Serviço de Prophylaxia da Lepra do Estado



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OBSERVAÇÃO VIII M. M. (n.° pront. 1042), 31 anos, branco, brasileiro, casado, comerciario, internado em 19-1-32. Nos ultimos meses de 1929, apareceu-lhe a primeira manifestação da doença: uma macula pigmentada, anestesica, localizada no ante­braço direito. Essa macula, cujo aparecimento foi brusco, não au­mentou de tamanho, e assim permaneceu, durante dois anos, unica, quando a doença se generalizou.

OBSERVAÇÃO IX E. F. (n.° pront. 6424), 36 anos, branco, brasileiro, solteiro, lavrador, internado em 13-1-33. Em 1928, apareceu-lhe um tuberculo no punho esquerdo, que perma­neceu unico durante um ano, quando foi acometido de um forte resfriado, acompanhado de dores reumatóides, após as quais lhe apareceram outros tuberculos.

OBSERVAÇÃO X A. O. (n.° pront. 7521), 28 anos, branco, brasileiro, casado, ferroviario, internado em 20-11-34. In­forma que, ha cinco anos, apareceu-lhe uma macula eritematosa, anestesica, na nadega direita, que permaneceu unica e inalterada durante mais de dois anos, quando lhe apareceram outras manifes­tações da doença.

OBSERVAÇÃO XI S. G. (n.° pront. 9727), 37 anos, branco, brasileiro, casado, operario, internado em 31-XII-35. Re­lata que, ha onze anos, aproximadamente, apareceu-lhe uma pe­quena macula eritematosa na face, que não foi precedida por ne­nhuma outra lesão e nem por sinais prodromicos da doença, que aumentou lentamente e permaneceu, unica durante dez anos, findos os quais outras maculas identicas lhe apareceram no corpo.

OBSERVAÇÃO XII P. A. C. (n.° pront. 9804), 13 anos, branco, brasileiro, escolar, internado em 27-11-36. Refere que, ha três anos e meio, mais ou menos, apareceu-lhe uma macula ligeira­mente rosea, anestesica, do tamanho de uma moeda de 200 rs., na nadega direita, que não foi precedida por nenhuma outra lesão e permaneceu estacionaria até o seu internamento no Hospital.

OBSERVAÇÃO XIII F. G. P. (n.° pront. 1063), 46 anos, branca, italiana, viuva, domestica, internada em 9-X-36. Ha dez anos apareceu-lhe a primeira manifestação da doença: uma pequena macula eritematosa ,localizada no antebraço esquerdo; só sete anos depois é que apareceram-lhe tuberculos no corpo.

Todos esses casos apresentados por diversos autores, e por nós mesmos, parecem, á primeira vista, satisfazer plenamente, vir mesmo esclarecer toda a patogenia da doença, como sóe acontecer com sifilis, por exemplo, cuja patologia geral é perfeitamente conhecida. Mas, na realidade, com a lepra as cousas não se passam sempre desse modo. Do que se conhece da patologia da lepra, não nos é dado afirmar nem infirmar uma tal opinião.

Para Jeanselme (52) , nenhum dos casos apresentados é indis­cutivel. Contudo, não nega a existencia do cancro leproso. Se bem que a determinação precisa da porta de entrada é quasi sempre impossivel, porque esta não é denunciada, em geral, por um acidente

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primario, analogo ao cancro sifilitico, diz, a existencia de um só grupo ganglionar, correspondente ao territorio cutaneo, onde se lo­caliza a mancha unica, seria um argumento a favor dum acidente inicial.

Se em alguns casos, é verdade, parece a lepra iniciar-se por uma lesão unica, ou pelo menos é este o primeiro sinal de exteriorisação da doença, nada prova ser esse o logar por onde penetrou o bacilo de Hansen. O que sabemos da histologia e da clinica da lesão ini­cial cutanea e nasal, diz Jadassohn (47), não é o suficiente para diferencia-las dos sintomas não duvidosos da infecção geral.

Tendemos a crer que uma lesão unica, permanecendo mesmo durante muito tempo unica, já é uma manifestação (se podemos di­zer, do periodo secundario da doença), em que houve invasão dos orgãos profundos pelos bacilos. Esta é a opinião de Marchoux (77), dizendo que uma pequena mancha representa já uma infecção antiga, que implica na presença de milhões de germes. Seria ex­traordinario um parasito das celulas migradoras ficar acantonado em um ponto da péle, a multiplicar-se sem invadir o organismo.

A frequencia da localização das lesões cutaneas iniciais, que tem sido objeto de estudos de varios autores, é tambem um argu­mento a favor desta hipótese. Lembra Arning (4) que nos países tropicais, onde os habitantes andam descalços, as primeiras mani­festações da doença se observam muitas vezes nos membros infe­riores. Observações identicas foram feitas por Wurtz e Leredde (117), na Abissinia; Geill (33), na Ilha de Java; Boinet (12), em Tonkin; Cognaq e Mougeot (21), na Indo-China, Ehlers e Cahn­heim (30), na Ilha de Creta; Rogers e Muir (102), na índia; Go­mez (36), no Perú. E' preciso dizer-se, entretanto, com Jeanselme e Sée (54), que se registraram muitas vezes, como sinais iniciais, males perfurantes, pertencendo a um periodo avançado da doença. Recentemente, Rodriguez (101), Hernando e Alomia (45), Lara e De Vera (59) e Plantilla (99), nas Filipinas, examinando casos incipientes, sobretudo de crianças, filhos de leprosos, verificaram que as lesões iniciais aparecem mais frequentemente nas partes corpo desprotegidas pelas vestes.

Pelo que acabamos de expor, vemos claramente que, de fato, as regiões descobertas do corpo são geralmente onde aparecem, via de regra, as primeiras manifestações eruptivas da lepra. E isto é facil de compreender-se porque, em certos individuos, condições varias concorrem para o aparecimento da lesão inicial em determinadas regiões do corpo, uma vez que essas regiões são mais expostas, e, por conseguinte, mais sujeitas a contactos frequentes, traumatismos de qualquer natureza, excoriações, picadas de insetos, soluções de continuidades estas (variáveis segundo a intensidade e o grau de

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resistencia do tegumento cutaneo) que favorecem, naturalmente, a inoculação do bacilo da lepra.

Com referencia ao traumatismo, agindo como fator na infecção leprosa, mister se torna dizer que este pode agir tanto como um fa­tor coadjuvante, isto é, abrindo uma solução de continuidade na péle, que favorecerá a penetração do bacilo da lepra, como determi­nando um logar de menor resistencia no tegumento cutaneo, onde aparecerá a lesão inicial, quando supomos já existir uma infecção le­prosa latente.

Em se tratando da localização das lesões iniciais nas regiões descobertas do corpo, não se pode deixar de referir, ainda, o papel que desempenham os insetos, como vectores de bacilos de Hansen na transmissão da lepra.

Vamos ocupar-nos apenas das moscas e dos mosquitos, dei­xando de lado os outros insetos por lhes atribuirmos, aqui, um papel secundario.

A teoria da transmissão da lepra por moscas e outros dipteros foi formulada por Daniel Beauperthuy (26), antes mesmo da des­coberta do bacilo por Hansen.

Em 1886, Leloir (67) considerava os mosquitos como agentes possiveis na transmissão da lepra. E Arning (6) , em 1891, faz notar que o aparecimento da lepra, no Hawai, coincidiu com a in­vasão dos mosquitos.

As opiniões, porem, divergem de um modo absoluto. Se de um lado, Leboeuf (63 e 64), Sandes (104), Noc (93), Arizumi (2), Azami (10) e outros conseguiram encontrar bacilos de Hansen nas moscas e nos mosquitos, que haviam pousado ou picado leprosos, ao contrario, as pesquisas de Arning (6), Bourret (13), Currie (24) e muitos outros foram completamente negativas.

Vão mais adiante, alguns autores, restringindo, de acôrdo com o resultado de suas experiencias, a determinados insetos como unicos agentes capazes de transmitirem a lepra. Assim, Currie (25) acha que sómente a mosca deve ser encarada com graves suspeitas como sendo um dos meios de disseminação da doença, opinião esta endossada por Marchoux (77), dizendo não ser a mosca apenas um inseto insuportavel, mas perigoso.

Lutz (70), um dos defensores maximos da teoria culicidiana, diz que os unicos sugadores de sangue que podem ser tomados em consideração são os dipteros, principalmente os mosquitos.

Para Mouritz (89) os mosquitos não podem ser incriminados como fator ativo de expansão da lepra. Faz notar que, no Hawai, não são todas as raças igualmente atingidas pela lepra. E na Nova Caledonia, segundo Jeanselme e Sée ( 54 ), certas categorias de brancos são poupadas, se bem que não estejam ao abrigo de pica­das de mosquitos. Por outro lado, Marchoux e Bourret ( 80 e 81 )

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descobrem um pequeno fóco de lepra, na França, numa aldeia mon­tanhosa dos Alpes Maritimos, onde os mosquitos são desconhecidos.

Vejamos, pois, quais as razões que nos levam a admitir, em parte, as moscas e os mosquitos como agentes provaveis na trans­missão da lepra. A razão dos mosquitos alimentados em leprosos não conterem bacilos da lepra, conclue Currie (24), está no fato desses insetos, quando sugam o sangue, introduzirem a sua probo­cida diretamente no vaso sanguineo, obtendo-o assim livre de ba­cilos. Ora, assim sendo, podem os insetos transportar o bacilo de Hansen, dos doentes em franca reação leprotica, com bacilemia, ao individuo são. Fala a favor desta hipótese o aparecimento frequen­te de manchas multiplas ou surtos eruptivos disseminados em toda a superficie cutanea. Outrosim, o fato das moscas conservarem vi­vos, no seu tubo digestivo, durante quatro horas, os bacilos ingeridos, fato este bem estabelecido por Marchoux (77), indica que a infecção pelas moscas não pode ser sinão uma infecção da vizinhança.

Seja por qualquer um dos três mecanismos apontados por Jean­selme (52) : picando a péle e os capilares de um individuo são e ino­culando os bacilos, que sugaram de um leproso; fazendo uma picada, que pode servir de porta de entrada ao bacilo de Hansen; ou depo­sitando, numa solução de continuidade da péle já existente, os baci­los que se acham impregnados nas trompas e nas patas dos insetos, depois de terem sugado uma ulceração leprosa, — o fato é que as moscas e os mosquitos representam um papel, que se não importan­te, pelo menos não deve ser desprezado, na transmissão da lepra. Mas, é preciso que fique bem claro, não podemos considera-los como hospedes intermediarios, e sim como simples veiculadores de germes, operando, pode dizer-se, de um modo quasi direto.

Contudo, não nos parece cabivel que a primeira manifestação eruptiva seja o acidente inicial da lepra, porque, infelizmente, não podemos precisar o logar de inoculação do bacilo da lepra pela au­sencia de reação local e tambem devido ao longo periodo de incuba­ção da doença.

Na realidade, o que é logico concluir-se, é que a penetração do bacilo se faz pela mucosa nasal, ou sobretudo pela péle, indo lo­calizar-se, por via linfatica, ou principalmente por via hematogenica, primeiramente nos ganglios, que constituem verdadeiros reservato­rios de bacilos da lepra, donde se irradiam para todo o corpo, fa­zendo incursões para os troncos nervosos (que representam um ponto de predileção dos bacilos) e as visceras, e vindo localizar-se, após a generalização (anunciados ou não por sinais prodromicos), neste ou naquele logar da péle, onde já existe um "locus minoris resistentiae".




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Vejamos agora que, ao lado das formas latentes, incipientes, existem os casos representados por sinais minimos da doença, oli­gosintomaticos, ou mesmo monosintomaticos, que via de regra pas­sam despercebidos.

Arning (7) foi o primeiro que observou, no Hawai, em 1886, a existencia destes casos, apresentando durante muitos anos um ou dois sintomas de lepra, a que chamou de lepra abortiva. Eram certos estados da doença, pertencendo sobretudo ao grupo das le­sões nervosas, que considerava como um sinal de atenuação da virulencia geral da doença. Em carta dirigida a Ehlers (29) , em 1895, exprimia-se claramente assim: "Desta expressão de lepra abortiva eu me servi para designar certos estados patologicos, que se podiam observar no Hawai. Eram analgesias e atrofias mus­culares de natureza inteiramente circunscrita, tendo atingido, por exemplo, o musculo orbicular do olho ou sómente a eminencia hi­potenar, que persistiam desde dez ou vinte amos sem se modificar, sem nenhuma outra alteração, e por onde se devia supór, a lepra tivesse penetrado no organismo, tendo sido vencida depois de ter provocado perturbações muito fracas."

Moore (86) conhecia igualmente a existencia dessas formas e dizia, em 1890: "Uma pessoa pode apresentar sintomas tão fracos de lepra que certamente se dariam divergencias de opinião quanto ao diagnostico, e nenhum medico condenaria um tal individuo ao isolamento." Refere como sintomas mais precoces da lepra um es­pesamento ligeiro dos lobules das orelhas, a atrofia da eminencia tenar, a anestesia da extremidade do dedo auricular. E acrescenta: "Um individuo pode apresentar tais sintomas durante anos, mesmo durante toda a sua vida, pode atingir uma idade avançada e morrer de uma outra doença."

Em 1886, Ehlers (29), na Islandia, indo de casa em casa, nos fócos leprosos, e examinando principalmente as pessoas que acre­ditavam sãs, mas que viviam sob o mesmo teto com leprosos, con­statou que ao lado de pessoas que eram atingidas de lepra mani­festa, aos olhos de todos, havia pessoas que não apresentavam sinão um ou dois sintomas isolados da lepra, a que preferiu denominar de lepra frusta.

Num estudo realizado na Ilha de Creta, Ehlers e Cahnheim (30) apresentam nove casos de lepra frusta ou abortiva, apontando como sintoma mais frequente a camptodactilia, sindroma que se encontra frequentemente em países onde a lepra é endemica. A camptodactilia, que depende de uma neurite cubital, pode ser en­contrada em qualquer outra doença que determine essa neurite, de­vendo sua etiologia ser das mais diversas. Landouzy (58), em 1885, descreve a camptodactilia, correspondendo exatamente ao que se observa na lepra: "A deformação exclusivamente digital é ca‑

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racterizada pela inflexão permanente de um ou de varios dedos, do auricular só, ou do auricular e do anular, ou ainda do auricular, do anular e do medio, A curvatura do dedo resulta, seja da inflexão isolada da falangina sobre a falange, seja da inflexão da falangeta sobre a falangina associada á influencia da falangina sobre a fa­lange, conservando-se normal a articulação falango-metacarpiana e permanecendo a aponevrose palmar absolutamente indene. Estes caracteres diferenciam a camptodactilia da doença de Dupuytren, A camptodactilia predomina sempre no auricular: é por ele que ela se inicia, é nele que ela é mais acentuada; quando existe em um só dedo é o auricular o atingido." A camptodactilia leprosa, dizem Ehlers e Cahnheim (30), se diferencia da camptodactilia artritica, porque é acompanhada de alterações da sensibilidade.

Lesage e Thiercelin (68) publicaram uma observação, onde o primeiro sinal reconhecido pelo doente consistiu em uma anestesia dos dois auriculares, logo seguida de deformação (camptodactilia).

Entre nós, Mota (88), que tem procurado divulgar o conhe­cimento destas formas de lepra, apresenta, em trabalho publicado em 1932, duas observações de camptodactilia leprosa.

Faz notar Jeanselme (52) que na Indo-China o numero de Annamitas nos quais a lepra se traduzia unicamente por uma man­cha insensivel e acromica, ou por uma area de anestesia sem modi­ficação objetiva da péle, ou por uma garra auricular, era relativa­mente consideravel. Estes casos mudos da doença, diz, podem ser atribuidos a uma imunidade natural ou adquirida dos individuos.

A lepra frusta ou abortiva é, sem duvida, resultante de uma maior capacidade de resistencia do individuo á infecção, como ainda recentemente salientaram Cochrane (20) e Spindler (110).

As seguintes observações são de casos que permaneceram, du­rante muito tempo, com um ou outro sinal isolado, frusto, como unica manifestação da doença:

OBSERVAÇÃO XIV M. V. S. (n.° pront. 423), 36 anos,

branca, brasileira, casada, domestica, internada em 8-IV-34. In‑

forma que, aos 10 anos de idade, apareceu-lhe uma macula no braço direito, que aumentou lentamente, permanecendo unica até aos 24 anos, quando, após um parto, lhe apareceram maculas generalizadas no corpo.

OBSERVAÇÃO XV E. S. R. (n.° pront. 3611), 32 anos, branco, brasileiro, casado, eletricista, internado em 10-I-35. Em 1929, notou falta de sensibilidade no dedo auricular da mão es­querda e, pouco tempo depois, retração do mesmo dedo e ligeira atrofia do primeiro musculo interosseo dorsal; sómente quatro anos depois é que a doença generalizou-se.
OBSERVAÇÃO XVI J. A. L. (n.° pront. 8261), 37 anos,

pardo, brasileiro, casado, lavrador, internado em 19-1II-35. Refere

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que, ha dezoito anos, apareceu-lhe uma lepride bolhosa no joelho direito e, um ano depois, outra no joelho esquerdo; cinco anos de­pois, os dedos começaram a flectir-se, aparecendo-lhe, tempos de­pois, outros sinais da doença.

OBSERVAÇÃO XVII B. J. S. (n.° pront. 5548), 43 anos, pardo, brasileiro, casado, carroceiro, internado em 5-IV-35. Ens 1924, apareceu-lhe uma macula acromica, do tamanho de uma moeda de 400 rs., no antebraço direito; só quatro anos depois é que apa­receram-lhe outras maculas identicas no corpo; o dedo auricular da mão esquerda começou a flectir-se e, em sguida, a atrofia dos mus­culos das eminencias tenar e hipotenar e dos interosseos da mesma mão.

OBSERVAÇÃO XVIII V. N. (n.° pront. 10055), 60 anos, branco, espanhol, casado, ferroviario, internado em 14-XI-35. Relata que, ha dezeseis anos, começou a sentir formigamento no dedo auricular da mão direita, que durou três anos, quando se instalou a camptodactilia leprosa; e sómente treze anos depois, a atrofia dos musculos das eminencies tenar e hipotenar e dos interrosseos da mão direita, aparecendo-lhe, em seguida, maculas generalizadas no corpo.

OBSERVAÇÃO XIX — M. C. (n.° pront. 10215). 25 anos, branco, brasileiro, solteiro, comerciante, internado em 31-XII-35. Precisamente ha quatro anos e meio apareceu-lhe uma macula acromica, do tamanho de uma moeda de 200 rs., na coxa esquerda, que não foi precedida por nenhuma outra lesão e nem por sinais pro­dromicos da doença; quatro anos depois, mais ou menos, quando fora vacinado contra a variola, apareceu-lhe, no logar da vacina, um tuberculo do tamanho de uma ervilha, sendo que, quatro anos; depois, outros tuberculos apareceram-lhe no corpo.

OBSERVAÇÃO XX F. M. (n.º pront. 10792), 41 anos, branco, brasileiro, casado, operario, internado em 22-A1-36. Ha treze anos, precisamente, notou falta de sensibiildade no tornozelo esquerdo; e só quatro anos depois, é que apareceram-lhe maculas no tronco e a doença generalizou-se.

Além das formas que acabamos de descrever, temos a dizer, fugindo ás discussões doutrinarias havidas em torno do assunto, que a lepra pode ainda reproduzir, traço por traço, o quadro da es­clerodermia e da esclerodactilia, da siringomielia e do panaricio anal­gesico de Morvan e do ainhum, sindromas estas nas quais a lepra pode intervir, algumas vezes, representando o papel de agente etio­logico.

Repitamos, portanto, as palavras de Ehlers (29), a lepra se comporta como as outras infecções cronicas, ha formas graves e formas benignas. E' natural que as formas graves tenham sempre chamado a atenção dos doentes e dos medicos. Mas, as formas be­nignas devem existir e existem seguramente.

Vemos, pois, o papel importante que representam ssses doende formas frustas, passando comumente despercebidos.

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Merecem, ainda, ser referidas as formas de lepra atipicas.

Não raro são os casos que se nos apresentam, sobretudo no ini­cio da doença, com aspectos os mais variados possiveis, simulando as mais diversas dermatoses.

Deixando de lado os casos em que a lepra se pode mostrar ati­pica quanto á sua evolução e mesmo quanto á localização das le­sões, casos ha que se revestem de sinais isolados, não acompanha­dos, pelo menos aparentemente, de outros sintomas caracteristicos da doença, podendo simular desde as dermatoses mais banais até as de diagnosticos muitas vezes dificeis.

A lepra pode ainda se revestir dos sinais peculiares a certas der­matoses, pertencentes ao grupo das tuberculides (Sarcoides ou lu­poides de Boeck, eritema duro de Bazin, sarcoides hipodermicos de Darier-Roussy, lichen scrofulosorum, granuloma anular, lupus per­nio... ), constituindo a chamada lepra tuberculoide. Neste caso, muita vez, passa despercebido, porquanto o exame bacterioscopico nada nos auxilia, visto que via de regra não se encontram bacilos de Hansen, pois são lesões pauci-bacilares. E sómente o exame clinico aprofundado, procurando descobrir outros sinais da doença, confir­mado pelo exame histo-patologico da lesão, que revela uma estru­tura histologica caracteristica, propria das lesões tuberculoides, per­mite estabelecer o diagnostico de lepra.

Os estudos efetuados por Gomez, Basa e Nicolas (37) , em 1922, em crianças, filhos de leprosos, deixaram campo aberto a pesquisas, que foram prosseguidas, sobretudo no terreno da pato­logia da lepra. Mostraram, estes autores, que as lesões iniciais mais frequentes são maculas acromicas, não bacilares, que se localizam na péle da criança. Estas precedem a outras manifestações cuta­neas ou leprosas, e evoluem progressivamente para lesões leproticas tipicas, bacilares.

Ora, é hoje reconhecida pela maioria dos autores a alta suscep­tibilidade da criança á infecção, Assim como numerosas estatisticas mostram que as partes descobertas, mais expostas, do corpo, e por­tanto mais sujeitas a contactos frequentes, favorecem a inoculação do bacilo de Hansen.

Tais fatos levaram os leprologos filipinos a um exagero nas suas conclusões.

Manalang (72), á frente de uma pleiade de pesquisadores, conclue que a causa da lepra não é o bacilo acido-resistente, mas o seu virus; o bacilo da lepra é um sintoma que aparece mais tarde, não encontrado na fase inicial. A fase anacido-resistente do Mico‑

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bacterium leprae é infecciosa, o acido-resistente é inativo; o doente bacteriologicamente negativo é tambem capaz de transmitir a doen­ça, visto que o virus é capaz de produzir um granuloma infeccioso num doente clinica e bacteriologicamente negativo. A doença é transmissivel por contactos frequentes e prolongados, péle contra péle ( skin-to-skin), na infancia; francas manifestações aparecem mais tarde no decurso da vida. Os adultos não são susceptiveis.

Esta teoria, que vem ganhando terreno nas Filipinas, é baseada nos seus estudos de achados histo-patologicos. Tal é a convicção desse autor que, segundo dizem, para provar a imunidade do adulto á infecção, inoculara-se com a lepra. Isto ha uns quatro anos.

Para nos tornarmos mais claros, se bem que fugindo do plano traçado por nós neste trabalho, dada a complexidade do assunto que vimos estudando, procuraremos resumir, em poucas palavras, no que se baseia o autor para estabelecer um ciclo evolutivo histo­patogenico.

Observando Manalang (73) que a distribuição das lesões le­proticas na péle dos doentes adultos é identica á lesão leprotica bacterioscopicamente negativa dos filhos de doentes, retirou de tais areas de predileção, como nadegas, coxas, antebraços, etc., materiais para estudos. Atualmente, Manalang (74) já retirou fragmentos de péle de mais de 500 individuos, incluindo a pesquisa de bacilos nos tecidos, sendo que, de 200 casos aproximadamente, 20.000 cortes em serie foram preparados e estudados.

Verificou que na macula precoce da criança, onde não se en­contram bacilos acido-resistentes, a reação tissular mais precoce é a infiltração celular peri-vascular. Depois, de dois a mais anos, apa­rece a reação tuberculoide mui raro bacterioscopicamente positiva e clinicamente identica á macula tuberculoide anestesica. Em seguida, ha formação do tuberculo geralmente fibroso, bacterioscopicamente positivo. E, finalmente, depois de varios anos, aparece o leproma tipico, com grande quantidade de bacilos.

Pois bem, partindo da macula precoce, onde não se encontram bacilos, constatou uma infiltração celular peri-vascular; depois, o aparecimento de celulas gigantes tipo Langhans, onde poucos ou nenhum bacilo é encontrado, — é a reação tuberculoide; a medida que a esclerose aumenta, aparecem bacilos acido-resistentes difte­roides e cocoides e em seguida bacilos tipicos, — é a formação do tuberculo; finalmente, os bacilos provocam o aumento do numero dos macrofagos (celulas de Virchow) , que enchem os espaços entre as ramificações fibrosas do tecido conjuntivo, dando origem ao le­proma com bacilos em abundancia.


Nos casos de involução das lesões leproticas, consequente ao tratamento, a evolução se processa ao inverso. No casos de re­caida, o processo se repete como na evolução da macula precoce.

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Baseado nestes fatos, estabelece um verdadeiro ciclo evolutivo do Micobacterium leprae.

A escola filipina conta hoje com grande numero de adeptos. Chiyuto (19) acredita tambem na existencia de uma fase anacido­resistente ou virus no ciclo vital do bacilo. Estudando clinica e histo-patologicamente crianças, filhos de leprosos, isolados após sete meses de contacto com seus pais, encontra, como lesões preco­ces, maculas acromicas, que progrediram para lesões leproticas fran­cas em cerca de 22,5%. Em 35% dos casos, uma ou mais dessas maculas despigmentadas tornaram-se eritematosas, com bordas mais ou menos infiltradas, que podem ser atribuidas á lesão inicial unica, encontrada em 93% dos casos por Rodriguez (101) .

E Velasco (116), participando das mesmas idéias, diz que as lesões precoces reconheciveis são ordinariamente nas superficies descobertas da péle da criança, que, na primeira ou segunda infan­cia, são mais frequentemente tocadas com a mão, quando carregadas pela mãe ou pessoas doentes da familia. A distribuição e logares de predileção dessas lesões correspondem aos do adulto, mostrando que são produzidas desde a infancia.

Esta teoria, bastante engenhosa e parecendo mesmo á primeira vista aceitavel, dada a maneira tão categorica como é expressada, não passa, a nosso ver, de uma teoria capciosa, trazendo confusão nas idéias dos leprologos. Acompanhada de um exagero, como sóe acontecer a todas as idéas novas, deram-lhe um valor, que, na reali­dade, ela não tem. Tanto asim que nas Filipinas, a despeito de um numero não pequeno de prosélitos que ela fez, continua ainda ape­nas como teoria, não encontrando aplicação na pratica.

Para mostrarmos que é inaceitavel a teoria emitida pela escola filipina, basta apresentarmos alguns argumentos incontestes de or­dem epidemiologica.

O fato da criança ser altamente susceptivel á infecção, não quer dizer que só ela adquira a doença. A aptidão para contrair a doença, diz Jeanselme (52), existe em toda idade. Esta se mostra em um grande numero de casos no adulto. Como explicar, então, o aparecimento da doença em individuos de 50 anos ou mais. Nem mesmo se admitindo os longos periodos de incubação. Spindler (110) faz notar que, na Estonia, a maioria dos casos de lepra são infectados só depois dos 30 anos. Entre nós, e em outros países, onde a corrente emigratoria é grande, tem-se observado numerosos casos em adultos, cuja infecção parece, ás vezes, recente.

Considerar o doente bacteriologicamente negativo como capaz de transmitir a doença, é vir de encontro a fatos epidemiologicos já comprovados. O doente de forma aberta é sem duvida mais con­tagioso que o de forma fechada. E' o que nos mostram as estatísti­cas de diversos países, cujo decrescimo do numero de doentes se

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fez sentir com o afastamento, da coletividade, do fóco de contagio. Afirma Muir (91) que, na India, mais de 50% dos casos de lepra diagnosticados clinicamente são bacteriologicamente negativos, e que tais casos não são considerados infecciosos, sendo o seu isola­mento desnecessario.

O doente bacteriologicamente negativo é considerado, á luz dos conhecimentos atuais, como incapaz de transmitir a doença.

E' preciso que fique bem claro, admitimos os doentes aparente­mente sadios como fonte de contagio, desde que tenham descargas bacilares intermitentes, podendo, nesses periodos, tornarem-se tão contagiosos como os bacteriologicamente positivos. E, neste caso, deve ser levada em conta a maior ou menor susceptibilidade do con­tagiado, que em um dado momento pode contaminar-se, enquanto que um outro menos receptivel não favorecerá a penetração do ger­me no seu organismo.

Incontestavelmente, não se pode negar o valor dos leprologos filipinos. Muito se tem ganho com as suas contribuições, sobretudo no terreno da terapeutica e mesmo da patologia da lepra.

Contudo, achamos que eles foram muito precipitados e as suas conclusões prematuras.

Dada a impossibilidade que se tem apresentado para se des­cobrir o meio de cultura e o animal de inoculação do bacilo da lepra, empreenderam os seus estudos para o lado da patologia. Se de muita utilidade e muito esclareceram as suas pesquisas, mais contri­buiriam e melhor interpretação poderiam ter se secundassem essa descoberta.

Indiscutivelmente, o verdadeiro e logico caminho a seguir será o de procurar experimentalmente descobrir o meio de cultura e o animal de inoculação do bacilo da lepra. Não se justificam as inumeras tentativas infrutiferas. Menciona-las seria um nunca acabar. E mesmo dezenas foram as pessoas que se submeteram á inocula­ção, todas negativas, com exceção do caso já bastante conhecido do condenado Keanu, inoculado por Arning (3), no Hawai, em 1884, cuja experiencia é invalidada, pois havia leprosos na sua familia, com os quais convivera.

Mas, isto não importa. O fato é que deve existir um meio de cultura e um animal receptivel ao bacilo da lepra. Se muitos foram os meios de cultura experimentados e muitos os animais inocula­dos, muitos outros meios de cultura e animais existem, que não fo­ram ainda tentados. E' possivel até que seja um dos meios de cul­tura já experimentados e um dos animais já inoculados. As condi­ções que contribuem para o êxito dessa experimentação variam den­tro de extensos limites. Exigem artificios de tecnicas tão delicados, que seria difícil estabelece-los. O que nos mostra a patologia ex­perimental é que os "resultados obtidos são diferentes, segundo a via

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de inoculação fõr hipodermica, intramuscular, intravenosa ou outra.

O trabalho de Vaudremer e Mlle. Brun (115), para não ci­tar sinão um dos mais recentes, é bastante interessante e ao ler-se não deixa duvida de que realmente já se conseguiu o meio de cul­tura e o animal de inoculação do bacilo da lepra. Mas, infelizmen­te, esse trabalho, que pareceu coroado de exito, morreu com a sua publicação. Os resultados positivos apresentados, por estes auto­res, não os foram nas mãos de outros, o que praticamente equivalem a resultados negativos. Não obstante, mister se torna reconhecer que essas pesquisas servirão de base para novas experimentações.

Toda e qualquer tentativa, não empreendida nesse sentido, será, a nosso ver, improficua.

Lamentamos, por isso, o resultado a que chegou a escola fili­pina, para a qual as vistas do mundo inteiro se voltaram esperanço­sas de novas conquistas.

Aceitar uma tal teoria como verdadeira seria destruir todo um conjunto de fatos concretos, que se vêm acumulando, nascidos da experiencia de seculos. Seria menosprezar os principios fundamen­tais de profilaxia da lepra e demolir todo um arsenal perfeitamente equipado para o combate ao mal de Hansen.

Em conclusão, crêmos ter demonstrado satisfatoriamente, de acôrdo com estas premissas, a existencia inegavel dos doentes apa­rentemente sadios como fonte de contagio, representados pelas for­mas latentes, incipientes, frustas e mesmo atipicas, — responsaveis, nos nossos doentes do Asilo-Colonia Santo Angelo, pela alta per­centagem de 63,85% dos casos, — que passam despercebidos dos leigos e mesmo dos medicos não especialistas.

Descobrir esses casos, dificilmente identificaveis, é assunto de grande alcance profilatico.



Somente os exames sistematicos obrigatorios dos comunicantes, feitos com o fim exclusivo de diagnosticar a lepra, ainda no inicio, permitem despistar tais casos.

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