Serviço de referência para atendimento à pesquisa escolar



Baixar 210.39 Kb.
Página1/2
Encontro25.05.2018
Tamanho210.39 Kb.
  1   2

REQUALIFICAÇÃO DA PESQUISA ESCOLAR: UM COMPROMISSO SOCIAL DO DEPARTAMENTO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS COM O ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

___________________________________________________________________

Elisabeth Márcia Martucci

Profª. Doutora do Departamento de Ciência da Informação

da Universidade Federal de São Carlos

Rod. Washington Luís, Km 235 - Monjolinho

Caixa Postal 676 – CEP 13 565-905 – São Carlos (SP) - Brasil

Fone: (0xx16) 260-8374 – Fax: (0xx16) 260-8353

E-Mail: beth@power.ufscar.br

Aparecida Cristina Abrahão Novaes Gomes

Elisete Leite de Oliveira Vieira


Bibliotecárias do Departamento de Referência

da Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos

Rod. Washington Luís, Km 235 - Monjolinho

Caixa Postal 676 – CEP 13 565-905 – São Carlos (SP) - Brasil

Fone: (0xx16) 260-8135 – Fax: (0xx16) 260-8423

E-Mail: srefer@power.ufscar.br

RESUMO

Há quase três décadas, a pesquisa escolar foi incorporada ao ensino fundamental e médio como uma metodologia de ensino voltada à ampliação e enriquecimento dos conteúdos curriculares e a literatura registra sua tendência em transformar-se no principal instrumento do processo educativo (Demo, 1998; Mello, 1998), o que tem exigido novas políticas e ações da atividade de referência das bibliotecas que atendem esta demanda.



Para contribuir neste processo de requalificação da pesquisa escolar, a Biblioteca Comunitária da UFSCar, implantou um serviço diferenciado de atendimento à clientela escolar, que abrange três ações processuais: a identificação dos usuários e de suas demandas informacionais, a ampliação de seu estoque informacional e o desenvolvimento de uma base de dados de referência, que integram uma opção de gerenciamento dirigida para a avaliação contínua da eficiência e eficácia dos serviços oferecidos, baseada na coleta e tratamento de dados de cada atendimento realizado. Os dados referentes ao nível e origem do aluno e à temática demandada amparam o desenvolvimento dos recursos informacionais, que incluem suportes convencionais e alternativos e as fontes de informação utilizadas para o atendimento à questão de referência são indexadas, registradas e armazenadas em uma base de dados específica denominada Base de Dados “Prajá”, para posterior recuperação e acesso em situação de referência similar. Essas ações são complementadas por uma reorientação metodológica na execução do processo de referência, que focaliza a educação do usuário para o uso da biblioteca e das fontes de informação.

Pode-se afirmar que o serviço implantado renova e inova o modelo processual da atividade de referência para o atendimento de estudantes do ensino fundamental e médio, ampliando sua dimensão informacional, avaliativa e educativa.



Serviço de extensão: Biblioteca Comunitária

1 INTRODUÇÃO

Há quase três décadas, a pesquisa escolar foi incorporada ao ensino fundamental e médio como uma metodologia de ensino voltada à ampliação e enriquecimento de conteúdos curriculares ministrados em sala de aula e, agora, a literatura especializada registra sua tendência em transformar-se no cerne do processo educativo.

Como afirma Mello (1998, p.3), nas sociedades contemporâneas, a informação e o conhecimento se tornam disponíveis a um número cada vez maior e mais diversificado de pessoas, na medida em que o avanço da tecnologia propiciou uma mudança no paradigma da produção e divulgação do conhecimento. Esta mudança está atingindo o núcleo da missão da escola, que hoje deve privilegiar a constituição de um quadro de referência científico, cultural e ético, para que as pessoas possam selecionar, organizar, dar sentido e levar à prática informação e conhecimento. Em outras palavras,
Construir sentidos com base no conhecimento poderá ser a tarefa mais nobre da escola na sociedade da informação.
Os conteúdos de ensino terão de ser (res) significados, como meios e não mais como fins em si mesmos. Deverão visar menos a memorização e mais as capacidades necessárias ao exercício de dar sentido ao mundo: analisar, inferir, prever, resolver problemas, continuar a aprender, adaptar-se às mudanças, trabalhar em equipe, intervir solidariamente na realidade.
Nesta direção, a pesquisa pode ser considerada umas das estratégias para sintonizar o currículo com o conhecimento contemporâneo, objetivando a constituição de significados deliberados, que partem da experiência espontânea para chegar à sistematização e à abstração e permitem identificar o objeto do conhecimento, saber como se aprende, atribuir valores à aplicação do saber e estimular sua expressão (loc.cit.).

Demo (1998, p.1 e 5), desenvolveu um estudo teórico-metodológico sobre o desafio de educar pela pesquisa, no qual focaliza a pesquisa como a maneira escolar própria de educar, baseado em quatro pressupostos essenciais:




  • a convicção de que a educação pela pesquisa é a especificidade mais própria da educação escolar e acadêmica,

  • o reconhecimento de que o questionamento reconstrutivo com qualidade formal e política é o cerne do processo de pesquisa,

  • a necessidade de fazer da pesquisa atitude cotidiana no professor e no aluno,

  • e a definição de educação como processo de formação da competência histórica humana.

Explicita que a distinção da educação escolar dos demais espaços educativos está no fazer-se e refazer-se pela pesquisa, defendendo-a como a base da educação escolar, por proporcionar o questionamento reconstrutivo, compreendido como um processo de construção do sujeito histórico ou um processo emancipatório, que inclui a consciência crítica da realidade e seu questionamento sistemático como caminho de mudança: um sujeito será tanto mais se, pela vida afora, andar sempre de olhos abertos, reconstruindo-se permanentemente pelo questionamento (ibid., p.5-8).

Assim, pesquisar e educar são processos coincidentes, na medida em que se postam contra a ignorância (buscando o conhecimento e o saber pensar), se opõem a procedimentos manipulativos (supondo ambiente de liberdade de expressão, crítica e criatividade), condenam a cópia (perseguindo o conhecimento novo), valorizam o questionamento (alimentando dúvidas, explicações e o aprender a aprender) e se dedicam ao processo reconstrutivo (mantendo a inovação como processo permanente), pelo que o aluno não vai à escola para assistir aula, mas para pesquisar (ibid., p.8-9).

Esse processo reconstrutivo da pesquisa pressupõe o conhecimento inovador e sempre renovado, que inclui interpretação própria, formulação pessoal, elaboração trabalhada e não mera reprodução, cópia, imitação, o que significa ser educado para ler a realidade de modo questionador e reconstruí-la como sujeito competente, entendendo-se competência como saber fazer e sobretudo de refazer permanentemente a relação com a sociedade e a natureza (ibid., p.11-13)

Metodologicamente, o processo de pesquisa é iniciado por uma questão instigadora, que fomenta a iniciativa do aluno na busca de informações e materiais nas mais diferenciadas fontes para um posterior momento de trabalho conjunto na sala de aula, no qual todos são atores, colaborando para um objetivo compartilhado. É um momento de realizar interpretações próprias, iniciando a elaboração: ler é compreender e interpretar com alguma autonomia. Interpretar significa uma pretensão de interpor no processo transmissivo um sujeito que se recusa a ser mero instrumento de passagem, o que passa por ele tem tom próprio, tem marca pessoal. A conduta passiva de copiar ou reproduzir textos é superada por uma conduta crítica e elaborada, cuja importância está na formação da capacidade de formulação e elaboração próprias (ibid., p.21-24).
Quando um texto é apenas lido reprodutivamente ou copiado imitativamente, ainda não aparece o raciocínio, o questionamento, o saber pensar. Quando é interpretado, supõe já alguma participação do sujeito, por mais incipiente que seja, pois busca-se compreensão de sentido. Compreender o sentido de um texto implica estabelecer relações entre texto e significado, colocar em movimento modos de entender e compreender, indagar possibilidades alternativas de compreensão, perceber e dar sentidos, e assim por adiante. Esta dinâmica avança ainda mais, quando se trata de saber fazer e refazer um texto, passando-se de leitor a autor. Aparecendo a elaboração própria, torna-se visível o saber pensar e o aprender a aprender.
Portanto, a capacidade de reconstruir baseia-se no desenvolvimento da capacidade de saber pensar: ser capaz de enfrentar situações novas, dominar problemas inesperadas, não temer o desconhecido, perscrutar alternativas, com base no raciocínio, poder de indução e dedução, manejo de causas e efeitos, uso da lógica e do pensamento abstrato, estabelecimento de relações. O saber pensar é traduzido no aprender a aprender, que conjuga teoria e prática em condições sempre renovadas de intervir, uma competência permanentemente refeita pela via do saber fazer e do constante refazer (ibid., p.32). O aprender a aprender inclui: contraler, reelaborando a argumentação; refazer com linguagem própria, interpretando com autonomia; reescrever criticamente; elaborar texto próprio, experiência própria; formular propostas e contraproposta (ibid., p.29).

O processo reconstrutivo é pessoal, complexo e sempre recorrente, que começa pelo uso do senso comum, advindo da trajetória cultural ou das experiências acumuladas de cada um, enriquecido pelo conhecimento disponível, que está nos livros, bibliotecas, videotecas, universidades, institutos de pesquisa, escolas, computadores e bancos de dados (ibid., p.25-27). O ponto de chegada é o questionamento reconstrutivo, pois a partir do senso comum e do conhecimento disponível, o sujeito efetiva sua elaboração, superando a recepção passiva do conhecimento e passando a participar como sujeito capaz de propor e contrapor (ibid., p.28).

Desta forma, o aluno interliga dois passos fundamentais: interpreta com propriedade a informação, para relacioná-la com a vida concreta e elabora posicionamentos alternativos, para que passe da posição de “informado” a de informante, informativo, informador (ibid., p.24).

Em relação ao conhecimento disponível e seu acesso, o autor afirma que:



O hábito de leitura deve ser impulsionado com sistematicidade persistente, sobretudo diante da concorrência dos meios modernos de comunicação e informática, que induzem à passividade receptiva da informação; o maior problema não está no aluno, mas na escola que não tem biblioteca e outros apoios dessa ordem (...); a leitura sistemática tem dupla finalidade: estar a par do conhecimento disponível, participar do fluxo cultural constante, informar-se de modo permanente, e alimentar o processo de formulação própria, de argumentar e contra-argumentar, de questionar e reconstruir; não deixa de ser um tipo de analfabetismo a falta habitual de leitura instigadora nas pessoas (...) (ibid., p.31).
Torna-se essencial que cada escola tenha sua biblioteca sempre renovada, com livros, enciclopédias, livros didáticos de toda sorte, vídeos e filmes, dados importantes sobre a realidade nacional, regional e local. Além do material ligado às necessidades curriculares (alfabetização, disciplinas usuais previstas), é mister ter uma série de apoios importantes como obras sobre propedêutica, enciclopédias e dicionários, literatura em geral, revistas informativas, etc. (ibid., p.27).
Percebe-se, portanto, o relevante papel das bibliotecas escolares no processo de requalificação da pesquisa na escola, que não pode ser concretizado em virtude de seu incipiente estágio de desenvolvimento. Esta situação traz como conseqüência uma migração intensa de estudantes do ensino fundamental e médio para as bibliotecas públicas e comunitárias, chegando a atingir também as bibliotecas universitárias e especializadas. São sujeitos em busca de informações referentes às temáticas – objeto das pesquisas escolares; estão em busca do conhecimento disponível como pré-requisito à concretização do processo de questionamento reconstrutivo. O atendimento qualificado a essa demanda é um compromisso social dessas unidades informacionais com a educação escolar das novas gerações, o que tem exigido novas políticas e ações do trabalho de referência.
2 RENOVANDO E INOVANDO O TRABALHO DE REFERÊNCIA
Para contribuir no processo de requalificação de pesquisa escolar, o Departamento de Referência, da Biblioteca Comunitária, da Universidade Federal de São Carlos implantou um serviço especializado de atendimento à clientela escolar do ensino fundamental e médio, assumindo a concepção reconstrutiva e emancipatória da educação e da pesquisa. Seus objetivos podem ser assim sintetizados: identificar, selecionar, reunir, processar e disponibilizar fontes de informação educativa; desenvolver o “processo educativo de referência”; orientar e promover o uso da biblioteca e dos recursos informacionais.

Nesse sentido, a atividade especializada de referência para os estudantes abrange três ações processuais, complementadas por uma reorientação metodológica do processo referência:



  • a identificação dos usuários e de suas demandas informacionais;

  • a ampliação continuada de seu estoque informacional;

  • o desenvolvimento de uma base de dados de referência.

Estas ações estão integradas por uma opção de gerenciamento dirigida para a avaliação contínua da eficiência e eficácia dos serviços oferecidos, baseada na coleta e sistematização de dados de cada atendimento realizado. Os dados referentes à identificação dos usuários e de suas demandas informacionais amparam o desenvolvimento dos recursos informacionais e as fontes de informação utilizadas para a solução de cada questão de referência são indexadas, registradas e armazenadas em uma base de dados específica, para posterior recuperação e acesso em situação similar de referência. As seções a seguir detalham essas ações.
2.1 O PROCESSO EDUCATIVO DE REFERÊNCIA
O atendimento aos estudantes é realizado pelos bibliotecários de referência, profissionais que possuem a função de informar, orientar e estimular o uso da informação, na qualidade de um “professor informal”. Como afirma Mueller (1998, p.66), os traços marcantes do perfil profissional do bibliotecário/professor são muito semelhantes aos do professor, cuja preocupação não é apenas fornecer a informação propriamente dita, mas orientar pessoas na aquisição de conhecimentos e prepará-las para que possam, sozinha, buscar informações sempre que precisarem.

Sendo assim, é muito importante que o bibliotecário de referência seja capaz de entender a questão solicitada, interpretá-la no contexto correto e realizar as operações mentais que o levem às fontes certas para encontrar a informação relevante ou responsiva de acordo com as necessidades do usuário escolar.

Na Biblioteca Comunitária, existe um cuidado peculiar em estabelecer uma parceria atenciosa, amigável e esclarecedora sobre os procedimentos efetuados, desde a busca da informação nas bases locais, prosseguindo durante a localização das fontes na ambiência física e chegando até à fase de seleção da resposta com explicação ou a caracterização dos conteúdos das fontes de informação, para que o usuário escolar possa concluir sua tarefa de forma satisfatória e usufruir com independência e facilidade os recursos disponíveis na biblioteca
2.2 A IDENTIFICAÇÃO DOS USUÁRIOS E DAS DEMANDAS DE INFORMAÇÃO
A interação entre o bibliotecário de referência e o usuário escolar se inicia com o questionamento e a anotação manual em um impresso próprio (anexo A) da sua solicitação temática, série e escola, objetivando conhecer as suas necessidades informacionais e restringir e/ou ampliar a abrangência e graduação textual. Essa anotação e coleta primária permite observar algumas características informacionais próprias do público escolar, como:


  1. procura por assuntos da atualidade - o que aconteceu ontem, hoje já se discute em sala de aula, e amanhã estarão pesquisando. Exemplos, cada um no seu tempo: Incêndio do Índio Pataxó em Brasília; Massacre de Corumbiara; Massacre em Eldorado dos Carajás; Desastres Ecológicos; Clonagem; Plantas transgênicas; etc...;

  2. predominância da especificidade - dentro de uma área curricular, presença de vários tópicos e enfoques. Exemplos: Período Republicano; República da Espada; República das Oligarquias; Influência do Marquês de Pombal na vida cultural do Brasil no período colonial; Período Colonial Brasileiro, Doenças transmitidas pelo ar, por bactéria, por vírus;

  3. abrangência dos temas de pesquisa - assuntos de todas as áreas do conhecimento humano;

  4. temas curriculares repetitivos ou sazonais, isto é, solicitação de um mesmo tema em determinadas épocas do ano, especialmente nas datas comemorativas; exemplos: Dia do índio; Tiradentes; Festas Juninas; Independência do Brasil; Proclamação da República; etc...;

  5. predominância de solicitações nas áreas de ciências médicas, geografia geral e do Brasil, economia mundial e do Brasil, ciências biológicas e biografia.

O conhecimento dessas características permite antecipar e direcionar muitas das ações e aperfeiçoar os serviços de referência.

No segundo momento, ocorre a identificação e a busca das fontes apropriadas respaldadas pelo acesso às bases de dados locais. Quando não há indicativo nas bases, busca-se direto no acervo interno ou externo - considerando que a informação deverá ser buscada onde ela estiver, em vista da contribuição que essa atividade extra-classe tem no processo ensino aprendizagem.

Localizando-se as fontes informacionais pede-se confirmação ao usuário sobre o material encontrado, e com o cuidado de fornecer mais que um, em vista da preocupação com relação à sua liberdade de seleção amparada por uma orientação sobre o seu conteúdo.

O processo se completa com o registro em ficha rascunho das obras selecionadas e utilizadas pelo usuário (anexo B) e sua posterior alimentação na base de dados “Prajá” desenvolvida para esse fim.

2.3 A AMPLIAÇÃO CONTINUADA DO ESTOQUE INFORMACIONAL
Uma ação simples de cunho exploratório (registro de quem são, o que querem e para quê...), fornece subsídios estatísticos valiosos ao identificar os temas de maior demanda e sua equivalência com o acervo existente na biblioteca; quando aponta as áreas deficitárias e direciona a aquisição de obras para o desenvolvimento de coleções que suprem as necessidades informacionais para o atendimento ao escolar; quando permite que a informação solicitada seja identificada, coletada, preparada, armazenada e disseminada atingindo os vários níveis do ensino fundamental e médio; quando suas solicitações, recaindo muito sobre a atualidade que nem sempre estão localizadas em fontes convencionais (obras de referência, livros didáticos), direciona para o desenvolvimento de um acervo alternativo que procura atender essa demanda.

Para esse fim, foi organizado um Banco de Imagem e Texto (BIT), composto de artigos de periódicos (jornais e revistas), textos obtidos na Internet, textos de programas de computador em CDs (multimídia), enfim, qualquer outro suporte alternativo que contemplem as solicitações, os quais são condicionados em pastas suspensas de A x Z.

Para fomentar esse serviço, os bibliotecários responsáveis tem atividades diárias motivadas pela demanda das solicitações, como: leitura de jornais e revistas, leituras de vários suportes informacionais, acesso à Internet, e outros recursos que ampliam o estoque informacional e favorecem a eficiência do atendimento ao escolar. Essas rotinas estão esquematizadas no anexo C.

Com esse procedimento, oferece-se textos sempre atualizados que cumprem a função tanto informativa como educativa, acompanha-se a rotatividade curricular, os acontecimentos mundiais do dia a dia, e alimenta-se a Base de Dados “Prajá” – a principal ferramenta no atendimento ao usuário escolar. Essas ações conjuntas de identificar, localizar e registrar em uma base própria o assunto encontrado, possibilitam um desenvolvimento permanente do “insumo” informacional voltado ao ensino fundamental e médio e consistência dos serviços de referência prestados a eles. Essas ações estão demonstradas no anexo C.


2.4 O PROCESSO DE INDEXAÇÃO

O procedimento para a indexação se inicia a partir da solicitação do tema de pesquisa pelo usuário (e sempre a partir dele) e converge para a:

a) Leitura do documento (caracterizada pela análise de partes do documento/ texto: capítulo de livros, artigos de jornais e de revistas, folhetos...;

b) Identificação do tema principal - sempre orientada pela solicitação do usuário;

c) Extração de palavras que representam e identificam o conteúdo do texto (termos específicos, gerais e relacionados), normalizando o quanto possível (e nem sempre possível) nos tesauros utilizados pelo Departamento de Processamento Técnico (anexo C);

d) Respeito à tipologia do texto (do simples ao complexo), em vista da diversidade do atendimento (níveis de usuários do ensino fundamental, médio, universitário e público em geral), e ao enfoque que se dá ao tema/pesquisa (termos variantes);

e) Representação descritiva da fonte;

f) Registro na Base de Dados “Prajá”.

Essas etapas estão representadas no anexo C.

2.5 A BASE DE DADOS “PRAJÁ”

A base de dados “Prajá” pode ser considerada a memória temática e informacional do trabalho de referência: armazena os temas das pesquisas escolares e as respectivas fontes de informação (questões temáticas e respostas informacionais).

É um produto de informação gerado a partir de um princípio de documentação, na medida em que todas as fontes utilizadas para a resposta a uma questão de referência são registradas e armazenadas, pois pressupõe-se que a questão poderá ser novamente formulada e que a memória pessoal a longo prazo dos profissionais não é capaz de armazenar e recuperar tamanho volume de informação, o que apenas é viável com o uso da informatização.

A base tem o nome “Prajá” para caracterizar a maneira rápida na localização dos suportes informacionais e atender as solicitações.

Foi desenvolvida com o objetivo de efetivar um atendimento rápido e eficiente na localização dos suportes informacionais; para atender as necessidades informacionais desse novo segmento da comunidade externa, o público escolar do ensino fundamental e médio; para não perder as informações levantadas após as investigações, que quase sempre dispendem um tempo considerável; pelas dificuldades em encontrar no acervo existente no ambiente universitário textos apropriados para o escolar, que necessita de respostas (informações) em linguagem simples, didática e conceitual; para a localização da informação com independência por funcionários auxiliares e usuários; e por fim, para seguir a tendência da Biblioteca Comunitária em desenvolver sistemas automatizados para os vários serviços que oferece.

O desenho da base de dados considerou as peculiaridades do tipo de público, a abrangência dos temas de pesquisa e a diversidade de suportes informacionais, o que resultou nos seguintes consensos:


  1. seu formato deveria ser simples e ao mesmo tempo atender os vários níveis do ensino;

  2. deveria apresentar uma representação descritiva simplificada, mas que representasse os vários tipos de material informativo; nessa representação, a colocação do número de página como indicativo da localização exata do tema de pesquisa na fonte informacional seria essencial e imprescindível – é o que a diferencia das demais bases existentes;

  3. deveria constar, também, a localização física dos suportes informacionais na área de armazenamento da Biblioteca Comunitária (piso e bloco de estante);

  4. deveria ser desenvolvida em MicroIsis, semelhantemente às demais bases locais já existentes.

2.5.1 REGISTRO DAS FONTES INFORMACIONAIS (DADOS IDENTIFICADORES)

A tela principal possui duas alternativas de operação: o cadastro e a consulta.

O registro das fontes informacionais é feito em planilhas de entrada de dados ou de cadastro, de uso exclusivo da equipe de Referência. A opção consulta permite o acesso do usuário para o processo de recuperação.

Tela principal






PRAJÁ





























A




B
































Cadastro



Consulta





































































Aplicativo


Acessórios


Principal


Início

Jogos





Analista de sistema da Biblioteca Comunitária: José de C. Assumpção Neto (neto@power.ufscar.br)

A planilha de registro é única para todos os tipos de suportes, possuindo dezesseis campos de informação, explicitados a seguir:


Planilha para registro das fontes informacionais



Base de Dados do Acervo – Biblioteca da UFSCar


PRAJA/1








Classificação

[10]

B304.2

Cutter

[13]

M294g




Autoria

[20]




Título

[30

MANUAL global de ecologia

Subtítulo

[33]




Título Periódico

[301]







Desc. Física

[61]

p.230.

Imprenta

[53]

1990.

Descritor/Assunto

[100]

EFEITO ESTUFA

Forma Variante

[101]

AQUECIMENTO DA TERRA%AQUECIMENTO GLOBAL%CLIMATO

Notas Explicativas

[98]

Reservado na Referência

Observações

[90]




Piso

[150]

PISO 3 (DIREITA – BLOCO 1)

Tipo de Documento

[108]

LIV

Tipo Publicação

[107]

M

Data Cadastro

[110]

1997/02/27



 - Próx.Pág.

X - Saída

B – Pág. Anterior

D – Apaga

M – Modifica

C – Cancela

N – Novo Registro

T – Fim da Revisão



MFP 00382




Significado dos campos

[10]


Classificação - Código do assunto; indicar antes da classificação: t = tese/dissertação; B = banco do livro texto; R = referência; E = ensino fundamental; G = monografia geral. Ex.: T168.01; B530; R030.9; EI; EJ510; G345.098;

[13]




Cutter - Classificação do autor;

[20]




Autoria (monografia): sobrenome (caixa alta), nome completo (extenso); mais que 1 colocar o 1º e at al; Ex.: NASCIMENTO, Edson Arantes do;

[30]




Título da obra. Observação: no caso de número digitar <100=cem> dias, o futuro da história; <2001=dois mil e um>, uma odisséia no espaço;

[33]




Subtítulo da obra, em letras minúsculas;

[301]




Título do periódico por extenso;

[61]




Descrição física: para monografia: volume, página e série

para periódico: volume, número, página, mês e ano;



[53]




Imprenta - Local de publicação, casa publicadora, ano de publicação da obra - para monografia. Ex.: São Paulo : Ática, 1996.;

[100]




Descritor - Livre: assunto principal, tema / pesquisa solicitado;

[101]




Forma variante de descritores - identificam o conteúdo do texto (área, enfoque...);

[98]




Notas explicativas - Para o usuário, informações complementares sobre a situação da obra. Ex.: Reservado na Referência;

[90]




Observações internas dirigidas ao processamento técnico;

[150]




Piso onde se encontra a obra na biblioteca (em caixa alta). Ex.: PISO 3 (ESQUERDA – BLOCO 1)

[108]





Tipo de documento – Código do tipo de documento. Ex.: APO = apostila, APN = periódico nacional, REC = recorte de jornal – essa indicação determina a disposição dos dados da obra na tela de apresentação para o usuário;

[107]




Tipo de publicação – Colocar M para monografia e P para periódico

[110]




Data do cadastramento da obra, AAAA/MM/DD. Ex.: 1995/02/25 (Para facilitar e agilizar o cadastramento definir valor default a data do dia;

2.5.2 SISTEMA DE RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO



A recuperações de informações na base de dados é realizada através de expressões booleanas de busca, exemplificada abaixo:
Tela para consulta




QISIS – Versão 1.01

© BIREME / OPAS / OMS




UFSCar

-

Biblioteca Comunitária

-

Base Prajá




Entre com a expressão de busca:








































Efeito*estufa





















































































































A

ESC


Sai

B

F1

Ajuda



C

F2

Índice



D

F6

Apaga









E

Enter


Pesquisa

O sistema fornece dois tipos de informação: o quantitativo das fontes pertinentes e a relação bibliográfica das mesmas, conforme exemplificação a seguir:



Tela de resultado da busca





































1




3/34

3

4










2




B304.2

M294g

PISO 3 (ESQUERDA – BLOCO 1)

REG = 000382/00382










5




MANUAL global de ecologia










6




- - 1990.

(monografias)










7




p.230.










8




Observações: Reservado na Referência










9




Descritor:

EFEITO ESTUFA










10




Variante:

AQUECIMENTO DA TERRA / AQUECIMENTO GLOBAL / CLIMATOLOGIA / ECOLOGIA / GEOFÍSICA / POLUIÇÃO / TEMPERATURA










11




4/34



















056.9-SUP




PISO 2 (REFERÊNCIA)

REG = 000383/00383
















Superinteresante
















v.4, n.11, p.11, nov.1990.

(periódicos)
















Descritor:

EFEITO ESTUFA
















Variante:

AQUECIMENTO DA TERRA / AQUECIMENTO GLOBAL / CLIMATOLOGIA / ECOLOGIA / GEOFÍSICA / POLUIÇÃO / TEMPERATURA
















5/34

(relação de outras fontes)































C a m p o s



1

número específico e número total de referência sobre o mesmo tema / pesquisa;



2




classificação do assunto e do autor (Cutter) da obra;

3




piso (andar) onde está localizada a fonte, direção e localização da estante;

4




número do MFP (número da planilha preenchida);

5




título da fonte;

6




data de publicação da fonte;

7




página para localizar o tema / pesquisa;

8




observações necessárias;

9




descritor principal (tema / pesquisa);

10




descritores variantes (extraído do conteúdo do texto);

11




relação de outras referências com o mesmo assunto.

A Base de Dados “Prajá” está servindo ao propósito de oferecer tecnologia e informação com simplicidade, porém com eficiência e eficácia, aos vários níveis da comunidade escolar. Possui, atualmente, em torno de 6.500 itens informacionais representativos da demanda expressa pelos usuários. Estudo realizado por Gomes (1999, p.67), demonstrou que de agosto de 1997 a julho de 1998 a Base de Dados “Prajá” atendeu a 95,37% do total dos temas solicitados pelos usuários escolares, com apenas 4,63% dos assuntos não registrados.


2.6 CONCLUSÕES
Pelos resultados obtidos, pode-se afirmar que o serviço implantado renova e inova o modelo processual da atividade de referência para o atendimento de estudantes do ensino fundamental e médio, ampliando sua dimensão informacional, avaliativa e educativa.

ANEXOS:




Compartilhe com seus amigos:
  1   2


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
Universidade estadual
união acórdãos
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande