Só hoje resolvi sentar para escrever o que se passou comigo nesses 976 dias no cárcere



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COVARDES
(O Diário do Cárcere)

A prisão é um câncer na alma

Dedico ao meu filho e esposa que souberam me amar do princípio ao fim:
José Davi Barbosa Júnior e Aparecida Maria da Conceição.

É bem verdade que também dedico esta obra a todos os internos que conviveram comigo no PMRG desde a fatídica manhã do dia 17 de Dezembro de 2005 até o inesquecível e glorioso 01 de Setembro de 2008.

Aqui incluo todos os PMS, desde o soldado ao coronel, os funcionários civis, os religiosos que oravam conosco, os familiares dos colegas que me foram apresentados ou não, os fiéis e os não fiéis colegas de cárcere e todos os meus amigos que se lembraram de mim, através de suas orações ou cartas.

Dedico especialmente ao Major Carlos Eduardo Jorge Aguiar e família, aos colegas mais ‘chegados’ do cárcere, tais como Professor Pedro Luís Bianchi, Ricardo, Sr Almeida, Gabarron, Alves, Payão, Alessandro, Henrique “corneteiro”, Arruda, Belarmino, Alécio, Nicéias, “Datena”, Levorato, Tinoco, Roger, “Sandrinho”, Satélis, “Mastiguinha”, Michel, Dey, Aquino, Nascimento, Sachá, etc.

Não poderia deixar de incluir meus amigos católicos, Sr Antônio, Luiza e minha adorada Inês; bem como, as senhoras Ângela e Maria José.

Prefácio
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A presente obra objetiva narrar os fatos por mim vividos durante o período que fiquei recluso no Presídio Militar Romão Gomes (PMRG), São Paulo. Não quero que o livro se torne ferramenta para delatar, menosprezar, humilhar, ofender, caluniar ou difamar quem quer que seja. E se isso, porventura, acontecer não será intencional.

Os fatos narrados foram todos ouvidos por mim, sem que qualquer interno se sentisse na obrigação de me prestar depoimentos dos seus ou dos crimes dos outros. Portanto, são reais as histórias aqui contidas, porém, se verdadeiras ou não, não me cabe dizer.

Relatei tudo o que pude e consegui ouvir durante os 976 dias que fiquei preso com a única intenção de me ocupar e para melhor suportar as agruras do cárcere. Li muito e nesta obra eu faço um convite ao meu leitor para que leia os grandes clássicos da literatura mundial e, principalmente, da brasileira e francesa que são extraordinários. Também são igualmente fantásticas as obras literárias alemãs, italianas, americanas, portuguesas, inglesas, russas e etc.p

Jamais desejo que o meu livro; COVARDES: O DIÁRIO DO CÁRCERE, (A prisão é um câncer na alma) seja instrumento de instrução processual para nenhum caso, mesmo porque cabe à polícia investigar crimes e não a mim. Não conheço nenhum caso de nenhum interno, exceto o meu, e por isso não tenho intenção de testemunhar nada, pois tudo o que tenho a dizer é o contido na obra. Infeliz foi aquele que a mim contou ou deixou chegar quaisquer informações a seu respeito. Eu não temo tornar público o conteúdo desta obra porque não sou um COVARDE qualquer e me senti vitimado por inúmeras “autoridades” que me intrujaram falsos crimes, causando-me um mal irremediável; incurável. Sinto-me com um câncer na alma.

Aos que se sentirem insultados, difamados ou caluniados sintam como se fosse eu mesmo em seu lugar (ou no lugar de vocês) ou como as centenas de pessoas que vocês feriram, mataram, roubaram, violentaram, estupraram, seduziram, colocaram no mundo das drogas e do crime, das crianças abusadas, das viúvas desamparadas, dos filhos órfãos, das esposas que ficaram sozinhas com seus filhos, dos lares destruídos, das jovens vitimadas pela luxúria de muitos que aí estão e continuarão presos por muito tempo, etc. Eu não me desculpo com policial bandido, pois quando eu exerci a função eu nunca me deixei corromper.

O pior bandido é o bandido fardado ou que usa do poder para sacrificar pessoas inocentes. Portanto, COVARDES, somos todos nós. O Delegado que me prendeu, o Investigador que mentiu, o Sargento da PM que não me respeitou, o Promotor, a Juíza que me condenou e tantos outros que se aproveitaram de mim e que não me ofereceram condições de lutar contra eles com as mesmas armas. Jamais se ganha uma luta contra um exército de covardes armados, sendo você um inocente desarmado. Um homem, ainda que íntegro, quando cai na cilada de um covarde é como um inseto na teia de uma aranha. É eliminado; devorado.

Infelizmente eu caí entre lobos, mas felizmente não perdi a batalha porque Deus me deu força para a luta; luta renhida. “Vim, vi e venci!” E toda a alcatéia faminta não conseguiu e nem conseguirá me engolir; “ainda que tenha que me engolir”, usando a expressão do memorável técnico da seleção brasileira, o Sr Zagallo, vendo-me vencedor. Ferido na alma, com o coração sangrando, mas de cabeça erguida. Assim morrem os grandes guerreiros. Eu sou guerreiro! E ainda vivo!

Presídio da PMESP


Posted by: Blog da Segurança Pública on Tuesday, November 21st, 2006

CADEIA CHIQUE
Acredite se quiser: O Brasil tem uma prisão com certificado de qualidade ISO 9001. PLAYBOY entrou lá e conta como é.

Por Fernando Barros de Mello



São 6 horas da manhã quando o corneteiro Paulo de Tarso posiciona-se na laje do edifício principal e, durante dois minutos, executa o toque de alvorada. A rotina é típica de um quartel e, de fato, todos os homens que estão neste estabelecimento são afeitos à disciplina militar. Mas aqui é o Romão Gomes, o presídio da Polícia Militar de São Paulo. Ele é o único do Brasil (e do mundo, garantem seus comandantes) a ostentar um título bastante cobiçado no meio empresarial: o certificado ISO 9001 de gestão de qualidade.

O fato de esse presídio modelo abrigar apenas policiais passa a falsa idéia de privilégio corporativista. Mas a verdade é que não houve iniciativa governamental e sim uma diretoria que simplesmente resolveu “correr atrás”. Foi em 2003, quando, depois de uma reunião na área de recursos humanos da PM, os comandantes do presídio ouviram falar pela primeira vez em “gestão de qualidade”. Desde então, vários testes ajudaram a remanejar os carcereiros para setores onde eles poderiam obter melhor rendimento. Além disso, mais de 100 cursos de treinamento, como relações humanas e técnicas comportamentais, foram oferecidos aos funcionários. Também foi definido um objetivo para a empresa-carcerária: “A reinserção à sociedade dos recolhidos e a diminuição do número de novos recolhimentos”. Em dezembro de 2004, a Fundação Vanzolini, uma das mais respeitadas certificadoras do país, concedeu o título.

O Romão fica no bairro do Tremembé, zona norte da capital paulista, ao pé da Serra da Cantareira. Instalado dentro de uma considerável área de 14 alqueires, o prédio principal, embora construído em 1927, tem uma fachada”moderna” com luminoso plástico que lembra uma lanchonete. Paredes com cimento e tijolos à mostra deixam claro que essa não é uma superprisão tecnológica.

Com capacidade para 350 internos, o presídio abriga atualmente 217. Uma raridade em um país com 372 mil presos e 215 mil vagas. A maioria dos detentos militares é homicida. As condenações por roubo vêm em segundo lugar, seguidos por estupro, extorsão e seqüestro. Paulo de Tarso, o corneteiro, faz parte do grupo majoritário. Preso há nove anos, foi condenado a 43 pelo seqüestro e assassinato do garoto Ives Ota em 1997. O caso teve grande repercussão na época. No mesmo ano chegou ali Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, autor do disparo que matou um inocente na favela Naval, em Diadema (SP). O”incidente”, registrado por um cinegrafista amador, virou matéria do Jornal Nacional. Libertado recentemente, Rambo (ele assegura que o apelido foi criação da Rede Globo) define o presídio militar: “Ele é o quartinho dos fundos que obriga você a se olhar no espelho, se conhecer. Olho no olho”.

Independentemente do crime, o ritual de ingresso é o mesmo para todos: uma bateria de testes para determinar o perfil do infrator. Segundo as estatísticas, 50% do grupo de detentos é composto por criminosos ocasionais; 35% tem problemas de convívio social e 15% tem traços psicopáticos, transtorno de personalidade e outras patologias. O presidiário de um grupo não se mistura com o de outro, medida que tem como objetivo a eliminação dos “chefes” de cela. A idéia tem funcionado: desde 2002 não são registradas rebeliões.

“Rigor é fundamental. Nossa função não é saber se é culpado ou inocente, mas ajudar na recuperação e na vida aqui”, garante o capitão Walter Lucco, responsável por transmitir aos recém-chegados o regimento interno e a lista de faltas passíveis de punição, como xingamento. Cada preso que recebe permissão para trabalhar fora do presídio tem o tempo de trajeto de volta cronometrado. Aqueles que atrasam são punidos.



Desde dezembro de 2004, mais de 400 homens passaram pelo Romão. Nenhum fugiu e quem foi libertado não voltou. Cinco homenzarrões até pediram para ficar. Um deles se perdeu no metrô e ligou para a antiga “casa” pedindo ajuda. E, assim como as rebeliões, a última fuga ocorreu em 2002.
Os internos passam o dia nas oficinas de trabalho, como fábrica de varal de plástico, casinha de cachorro, marcenaria, lava-rápido ou na oficina mecânica e funilaria. A maioria dos presos é expulsa da PM



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