Relato de experiência: um olhar sobre a criança com síndrome de down nas atividades de educaçÃo física em uma escola da periferia de rio claro no estado de são paulo



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RELATO DE EXPERIÊNCIA: UM OLHAR SOBRE A CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN NAS ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM UMA ESCOLA DA PERIFERIA DE RIO CLARO NO ESTADO DE SÃO PAULO.

Karina Polezel de Sales



kpolezel@yahoo.com.br

Janete Costa da Silva Maia



jarovil@yahoo.com.br

Prefeitura Municipal de Rio Claro/ SP.



RESUMO

O relato de experiência justifica-se pelo fato de ter na escola de Educação Infantil, localizada na periferia da cidade de Rio Claro/SP, uma criança com Síndrome de Down (SD), que apresenta comprometimento nas áreas comunicacional, afetiva e, principalmente, de interação, neste caso, percebe-se traços do espectro autístico. Foram realizadas atividades de Educação Física no período de fevereiro a abril de 2014 que proporcionaram um atendimento que beneficiará as especificidades do aluno com SD. Todos os alunos têm direito à educação de qualidade e os professores de Educação Física e do Atendimento Educacional Especializado são fundamentais, pois eles proporcionarão o desenvolvimento e o crescimento dos alunos facilitando a apropriação dos conhecimentos acadêmicos.

Karina Polezel de Sales

Professora de Educação física

Janete Costa da Silva Maia

Professora especialista

Telefone: (19) 3533-2833


INTRODUÇÃO
O princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças deveriam aprender juntas, independentemente de dificuldades ou diferenças que possam apresentar. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas necessidades de seus alunos, acomodando estilos e ritmos diferentes de aprendizagem. Devem assegurar a todos uma educação de qualidade, por meio de currículo apropriado, modificações organizacionais, estratégias de ensino, uso de recursos e parcerias com a comunidade. Nas escolas inclusivas, as crianças com necessidades educacionais especiais devem receber qualquer apoio extra de que possam precisar, para que lhes seja assegurada uma educação efetiva (UNESCO, 1994).

Há, na educação inclusiva, a introdução de uma nova maneira de ver os outros e de ver a educação. Assim, inclusão significa modificação da sociedade como pré-requisito para a busca do desenvolvimento e exercício da cidadania. Desse modo, há que se preparar a escola para incluir nela o aluno com deficiência, a fim de que os benefícios sejam múltiplos para todos os envolvidos com a educação: os alunos, os professores e a sociedade (FREITAS, 2006).

É neste contexto que busca-se entender a importância da criança com deficiência ter uma vivência participativa na escola. Tendo tal fato como premissa, apresentar-se-á um relato de experiência desenvolvido nas aulas de Educação Física com uma criança Síndrome de Down (SD) que está na educação infantil de uma escola situada na periferia da cidade de Rio Claro no Estado de São Paulo.

A Síndrome de Down é resultado da descrição de Langdon Down, médico inglês que pela primeira vez identificou, em 1866, as características de uma criança com essa síndrome (SCHWARTZMAN, 2003). Em1959, o médico francês Jérôme Lejeune identificou a presença de um cromossomo a mais em indivíduos com SD (caracterizando, assim, uma trissomia do cromossomo 21), e essa identificação, até hoje, é considerada a principal causa genética de deficiência intelectual. Entretanto, é de grande importância compreender, seja para o aprendizado acadêmico, seja para as relações familiares, que, tanto as habilidades intelectuais quanto as sociais de crianças com SD, são maximizadas quando elas são criadas em um ambiente de apoio, com estimulação adequada (STRAY-GUNDERSEN, 2007). A educação da criança com SD é uma atividade complexa, entre outras razões, pela necessidade de se introduzir adaptações de ordem curricular.

O aluno veio para a escola em outubro de 2013 com idade de 4 anos e desde quando chegou percebeu-se que não tinha os estímulos necessários para desenvolver suas capacidades cognitivas, afetivas e emocionais. A criança não tem comunicação estabelecida e há prejuízos na parte motora – podendo indicar que não houve uma boa estimulação nos primeiros dias de vida –, da mesma maneira não apresenta apreensão, contato visual, emoções como alegria, tristeza, medo, etc.

Suspeita-se que a criança apresenta quadro dentro do espectro autístico, por nas observações notar-se que apresenta comprometimento em todas as áreas de interação (social, comunicacional e comportamento restrito e repetitivo), que são características do espectro.


DESENVOLVIMENTO, RESULTADOS E CONCLUSÃO.
Primeiramente procurou-se entender quais eram as necessidades do aluno com Síndrome de Down. Através de pesquisas constataram-se alguns aspectos motores característicos como: hipotonia (uma baixa tensão nos músculos), frouxidão nas articulações, membros mais curtos em relação ao tronco e mãos pequenas (Movimentos Down, 2013). Nas pesquisas, além da orientação da professora coordenadora pedagógica e professora especialista da Sala de Recursos Multifuncional, ficou claro que a inclusão de alunos com Síndrome de Down tem a necessidade de algumas atitudes, tais como a repetição de orientações durante as atividades, instruções visuais, definição de limites claros e atividades com níveis adequados à capacidade da criança.

Gorla (1997, p. 18) expõe as vantagens do trabalho da Educação Física escolar com os alunos com SD:


“A Educação Física exerce um papel de fundamental importância para o desenvolvimento do aluno. Através dela podemos proporcionar-lhe condições de vida compatíveis com as da sociedade, buscando assim o caráter da normalização, a instrução, o direito, a socialização e sua conscientização como forma de integração em seu ambiente, respeito as suas diferenças individuais, suas necessidades, possibilidades e limites pessoais [...]”
A sociedade exige das pessoas competências para as funções cotidianas, saúde para o bem-estar e requer integração para a permanência num processo de inclusão. A escola deve reproduzir esse sistema, de forma crítica, oferecendo oportunidades a todas as pessoas, especialmente àquelas que mais necessitam. De outra forma, elas se negarão à vida e à sociedade, e estas se negarão àquelas ou simplesmente as ignorarão.

Desta forma, pudemos considerar que os objetivos da Educação Física com alunos com SD são vários, tais como: estimular o crescimento e o desenvolvimento, hipertrofia muscular, flexibilidade, melhoria na capacidade cardiorrespiratória, além de promover muitas descobertas dos próprios movimentos, alegria, motivação, sem esquecer na formação para os relacionamentos sociais do indivíduo. (SILVA e FERREIRA, 2001)

Diante destas informações pudemos traçar um plano de trabalho com o aluno. No início do ano ele não participava de praticamente nada nas aulas de Educação Física. Aos poucos fomos entendendo quais eram suas reais necessidades e conseguimos uma boa evolução.

O primeiro tópico do planejamento era fazê-lo interessar-se pelas aulas. Sua maior necessidade e ansiedade era conseguir brincar com diferentes materiais. Assim, durante as atividades, o estimulávamos a pegar e agarrar diferentes materiais como bola, bambolê, bexiga, corda, etc. Como a dificuldade em segurar era muito grande iniciou-se com materiais menores e mais leves e com um brinquedo visualizado no Simpósio do SESC 2013. Esse brinquedo tem por finalidade ajudar os alunos com dificuldades de apreensão de materiais e o mesmo foi utilizado com toda a sala para melhor integração social e inclusão do aluno. Em seguida, logo que apresentou evolução, o aluno foi desafiado com materiais maiores, mais pesados e com diferentes formas.

De acordo com o plano traçado, o próximo passo era trabalhar com estimulação auditiva através de músicas e atividades rítmicas com intenção de melhorar a interação social com a turma, já que de acordo com as pesquisas realizadas, a criança com esta síndrome gosta muito de músicas e dança. Porém, o referido aluno apresenta alguns traços de autismo e não se adaptou bem a esse tipo de aula, pois não gosta de barulho, se irrita e chora. Passamos, então, para o próximo tópico do planejamento, deixando as atividades rítmicas para outro momento quando o aluno estiver mais bem adaptado.

Assim, iniciou-se o trabalho com circuitos de habilidades motoras onde o aluno deve superar obstáculos e desafios como passar por cima, por baixo, pular, passar por dentro, etc. Ele se adaptou muito bem às atividades, conseguiu realizar vários desafios como passar por dentro do bambolê, passar por cima da corda, levantar os pés, passar dentro do “túnel”, etc.

Vale ressaltar que as respostas do aluno são lentas, muitas vezes são necessárias de 3 a 4 intervenções e orientações e só após algumas tentativas ele apresentava resposta positiva; porém, diante do quadro visualizado no início do ano, sua evolução foi muito grande.

De maneira geral, é possível destacar que o aluno já é capaz de: reconhecer algumas partes do seu corpo (pé, mão, cabeça), segurar e lançar diferentes materiais, superar obstáculos com altura e extensão. Além disso, sua coordenação motora geral ampla apresentou grande melhora, assim como atividades cotidianas: sentar, levantar, comer, pegar no lápis/giz, etc.

O planejamento ainda não foi concluído, muito ainda deve ser feito, mas as respostas aparecem, nos apresentando feedback positivo diante do que vem sendo trabalhado.

Portanto, é possível concluir que a Educação Física é uma área que se presta imensamente à melhoria do atendimento das pessoas com deficiência porque age com vistas à formação global do ser. Ela tem a particularidade de poder colocar o corpo em movimento e em simbiose, de forma que cada um e todos se beneficiem ao mesmo tempo de um processo de formação interna e externa. O movimento é um requisito importante na escola, pois, por meio dele, as pessoas reconhecem a si mesmas, experimentam o universo, a relação com o outro, a capacidade de si, a representação de situações. Exatamente isso vem sendo feito durante as aulas nesta escola, com o intuito de uma formação integral deste e de todos os alunos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREITAS, S. N. A formação de professores na educação inclusiva: construindo a base de todo o processo. In: RODRIGUES, D. (Org.). Inclusão e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. São Paulo: Summus, 2006.


Guia de Estimulação para Crianças com síndrome de Down. 2013. Disponível em: http://www.movimentodown.org.br/2013/04/guia-de-estimulacao-para-criancas-com-sindrome-de-down/#sthash.3G09X6jq.dpuf. Acesso em: 10/04/2014
SANTOS, D.A.; LAMBORGUNI, D.B.; Lima, E.N. Benefícios da educação física para alunos com síndrome de down da Associação Pestalozzi de Ouro Preto do oeste/RO. 2007. Disponível em: http://www.def.unir.br/downloads/1209_beneficios_da_educacao_fisica_para_alunos_com_sindrome_de_do.pdf. Acesso 14/04/2014.
SCHWARTZMAN, J. S. Síndrome de Down. 2. ed. São Paulo: Memnon: Mackenzie, 2003. SHERMAN, S.L. et al. Epidemiology of Down Syndrome. Mental Retardation and Developmental Disabilities Research Reviews, v.13, p.221-227, 2007.

      1. SILVA, D.R.; FERREIRA, J.S. Intervenções na educação física em crianças com síndrome de down. Revista da Educação Física/UEM, v.12, n.1, 2001.


STRAY-GUNDERSEN, K. Crianças com síndrome de down: guia para pais e educadores. Trad. Maria Regina Lucena Borges-Osório. Porto Alegre: Artmed, 2007.
UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília: CORDE, 1994.
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