Sistema respiratório



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SISTEMA RESPIRATÓRIO


1 . NARINAS E CAVIDADES NASAIS: ANATOMIA/FISIOLOGIA

Narinas largas e flexíveis, presença de divertículo nasal ou falsa narina.

Plexo venoso abundante.

Cavidade nasal dividida em : Meato ventral

Meato médio

Meato dorsal

Concha dorsal – seio frontal

Concha ventral – seio maxilar.




    1. Patologias das Cavidades Nasais:

ATEROMA

Definição: São cistos de inclusão, localizados no tecido subcutâneo, geralmente na região caudo-dosal da falsa narina. São freqüentemente confundidos com cistos sebáceos e têm importância basicamente estética. Na maioria das vezes é unilateral (2-5cm).

O conteúdo dos cistos é acinzentado, oleoso e espesso.
Tratamento: Em caso de obstrução ou estética.

Cirúrgico com o animal em estação.

Drenagem pelo divertículo nasal (recorrência).
DESVIOS DE NARINA

Definição: É um defeito congênito caracterizado por um desvio na maxila.


A gravidade está diretamente relacionada com o grau do desvio.

Gera problemas respiratórios e digestivos.

Tratamento : Cirúrgico (2X).

Obs. Diferenciar de traumatismos e doenças neurológicas.



AMILOIDOSE


Definição: É a deposição de fibrilas de glicoptoteína em diversos órgão do corpo, aparentemente em resposta a estimulo imunológico.

Existe uma predileção pelo trato respiratório superior dos eqüinos.


Sinais Clínicos: descarga nasal, intolerância ao exercício, dispnéia, epistaxe, perda de peso, e presença de placas edematosas não doloridas no septo e assoalho nasal.
Diagnóstico: Sinais clínicos e biopsia.
Tratamento: Corticóides são pouco efetivos

Cirurgia – pode haver recorrência.


2. SEIOS PARANASAIS : ANATOMIA /FISIOLOGIA.

Os cavalos possuem seios maxilares (dentes), frontais e esfenopalatinos.

Os bovinos, seios maxilares, frontais (descorna) , esfenoidais , palatinos e lacrimais . Todos escavados nos ossos com o mesmo nome.
2.1 PATOLOGIAS DOS SEIOS PARANASAIS:

SINUSITE PRIMARIA


Definição: É a inflamação/ infeção dos seios paranasais, proveniente de patologias no trato respiratório superior. A sinusite primaria geralmente afeta vários seios.
O organismo mais facilmente envolvido é Streptococcus
Sinais Clínicos: Descarga nasal muco-purulenta e unilateral, distorção facial epífora. Em casos mais avançados, febre, depressão e anorexia. Raramente pode causar sinais neurológicos ( cegueira, exoftalmia, estrabismo e meningite).

Diagnóstico: Exame clínico (tb. exame intraoral), percussão, endoscopia, Rx.


Tratamento: Antibióticos sistêmicos (cultura) , lavagens diárias, AINE (14 dias).

Cirúrgico: em casos de necrose óssea, osteíte e grandes quantidades de pús.

Soluções que podem ser utilizadas: 0.1% permanganato de potassio, 1% povidona, 1% clorexidine. As soluções muito concentradas podem exacerbar a inflamação.

SINUSITE SECUNDÁRIA

Definição: É a inflamação/infeção dos seios paranasais causada por outros fatores não ligados ao trato respiratório, como infeção dentária. É mais comum em eqüinos com mais de 4 anos.

Os dentes mais comumente envolvidos são o 1º M, 3º e 4º PM.


Sinais Clínicos: São semelhantes aos da sinusite primária , sendo que a descarga nasal pode ser fétida e pode haver drenagem do dente através da pele.
Diagnóstico: Inflamações próximas à mucosa, dentes fraturados, má oclusão, podem ser vistos no exame oral. Percussão, endoscopia, Rx.
Tratamento: Remoção do dente envolvido ou de outro fator primário, antibióticos sistêmicos, irrigação do seio e cirurgia para a remoção da mucosa necrosada.

O prognóstico não é bom nos casos mais avançados e crônicos (germes anaeróbios).

HEMATOMA ETMOIDAL

Definição: Também chamados de H.E.Progressivo e Pólipo Nasal Hemorrágico. São massas angiomatosas expansivas que se originam da mucosa da concha etmoidal. São bilaterais em 50%.


Sinais Clínicos: Descarga nasal com epistaxe intermitente proveniente de uma ou das duas narinas, ruídos respiratórios ( insp. e exp.). Mais raramente pode haver tosse, ptialismo, aumento do esforço respiratório, e balanço da cabeça.

A aparência do hematoma varia do vermelho intenso a arroxeado, esverdeado e amarelado. Geralmente tem formato arredondado irregular e fica recoberto por muco viscoso e sangue. O contato com o endoscopio geralmente causa hemorragia.


Diagnóstico: endoscopia bilateral,

Rx ( determina a extensão)

Percussão: pode haver expansão para os seios paranasais
Tratamento: Ablação cirúrgica ( curetagem, criocirurgia ou YAG laser)

Injeção intralesional de formalina pode diminuir a necessidade de curetagem – Técnica: Através do canal de biopsia, passar um cateter e avançar pela face rostral próximo à sua origem e injetar 10ml de formalina a 10%. A necrose tissular ocorre de 5 a 10 dias e a técnica pode ser repetida no intervalo de 10 a 14 dias até a destruição total da massa. A remoção do tecido necrótico pode ser realizado com pinça forceps e lavagens. A recorrência é de 30 a 50 %.

3. BOLSAS GUTURAIS: ANATOMIA/FISIOLOGIA

As bolsas guturais são divertículos das tubas de eustáquio e possuem , cada uma, a capacidade de 300 ml.

A comunicação com a faringe é através do orifício faringeano da tuba de eustáquio que é lâmina fibrocartilaginosa.

A artéria carótida interna e externa, gânglio cervical cranial, tronco simpático cervical, além dos nervos vago, hipoglosso , espinhal acessório e nervo laringeo cranial , são algumas das estruturas que passam por dentro da bolsa gutural.

As tubas de eustáquio servem para equalisar a pressão sobre os tímpanos . Durante a expiração as bolsas guturais se enchem com ar , mas ainda não se sabe sua função.

3.1 Patologia das Bolsas Guturais


TIMPANISMO DE BOLSA GUTURAL

Definição: É a distensão uni ou bilateral das bolsas gutural devido ao acúmulo de ar.

A causa mais provável é a redundância da plica salpingofaríngea que agiria como uma válvula ‘’one way’’, permitindo apenas a entrada de Ar. Esta redundância pode ser congênita ou gerada por um processo inflamatório.
Sinais Clínicos: Geralmente os animais afetados são potros que apresentam dilatação flutuante , sem dor ou calor, no espaço retrofaríngeo com extensão da cabeça e pescoço além de sinais de disfagia.

O agravamento da distensão pode causar estresse respiratório.


Diagnóstico: Exame físico, Rx e endoscopia.
Tratamento: Para aliviar a distensão pode-se aspirar o ar via transcutânea ou via endoscopio . São paliativos.

Cirurgico : excisão da plica salpingofaringea redundante

Fenestração do septo entre as bolsas (unilateral)

O pognóstico pós cirúrgico é favorável a não ser nos casos com pneumonia por aspiração.


EMPIEMA DE BOLSA GUTURAL
Definição: É o acúmulo de material purulento nas bolsas guturais. Esta condição é considerada secundária e crônica , relativa a infeções ascendentes do trato respiratório. Ela tb. pode ocorrer via linfática.

Streptococcus equi e S. zooepidemidicus são os germes mais facilmente encontrados .

Pode haver também rompimento retrógrado de abcessos retrofaríngeos .


Sinais Clínicos: Descarga nasal intermitente, linfadenite, edema e dor parotídea, disfagia e dificuldade respiratória. O aspecto da descarga nasal geralmente é branco , opaco e sem cheiro, pode ser uni ou bilateral.

O espessamento do material purulento pode levar à formação de condróides que são concreções de pús ressecado.

Leucocitose e fibrinogênio elevado são comuns.

Nos casos bilaterais mais graves pode haver DDPM, paralisia de laringe.


Diagnóstico: Rx, endoscopia, centese percutânea, e aspirado do material via endoscópio.
Tratamento: A drenagem natural é comprometida pela inflamação e pelo peso do conteúdo.

Antibióticos parenterais

Antibióticos em lavagens diárias diluídos em 500ml de soro (cabeça baixa p/ evitar aspiração)

Soluções antissépticas pouco concentradas para evitar neurite

Cateteres permanentes são muito irritantes, é melhor colocação diária.

Cirúrgico: É indicado quando há condróides e quando não houve sucesso no tratamento clínico.



MICOSE DE BOLSA GUTURAL


Definição: É uma patologia fúngica que afeta tipicamente a região dorsocaudal do compartimento medial das bolsas guturais. O fungo mais comumente envolvido é o Aspergillus nidulans .
Sinais Clínicos: Estão diretamente ligados aos danos causados aos vasos e nervos.

Epistaxe intermitente e espontânea, disfagia. Geralmente a artéria afetada é a carótida interna e mais raramente, a artéria maxilar.

A epistaxe pode ocorrer em intervalos de 24hs a 3 semanas até o episódeo fatal ou haver um único episódeo.

Os danos nervosos que causam disfagia podem ser irreversíveis.

Outros sinais são dor parotídea , estensão de cabeça e pescoço, descarga nasal, suores (Síndreme de Horner),e paralisia facial.
Diagnóstico: Exame clínico

Endoscopia pode revelar placas diftéricas no aspecto dorsocaudal do compartimento medial. O sangue pode impedir a visualização das estruturas. Há presença de sangue no orifício faríngeo mesmo que tenham se passado 3 a 5 dias do episodeo de sangramento.


Tratamento: Infusões tópicas

Nebulizações com fungicidas e fungistáticos como thiabendazole e povidona. Grisefulvina e violeta de genciana são ineficazes.


Anfotericina B IV, mas pode causar flebite , nefrotoxicidade, febre e hipocalemia.

Iodeto de potassio oral (10g PO SID) e iodeto de sódio (15 ml em solução de 20% BID).

Antinflamatórios, soroterapia e transfusões de sangue.
Cirurgico: Oclusão das artérias envolvidas e posterior remoção das membranas diftéricas.

O prognóstico pós cirúrgico é de 50% .

4. FARINGE e LARINGE: Anatomia/fisiologia

O palato mole divide a faringe em orofaringe e nasofaringe. Numerosos folículos linfóides estão presentes na nasofaringe e na superfície dorsal do palato mole.

A laringe é um curto órgão tubular que liga a faringe à traquéia.A abertura laringeana é formada pelas cartilagens corniculadas, cordas vocais e epiglote. Dentre as cartilagens da laringe , 3 são ímpares : cricóde , tireoide e epiglote e 3 são pares : aritenóides corniculadas e cuneiformes.

4.1 Patologias da Faringe e da Laringe

FARINGITE

Definição: É a inflamação dos tecidos da faringe. Também conhecido como hiperplasia folicular linfóide. Esta não é uma patologia considerada primária , mas sim uma conseqüência de outras doenças como por exemplo as virais, bacterianas e alérgicas. Em muitos cavalos é considerado um achado normal.

A etiologia é multifatorial , mas representa uma resposta imune na mucosa da faringe.
Sinais Clínicos: Em casos agudos há sinais de dor na faringe, linfadenopatia, ptialismo (bovinos) , tosse e queda de perfomance .

Nos animais jovens ocorre em 60 a 90% dos animais.


Sistema de graduação de HFL:
GRAU I – Pequeno número de folículos inativos, de coloração pálida e pouco proeminentes .

GRAU II- Vários folículos pequenos e pálidos espalhados pelas paredes laterais e dorsal da faringe. Entre esses folículos , alguns apresentam-se maiores , rosados e edematosos, demonstrando atividade.

GRAU III- Vários folículos, rosados e proeminentes espalhados pela faringe e superfície dorsal do palato mole.

GRAU IV- Nurerosos folículos avermelhados e edematosos, próximos uns dos outros , cobrindo faringe , palato mole, recesso faríngeo e abertura das bolsas guturais.


Diagnóstico: Endoscopia.
Tratamento: Graus I e II não necessitam ser tratados.

Nebulização com cortisona, furacim e DMSO por 10 dias

Cirurgico: criocirurgia, eletrocauterização, cauterização química.

DESLOCAMENTO DORSAL DO PALATO MOLE


Definição: É a subluxação da borda livre do palato mole para uma posição sobre a epiglote.

Exceto durante a tosse ou deglutição o PM deve estar sempre por baixo da epiglote. O DDPM vai causar estreitamento da nasofaringe, causando tb uma turbulência do ar durante a insp. e exp. .

O DDPM pode ser permanente ou intermitente gerando saído de ar pela cavidade oral.

A causa mais aceita para o DDPM é a retração da língua que gera elevação do PM e retração da laringe. A abertura da boca ou a deglutição durante o exercício e a flexão do pescoço são fatores que também podem contribuir.


Patologias como a faringite , hipoplasia de epiglote, HLE, encarceramento de epiglote, condrites podem predispor a DDPM secundário.
Sinais Clínicos: Em repouso não há anormalidades

No exercício: queda de performance, ruído respiratório na insp. e exp. , sufocamento passageiro geralmente no final do exercício máximo, tentetiva de respiração pela boca. Quando o exercício acaba o animal volta ao normal.


Diagnóstico: Endoscopia- A indução da deglutição para o deslocamento pode ser realizada com uma seringa de água. Uma vez deslocado , o palato deve retornar à posição normal na próxima deglutição , se várias deglutições forem necessárias deve-se suspeitar de disfunção do PM.

Pode-se ocluir a narina oposta.

O bordo livre do PM pode apresentar ulcerações pelo trauma repitido

A avaliação do palato deve ser antes da chegada do endoscopio à laringe e traqueia .

Durante o exame deve-se notar a presença de alterações na laringe, traquéia e brônquios.

Tratamento: Conservador – amarrar a língua durante o exercício.

Cirúrgico: Staphilectomia – ressecção da porção caudal do PM

Sternotirohioide miectomia. – 50% de sucesso.




ENCARCERAMENTO DE EPIGLOTE


Definição: É uma condição na qual a epiglote é envolvida pelos tecidos aritenoepiglóticos. Isto leva à intolerância ao exercício e a ruídos respiratórios.

Animais com hipoplasia de epiglote são pré-dispostos .

EE pode ocorrer em cavalos de qualquer raça e idade com epiglote normal.
Sinais Clínicos: Tosse, particularmente quando o animal está comendo. Ruídos insp. e exp., intolerância ao exercício

Ocorre frequentemente inflação local com ulceração na prega aritenoepiglotica, podendo haver também necrose da ponta da epiglote.

É comum o DDPM concomitante , o que pode dificultar o diagnóstico.
Diagnóstico: Endoscopia – O contorno da epiglote pode ser visualizado , porém o bordo serrado e a vascularização evidentes normalmente, estão cobertas por uma membrana. Isto pode se dar se forma incompleta.

O encarceramento pode ser intermitente, variando com as deglutições.


Tratamento: Cirúrgico – resseção da prega aritenoepiglótica com bisturi em gancho ou YAG laser.

HEMIPLEGIA LARINGEANA


Definição: É uma deficiência funcional da laringe na qual esta não pode dilatar-se plenamente no lado afetado. É uma das mais antigas patologias diagnosticadas nos cavalos.


O lado mais comumente afetado é o esquerdo. O ruído característico produzido durante o exercício faz com que esses animais sejam denominados roncadores. A incerteza da etiologia, tb traz como sinonímia Hemipegia Laringeana Idiopática .

A lesão primária ligada HLE é o dano ao nervo laringeano recorrente esquerdo.

A hemiplegia direita é mais rara e pode estar ligada a traumas ou flebites. A paralisia bilateral pode estar ligada a danos neurológicos.

Esta condição pode estar ligada a animais de qualquer idade , mas é particularmente comum em animais de 2 e 3 anos.


Sinais Clínicos: Ruído inspiratório anormal, intolerância ao exercício. A amplitute do ruído está ligado ao grau de paralisia (graus I, II , III e IV).

Diagnóstico: 1. Palpação da laringe: utilizando os dedos indicadores pode-se palpar o processo muscular que estará mais proeminente, e, em casos avançados , a atrofia do músculo cricoaridenoideo dorsalis .

2. Teste da depressão da aritenóide: Com a cabeça do cavalo no ombro , e a narina próxima ao seu ouvido , pressionar o processo muscular de cada aritenóide com os dedos . Isto vai gerar um leve estertor inspiratório que será mais facilmente identificado no lado afetado.

3. “Slap Test”- É um teste realizado durante o exame endoscópico no qual um assistente dá um tapa na região da paleta contralateral ao lado a ser avaliado. Isto vai gerar movimento das aritenóides.


Tratamento : cirúrgico- ventricilectomia e protese laringeana.


CONDRITE ARITENÓIDEA


Definição: é o termo utilizado para definir uma série de alterações patológicas de cartilagem aritenóide que produzem espessamento, edema e obstrução da laringe.

Pode ser uni ou bilateral , sendo mais comum em um só lado.

As infeções e o trauma são as causa mais prováveis.
Sinais Clínicos: Dependem do grau de obstrução de laringe. Ruídos inspiratórios e intolerância ao exercício. Pode ocorrer até dispnéia em repouso podendo até necessitar uma traqueostomia.

É comum a presença de condromas.

Diagnóstico: Endoscopia

Pressão digital na laringe pode gerar dor.


Tratamento: nebulizações , antinflamatórios, antibiótico (quando há supuração).

Cirúrgico: Aritenoidectomia.


CISTOS FARINGEANOS

Definição: São formações císticas de conteúdo mucoso amarelado que se localizam preferencialmente sob a epiglote.

Geralmente são remanescentes dos ductos craniofaringeo e tiroglosso. Também existe a teoria de que a inflamação da região subepiglotica pode gerar o bloqueio da secreção mucosa pelas glândulas e haver a formação do cisto.


Sinais Clínicos: ruídos respiratórios durante o exercício, até dificuldade respiratória.

Potrinhos podem apresentar descarga nasal, tosse crônica e pneumonia por aspiração.


Diagnóstico: Endoscopia – os cistos variam de 1 a 5 cm . Podem causar posições anomalas de epiglote.
Tratamento : Cirúrgico – extirpação do cisto.




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