Silvia Maria Falleiros Nunes



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Silvia Maria Falleiros Nunes | nºusp_6830334

IELP II – Introdução aos Estudos de Língua Portuguesa

Fichamento|18.nov.

A História do Alfabeto

Cagliari, Luis Carlos

A escrita, que surgiu nos últimos 30.000 dos 1.500.000, anos do homem na terra não foi criada por uma só pessoa, mas sim uma atividade coletiva. Somente depois, com os romanos é que surge a escrita. A língua oral veio muito antes da escrita, que, marcando a formação das primeiras cidades, representa o início da civilização. A escrita veio pela idéia de usar sinais gráficos para representar palavras e não apenas objetos materiais do mundo.

Nesse ponto surge a distinção do desenho para com a escrita, sendo um a referência aos seres do mundo e o outro às palavras, sons, ligados à linguagem oral. Para representar os seres do mundo o desenho precisa ser figurativo, mas para representar as palavras deve ser uma convenção que seja de conhecimento compartilhado. A representação divide-se então em dois modos: o dos significados das palavras e o dos sons das mesmas. São dois tipos básicos de escrita: a ideográfica e a fonográfica, sendo que a segunda é representada pelas formas convencionais, não figurativas e permite leitura fácil em diferentes línguas. Como os sons das palavras variam de língua para língua, a escrita fonográfica só serve para uma língua.

A escrita egípcia surgiu com o uso de pictogramas, assim como a chinesa. Derivada dessa segunda veio a japonesa, em que cada letra corresponde a uma consoante mais uma vogal, constituindo um sistema silábico, como muitos outros da história. Já o sistema egípcio apresenta um conjunto básico e reduzido de caracteres que representam consoantes isoladas ou grupos consonantais. O sistema é então basicamente fonográfico com elementos auxiliares para evitar ambigüidades na escrita. Essa não era um privilégio de uma classe de sábios ou sacerdotes, mas de domínio popular.

A necessidade de fazer contabilidade de produtos e animais levou o povo sumério a usar bolotas de barro de diferentes para representar os numerais, e depois veio necessidade de representar os nomes dos objetos. Assim a escrita surge pela primeira vez na história, por volta de 3200 a.C.

Os primeiros escritos encontrados (Uruk) tratavam-se de escrita pictográfica e representavam, em sua maior parte, textos de natureza contábil. Os outros, cerca de 15% eram listas de sinais para treinamento de futuros escribas. Supõe-se também que essas listas tinham a função de padronizar uma forma escrita. Já que continuaram sendo produzidas por seiscentos anos.

Ainda em Uruk a escrita começou a se tornar silábica a partir do momento em que se baseava mais nos sons que nos significados dos pictogramas. Esse processo foi facilitado pelo fato da maioria das palavras da língua suméria ser monossilábica, o que gerava redundância e ambigüidade na fala, fatores desejáveis nos sistemas de escrita.

A escrita cuneiforme era feita da direita para a esquerda e separada por linhas. Os pictogramas eram escritos em pequenos quadrados cuja ordem não era fixa, o que implicava também na interpretação para o reconhecimento final das palavras do texto. Nas primeiras escolas os meninos das famílias mais ricas eram ensinados a escrever.

Por volta de 3000 a.C. o Oriente Médio era tomado por dois sistemas: a escrita ideográfica suméria, já em transformação e a escrita emergente egípcia do tipo consonantal. A evolução da escrita suméria gerou o sistema silábico e os dois sistemas permaneceram. Mantinham ainda o caráter ideográfico para neutralizar as variações de pronúncia. Por outro lado, para uma maior facilidade da escrita e leitura o aspecto gráfico da escrita sofreu fortes mudanças tendendo à simplificação das mesmas. Assim produziu-se um modelo extremamente simplificado, chamado escrita proto-sinaíticas que constituiu a primeira manifestação do alfabeto. Deixavam de lado as sílabas e grupos consonantais para assumir apenas as consoantes, uma letra para cada som diferente em inícios de palavras. Somente com os gregos, 700 anos depois é que passou-se a encarar as vogais como letras independentes, assim chegando à forma atual do sistema alfabético.

A escrita alfabética, por si só, marcaria as diferenças de pronúncias, mas como isso vem contra o princípio ortográfico à solução adotada no uso social do alfabeto congelou as formas de escrita. É aí que a noção de contexto em que ocorre uma letra ou som passa a ser um importante elemento. Como a ortografia é estabelecida para cada língua, o valor fonético das letras varia de uma língua para outra.

Os mais antigos usos do alfabeto foram encontrados em 1904, em escritas proto-sinaíticas como a fenícia, aramaica e hebraica, por exemplo. As escritas que são usadas são derivadas de outras que, em dado momento da história, acabaram desaparecendo e é aí que se constitui uma genealogia do alfabeto. A adaptação do alfabeto para escrever línguas diferentes, tanto no valor fonético das letras quanto na forma gráfica, gerou os alfabetos derivados. A mais importante manifestação foi a da escrita fenícia, de onde derivaram a maioria dos outros sistemas. Do grego veio o latino, o sistema de escrita mais usado no mundo. Por fim o alfabeto semítico possui três grandes modelos que deram origem a outros alfabetos: o Proto-sintático, o Semítico do Sul e o Semítico do Norte.

O alfabeto semítico chegou até a Índia, na constituição de dois sistemas de escrita: a brâmane e a kharosthi, ambos sistemas silábicos. Esse caráter vem do brâmane, que utiliza os sons consonantais sempre seguidos de vogal, o que dispensa a representação da mesma. Isso se assemelha com o exercício de crianças brasileiras que, ao escrever a palavra “camelo” representam com “camlo”, indicando a vogal apenas com a consoante. O modo de representar os números também veio da Índia, escritos da direita para a esquerda, não seguindo a ordem colocada na fala.

Os gregos importaram o alfabeto fenício e a escrita grega já devia ser bastante popular no sec. IV a.C. Um fato ainda sem explicação é o de duas grandes epopéias como Ilíada e Odisséia terem sido transmitidas pela tradição oral em uma época que já existia um sistema de escrita em uso. Param manter o princípio acrofônico funcionando, os nomes semíticos das letras passaram para o grego adaptados apenas fonologicamente, seguindo o padrão da língua. Essas adaptações, porém, foram feitas de modo a preservar as características de origem, sem grandes modificações. Na transcrição das consoantes e vogais os gregos completavam a invenção do alfabeto.

A escrita dos gregos passaria ainda pelos entruscos, romanos, até chegar a nós. A influência do alfabeto grego foi tão grande que se fez presente em quase todos os sistemas de escrita após seu aparecimento, até mesmo a própria escrita semítica e egípcia.

Com a independência das grandes cidades os sistemas de escrita também passaram a ter características particulares de uma região para outra.

Os romanos, que se educaram com os entruscos adaptaram o sistema alfabético entrusco para escrever o latim. Essas variações acarretam na falta de letras suficientes para marcar certas diferenças. Surge então a questão do valor fonético das letras, definido por sua categorização funcional através da ortografia. Em cada caso as letras terão os sons que as palavras escritas têm na pronúncia dos falantes nativos dessas línguas, uma mesma palavra pode ser lida de maneiras diferentes em diferentes dialetos.

Quase todos os sistemas alfabéticos modernos usam diacríticos para modificar a forma gráfica das letras e atribuir-lhes valores fonéticos diferentes. Na escrita árabe antiga, por exemplo, logo surge a representação de vagal por meio de diacríticos. Como essa escrita era basicamente representada de forma cursiva as possibilidades de variação eram ainda maiores. É aí então que surge na escrita árabe, basicamente consonantal, formas diferentes para as letras dependendo do contexto.

Durante dois séculos as civilizações utilizaram apenas um estilo de escrita, as chamadas letras maiúsculas. Porém, todas encontraram formas ‘mais rápidas” de escrita, tanto para uso pessoal, quanto comercial, através da simplificação gráfica do traçado, chamada escrita cursiva.

Outro fator que contribuiu para o surgimento de diferenças foi a publicação de livros nos scriptoria, em que cada calígrafo colocava suas características pessoais no trabalho e influenciavam os outros. Formavam-se então os estilos de letras. A variação, no entanto devem ocorrer no pelo motivo de destaque àquela palavra ou frase. Depois do surgimento da imprensa outras importantes mudanças ocorreram nas variações de modelos de estilos de letras, como no emprego diferente das letras maiúsculas e minúsculas, trazendo à escrita uma nova maneira de assinalar a pontuação. Dentro do alfabeto latino alguns estilos ficaram famosos como, por exemplo: letras romanas ou letras itálicas.

As escritas cuneiforme e egípcia estão extintas há mais de 2000 anos, e o sistema alfabético, tal como está hoje, é usado a 3500 anos de uso ininterrupto. No início usado para o comércio e como intercâmbio com outros povos o alfabeto teve uma importância cada vez maior entre os sistemas de escrita. A vantagem do sistema alfabético sobre o ideográfico está no fato das línguas usarem um conjunto pequeno de sons e fala, tirados das possibilidades articulatórias do homem.

Para resolver os problemas semânticos e os problemas dialetais há um congelamento da forma gráfica da escrita através da ortografia, neutralizando assim a pronúncia em diferentes dialetos. Assim, quanto mais se estende o uso do alfabeto numa língua, mais rígida torna-se sua ortografia. Com o tempo as formas ortográficas das palavras acabam se distanciando muito dos valores fonéticos tradicionais, gerando outro problema para o sistema. A partir daí que as reformas ortográficas parecem inevitáveis. Porém essa não é a solução para tudo e não acaba com as dúvidas ortográficas, já que a escolha sempre recairá sobre a preferência de um dialeto e deve-se tomar cuidado para o sistema não perder a função de neutralização da variação dialetal.

Percebeu-se que um sistema alfabético sem ortográfica tem pouca chance de ser usado por muitas pessoas. As letras do alfabeto se dividem em: um valor, do próprio alfabeto, do nome das letras seguindo o princípio aerofônico e outro que partiu da ortografia. A ortografia define-se então como a maior invenção da escrita, maior até que a dos diferentes sistemas de escrita. Sem a ortografia o uso da escrita fica seriamente comprometido e os sistemas desmoronam. Quanto mais gente usando a escrita, mais importante é a ortografia.

A categorização funcional define o valor fonético que uma letra tem em determinada língua. Já a categorização gráfica estabelece o reconhecimento da letra em um determinado contexto da palavra, independente do estilo. O princípio cumulativo estabelece que velhos usos continuem no sistema enquanto nas formas vão surgindo. Esses sistemas de escrita e estilos são como: letras com mais de um estilo, acentos, pontuação, números e notação científica, etc.

É com a invenção da imprensa que os livros passaram a ter menos ilustrações, figuras menos sofisticadas, o que foi revertido depois. Mesmo assim há um excesso de ícones e pictogramas no mundo contemporâneo, o que também altera os sistemas. Os hábitos de leitura e de escrita e o modo de relacionamento do homem com a escrita mudaram muito e a tendência é que, com novas tecnologias de comunicação, passem a mudar ainda mais.



Apesar de parecer um cenário caótico, é assim que se caracteriza o mundo da escrita, uma mistura de sistemas, já que só assim o caráter ideográfico e fonográfico atinge um equilíbrio. A escrita constitui-se então como um poderoso e importantíssimo instrumento para nossa cultura.


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