Revisão literária sobre abordagem fisioterapêutica em crianças diagnosticadas com síndrome de down



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Edição X, volume 1, artigo nº X, Mês/Mês 2014






REVISÃO LITERÁRIA SOBRE ABORDAGEM FISIOTERAPÊUTICA EM CRIANÇAS DIAGNOSTICADAS COM SÍNDROME DE DOWN
Daniela dos Santos Dias1

Formação


Súzany Talita Alves de Camargo2

Formação



Resumo

A Síndrome de Down é caracterizada por uma desordem cromossômica, apresentando uma trissomia do cromossomo 21, com alterações fenotípicas e atraso no desenvolvimento motor. Sua prevalência em nascidos vivos é de 1 para cada 600/800 nascimentos, tendo uma média de 8.000 casos novos, por ano no Brasil. O objetivo do estudo foi realizar uma revisão da literatura sobre a abordagem fisioterapêutica em crianças diagnosticadas com Síndrome de Down. Esta revisão compila estudos publicados, através de revisão literária. Segundo a pesquisa, foram encontrados 10 artigos sobre Fisioterapia e Síndrome de Down, publicados entre 2000 e 2013. As diferentes técnicas de fisioterpaia como fisioterapia convencional, exercícios lúdicos, terapia aquática e equoterapia, foram terapias eficazes no tratamento da síndrome de Down. E de acordo com diversos estudos, os terapeutas optam por treinar seus pacientes a adotar um modelo mais próximo do observado na população em geral. O presente estudo fornece evidências importantes, de que as diferentes técnicas de fisioterapia foram benéficas. Sugere-se que novos estudos sejam realizados para o tratamento da síndrome de Down e em outras línguas.


Palavras-chave: Síndrome de Down; Fisioterapia.
Abstract

Down syndrome is characterized by a chromosomal disorder, due to the trisomy of chromosome 21, with phenotypic changes and delayed motor development. Its prevalence in alive new-borns is about 1 out of every 600/800 births, with an average of 8.000 new cases per year in Brazil. The aim of the study was to carry out a literature review about physiotherapy approach in children diagnosed with Down syndrome. According to research, there were found 10 articles about Physiotherapy and Down Syndrome, published between 2000 and 2013. The different physiotherapy techniques as: conventional physiotherapy, playful exercises, aquatic therapy and hippotherapy, have showed effective in the treatment of Down syndrome. Regarding these diverse studies, the therapists opt to train their patients to adopt a model closer to the one observed in the general population. The current study provides important evidence, including that the different physiotherapy techniques were beneficial. It is suggested that further studies should be carried out for the treatment of Down syndrome and even in other languages.


Keywords: Down Syndrome; Physiotherapy.


Introdução

A Síndrome de Down foi descrita, clinicamente, pela primeira vez, por Langdon Down, em 1866, ela é caracterizada pela anomalia cromossômica, apresentando uma trissomia do cromossomo 21, resultando em 47 cromossomos, o que provoca desequilíbrio da função reguladora que os genes exercem sobre a síntese de proteína, perda de harmonia no desenvolvimento e nas funções das células, apresentando alterações fenotípicas e atraso no desenvolvimento motor (LOBE et al., 2013; BORSATTI et al., 2013; ALMEIDA et al., 2013).

Denominou-se mongo­lóide as pessoas com baixa estatura, cabelos lisos, fendas palpebrais oblíquas, base nasal achatada e com leve a moderado déficit intelectual. Por apresentar uma conotação pejorativa, o termo “mongolismo” foi excluído das publicações da Revista Lancet (1964), da Organização Mundial de Saúde (1965) e do Index Medicus (1975), então tal conjunto de sinais e sintomas passou a se chamar Síndrome de Down, em reconhecimento ao seu primeiro pesquisador (ALMEIDA et al., 2013).

Sua incidência em nascidos vivos é de 1 para cada 600/800 nascimentos, tendo uma média de 8.000 casos novos por ano no Brasil e está associada à idade materna, aumentando as chances do surgimento da síndrome à medida que a idade da mãe avança. As faixas etárias dessas mães são acima de 35 anos, o que condiz com a literatura, conforme os autores Gallahue et al. (2005).

De acordo com os dados levantados pelo IBGE, com base no Censo de 2000, existem 300 mil pessoas com Síndrome de Down no país, com expectativa de vida de 50 anos, sendo esses dados bastante semelhantes às estatísticas mundiais (DATASUS, 2014; MARTINS et al., 2013; CHIVIACOWSKY et al., 2012).

O diagnóstico pós-natal pode ser feito pelas características físicas do bebê, porém torna-se difícil com base apenas nos aspectos clínicos. O diagnóstico pode ser comprovado após coletar uma amostra de sangue materno do qual são retirados fragmentos de DNA fetal para rastrear o DNA do bebê a fim de investigar problemas cromossômicos específicos. Depois do nascimento, é comprovado pelo exame do cariótipo (estudo dos cromossomos), que também ajuda a determinar o risco de recorrência da alteração em outros filhos do casal (MICHELETTO et al., 2009; ALBANO, 2000).

De acordo com Chiviacowsky et al. (2012), a Síndrome de Down está associada a mudanças na anatomia corporal e no desenvolvimento cognitivo, resultando em padrões de movimentos atípicos. Esses indivíduos apresentam atraso nas aquisições de marcos motores básicos, respostas verbais e gráficas são mais lentas devido as suas limi­tações pelos aspectos internos (déficits na memória de curto prazo, hipoplasia cerebelar, motivação, processos interativos) (MARTINS et al., 2013; ARAÚJO et al., 2007; MANCINI et al., 2003).

Em relação às aquisições motoras há um atraso observado comumente como o sentar, que é adquirido no 6° mês e o engatinhar, que é estabelecido aos 9 meses. E já, aos 24 meses, há um atraso no deambular independente. Também se destacam a irregularidade da densidade óssea, hipotonia generalizada, baixa estatura, frouxidão ligamentar e obesidade (BORSATTI et al., 2013; ALMEIDA et al., 2013; MENEGHETTI et al., 2009; CARVALHO et al., 2009; ALMEIDA, 2008; FILIPPIN et al., 2007; ARIANI; PENASSO, 2005).

A fraqueza muscular é uma manifestação clínica típica que pode ocasionar dificuldades para realizar as Atividades de Vida Diária (AVD’s), como se trocar, comer, manipular objetos; além da alteração da marcha, resultando em compensações, devido a perda de velocidade, da amplitude de movimento, queda passiva do pé, atraso no balanço inicial e inclinação do tronco durante a deambulação. (BORSATTI et al., 2013; PRIOSTI et al., 2013; GODOY; BARROS, 2005).

Estudos têm demonstrado que crianças acometidas pela Síndrome de Down apresentam maior oscilação durante o equilíbrio estático (condições ântero-posterior e médio-lateral). As oscilações corporais se intensificam ainda mais quando uma informação proveniente de algum sistema sensorial, tal como o visual é retirada ou manipulada, modificando o controle postural. Deve-se levar em consideração que a maioria das atividades do cotidiano envolve o equilíbrio dinâmico (OLIVEIRA et al., 2013; MENEGHETTI et al., 2009).

Para Apoloni et al. (2013) o controle postural é influenciável por experiências prévias dos indivíduos e também pelas suas aprendizagens; segundo Shepherd et al. (2006) o seu desenvolvimento é importante pois a capacidade de manter o equilíbrio e a estabilidade postural é fundamental para a execução de movimentos e Atividades de Vida Diária (AVD’s).

O controle postural envolve a interação entre os receptores sensoriais, que informam ao sistema nervoso a posição e o movimento do corpo em relação ao campo gravitacional e ambiente; isto é possível com a formação de combinações das informações sensoriais recebidas através do sistema visual, vestibular e somatossensorial, e requer a interação entre os sistemas musculoesquelético e neural para manutenção da estabilidade e orientação. Por tanto, a informação sensorial e a ação motora estão juntamente relacionadas na tarefa de manter o corpo em uma determinada posição e em equilíbrio (GODZICKI et al., 2010).

Além das alterações descritas, conforme Silveira et al. (2004) a perda auditiva é frequentemente observada nesses pacientes, podendo ser condutiva (orelha externa e orelha média), neurossensorial (orelha interna, vias e centros) ou mista; pode ser leve, moderada, grave ou profunda. A perda moderada e profunda são as mais prejudiciais para o desenvolvimento da criança. Quando muito precoce pode afetar o comportamento, a atenção, o desenvolvimento social, o desenvolvimento emocional, a linguagem e o desempenho acadêmico (TOBLE et al., 2013; HADDAD, 2009).

Entre as intervenções possíveis, uma vez que a alteração não tem cura, destacam-se os tratamentos de estimulação precoce com fisioterapia, fonoaudioterapia e terapia ocupacional, que resultam em um desenvolvimento melhor do potencial do indivíduo em relação às suas deficiências. De acordo com Michelleto et al. (2009) e Moreira et al. (2000) a ausência, demora ou inadequação da estimulação podem limitar o desenvolvimento do paciente.

Conforme Torquato et al. (2013) o tratamento fisioterapêutico está voltado para a elaboração de propostas que estejam de acordo com as necessidades do paciente e com os problemas referentes aos ajustes posturais frequentes na Síndrome de Down, como os atrasos motores, tais como o sentar e o ficar em pé. Dessa maneira, a fisioterapia se propõe realizar treino de marcha, mudanças transposturais, equilíbrio estático e dinâmico mediante técnicas e recursos específicos em solo (SHEPHERD, 2006).

Para analogia dos autores Borsatti et al. (2013) o exercício físico é importante para melhorar o quadro de hipotonia e de obesidade que são características do indivíduo com Síndrome de Down e que podem contribuir para a alteração dos padrões da marcha.

Estudos relatam sobre a eficácia da integração sensorial, obtendo a melhora no aprendizado global. Como recurso terapêutico disponível para a terapia destaca-se os equipamentos táteis com texturas diferentes nas superfícies, equipamentos sem suspensão como cunha, escorregador, cama elástica, prancha de equilíbrio e equipamentos com suspensão como rede, balanços, corda (TORQUATO et al., 2013; GODZICKI et al., 2010).

Na equoterapia, os movimentos tridimensionais (para frente e para trás; para um lado e para outro; para cima e para baixo) proporcionados pela andadura (passo, trote e galope) do cavalo despertam no corpo do praticante, estímulos sensoriais e neuromusculares que vão interferir diretamente no desenvolvimento global e na aquisição de habilidades motoras (MENEZES et al., 2013; TORQUATO et al., 2013; PRESTES et al., 2010; SANCHES et al., 2010; COPETTI et al., 2007).

Outra possibilidade de intervenção fisioterapêutica na Síndrome de Down é a fisioterapia aquática. O princípio físico da água garante os efeitos terapêuticos necessários para a reabilitação neurológica como ajuste do tônus; melhora da sensibilidade, da noção de esquema corporal e espacial e da propriocepção; facilitação das reações de endireitamento e da aquisição das habilidades motoras; promoção de suporte e auxílio no desenvolvimento da coordenação dos movimentos; e facilitação das reações de equilíbrio e de proteção, quando associadas com técnicas apropriadas de manuseio (TOBLE et al., 2013; JACQUES et al., 2010).

Com base nos achados acima, este estudo preocupou-se em investigar trabalhos publicados com resultados significativos que sirvam como indicadores para técnicas específicas e eficazes no tratamento da Síndrome de Down, com o objetivo de revisar a literatura sobre a abordagem fisioterapêutica em crianças diagnosticadas com Síndrome de Down, verificando as principais técnicas aplicadas no tratamento fisioterapêutico e os resultados das técnicas sobre os aspectos motores.


Materiais e Método

Estudo teórico, através de revisão literária do tipo descritivo, exploratório e qualitativo. A pesquisa foi realizada em artigos indexados nas bases de dados: Scielo (Scientific Electronic Library Online) e LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde).

Foram considerados os artigos indexados nos últimos 13 anos, no período de 2000 a 2013, no idioma português, com as seguintes palavras chave: síndrome de Down e fisioterapia.

Entre os artigos utilizados para este estudo a busca preocupou-se em levantar artigos de caráter experimental, longitudinal, transversal, revisão literária e estudo de caso. Seguiram como critério de exclusão qualquer situação diferente da citada acima.


Resultados

De acordo com o levantamento, foram encontrados dez artigos relacionados entre Fisioterapia e Síndrome de Down, indexados entre 2000 e 2013; sendo, cinco como experimentais, um como longitudinal, um como transversal, dois descritos como estudo de caso e um como revisão de literatura, como ilustra a Tabela 01.


Tabela 01 – Síntese dos artigos pesquisados

AUTOR/ANO

TÍTULO

REVISTA

METODOLOGIA

RESULTADOS

Almeida et al. (2013)

A intervenção fisioterapêutica no ambulatório de cuidado à pessoa com Síndrome de Down no Instituto de Medicina Física e Reabilitação HC FMUSP

Acta Fisiátrica

Estudo experimental. As sessões de estimulação global aconteceram com frequência mínima de uma vez por semana (30 minutos cada).

Foram determinantes para o sucesso terapêutico: estratégia do cuidado compartilhado, integralidade do cuidado, tempo de atendimento e uso do lúdico na intervenção.

Apoloni et al. (2013)

Efetividade de um programa de intervenção com exercícios físicos em cama elástica no controle postural de crianças com Síndrome de Down

Revista Brasileira de Educação Física e Esporte

Estudo experimental. As crianças do grupo experimental (GE) realizaram atividades na cama elástica três vezes por semana, em dias alternados, por 12 semanas, totalizando 36 sessões. Cada sessão tinha duração média de 10 minutos.

Os exercícios físicos na cama elástica foram capazes de promover melhoras no controle postural, a partir da redução da oscilação corporal durante a manutenção da posição quase-estática de crianças com SD.

Borsatti et al. (2013)

Efeitos dos exercícios de força muscular na marcha de indivíduos portadores de Síndrome de Down

Fitness & Performance Journal





Estudo longitudinal. Realizado com oito indivíduos (três do sexo feminino e cinco do sexo masculino), idade média de 19,33 anos. Os indivíduos foram submetidos a um programa de exercícios, realizados de forma lúdica. O programa totalizava quatro exercícios por dia (duas vezes na semana), com duração de 12 semanas consecutivas.

Os exercícios lúdicos de força muscular não foram suficientes para promover alterações significativas nas variáveis lineares da marcha (tamanho do passo e da passada, velocidade e cadência) de indivíduos com SD.

Toble et al. (2013)

Hidrocinesioterapia no tratamento fisioterapêutico de um lactente com Síndrome de Down: estudo de caso

Fisioterapia e Movimento

Estudo de caso com um lactente do sexo masculino, de um ano e quatro meses de idade, com diagnóstico de SD. A intervenção teve duas etapas: a I foi realizada em solo (baseada no conceito neuroevolutivo). A II foi realizada a fisioterapia aquática associada à intervenção em solo.

Ambas as intervenções foram benéficas para o lactente, visto que houve aumento de três pontos no escore bruto da Alberta Infant Motor Scale (AIMS) em ambas as etapas.

Torquato et al. (2013)

A Aquisição da Motricidade em Crianças Portadoras de Síndrome de Down que realizam Fisioterapia ou Praticam Equoterapia

Fisioterapia e Movimento

Estudo transversal com 33 crianças que já faziam o tratamento fisioterapêutico convencional ou equoterapia desde um ano de idade.

Todos apresentavam atraso no desenvolvimento motor. A equoterapia e a fisioterapia convencional influenciaram na aquisição de marcos motores, em ambos os grupos houve melhora nesse aspecto, mais evidente no grupo da fisioterapia.

Schelbauer et al. (2012)



Os Efeitos da Equoterapia como Recurso Terapêutico Associado com a Psicomotricidade em Pacientes Portadores de Síndrome de Down

Saúde e Meio Ambiente

Estudo experimental prospectivo, quantitativo e intervencionista. A amostra com cinco pacientes de diferentes faixas etárias, de ambos os sexos, a mesma foi composta de dez sessões individuais de equoterapia.

Melhora no equilíbrio, motricidade, força muscular, nas fases da marcha, no tônus. A técnica reabilitadora de equoterapia associada com a psicomotricidade foi eficaz no desenvolvimento motor.

Godzicki et al. (2010)

Aquisição do sentar independente na Síndrome de Down utilizando o balanço

Fisioterapia e Movimento

Estudo de caso. Foram três crianças do sexo feminino que não possuíam controle de tronco para sedestação sem apoio, com idade inicial da estimulação entre seis e sete meses. Os atendimentos ocorreram de forma individualizada, com frequência de três sessões por semana e duração de 30 minutos, sem nenhuma estimulação prévia.

As crianças foram submetidas à estimulação com o balanço e adquiriram o sentar independente, ganhos coadjuvantes, como diminuição do reflexo de preensão palmar e liberação de membros superiores (MMSS) para manipulação de objetos, maior interação com o meio e favoreceu o aprendizado e o desenvolvimento neuro motor.

Carvalho et al. (2008)

Controle postural em indivíduos portadores da Síndrome de Down: revisão de literatura

Fisioterapia e Pesquisa

Revisão de Literatura.

A prática de fisioterapia deve ser voltada para a função e não para a correção de ajustes compensatórios, já que o sistema nervoso central pode adotar inúmeros padrões motores capazes de acompanhar, com sucesso, as tarefas motoras (variabilidade normal).

Barreto et al. (2007)

Proposta de um programa multidisciplinar para portador de Síndrome de Down, através de atividades da equoterapia, a partir dos princípios da motricidade humana.

Fitness & Performance Journal

Estudo experimental. Amostra com uma criança de cinco anos de idade, do gênero masculino. O mesmo deveria estar participando das atividades equoterápicas que foram realizadas no período de seis meses em sessões semanais com duração de 45 minutos.

A equoterapia foi de extrema importância, não somente para facilitar a aquisição das funções psicomotoras, como também visando apresentar esta prática e/ou atividade que transforma os prazeres recreativos de montar a cavalo em benefícios físicos, psíquicos e sociais, permitindo o aprender pelo corpo.

Copetti et al. (2007)

Comportamento angular do andar de crianças com Síndrome de Down após intervenção com equoterapia

Revista Brasileira de Fisioterapia

Estudo experimental com três crianças do sexo masculino, com média de idade de 7,3 anos. Adotaram-se como período de intervenção 13 sessões com duração de 50 minutos de equoterapia.

Os benefícios das atividades com o cavalo são atribuídos a uma combinação de estímulos sensoriais gerados pelo movimento produzido pelo passo do animal sob os sistemas básicos humanos que, em conjunto, resultam em uma integração motora e sensorial ampliada.

Fonte: Pesquisa.

Em relação às técnicas aplicadas, foi encontrado um estudo sobre hidroterapia; um sobre exercícios fiscos com cama elástica; um sobre treino de marcha; um sobre integração sensorial; um sobre estimulação global; um sobre exercícios lúdicos de força muscular na marcha; três sobre equoterapia e um de correlação entre equoterapia e fisioterapia convencional.



Quanto aos aspectos motores, 80% dos artigos selecionados apresentaram melhora no controle postural; 60% houve ganho na aquisição de equilíbrio; 50% adquiriram melhora na marcha; 50% obtiveram ganho de trocas posturais; 30% apresentaram o aumento de força muscular; porém apenas 20% apontam melhora no tônus e 40% na melhora de motricidade (Gráfico 01).
Gráfico 01 - Resultados das técnicas sobre os aspectos motores

Fonte: Pesquisa.
Discussão

O propósito dessa revisão foi a busca e análise de evidências científicas sobre a abordagem fisioterapêutica em crianças diagnosticadas com Síndrome de Down, verificando as principais técnicas aplicadas no tratamento fisioterapêutico e os resultados sobre os aspectos motores.

A fisioterapia no tratamento da Síndrome de Down, segundo a literatura, aponta algumas técnicas específicas voltadas para o ganho de habilidades motoras necessárias para as atividades cotidianas. Porém, alguns estudos mostraram que algumas intervenções foram mais relevantes para tais resultados, como o estudo de Almeida et al. (2013) que foi ofertado na atuação fisioterapêutica a estimulação global voltados a aquisição dos marcos motores, essenciais para o desen­volvimento neuropsicomotor. A fim de favorecer o ganho de força muscular e equilíbrio postural, o tratamento teve uma ênfase na cinesioterapia e todas as estimulações obtiveram resultados positivos, pois os autores relataram que as atividades cinesioterapêuticas consistem em exercícios isotônicos com carga progressiva trabalhando os grupos musculares de forma global. Do mesmo modo, Torquato et al. (2013) que correlacionou a fisioterapia convencional e a equoterapia, foi possível observar que quase todas as aquisições das etapas motoras e também tanto o equilíbrio estático como o dinâmico ocorreram primeiramente nos indivíduos que realizavam fisioterapia, exceto o rolamento que se iniciou primeiramente em crianças que realizam a equoterapia. A fisioterapia normalmente centra-se na mobilidade, inclusive na pré-marcha, como dar impulso da posição ajoelhada para em pé. Possivelmente essa seja a razão para a fisioterapia ter apresentado melhor desempenho em relação ao equilíbrio dinâmico, pois a postura em pé favorece novas experiências, enviando ao Sistema Nervoso Central as informações da postura correta; a partir daí, o corpo é alinhado biomecanicamente por meio dos ajustes posturais. Portanto, essa afirmativa mostra a importância da quantidade e da qualidade dos estímulos dados a essas crianças tanto em uma terapia convencional como na equoterapia.

Entretanto, Schelbauer et al. (2012) no qual em seu estudo também utilizou a equoterapia como abordagem fisioterapêutica na Síndrome de Down, adquiriu resultados positivos, constatado pela evolução adquirida em cada prova motora. Sendo destacada uma melhora significativa relacionados à motricidade fina e global, no equilíbrio estático e dinâmico; assim como também observado nos estudos de Barreto et al. (2007) as atividades desenvolvidas com cavalo proporcionaram ajustes tônicos, melhora da força e do equilíbrio garantindo positivamente uma melhor coordenação dos segmentos. Por isso evidenciou-se que o praticante alcançou resultados positivos quanto à identificação das partes do corpo, flexibilidade e dissociação, que foram adquiridos através dos trabalhos realizados na fase de aproximação que corresponde ao contato inicial entre o aluno e o cavalo. Já os ganhos motores importantes como a hipertonia e equilíbrio, foram fatores positivos alcançados pelo praticante que resultou em sua melhora no grafismo, porque com esses ganhos houve melhor controle do punho. A resposta para consequência da melhora da força muscular e da consciência postural dos praticantes deste estudo, se dá pelos sistemas proprioceptivo, vestibular e sensóriomotor que foram estimulados, ao montar a cavalo requerendo coordenação e equilíbrio, a fim de obter respostas do animal e um feedback para o praticante.

Outro estudo no qual a equoterapia também foi utilizada como recurso terapêutico, é de Copetti et al. (2007) na qual a posição de montaria permitiu uma variedade de estímulos, assim como descritos nos estudos acima. Modificações foram observadas na qualidade do andar, sugerindo que atividades desenvolvidas na equoterapia podem gerar uma combinação de estímulos favoráveis a um maior controle do movimento, desencadeando uma aproximação maior do andar da criança com Síndrome de Down com o padrão de normalidade descrito pela literatura.

Godzick et al. (2010) utilizou o balanço como recurso terapêutico para aquisição do sentar independente em três crianças com Síndrome de Down, já que o balanço é uma ferramenta adequada para a estimulação do equilíbrio de tronco, por causa do posicionamento do centro de gravidade em relação à base de apoio. O efeito da direção das perturbações da posição corporal durante o movimento do balanço, na organização de respostas posturais automáticas, proporciona recrutamento muscular, que favorecem a aprendizagem por meio da somação de estímulos, para que esta postura seja integrada. Já os autores Apoloni et al. (2013) realizaram um programa de intervenção motora com exercícios físicos na cama elástica. As crianças com Síndrome de Down apresentaram diminuição significativa nas variáveis do controle postural a partir da redução da oscilação corporal durante a manutenção da posição estática. Demonstrando que as experiências motoras provocam uma mudança no comportamento motor das crianças e que poderão influenciar nas ações diárias. Porém, Borsatti et al. (2013) mostrou que exercícios lúdicos de força muscular não são suficientes para promover alterações significativas nas variáveis lineares da marcha de indivíduos com Síndrome de Down. Os fatores que justificam esses resultados são a hipotonia e a frouxidão ligamentar, características comuns apresentadas pelos indivíduos. A hipotonia muscular associada à frouxidão ligamentar contribui para gerar instabilidade articular, déficit de equilíbrio e coordenação consequentemente desfavorecendo biomecanicamente a realização dos exercícios propostos.

Toble et al. (2013) realizou a intervenção fisioterapêutica em duas etapas, sendo a primeira em solo e a segunda aquática associada à intervenção em solo, para comparação entre as mesmas. Então no final do estudo, notou-se que a fisioterapia foi benéfica para o desenvolvimento de habilidades motoras grossas de um lactente com Síndrome de Down. Do mesmo modo, observou-se que a inserção da fisioterapia aquática ofereceu, pelos princípios físicos da água, um ambiente propício para a estimulação sensorial do lactente e o aprimoramento do controle e do fortalecimento dos músculos do tronco, resultando em melhor desempenho motor nas posturas antigravitacionais, prona e sentada, porque o empuxo diminui a necessidade de ativação da musculatura antigravitacional para a manutenção da postura, favorecendo a ativação e o fortalecimento dessa musculatura. Além disso, o empuxo, em conjunto com a pressão hidrostática e a turbulência, facilita a aquisição de respostas automáticas de equilíbrio, estáticas ou dinâmicas, e propicia uma melhora na qualidade funcional da postura e do movimento por meio da ativação de um mecanismo postural mais próximo do normal.

Conforme estudo de revisão literária do autor Carvalho et al. (2008) foi relatado que as dificuldades motoras e os déficits posturais parecem persistir ao longo da vida dos indivíduos com Síndrome de Down, os terapeutas optam por treinar seus pacientes a adotar um modelo mais próximo possível do observado na população em geral. Mas com embasamento nos estudos disponíveis na literatura, essa prática deve ser voltada para a função e não para a correção de ajustes compensatórios, já que o Sistema Nervoso Central pode adotar inúmeros padrões motores capazes de acompanhar com sucesso as tarefas motoras.



Considerações Finais


Diante dos resultados, foi possível observar que as diferentes técnicas de fisioterapia mais comuns na Síndrome de Down foram cinesioterapia ou fisioterapia convencional, exercícios lúdicos, fisioterapia aquática e equoterapia, promovendo para tais intervenções melhora no controle postural, ganho na aquisição de equilíbrio, melhora na marcha, ganho de trocas posturais, aumento de força muscular, melhora no tônus e da motricidade. Concluindo, de acordo com essa revisão literária, as diferentes técnicas de fisioterapia foram benéficas. Sugere-se que novos estudos sejam realizados para o tratamento de Síndrome de Down e em outros idiomas.
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