na sociedade.


- Modelos Simbólicos:

Também lhes servirão de modelos os contos, os vídeos e programas de televisão, para aprender a sua identidade ou papel sexual.


- Modelos Exemplares:

As crianças tendem a identificar-se com personagens famosas ou heróis e copiam os seus comportamentos ou atitudes.



Teoria Psicanalítica de Freud sobre a Sexualidade Infantil

- Freud estudou o desenvolvimento da personalidade da criança baseando-se na evolução da sexualidade, que se refere às sensações de prazer, que as crianças experimentam; estas sensações vão-se desenvolvendo ao longo da vida até alcançarem a maturidade sexual.

- É através de 1impulso ou libido que a criança se sentirá movida à procura de prazer. Para que a criança possa alcançar 1personalidade madura e sã, deverá ir superando as diferentes etapas do desenvolvimento psicossexual.

- No desenvolvimento psicossexual da criança as fontes de prazer ir-se-ão deslocando de umas zonas erógenas para outras, de acordo com a idade.
Etapas do Desenvolvimento Sexual

Segundo as ideias de Freud e outros psicanalistas, distinguem-se várias fases no desenvolvimento sexual da criança:


Fase Oral (2 primeiros anos)

- Fonte de prazer inicial: boca (sucção: chupará quase o tempo todo em chupetas, dedos ou outros objectos).

Quando aparecem os dentes aparecerá o prazer de mordiscar tudo.
Fase Anal (dos 2 aos 4anos)

- Fonte de prazer: na eliminação ou retenção de fezes;

Zona erógena: ânus;

Para evitar conflitos psicológicos na criança deverá esperar-se pela maturação neurológica, para se iniciar a aprendizagem do controlo do esfíncter. O controlo da defecação ou micção pode ser usado pela criança como poder social, para manifestar aceitação ou o contrário, manifestar.


Fase Fálica (de 4 a 7anos)

- Manipulação dos órgãos genitais procurando sensações de prazer;

- São possessivos para com o progenitor do sexo oposto e pretendem satisfazê-lo, ao mm tempo que estabelecem rivalidade com o progenitor do mesmo sexo: Complexo de Édipo” no rapaz e “Complexo de Electra” na rapariga.
Fase de Latência (7 a 12anos)

- A criança nesta idade abre-se a interesses sociais e culturais e diminuirá a sua curiosidade de procura de prazer através de actividades sexuais, agora tem interesse e curiosidade pelo conhecimento do mundo. Pode-se dizer que o desenvolvimento de impulsos sexuais se detém um pouco até à puberdade, na qual as crianças sofrem importantes mudanças psicofisiológicas.


Fase Genital (a partir dos 12anos)

- Volta a interessar-se pela actividade sexual, mas desta vez mostra interesse pelas outras pessoas e basear-se-á em normas sociais.



Educação Sexual


Tipos de Perguntas sobre sexualidade

- Entre o ano e meio e os 3anos, a acriança descobre as diferenças anatómicas entre os sexos; por isso, as 1.as perguntas que faz são acerca disso.


Aos 3anos:

- Perguntas que se baseiam no interesse que a criança tem sobre os seus órgãos sexuais e os do sexo oposto.

“ Porque é que ele tem e eu não?”
3 – 4anos:

Perguntas sobre a origem dos bebés.

“De onde vêem os bebés?”
4 – 5anos:

Quando a criança já sabe que os bebés procedem de dentro da mãe, quererão saber por onde nascem.

“Como é que entrou na barriga?”

“Como é que vai sair da barriga?”


5 a 6anos:

Perguntas sobre o prazer sexual ao ver os adultos a demonstrar afecto.

“Como é que o papá coloca a semente na mamã?”
Respostas do adulto:

Algumas das qualidades que as nossas respostas devem ter são:



- Clareza

Para que as possa compreender com facilidade; se não as entender, ficará insatisfeita.


- Naturalidade

Encarar com a naturalidade tanto a pergunta que nos faz a criança como a nossa resposta, sem preocupações ou temores.


- Veracidade

A informação sexual que se dá as crianças nas respostas às suas dúvidas deverá ser verdadeira e exacta, não deformada.

A informação será proporcional ao tipo de pergunta da criança e ao grau de maturidade, mas sempre correcta.
Outras manifestações sexuais infantis

- As crianças não só mostram a sua curiosidade sobre a sexualidade com as suas perguntas, mas também a reflectem nos seus comportamentos e brincadeiras. Estes estarão baseados na exploração sexual e na imitação de papéis dos adultos.


Tipos de brincadeiras

- Adoptam papéis profissionais que se dedicam à exploração do corpo, como médicos, enfermeiros, etc;

- Brincadeiras de contacto corporal, como por exemplo, procurar um objecto que a criança perdeu para dentro da sua roupa, brincar ao “quarto escuro” – reconhecer outras crianças às escuras pelo contacto, etc;

- Brincadeiras de representação de personagens (casal de namorados, pai, mãe, etc.).


Actuação do adulto perante as manifestações sexuais da criança

- O adulto (pais ou educadores) vê a sexualidade infantil como 1necessidade natural nas crianças; a curiosidade e o prazer sexual como a base de todo o processo cognitivo;

- Não deve adoptar atitudes que possam bloquear a criança, devemos responder a todas a as perguntas de maneira já indicada: com simplicidade e de forma imediata, sem mostrar vergonha ou culpabilidade.

Educação Sexual no JI

A educação sexual actual baseia-se nos seguintes princípios:
- Reconhecimento da sexualidade infantil como 1factor chave para a formação do eu e para a estruturação da personalidade da criança nas relações com os outros e do seu meio afectivo;

- O prazer é 1factor importante na comunicação afectiva e social da criança com o seu ambiente;

- Separação entre sexualidade e genitalidade e sexualidade e procriação;

- Auto-Conhecimento físico e psicológico da criança, para que adquira autonomia, capacidade de se comunicar e criatividade;

- Correcta informação de todos os aspectos da sexualidade humana, para prevenir perturbações na criança que a poderiam afectar na sua vida sexual adulta;

- Reconhecimento das atitudes negativas e sexistas próprias de alguns adultos;

- Modificação de atitudes, prejuízos ou tabus que impedem a aceitação das diferenças entre pessoas;

Fomentar a igualdade sexual tanto na escola como em casa.


Os objectivos que se pretendem conseguir no JI
Relativam/ à anatomia e fisiologia sexual:

- Conhecer de forma elementar os órgãos sexuais e as diferenças entre os rapazes e as raparigas, sabendo correctamente o nome dos órgãos sexuais externos;

- Saber tudo o que está relacionado com o nascimento dos bebés.
Relacionados com as relações:

- Aceitação da brincadeira com outras crianças, cooperação e colaboração;

- Conhecimento elementar da sua história, do seu meio (desde o nascimento até aos 7anos, aproximadam/);

- Conseguir uma relação na qual a criança expresse os seus sentimentos, vivências e dúvidas;

- Reflexão dos motivos que podem levar a agir de maneira determinada a compreender as acções dos outros, embora não se pense da mesma forma.
10 Regras do Bom educador


  1. Embora as mensagens de discriminação sexual não dependam de nós, devemos suprimi-las em casa;

  2. Não há problema de 1rapaz aprender a cozinhar, a coser um botão ou pôr a máquina a lavar;

  3. Não se deve forçar os rapazes a brincar com bonecas nem as raparigas com carrinhos, mas sim ultrapassar o “isto é de meninas ou isto é de meninos” e permitir que todos os brinquedos sejam utilizados para ambos os sexos;

  4. Rejeitar terminantem/ todos os brinquedos, filmes, livros ou anúncios que fomentem a discriminação sexista;

  5. Não dar mais variedade de brinquedos aos rapazes, nem roupa, bijutaria ou adornos que não servem para brincar às raparigas;

  6. Não admirar especialmente as raparigas que utilizem ferramentas, e não gozar quando o rapaz quer cozinhar ou pede uma cozinha de brincar para o natal;

  7. Será muito valiosa a contribuição dos educadores quando realçam e elogiam as manifestações de ternura, sensibilidade, tacto, etc., por parte dos rapazes;

  8. É perfeitamente discutível que as raparigas sejam menos ágeis que os rapazes e menos fortes;

  9. As raparigas sofrem as consequências de estereótipos que encurtam e limitam as suas potencialidades, mas os rapazes sofrem com as exigências impostas pela sociedade aos “machos” que muitas vezes podem originar complexos;

  10. Todas as pessoas que intervém na educação devem facilitar a igualdade e não reproduzir os tradicionais papéis discriminativos.


Conteúdos da Educação Sexual

Estes serão abordados segundo os diferentes níveis de escolaridade ou idades e de acordo com a complexidade, interesses ou conteúdos próprios de cada idade.




Núcleos

Conteúdos

Identidade sexual,

Figura corporal,

Papel de géneros

ou comportamentos sexuais



Conhecimento do corpo sexuado;

Identidade sexual e papel do género;

Cuidados básicos do corpo;

Comportamento sexuais rapaz/ rapariga



Vínculos afectivos e família

Família e suas relações;

Casa e actividades domésticas.



Amigos e Colegas

Amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos.

Nossa origem

Reprodução, gravidez e parto;

Os pais e o cuidado dos bebés.



A linguagem

Palavras com as quais falaremos do corpo e suas funções.





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