Sequência didática para o ensino da educaçÃo financeira no contexto do ensino médio



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SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA O ENSINO DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA NO CONTEXTO DO ENSINO MÉDIO
Raquel de Fátima Nascimento Prestes1, Rosangela Ferreira Prestes 2, Eliani Retlzaff3, Rúbia Diana Mantai4, Rozelaine de Fátima Franzin5
1Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões/Departamento de Ciências Exatas e da Terra/Escola/raquelprestes2010@hotmail.com

2Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões/Departamento de Ciências Exatas e da Terra/Escola, ro.fprestes@yahoo.com.br

3Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões/Departamento de Ciências Exatas e da Terra/Escola, elianir@santoangelo.uri.br

4Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões/Departamento de Ciências Exatas e da Terra/Escola, rdmantai@yahoo.com.br

5Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões/Departamento de Ciências Exatas e da Terra/Escola, rozelaine@santoangelo.uri.br


Resumo

O proposto trabalho tem como objetivo apresentar os resultados do trabalho de graduação que teve como proposta a elaboração da elaboração de uma sequência didática para o estudo da Matemática Financeira integrado ao tema Educação Financeira, fazendo uso de recursos tecnológicos, bem como, a avaliação desta proposta realizada pelos alunos do 5º semestre do curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões-URI, campus de Santo Ângelo, no segundo semestre de 2013. Para tanto, realizou-se uma investigação de cunho bibliográfico em busca de investigar e selecionar situações de um ambiente bancário que pudessem vir a contribuir para o ensino de Matemática Financeira para alunos do ensino médio. Após, buscou-se identificar como a Educação Financeira vem sendo trabalhada no ensino médio. Assim, elaborou-se a referida sequência didática buscando integrar a Matemática Financeira ao tema Educação Financeira aliada às tecnologias para o estudo, exploração e reflexão do referido tema.

Palavras-chave: Matemática Financeira. Educação Financeira. Sequência didática. Ensino de Matemática.

  1. INTRODUÇÃO

Vivemos em uma sociedade altamente consumista e em virtude disto, considera-se necessário à discussão, reflexão e compreensão dos conceitos básicos de Educação Financeira, bem como, considera-se imprescindível que esta faça parte da educação formal escolar.

O desenvolvimento desta temática na escola não se justifica apenas em função da necessidade de administração das despesas e possibilidades de crédito, mas também, para o planejamento financeiro, a construção do futuro de cada cidadão, discussão, reflexão e a tomada de decisões.

Atualmente, existem numerosos e variados produtos financeiros, como cheque especial, cartão de crédito, financiamentos, crédito direto ao consumidor, poupança, fundos de investimentos, etc, nas quais, julgamos ser necessário que as pessoas, os nossos alunos, estejam orientadas que ao ir em busca e/ou desejarem adquirir um bem ou algum destes serviços.

Para tanto, verifica-se que a referida temática pode ser levada para a sala de aula, no nosso caso, o ensino médio, por diferentes formas, uma delas é por meio da integração no estudo da Matemática Financeira, que é um conteúdo que tem grande importância para a formação curricular dos alunos. E também pode ser trabalhada por meio de situações reais e estratégias metodológicas, as quais podem facilitar a aprendizagem, estimular a criatividade e situar o aluno em um cenário mais próximo das situações diárias vivenciadas.

Nesse contexto o proposto trabalho tem como objetivo apresentar a uma sequência didática que foi elabora para o estudo da Matemática Financeira integrada ao tema Educação Financeira, fazendo uso da planilha Excel como recurso tecnológico, bem como, a avaliação desta proposta realizada pelos alunos do 5º semestre do curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões-URI, campus de Santo Ângelo, no segundo semestre de 2013. Para isso, temos como objetivos específicos: utilizar algumas situações presentes na rotina funcional de uma instituição bancária para o ensino e revisão de alguns conceitos da Matemática Financeira; Construir uma sequência didática com atividades que aborde alguns conceitos da Matemática Financeira, de forma que valorize os conhecimentos prévios apresentados pelos alunos sobre essa temática, e finalmente, avaliar a proposta desenvolvida buscando identificar contribuições da sequência didática elaborada para como uma possibilidade pedagógica.

A proposta inicialmente teve cunho bibliográfico, a qual foi realizada a partir da análise da literatura já publicada em forma de livros, revistas, publicações disponíveis em diferentes sítios eletrônicos disponibilizados na internet. De acordo com Cervo e Bervian (1996, p. 48) a pesquisa bibliográfica “[...] procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos”.

Desta, buscou-se identificar contribuições e obter informações sobre como a Educação Financeira vem sendo trabalhada ou então, está sendo indicada para ser trabalhada no ensino médio. Com esta pesquisa também foi possível identificarmos diferentes opiniões a respeito do tema em estudo para então elaborarmos a sequência didática proposta neste trabalho. Assim apresenta-se a seguir algumas reflexões teóricas sobre a Matemática Financeira, a Educação Financeira, e a sequência didática elaborada pela acadêmica como proposta do trabalho de graduação e avaliada por um grupo de acadêmicos do 5º semestre do curso de Licenciatura em Matemática da URI, campus de Santo Ângelo, no segundo semestre de 2013, a qual apresenta elementos da Matemática Financeira para estudo no ensino médio.



  1. A MATEMÁTICA FINANCEIRA


A Matemática Financeira é um tema de grande relevância na vida das pessoas, pois marca presença em várias situações do dia a dia, desde uma simples compra à vista ou parcelada até um financiamento bancário. A todo o momento se ouve falar em taxas, juros, financiamentos e investimentos.

Esta área da matemática estuda a variação de valores financeiros ao longo de um período de tempo. Tem grande utilidade na tomada de decisões referente a financiamentos, investimentos e compras. Sua importância pode ser verificada, por exemplo, em momentos de confronto com situações cotidianas, em que se precisa recorrer aos conhecimentos dessa área para compreender e solucionar problemas de caráter financeiro, como decidir entre uma compra à vista ou a prazo (SCHNEIDER, 2008). Marasini (2001 apud SCHNEIDER, 2008, p. 10) ressalta sua pertinência:
É grande a importância que essa parte da matemática tem na vida das pessoas, as quais estão permanentemente cercadas pelos problemas de sobrevivência financeira, necessitando de clareza e autonomia para tomar decisões frente às situações diárias e para que possam compreender as transações comerciais e bancarias das quais se utilizam com frequência.
Os mais variados tipos de ofertas de bens ou crédito fácil, que estão presentes em inúmeros lugares, como lojas, bancos e outros, expõem as pessoas ao perigo de ilusão, logo o conhecimento de conceitos e a posse de informações podem diminuir o risco de equívocos, prejuízos e escolhas mal avaliadas. Dessa forma, pode-se perceber a importância que esse conteúdo tem na vida das pessoas. É na escola que essa relação entre conteúdo e realidade pode ser estabelecida, de forma que possa vir a contribuir para a formação dos alunos (REIS, 2013).

A Matemática Financeira é um dos conteúdos que compõem o currículo escolar, pertence ao conteúdo programático do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, etapas da vida escolar em que essa disciplina tem plena relevância.

De acordo com Reis (2013), o objetivo do ensino de Matemática Financeira corresponde a interpretar, reconhecer, avaliar, utilizar e propor conceitos de Matemática Financeira, sabendo relacionar e identificar seu papel nas situações cotidianas.

O Ensino Médio é a fase que antecede, muitas vezes, o início da carreira profissional e a relação cada vez mais desprotegida com o mundo, ou seja, o contato direto com situações que exigirão conhecimento e responsabilidade (REIS, 2013).

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a matemática no Ensino Médio deve ser encarada pelo aluno como um conjunto de técnicas e estratégias que serão úteis em sua vida profissional e adaptáveis a diferentes contextos (BRASIL, 1999).

Embora se perceba a necessidade do ensino de Matemática Financeira, este conteúdo não é tão evidenciado, pois está presente apenas em alguns livros didáticos do Ensino Médio (SCHNEIDER, 2008).

A Educação Financeira também é um tema que pode ser integrado à disciplina de Matemática Financeira, pois de acordo com Campos (2012, p. 11):
Quando nós, professores de Matemática, ouvimos o termo Educação Financeira, podemos associar esta proposta ao estudo de conteúdos como porcentagens, descontos, juros simples ou compostos ou amortizações. De fato, são estes os conteúdos associados à Matemática Financeira que é encontrada, por exemplo, nos livros voltados para a Educação Básica. Entendemos que este estudo pode ser importante do ponto de vista de sua utilização prática e da formação matemática e cidadã dos alunos.
Dessa forma, contempla-se a Matemática Financeira como uma disciplina que fornece diversas contribuições para uma proposta de Educação Financeira. Nesse propósito, elaboramos nossa proposta de trabalho integrando a Matemática Financeira ao tema Educação Financeira, tendo como proposta a elaboração de uma sequência didática.

  1. EDUCAÇÃO FINANCEIRA

A introdução da Educação Financeira no currículo escolar vem sendo bastante discutida no cenário educacional brasileiro. De acordo com Silva, Campos e Vital (2014, p.8) “[...] a proposta de inserção da Educação Financeira no sistema de ensino brasileiro está ainda em um estágio inicial e que existe a necessidade de produção de material didático a ser utilizado em sala de aula”. Tal preocupação refere-se com a forma que as pessoas administram suas situações financeiras cotidianas. Para Muniz Junior e Jurkiewicz (2013) essa preocupação tem relevância, pois os variados cenários financeiros e econômicos atuais vêm acarretando o aumento do número de questões financeiras que a população em geral precisa enfrentar no seu dia a dia.

Segundo Pinheiro (2008, p.2) “[...] a educação financeira pode ser definida como a habilidade que os indivíduos apresentam de fazer escolhas adequadas ao administrar suas finanças pessoais durante o ciclo de sua vida”. No mesmo sentido, Amadeu (2009, p.80) nos traz a seguinte definição:
Educação Financeira pode ser entendida como um processo de ensino-aprendizagem que permite desenvolver a capacidade financeira dos indivíduos, para que esses possam tomar decisões com segurança e fundamento, dotados de competência financeira para que sejam integrados à sociedade, com uma postura pró-ativa na busca de seu bem-estar.
Segundo Scolari, Grando e Marasini (2013, p.2) “[...] cabe à escola começar a desenvolver princípios de educação financeira para seus alunos num processo contínuo e eficaz, na própria disciplina de Matemática [...]”. Dessa forma, a escola pode vir a elaborar um programa de Educação Financeira. Os referidos autores, também afirmam que “Sem contextualização, as definições e fórmulas da Matemática financeira ficam soltas, sem sentido o que passa a não ter significado nenhum para o mesmo” (SCOLARI; GRANDO; MARASINI, 2013, p.3). E sem significado, a Matemática Financeira poderá não contribui para a formação de um indivíduo que tenha condições de avaliar com lucidez suas decisões financeiras. Isto é, “O papel da educação está não apenas em transmitir o conhecimento na forma de conteúdos escolares aos seus alunos, mas, principalmente, em formar cidadãos críticos e independentes, capazes de resolver os problemas do seu dia a dia” (SCOLARI; GRANDO; MARASINI, 2013, p.1).

  1. DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO - SEQUÊNCIA DIDÁTICA

As sequências didáticas servem para articular e organizar as atividades que serão realizadas ao longo de uma unidade didática. Pode ser entendida como uma sequência lógica de organização de conteúdos, essa ordem poderá indicar e avaliar a importância desse ou daquele conteúdo, mostrando qual deve ser sua ênfase (ZABALA, 1998).

Segundo Zabala (1998, p. 55) a elaboração e desenvolvimento de uma sequência didática, compreende as seguintes etapas:


  1. Atividade motivadora relacionada com uma situação conflitante da realidade experiencial dos alunos.

  2. Explicação das perguntas ou problemas que esta situação coloca.

  3. Respostas intuitivas ou “hipóteses”.

  4. Seleção e esboço das fontes de informação e planejamento da investigação.

  5. Coleta, seleção e classificação dos dados.

  6. Generalização das conclusões tiradas.

  7. Expressão e comunicação.

Quanto à avaliação, Zabala (1998, p.21) afirma que “[...] seja qual for o sentido que se adote, a avaliação sempre incide nas aprendizagens e, portanto, é uma peça-chave para determinar as características de qualquer metodologia”. Dessa forma pode-se dizer que ela pode contribuir para ajustar determinada metodologia de acordo com a aprendizagem dos alunos.





  1. A PROPOSTA DESENVOLVIDA:

Nesta seção apresentamos alguns elementos da sequência didática elaborada, tendo como recursos tecnológicos a ser utilizados, a planilha Excel, bem como, por meio da figura 1, e logo a seguir os quadros 01 e 02 que apresentam a estruturação na forma de blocos de conteúdos, objetivos e atividades a serem desenvolvidas. Salienta-se que as atividades que compõem a sequência didática estão disponíveis com os autores, tendo em vista que este trabalho é resultado de um trabalho de conclusão de curso em licenciatura em Matemática. Após esta seção, apresentaremos a avaliação desta proposta, realizada pelos alunos do 5º semestre do curso de Licenciatura em Matemática da URI, campus de Santo Ângelo, no segundo semestre de 2013.


1º Bloco de atividades


Objetivos:

Conteúdo

  • Discutir sobre alguns conceitos e termos básicos sobre produtos de crédito ofertados por bancos;

  • Resolver as situações problemas propostas.

  • Regra de três simples;

  • Conceitos de Matemática Financeira;

  • Taxas;

  • Juros Simples;

  • Juros Compostos;

  • Sistema de Amortização Francês.

Quadro 01: Bloco 01 de atividades

A partir dos objetivos propostos para este 1º bloco, elaborou-se as seguintes atividades:



Atividade 1: Identificação dos conhecimentos dos alunos por meio de questionamentos sobre: bancos, poupança, conta corrente, cheque-especial, empréstimos e financiamentos.

Atividade 2: Discussão dos conceitos: juros, porcentagem, cheque-especial, empréstimos.

Atividade 03: Familiarização com o software Excel

Atividade 04: Revisão de conceitos e fórmulas da Matemática Financeira:

Atividade 05: Propor situações problemas para resolução:

2º Bloco de atividades

Objetivos:

Conteúdo

  • Dialogar com os alunos sobre os alguns produtos que os bancos oferecem, como o financiam, bem como, sobre as condições que impõem para isso;

  • Resolver as situações problemas propostas.

  • Conceitos de Matemática Financeira;

  • Sistema de Amortização Francês;

  • Taxas.




Quadro 02: Bloco 02 de atividades

A partir dos objetivos propostos para este 2º bloco, elaborou-se as seguintes atividades:


Atividade 01: discussão sobre financiamento, parcelas a pagar e juros cobrados.

Atividade 02: Assistir ao vídeo, acessando o link a seguir:

http://www.youtube.com/watch?v=ecdV5Q5r0c4

Atividade 03: Apresentação de situações problema envolvendo situações do cotidiano bancário, como por exemplo, um empréstimo.

Avaliação: Os alunos poderão ser avaliados durante o desenvolvimento da atividade por meio dos registros escritos realizados por eles. Serão utilizados os seguintes critérios: participação, realização das atividades e questionamentos, pois a intenção é de que os alunos questionem.

Esquema da sequência didática construída:



Figura 1: Esquema da sequência didática


Fonte: Os autores

ANÁLISE DOS RESULTADOS
Neste item apresentamos a avaliação da proposta construída pelos alunos do 5° semestre no ano de 2013/2, a qual teve como propósito analisar a organização da proposta elaborada, em termos de objetivos, adequação ao conteúdo, tempo estimado, material utilizado, atividades a serem desenvolvidas e o procedimento da avaliação, conforme mostra a figura abaixo:

Também foram propostos duas questões para serem respondidas, as quais avaliaram a propostas em termos pedagógicos, matemáticos e tecnológicos da seguinte maneira:




  1. Como você trabalharia/desenvolveria esse conteúdo em sala de aula (descreva suas ações e procedimentos)?

  2. Com relação ao uso das tecnologias você teria outra maneira de realizar essa atividade? Justifique sua resposta.

Os acadêmicos avaliaram que a proposta elaborada apresentou conceitos da Matemática Financeira de forma integrada a assuntos que os mesmos também têm dúvidas, como por exemplo, o financiamento, o cálculo dos juros do cheque especial. Este fato, os instigou a questionar a acadêmica a respeito do tema que estava sendo apresentado, e os auxiliou na elaboração de sugestões para a reestruturação da sequência didática, a qual exemplificamos a partir da sugestão de uma acadêmica J: “Apresentaria o banco e seus produtos ofertados, demostrando para que serve cada um deles e quando devemos requerê-los” .

Por meio desta indicação, verificamos que as atividades de exploração dos conhecimentos prévios dos alunos poderiam ser modificadas e ou então ampliadas, e também que outras situações também poderiam ser exploradas a partir da atividade proposta, as quais estão diretamente relacionadas com o assunto abordado e fazem parte do cotidiano do público em questão, como por exemplo o fato mencionado pela aluna M:


Iniciaria com a situação problema, porém mais simples, como situações do dia a dia, comprar a vista ou parcelado talvez. A partir daí introduzirá noções de juro, questionaria se os bancos têm os mesmos juros, explicaria noções de contas bancárias e a utilização delas no dia a dia deles. Explicaria noções do Excel para os alunos, trabalharia a sequência didática levando em conta que os alunos precisam ter noções de organização financeira para controle de recursos para a formatura, e usaria o Excel para eles terem sempre o controle dos recursos.
Nesta sugestão podemos verificar que a utilização dos recursos tecnológicos é considerada como uma ferramenta que poderá ser exploradas em outras situações a serem vivenciadas em nosso cotidiano. A acadêmica T, também apresenta a mesma percepção e descreve tal fato por meio da seguinte sugestão: “a sequência didática poderia ter envolvido o uso de celulares, através do uso da calculadora, da internet, por exemplo. Isto é, diversos são os recursos e aplicativos que estão e isso nos reporta a discutirmos sobre os benefícios e obstáculos que poderão ser encontrados se caso optarmos seguir esse caminho.

Outra sugestão proposta corresponde a exploração inicial de situações problemas que estejam mais próximos a realidade do público que pretende ser desenvolvida a sequência didática, a qual é identificada através da seguinte sugestão: “Como sugestão penso que as situações problema poderiam ser mais do contexto dos alunos, porque os números de saldo de banco eram altos para o cotidiano dos alunos de ensino médio”(Aluna A).

O aluno J ressalta que:
[...] se fosse uma aula ministrada por mim, utilizaria situações cotidianas dos alunos, por exemplo, com o dinheiro que gastam no lanche, que os pais gastam no mercado, entre tantas situações vivenciadas no dia a dia. Na iniciativa da minha aula começaria com questionamentos sobre o que conhecem, o que acham que pode ajudar no dia a dia, que os mesmos citem situações que pensem sobre esse conteúdo. No desenvolvimento mesmo utilizaria situações problema para a explicação do conteúdo, pois os mesmos veriam o porque a matemática e este conteúdo é útil em sua vida, ainda no desenvolvimento inseriria o Excel para conferir dados e também para aprender trabalhar sobre o mesmo. Finalizando com uma auto-avaliação onde cada aluno falaria o que aprendeu, de que forma, de que gostou, e o que isso acrescentou em sua vida.

Com relação aos conhecimentos específicos trabalhados, a aluna L, menciona que:



Explicaria mais sobre o conteúdo, taxas, juros . Após trabalhar com a poupança e com os juros, aplicaria os juros em cima de empréstimos e cheque-especial, e comparar ambos para ver qual a diferença de valores e juros. Questionar se eles teriam interesse em comprar algum bem ( imóvel ou veiculo), e ver qual a taxa de juros que iriam pagar, ou se valeria mais poupar cada mês e com o tempo comprar o bem a vista ou com uma entrada. (grifos nossos).
Na sugestão acima apresentada, verificamos que a acadêmica L, chama a atenção para aspectos do conteúdo, ou seja, enfatiza taxas e juros, bem como a aquisição de imóveis como um excelente diálogo a ser estabelecido na sala de aula. A acadêmica A também apresenta argumentos que também justificam a relevância do estudo dos conceitos de juros, como pode ser analisado:

Eu acrescentaria no início da aula questionamentos sobre quanto eles ganham de seus pais, quanto gastam em lanches, coca-cola, durante um mês, enfim, uma introdução através de questionamentos. Posteriormente, acrescentaria algumas explicações de juros, de quanto ganhariam se colocassem determinados valores durante um certo tempo, enfim, que devemos economizar para garantirmos o nosso futuro. (grifos nossos).


Como relação à sugestão de reestruturação da proposta elaborada, destacamos uma das sugestões:

Aluna L:

Inicio:


  • Questionário sobre qual o conhecimento que os alunos tem sobre matemática financeira e sobre o Excel.

  • Explicar como usar o Excel.

  • Explicar o conteúdo sobre juros e taxas.

Desenvolvimento:

  • Aplicação das taxas e juros sobre a poupança;

  • Empréstimos;

  • Ajudar os alunos na resolução dos problemas;

  • Dar um tempo para os alunos resolverem os exercícios;

  • Comparar as taxas de poupança e empréstimos.

Finalização:

Fazer um debate para ver o que os alunos compreenderam do conteúdo. E ver se eles optaram por poupança ou empréstimos.


Da proposta desenvolvida, também ressaltamos que por meio dos questionamentos dos acadêmicos identificamos que a grande maioria consideram que o tema proposto poderá auxiliar os alunos na escola a tomar decisões importantes para a vida como, como por exemplo, reconhecer a diferença entre as condições de pagamento, de possíveis aplicações e compreender problemas relacionados a financiamentos.

Diante desta análise verificamos que embora sejam avaliações de acadêmicos em formação, as mesmas mostram uma postura crítica do grupo e com preocupações pertinentes ao processo de elaboração e desenvolvimento de proposta didática. Desta forma acrescentamos que este trabalho será objeto de novas investigações numa perspectiva da educação matemática crítica (SKOVSMOSE, 2001) e os cenários para investigação (SKOVSMOSE, 2001) como possibilidades de ampliação deste material.



  1. CONCLUSÕES

Inicialmente queremos salientar que nossa intenção não foi de elaborar com esta proposta, um guia que forneça passos a serem seguidos no estudo da Matemática Financeira com ênfase na Educação Financeira para as aulas de Matemática, mas sim, dialogarmos e refletirmos sobre a elaboração e planejamento de uma proposta de trabalho que pode ser ampliada e rediscutida.

Com esse conjunto de atividades que apresentamos, temos a intenção de estar sinalizando a possibilidade de discutirmos elementos da Educação Financeira como um tema que pode ser associado aos conteúdos que são apresentados na Matemática Financeira, dos quais, tanto no Ensino Médio como no Ensino Fundamental, esse tema pode ser trabalhado, tendo em vista a valiosas contribuições que o mesmo possibilita.

As propostas de discussão da Educação Financeira nas escolas são recentes, portanto percebemos a importância da elaboração de diferentes tarefas que poderão contribuir com a perspectiva de abordar o respectivo tema no currículo da educação básica. No entanto entendemos que discutir com nossos alunos sobre a Educação Financeira significa oferecer para eles a oportunidade de discutir a tomada de decisões, bem como, emitir juízos a partir das decisões do que é certo ou errado e dos caminhos que podemos utilizar.

A sequência didática elaborada está longe de ser uma unidade finalizada, mas sim, uma proposta em construção. Consideramos que esta proposta pode contribuir para o ensino da Matemática Financeira, na medida que a torna realmente contextualizada, com elementos reais que estão disponíveis para acesso livre. Integrar o tema Educação Financeira ao conteúdo de Matemática Financeira, possibilita situar o aluno em uma realidade que fará parte de sua vida, ajudando-o a pensar analisar criticamente as variadas opções que estão presente a sua volta.

REFERÊNCIAS


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CERVO, A. L. ; BERVIAN, P. A. Metodologia Científica. 4 ed. ; São Paulo: Makron Books, 1996.
SCOLARI, L. C. ; GRANDO, N. I. ; MARASINI, S. M . Concepções de professores de Matemática sobre Educação Financeira. In: VII Congresso Iberoamericano de Educación Matemática, 2013, Montevideo. Actas del VII CIBEM. Montevideo: SEMUR, 2013. v. Único. p. 5773-5780. Disponível em: <http://www.cibem7.semur.edu.uy/7/actas/pdfs/802.pdf> . Acesso em: 06 jun 2014.
MUNIZ, I. J. ; JURKIEWICZ, S. EDUCAÇÃO ECONÔMICO- FINANCEIRA: uma nova perspectiva para o ensino médio. ATAS..., IN: VII CIBEM, 2013, MONTEVIDEO: Sociedad de Educación Matemática Uruguaya, 2013. v. 1. p. 152. Disponível em: <http://www.cibem7.semur.edu.uy/7/actas/pdfs/808.pdf >. Acesso em 30 mai 2014.
PINHEIRO, R. P. Educação Financeira e previdenciária, a nova fronteira dos fundos de pensão . In: REIS, Adacir (org). Fundos de pensão e mercado de capitais. 1. ed. São Paulo: Peixoto Neto, 2008. Disponível em: <http://www.previdencia.gov.br/arquivos/office/3_090420-113416-244.pdf>. Acesso em 28 mai 2014.
REIS, S. R. Matemática financeira na perspectiva da educação matemática crítica. 2013. 113p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Ciências Naturais e Exatas, Programa de Pós-Graduação em Matemática, RS, 2013. Disponível em: <http://bit.profmatsbm.org.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/373/2011_00240_SIMONE_REGINA_DOS_REIS.pdf?sequence=1>. Acesso em 28 mai 2014.
SCHNEIDER, I. J. Matemática Financeira: um conhecimento importante e necessário para a vida das pessoas. 2008. 111 f . Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade de Passo Fundo - UPF, Passo Fundo, RS, 2008. Disponível em: <https://secure.upf.br/pdf/2008IdoJoseSchneider.pdf>. Acesso em: 06 de jun de 2014.
SKOVSMOSE, Olé. Educação Matemática crítica: A questão da democracia. Campinas, SP: Papirus, 2001. 160 p.
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URI, 10-12 de junho de 2015 Santo Ângelo – RS – Brasil.


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