Sociedade brazilisense de doenças torácicas resenha 04 27/05/10 Título



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SOCIEDADE BRAZILISENSE DE DOENÇAS TORÁCICAS


Resenha 04 - 27/05/10

Título: Effect of azithromycin on pulmonary function in patients with cystic fibrosis uninfected with Pseudomonas aeruginosa: a randomized controlled trial.
Periódico: JAMA 2010;303(17):1707-1715.
Autores: Saiman L , Anstead M, Mayer-Hamblett N; et al.
Área de interesse: Infecção de vias aéreas inferiores. Fibrose cística.


Introdução/Objetivos: Infecção e inflamação causam destruição pulmonar progressiva em pacientes com fibrose cística, resultando em morte prematura. A azitromicina é um antibiótico também com ação antiinflamatória. Investigações prévias mostram redução das exacerbações, ganho de peso e melhora da função pulmonar em pacientes com fibrose cística e infecção crônica por P. aeruginosa. O estudo visou determinar se o uso da azitromicina beneficiaria pacientes pediátricos com fibrose cística sem infecção por P. aeruginosa.

Métodos: Estudo multicêntrico (40 centros nos EUA e Canadá), randomizado, duplo-cego, placebo controlado. Foram incluídos pacientes com fibrose cística entre 6 e 18 anos de idade, VEF1 de pelo menos 50% do previsto e com dois ou mais culturas negativas para P. aeruginosa no último ano antes da randomização. Desses, 131 receberam azitromicina (250 mg para pesos entre 18-35,9 kg e 500 mg quando ³ 36 kg) 3 vezes por semana e 129 receberam placebo, por 6 meses. O desfecho principal foi a variação do VEF1, enquanto os demais parâmetros espirométricos, variação ponderal, exacerbações infecciosas, uso de outros antimicrobianos, internações, tosse e secreção foram consideradas variáveis exploratórias.

Resultados: A média (dp) do VEF1 no início e final foram de 2,13 (0,85) e 2,22 L (0,86), para o grupo azitromicina e 2,12 (0,85) e 2,20 L (0,88), para placebo. Não houve diferença na variação do VEF1 entre os dois grupos (0,02 L; 95%IC, -0,05 a 0,08; P=0,61). Participantes do grupo azitromicina tiveram uma redução de 50% das exacerbações infecciosas (95%CI, -31% a -79%), um aumento no peso corporal de 0,58 kg (95%CI, 0,14-1,02), 23% menos tosse (95%CI, −33% a −11%), 11% menos de secreção (95%CI, −19% a −3%) e 27% (95%CI, −38% a −16%) menos de prescrição de novos antimicrobianos, em relação ao braço placebo.

Discussão/Conclusão: Em crianças e adolescentes com fibrose cística não infectados por P. aeruginosa, o tratamento com azitromicina durante 24 semanas não resultou em melhoria da função pulmonar. No entanto, tiveram menos exacerbações infecciosas, maior ganho ponderal, menos tosse e secreção, sem mais efeitos colaterais que o grupo controle.

Comentários: Esse é o maior estudo tentando discernir o efeito antiinflamatório e antimicrobiano de um macrolídeo em pacientes com fibrose cística. A utilização clínica dos macrolídeos como imunomoduladores se iniciou a partir de estudos japoneses da década de 1990 em doentes com panbronquiolite difusa, cuja sobrevida em cinco anos saltou de 8% para 92% naqueles colonizados por P. aeruginosa.1 O estudo em pauta não mostrou melhora da função pulmonar, considerado o desfecho primário. No entanto, os pacientes tinham doença pulmonar leve (VEF1 médio de 97% do previsto) e, mesmo assim, aqueles que receberam azitromicina exibiram redução significativa das exacerbações infecciosas, necessitaram de outros antimicrobianos e engordaram mais, além de diminuírem a tosse/secreção. Um questionamento pertinente nesse contexto é se o VEF1 seria um desfecho clinicamente importante para avaliar o resultado da intervenção. Pelo menos na doença pulmonar obstrutiva crônica, muitos estudos vêm demonstrando que não.2;3 A proposta do índice BODE nasceu justamente dessa necessidade.4 Assim, são necessários novos estudos para definir os reais benefícios dessa droga em pacientes com fibrose cística, não infectados com P. aeruginosa.


Referências

  1. Gomes M. Papel dos macrolídeos como agentes imunomoduladores. Pneumologia Paulista 2008; 21(4):57-59.

  2. Godoy I. Assessing the severity and prognosis of chronic obstructive pulmonary disease: is it still sufficient to measure FEV1 alone? J Bras Pneumol 2007; 33(4):xxiii-xxxiv.

  3. Pereira CA. Volume expiratório forçado no primeiro segundo e resposta a broncodilatador em doença pulmonar obstrutiva crônica - um ritual inútil? J Bras Pneumol 2005; 31(5):iv-vi.

  4. Celli BR, Cote CG, Marin JM, Casanova C, Montes de OM, Mendez RA et al. The body-mass index, airflow obstruction, dyspnea, and exercise capacity index in chronic obstructive pulmonary disease. N Engl J Med 2004; 350(10):1005-1012.


Artigo resumido e comentado por Eduardo O. Cartaxo - TE SBPT 2008. Se você é sócio da SBDT, qualquer uma das citações dessa resenha poderão ser solicitadas em nossa secretaria (Samuel Bastos, sbdt@ambr.com.br).




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