Supremo terá audiência sobre sus



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PELO FIM DE UMA AGRESSÃO À ARTE DE CURAR



--- Walter Medeiros*
Auto-hemoterapia é uma técnica simples, em que, mediante a retirada de sangue da veia e a aplicação no músculo, ela estimula um aumento dos macrófagos (...) do organismo (...) que eliminam as bactérias, os vírus, as células cancerosas (...) eliminam inclusive a fibrina, que é o sangue coagulado (...) e resulta num estímulo imunológico poderosíssimo”. Dr. Luiz Moura
A auto-hemoterapia é praticada há mais de um século – desde o século XIX, tendo sido muito utilizada durante a Segunda Guerra Mundial e menos aplicada depois da descoberta da penicilina. Nunca, em nenhum momento, as autoridades de saúde brasileiras haviam adotado qualquer medida contra o seu uso nem alertaram a população sobre quaisquer efeitos adversos, até porque tais nunca foram encontrados nem relatados. Entretanto, em 2007, surgiram vários fatos, como a emissão de uma nota à imprensa pela Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia – SBHH, a edição de uma Nota Técnica pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA e a veiculação de matéria no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, entre outros.

As notas da COVISA E SBHH, que se mostram confusas e extemporâneas, são contrárias ao interesse da sociedade brasileira. A matéria do Fantástico, por sua vez, caracterizou-se como completamente tendenciosa. No momento, entretanto, o assunto vem à tona quando será levado a debate, por convocação do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, temas relativos ao SUS, entre eles o tópico que trata da “Obrigação do Estado de disponibilizar medicamentos ou tratamentos experimentais não registrados na ANVISA ou não aconselhados pelos Protocolos Clínicos do SUS”. Este tema inclui, portanto, a auto-hemoterapia, cuja prática vem sendo tratada de forma arbitrária e autoritária pelos órgãos sanitários do Brasil.


CONDENAÇÃO ANTECIPADA

Estávamos acostumados a ver as instituições considerarem supostamente inocentes os acusados antes da apuração total das provas e possível condenação. Esta situação leva inclusive à concessão de medidas de proteção, como liminares, no âmbito do Poder Judiciário. No entanto, a ANVISA condenou a terapia sem antes saber se havia motivos para tal. Em seguida, ao invés de apurar por meios próprios, pediu parecer do Conselho Federal de Medicina – CFM, mesmo já tendo emitido nota abordando - embora de forma enviesada - todos os aspectos da questão. Quando o parecer foi recebido, nenhum efeito teve para aquele órgão, que já condenara. Aí veio nova condenação, através de um parecer superficial e incompleto, feito por uma única pessoa. Tal parecer começou, inclusive a ser desfeito quando o próprio CFM anunciou que o Tampão Sanguíneo Peridural - um dos tipos de auto-hemoterapia - tem comprovação científica e pode ser utilizado pelos médicos brasileiros.


Observemos, então, as datas dos acontecimentos:

13.04.2007 – ANVISA emite Nota Técnica completamente discutível, que dá margem a dúvidas sobre a permissão ou não do uso da auto-hemoterapia, nunca antes questionada, e sem apresentar nenhuma justificativa científica para o seu não uso.

24.04.2009 – Fantástico aborda o assunto, com declarações raivosas dos presidentes do Conselho Federal de Medicina, Edson Andrade e da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, Carlos Chiattore.

07.12.2007 – O Conselho Federal de Medicina – CFM publica o parecer dado pelo médico Munir Massud, em resposta a consulta feita pela ANVISA.


INVERSÃO

A ANVISA já havia manifestado posição e resolveu consultar o CFM. Aqui, parece que os papéis estão invertidos ou de cabeça para baixo. Ao invés de, como órgão governamental, determinar aos profissionais de saúde o que seria ou como seria o procedimento em suas atividades, o órgão governamental efetua a consulta sobre algo que, aliás, já havia decidido. Pois em certo momento a ANVISA informou que o Parecer do CFM embasaria sua decisão; mas posteriormente revelou que a sua decisão estava tomada desde o dia 13.04.2007, quando emitiu a Nota Técnica – cerca de oito meses antes, portanto.

Juridicamente, cabe pedir a determinação para que o Ministério da Saúde e quaisquer outras instituições da área parem de cercear o direito dos cidadãos a utilizar a técnica denominada auto-hemoterapia, uma vez que não existe nenhuma lei que a proíba. É justo também que seja determinado ainda às autoridades que promovam ações para compilar, codificar e esclarecer os efeitos da auto-hemoterapia na cura de inúmeras doenças citadas em trabalhos científicos e em testemunhos de cidadãos. Estes testemunhos ocorrem em volume tal que não pode ser ignorado pelas autoridades nem considerado como simples afirmações leigas isoladas. Trata-se de algo muito significativo. É o que a sociedade brasileira espera da discussão no Supremo Tribunal Federal – STF.
REPERCUSSÃO

A atitude drástica, injustificada e enviesada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, do Conselho Federal de Medicina - CFM e da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia – SBHH declarando proibida a auto-hemoterapia nos serviços de saúde do Brasil vem se mostrando cada vez mais absurda. A cada dia cidadãos de credibilidade e competência a toda prova vêm se manifestando e mostrando ao País que as autoridades da saúde estão na contra-mão da história, com suas decisões arbitrárias. Somente nas últimas semanas alistamos três casos de manifestações importantes sobre auto-hemoterapia: o artigo “A prática da auto-hemoterapia no Brasil”, do Professor Douglas Carrara, Antropólogo; a série de artigos “Auto-Hemoterapia, Dr. Fleming e os antibióticos...”, do Dr. Jorge Martins Cardoso, Médico; e a matéria “Auto-hemoterapia: sem comprovação científica, técnica é aplicada em Araguari”, na qual o Dr. João Batista Caetano, Médico Hematologista diz que a ação de realizar a auto-hemoterapia não é ilegal.

Depois de fazer uma exposição completa sobre a auto-hemoterapia, o Professor Carrara afirma: “Para concluir, há que reclamar do descumprimento da missão primordial da ANVISA, que objetiva ‘proteger e promover a saúde da população garantindo a segurança sanitária de produtos e serviços e participando da construção de seu acesso.’”. Segundo o professor, “Além disso tal proibição impede as pessoas de realizarem a livre escolha dos serviços de saúde, infringindo o direito do consumidor (Lei 8078/90).”. Encerando, conclama: “Enfim convidamos os cidadãos brasileiros violentados em seu direito à saúde garantido pela Constituição Federal de 1988 a assinarem o abaixo assinado dirigido ao Presidente da República e ao Ministro da Saúde em http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/assinar/736”.
DEMOCACIA

Em trecho de um dos seus brilhantes artigos, o Dr. Jorge Martins Cardoso assevera que “os médicos Dr. Jésse Teixeira, Dr. Olívio Martins e Dr. Luiz Moura afirmam que a auto-hemoterapia também regula o sistema nervoso autônomo, trazendo benefícios para a nossa saúde. Sendo assim, entre as terapias que podem atuar no sistema nervoso autônomo, dispomos: da acupuntura, da eletroacupuntura, da auto-hemoterapia, da homeopatia e da alopatia (drogas, remédios, fármacos, multinacionais, etc.). (...) Todavia, por enquanto, focalizemos nosso microscópio óptico nessas terapias, conquanto, exceto a auto-hemoterapia e a eletroacupuntura, as demais já são do conhecimento público”. Então ele indaga: “Pensado no seu bolso, no meu bolso, no nosso bolso, qual a terapia mais barata, a de menor custo? E, pensando na sua saúde, na minha saúde, na nossa saúde, qual a terapia mais eficaz e menos nociva?” E explica: “Pois é, simpáticos leitores e muito simpáticas leitoras. É só pensar e escolher, conscientemente, livremente e por que não dizer, o tão em voga, democraticamente...”

Por outro lado, em 22 de janeiro de 2009 o jornal Gazeta do Triângulo publicou a matéria “Auto-hemoterapia: sem comprovação científica, técnica é aplicada em Araguari”, na qual o Hematologista João Batista Caetano, que possui 32 anos de profissão, afirma que a ação de realizar a auto-hemoterapia não é ilegal, somente o será, na medida em que for aplicada em uma farmácia ou em um hospital, visto que para a realização de qualquer procedimento nesses lugares é preciso prescrição médica.” A matéria cita os mesmos textos de lei que a ANVISA usou para alegar que a auto-hemoterapia poderia ser enquadrada como “infração sanitária”, mas que nós já comprovamos que não têm nada a ver, pois “ninguém será proibido de fazer nada senão em virtude da Lei”. Aqui eu mostro mais uma vez que a ANVISA está desnorteada. Por quê ela não apresenta nenhuma norma que afirme a proibição da auto-hemoterapia? A resposta todos sabemos: porque não existe nenhuma norma proibindo a auto-hemoterapia no Brasil. A proibição é, portanto, arbitrária.
APARATO LEGAL

As instituições e autoridades da Saúde precisam respeitar as normas da área, por assim não procedendo estarão ferindo o estado de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. Vejamos o que diz o Item 5 dos Princípios Adicionais para Pesquisa Clínica combinada a Cuidados Médicos da DECLARAÇÃO DE HELSINQUE 2000, da Associação Médica Mundial, que trata de Princípios Éticos para Pesquisa Clínica Envolvendo Seres Humanos:


No tratamento de um paciente, quando métodos profiláticos, diagnósticos e terapêuticos comprovados não existem ou foram ineficazes, o médico, com o consentimento informado do paciente, deve ser livre para utilizar medidas profiláticas, diagnósticas e terapêuticas não comprovados ou inovadores, se no seu julgamento, esta ofereça esperança de salvar vida, restabelecimento da saúde e alívio do sofrimento. Quando possível, estas medidas devem ser objeto de pesquisa, desenhada para avaliar sua segurança ou eficácia. Em todos os casos, as novas informações devem ser registradas e, quando apropriado, publicadas. As outras diretrizes relevantes desta Declaração devem ser seguidas”.
No descumprimento dessa norma, ao impedirem o uso da técnica, teríamos um rol de autoridades coatoras, das quais podemos citar inicialmente as três principais: 1. Diretor-Presidente da ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Dirceu Raposo de Mello - SEPN 515, Bl.B - Edifício Ômega Brasília -DF - CEP: 70.770-502; 2. Presidente do Conselho Federal de Medicina - Edson de Oliveira Andrade - Conselho Federal de Medicina - SGAS 915 - Asa Sul - Brasília - DF – Brasil - CEP: 70390-150; e 3. Presidente da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia - Carlos Sérgio Chiattone - Rua da Assembléia, nº 10, salas 1.702 a 1.704 – Centro – Rio de Janeiro/RJ – CEP: 20.011-901.

O fato que as caracterizam como autoridades coatoras, são suas ações que impedem a prática da auto-hemoterapia, sem base legal ou motivo que justifique.


PENA DE MORTE

Os serviços públicos de saúde no Brasil vêm demonstrando-se insuficientes para atender às necessidades do povo, e por outro lado está difícil de combater - mesmo em serviços privados - algumas doenças que acometem parte considerável da população. Uma alternativa que vem dando certo é a auto-hemoterapia. Mas por conta de um parecer cheio de dúvidas e claramente tendencioso, a sua prática está proibida, mesmo não existindo nenhuma lei que a considere criminosa ou nociva. Com isto, além de não garantir assistência médica a quem precisa, agora uma decisão administrativa autoritária começa a fazer os adeptos da referida terapia morrerem à míngua.

Para ter uma idéia do que está ocorrendo e rapidamente poderá ganhar uma dimensão assustadora, um dos adeptos da auto-hemoterapia se pronuncia com tristeza, desolação e inconformismo com a injustiça. Tudo porque o dono de farmácia, seu amigo, que fazia as aplicações nele e em sua família, anunciou que não vai mais arriscar o seu comércio ser fechado nem quer parar na cadeia por fazer aquilo que seu coração mole permitia fazer. Desde então ele diz não a todos, sem exceção. A partir dali ele ficou sem condições de continuar o tratamento através da auto-hemoterapia, por conta de um concorrente que denunciou o fato.

Aquele cidadão se diz muito revoltado, entre outros motivos, por ver a distribuição de seringas para as pessoas usarem drogas ilegais, dando como desculpa a prevenção da AIDS. Mostra que se estivesse fazendo uso de drogas ilegais ou sendo promíscuo com suas atividades sexuais, teria apoio do Ministério da Saúde, que também distribui as camisinhas e os milhões de saches de gel para atos sexuais confortáveis.

O parecer do Conselho Federal de Medicina sobre a prática da auto-hemoterapia, ao invés de esclarecer mostra uma série de dúvidas, mas reage cegamente à realidade atual, onde cidadãos de todos os recantos do Brasil estão se beneficiando do tratamento, numa cruzada clandestina em defesa da própria saúde e vida. Ignorar que a auto-hemoterapia é uma questão da ordem do dia que precisa ser resolvida com responsabilidade institucional continua sendo tentativa de tapar o sol com a peneira. Existe uma ânsia cega de condenar antes de avaliar e pensar, por parte dos Conselhos de Medicina – não os médicos, pois encontramos médicos que querem que haja um aprofundamento do estudo do assunto, para a técnica ser aplicada de acordo com protocolos cujas bases já estão praticamente estabelecidas.
O QUE É AUTO-HEMOTERAPIA?

Conforme explica o médico carioca Luiz Moura, que trabalha com a auto-hemoterapia há mais de quarenta anos, ela “é uma técnica simples, em que, mediante a retirada de sangue da veia e a aplicação no músculo, ela estimula um aumento dos macrófagos, que são, vamos dizer, a Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana) do organismo.

Os macrófagos é que fazem a limpeza de tudo. Eliminam as bactérias, os vírus, as células cancerosas, que se chamam neoplásicas. Fazem uma limpeza total, eliminam inclusive a fibrina, que é o sangue coagulado. Ocorre esse aumento de produção de macrófagos pela medula óssea porque o sangue no músculo funciona como um corpo estranho a ser rejeitado pelo Sistema Retículo Endotelial (SRE). Enquanto houver sangue no músculo o Sistema Retículo Endotelial está sendo ativado. E só termina essa ativação máxima ao fim de cinco dias.

A taxa normal de macrófagos é de 5% (cinco por cento) no sangue e, com a auto-hemoterapia, nós elevamos esta taxa para 22% (vinte e dois por cento) durante 5 (cinco) dias. Do 5º (quinto) ao 7º (sétimo) dia, começa a declinar, porque o sangue está terminando no músculo. E quando termina ela volta aos 5% (cinco por cento). Daí a razão da técnica determinar que a auto-hemoterapia deva ser repetida de 7 (sete) em 7 (sete) dias.

Essa é a razão de como funciona a auto-hemoterapia. É um método de custo baixíssimo, basta uma seringa. Pode ser feito em qualquer lugar porque não depende nem de geladeira - simplesmente porque o sangue é tirado no momento em que é aplicado no paciente, não há trabalho nenhum com esse sangue. Não há nenhuma técnica aplicada nesse sangue, apenas uma pessoa que saiba puncionar uma veia e saiba dar uma injeção no músculo, com higiene e uma seringa, para fazer a retirada do sangue e aplicação no músculo, mais nada. E resulta num estímulo imunológico poderosíssimo”.
QUEM PROIBIU A AUTO-HEMOTERAPIA?
A população brasileira está vivendo uma situação incomum que, em decorrência de um processo de incomunicação está causando prejuízos aos usuários e defensores da Auto-hemoterapia. O uso da técnica não está expressamente proibido, mas uma sucessão de fatos deixou no ar essa impressão.

Em meio àqueles fatos a ANVISA divulgou a Nota Técnica, na qual, entre outras afirmações, diz que “O procedimento ‘auto-hemoterapia’ pode ser enquadrado no inciso V, Art. 2º do Decreto 77.052/76, e sua prática constitui infração sanitária, estando sujeita às penalidades previstas no item XXIX, do artigo 10, da Lei nº. 6.437, de 20 de agosto de 1977”. Em seguida, determina que “As Vigilâncias Sanitárias deverão adotar as medidas legais cabíveis em relação à referida prática”.


MEDIDAS LEGAIS

Quando alguém cita um texto de lei e vincula seu conteúdo ao assunto em discussão, é normal que se ache tratar-se de algo correto, ainda mais quando a citação é feita por órgão público do Governo Federal. Entretanto, uma busca mais acurada é o suficiente para detectarmos possíveis enganos capazes de transformar as afirmações da Nota Técnica no que se refere à legislação em algo sem nenhum significado.

Na medida em que a informação divulgada na imprensa através de espaços publicitários do Governo Federal e dos Conselhos de Medicina deixavam dar a entender que se tratava de uma proibição, pouca atenção era dada a estes detalhes. E não havia interesse da ANVISA ou do CFM de esclarecer que a auto-hemoterapia não está legalmente proibida, pois não existe nenhuma lei que a cite como atividade nociva à sociedade.
NADA CONTRA

Para não deixar de capitular o procedimento nem que fosse de forma tangencial, a ANVISA citou em sua nota técnica, como vimos o Decreto 77.052/76 e a Lei 6.437/77. Pois bem: sabe o que dizem aqueles textos legais?

1. O Decreto Nº 77.052, de 19 de janeiro de 1976, que dispõe sobre a fiscalização sanitária e dá outras providências reza, em seu Art. 2º que “Para cumprimento do disposto neste Decreto as autoridades sanitárias mencionadas no artigo anterior, no desempenho da ação fiscalizadora, observarão os seguintes requisitos e condições: (...) V - Métodos ou processos de tratamento dos pacientes, de acordo com critérios científicos e não vedados por lei, e técnicas de utilização dos equipamentos.”

Até aqui, nada proíbe a auto-hemoterapia. Se alegarem que precisa estar de acordo com critérios científicos, ela pode enquadrar-se por analogia no que dizem as resoluções do CFM que permitem práticas alternativas provisoriamente enquanto as pesquisas consolidam os procedimentos. No que se refere a vedação legal, não existe nenhuma lei tratando do assunto. E quanto a equipamentos, a auto-hemoterapia não necessita de nada além de seringas, garrotes, algodão e álcool.

2. A Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, por sua vez, “Configura infrações à legislação sanitária federal, estabelece as sanções respectivas, e dá outras providências”. Reza, no seu Art. 10, que “São infrações sanitárias: (...) XXIX - transgredir outras normas legais e regulamentares destinadas à proteção da saúde:”, estabelecendo Pena – de “advertência, apreensão, inutilização e/ou interdição do produto; suspensão de venda e/ou fabricação do produto, cancelamento do registro do produto; interdição parcial ou total do estabelecimento, cancelamento de autorização para funcionamento da empresa, cancelamento do alvará de licenciamento do estabelecimento, proibição de propaganda”.

Como se vê, também nesta Lei citada pela ANVISA, nada enquadra a auto-hemoterapia. Vejamos porquê. Os princípios de direito são claros e inarredáveis. Não há crime sem lei que o preveja. Então como um órgão público federal trata de um assunto de forma tão genérica, ao ponto de tentar fazer um vínculo com o “transgredir outras normas legais e regulamentares destinadas à proteção da saúde”?.


ENQUADRAMENTO

O texto da Lei existe para ser utilizado com as outras normas legais. Para fazer enquadramento, a ANVISA precisaria dizer em quais normas legais estaria passível de punição a auto-hemoterapia. Muito claro, não?

Mas ainda foi incluído mais um item na Nota Técnica, o item 8, que diz:”As Vigilâncias Sanitárias deverão adotar as medidas legais cabíveis em relação à referida prática”.

Conforme vimos, para adotar as medidas legais cabíveis será necessário informar em quais leis o assunto estaria enquadrado. E na legislação brasileira o assunto ainda não foi capitulado.

Para não deixarmos sem abordar mais um aspecto da incomunicação da ANVISA em sua Nota Técnica nº 1, de 13 de abril de 2007, lembremos que ela justifica a criação do documento citando “os questionamentos recebidos pela Gerência de Sangue e Componentes – GGSTO/ANVISA, sobre a prática denominada de ‘auto-hemoterapia’” e logo no seu primeiro item adianta: “1. A prática do procedimento denominado auto-hemoterapia não consta na RDC nº. 153, de 14 de junho de 2004, que determina o regulamento técnico para os procedimentos hemoterápicos (...)”. Pois bem: não consta, mas bem que poderia constar. Esta pode ser a hora de fazer uma emenda àquele regulamento, para resolver muitos problemas de saúde pública no nosso país.
SALVO CONDUTO

Diante de tanta confusão, esperava-se que as autoridades adotassem providências visando corrigir esta situação, que vem causando prejuízos à população que utiliza ou defende o uso da auto-hemoterapia. O uso da técnica não vai de encontro aos tratamentos médicos convencionais, pois o próprio Dr. Luiz Moura recomenda que sejam mantidas as orientações e prescrições dos médicos assistentes.

Ademais, é preciso que o Governo Federal, através da ANVISA agilize o processo de decisão, observando que o Parecer do CFM foi feito de forma superficial e sem conteúdo suficiente para recomendar a proibição da prática da auto-hemoterapia. Ao contrário, que seja feita consulta pública e estimulada a realização de pesquisas que consolidem todas as práticas vitoriosas da auto-hemoterapia ao longo dos seus 100 anos de benefícios e curas.
"FRAUDE" FORJADA

A perseguição à auto-hemoterapia vem somar-se à realidade aonde o Brasil enveredou por um caminho triste, de banalização da violência e da criminalidade, que aos poucos vem ganhando espaço até nas instituições e na sociedade. A cada dia que passa o noticiário normal perde terreno para as notícias policiais, pois as informações sobre crimes estendem seus espaços no Jornal Nacional, Fantástico e tudo que é programa jornalístico. Mas no domingo, 22.04, a TV Globo superou toda banalização, ao tratar do assunto “Autohemoterapia”. A emissora passou a semana inteira divulgando uma chamada sobre uma terapia que está se popularizando e que para eles seria uma fraude.

Pois bem: assistimos a matéria completa e em nenhum momento foi apresentado qualquer elemento sério para caracterizar a autohemoterapia como “fraude”. No máximo uma mulher que dizia achar que poderia fazer mal, sem apresentar nenhum dado concreto. Ao contrário, o que se viu mesmo foi gente mostrando que faz a autohemoterapia e se dá bem e o próprio Secretário da Saúde de Olinda mostrando que a institucionalização da terapia existe, que faz uso e está patrocinando pesquisa a respeito, a despeito de reações de alguns Conselhos de Medicina.

Após o programa, foi realizado um Chat no site do Fantástico com o presidente da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, que não conseguiu esclarecer nada nem apresentou nenhum argumento sério contra a autohemoterapia. Apenas deu continuidade a uma manifestação pública de uma série de atitudes anti-éticas de médicos contra o Doutor Luís Moura, pois ele é o defensor da técnica, é médico, mas ao invés de tratarem do assunto no Conselho de Medicina, estranhamente levaram o assunto para a televisão.

O presidente da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, Carlos Chiattore, perguntado sobre os riscos da autohemoterapia, respondeu sem qualquer argumento que “Nós imaginamos as complicações...”. Entretanto, quando a pergunta dizia: “chegam-nos muitas informações de pessoas que foram beneficiadas pela prática da auto hemoterapia; tem, a SBHH, dados sobre casos que tiveram resultados desastrosos?”, aí ele confessa que não tem elementos científicos para comprovar. Ou seja, condena a técnica sem base científica, mas cobra a base científica para aprová-la.

Em outro momento, o Senhor Carlos Chiattore respondeu a um participante chamado Juninho que “Não há nenhuma comprovação.(sobre a técnica), Não sabemos os maleficios, não aprovamos esse procedimento.” Se ele não sabe de malefícios, como desaprovar o procedimento? Mais grave ainda, a pergunta de uma participante chamada Polly: “A auto-hemoterapia trouxe resultados. Por que a maioria da comunidade cientifica não foca as pesquisas nessa técnica? Isso abalaria a industria farmacêutica?”. Sem qualquer argumento, Carlos Chiattore simplesmente respondeu: “isso não faz o menor sentido.”



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