Protocolo de avaliaçÃo admissional multidimensional do idoso institucionalizado


º tema sugerido - AS DOENÇAS COMUNS DA VELHICE6



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17º tema sugerido - AS DOENÇAS COMUNS DA VELHICE6


Sérgio Márcio Pacheco Paschoal

Antes de mais nada devemos nos lembrar de que velhice não significa doença. Todos nós podemos chegar a idades avançadas “vendendo saúde” se nos prepararmos para isso com hábitos de vida saudáveis: alimentação correta, exercícios físicos, trabalho e alegria de viver. Estudos realizados em nosso país mostram que grande número de idosos têm boa saúde e só 18 % apresentam problemas importantes. (em qual idade?)

Mas se prestarmos atenção aos idosos que têm problemas de saúde podemos observar que há algumas doenças que são mais comuns entre eles. Temos certeza que todos já encontraram idosos com hipertensão, diabetes, doenças dos ossos ou das juntas, ressecamento do intestino, depressão e em menor número com câncer, doenças do pulmão como bronquite ou enfisema ou com doenças infecciosas como pneumoina ou infecção urinária.

Os idosos freqüentemente apresentam várias doenças ao mesmo tempo e geralmente essas doenças são de longa duração, sendo que muitas não têm cura mas têm tratamento que permitem controlá-las e que a pessoa continue vivendo normalmente, igual aos outros.

Por outro lado, em alguns casos as doenças podem levar à imobilidade, às quedas, à confusão mental, à incontinência (perda involuntária da urina ou das fezes) ou a várias alterações causadas pela falta, excesso ou erro na medicação ou na dieta.

Falaremos aqui das doenças mais freqüentes, definindo-as e descrevendo os respectivos sintomas e tratamentos.


I - Hipertensão arterial


É sem dúvida uma das doenças mais comuns entre os idosos. A hipertensão arterial ou pressão alta significa que a pressão do sangue sobre as paredes das artérias é muito forte. A pressão arterial é considerada normal até 14 x 9. Quando a pessoa tem valores maiores é considerada hipertensa.

A hipertensão é muito importante, porque quando não controlada pode ser a causa de várias doenças, principalmente o derrame, a angina (dor no coração), o infarto e a paralisia dos rins.


Causas da pressão alta


Quase nunca descobrimos a causa da hipertensão, no entanto, existem fatores considerados de risco que podem favorecer o seu aparecimento:

a) Fatores constitucionais: alguns fatores são da própria pessoa e não podemos fazer nada para evitá-los, como:



  • idade: a média da pressão arterial é maior quanto maior for a faixa etária;

  • sexo: é mais freqüente em mulheres;

  • fatores genéticos: é mais comum na raça negra e nos descendentes de hipertensos.

b) Fatores ambientais: dependem da vontade da pessoa

  • ingestão excessiva de sal;

  • álcool: a ingestão todos os dias de mais de uma cerveja ou um copo de vinho ou uma dose de pinga, uísque ou vodca favorece a hipertensão;

  • gordura: principalmente a animal;

  • tabagismo ( cigarro de palha, filtro, charuto, cachimbo);

  • fatores ligados ao trabalho: estresse, ruído, calor excessivo, etc.;

  • excesso de peso.

O que devemos fazer


  1. A hipertensão pode ser uma doença leve, moderada ou grave e é o médico que vai verificar isso para poder tratar o paciente; às vezes será necessário tomar remédios e às vezes não, mas independente da gravidade da doença algumas medidas sempre deverão ser tomadas e são tão importantes quanto os remédios. São elas:

  • redução da quantidade de sal na comida;

  • perda de peso para pacientes obesos;

  • eliminação do consumo de bebidas alcoólicas;

  • prática de exercícios físicos aeróbicos (caminhada, natação, dança, etc.);

  • abandono do fumo;

  • aumento do teor de alimentos com fibras (folhas, frutas com bagaço, verduras cruas, cereais integrais, etc.).

  1. O paciente hipertenso deverá ser acompanhado sempre pelo médico e é este profissional que indicará a frequencia das consultas. A hipertensão não tem cura, mas pode ser muito bem controlada quando são seguidas todas as orientações dadas pelo médico. Quando o paciente puder pertencer a uma “liga de hipertensos” ou outro serviço de saúde específico para hipertensos, será atendido por uma equipe de vários profissionais que lhe ajudarão de uma forma muito mais completa a controlar a sua doença.

II - Diabetes

O que é


O diabetes é uma doença causada pelo aumento do açúcar (glicose) no sangue. O pâncreas produz a insulina que controla a entrada de glicose nas células do corpo para que elas possam produzir energia. Todas as vezes que são ingeridos açúcares (massas e doces), o pâncreas lança no sangue determinada quantidade de insulina necessária para o aproveitamento desses alimentos.

No diabetes, tal mecanismo não funciona convenientemente. Em conseqüência, os açúcares não são aproveitados e o teor de glicose aumenta no sangue causando os sintomas da doença. Por exemplo, a glicose em excesso é eliminada pelos rins, carregando grande quantidade de água e o paciente começa a urinar muito e ter muita sede; também, não produzindo-se energia pelo aproveitamento da glicose, o organismo retira essa energia das gorduras, ocasionando emagrecimento.

O diabetes no jovem se manifesta principalmente pelos seguintes sintomas: urina muito, sente muita sede, come muito e perde peso. Pode sentir também fraqueza e prurido na vulva (coceira nos genitais da mulher). O paciente jovem, geralmente, não produz mais insulina e por isso precisa fazer uso diário desta substância.

As pessoas que apresentam diabetes em idades mais avançadas (quase sempre após os 40 anos), geralmente não precisam usar insulina porque eles produzem um pouco, só que ela não funciona adequadamente. Estes pacientes muitas vezes têm que tomar remédios para ajudar no controle da doença. A forma que a doença se manifesta pode ser diferente daquela dos jovens. Perda de peso, fadiga, prurido na vulva, infecção de urina ou incontinência urinária, são alguns sinais e sintomas presentes no idoso com diabetes. Vários pacientes se apresentam ao médico já com complicações da doença, tais como: catarata, alterações nos rins, redução da visão ou machucados difíceis de cicatrizar nos pés. Isto se deve ao fato de muitos permanecerem sem sentir nada por um período prolongado de suas vidas.

O paciente com diabetes também pode apresentar hipoglicemia, que é a diminuição do açúcar no sangue. Nos pacientes que usam insulina, trata-se de dose indevidamente elevada, administração em horário impróprio, falta ou insuficiência de uma refeição, ou exercício físico intenso fora da rotina do paciente. Os pacientes que tomam remédios orais podem ter hipoglicemia quando associam bebida alcoólica em grande quantidade ou permanecem em jejum prolongado. A hipoglicemia no idoso pode se manifestar como confusão mental ou dormências transitórias ou às vezes aparece, como nos jovens, com suor frio, tremores, sensação de fraqueza e fome, palpitações e tontura.

O que fazer


Nas hipoglicemias prolongadas e freqüentes as funções renal e cardiovascular podem ser afetadas e aumenta a predisposição ao derrame e quedas. Sempre que uma pessoa tem hipoglicemia deve consumir algum alimento doce (refrigerante, biscoito, etc.).

Às vezes o idoso com diabetes pode ter dormência nos pés, isso facilita que a pessoa se machuque e não perceba, facilitando as infeções. As deformidades nos pés, o uso de cigarro, a obesidade, a hipertensão arterial e o aumento de gorduras no sangue favorecem o aparecimento de úlceras nos pés.



Toda pessoa com diabetes deve observar os pés diariamente.

Causas


Para que uma pessoa fique diabética, em geral é preciso que seja predisposta ao diabetes sendo que vários fatores podem favorecer o aparecimento da doença, tais como: obesidade, sedentarismo, infeção, trauma emocional ou determinados medicamentos.

Independente da idade de aparecimento da diabetes, além da insulina ou do remédio oral (quando necessário) a dieta e o exercício físico fazem parte do tratamento e são tão importantes quanto os remédios.


Como tratar


Os objetivos do tratamento do diabetes são: prevenir hiperglicemia após a pessoa ter-se alimentado (prevenir o aparecimento dos sintomas de perda de glicose como perda excessiva de urina e desidratação); prevenir a hipoglicemia quando o paciente estiver usando insulina ou remédio oral (confusão mental, queda, suor, etc.); atingir e manter o peso ideal; manter as gorduras do sangue (triglicerídeos e colesterol) em níveis normais e prevenir ou retardar complicações vasculares, alterações da visão, dos nervos e dos rins.

Dieta


O tratamento dietético consiste, basicamente, em reduzir e equilibrar a ingestão de açúcares (doces e massas) para sobrecarregar o mínimo possível o mecanismo regulador deficiente da glicose sangüínea. A dieta do diabético é uma dieta normal, que contém calorias suficientes para sua atividade e manutenção do peso e é adequada em proteínas, minerais e vitaminas. Os alimentos devem ser distribuídos em 5 ou 6 refeições durante o dia, com horários regulares.

De modo geral, devem ser retirados da dieta: açúcar e qualquer preparação que o contenha (sobremesas doces, geleia, gelatinas, bombons, frutas adoçadas, refrigerantes, bolos, etc.), mel, melado e rapadura. Usar adoçantes artificiais.

Deve-se evitar bebidas alcoólicas, carnes gordurosas, frituras, salame, toucinho, bacon, salsicha e pele de aves.

Os vegetais folhosos em geral, tomate, pimentão e jiló podem ser ingeridos à vontade e os demais devem obedecer prescrição individual de quantidades, haja visto não ter restrição a nenhum.

Incluir alimentos protéicos de alta qualidade, como carne e leite em quantidade moderada.

O consumo de frutas deve ser estimulado, observando-se as limitações, principalmente para a banana (1 unidade / dia), caqui (1 unidade / dia), uva (15 unidades / dia) e manga (1 unidade / dia).


Exercício físico


Outro ponto fundamental no tratamento é o exercício físico, ele contribui para a redução do peso corporal, melhorar o controle da glicose no organismo, ter mais liberdade na dieta e diminuir a dose do remédio oral ou da insulina; também melhora o estado circulatório, psíquico e físico em geral. São recomendados exercícios aeróbicos como a caminhada, por períodos de 20 a 30 minutos. Deve-se realizar uma avaliação cardiovascular adequada inicialmente. A quantidade de exercícios deverá ser incrementada progressivamente.

III – Os reumatismos

O que são


As queixas mais frequentes entre os pacientes idosos relacionados com “reumatismos” são dores nas “cadeiras” (coluna lombar ou lombalgia), dores nas costas, dores nas pequenas e grandes juntas do corpo (ombro, quadril, joelhos e mãos) e dores musculares. Entre elas a mais comum é a osteoartrose, osteoartite, ou simplesmente artrose.

A artrose é uma doença que poderíamos dizer, típica da velhice, pois ela é causada pelo envelhecimento das cartilagens articulares, fato que determina o “desgaste das juntas” e causam dor; é nesta doença que aparecem os bicos de papagaio nas radiografias. Outras doenças músculo - esqueléticas que determinam dores e alterações nas pessoas idosas são: osteoporose (“ossos frágeis e quebradiços”), artrite reumatóide (“reumatismo deformante das mãos e punhos”), gota (“alteração devido aos níveis sangüíneos elevados de ácido úrico” por ingestão excessiva de proteínas como na carne, feijão, vagens, maçã, etc.), canceres ósseos, entre outros.


O que fazer


É claro que sendo doenças diferentes, devem ser prevenidas e tratadas de modo diferente. Entretanto, existem alguns pontos comuns que podem ser observados no sentido de ajudar e orientar a pessoa idosa para uma busca correta de tratamento e / ou melhora de sua qualidade de vida. Entre esses pontos podemos citar:

  1. Toda pessoa que tem dor óssea, articular ou muscular intensa, que piora dia-a-dia, que não melhora com analgésicos comuns, que é acompanhada de outros sintomas, como febre e emagrecimento, deve ser orientada no sentido de procurar assistência médica.

  2. As pessoas obesas devem ser orientadas para perder peso, pois este é um fator agravante de dores nas juntas.

  3. Os idosos que têm vida sedentária, devem ser estimulados a se expor ao sol e fazer exercícios, como a caminhada, por exemplo, desde que o façam com segurança e de preferência antes das 10 horas da manhã. A dança também é um bom exercício físico, pois além da atividade física, ajuda na socialização do idoso.

  4. A dieta baseada em leite e derivados é útil na prevenção da osteoporose. Deve-se dar preferência ao leite desnatado, queijo branco, ricota e coalhadas, para não elevar os níveis sangüíneos de colesterol. Peixe é uma excelente fonte de vitamina D, que ajuda a absorver o cálcio.

  5. Evitar pegar pesos além dos limites para a idade.

  6. Evitar situações que possam propiciar quedas (retirar tapetes, iluminar escadas e vãos, colocar corrimão e apoios em locais de difícil acesso, etc.).

  7. Evitar esforços repetitivos.

  8. Abolir ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, fumo e café.

  9. Para as pessoas da terceira idade que têm dores articulares por algum tipo de “reumatismo”, do tipo “inflamatório”, nos períodos sem dor, está muito bem indicado a hidroginástica e natação, que são excelentes meios para ampliar os movimentos das juntas (articulações), uma vez que a água anula a força da gravidade e auxilia nos exercícios. Também exercícios específicos para as juntas das mãos e pendulares para os ombros ajudam o idoso a se libertarem de rigidez e melhoram sua qualidade de vida.

O que fazer com “as dores nas costas”


Uma queixa muito comum entre os idosos é a dor lombar e a melhor maneira de preveni-la ou não permitir que ela piore, é adotar bons hábitos posturais. Entre estes podemos destacar os seguintes:

  1. Para dormir deve-se adotar posições corretas, isto é, não dormir em decúbito ventral (“de barriga para baixo”). Se dormir sobre os ombros, é melhor usar travesseiro alto. Se dormir em decúbito dorsal (“barriga para cima”), pode-se usar travesseiro baixo. Deve-se escolher um colchão firme, de consistência não tão dura como solo nem irregular e mole. Ele deve ter a elasticidade necessária para modelar e apoiar o corpo.

  2. Procurar não ficar muito tempo sentado, e se o fizer, nunca se sentar em bancos baixos sem encosto, pois isso aumenta a curvatura da coluna lombar e piora e desencadeia a dor. Se tiver de permanecer sentado, não fazê-lo por muito tempo e escolher cadeiras mais altas, com apoio dorso-lombar e para os braços.

  3. Ao assistir televisão, colocar o aparelho de TV na altura dos olhos, nunca acima, para evitar dores no pescoço.

  4. Quando for apanhar um objeto do solo ou levantar algum peso, sempre flexionar o joelho e aproximar o peso do corpo.

Se a dor lombar já estiver instalada ou se instalar agudamente enquanto se procura ajuda médica deve-se proceder da seguinte maneira:

  • REPOUSO NO LEITO é o principal item no tratamento da dor na coluna. Esse repouso deve ser feito com as pernas encolhidas se o paciente deitar-se de lado ou com um apoio sob as pernas se estiver em decúbito dorsal (“de barriga para cima”).

  • Uso de calor, como bolsa de água quente durante 20 minutos, 2 vezes ao dia, no local da dor, também é um ótimo início de tratamento.

  • Além disso, pode ser instituído também, o tratamento com medicamentos e / ou fisioterapia. Entretanto estes só devem ser prescritos Por médicos.

Nunca permitam que sejam feitas manipulações em pacientes idosos sem a orientação médica, principalmente sem fazer radiografias, pois isso pode levar a consequências desastrosas.

Muito cuidado com massagistas não habilitados!

IV- Osteoporose

O que é


A osteoporose é uma doença muito comum nos idosos, principalmente entre as mulheres depois da menopausa. Com a osteoporose, os ossos vão se tornando frágeis e quebradiços. Embora não exista a cura para a osteoporose, ela pode ser controlada e muitas vezes prevenida.

O que fazer


As principais medidas na prevenção e / ou tratamento da osteoporose são:

  • Exercícios: os exercícios que colocam o pé no solo, como caminhada, corrida e dança, são os melhores. Eles devem ser feitos de 3 a 5 vezes por semana e de acordo com o equilíbrio e capacidade de cada um, sem se expor a esforços exagerados. Também é útil que esses exercícios sejam feitos nas primeiras horas da manhã, pois o sol, nesse horário contém mais raios ultravioleta que fabricam vitamina D na pele, a qual é indispensável para a melhor absorção do cálcio que favorece a fabricação do osso.

  • Dieta rica em cálcio: esta é conseguida com leite e derivados, como já foi mencionado. Entretanto os idosos, às vezes, têm intolerância ao leite. Nesses casos recomenda-se o uso de cálcio medicamentosos. O uso de farelo de casca de ovo proporciona cálcio à alimentação de modo barato, entretanto a quantidade de cascas de ovos que é necessária para fornecer a quantidade de cálcio é tão grande, que só esse método se torna impraticável (em torno de 40 cascas de ovos para 800 mg de cálcio, que é a dose mínima diária).

  • Os hormônios ou Terapia de reposição hormonal: é o melhor meio de se evitar e tratar a osteoporose na mulher, onde ela é mais freqüente, na proporção de 10 mulheres para 1 homem. Na menopausa há, normalmente, uma diminuição de produção do hormônio feminino, o estrogênio e com isso, inicia-se um processo de perda óssea. Isso ocorre em torno dos 50 anos. Se nessa fase a mulher procurar um ginecologista e se submeter a um tratamento com hormônios, certamente terá muito menor chance de desenvolver a doença.





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