Resumo executivo


COMPONENTE 2: REDUÇÃO DOS FATORES DE RISCO



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COMPONENTE 2:

REDUÇÃO DOS FATORES DE RISCO






PONTOS FUNDAMENTAIS
• A redução da exposição total do indivíduo à fumaça do tabaco, a poeiras e produtos químicos ocupacionais e aos poluentes do ar intra e extradomiciliar são metas importantes para prevenir o surgimento e a progressão da DPOC.
• A cessação do tabagismo é a única medida mais efetiva – e com melhor custo-efetividade – para reduzir o risco de desenvolvimento da DPOC e interromper sua progressão (Evidência A).
• Um breve tratamento da dependência do tabaco é efetivo (Evidência A) e pelo menos ele deve ser oferecido a todo tabagista a cada visita ao responsável pelo seu tratamento de saúde.
• Três tipos de aconselhamento são especialmente efetivos: o aconselhamento prático, o apoio social como parte do tratamento e o apoio social estabelecido fora do tratamento (Evidência A).
• Diversas farmacoterapias efetivas no tratamento do tabagismo encontram-se disponíveis (Evidência A) e pelo menos uma dessas medicações deve ser acrescentada ao aconselhamento, caso necessário, e na ausência de contra-indicações.
• A progressão de muitas doenças respiratórias induzidas ocupacionalmente pode ser reduzida ou controlada por meio de uma gama de estratégias que tenham por objetivo reduzir o impacto da exposição a partículas e gases inalados (Evidência B).

PREVENÇÃO E CESSAÇÃO DO TABAGISMO
Políticas e programas amplos de controle do tabaco com mensagens claras, consistentes e repetidas contra o fumo devem ser divulgados através de todo canal possível. A legislação para instituir escolas, dependências públicas e ambientes de trabalho livres do fumo deve ser incentivada pelos representantes do governo, pelos profissionais da saúde e pelo público.
A cessação do tabagismo é a única medida mais efetiva – e com melhor custo-efetividade – para reduzir o risco de desenvolvimento da DPOC e interromper sua progressão. Mesmo um período breve de 3 minutos de aconselhamento a fim de incentivar a cessação do tabagismo pode ser efetivo e isso deveria ser feito, no mínimo, com todos os fumantes a cada visita 75,76. A educação de saúde, a política pública e os programas de disseminação de informações são componentes vitais em um esforço amplo para cessação.
Diretrizes para cessação do tabagismo: Diretrizes para cessação do tabagismo foram publicadas pela Agência Norte-Americana de Pesquisa e Política de Tratamento de Saúde (US Agency for Health Care Policy and Research - AHCPR) em 199677 e atualizadas em 2000 pelo Serviço Norte-Americano de Saúde Pública em Tratando o Uso e a Dependência do Tabaco: Um Guia de Prática Clínica (Treating Tobacco Use and Dependence: A Clinical Practice Guideline)78.
Processo de intervenção de cessação do tabagismo: O Relatório do Serviço Público de Saúde recomenda um programa para intervenção composto por cinco etapas (Tabela 7), que fornece uma estrutura estratégica útil para os responsáveis pelo tratamento de saúde interessados em ajudarem seus pacientes a pararem de fumar. Três tipos de aconselhamento são especialmente efetivos: o aconselhamento prático, o apoio social como parte do tratamento e o apoio social estabelecido fora do tratamento77-81 (Evidência A).
Tratamento farmacológico: Existem hoje numerosos tratamentos farmacológicos efetivos para a cessação do tabagismo78,82,83 (Evidência A). Com exceção da presença de circunstâncias especiais, o tratamento farmacológico é recomendado quando o aconselhamento não é suficiente para ajudar os pacientes a pararem de fumar. Numerosos estudos indicam que a terapia de substituição da nicotina em qualquer forma (goma de mascar de nicotina, inalatório, spray nasal, adesivo transdérmico, comprimido sublingual ou pastilha) aumenta seguramente as taxas de abstinência do fumo a longo prazo78,83. Foi também demonstrado que os antidepressivos bupropiona e nortriptilina aumentam as taxas de cessação a longo prazo, embora um número menor de estudos tenha sido conduzido com tais medicações78,83. A efetividade da droga anti-hipertensiva clonidina é limitada pelos efeitos colaterais83. Uma consideração especial deve ser feita antes de se usar o tratamento farmacológico em populações selecionadas: pessoas com contra-indicações médicas, fumantes moderados (menos de 10 cigarros/dia), grávidas e adolescentes fumantes.



Tabela 7 – Estratégias para ajudar o paciente disposto a parar de fumar7

1. ARGÜA: Identifique sistematicamente todos os usuários de tabaco a cada visita. Implemente um sistema em todo o consultório para que se possa certificar que para CADA paciente a CADA visita clínica a condição de uso do tabaco seja examinada e documentada.
2. ACONSELHE: Aconselhe firmemente todos os usuários de tabaco a pararem de fumar.
De uma maneira clara, forte e personalizada, aconselhe todos os usuários de tabaco a pararem de fumar.
3. AVALIE: Avalie a disposição para se fazer uma tentativa de abandono do vício. Pergunte a todos os usuários de tabaco se eles ou elas estão dispostos a fazerem uma tentativa de pararem de fumar neste período (ex: dentro dos próximos 30 dias).
4. AUXILIE: Ajude o paciente a parar de fumar. Auxilie o paciente com um plano de cessação; forneça conselho prático; forneça apoio social intratratamento; ajude o paciente a obter apoio social extratratamento; recomende o uso de farmacoterapia aprovada exceto em circunstâncias especiais; forneça materiais suplementares.
5. ACOMPANHE: Organize o acompanhamento. Planeje o acompanhamento, tanto pessoalmente quanta via telefone.


EXPOSIÇÕES OCUPACIONAIS
Embora não se saiba o número de indivíduos que correm o risco de desenvolverem doença respiratória causada por exposições ocupacionais em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, muitas doenças respiratórias induzidas ocupacionalmente podem ser reduzidas ou controladas por meio de uma gama de estratégias cujo objetivo é reduzir o impacto de gases e partículas inalados84. Deve-se enfatizar a prevenção primária, que é mais bem alcançada através da eliminação ou redução de exposições a várias substâncias no local de trabalho. A prevenção secundária, alcançada por meio de supervisão epidemiológica e descoberta precoce do caso, também é de grande importância.
POLUIÇÃO DO AR INTRA/EXTRADOMICILIAR
Os indivíduos transitam por diversos ambientes intra/extradomiciliares ao longo do dia, cada um dos quais com poluentes próprios. Embora a poluição do ar intra e extradomiciliar sejam geralmente pensadas de forma separada, o conceito de exposição pessoal total pode ser mais relevante para a DPOC. A redução do risco de poluição do ar intra e extradomiciliar requerem uma combinação de política pública e de condutas preventivas tomadas pelos pacientes.
O responsável pelo tratamento de saúde deve levar em consideração a susceptibilidade (incluindo história familiar, exposição à poluição intra/extradomiciliar) para cada paciente85. Aqueles que estão em grande risco devem evitar exercício vigoroso ao ar livre durante episódios de poluição. Se vários combustíveis sólidos forem usados para cozinhar e aquecer, a ventilação adequada deve ser incentivada. As pessoas com DPOC grave devem observar os anúncios públicos de qualidade do ar e permanecerem em casa quando a qualidade do mesmo estiver ruim. Na maioria das circunstâncias, os responsáveis pelo tratamento de saúde não devem sugerir proteção respiratória como método para redução dos riscos de poluição do ar ambiental. Não foi demonstrado que os purificadores de ar trazem benefícios para a saúde, sejam eles direcionados para os poluentes gerados por fontes intradomiciliares ou para aqueles trazidos pelo ar extradomiciliar.




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