Relatório técnico científico período : Junho/2015 a Junho/2016



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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

DIRETORIA DE PESQUISA


PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA – PIBIC : CNPq, CNPq/AF, UFPA, UFPA/AF, PIBIC/INTERIOR, PARD, PIAD, PIBIT, PADRC E FAPESPA

RELATÓRIO TÉCNICO - CIENTÍFICO
Período : Junho/2015 a Junho/2016
( x ) PARCIAL
( ) FINAL

IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO


Título do Projeto de Pesquisa: Associação entre a autopercepção da condição periodontal e a gravidade das doenças periodontais

Nome do Orientador: Ana Cláudia Braga Amoras Alves


Titulação do Orientador: Doutora
Faculdade : Odontologia
Instituto: Instituto de Ciências da Saúde (ICS)

Título do Plano de Trabalho: Associação entre a autopercepção da condição periodontal e a gravidade das doenças periodontais

Nome do Bolsista: Jalaine Monteiro Bandeira

Tipo de Bolsa : (x) PIBIC/UFPA – AF

1. INTRODUÇÃO/JUSTIFICATIVA
A autopercepção é a interpretação que uma pessoa faz do seu estado de saúde e, uma complexidade de fatores influencia neste julgamento, dentre eles as características sociodemográficas e fatores predisponentes, como o nível de escolaridade e acesso a informações sobre cuidados preventivos, que podem influenciar na procura por assistência odontológica e, consequentemente, na autopercepção da saúde bucal1.

A principal razão para as pessoas não procurarem o serviço odontológico é a não percepção de sua necessidade de tratamento2. Este quadro se agrava quando se trata de doenças periodontais, pois não causam sintomatologia dolorosa ao indivíduo, o qual procura atendimento apenas quando a doença já está em estágio avançado, com excessiva perda de suporte ósseo e consequente mobilidade e perda dentária3.

A doença periodontal é uma doença inflamatória de origem infecciosa, que acomete o periodonto de suporte. Esta se manifesta por meio de dois quadros clínicos: gengivite e periodontite. Este agravo representa um problema de saúde pública, mesmo em países desenvolvidos, em razão da prevalência relativamente alta. No Brasil, 78% da população adulta apresenta algum tipo de doença periodontal4.

A maioria dos estudos avalia as condições bucais em indivíduos e populações baseados nos parâmetros clínicos da doença, existindo pouca informação relativa ao bem estar a partir da percepção do indivíduo. Por outro lado, as avaliações da autopercepção obtêm informações diferentes das obtidas pelo exame clínico e o conjunto de todas as informações é valioso para compreender melhor o processo de doença e, conseqüentemente, resulta em prevenção adequada e terapêutica eficaz para as enfermidades da cavidade bucal1, 3, 6.


2. OBJETIVOS:

O objetivo desse estudo é avaliar a autopercepção da condição periodontal e a interferência de problemas periodontais na qualidade de vida em indivíduos que procuram atendimento odontológico nas clínicas integradas da Faculdade de Odontologia da UFPA



3. MATERIAIS E MÉTODOS

Este estudo foi iniciado após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, sob o parecer de no 517.407. Somente os participantes que assinam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido são incluídos na pesquisa.

Trata-se de um estudo descritivo, com amostra constituída por voluntários que procuraram atendimento junto à Clínica Odontológica Integrada da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Pará (FO/UFPA). A técnica de amostragem é por conveniência. Como critérios de inclusão, são selecionados indivíduos com idade mínima de 18 anos e que ainda não tenha iniciado o tratamento odontológico.

A coleta de dados é realizada por dois métodos: primeiramente são aplicados os questionários; depois, realiza-se o exame clínico bucal, a fim de que o último não influencie a entrevista. Contudo, ambos são realizados em uma única sessão odontológica.

O primeiro questionário consta de perguntas sociodemográficas e questionamentos em relação à percepção do paciente sobre sua saúde bucal. O segundo questionário aplicado contem questões baseadas no Oral Impacts on Daily Performances (OIDP)8, que busca observar a interferência da condição bucal no desempenho diário das pessoas nos últimos seis meses e avaliava os seguintes aspectos: (1) atividades e comportamentos afetados (falar, comer, sorrir e se relacionar), (2) frequência e severidade das diferentes atividades citadas anteriormente, e, por último, (3) os problemas bucais responsáveis ou associados aos impactos diários.

Antes da coleta dos dados, foi realizado um estudo piloto onde foram entrevistados dez pacientes por um único examinador, com experiência em aplicação de questionários e entrevistas. Todas as informações coletadas foram anotadas em fichas pré-codificadas.

Todos os exames clínicos são realizados por um único examinador devidamente calibrado. As avaliações são feitas seguindo as normas de biossegurança, em uma cadeira odontológica sob luz de refletor, utilizando sonda exploradora número 5 (Duflex© SSWhite Artigos Dentários Ltda.), espelho bucal plano número 5 (Duflex © SSWhite Artigos Dentários Ltda.), e sonda periodontal milimetrada do tipo Willians (Hu-Friedy(©Hu-Friedy Mfg. Co., LLC).

A condição periodontal é analisada por meio da profundidade de sondagem e pela presença ou ausência de sangramento gengival. Na avaliação periodontal são analisadas seis pontos nas diferentes faces (disto-vestibular, vestibular, mésio-vestibular, disto-lingual, lingual e mésio-lingual) em cada dente9. Os terceiros molares não são considerados neste estudo.


4. RESULTADOS PARCIAIS:

Até o presente momento, foram selecionados 50 voluntários, dos quais 70% são do gênero feminino e 30% do gênero masculino. A média de idade é de 37 anos, variando de 18 a 69 anos, sendo que 58% dos indivíduos são da faixa etária de 18 a 38 anos.

De todos os voluntários avaliados, 54% são residentes de bairros nos arredores da UFPA, enquanto apenas 8% são provenientes de outras cidades.

Segundo a escolaridade, a distribuição demonstrou que mais da metade da amostra (n=26; 52%) tem o segundo grau completo. Não havia nenhum integrante desta amostra com ensino superior completo.

Quanto aos hábitos sociais, observou-se que a maioria (n=30; 60%) dos integrantes da amostra não apresentam hábitos de consumo de álcool, tabagismo, ou os dois juntos. Mas 24% (n=12) consomem bebida alcoólica frequentemente, enquanto 12% (n=6) fazem o uso regular de álcool e tabaco, sendo que apenas 4% (n=2) relataram ser fumantes.

Os dados demonstram que 62% (n=31) dos participantes encontravam-se desempregados.

Quanto se questionou sobre a última visita ao dentista, uma participante (2%) declarou nunca ter ido ao dentista antes e 7 (14%) alegaram que sua última consulta odontológica foi entre 6 meses e 1 ano.

Em relação as perguntas sobre auto avaliação da saúde bucal, apenas 6 (12%) dos entrevistados relataram uma percepção positiva, enquanto 44 indivíduos (88%), a maioria dos questionados, tinham uma percepção negativa.



Quanto a satisfação com a aparência bucal, somente 8 (16%) afirmaram estarem satisfeitos. A autopercepção quanto aos problemas dentários foram dominantes (n=45; 90%) em relação aos problemas gengivais (n=21; 42%) (Tabela 1).

Tabela 1. Autopercepção da saúde bucal da amostra.

Características


Frequência absoluta (n)

Frequência Relativa (%)

Autoavaliação da saúde bucal







Positiva

6

12%

Negativa

44

88%










Problemas com seus dentes







Sim

45

90%

Não

5

10%










Problemas com as gengivas







Sim

21

42%

Não

29

58%










Satisfação com a aparência bucal (sorriso)







Sim

8

16%

Não

42

84%

Total

50

100%

A respeito dos motivos que os fizeram a procurar atendimento odontológico, 72% (n=36) foi por motivo dentário, 12% (n=6) por razões dentária e gengival e 12% (n=6) procuraram por prevenção. Apenas 1 participante (2%) foi ao dentista, exclusivamente, por problemas gengivais, apesar da resposta positiva dos 21 indivíduos para a pergunta “você possui problemas na gengiva?” .

Os dados obtidos do questionário estruturado baseado nas questões do OIDP, revelaram que a atividade mais afetada entre os voluntários é comer (n=33; 66%), seguida de sorrir (n=22; 44%) e falar (n=17; 34%).

Inúmeros são os motivos relatados que prejudicam a execução das atividades citadas. No que diz respeito a comer, as queixas mais presentes foram dentes sensíveis (n=24; 73%), dor no dente (n=22; 67%) e perda dentária (n=18; 55%).

Quanto as causam que prejudicam o ato de sorrir, destaca-se a cor dos dentes (n=14; 64%), posição dos dentes (n=10; 45%) e presença de cálculo dentário (n=9; 41%).

Ainda não foi possível identificar agravos periodontais interferindo na qualidade de vida da amostra estudada, exceto nos casos em que foi relata a dificuldade de sorrir, devido a presença de cálculo dental (n=9). Entretanto, a preocupação dos indivíduos não era referente à doença periodontal e sim ao comprometimento estético.

No que diz respeito ao exame clínico periodontal, a média de profundidade de sondagem da população estudada foi igual a 2,05 mm. Os participantes foram divididos em 3 grupos: (1) sem bolsa periodontal – de 1 à 3mm; (2) com bolsa periodontal rasa- de 4 à 5 mm e (3) com bolsa periodontal profunda – maior que 5mm. O grupo sem bolsa periodontal foi constituído por 38% (n=19) da amostra, o com bolsa periodontal rasa por 44% (n=22) e o com bolsa periodontal profunda por 18% (n=9). A presença de bolsa periodontal mostrou-se localizada. Somente no grupo de bolsa profunda, foi identificada a autopercepção quanto a doença periodontal (n=1).



O Sangramento Gengival (SG) registrado foi de 96% (n= 48), onde 81% (n= 39) dos pacientes examinados apresentaram menos de 30% de faces dentárias com sangramento à sondagem e 19% (n= 9) mais de 30% das faces sangrantes. De toda a amostra (n=50), somente 2 (4%) participantes não exibiram sangramento.

5. PUBLICAÇÕES: Os resultados parciais ainda não são suficientes para publicação.


6. ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS NOS PRÓXIMOS MESES:
ATIVIDADES
Meses/2016

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

1. SELEÇÃO DOS VOLUNTÁRIOS

X

X

X

X

X

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2. QUESTIONÁRIO/ENTREVISTA


X

X


X

X

X

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3. EXAME CLÍNICO

X

X

X

X

X

-

-

-

-

-

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4. TABULAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS







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-

-

X

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5. RELATÓRIO FINAL

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--

X

X

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--

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7. CONCLUSÃO: Os resultados parciais não permitem conclusões.
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Almeida, J. R. D. S., Alencar, C. H., Barbosa, J. C., Dias, A. A. & Almeida, M. E. L. De. Autopercepção de pessoas acometidas pela hanseníase sobre sua saúde bucal e necessidade de tratamento Self-perception of people afflicted with leprosy regarding their oral health and the need for treatment. Ciência e Saúde Coletiva 18, 817–826 (2013).

2. Carvalho, R. W. F. et al. Aspectos psicossociais dos adolescentes de Aracaju ( SE ) relacionados à percepção de saúde bucal Psychosocial aspects of teenager in Aracaju , Sergipe State , related to oral health perception. Ciência e Saúde Coletiva 16, 1621–1628 (2011).

3. Nascimento. M, Barbosa.L, N. . et al. Avaliação da autopercepção em pacientes com periodontite crônica- Estudo Piloto. Int J Dent 3, 154–160 (2011).

4. Maçaneiro. C, Delmonego. A, M. C. et al. Nível de informação sobre doenças periodontais : relação com o grau de escolaridade litoral norte de Santa Onde : FOL 25, 11–18 (2015).

5. Haikal, D. S., Paula, A. M. B. De, Martins, A. M. E. D. B. L., Moreira, A. N. & Ferreira, E. F. E. Autopercepção da saúde bucal e impacto na qualidade de vida do idoso : uma abordagem quanti-qualitativa. Cien. Saude Colet. 16, 3317–3329 (2011).

6. Rodrigues, T. Q. & Ribeiro, F. S. Conhecimento sobre saúde periodontal dos. Braz J Periodontol 24, 19–23 (2014).

7. Moreno Ruiz, X., Vera Abara, C. & Cartes-Velásquez, R. Impacto de la salud bucal en la calidad de vida de escolares de 11 a 14 años, Licantén, 2013 schoolchildren, Licantén, 2013. Rev. clínica periodoncia, Implantol. y Rehabil. oral 7, 142–148 (2014).

8. Slade, G. D. Concepts of Oral Health, Disease and the Quality of Life. Meas. Oral Heal. Qual. Life 172 (1997).

9. Araújo, M. G. & Sukekava, F. Epidemiologia da doença periodontal na América Latina. Revista Periodontia 17(2), 7–13 (2007).

10. Freire, Martins, S. et al. moradores de residências estudantis. 41, 185–191 (2012).

11. Jovino-Silveira, R.C; Milhomens Filho, J.A.; Gusmão, E. S. Impacto das condições periodontais no desempenho de atividades diárias. Int. J. Dent. 2, 206–210 (2003).

12. Lacerda, J. T. De, Castilho, E. A. De, Calvo, M. C. M. & Freitas, S. F. T. De. Saúde bucal e o desempenho diário de adultos em Chapecó, Santa Catarina, Brasil. Cad. Saude Publica 24, 1846–1858 (2008).

13. Palma, P. V., Caetano, P. L. & Leite, I. C. G. Impact of periodontal diseases on health-related quality of life of users of the brazilian unified health system. Int. J. Dent. 2013, 6 (2013).

14. Marin, C., Holderied, F. S., Salvati, G. & Bottan, R. E. Nível de Informação sobre Doenças Periodontais dos pacientes em tratamento em uma clínica universitária de Periodontia. Salusvita 31(1), 19–28 (2012).

15. Almeida et al. Condições periodontais em portadores de diabetes mellitus atendidos no centro de referência sul fluminense de diabetes e hipertensão de vassouras-rj. Braz J Periodontol 25, (2015).

16. Quirino, M., Jardim, J., Rezende, P., Bulhões, R. & Pallos, D. Doença periodontal e diabetes mellitus : uma via de mão dupla. Rev. Ciênc. Méd. 18, 235–41 (2009).

17. Laísa, A., Lima, D. O., Ítala, J., Wanderley, B. & Peixoto, F. B. Percepção sobre saúde bucal de mulheres vivendo com hiv / aids. Rev. Semente 6, 117–130 (2011).

18. Rovida. TA, et al. O conceito de saúde geral e bucal na visão dos cuidadores de idosos The meaning of general and oral health on the elderly caregiver ’ s view. Odontol. Clín.-Cient 12, 43–46 (2013).

19. Nuto, S. D. A. S., Nations, M. K. & Costa, Í. D. C. C. Aspectos culturais na compreensão da periodontite crônica: um estudo qualitativo. Cad. Saude Publica 23, 681–690 (2007).

20. Figueiredo. M, Silva. D, B. A. et al. Autopercepção e conhecimento sobre saúde bucal de moradores de uma comunidade carente do município de Porto Alegre-RS. ConScientiae 7, 43–48 (2008).

21. Pinelli, C., Paula, A. & Turrioni, S. Autopercepção em higiene bucal de adultos : reprodutibilidade e validade. Rev. Odontol. da UNESP 37, 163–169 (2008).

22. Silva. P, Santana. S, Almeida. Elvia, A. A. et al. Impacto do número de dentes no desempenho de atividades diárias The dental number influence on daily performance. RFO 12, 13–17 (2007).

9. DIFICULDADES: A seleção dos voluntários da presente pesquisa não foi possível ser realizada no segundo semestre de 2015, devido a greve dos professores da UFPA. Este fato atrasou significativamente o estudo, pois no planejamento inicial, em janeiro de 2016, previa-se uma amostra de cem indivíduos. Contudo, a triagem de indivíduos para a pesquisa normalizou-se apenas em fevereiro de 2016.
PARECER DO ORIENTADOR: A aluna bolsista tem realizado as atividades com eficiência.
DATA : 28/02/2016



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ASSINATURA DO ORIENTADOR


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ASSINATURA DO ALUNO

FICHA DE AVALIAÇÃO DE RELATÓRIO DE BOLSA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA
O AVALIADOR DEVE COMENTAR, DE FORMA RESUMIDA, OS SEGUINTES ASPECTOS DO RELATÓRIO :


  1. O projeto vem se desenvolvendo segundo a proposta aprovada? Se ocorreram mudanças significativas, elas foram justificadas?



  1. A metodologia está de acordo com o Plano de Trabalho ?



  1. Os resultados obtidos até o presente são relevantes e estão de acordo com os objetivos propostos?



  1. O plano de atividades originou publicações com a participação do bolsista? Comentar sobre a qualidade e a quantidade da publicação. Caso não tenha sido gerada nenhuma, os resultados obtidos são recomendados para publicação? Em que tipo de veículo?



  1. Comente outros aspectos que considera relevantes no relatório



  1. Parecer Final:

Aprovado ( )

Aprovado com restrições ( ) (especificar se são mandatórias ou recomendações)

Reprovado ( )


  1. Qualidade do relatório apresentado: (nota 0 a 5) _____________

Atribuir conceito ao relatório do bolsista considerando a proposta de plano, o desenvolvimento das atividades, os resultados obtidos e a apresentação do relatório.

Data : _____/____/_____.


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Assinatura do(a) Avaliador(a)












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