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Valdirene Maria de Carvalho Júlio
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PARA A RECUPERAÇÃO DO PACIENTE DURANTE O PROCESSO PROLONGADO DE INTERNAÇÃO EM (UTI) UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA.
Trabalho apresentado ao Instituto

nal de Carapicuíba, no Curso de


Guaratinguetá

Abril/2012
Valdirene Maria de Carvalho Júlio

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PARA A RECUPERAÇÃO DO PACIENTE DURANTE O PROCESSO PROLONGADO DE INTERNAÇÃO EM (UTI) UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA.

Dissertação de Mestrado apresentada á Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva, sob a orientação da ProfªMs.Teresa Célia Mattos Moraes dos Santos, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Terapia Intensiva.



Guaratinguetá/SP

RESUMO

Este estudo objetivou investigar o conhecimento dos profissionais de saúde de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) sobre o acolhimento à família. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica sendo identificados como temas centrais: significado da família; cuidado à família; dificuldades para cuidar da família; significado de acolhimento. Evidenciou-se que a percepção dos participantes a respeito da família vai além de laços de consangüinidade, que o cuidado à família se dá através de informações e orientações; que as dificuldades para o cuidado à família estão relacionadas ao medo do envolvimento e ao despreparo; que o acolhimento é entendido como proximidade, cuidar o outro como a si próprio, e ser receptivo. Os resultados apontam para a valorização do acolhimento à família como uma tecnologia de cuidado relevante para a prática em UTI, porém existe a necessidade de capacitação dos profissionais.



Palavras-chave: Acolhimento; Unidade de Terapia Intensiva; Enfermagem; Família;

ABSTRACT

This study aimed to investigate the knowledge of health professionals in an intensive care unit (ICU) on the host family. We performed a literature search and identified as central themes: the meaning of family, family care, difficulties in taking care of the family, meaning the host. It was evident that the participants' perception about the family goes beyond blood ties, that family care is through information and guidance, that the difficulties of family care are related to fear of involvement and the lack of preparation; that the host is seen as close, caring others as yourself, and be receptive. The results point to the enhancement of family support as a technology of care relevant to the practice in the ICU, but there is a need for training of professionals.



Keywords: Home, Intensive Care Unit, Nursing, Family;

SIGLAS

UTI: unidade de terapia intensiva

PNHAH: Programa de Humanização da Assistência Hospitalar

PNH: Política Nacional de Humanização

CCFNI: Critical Care Family Need Inventory

INEFTI: Inventário de necessidades e estressores de familiares de pacientes internados em terapia intensiva



SUMARIO


INTRODUÇÃO ...............................................................................................

07

1 AS UTIs .......................................................................................................

09

1.1 O paciente ................................................................................................

13

1.2 Propostas de ação para a humanização do paciente de UTI ..................

16

2 A ANSIEDADE E INSEGURANÇA DA FAMÍLIA ........................................

17

2.1 O enfermeiro percebe a família preocupada com o paciente ..................

21

2.2 O enfermeiro percebe que é difícil lidar com a família .............................

22

3 AÇÃO PARA A HUMANIZAÇÃO ................................................................

27

3.1 Propostas para humanização ..................................................................

29

3.2 Propostas de ação para a humanização das relações na equipe ...........

31

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........................................................................

38

REFERÊNCIAS ……………………………………………………………………

39


INTRODUÇÃO
O cuidado da família é parte fundamental para a recuperação de pacientes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o cuidado se torna ainda mais importantes estando esses pacientes em fase terminal ou com poucas probabilidades de melhora. Para a família é sempre muito difícil lidar e encarar as incertezas sobre o futuro do seu familiar.

Os familiares têm necessidades específicas e apresentam freqüências elevadas de estresse, distúrbios do humor e ansiedade durante o acompanhamento da internação na UTI, e segundo Abbott KH (2001) muitas vezes esses sentimentos persistem após a morte do seu ente querido.

Alguns autores enfatizam a importância dos familiares nesse momento. Takahashi (1980) realizou um estudo cujo objetivo foi verificar se a visita de familiares provoca alterações emocionais no paciente infartado em UTI, com repercussões na pressão arterial e na freqüência cardíaca, observando alterações significativas desses valores durante a visita.

Kimura (1984) comparando os problemas dos pacientes de UTI na percepção desses e dos enfermeiros salienta que os pacientes sentem como mais relevantes os problemas relativos à separação da família, à dor, à ausência de atividades e recreação, enquanto os enfermeiros identificam os problemas relativos ao ambiente como sendo os mais importantes aos pacientes.

A importância do cuidado da família, mesmo sendo enfatizada por alguns autores é muito pouco abordada na maioria dos cursos de graduação da área da saúde.

Sendo assim, é muito oportuno que seja tema dessa tese com o destaque que lhe é de­vido. Recentemente a literatura está repleta de evidências de que estratégias voltadas para os familiares citando algumas: melhor comunicação, prevenção de conflitos desconforto espiritual, tem como resultado uma maior qualidade da assistência prestada.

Este estudo tem como objetivo compreender as vivências de familiares dos pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com a intenção de contribuir para a humanização do cuidado nesse contexto, bem como contribuir para que a Enfermagem aprenda a lidar com a família dos pacientes em UTI, enfocando as suas percepções e sentimentos e ajudar os familiares a superar esse momento, utilizando a espiritualidade, literatura e a conscientização da Enfermagem em UTI.

Fazendo uma revisão literária de diversos autores, serão levantadas questões sobre humanização, atenção a família, e a importância da família para com seu ente querido em UTI.



1 AS UTIs
As UTIs foram concebidas com a finalidade de oferecer atenção contínua e suporte avançado aos pacientes críticos, com risco de morte, lançando mão de recursos de alta tecnologia que auxiliam ou substituem a função de órgãos vitais. Na presença de falência pulmonar, os ventiladores substituem os pulmões; os cardiotônicos, os antiarrítmicos e os fármacos vasoativos conseguem manter o funcionamento cardiocirculatório; e os dializadores fazem o trabalho renal. No entanto, os avanços tecnológicos e os aparelhos sofisticados não são capazes de aliviar a dor dos pacientes, identificada como o maior estressor e a pior lembrança da UTI (LENT, 2005).

São inegáveis os benefícios advindos do progresso da ciência. Sem a utilização da tecnologia na recuperação da saúde e manutenção da vida, provavelmente, a expectativa de vida não teria crescido tanto nos últimos cinqüenta anos. Os recém-nascidos em idade gestacional precoce não sobreviveriam, as crianças ainda morreriam em decorrência de crises asmáticas e adultos com rins que não exercem mais suas funções também morreriam.

As UTIs oferecem monitoração hemodinâmica invasiva, mas não permitem que uma esposa visite seu marido fora de horários preestabelecidos. Os tomógrafos permitem a visualização de pequenas alterações morfológicas dentro do organismo, mas os pacientes ficam sem seus óculos. Há a preocupação em informar à família que, em decorrência da bactéria multirresistente X, o antibiótico Y foi substituído pelo Z e que, por essa razão, eles precisam usar luvas e avental ao entrar no quarto, mas nos esquecemos do nome do paciente. Contudo, de que adianta ter ciência e tecnologia sofisticadas ao alcance se nos esquecemos que o objetivo do nosso trabalho é assistir o ser humano, em sua totalidade e complexidade? (NASCIMENTO, 2003).

Se a assistência não for empregada levando-se em conta os valores humanos e éticos, ela perde seu sentido de existência. Um valor produzido pelo conhecimento deve derivar-se do valor pela vida. Se o uso da tecnologia e dos processos de trabalho é decorrente do conhecimento humano, mas obscurece o próprio ser humano, pode-se concluir que o homem se perdeu em alguma etapa do processo ou

deixou-se dominar pela máquina.

Pode-se afirmar que, na atualidade, todo o sistema de saúde está passando por uma crise de valores e identidade, na qual o processo e a tecnociência parecem ser valorizados em detrimento do indivíduo.

De acordo com Pessini (2004, p. 18),
Com freqüência, são observados ambientes tecnicamente perfeitos, mas sem alma e ternura humana. Essa desumanização do cuidado é ainda mais notória nas UTIs, em que, por conta do domínio operacional dos aparelhos e a realização de procedimentos técnicos, o cuidador e o ser cuidado parecem estar afastados.
Para Barnard (1997) a enfermagem, como ciência do cuidar, é norteada por conceitos humanísticos, mas, de modo pouco crítico, tem adotado valores tecanicistas, que modificaram profundamente sua prática nas últimas décadas. Essa mudança paradigmática tem revelado enfermeiros altamente especializados e capacitados para o domínio de equipamentos, mas pouco afetivos, com problemas de relacionamento no trabalho em equipe e dificuldades no atendimento às necessidades humanas básicas dos pacientes.

No contexto da terapia intensiva, a tecnologia e a humanização devem ser indissociáveis e complementares em prol da integralidade da assistência. Sem dúvida, trata-se de um grande desafio a ser gerenciado pelos enfermeiros (ARONE, 2007).

O descontentamento com esse cenário que coisifica e desvaloriza o ser humano, por enfocar o aspecto técnico do cuidado, tem levado os enfermeiros a repensar sua prática e resgatar os valores humanísticos que embasam a profissão. Nas UTIs, observam-se movimentos de humanização, na tentativa de aliar a competência técnico-científica ao humanismo, que prega a compaixão e o respeito à dignidade humana (PESSINI, 2004).

Humanizar a assistência nas UTIs é integrar, ao conhecimento técnico-científico, a responsabilidade, a sensibilidade, a ética e a solidariedade no cuidado ao paciente e seus familiares e na interação com a equipe. Pressupõe aliviar a dor e o sofrimento do outro; compaixão, ou seja, empatia traduzida em ação solidária concreta; respeito à dignidade e autonomia do outro; compreensão do significado da vida, em seus aspectos éticos, culturais, econômicos, sociais e educacionais; e valorização da dimensão humana do paciente em detrimento de sua patologia.

O movimento de humanização não é restrito às UTIs, mas a todo o sistema de saúde brasileiro:
(...) Na avaliação do público, a forma de atendimento, a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender suas demandas e suas expectativas são fatores que chegam a ser mais valorizados que a falta de médicos, a falta de espaço nos hospitais e a falta de medicamentos. (...) As tecnologias e os dispositivos organizacionais não funcionam sozinhos – sua eficácia é fortemente influenciada pela qualidade do fator humano e do relacionamento que se estabelece entre profissionais e usuários no processo de atendimento (BRASIL, 2000, p. 3).
Para atender a essas necessidades, o governo federal, em maio de 2000, regulamentou o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), com a finalidade de criar uma cultura de humanização. Com o objetivo de melhorar o atendimento à população, essa iniciativa resgata e incentiva o bom relacionamento entre profissionais de saúde e pacientes. O programa destaca claramente a importância da associação entre os aspectos tecnológicos da assistência e as habilidades de relacionamento dos profissionais de saúde para a melhora da qualidade assistencial. Assim, considera a comunicação adequada como o fator estratégico para um atendimento mais humano e solidário (OLIVEIRA, 2006).

As propostas do PNHAH abrangeram alguns hospitais da rede pública, capacitando os trabalhadores e estimulando o trabalho em equipe multiprofissional e a gestão de indivíduos como cuidadores.

Em 2004, com o objetivo de estabelecer um caráter transversal à cultura de humanização, para atingir todos os níveis de atenção à saúde, o Ministério da Saúde estabeleceu a Política Nacional de Humanização (PNH), conhecida como Humaniza SUS (BRASIL, 2000).

A PNH complementa e aprimora o programa anterior, agregando a necessidade de melhora dos aspectos organizacionais do atendimento à população, além de estabelecer estratégias e diretrizes para a implementação da cultura de humanização nas instituições, por nível de atenção (PESSINI, 2004).

Nos níveis de atenção hospitalar e especializada, em que se incluem as UTIs, algumas diretrizes da PNH são:

• Garantia de visita aberta, por meio da presença do acompanhante e sua rede social, respeitando a dinâmica de cada unidade hospitalar e as peculiaridades das necessidades do acompanhante.

• Mecanismo de recepção com acolhimento dos usuários.

• Mecanismos de escuta para a população e os trabalhadores.

• Garantia de continuidade da assistência.

• Definição de protocolos clínicos, garantindo a eliminação de intervenções desnecessárias e respeitando as diferenças e as necessidades do sujeito.

• Equipe multiprofissional de atenção à saúde, com horário pactuado para atendimento à família e/ou à sua rede social.

• Existência de Grupos de Trabalho de Humanização, com um plano de trabalho definido.

Vale destacar que a humanização das UTIs é um dever moral, ético e legal dos profissionais de saúde.

Além da PNH, diversas leis federais e estaduais garantem o direito a um atendimento à saúde mais digno.14,16 A própria Constituição Brasileira oferece o amparo legal à humanização em seu art. 1º, inc. 3º, ao afirmar a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito (BRASIL, 1988).

Em relação aos enfermeiros, o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, quanto aos princípios fundamentais da profissão, em seu art. 3º, norteia a prática profissional para o respeito à vida, à dignidade e aos direitos do ser

humano, em todas as suas dimensões.

Visto que existem um Código de Ética Profissional, um Programa Nacional e uma Constituição Federal que asseguram e estimulam o respeito à dignidade do ser humano, por que ainda precisamos falar para os profissionais de Enfermagem (e de outras especialidades) acerca da humanização? Isso ocorre porque, além da responsabilidade ética, o comportamento dos profissionais depende, em principal, do compromisso individual de cada pessoa.

Sem mudança de atitude na relação com o outro, é impossível humanizar o cuidado. Não é possível sustentar o discurso do humanismo se não tomarmos cuidado com as palavras que utilizamos na conversa, se nos esquecermos da importância de prestar atenção ao outro, de ouvir o que o outro está falando sem deixar o pensamento divagar e de cumprimentar o outro com um sorriso ou aperto de mãos e se fingirmos não perceber os sentimentos e as necessidades do outro.

Para humanizar a assistência em UTI, é necessário atentar para todas as dimensões do cuidado: o paciente, a família e a equipe, em seus aspectos biológico, emocional, espiritual e social.
1.1 O paciente
Ao longo dos anos, o hospital tornou-se um substituto do cuidado domiciliar oferecido aos pacientes com as mais diversas patologias. Essa substituição teve como ganho a assistência adequada aos diversos tipos de doenças, a garantia de um melhor tratamento e o conseqüente aumento das chances de cura. Percebe-se, no entanto, que, à medida que se ganha em tecnologia e interdisciplinaridade no atendimento ao paciente, regride-se em termos de humanização do cuidado prestado, visto que cada paciente passa a ser objeto do fazer, recebe um codinome relacionado ao número do leito que ocupa e se torna um sujeito passivo e pouco integrado ao tratamento durante sua permanência no hospital.

Ao ser internado em uma UTI, o paciente tem uma ruptura com o seu viver diário, o seu espaço habitual e as suas relações, o que afeta, fortemente, a sua identidade. Nesse novo contexto, que é diferente e assustador para a maioria, o paciente precisa, a todo o momento, ajustar-se emocional e fisicamente a esse local.

Nas UTIs, os pacientes podem estar conscientes ou “inconscientes” de tudo o que ocorre ao seu redor, vivenciando a experiência da internação de maneiras diferentes. Os pacientes conscientes são capazes de ver os outros pacientes na UTI, de assistir ao fluxo contínuo de profissionais realizando inúmeras atividades e de ver a quantidade impressionante de aparelhos, tubos, curativos e fios, dos quais desconhece a função. A permanência em UTI pode ser amedrontadora e solitária.

Um estudo da Faculdade de Medicina da Bahia identificou e estratificou os estressores para pacientes internados em UTI, por meio de três perspectivas: a do paciente, a dos familiares e a dos profissionais de saúde. Para tal objetivo, os autores utilizaram a Escala de Estressores em UTI (Intensive Care Unit Environmental Stressor Scale – ICUSS), que é composta de 40 itens escalonados de 1 (não estressante) a 4 (muito estressante). Os principais estressores para os pacientes foram: ver a família e os amigos por apenas alguns minutos do dia, ficar com tubos no nariz e/ou boca e não ter controle de si mesmo, enquanto para os familiares, foram: não conseguir dormir, ter dor e ser dependente dos tubos. Por fim, os profissionais que estavam em contato com esses pacientes relataram como estressores: ter dor e escutar o barulho e os alarmes dos equipamentos (soares, 2007).

Um outro estudo buscou identificar as perspectivas e os sentimentos dos pacientes internados em UTIs, de uma maneira diferente da anterior, que consistiu em uma entrevista semi-estruturada com questões abertas a respeito de perspectivas, sentimentos, momentos críticos, satisfação e insatisfação durante a entrada e a permanência do paciente na UTI.

Segundo Nascimento (2003, p. 28):


Os discursos foram analisados e agrupados em suas temáticas: “Relembrando o momento da internação” e “Caminhando na internação”. Na primeira temática, os sentimentos que emergiram foram: aceitação por ser bem recebido na UTI; busca de apoio espiritual para superar as dificuldades; frustração, mal-estar e surpresa por estarem em um local jamais imaginado. Na segunda, os sentimentos foram diferentes: incômodo ao ver o sofrimento ou a morte do outro; dor; demora no atendimento; tempo insuficiente de visita dos familiares; satisfação quando a dor é aliviada e quando cuidados como alimentação e medicação são prestados pela equipe de enfermagem; insatisfação quanto aos procedimentos realizados, ao tipo de alimentação e à saudade de casa e da família.
O medo de sentir dor é um sentimento comum dos pacientes críticos. Na prática, a dor é, muitas vezes, negligenciada pela equipe de saúde, que, por sua vez, precisa aprender a questionar e quantificar a intensidade da dor para então intervir de forma adequada. No entanto, “pela maior proximidade junto aos pacientes, é a equipe de enfermagem quem deve identificar o quadro álgico, avaliar a dor, notificar a equipe médica quando necessário, implementar a terapêutica Prescrita e avaliar a analgesia” (SILVA, 2007).

Os pacientes “inconscientes” vivenciam essa situação crítica de outra perspectiva. A sensação de estar “inconsciente” foi relata por pacientes que tiveram a oportunidade de retornar do coma ou da sedação.

Considerando a vulnerabilidade dos centros nervosos a múltiplos agentes nocivos, observa-se que o coma é uma das síndromes mais freqüentes em clínicas. Trata-se de uma situação de urgência e de extrema gravidade, que sempre traduz um profundo sofrimento de estruturas encefálicas.
O coma (do grego kôma = sono profundo) pode ser definido como um estado de perda total ou parcial da consciência, da motricidade voluntária e da sensibilidade, geralmente em decorrência de lesões cerebrais, intoxicações, problemas metabólicos e endócrinos, no qual, dependendo da gravidade, as funções vitais são mantidas em maior ou menor grau (SANVITO, 2000, p. 35).
A experiência de estar internado em uma UTI e de passar pelo estado de coma é um processo complexo, que pode deixar marcas profundas nos indivíduos que vivenciam essa situação. Muitas dessas marcas não estão somente ligadas ao coma em si, mas às experiências de ter sido “descuidado” durante esse processo, levando muitos doentes a precisar se recuperar não apenas da doença, mas também do fato de terem se tornado “pacientes”. Isso ocorre porque, apesar dos avanços teóricos acerca do cuidado, a prática ainda está baseada, quase exclusivamente, em ações profissionais despersonalizadas, em que o ser se torna a doença, o objeto passivo da investigação e do tratamento (SILVA, 2002).

Outra situação clínica muito incidente na UTI é o uso de terapias sedativas. Nesse tipo de terapia, os depressores farmacológicos do sistema nervoso central são utilizados para reduzir o medo, a ansiedade e a agitação dos pacientes. A necessidade de sedação se baseia na condição patológica subjacente, nas metas primárias do tratamento, na resposta de estresse fisiológico à doença e na presença de agitação e delírio. Ansiedade e agitação são vivenciadas por mais de 70% dos pacientes internados em UTI, sendo que sua prevalência é muito maior em pacientes críticos submetidos à ventilação mecânica (CARRASCO, 2000).

Em um experimento, foram testados os efeitos de declarações positivas feitas a pacientes anestesiados, as quais indicavam que eles teriam um restabelecimento pós-operatório rápido. Com efeito, esses indivíduos passaram um tempo menor no hospital do que os pacientes que não receberam tais declarações positivas (RATTEY, 2002).
O cuidado da enfermagem, com certeza, é um dos itens mais difíceis de ser implementado. Em decorrência da rotina diária e complexa que envolve o ambiente da UTI, os membros da equipe de enfermagem esquecem de tocar e conversar com o ser humano que está à sua frente. Ao realizar uma atividade técnica, sem estar presente de corpo, mente e espírito, o profissional não está realmente cuidando, mas, sim, realizando um procedimento (VILLA, 2002, p. 69).
Para a promoção de ações que visam à humanização do paciente crítico, o grande desafio é mudar comportamentos, uma vez que o comportamento humano é modificado apenas com motivação própria.

Para humanizar é preciso, antes de tudo, humanizar-se.





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