Protocolos iniciais para micropropagaçÃo de manjericão ocimum basilicum L



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PROTOCOLOS INICIAIS PARA MICROPROPAGAÇÃO DE MANJERICÃO (Ocimum basilicum L.)

Bruna Maria Benedet 1; Camila Menagali de Pieri 1 e Gilmar Pezzopane Plá 2

Resumo

A multiplicação in vitro tem por objetivo a produção de plantas em grande escala, sendo que estas plantas se desenvolvam em condições adequadas para o posterior plantio em campo. Assim, o presente trabalho teve como objetivo estabelecer protocolos de cultura in vitro (micropropagação) para o manjericão (Ocimum basilicum), de modo a aumentar a taxa de proliferação dos explantes, em sua primeira fase de multiplicação in vitro. Para isso foi desenvolvido uma metodologia de desinfecçao e isolamento de sementes de manjericao “in vitro”. Também foram desenvolvidos protocólos para multiplicação in vitro, de enraizamento de segmentos nodais e obtençao de plantas completas de manjericão. Os resultados mostraram que os meios com protocólos modificados, para multiplicação in vitro, de MS semi-sólido com 30 g L­-1 de sacarose e 100 mg L-1 de mio-ionositol para a metade desta concentração, apresentaram as plantas com desenvolvimento pleno destas.

Palavras-chave: Protocolos, micropropagação e manjericão.

1Acadêmica do curso de Agronomia da Unisul e bolsista do PMUC – bruna.benedet@unisul.br ; camila.pieri@unisul.br

2 Engº Agrº Dr. orientador, Agronomia, Campus Tubarão. gilmar,pla@unisul.br

Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL – Curso de Agronomia – Premio Mérito Universitário – PMUC/FAPESC.



Introdução

Segundo dados da Empresa Brasileira de Produtos Agropecuários – EMBRAPA (2005), o Brasil é o 7° mercado consumidor de medicamentos e a maioria da sua população não dispõe de recursos financeiros para tratar da saúde. Os medicamentos fitoterápicos movimentam no Brasil cerca de U$$ 260 milhões por ano, o que constitui um importante nicho de mercado para a agricultura familiar e orgânica. Para a obtenção de um medicamento sintético são gastos cerca de U$$ 500 milhões, partindo de 100.000 produtos, no prazo de 10 anos, enquanto grande parte das plantas medicinais encontra-se associada a valores culturais de uso imediato pelas populações de baixa renda. Com relação ao mercado de fitoterápicos, no Brasil, de 1999 para 2000, as vendas aumentaram 15%, enquanto o mercado de sintéticos cresceu apenas 3 a 4%.



Para Bueno (2001), os avanços de ciências como a Biologia, Bioquímica e Genética Molecular, no último quarto de século, possibilitaram o surgimento de uma nova área de estudos conhecida como Biotecnologia. Este ramo da biologia engloba um conjunto de técnicas desenvolvidas em organismos vivos visando fazer ou modificar produtos em laboratório, promover o melhoramento de plantas ou animais, ou produzir microrganismos com funções especializadas. Os conhecimentos em biologia molecular proporcionaram notáveis progressos no campo da Biotecnologia. Hoje, avançadas técnicas microrganismos. É utilizada amplamente no setor industrial, mas admite-se que é na agricultura que tem apresentado os maiores benefícios, como no melhoramento genético, através de novas recombinações gênicas que não podem ocorrer na natureza; no controle de doenças e pragas das plantas, sem uso de pesticidas; na qualidade dos produtos agrícolas; na redução da degradação ambiental.

Quando o cultivo convencional é inviável, o uso de técnicas biotecnológicas se constitui uma ferramenta bastante útil para a obtenção de culturas de células in vitro e reprodução de explantes com características desejáveis, tais como: resistência a pragas e outras condições de estresse, propagação rápida, alta produtividade e elevado rendimento de substâncias ativas de interesse (Zenk, 1998; Zenk, 1996).

A capacidade de regeneração total de plantas a partir de suas células ou tecidos tem sido extremamente valiosa para a biotecnologia vegetal. Cada célula contém a informação genética para todas as funções, incluindo a biossíntese de metabólitos secundários.

A regeneração de plântulas in vitro através de cultura de brotos, conhecida como micropropagação, freqüentemente utilizada para a obtenção de clones que mantém todas as características da planta-mãe, constitui-se em uma técnica especialmente vantajosa para a preservação de genótipos produtores de moléculas bioativas (Buffa Filho et al, 2002).

O uso de plantas medicinais pela população mundial tem sido muito significativo nos últimos tempos. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 80% da população mundial faz uso de algum tipo de erva na busca de alívio de alguma sintomatologia dolorosa ou desagradável. Desse total, pelo menos 30% dá-se por indicação médica (Martins, 1995). Dentre as medicinais mais conhecidas pela população encontra-se a espécie de Ocimum basilicum L., conhecida popularmente por manjericão.

O manjericão verde também conhecido por alfavaca cheirosa, tem origem no Oriente Médio e norte da África. Esta é uma espécie muito valorizada pela qualidade de óleo essencial e aroma que produz sendo amplamente utilizada como planta condimentar e aromática, porém, apresenta também um alto potencial medicinal, devido aos princípios ativos como: estragol, eugenol, linalol, alcânfora e tanino, óleos essenciais e voláteis, saponinas, terpenos, além de cálcio, vitamina A e B2. Possui entre outras propriedades ação carminativa, digestiva, antibiótica, anti-reumática, emenagoga e sudorífica (Vieira, 2007 e ROCHA et al 2008). A principal dificuldade no uso das espécies pertencentes à família Lamiaceae para os propósitos farmacêuticos é a imensa heterogeneidade dos compostos da espécie, assim dificultando o estudo genético e bioquímico.

A propagação vegetativa através do uso de mini-estacas é uma técnica alternativa para multiplicação de plantas que podem ser útil na manutenção de genótipos favoráveis de manjericão na forma de clone.

Desta forma a pesquisa na área de cultura de tecidos com espécies vegetais, mais especificamente com manjericão, vem de encontro aos interesses da UNISUL, que definiu a área de plantas medicinais como um projeto institucional envolvendo os cursos de Agronomia, Ciências Biológicas e Farmácia, que apresentam relação com a área.

Assim, o presente trabalho teve como principal objetivo estabelecer protocolos de cultura in vitro (micropropagação) para o manjericão (Ocimum basilicum), de modo a aumentar a taxa de proliferação dos explantes, em sua primeira fase de multiplicação in vitro.

Metodologia


  1. Desinfecção e isolamento de sementes de manjericão in vitro.

Foram utilizados como fonte de explantes, segmentos nodais com aproximadamente 1 cm de comprimento, retirados de plantas cultivadas in vitro em meio MS semi-sólido com 30 g L­-1 de sacarose e 100 mg L-1 de mio-ionositol, a partir do melhor protocolo de desinfecção de sementes isoladas in vitro.

2- Ambiente de Cultivo:

As culturas foram mantidas em sala de crescimento apropriada (Figura 1), à temperatura de 25°C+/- 2°C, sob fotoperíodo de 16 horas, providos por lâmpadas fluorescentes Phillips TDL com intensidade luminosa de 22.3 μmol.m-1.s-1, e umidade relativa em torno de 70%.



3- Multiplicação in vitro:

Para análise do melhor meio de multiplicação foi realizado um experimento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 x 5, sendo duas doses de ANA (0 e 0,2 mg L-1) e três de BAP (0; 1,0 e 2,0 mg L-1), adicionadas ao meio básico MS, o qual teve seu pH ajustado para 5,8 após a adição dos fitorreguladores e antes da autoclavagem. Foram utilizadas dez repetições, sendo cada uma representada por um frasco contendo quatro explantes e 30 mL de meio.

Os segmentos nodais resultantes das brotações das gemas isoladas, e contendo 2 gemas axilares, foram subculturados, em câmara de fluxo laminar, no meio de cultura descrito anteriormente para manjericão. Também foram testados nos meios de cultura in vitro diferentes tipos de antioxidantes (ex: Ac. Ascórbico).

Figura 1. Sala de crescimento



Resultados

Os resultados obtidos nos isolamentos propostos inicialmente no projeto, não foram tão significativos, como os testes experimentais realizados com metade da concentração de Meio MS semi-sólido, onde na metodologia proposta utilizou-se de uma concentração de MS semi-sólido com 30 g L­-1 de sacarose e 100 mg L-1 de mio-ionositol. Nestes testes obteve-se 90% de plantas completas desenvolvidos com melhor qualidade do que as anteriores (em meio completo de MS) (Figura 2).



Assim, foram modificados os protocólos para multiplicação in vitro, de MS semi-sólido com 30 g L­-1 de sacarose e 100 mg L-1 de mio-ionositol para a metade desta concentração. Além disso, a quantidade proposta de Meio MS em cada tubo era de 30 ml, porém foi utilizada 10 ml/tubo, pois a concentração e as quantidades propostas não trouxeram resultados esperados.



Figura 2- Plantas de manjericão cultivadas in vitro

Referências Bibliográficas

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BUFFA FILHO, W.; SOARES PEREIRA, A.M.;FRANÇA, S.C.;FURLAN, M.. Indução de Metabólitos Bioativos em Culturas de Células de Maytenus Ilicifolia. Eclet. Quím. vol.27 no.special São Paulo 2002.

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