ReconstruçÃo do ligamento cruzado anterior com o uso dos tendões dos flexores- pela técnica de “cross-pin” (transfixò)



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RECONSTRUÇÃO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR COM O USO DOS TENDÕES dos flexores- PELA TÉCNICA DE “CROSS-PIN” (TRANSFIXÒ)
HAMSTRING ANTERIOR CRUCIATE LIGAMENT RECONSTRUCTION USING FEMORAL CROSS-PIN FIXATION
Marcos Vinicius Malheiros Luzo1, Cláudio Kawano2, Mário Carneiro Filho3, Ricardo Dizioli Navarro4
Trabalho realizado no Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (DOT – UNIFESP/EPM)
1.Doutor em Medicina; Membro Efetivo do Grupo de Joelho do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da UNIFESP/EPM.

2.Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

3.Professor Afiliado; Doutor e Vice-Chefe do Grupo do Joelho do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da UNIFESP/EPM.

4.Livre Docente; Doutor e Chefe do Grupo de Joelho do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da UNIFESP/EPM.




Endereço para correspondência:
R Borges Lagoa, 783, 5º andar

Vila Clementino – CEP: 04038-032

São Paulo – SP

Tel: (11) 5571 6621/ 5579 4642



E-mail: claudiokawano@terra.com.br

RESUMO

Objetivo: Avaliar a reconstrução do LCA quanto a técnica cirúrgica com flexores o tipo de fixação, resultados funcionais e complicações. Apresentar a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) com o uso dos duplos tendões dos músculos semitendíneo e grácil, utilizando a técnica de “cross-pin” com pino TransFix para fixação femoral e parafuso de interferência bioabsorvível para fixação tibial. Material e Método: Foram submetidos a esta técnica 157 pacientes (158 joelhos). A idade variou de 15 a 59 anos (média de 31,5 anos), sendo 138 (88%) do sexo masculino e 19 (12%) do sexo feminino. O tempo de seguimento foi de sete a 33 meses (média de 18,53). São apresentadas as dificuldades e as vantagens desta técnica, suas complicações e os resultados a médio prazo computados segundo o protocolo da International Knee Documentation Committee, a avaliação funcional do joelho de Lysholm e a escala subjetiva analógica visual do joelho de Noojin. Resultados: Obteve-se no protocolo do I.K.D.C. 58 pacientes (36,7%) normal (A), 66 (41,7%) próximo ao normal (B) , 29 (18,4%) anormal (C) e cinco (3,2%) muito anormal (D). Pela escala de Noojin, uma média de 7,12 e pela de Lysholm, média de 91,68 pontos. Conclusão: Os resultados foram considerados plenamente satisfatórios e compatíveis com a literatura, sendo esta técnica uma alternativa para a reconstrução do LCA.

Descritores: Ligamento Cruzado Anterior/Cirurgia; Tendões/Transplante; Parafusos ósseos; Artroscopia.

ABSTRACT

Objective: This is a presentation in reconstructing the anterior cruciate ligament by means of the cross-pin technique. The reconstruction is done by using the double thickness tendons of the semitendinosus and gracilis muscles, where the tendons are fixed on the femur with a TransFix pin and on the tibia with an absorbable interference screw. Material and Method: Between May 1999 and August 2001, 158 knees of 157 patients we submitted to this technique. The average age of the group was of 31,5 years, with ages ranging from 15 to 59. 138 (88%) were male and 19 (12%) were females. The average follow-up period was of seven to 33 months (18,53 average). The difficulties and advantages of this relatively new technique are presented. The drawbacks and mid term results were obtained using criteria from the International Knee Documentation Committee (I.K.D.C.), the Lysholm functional knee evaluation (1985) and the subjective analogic visual knee scale Noojin (2000). Results: From the I.K.D.C. protocol we got: 58 patients (36,7%) normal (A), 66 (41,7%) near to normal (B), 29 (18,4%) abnormal (C) and five (3,2%) severely abnormal (D). Using the Noojin’s scale we got an average of 7,12 points, and according to Lyshom’s scale an average of 91,68 points. Conclusion: The results were considered satisfactory and aligned with the available literature.

Keywords – Anterior Cruciate Ligament/Surgery; Tendon/Transplant; Bone screws; Arthroscopy

INTRODUÇÃO


O tratamento é cirúrgico(1) para a grande maioria dos pacientes sintomáticos (dor e instabilidade). Muitos são os substitutos para a reconstrução do LCA: auto-enxertos, aloenxertos e ligamentos artificiais, sendo os auto-enxertos os mais utilizados. Dentre eles destacam-se o terço central do ligamento patelar, os tendões dos músculos semitendíneo e grácil e o tendão quadricipital.

Estudos biomecânicos autorizaram o uso destes tendões, pois, tanto o ligamento patelar como os flexores (quando duplos ou associados), são os mais fortes e mais resistentes que o próprio LCA (2,3,4) .

A reconstrução do LCA pela técnica do ligamento patelar é uma das mais conhecidas, porém existem também algumas críticas relevantes, principalmente quanto à dor crônica anterior no joelho e à reabilitação muitas vezes dolorosa em seu início. A técnica de reconstrução do LCA com os tendões flexores tem como finalidade permitir uma reabilitação mais tranqüila e menos dolorosa do que a técnica com o ligamento patelar, conferindo ao paciente uma estabilidade funcional e mecânica semelhantes (5,6) .

O objetivo deste trabalho é avaliar a técnica cirúrgica, de reconstrução do ligamento cruzado anterior com uso dos duplos tendões do semitendíneo e grácil e fixação com pino TransFix no fêmur (“cross-pin”) e parafuso absorvível na tíbia, bem como as dificuldades técnicas, os resultados e complicações a médio prazo.



MATERIAL E MÉTODO


O material estudado é composto por 158 joelhos em 157 pacientes submetidos à cirurgia de reconstrução do LCA pela técnica de “cross-pin” com uso dos duplos tendões dos músculos semitendíneo e grácil, fixados com pino TransFix no fêmur e parafuso bioabsorvível na tíbia.

O diagnóstico foi confirmado pela história clínica (a principal queixa da maioria dos pacientes era o falseio), exame físico e avaliação por imagem (ressonância magnética).

Entre os 157 pacientes, 138 (87,90%) eram do sexo masculino e 19 (12,10%) eram do sexo feminino. A idade variou de 15 a 59 anos, com média de 31,5 anos. Em relação à cor, 148 eram brancos e nove não brancos. Quanto à atividade física e esportiva: 144 (91,71%) pacientes exerciam de modo recreacional ou amadora, 12 (7,64 %) não exerciam qualquer atividade esportiva e um (0,65 %) paciente era futebolista profissional.

O lado direito foi acometido em 102 (64,96%) pacientes e o lado esquerdo em 56 (35,04%) pacientes. Em relação aos tipos de procedimentos cirúrgicos, foram realizadas 155 (98,10%) cirurgias primárias e três (1,90%) revisões.

Obteve-se 11 (6,96%) pacientes em que só foi possível a utilização do tendão do semitendíneo, ou por motivos anatômicos (tendão do grácil muito curto e insuficiente) ou pela nossa própria curva de aprendizado. Não foi obtido nenhum caso de perda do tendão do semitendíneo, e em todos os pacientes o seu comprimento foi suficiente. Estudos como o de Tohyama et al(7) nos davam tranqüilidade quanto ao tamanho e área de secção transversal dos tendões por nós utilizados. Alguns estudos, como o de Hamada et al(8), mostram que esta morbidade na retirada do enxerto pode ser diminuída realizando uma avaliação pré-operatória do comprimento e espessura dos tendões flexores pela ressonância magnética. Nestes 11 pacientes foi realizada a técnica que utiliza o tendão duplo do semitendíneo com o mesmo tipo de fixação, respaldados na literatura tanto em estudos biomecânicos testando a resistência deste enxerto quanto em estudos cirúrgicos que mostram bons resultados(3,4,9,10).

O tempo de seguimento variou de sete a 33 meses, com média de 18,53 meses.

Foram encontradas lesões associadas em 95 (60,12%) joelhos, sendo 81 (51,26%) lesões de menisco medial, 48 (30,37%) lesões de menisco lateral, e 23 (14,55%) lesões condrais.

Os pacientes e os respectivos joelhos operados foram avaliados pelos protocolos de avaliação ligamentar do joelho propostas por: 1) International Knee Documentation Committee , 2)Lysholm(11,12) traduzida, avaliação funcional e 3) pela escala subjetiva analógica visual do joelho de Noojin et al(13). As avaliações de Lysholm e Noojin foram realizadas no pré e pós-operatório e a de I.K.D.C., no pós-operatório. Os pacientes foram avaliados entre sete e 33 meses.

A comparação entre as duas avaliações (pré e pós-operatória) em relação à escala de Lysholm foi feita pelo teste “t de Student” e para a escala de Noojin pela prova não paramétrica de Wilcoxon, devido à distribuição não normal dos valores da escala.

A presença de associação entre as escalas foi verificada pelo coeficiente de correlação não paramétrica por postos de Spearman, devido à natureza dos dados.


TÉCNICA CIRÚRGICA

Os pacientes foram submetidos preferencialmente a bloqueio anestésicos loco-regional (peridural ou raquianestesia).

Iniciou-se o procedimento cirúrgico por meio de uma incisão dois dedos ou 3 cm distais a interlinha articular e a mesma distância medial à tuberosidade da tíbia. A incisão é oblíqua, no sentido cranial, com inclinação de aproximadamente 45º medial em relação à linha média e aproximadamente 2,5 cm de comprimento.

Os tendões foram dissecados e submetidos à sutura contínua não ancorada em suas extremidades. Iniciou-se a artroscopia e o tratamento das lesões associadas quando necessário. Os túneis tibial e femoral foram realizados respeitando os pontos isométricos.

Através dos túneis ósseos tibial e femoral introduzimos o guia em “U”, por onde passamos o fio guia de 3,0 mm. Em seguida, passou-se uma pequena broca dilatadora da cortical lateral do fêmur e, finalmente, o fio de nitinol, que transfixa a região metafisária femoral para em seguida ser tracionado posteriormente pelo guia em “U” até a sua exteriorização na tíbia.

O enxerto foi colocado neste fio seguindo-se a tração em suas extremidades, fazendo com que o enxerto duplo ficasse alojado dentro dos túneis (figura 1). Pelo próprio fio de nitinol foi passado o pino TransFix (“cross-pin”), o qual foi então fixado por impactação na face lateral do fêmur, através de uma chave apropriada.

O pré-tensionamento do enxerto foi feito com movimentos de flexo-extensão do joelho e a seguir colocamos o parafuso bioabsorvível (geralmente 1mm maior que espessura do enxerto, e de preferência com 28 mm de comprimento) (figura 2).

Realizou-se o fechamento das incisões respeitando os planos anatômicos e colocado dreno de aspiração contínua pelo portal em todos os casos. O enfaixamento coxo-maleolar compressivo e a colocação de um imobilizador de joelho fixo em extensão encerrou o procedimento.

A reabilitação iniciou-se no primeiro dia pós-operatório com exercícios isométricos e crioterapia, mantendo-se o enfaixamento e o imobilizador. Os pacientes tiveram alta hospitalar deambulando com o auxílio de duas muletas e carga parcial por 10 dias, período no qual iniciaram-se exercícios de flexo-extensão passivos e ativos assistidos.

No segundo retorno, entre o 10° e 15º pós-operatório, o imobilizador foi retirado assim como os pontos cirúrgicos e liberou-se a carga sem muletas e começamos os exercícios de fortalecimento muscular para quadríceps e isquiotibiais.

Orientamos os pacientes para que os exercícios de propriocepção fossem feitos entre o 2º e o 3º mês e a corrida só foi indicada a partir do quarto mês. Entre o 5º e o 6º mês, os pacientes iniciaram exercícios de adaptação específicos às suas atividades esportivas que foram se intensificando até que, ao redor do 8º. mês o retorno ao esporte de origem fosse completo.


Resultados

Os 157 pacientes eram portadores de lesão completa do LCA associada ou não a lesões meniscais e/ou condrais. O tempo da lesão variou de três semanas a 18 anos, com média de 18,53 meses. Somente um paciente apresentava instabilidade anterior bilateral e ambos os joelhos foram submetidos à reconstrução do LCA.

Os resultados foram analisados e são demonstrados de acordo com os itens abaixo: I)Avaliação pelo protocolo do I.K.D.C.; II)Avaliação pela escala subjetiva de Noojin; III)Avaliação pela escala funcional de Lysholm; IV)Avaliação das variáveis Lachman, “Pivot Shift” e Gaveta Anterior e correlação entre elas.

I – AVALIAÇÃO PELO PROTOCOLO DO I.K.D.C.

No protocolo de avaliação ligamentar do joelho pelo I.K.D.C. (Gráfico1) obteve-se 58 (36,7%) com resultado normal (A), 66 (41,7%) próximo ao normal (B), 29 (18,4%) anormal (C) e 5 (3,2%) muito anormal (D).



II- AVALIAÇÃO PELA ESCALA SUBJETIVA DE NOOJIN

Na escala subjetiva analógica visual de Noojin (Tabela 1) os 157 pacientes (158 joelhos) apresentaram média de 7,12 (DP = 1,20 ) no pré-operatório e 0,62 (DP = 0,95) no pós-operatório, mostrando redução estatisticamente significante (p < 0,001) no pós em relação ao pré-operatório. Todos os 158 pacientes apresentaram redução no valor da escala, com queda percentual média de -91,61% (DP = 11,93%), com mediana de -96,19%, variando entre -100,00% e -26,19%.



III - Avaliação DA ESCALA FUNCIONAL DE LYSHOLM

Na escala de avaliação funcional do joelho LYSHOLM (Tabela 2) os 157 pacientes (158 joelhos) apresentaram média de 42,78 (DP= 12,67) no pré-operatório e 91,68 (DP = 10,91) no pós-operatório, mostrando um aumento estatisticamente significante (p < 0,001) no pós em relação ao pré-operatório. Todos os 157 pacientes (158 joelhos) apresentaram uma melhora no valor da escala, com aumento percentual médio de 131,26% (DP = 67,82%), com mediana de 119,84%, variando entre 21,95% e 354,55%.

Considerando a classificação segundo a pontuação da escala de Lysholm no pré-operatório, seis (3,8%) apresentavam resultado regular e 152 (96,2%) apresentavam resultado mau. No pós-operatório foram encontrados 113 (71,5%) resultados excelentes, 24 (15,2%) bons, 14 (8,9%) regulares e sete (4,4%) maus.

IV - AVALIAÇÃO DAS VARIÁVEIS GAVETA ANTERIOR, LACHMAN , “PIVOT SHIFT” E CORRELAÇÃO ENTRE ELAS.

Foram analisados e correlacionados entre si os subitens Gaveta Anterior, Lachman e “Pivot Shift” da escala I.K.D.C. e encontrados os seguintes resultados (Tabela 3): Gaveta anterior: 80 (50,6%) ausente, 51 (32,3%) positiva + , 25 (15,8%) positiva ++ e dois (1,3%) positiva +++ ; Lachman: 100 (63,3%) ausente, 44 (27,8%) positivo + , 13 (8,2%) positivo ++ e um (0,6%) positivo +++ ; “Pivot Shift”: 133 (84,2%) ausente, 15 (9,5%) positivo + , nove (5,7%) positivo ++ e um (0,6%) positivo +++.

As três variáveis apresentaram correlação estatisticamente significante com melhor correlação para Lachman x Gaveta Anterior onde o coeficiente de Spearman está mais próximo de 1 e a pior foi entre Lachman x “Pivot Shift” por apresentar o menor coeficiente.

Foram observadas as seguintes complicações: pino de TransFix saliente (1), quebra do fio de nitinol (1), infecção superficial (2) e profunda (1). Com exceção dos pacientes com infecção superficial que foram tratados com antibioticoterapia, todos os outros foram submetidos a novo procedimento cirúrgico que tiveram boa evolução ao final do acompanhamento.


DISCUSSÃO

A técnica cirúrgica ideal seria a reconstrução do LCA com um enxerto forte e resistente, instrumental preciso e fixação suficientemente rígida para suportar carga e exercícios de ganho precoce de arco de movimento, sem morbidade e que permitisse o rápido retorno do paciente para suas atividades de vida diária e esportiva, com um joelho indolor e estável.

Com o objetivo de tentar diminuir as complicações da cirurgia de reconstrução com o uso do ligamento patelar e, ao mesmo tempo, fornecer uma boa estabilidade mecânica e funcional para o joelho, iniciou-se um estudo com a técnica de reconstrução do LCA utilizando os duplos tendões dos semitendíneo e grácil com fixação femoral por meio do pino de TransFix (“cross-pin”) e fixação com parafuso de interferência bioabsorvível (PLLA) na tíbia.

A técnica de fixação femoral com pino ou parafuso transverso (“cross-pin”) tem sido largamente utilizada com sucesso(14,15,16,17), com pequena morbidade, sendo firme e superior à fixação com Endobutton ou com Endotape(18).

Utilizou-se o parafuso de interferência bioabsorvível para fixação tibial porque, além da vantagem de não dificultar eventual revisão futura, alguns trabalhos mostraram resultados semelhantes ou superiores quando comparado ao de titânio(19).

Em 1998, Hoffmann et al(20) preconizaram o uso do tendão quádruplo do semitendíneo e grácil, pois observaram em seus pacientes uma piora na manobra de “Pivot Shift” de 11% para 20% ao utilizar o semitendíneo duplo, em avaliações com dois e seis anos, respectivamente. Os pacientes com tendão do semitendíneo duplo isolado apresentaram resultados semelhantes aos demais pacientes do nosso estudo.

Hoffmann et al(20) e Eriksson et al(21) tiveram uma média de 60% de resultados normais e próximos do normal enquanto que os resultados que outros autores(14,15,22,23) obtiveram uma média superior a 80% nos mesmos resultados. Os resultados obtidos neste trabalho foram semelhantes aos dos últimos autores (78,5% normais e próximos do normal).

Com relação aos resultados obtidos na avaliação funcional de Lysholm notamos uma maior uniformidade na literatura(13,15,20). Observou-se uma relação direta entre os resultados da escala subjetiva funcional analógica visual de Noojin e os da escala de avaliação funcional do joelho Lysholm.

As variáveis Gaveta Anterior, Lachman e “Pivot Shift” apresentaram resultados compatíveis com a literatura(17,24).

A técnica de reconstrução do LCA com tendões flexores permite ganho mais fácil do arco de movimento, com menos dor, além de possibilitar o retorno às atividades diárias com maior facilidade e no máximo em 15 dias (na maioria dos pacientes), quando comparada com a técnica de reconstrução do LCA utilizando o ligamento patelar(25,26,27).

Camanho e Andrade(28) também observaram uma significativa tendência de ocorrerem complicações mais graves com a técnica do ligamento patelar, durante o período de reabilitação.
ConcluSÃo

A cirurgia de reconstrução do LCA com uso dos tendões flexores por meio da fixação com pino “cross-pin” e parafuso bioabsorvível mostrou-se firme e eficiente, nesta série de casos, com resultados satisfatórios a médio prazo na maioria dos pacientes. Apresenta ainda, resultados funcionais semelhantes e complicações menos graves quando comparados com a reconstrução do LCA com ligamento patelar, sendo os flexores (semitendineo e grácil) uma boa opção para reconstrução do LCA.
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FIGURA 1 - Enxerto já posicionado no fio de nitinol para ser introduzido nos túneis tibial e femoral.


Figura 2 - Fixação do enxerto com parafuso absorvível



Gráfico 1: resultados da avaliação pelo I.K.D.C


Avaliação

Média

DP

Mediana

Mínimo

Máximo

Pré

7,12

1,20

7,35

4,0

9,2

Pós

0,62

0,95

0,30

0,0

6,2


Tabela 1 – Comparação dos valores pré e pós-operatórios da escala subjetiva analógica visual de Noojin de acordo com a média, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo de cada fase.


Avaliação

Média

DP

Mediana

Mínimo

Máximo

Pré

42,78

12,67

42

16

82

Pós

91,68

10,90

95

49

100


Tabela 2 – Comparação dos valores pré e pós-operatórios da escala de Lysholm de acordo com a média, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo de cada fase.






Ausente

+

++

+++

Gaveta Anterior

80

51

25

2

Lachman

100

44

13

1

Pivot Shift

133

15

9

1


Tabela 3 – Avaliação das variáveis Gaveta Anterior, Lachman e Pivot Shift no pós-operatório.




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