Senhor Presidente



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Encontro07.05.2018
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Senhor Presidente,

Senhoras e senhores deputados,

No ano passado, comemoramos, com razão, o fato de nove brasileiros estarem entre os 2.500 pesquisadores do IPCC, entidade da ONU reconhecida como a principal autoridade internacional sobre aquecimento global e que dividiu com o ex-vice-presidente americano, Al Gore, o Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho envolvendo a mudança climática. Muitos veículos de comunicação destacaram a participação dos nossos cientistas no IPCC (iniciais em inglês de Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), acrescentando que ainda ficava faltando um Prêmio Nobel ao Brasil.


Infelizmente, essas notícias revelavam também a desinformação dos brasileiros sobre sua história. Num fevereiro como este, há 93 anos, nasceu o primeiro brasileiro vencedor do Prêmio Nobel. Peter Brian Medawar, Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1960, era brasileiro, nascido no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, onde viveu até os 14 anos de idade ao lado de seus pais, que moraram durante 40 anos, no bairro do Caxambu. Sua trajetória como cientista devia servir de exemplo e inspiração para todos os nossos estudantes e pesquisadores, mas poucos conhecem as raízes brasileiras de Peter Medawar.
Seu pai, Nami Medawar, nasceu no Líbano, foi para a Inglaterra no começo do século XX e tornou-se cidadão inglês. Veio para o Brasil em 1913, abriu a Ótica Inglesa, que funciona até hoje no Rio de Janeiro, e conheceu a inglesa Edith Darling. Casados, eles foram morar em Petrópolis, onde nasceram seus três filhos; Peter Brian Medawar nasceu em 28 de fevereiro de 1915, no Hospital Santa Teresa, tradicional instituição médica, fundada pela família imperial brasileira e até hoje prestando serviços à comunidade de Petrópolis e do Rio de Janeiro.
Enquanto crescia na Cidade Imperial, Peter começou a se destacar nos estudos, com um desempenho que entusiasmou sua família. Quando tinha 14 anos, Peter foi enviado à Inglaterra para estudar. Aos 17 anos, ingressava no Magdalen College, renomado centro científico da Universidade de Oxford, para estudar zoologia. Já começava a se interessar também por biologia relacionada à medicina quando foi convocado para prestar serviço militar no Brasil. Os pais tentaram liberá-lo do serviço militar: Peter Medawar não queria interromper seus estudos, mas também desejava manter a cidadania brasileira. Nami Medawar, seu pai, chegou a apelar ao ministro da Aeronáutica, Salgado Filho. Como não conseguiu ser liberado, Peter decidiu tornar-se cidadão britânico como seus pais para continuar os estudos.
Após a formatura, Medawar continuou estudando e destacou na carreira acadêmica. Durante a II Guerra Mundial, começou a se dedicar aos estudos de transplantes de tecidos vivos e à imunologia e trabalhou num hospital para queimados em Glasgow, na Escócia, para onde eram levados os soldados britânicos com graves ferimentos de guerra. Foi também professor nas universidades de Oxford, Birmingham e Londres.
A partir da década de 50, o cientista nascido em Petrópolis começou a trabalhar com sir Frank Burnet, pesquisador australiano, nos estudos sobre a fabricação de anticorpos. Os dois pesquisadores chegaram a conclusão que, quando um antígeno – uma substância não reconhecido pelo sistema imunológico – unia-se ao anticorpo de um linfócito do sangue, a célula iniciava sua multiplicação, produzindo grandes quantidades desse anticorpo. A teoria da ‘Tolerância Imunológica Adquirida’, como foi batizada, abriu caminho para que os tranplantes de órgãos fossem feitos com sucessos a partir da década de 70 e deu a Peter Brian Medawar e Frank Bunett o Prêmio Nobre de Medicina de 1960.
Dois anos depois, Medawar veio ao Brasil e, aqui, visitou parentes e participou de encontros científicos na Fundação Oswaldo Cruz. Suas ligações com o nosso país, portanto, permaneciam, mas poucos eram aqueles que valorizavam o fato de um cientista brilhante e conceituado, vencedor do Prêmio Nobel, tivesse nascido e vivido até o começo a adolescência no Brasil. Em 1965, a Rainha Elizabeth o nomeou cavaleiro do Reino Unido, com o título de sir Peter Brian Medawar – legítimo reconhecimento ao seu trabalho como cientista. Este brasileiro foi também presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Médicas, da Inglaterra, e da Associação Britânica para o Progresso da Ciência. Até morrer em 1987, Peter Medawar continuou desenvolvendo pesquisas científicas na área de medicina e escreveu uma série de livros sobre imunidade, crescimento, envelhecimento e transformação das células.
Senhor Presidente,

Senhoras e senhores deputados,

Fiz questão de subir a esta tribuna para contar a vida de Peter Brian Medawar porque ainda são poucas as pessoas em nosso País que tem conhecimento do honroso fato de um ganhador do Prêmio Nobel ter nascido em solo brasileiro e vivido e estudado aqui até os 13 anos de idade. Mesmo em Petrópolis, onde seus pais moraram por quase quarenta anos, muitos ainda desconhecem o trabalho desse cientista tão importante para a medicina. O Brasil, que precisa valorizar a ciência e a tecnologia para se tornar a nação soberana e justa que desejamos, o Rio de Janeiro, tradicional centro acadêmico e científico, e a cidade de Petrópolis, ela mesma fundada por um admirador e incentivador da ciência, o Imperador Pedro II, e ainda hoje sede de importante pólo de tecnologia, devem divulgar o trabalho de Peter Medawar e suas ligações com nosso País como uma inspiração para que surjam cada vez mais brasileiros dedicados às pesquisas científicas e candidatos ao reconhecimento internacional e ao Prêmio Nobel.

Muito Obrigado



Hugo Leal (PSC-RJ)
: sileg -> integras
integras -> Pronunciamento do Senhor Deputado Oliveira Filho – pl-pr, na Sessão de 02 de abril de 2002
integras -> Senhor Diretor
integras -> 16 de abril,Campanha da Voz
integras -> É só falar em saúde pública que o brasileiro torce o nariz
integras -> Gostaria de falar sobre a situação das mulheres presas no Brasil
integras -> Gostaria de falar sobre a situação das mulheres presas no Brasil
integras -> O sr. Neuton lima
integras -> Deputado Arthur Virgílio Neto, na sessão da Câmara dos Deputados, em de de 2002. O sr. Arthur virgílio
integras -> Discurso sobre os problemas de boca do acre crime ambiental e rebelião de presos deputado marcelo serafim (psb-am)
integras -> Difusora do progresso e depositária de uma proposta de desenvolvimento, Goiânia faz 70 anos dentro de uma concepção moderna de cidade funcional e que possibilita uma ótima qualidade de vida a seus habitantes




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