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QUANDO ELE VOLTAR

RICKY MEDEIROS

RICKY MEDEIROS


Antes mesmo do lan­çamento de A Passagem, Ricky Medeiros já havia começado a escrever Quando Ele Voltar.

Meste seu mais recen­te livro, Ricky nos transmi­te uma mensagem de oti­mismo, fé e esperança, combatendo nosso medo em relação às grandes mu­danças que ocorrerão na vibração terrestre durante o novo milênio.

A inspiração para esta obra veio mais uma vez de seu irmão Joe e de outros mentores espirituais, que enviaram esta mensagem para que, Quando Ele Vol­tar, todos nós estejamos prontos para ouvir suas palavras.

Ricky Medeiros nasceu em Scranton, Pensilvânia (EUA), e vive no Brasil, onde trabalha no SBT.
RICKY MEDEIROS



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Ano 2015. O autor diz que esta história é uma ficção. Eu tenho minhas dúvidas.

Conforme prometera há dois mil anos, Ele reencarna no Brasil, como Antônio Almeida, pa­ra falar claro e sem mistérios de velhas verdades que os homens não aprenderam até hoje.

Mestre iluminado, utiliza-se dos modernos recursos da comunicação para ensinar que temos o poder de escolha e somos responsáveis pelo nosso destino. Dá lições de fraternidade, mostra a perfeição do universo, fala com sabedoria.

Elevada com seus conceitos, me pergunto: esta história seria premonição? Difícil respon­der. Mas sinto que tudo poderá acontecer exata­mente assim quando Ele voltar.
ZIBIA GASPARETTO

Sumário

Uma História Antes do Livro 11

Introdução 15

Uma Viagem no Astral 19

O Começo do Fim 29

Longe das Câmeras, Perto da Luz 43

Masterson Dá as Ordens 53

Hanley e as Fitas 63

Não Tenham Medo 69

A Caçada Começa 79

Uma Visão do Inferno 87

Atrás da Verdade 95

Almeida, Aborto e uma Palavra sobre Adão e Eva 101

Os Falsos Profetas 111

Vida e Morte 117

As Fitas Estão Prontas 135

Fita Um 143

Fita Dois 155

Fita Três 161

O Ultimo Sonho de Masterson 169

Mary Faz um Relatório 173

Hanley Faz uma Viagem 187

O Anúncio 191

O Último Encontro 199

Reação 205

A Entrevista Ouvida pelo Mundo 215

O Confronto 223
Dedicatória

Depois do sucesso de A Passagem, descobri um monte de no­vos amigos. Mas gostaria de dedicar este livro a alguns velhos ami­gos. Nos Estados Unidos, temos uma expressão que vou tentar traduzir: "Faça sempre novos amigos, mas conserve os antigos; os novos são de prata, porém os antigos são de ouro". Assim, quero citar aqui os meus velhos amigos de ouro, que, espero, permane­cerão perto de mim por muito tempo: Verão (Everálvio de Jesus), Fernando Pellegio e Makarrão (Angelo Ribeiro).

Há muitos outros, claro, mas faço questão de destacar estes nomes, e eles sabem por quê. A vida, como todos nós sabemos, é sempre cheia de surpresas, algumas agradáveis e outras nem tanto. Estes três amigos sempre foram surpresas muito agradáveis para mim.

Queria também dedicar este livro à minha esposa Sônia, que continua me agüentando, e às minhas filhas Juliana e Fernanda. E, claro, ao meu irmão Joe Medeiros. Infelizmente ele teve de pas­sar para o outro lado para que a minha atenção fosse despertada para as coisas que o espírito podia nos ensinar nesta vibração terrestre.

Finalmente, dedico este livro a todos que leram A Passagem. Vocês deram a maior realização de minha vida. Obrigado.

Vou contar uma outra história também verdadeira que acon­teceu poucas semanas depois.

Eram mais ou menos sete da noite. Não lembro a data, mas tenho certeza de que era um dia de semana. Minha mãe me cha­mou de seu quarto para que eu ajustasse a imagem da televisão. Ela estava deitada quando entrei e em seu colo havia três páginas de uma carta.

Nós conversávamos enquanto eu mexia no aparelho. Ela dis­se que a carta era para uma amiga que vivia no Brasil, contando como tinha sido o funeral de meu irmão.

Finalmente, com a imagem da TV ajustada, deixei o quarto.

Alguns minutos se passaram e ela chamou novamente. "O que será que ela quer agora?", perguntei a mim mesmo.

Quando cheguei a seu quarto, ela me perguntou sobre a car­ta. Respondi irritado que não fazia a menor idéia do que ela esta­va falando. Minha mãe reclamou que a carta estava na cama quan­do eu entrei no quarto para mexer na TV, e agora havia sumido. Eu respondi que tinha visto a carta em seu colo quando consertei a televisão.

Minha mãe era e ainda é meio desligada. Algumas vezes ela se esquece de onde guarda cheques, certidões de nascimento e outros objetos importantes. (Uma vez ela perdeu cinco mil dóla­res em dinheiro. Ainda hoje evitamos tocar nesse assunto, que vi­rou uma espécie de tabu.)

Ela estava muito aborrecida, repetindo que a carta era sobre o funeral de meu irmão e ela não queria escrever sobre isso de novo. Cheguei perto da cama e pedi-lhe que se levantasse. Tirei a colcha, com a certeza de que iria encontrar a carta.

Nada.


Tirei o cobertor. Nada. Tirei os lençóis. Nada. Olhei embaixo dos travesseiros. Nada. Ela me olhou com aquele seu olhar aéreo, sem saber se era cul­pada ou não.

— A carta estava aí agora há pouco — disse ela, apontando para a cama. — Você mesmo viu. Não brinque comigo!

Minha mãe sabia que seus filhos brincavam com ela por cau­sa de seu notório "desligamento". (Tenho de admitir que às vezes brincávamos mesmo, mas dessa vez era sério.)

Eu me ajoelhei e enfiei a mão debaixo da cama. Tinha cer­teza de que encontraria a carta lá. Tateando, senti alguma coisa quente. Eu a peguei e a puxei para fora: era a carta.

Mas a carta não era mais uma carta. As páginas estavam amas­sadas e torcidas em um nó. Minha mãe ficou assustada. Ela que­ria saber como aquilo podia ter acontecido. Olhei para seu rosto, e pela sua expressão eu sabia que não era obra de seu desligamen­to. Isso era outra coisa.

Decidimos então telefonar para Margaret Tice, que era mé­dium e pastora do centro espírita em Syracuse. Ao telefone, mi­nha mãe, com a carta amassada nas mãos, explicou o que havia acontecido.

— Preciso lhe fazer uma pergunta — disse a médium. — O que estava escrito na carta?

Minha mãe respondeu que a carta era para uma amiga no Brasil e descrevia o funeral de Joe.

— Não foi uma carta fácil de escrever — ela acrescentou.

A Sra. Tice disse que tinha sido Joe quem dera o nó. Ele le­vou a carta desta dimensão para a dele. Essa teria sido a razão de a carta estar quente quando a encontrei debaixo da cama.

— Por que ele faria isso? — escutei minha mãe perguntar.

— Ele está mandando uma mensagem. Está pedindo para você não pensar nele com tristeza e dor. Lembra o que ele escre­veu na parede? — disse ela, referindo-se ao incidente ocorrido se­manas antes. — "Não fiquem tristes e não chorem por mim."

A Sra. Tice explicou que, enquanto minha mãe escrevia a car­ta, ficava pensando em Joe de uma forma negativa, de uma forma que o prendia aqui.

— Ele está pedindo para ser liberado. Quando pensa nele com tristeza e dor, você o chama e o traz de volta. Ele tem mui­tas coisas para fazer. Ele tem seu próprio caminho para seguir. Li­bere-o, assim ele poderá evoluir e completar a missão para a qual seu espírito foi criado.

Este livro pretende trazer a você a mesma mensagem que Joe trouxe à nossa família: libertação.

Mas a libertação a que este livro se refere é mais difícil do que se desprender de um ser amado que morreu. O desprendimento des­te livro é sobre a nossa libertação; libertação de nossos egos, de nossas vaidades e de nossas crenças. Leia cuidadosamente as três diferentes citações do início do capítulo. As três, de diferentes re­ligiões, falam sobre desprendimento. Assim falará também este livro. Assim falou meu irmão Joe.

A Terra está sendo preparada para uma Nova Era, e nós pre­cisamos nos preparar também. Comece a ler este livro desprendendo-se de seus dogmas, de suas crenças e de seus apegos. Espero que, quando você chegar ao fim, nós tenhamos começado o difí­cil processo de desligamento.

Introdução


"Estai preparados vós também, porque o Filho do Homem chegará na hora em que menos pensais."

Lucas 12:40
"Para a salvação dos corretos e a destruição dos maléficos e para firmar a Lei, eu renasço, era após era."

BhagavadGita, 4:8

O milênio está pegando mal. As pessoas estão enlouquecen­do, procurando sinais do fim do mundo. Estão esperando que montanhas desabem, que os oceanos inundem a Terra e que bo­las de fogo caiam do céu. Aí, para finalizar, algum lunático cha­mado de anticristo chega (supostamente de algum país obscuro do Oriente Médio, onde nem a CNN tem filial) para comandar as le­giões das trevas. Ele destruirá tudo e todo aquele que estiver em seu caminho. E, quando todo o caos, destruição e confusão tive­rem acabado, Jesus aparece, comandando os exércitos de luz. Ele então levará com ele os sobreviventes desse Armagedom para a Terra Prometida.

Por outro lado, temos os cientistas sociais, escritores de livros e roteiristas de filmes que prevêem um futuro frio e estéril, no qual os seres humanos serão pouco mais que uma peça insignifi­cante de uma enorme máquina universal.

Me poupe!

Há e haverá mudanças na esfera terrestre. Mas essa transfor­mações não são nada mais, nada menos que as conseqüências da evolução acontecendo na Terra. As mudanças que virão, as cha­madas mudanças da Nova Era, serão físicas e espirituais. E se as montanhas desabarem, se os oceanos ferverem e as bolas de fogo realmente caírem do céu? O que quer que aconteça, não será por acidente, não será por acaso. O que quer que aconteça, aconte­cerá a todos nós.

Este livro é sobre um mensageiro que vem da mesma faixa ilu­minada de Jesus. Esse mensageiro entrará na faixa terrestre para nos ajudar a nos prepararmos para as mudanças que virão.

O que seria se tal mensageiro aparecesse hoje, agora, neste exa­to momento? O que aconteceria se ele chegasse sem a fanfarra, sem o oba-oba e os fogos de artifício que o pessoal do Apocalipse pre­viu? O que aconteceria se ele aparecesse como apareceu da últi­ma vez, um homem comum, pregando uma mensagem de amor, compaixão e salvação?

Um mensageiro de luz encarnou há dois mil anos. Seu nome era Jesus. Mas a Terra era diferente naquela época. Jesus viveu e pregou numa pequenina região do mundo, e as pessoas que ele en­sinou eram simples e humildes.

Não havia televisão, rádio, jornais ou Internet para transmi­tir em segundos para todo o mundo o seu rosto e as suas palavras. Ele falou com centenas de pessoas em pequenas vilas e cidades, não simultaneamente para milhões espalhados no planeta. Ele pregava com parábolas longas, não em entrevistas de trinta segun­dos feitas para os telejornais do século XXI. Há dois mil anos, ele bateu de frente com superstições, ignorância, interesses políticos e religiosos da época.

Hoje ele também iria bater de frente com superstições, into­lerância, muitos interesses políticos e religiosos, e estaria dispu­tando nossa atenção com a MTV, cento e cinqüenta canais de te­levisão e a HBO.

Quando Jesus andou na Terra, falou em uma só língua para uma única cultura e para uma única sociedade. Hoje, existem inú­meras culturas, subculturas e até sociedades dentro de sociedades. A aldeia global de hoje é muito mais complexa que aquele peque­no vilarejo da Galileia.

O que diria esse mensageiro da faixa crística ao nosso mun­do do século XXI? O que ele diria para este mundo materialista e dividido? Ele usaria aquelas difíceis parábolas de dois mil anos atrás? E, o mais importante, como nós o aceitaríamos? Compreen­deríamos sua mensagem simples de amor, de redenção pessoal e de salvação? Nós o abraçaríamos como sendo a luz da felicidade ou o apedrejaríamos como se fosse um louco, um fanático ou um revolucionário? Em outras palavras, será que faríamos hoje o mes­mo que fizemos a ele dois mil anos atrás?

Este é um livro inspirado. Eu o escrevi com a ajuda de espí­ritos iluminados que estão me usando para trazer para a vibração terrestre uma mensagem de esperança, de amor e de conforto. Eles estão me usando para fazer brilhar uma luz em nosso mundo, às vezes tão escuro e confuso. Esses espíritos querem dividir conos­co um pouco de sua luz, para que possamos encontrar nosso pró­prio caminho para casa. Eles estão me usando para nos ajudar a nos preparar para as futuras mudanças terrestres. Eu, o chamado autor, não sou nada mais que um veículo humano através do qual vêm a sabedoria e a verdade que esses espíritos têm para oferecer.

Neste livro, ele voltou. Ele encarnou nesta aldeia global a qual chamamos Terra. Ele vive, anda e ensina. A mensagem que trouxe é a mesma de dois mil anos atrás, mas ainda assim ela será ouvida sem os filtros dos tempos, com preconceitos e interesses.

E claro que as situações descritas neste livro são fictícias. O enredo é meramente uma invenção dramática, usada para entre­ter e explicar. Mas essa é a única ficção; o resto é tão verdadeiro quanto a vida que você está vivendo.'

Por favor, leia este livro com uma mente aberta, para que a luz que meus amigos espirituais oferecem possa enchê-lo de espe­rança, de verdade e de felicidade. Este é o desejo deles, assim como é também o meu, quando começamos juntos nossa jorna­da para casa. Porque, quando Jesus realmente reaparecer, trará junto todos os homens e todas as mulheres desta Terra, e a nacio­nalidade, a religião e a raça não terão a menor importância. Ele não virá em razão de um culto, de uma seita ou de uma nação; o mensageiro da luz e do amor virá para restaurar a fé em Deus e em nós mesmos.


Capítulo l

Segunda-feira, uma data qualquer, ano 2015


UMA VIAGEM NO ASTRAL


". .derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos, os vossos mance­bos terão visões; e também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu e na ter­ra, sangue e fogo, e colunas de fumaça."

Joel 2:28-30
"Ele é o nunca-criado criador de tudo. Ele conhece tudo. Ele é pura cons­ciência, o criador do tempo, todo-poderoso, onisciente. Ele é o Senhor da alma, da natureza e das três condições da natureza. Dele vem a transmigração da vida, a liberação, a servidão do tempo e a liberdade na eternidade."

Krishna Yajur Veda, Svetasvatara Upanishads 6.16

No bairro mais pobre da cidade mais rica do mundo, um pa­dre ajoelha-se ao pé da cama. Com o terço na mão ele olha para um crucifixo simples de madeira pendurado sobre a cama.

O padre Jean é um estranho na América. Nos últimos vinte anos ele foi confessor, amigo e confidente dos milhares de pobres e esquecidos da cidade de Nova York, pessoas cujos antepassados foram arrancados de suas raízes africanas e se tornaram escravos. O padre vive com eles na pobreza e no esquecimento. Ele é pas­tor da Igreja Católica Apostólica Romana de São Paulo, no Harlem, em Nova York. E ele, como os ancestrais dos paroquianos, tam­bém veio da África.

Ajoelhado em seu quarto modesto e pouco mobiliado, o pa­dre negro agradeceu a Deus pelo dia que terminara, pediu perdão por suas falhas e procurou sabedoria para o dia de amanhã. Aci­ma de tudo, ele pediu uma orientação. O padre procurava uma luz que iluminasse sua alma confusa.

Ele estava sendo atormentado por visões e vozes que assom­bravam seus dias e suas noites. No início elas eram suaves e sutis, meros sussurros sem forma e sombras vistas do canto do olho. Mas, com o passar dos meses, os sussurros tomaram forma e a luz saiu das sombras.

Anjos sem asas falavam, dizendo que havia chegado o momen­to de preparar o mundo.

— Ele está na Terra — insistiam as entidades da luz. — E você pode ajudá-lo.

No começo Jean pensou que estav enlouqueçendo. No en­tanto, havia uma urgência e uma realidade nas mensagens, con­vencendo-o de que ele não estava tendo alucinações. As mensa­gens eram verdadeiras. As visões e as vozes eram reais. Ele tinha certeza.

Mas ele estava com medo. A igreja franzia o cenho para vi­sões e vozes. Por alguma razão, a igreja achava que revelações e profecias só cabiam no Velho Testamento.

O padre rememorou seus dias de seminário na Africa e os cursos especiais sobre crenças nativas.

Na África, diziam que os curandeiros eram possuídos por espíritos. Os curandeiros adoravam e reverenciavam as entidades espirituais. Ás vezes, por meio de encantos e magias, invocavam essas divindades para intervir em assuntos terrestres.

Os professores do seminário ensinaram-lhe que os curandei­ros não tinham contato nenhum com o além, eles eram apenas ví­timas de suas próprias alucinações. Os padres diziam que as cren­ças tribais não eram nada mais quesitos pagãos, cujos praticantes brincavam com as forças negras de Satanás.

O jovem padre às vezes questionava essa contradição óbvia: seria alucinação ou o demônio?

No entanto, para ele isso era irrelevante. O padre era devo­tado a Jesus e acreditava que Cristo era o verdadeiro salvador da humanidade.

Agora, em dois mil e quinze, separado de sua terra natal por vinte anos e por um grande oceano, o padre negro chamou seu salvador.

Em nome de seu filho Jesus — implorava ele a Deus —,

mande-me a graça para entender. Mostre que o que vejo e o que ouço vêm de você. Prove para mim que as vozes e as visões pertencem à luz e não à escuridão. Mande um sinal mostrando que o que ouço em meus sonhos e o que vejo quando estou acordado é verdadeiro e é sagrado. Eu preciso ter certeza.

Por meses Jean sonhou com um homem que ele conhecia como Jesus. Esse homem disse ao padre que ele estava vivo e es­tava vivendo na Terra. Nesses sonhos a voz dizia:

— Todos vão entender o que tenho para falar. Mas apenas aqueles que estiverem prontos vão aceitar o que falo. Como na úl­tima vez, jogarei sementes ao vento, e elas irão pegar apenas onde o solo estiver pronto. Você pode ajudar a preparar o solo; eu que­ro explicar o que ficou mal entendido. É o momento: dois mil anos já se foram.

Todas as noites nos últimos seis meses o padre rezava pelo si­nal. Ele precisava saber se não estava sendo enganado pelo seu pró­prio ego ou por legiões das trevas.

"Não vou anunciar um anticristo e não serei vítima de meu pró­prio orgulho", refletiu. "Se devo espalhar essa mensagem, Deus, preciso saber que ela é de você."

Jean raramente rezava para si mesmo. Aos quinze anos, en­trou para o seminário porque sabia que Deus o havia chamado para viver sua vida como Jesus viveu.

Aos vinte e dois anos, ele dividiu com seu rebanho a alegria, a paz e a harmonia que encontrou em Jesus. Por meio de canções, danças e risos, o padre levou a seus paroquianos um Jesus que não era um pedaço de gesso afixado numa cruz, mas um espírito vivo que fazia parte de suas vidas. Ele viajou por todo o continente africano, dizendo a milhões de pessoas que Jesus estava vivo em todos e em cada um deles.

"Jesus era o filho de Deus. Nós também somos. Nós somos um com Ele, e através Dele somos um com Deus e um com o outro", era como ele terminava suas missas.

No Harlem, aos quarenta e cinco anos, ele era amado por seus paroquianos. Ajudava-os a enxergar além da rotina maçan­te de suas vidas e além do rancor de ser pobre numa nação rica. Por isso, a igreja de São Paulo ficava lotada todos os domingos com pessoas que procuravam sua alegria, seu conselho e sua amizade.

Agora ele estava sendo chamado por forças desconhecidas para preparar o caminho para um Jesus que não vivia somente dentro de nós. Agora ele vivia também entre nós.

Quando Jean foi para a cama, ficou esperando ansiosamente pelo sonho daquela noite. Ele limpou a mente e colocou de lado seus medos, dúvidas e desejos. Esvaziou e rendeu sua alma a Deus. O padre não sabia, mas estava prestes a viajar para o mundo as-tral, o mundo dos espíritos.

Se você estivesse naquele pequeno quarto e se seus sentidos pudessem sintonizar as vibrações elevadas, veria o espírito de Jean sincronizado com as mais desligando se vagarosamente de seu corpo adormecido, permanecendo ligado apenas por um cordão fino de prata brilhante. Você veria o espírito to de Jean flutuar suavemente para cima. E ao seu redor você veria anjos e guias espirituais da mais pura luzz protegendo-o nessa viagem.

Essa era uma experiência inédita, mas ele permaneceu cons­ciente durante cada etapa da viagem espiritual. Olhando para baixo, viu o cordão que ligava seu espírito flutuante ao corpo adormecido pulsar com energia. Ao seu lado, via os anjos que o guiavam cada vez mais alto ao destino final.

Durante o trajeto, uma voz calma, vinda de algum lugar, pe­dia-lhe para relaxar:

— Jean, acredite em nós e em você mesmo. Estamos levando-o a um lugar especial, a umavibração da mais intensa luz e verdade. Chegou a hora de você conhecer sua missão. Há trabalho pela frente, e você precisa estar preparado. Suas perguntas serão respondidas, não se preocupe. Você está na luz e encontrará o que está procurando.

Jean, um padre católico negro que veio da África para traba­lhar nos guetos do Harlem, imediatamente soube que ele não era apenas isso. Naquele momento ele soube que sempre tinha sido muito mais. Ele enxergou além dos rótulos, além dos muitos no­mes e identidades que carregava consigo, em suas várias encarna­ções na esfera terrestre. Em um breve e divino segundo de cons­ciência, ele se transformou naquilo que sempre soube que era: um espírito eterno. A sua volta giravam cores vivas com uma pureza e uma harmonia que ele nunca vira antes, e por meio dessas vi­brações caleidoscópicas sentiu a serenidade, a segurança e a har­monia da criação de Deus.

Jean chegou ao que parecia ser um quarto branco. Mas era um quarto diferente, sem limites, com infinitas paredes, um teto in terminável e um chão sem fim. Seus sentidos não podiam assimi­lar o que estava acontecendo, então ele se rendeu à corrente de paz que tomou conta de sua alma. Ele estava sozinho naquele quarto, mas sabia que era um com o Universo. Ele sentia que es­tava no centro da criação.

De repente, do nada e de lugar nenhum surgiu um homem. O padre imediatamente percebeu que não era um homem de car­ne, osso e sangue. Jean estava vendo uma imagem, e era a ima­gem de seus sonhos.

O homem devia ter uns vinte e tantos anos. Tinha cabelos escuros e cheios, estava bem bronzeado e tinha mais ou menos um metro c oitenta de altura. Seu rosto era suave, confortante e se­reno, os olhos de um azul profundo.

Ele se aproximou de Jean, tomou suas mãos e colocou-as en­tre as suas. As mãos do homem eram longas e finas. O padre sen­tiu um poder forte porém doce emanar daquelas mãos. Seu olhar penetrava profundamente os olhos de Jean. Sem mexer os lábios, o homem disse:

Oi, Jean. Fico feliz por sua vinda. Eu o conheço desde o inicio dos tempos, mas acho que esta é a primeira vez que a gen-^tjg-^gricontra pessoalmente. Nós sempre nos conhecemos. Eu, você e todos os seres vivos somos um com o Criador e ligados uns aos outros. Muitos espíritos da vibração terrestre se esqueceram desta ligação. Mas não tem problema: essa é uma das razões por que voltei.

Petrificado, o padre ouvia atentamente o que o jovem dizia, e cada palavra o atingia como um raio.

— Eu voltei para ajudar os espíritos do plano terrestre. Eles têm medo. Medo da morte e medo da vida. Por causa desses me­dos, as almas terrestres se esqueceram do que são, construindo muros à sua volta, e agora não conseguem encontrar a saída. Eu voltei para trazer a luz.

Jean sabia quem era aquele homem.

Lendo os pensamentos do padre, o jovem disse:

— Desta vez será diferente, mas ao mesmo tempo será a mesma coisa. Eu não vim para mostrar um caminho novo, mas sim para ensinaria andar de um jeito novo no caminho velho. Dois mil anos já se passaram. A Terra e a criação de que ela faz parte mudaram.

O homem envolveu Jean com sua vibração simples, pura e har­moniosa. E continuou:

— A Terra está entrando em uma nova era. Os espíritos hu manos estão confusos. Eles anseiam por novas respostas para ve­lhas perguntas. Sua dimensão terrestre foi preparada para a minha volta. Nunca houve tanto interesse pelo invisível e pelo inexpli cável. Eu darei aos espíritos terrestres as respostas que eles tão de­sesperadamente procuram. Todos entenderão minhas palavras, mas apenas aqueles que estiverem prontos irão aceitá-las.

O jovem pousou o braço no ombro de Jean, abaixou o tom de voz e falou diretamente à alma do padre:

— Muitos foram chamados. Mas, como sempre, poucos retor­naram minha ligação. Você foi um deles. Há outros. Quando che gar a hora, eles vão aparecer. Mas você tem uma tarefa difícil pela frente. — O homem sorriu para Jean e acrescentou: — Você vai anunciar ao mundo que eu voltei.

Aquelas palavras ecoaram na alma do padre. Ele não podia acreditar no que estava ouvindo. Olhando para o jovem atlético, indagou:

— O que eu preciso fazer? Por que eu? Quem vai me ouvir?

Eu não posso fazer isso. Eu não sou ninguém. Dê sua mensagem para o papa, ele é o líder de sua igreja na Terra. Eu sou apenas o pastor de uma pobre igreja de negros. Com um sorriso largo, o jovem respondeu:

— Bem, eu sou igual ao meu Pai. Escrevo direito por linhas tortas.

Jean esperava uma resposta um pouco mais séria. Com seus olhos azuis cintilantes, o homem fitou um ponto distante e continuou:

— Eu não tenho religião. Não pertenço a nenhuma seita. Não assinei contrato de exclusividade com nenhuma igreja ou templo. Eu pertenço a todos. Eu não sou cristão, judeu, hindu, mu­çulmano, budista ou pagão. Eu sou tudo e mais um pouco. Minha verdade está em todos os lugares. Você acha que há uma religião oficial deste lado da vida? Alguém realmente acredita que existe uma fé ou uma igreja levando meu selo de aprovação? Neste lado da vida, religião não significa nada. Aliás, nesta dimensão, reli­gião nem existe.

— Mas por que eu? — O padre queria uma resposta.

— Como eu disse, muitos foram chamados, poucos respon­deram. Muitos ouviram minha voz em seus sonhos, mas poucos estavam prontos para ouvi-la_em suas almas. Apenas alguns foram capazes de deixar de lado suas vaidades e seus egos para ouvir a ver­dade que trago. Poucos enxergaram além de suas ambições terres­tres para ver as visões do espírito.

Olhando no fundo da alma do padre, o homem continuou:


  • Você, Jean, me vê em todo lugar. Você se lembra do que eu ensinei? "Abençoados são os pobres de espírito." Você é pobre de espírito. Seu espírito não flerta com as bobagens e o orgulho da Terra. Você é abençoado porque seu espírito é pobre de ape­gos. Seu espírito é pobre de desejo.

  • O que você precisa? — perguntou o padre em estado de choque.

O homem começou a caminhar, fazendo sinal para que o pa­dre o seguisse. Ele levantou o braço esquerdo, varrendo o branco infinito que os cercava.

A Terra apareceu. Estava bem longe, uma bola azul solitária suspensa na escuridão do universo. O padre estava espantado. Ele e o homem moreno estavam flutuando no espaço, observando o planeta girar lentamente em seu eixo. Jean esperava avidamente as próximas palavras do jovem a seu lado.

— Coloque isto em sua cabeça: mudança não é boa nem ruim. É simplesmente o resultado do que veio antes.

Apontando para a Terra, pediu ao padre que prestasse muita atenção. De repente, a Terra transformou-se numa tela de cinema gigantesca, mostrando imagens geradas por um projetor invisível.

Na tela, a história do planeta era contada, começando com os primeiros grupos tribais ao redor de uma fogueira e passando para as guerras, triunfos e tragédias da raça humana. Daquele ponto pri­vilegiado, Jean compreendeu que os triunfos e as tragédias eram iguais, nem bons nem ruins. Todo acontecimento era uma conseqüência do que veio antes, um círculo contínuo e inquebrável, em que um evento alimenta outro. A roda do tempo girava e girava, implacável indestrutível, sempre mudando.

— Na história da dimensão terrestre, nunca houve tantas mudanças num espaço de tempo tão curto — explicou o jovem. — No entanto, há coisas_que nunca mudam. Hoje, por exemplo, as pessoas se comunicam instantaneamente com o outro lado do mundo, mas em compensação nunca estiveram tão isoladas umas das outras.

Enquanto ele falava, uma família apareceu na tela da Terra: pai, filho, filha e mãe. Cada um vivia num mundo particular: em seu dormitório, o filho surfava pela Internet, a mãe entretinha-se com um filme em seu quarto, o pai assistia a um jogo na sala e a filha falava ao telefone, cada um em seu próprio mundo, um isolado do outro.

A narração do homem continuava enquanto a Terra girava.

— Pela primeira vez na história da Terra, o conhecimento é de fácil acesso. Mas, por outro lado, o homem nunca esteve tão ignorante.

Jean viu conflitos raciais, crimes de ódio e cenas de fanatis­mo religioso passando na tela da Terra. O rapaz continuou:

Na esfera terrestre, os humanos estão sempre descobrindo novas e avançadas tecnologias. Mas os homens são prisioneiros, porque seus espíritos estão acorrentados a seus próprios egos, Eles transformaram a Terra numa enorme comunidade ligada por satélites, aviões e comunicação instantânea. Mas eles se debatem em relação a suas diferenças ao invés de se unirem em torno do que têm em comum. As pessoas se reúnem em grupos, vendo virtude e justiça apenas em suas próprias necessidades, crenças e de­sejos. A humanidade construiu uma grande aldeia interligando milhares de tribos diferentes. Mas o homem se isola um do outro. Agindo dessa forma, ele corta a ligação com Deus. Por quê? Por­que todos são espíritos criados pelo Senhor. Sendo assim, todos têm uma ligação divina um com o outro. Se vocês se isolam entre si, também se isolam de Deus.

Enquanto a bola azul girava lentamente, o padre viu imagens de brancos lutando com negros, mulheres brigando com homens e religiões guerreando entre si. As cenas o faziam lembrar os te­lejornais terrestres.

A imagem da Terra foi se desvanecendo lentamente. Em seu lugar reapareceu o quarto branco sem paredes. O jovem de cabelos pretos, com seu braço ainda sobre o ombro do padre, continuou falando:

— Essas são apenas algumas das razões por que voltei. O ho­mem está pronto. Seu espírito anseia pela verdade. Devagar ele está percebendo que suas invenções, seus confortos e suas conquis­tas terrestres trazem apenas um alívio temporário para seu vazio.

O padre concordou balançando a cabeça enquanto conti­nuava prestando atenção às palavras do rapaz.

— Todo dia nasce uma nova religião, culto ou seita. Apesar disso, o espírito humano continua a clamar por respostas. Chegou a hora, Jean, de ajudar os espíritos terrestres a se religar entre si e, conseqüentemente, com Deus. Eu os ajudarei a sair das cavernas de medo que construíram para si mesmos.

O padre caiu de joelhos, inclinou-se para a frente e beijou as mãos longas e finas do jovem.

— Obrigado, Jesus — foi tudo que o padre conseguiu falar. O homem respondeu em um tom deliberadamente lento:

- Eu sou quem você pensa que sou. Eu sou Jesus para al-guns. Buda, Krishna ou Maomé para outros. — O jovem riu e comentou: — Para alguns eu serei até mesmo o próprio demônio. Como eu disse: eu sou quem você pensa que sou.


  • O que você quer que eu faça? — perguntou o padre, ain­da ajoelhado.

  • Nada muito difícil — respondeu ele sorrindo. — Quero di­zer, você não vai ter que abrir o Mar Vermelho nem transformar um cajado numa cobra. Essas coisas eram de uma outra época, di­rigidas para um outro povo. Hollywood pode fazer esses efeitos especiais muito melhor, então por que competir com Spielberg?

Ele então pôs suas mãos sobre a cabeça do padre e daquelas mãos fluiu uma energia intensa de pura luz.

De volta à vibração terrestre, Jean dormia enquanto seu espírito reentrava no corpo. Em algumas horas, por volta das seis da manhã, o corpo iria acordar. Jean saberia que Deus havia respon­dido às suas preces. O sinal estava dado.

E um novo dia estava raiando, enquanto a roda do tempo gi­rava e girava, sem parar, inquebrável, sempre mudando.

Capítulo 2




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