Quarta-feira, 24 maio de 2006



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Quarta-feira, 24 maio de 2006







VIDA&










 





































 

Cáries e brocas pré-históricas

Fernando Reinach*

Cemitérios fazem a felicidade dos arqueólogos. Nesses locais é possível analisar centenas de esqueletos acumulados ao longo de muitas gerações. Isso permite que se investiguem as características das populações pré-históricas. É possível estudar de que doenças e com que idade teriam morrido seus membros.

Existem arqueólogos que constroem suas carreiras escavando cemitérios. Foi num desses cemitérios, no Paquistão, que foi revelado um dos primeiros indícios do que hoje chamamos de dentística.

O cemitério está localizado em uma das rotas que ligam o Afeganistão ao vale do Rio Indus. Foi nessa região ocupada inicialmente por tribos nômades e posteriormente por civilizações que cultivavam o algodão e outros cereais, que foi descoberto o cemitério denominado MR3. Nele foram escavadas mais de 300 sepulturas de uma população neolítica. Os corpos mais antigos forma sepultados há 9 mil anos e os mais recentes, 5.500 anos antes do nascimento de Cristo. Lá foram encontrados oito esqueletos - quatro mulheres, dois homens e três de sexo indeterminado -, todos com cavidades escavadas em seus dentes. No total foram encontradas 12 proto-obturações. As cavidades foram feitas na superfície utilizada para a mastigação e têm de 1 a 3 milímetros de diâmetro e até 3 milímetros de profundidade. Elas atravessam o esmalte do dente e atingem a dentina. Fazer o furo deve ter doído. Algumas das cavidades têm um formato cônico, outras um formato esférico, o que provavelmente reflete o tipo de broca utilizado. Apesar de a superfície dos buracos ainda apresentarem as marcas das brocas, foi possível determinar que os furos foram feitos antes da morte dos indivíduos, uma vez que o uso dos dentes desgastou as bordas das cavidades.

Possíveis brocas foram encontradas no local. Elas provavelmente eram fixadas em hastes de madeira. Um arco era usado para girar a broca e fazer a cavidade, uma tecnologia utilizada para perfurar sementes e fazer colares. Tentativas de repetir a operação utilizando as brocas originais e dentes modernos demonstraram que os furos podem ser feitos em questão de minutos.

Pouco se sabe sobre o motivo que levou este povo a fazer as cavidades. Dificilmente serviam de ornamento, pois os molares tratados, por serem posteriores, não são visíveis. Tampouco se encontrou dentro das cavidades qualquer material que tivesse a função das modernas obturações. É possível que a função das escavações fosse aliviar a dor provocada pelas cáries. O fato é que a tecnologia foi abandonada, pois nas centenas de sepulturas mais recentes não foram encontrados dentes "tratados".

Estudos como esse mostram como o desenvolvimento de uma tecnologia pode levar milhares de anos, desde as primeiras experiências abandonadas até seu aperfeiçoamento e uso generalizado. Qual será a reação dos arqueólogos, daqui a milhares de anos, quando escavarem nossos cemitérios e encontrarem incrustações, coroas, pontes e dentaduras? Provavelmente dirão: "Este povo ainda não possuía vacinas contra cáries nem sabia regenerar dentes".

Mais informações em Early neolithic tradition of dentistry, na Nature, vol. 440, pág. 755, 2006.

*fernando@reinach.com



Biólogo




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