Rotina da comissão de infecçÃo hospitlar do hosítal regional da asa sul/hospital materno infantil de brasília/ses/DF


PARTE II MANEJODAS INFECÇÕES NA MATERNIDADE



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PARTE II
MANEJODAS INFECÇÕES NA MATERNIDADE
HIV/AIDS
HIV na gestante
A transmissão vertical é responsável por mais de 90% de todos os casos de HIV/AIDS em pediatria. Com o uso da profilaxia pré-natal e medidas peri e pós-natais, a taxa de transmissão passa de 25% para menos que 1%.
Toda gestante deverá fazer o teste rápido na maternidade SE não estiver descrita sorologia no cartão da gestante no terceiro trimestre. Caso o teste rápido seja positivo, considerar conduta para gestante com carga viral (CV) desconhecida.
Nas gestantes CV inferior a 1.000 cópias/ml e em uso de esquema antirretroviral (ARV) combinado, pode-se optar pelo parto normal, mas a episiotomia deve ser evitada sempre que possível e o AZT EV deve ser feito durante o trabalho de parto.

  • Preferir a progressão normal do trabalho de parto evitando a ruptura artificial das membranas. Se houver ruptura, não deixar exceder 4 horas para o parto.

  • A indução do parto não é contraindicada.

  • A ligadura do cordão umbilical deve ser imediata à expulsão do feto, não devendo ser executada, sob nenhuma hipótese, a ordenha do cordão.

A cesárea eletiva deve ser indicada para gestantes HIV+ que não realizaram profilaxia antirretroviral combinada durante a gestação, que usaram apenas monoterapia com AZT ou que tenham sua carga viral desconhecida ou superior a 1.000 cópias/ml com 34 semanas ou mais de gestação.


Toda gestante deve receber AZT EV, mesmo que possua resistência ao AZT, desde o início do trabalho de parto até o clampeamento do cordão umbilical, que deverá acontecer imediatamente após o nascimento e sem realizar ordenha.

  • Para as gestantes com indicação de cesariana eletiva, a infusão de AZT deve ter início 3 horas antes da cirurgia e ser mantida até a hora do nascimento.

  • Iniciar a infusão, em acesso venoso, individualizado, com 2mg/kg na primeira hora, seguindo com a infusão contínua, com 1mg/kg/hora, até o clampeamento do cordão umbilical.

  • Diluir em 100 mL de soro glicosado a 5% e gotejar, conforme tabela a seguir, lembrando de acrescentar, proporcionalmente, o volume referente ao equipo.


Ataque (2mg/kg) Correr na primeira hora

Peso do paciente (kg)

Quantidade de zidovudina (ml)

Gotas/min

40

8

36

50

10

37

60

12

37

70

14

38

80

16

39

90

18

39

Manutenção (1mg/kg/hora) Infusão contínua

40

4

35

50

5

35

60

6

35

70

7

36

80

8

36

90

9

36

Orientar a mãe a não amamentar, inibir amamentação com carbegolinaXmg/dia. Utilizar enfaixamento das mamas apenas quando não houver resposta ao tratamento medicamentoso.


Atenção: Toda gestante deverá, na ocasião da alta, ter o status sorológico definido.

Criança Exposta ao HIV
Toda criança filha de mãe HIV+ deverá receber o AZT oral, nas duas primeiras horas do nascimento, na dose 4mg/kg de 12/12h e esta medicação deverá ser mantida até 42 dias de vida, impreterivelmente.

  • Dose para RN menores que 34 semanas ou 2.000g: 1,5mg/kg, VO ou EV, a cada 12 horas nas primeiras 2 semanas e 2mg/kg a cada 8 horas por mais 4 semanas.

A criança maior que 35 semanas, cuja mãe não fez uso de nenhum antirretroviral durante a gestação, ainda que tenha feito AZT EV durante o parto, deverá receber o AZT VO, conforme esquema acima, E a nevirapina (NVP) nas doses:



  • RN com 1.500 a 2.000g ao nascimento: 8mg (0,8mL)/dose, via oral.

  • RN maior que 2.000g ao nascimento: 12mg (1,2mL)/dose, via oral.

A posologia da nevirapina, para todos maiores de 1.500g, consiste em 3 doses.


A primeira dose deverá ser dada até 48h de vida, a segunda dose 48h após a primeira e a terceira dose 96h após a segunda.

  • Para o RN menor que 35 semanas ou 1.500g, deverá ser feito SOMENTE o AZT VO até 42 dias de vida.

  • Caso o RN não possa receber dieta ou medicamentos VO, SOG ou SNG, a quimioprofilaxia deverá ser feita com AZT EV na dose de 1,5mg/kg/dose de 6/6h, mesmo que a mãe não tenha recebido ARV na gestação.

Na ocasião da alta, orientar a mãe em relação ao uso da medicação e fornecer em quantidade suficiente, bem como anotar no cartão da criança ou no encaminhamento o esquema utilizado na sala de parto e período neonatal.


Orientar a mãe que o aleitamento materno está contraindicado, bem como o aleitamento cruzado.
Fornecer a fórmula infantil em quantidade suficiente até a consulta no serviço especializado.
Encaminhar a criança ao pediatra geral E a um serviço especializado HIV/AIDS até a segunda semana de vida, preferencialmente (referência do HMIB: Hospital-dia da 509 sul).

SÍFILIS
Toda gestante deverá fazer o VDRL na maternidadeSEnão estiver descrito no cartão da gestante no terceiro trimestre.

Atenção: É obrigatória a busca e documentação da sorologia materna para HIV e hepatite B durante a gestação, além da pesquisa na anamnese materna de outras doenças sexualmente transmissíveis, diante de qualquer recém-nascido com suspeita de sífilis congênita em razão da co-infecção ser frequente.

O tratamento da sífilis na gestante deve ser realizado de acordo com os esquemas abaixo, segundo a fase da doença:



  • Sífilis primária: penicilina G benzatina 2.400.000 UI/IM (1.200.000 UI aplicados em cada glúteo), em dose única;

  • Sífilis secundária ou sífilis assintomática com menos de um ano de evolução (latente recente): duas séries de penicilina G benzatina 2.400.000 UI/IM (1.200.000 UI aplicados em cada glúteo), com intervalo de uma semana entre cada série. Dose total: 4.800.000 UI;

  • Sífilis terciária ou sífilis assintomática com mais de um ano de evolução (latente tardia) ou com duração ignorada: três séries de penicilina G benzatina 2.400.00 UI/IM (1.200.000 UI aplicados em cada glúteo), com intervalo de uma semana entre cada série. Dose total: 7.200.000 UI.


Atenção: Não conhecendo o tempo de doença, considerar como latente tardia.
Para gestantes com alergia à penicilina, a doxiciclina, na dose de 100 mg por via oral de 12/12 horas, durante 15 dias na sífilis recente e durante 30 dias na sífilis tardia, é aopção terapêutica para gestantes. No entanto, ela será classificada como inadequadamente tratada para fins de acompanhamento do RN.
Para o acompanhamento e tratamento do RN, classificar como filho de:
Mãe adequadamente tratada– Fez o tratamento corretamente de acordo com a fase da doença e descrito no cartão da gestante E parceiro com tratamento concomitante;

Mãe inadequadamente tratada ou não tratada – Não realizou o tratamento corretamente OU tratamento sem ser com penicilina OU tratamento inadequado para a fase da doença OU tratamento 30 dias antes do parto OU tratamento não descrito no cartão da gestante OU parceiro não fez o tratamento concomitante, independente do tratamento da gestante.

Seguir fluxograma abaixo:


RN de mãe com sífilis

autoshape 245autoshape 246


Mãe inadequadamente tratada



Mãe adequadamente tratada


autoshape 243autoshape 244


Colher do RN:

  • Hemograma

  • VDRL no sangue periférico

  • Líquor (bioquímica, citologia e VDRL)

  • RX de ossos longos

Solicitar VDRL no sangue periférico da mãe e do RN

autoshape 247autoshape 249

Se reagente E com titulação maior do que a materna OU RN sintomático

Se negativo OU menor que o VDRL materno E exames sem alterações

autoshape 248autoshape 250


RN assintomático E com exames normais



RN sintomático OU com alterações nos exames*

autoshape 251autoshape 252


Alta com acompanhamento ambulatorial.

Se esse não for possível, fazer Penicilina G Benzatina, IM, 50.000UI/kg, dose única.

Tratar como um RN sintomático OU com alterações nos exames*
autoshape 253 autoshape 254



Fazer Penicilina G Benzatina, IM, 50.000UI/kg, dose única e alta com acompanhamento ambulatorial. Se esse não for possível, tratar com Penicilina G Cristalina – 100.000 UI/Kg/dia, EV, dividida em 2 doses (até 7 dias de vida) ou 3 doses (após 7 dias de vida), por 10 dias. Alta com seguimento ambulatorial.

Se não apresentar alterações liquóricas: tratar com Penicilina G Cristalina – 100.000 UI/Kg/dia, EV, dividida em 2 doses (até 7 dias de vida) ou 3 doses (após 7 dias de vida), por 10 dias OU Penicilina G Procaína – 50.000 UI/Kg/dia, IM, por 10 dias.

Se houver alterações liquóricas tratar somente com Penicilina G Cristalina.

Alta com seguimento ambulatorial.



Observações:


  • Existe ainda, para fechar diagnóstico no RN, os testes treponêmicos (FTA-AbsIgM 19S ou ELISA IgM ou ImunoblotIgM) positivos no soro do recém-nascido que não são utilizados rotineiramente por sua baixa sensibilidade.

  • Pode-se solicitar PCR (reação de cadeia de polimerase) para o antígeno 47 kDa positivo sérico ou no líquor do RN.

  • Nota-se que a alteração liquórica é importante paraprognóstico, mas não modifica tratamento.

* RN sintomático OU com alterações nos exames:




  1. Ao exame clínico: prematuridade, baixo peso ao nascimento, hepatomegalia com ou sem esplenomegalia, lesões cutâneas (como por exemplo, pênfigo palmo-plantar, condiloma plano), pseudoparalisia dos membros, sofrimento respiratório com ou sem pneumonia, rinite sero-sanguinolenta, catarata, glaucoma, uveíte, icterícia, linfadenopatia generalizada (principalmente epitroclear).

  2. Outras características clínicas, menos comuns, incluem: petéquias, púrpura, fissura peribucal, síndrome nefrótica, hidropsia, edema, convulsão e meningite.

  3. Considerar hemograma alterado diante de hematócrito inferior a 35%, plaquetopenia, leucopenia ou leucocitose de acordo com as curvas de normalidade para as horas de vida, linfocitose e monocitose.

  4. No RX de ossos longos considerar alterações:osteocondrite, periostite e metafisite, que acometem ossos longos, costelas e alguns ossos cranianos, presentes com frequência.

  5. Considerar alterado o líquor, até 28 dias de vida, se número de células for superior a 25/mm3OU proteína superior a 150 mg/dL. O VDRL do LCR é mandatório, pois apesar da baixa sensibilidade, sua especificidade é alta.

Atenção: Nenhum recém-nascido deve ter alta hospitalar até que a sorologia materna seja conhecida.


HEPATITE B
Todo recém-nascido deve receber a vacina para hepatite B
O recém nascido de mãe com hepatite B crônica deve receber a vacina contra a hepatite B e a imunoglobulina humana anti-hepatite tipo B (IGHAHB) na dose única de 0,5 ml nas primeiras 12 horas de vida. Ambas são intramusculares e quando feitas simultaneamente, devem ser realizadas em grupos musculares diferentes.
Quando a mãe não tiver sorologia para hepatite B no pré-natal e o status sorológico for desconhecido, vacinar o recém nascido nas primeiras 12 horas de vida e solicitar o HBsAg materno. Se positivo, administrar a IGHAHB 0,5 ml IM o mais rápido possível, antes do oitavo dia de vida. Se não for possível obter o resultado do HBsAg materno em tempo hábil, considerar o uso de imunoglobulina em recém nascidosde mães com alto do risco de serem portadoras de hepatite B (sinais e sintomas de doença hepática aguda ou crônica, história de múltiplos parceiros sexuais, usuária de drogas injetáveis, diagnóstico ou história de outras doenças sexualmente transmissíveis).
O parto cesáreo não é indicado como medida de prevenção da infecção e o aleitamento materno não é contraindicado.
VARICELA
Toda gestante sem antecedente de varicela com contato com pessoa com varicela ou herpes zoster deve receber imunoglobulina antivaricela zoster (VZIG) em até 96 horas do contato.
Toda gestante internada com varicela deve permanecer em isolamento respiratório para aerossol e contato até que todas as lesões estejam em forma de crosta e ser atendida por profissionais imunes. Não há indicação de se antecipar o parto.
Atenção: Todo profissional de saúde sem história de varicela, deve ser vacinado para varicela nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE).
No caso de gestante com varicela 5 dias antes ou 2 dias após o parto, o recém nascido deve receber VZIG ao nascimento. Caso permaneça internado, o recém-nascido deve permanecer em isolamento respiratório para aerossol por até 28 dias se assintomático. Todo recém nascido com varicela congênita ou pós-neonatal com vesícula deve receber aciclovir30mg/kg/dia e ficar em isolamento respiratório para aerossol e contato até que as lesões estejam em fase de crosta.
Atenção: O recém nascido com síndrome da varicela congênita não precisa receber aciclovir, nem precisa ficar em isolamento. Não há excreção viral, as alterações ao nascimento são sequelas da replicação viral intra útero.
A mãe com varicela 5 dias antes ou 2 dias após o parto, com recém nascido com lesões de varicela devem permanecer isolados juntos e receber alta assim que possível.

A mãe com varicela 5 dias antes ou 2 dias após o parto, com recém nascido sem lesões de varicela devem ficar isolados separados, mesmo que o recém nascido tenha recebido VZIG.


No caso de exposição à varicela no berçário:

Devem receber VZIG os recém nascidos que nasceram com idade gestacional maior ou igual 28 semanas de mãe sem história de varicela e os recém nascidos que nasceram com idade gestacional menor que 28 semanas independentedo antecedente da mãe sobre varicela.


Dose da VZIG: 125 UI para cada 10 kg de peso (dose mínima de 125 UI, dose máxima de 625 UI) IM
Os profissionais de saúde sem história de varicela devem realizar sorologia e podem trabalhar por até 8 dias do contato no berçário. Aqueles com sorologia negativa ou que não foi possível obter sorologia devem ficar afastados das atividades de assistência por até 21 dias.
Conduta para as mães e recém nascidos com parentes infectados (usualmente outra criança) em casa no momento da alta

  • Ambos mantidos no hospital até que todas as lesões do parente estejam crostosas

  • A mãe pode retornar para a casa, enquanto o recém nascido permanece internado

  • O recém nascido fica em outro domicílio até o termino da fase infectante do parente (lesões crostosas)

  • Quando não é possível nenhuma das alternativas acima, o recém nascido recebe VZIG e tem alta para casa



Mãe com herpes zoster

Se lesão de até um dermátomo, não precisa de isolamento, basta cobrir as lesões.

A mãe pode amamentar se as lesões não forem na mama, orientar a higiene das mãos antes do contato com o recém nascido e cobrir as lesões.

A mãe pode entrar no berçário com as lesões cobertas.


O filho de mãe com herpes zoster no momento do parto não precisa receber VZIG pois não há viremia (propagação viral por terminação nervosa) e a mãe apresenta altos títulos de anticorpos.

HERPES SIMPLEX
A gestante com história de herpes genital sem lesão ativa visível no momento do parto, pode realizar parto normal ou cesáreo de acordo com indicação obstétrica.
A gestante com lesão genital ativa no momento do parto deve realizar cesariana se ao chegar à maternidade não tiver ocorrido ruptura de membranas ou se a mesma ocorreu em até 4 a 6 horas.
Se no caso de gestante com lesão genital e o parto vaginal foi inevitável, se o recém nascido for sintomático, tratar com aciclovir 60mg/kg/dia, dividido em 3 doses (20mg/kg/dose) IV por 14 dias, se houver acometimento de sistema nervoso central, tratar por 21 dias. Se recém nascido assintomático, colher culturas para herpes (urina, fezes, secreção ocular, região retal, boca e nasofaringe) e aguardar o resultado 24-48 horas. Se culturas positivas para herpes simplex ou não for possível obter culturas, tratar com aciclovir nas mesmas doses e tempo indicados para recém nascido sintomático.
A criança sintomática ou aquela assintomática nascida por parto normal com mãe com lesão genital ativa e bolsa rota maior que 4 a 6 horas, devem ser colocadas em isolamento de contato.
O recém-nascido pode ser mantido no alojamento conjunto, orientando a mãe a higienizar as mãos ao contato com o recém-nascido e cobrindo as lesões.
A amamentação é liberada, exceto se a mãe apresentar lesões em mamilo. Mães com herpes labial devem usar máscaras cirúrgicas durante a amamentação e não podem beijar o recém nascido até que as lesões estejam na fase de crosta.
TUBERCULOSE
A gestante deve ser tratada com esquema RHZE (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol) nas doses usuais, sendo recomendado o uso de piridoxina 50 mg/dia pelo risco de toxicidade neurológica no recém-nascido devido à isoniazida.
Caso a gestante seja bacilífera no período do parto, deve-se manter a paciente em precauções respiratórias para aerossóis na maternidade e durante o parto.
Não há contraindicação para o uso do leite materno. No caso de aleitamento materno no peito, a mãe bacilífera deve utilizar máscara cirúrgica.
O recém-nascido de mãe bacilífera, não deve ser vacinado para BCG, mas deve iniciar na maternidade profilaxia com isoniazida 5 a 10mg/kg e deve receber alta com seguimento ambulatorial.

PARTE III

USO DE ANTIBIÓTICO EM GINECOLOGIA-OBSTETRÍCIA
INFECÇÃO DE SÍTIO CIRÚRGICO PÓS-CESÁREA
Avaliação inicial

  • Ultrassonografia de partes moles

  • Coleta de material para bacterioscopia e culturas (nos casos exsudativos)

  • Avaliação sistêmica clínica e laboratorial




DOENÇA

QUADRO CLÍNICO

TRATAMENTO

CONDUTAS

Forma leve

  • Hiperemia e hipertermia local

  • Ausência de comprometimento sistêmico

Não está indicado

  • Acompanhamento ambulatorial

  • Tratamento conservador da ferida

Celulite

Acometimento difuso e extenso do tecido celular subcutâneo



  • Ausência de comprometimento sistêmico

Amoxicilina/clavulanato (500 + 125 mg) 1 cp VO q 8h OU clindamicina 300 mg 1 cp VO q 6h ou 2cp VO q 8h

  • Acompanhamento ambulatorial

  • Tratamento conservador da ferida

  • Presença de comprometimento sistêmico

Clindamicina 600 mg IV q 6h + gentamicina 3-5 mg/kg/dose diária IM ou IV

  • Internação

  • Abordagem cirúrgica com remoção de tecido necrótico (envio para cultura)

Forma purulenta/ exsudativa

  • Hiperemia e calor local

  • Coleções teciduais

Clindamicina 600 mg IV q 6h + gentamicina 3-5 mg/kg/dose diária IM ou IV

  • Internação

  • Abordagem cirúrgica para drenagem de coleções

Celulite e fasceíte necrotizante

  • Acometimento difuso de subcutâneo e fáscia muscular, acompanhado de crepitação e necrose de extensa área tecidual

Penicilina 2.000.000 UI IV q 4h + clindamicina 600 mg IV q 6h

  • Internação

  • Abordagem cirúrgica para drenagem de coleções e desbridamento extenso

  • Considerar uso de câmara hiperbárica

  • Nos casos graves ou de má evolução clínica

Associar gentamicina 3-5 mg/kg/dose diária IM ou IV OU ceftriaxone 1g IV q 12 h

Obs: fazer reorientação da terapêutica após resultados de bacterioscopias e de culturas


ABORTAMENTO E INFECÇÃO PUERPERAL


TIPO

ANTIBIÓTICO

DOSE

OPÇÃO AMBULATORIAL

Abortamento clandestino ou infecção puerperal

Ampicilina OU penicilina + gentamicina* +

metronidazol



OU

Clindamicina + gentamicina*



1-2g IV q 4h;

3 milhões de U IV q 4h;

3-5 mg/kg/dose IV diária;

500 mg IV q 8h;


600 mg IV q 6h;

3-5 mg/kg/dose IV diária até paciente afebril por 48 horas



Amoxicilina/clavulanato 500/125 mg VO q 8h

* Comprometimento da função renal: substituir gentamicina por ceftriaxone

A manutenção de febre após 48 horas do início do tratamento, sem evidência de foco extragenital, deverá ser interpretada como falha terapêutica: considerar abordagem cirúrgica


MASTITE

TRATAMENTO HOSPITALAR

TRATAMENTO AMBULATORIAL

1ª opção: oxacilina 2g IV q 4h de 7 a 10 dias*

1ª opção: cefalexina 1 g q 6h por 7 dias

2ª opção: clindamicina 600 mg IV q 6h por 7 a 10 dias

2ª opção: clindamicina 600 mg VO q 6h por 7 dias para alérgicos aos beta-lactâmicos

*No caso de mastite fora do período puerperal, com secreção escura subareolar e mal cheirosa, associar metronidazol 500 mg IV q 8h
RUPTURA PREMATURA DE MEMBRANAS
Na admissão de gestante em trabalho de parto prematuro com idade gestacional ≥ 24 semanas, coletar swab vaginal-retal para pesquisa de Streptococcus do grupo B, inocular no meio de cultura específico Todd-Hewitt e encaminhar para o laboratório.


  • No caso de trabalho de parto prematuro sem ruptura de membranas, não fazer ATB

  • No caso de trabalho de parto prematuro com ruptura de membranas, avaliar a presença de corioamnionite:

Solicitar hemograma e PCR. A presença de febre com taquicardia materna (>100 bpm) e taquicardia fetal (>160 bpm) é sugestiva de corioamnionite.


No caso de corioamnionite, interromper a gestação e iniciar:
- Ampicilina 2g IV 6/6h + Gentamicina 3-5mg/kg IV dose única diária

Se a resolução for por parto cesárea, acrescentar:

- Metronidazol 500mg IV 8/8h OU Clindamicina 600mg IV 6/6 h

Tratar até gestante ficar 48 horas afebril




  • No caso trabalho de parto prematuro com ruptura de membranas sem corioamnionite, com idade gestacional entre 24 e 34 semanas e conduta conservadora, iniciar:

- Ampicilina 2g IV 6/6h + Azitromicina 500mg IV por 2 dias e em seguida passar para Amoxicilina 500mg VO 8/8h + Azitromicina 500mg VO 1x/dia por 3 dias

- Evitar toque vaginal
Quando a paciente entrar em trabalho de parto, fazer profilaxia para Streptococcus do grupo B de acordo com indicações abaixo. Se a paciente já estiver recebendo ampicilina para tratamento de corioamnionite, a profilaxia para Streptococcus do grupo B já está sendo feita.
PREVENÇÃO DE INFECÇÃO NEONATAL POR ESTREPTOCOCO DO GRUPO B (Streptococcus agalactiae)
Indicações de antibiótico profilaxia intraparto para prevenção de estreptococo do grupo B (Streptococcus agalactiae)
- Gestação anterior com história de recém-nascido com infecção por estreptococo do grupo B (sepse neonatal precoce)

- Bacteriúria com estreptococo do grupo B em qualquer trimestre de gestação

- Swab vaginal-retal positivo para estreptococo do grupo B na gestação atual

- Estado de colonização por estreptococo do grupo B desconhecido no momento do parto, com os seguintes fatores abaixo:



  • Gestação ≤ 37 semanas

  • Ruptura de membranas ≥ 18 horas

  • Febre no momento do parto (≥ 38,0o C)


Realizar antibiótico profilaxia no trabalho de parto

- Penicilina G cristalina 5 milhões de unidades dose inicial, então 2,5-3 milhões de unidades a cada 4 horas até o parto

OU

- Ampicilina 2g IV dose inicial, então 1g a cada 4 horas até o parto



Se história de alergia à penicilina ou à cefalosporina (anafilaxia, angioedema, desconforto respiratório – broncoespasmo e urticária):

- Clindamicina 900 mg IV a cada 8 horas até o parto


Não é necessário fazer profilaxia

  • Em caso de cesárea eletiva por indicação obstétrica com bolsa rota no ato, independente do resultado do swab vaginal-retal.

  • No caso de um swab vaginal-retal negativo coletado dentro de 5 semanas antes do parto.*

* Se a gestante com swab coletado negativo ainda estiver internada após 5 semanas, coletar novo swab.
GINECOLOGIA

Doença Inflamatória Pélvica – DIP

AGENTES MAIS COMUNS

TRATAMENTO DE ESCOLHA

TRATAMENTO ALTERNATIVO

TRATAMENTO AMBULATORIAL

COMENTÁRIOS

N. gonorrheae

C. trachomatis

U. urealyticum

M. homini

S. agalactiae

H. influenza

Peptococcusspp

Peptostreptococcus spp

Bacteriodes spp

Penicilina cristalina 4 milhões UI IV q 4h + gentamicina 3-5 mg/kg/dose diária IM ou IV

Continuar até 48 h após melhora clínica

Completar com doxiciclina 100 mg VO q 12 h por 14 dias (associar cobertura para anaeróbios por 14 dias se houver abscesso tubo-ovariano)


Ciprofloxacina 200 mg IV q 12 h + doxiciclina 100 mg VO q 12 h + metronidazol 500 mg IV q 8 h durante 14 dias

Ofloxacina 400 mg VO q 12 h + metronidazol 400 mg VO q 8 h por 14 dias

  • Considerar abordagem cirúrgica se necessário

  • Critérios de internação: diagnóstico incerto e diferencial com apendicite ou gravidez ectópica, abscesso pélvico, paciente adolescente, com HIV/Aids ou falha no tratamento ambulatorial


Infecção de Trato Urinário
Bacteriúria assintomática

Caracterizada pela presença de bactérias na urocultura (> 100.000 UFC/ml) e ausência de sinais e sintomas clínicos de infecção.

Indicação de tratamento apenas em mulheres gestantes

Tratamento: de acordo com o antibiograma por 5 dias


Infecção do trato urinário baixo (cistite)

- Mulher grávida, puérpera ou nutriz



  • Realizar EAS e urocultura

  • Tratamento: de acordo com o antibiograma, levar em conta os potenciais efeitos colaterais fetais na escolha do antimicrobiano

  • Duração 7 dias

  • Exames de controle: EAS e urocultura após 2 a 4 semanas

EAS alterado e coletado urocultura: iniciar antibioticoterapia empírica



  • Cefalexina 500mg q 6h ou

  • Amoxicilina 500 mg q 8h

Reavaliar com resultado da cultura e antibiograma e adequar esquema de tratamento se necessário
- Mulher não grávida

A infecção de trato urinário não complicada em mulheres não grávidas não requer a realização de exames laboratoriais

Iniciar antibioticoterapia empírica VO:


  • Sulfametoxazol – trimetropim (800 mg / 160 mg) q 12 h* ou

  • Norfloxacina 400 mg q 12 h ou

  • Nitrofurantoína 100 mg q 6 h ou

  • Fosfomicina 3g dose única ou

  • Ácido nalidíxico 500 mg q 6 h

*Se houver mais de 20% de resistência ao sulfametoxazol – trimetropim na comunidade, outra droga deve ser utilizada


Tratar por 3 dias

Tratar por 7 dias mulheres diabéticas e > 60 anos

Ausência de melhora clínica, realizar EAS e urocultura


  • Cultura positiva: agente resistente à droga utilizada: novo tratamento por 3 dias de acordo com antibiograma

  • Cultura positiva: agente sensível à droga utilizada: reavaliar o caso

  • Cultura negativa: repetir cultura em 48 horas, se novamente negativa:

    • Considerarinfecçãopor:

      • Clamydia trachomatis

      • Ureaplasmaurealyticum

      • Gardnerella vaginalis

      • Mycoplasma hominis

Tratar com doxiciclina 100 mg VO q 12 h por 7 dias ou azitromicina 1 g dose única
Infecção de trato urinário alto (pielonefrite aguda)

  • Na presença de sintomas clínicos sugestivos de infecção do trato urinário alto, solicitar: EAS, urocultura e hemocultura

  • Iniciar antibioticoterapia de acordo com o estado geral do paciente:

    • Casos com menor gravidade (tratamento ambulatorial), tratar por 10 dias:

Ciprofloxacina 500mg VO q 12 h

Levofloxacina 500mg VO dose diária

Amxocilina/clavulanato 500/125 mg VO q 8h


  • Casos com maior gravidade, tratar por 10 - 14 dias:

Ceftriaxone 1g IV q 12h*

Ciprofloxacina 400 mg IV q 12 h

Ampicilina/sulbactam 1g/500mg IV q 6h


  • Reavaliar em 72 h para passar para terapêutica oral

  • Investigar alterações do trato urinário: obstrução/cálculos

*Para gestantes, pacientes com maior risco de insuficiência renal ou idade > 65 anos, usar somente cefalosporina


PROFILAXIA CIRÚRGICA
Ginecologia

PROCEDIMENTO

ANTIBIÓTICO

DOSE NA INDUÇÃO

INTERVALO

DURAÇÃO

Intra-operatório

Pós-operatório

Cirurgia de mama

  • Nodulectomia

  • Quadrandectomia

  • Mastectomia

  • Cirurgia estética com prótese

Cefazolina

1-2 g IV

1 g q 4 h

Não indicado

Intra – operatório

Cirurgia ginecológica

  • Histerectomia abdominal/vaginal

  • Ooforectomia

  • Miomectomia

  • Panhisterectomia

  • Perinoplastia

  • Cistocele

  • Retocele

  • Uretrocistopexia

Cefazolina

1-2 g IV

1 g q 4 h

Não indicado

Intra – operatório

Obstetrícia

PROCEDIMENTO

ANTIBIÓTICO

DOSE NA INDUÇÃO

INTERVALO

DURAÇÃO

Intra-operatório

Pós-operatório

Parto vaginal

Não indicado

Parto vaginal com dequitação manual de placenta e/ou manipulação intra-uterina

Cefazolina ou clindamicina

1-2 g IV

600 mg IV



Dose única após campleamento do cordão

Não recomendado

Dose única

Parto fórceps

Cefazolina ou clindamicina

1-2 g IV

600 mg IV



Dose única após campleamento do cordão

Não recomendado

Dose única

Parto cesárea

Cefazolina ou clindamicina

1-2 g IV

600 mg IV



Dose única antes da incisão cirúrgica

Não recomendado

Dose única

Abortamento espontâneo

Não indicado

Abortamento eletivo

Não indicado

Abortamento clandestino

Indicado TRATAMENTO





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